quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Maria, minha Mãe Maria

Vatican Media Live - Português (Missa)

Audiência Geral 31 de dezembro de 2025 - Papa Leão XIV

LEÃO XIV

AUDIENCIA GERAL

Praça de São Pedro
Quarta-feira, 31 de dezembro de 2025


Locutor:

Estamos a terminar este ano e, olhando para trás, somos convidados a agradecer ao Senhor pelos benefícios recebidos e a fazer um sincero exame de consciência, avaliando o modo como correspondemos aos dons de Deus e pedindo perdão por não termos acolhido bem as suas inspirações e talentos. Estamos também a concluir o Jubileu e dele poderemos conservar duas grandes imagens: a do caminho e a da porta santa. O caminho recorda que a nossa existência é uma viagem, a fazer com Cristo que nos conduz à Vida verdadeira; a porta santa evoca a passagem a uma vida nova, possibilitada sempre por Deus, que nos perdoa, nos dá a sua graça e continuamente nos modela de novo a partir da mensagem de amor do Evangelho.

* * *

Santo Padre:  

Rivolgo un cordiale benvenuto ai pellegrini di lingua portoghese. Auguro a tutti che il passaggio tra il vecchio e il nuovo anno sia segnato da una ferma decisione di rendere ancora di più la vita conforme al Vangelo di Gesù. Così troveranno compimento gli auguri scambiati in queste feste di Natale. Buon Anno Nuovo, nella pace di Cristo.

* * *

Locutor:

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa. Desejo a todos que a passagem do ano velho para o novo seja marcada por uma firme decisão de conformar cada vez mais a vida ao Evangelho de Jesus. Assim se concretizarão os votos trocados nestas festas de Natal. Feliz Ano Novo, na paz de Cristo.

Homilia Diária | 7º Dia na Oitava do Natal (31/12/2025)

SANTO DO DIA - 31 DE DEZEMBRO: SÃO SILVESTRE

Laudes de 31 de Dezembro

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O Papa surpreendeu a todos com uma mensagem de Feliz Natal em 10 idiomas...

MEJORES MOMENTOS del Papa León XIV | El Papa más cercano

Comentario al VI Día de la Octava de Navidad

Para deixar Deus agir, é preciso esvaziar-se, diz Leão XIV


Leão XIV em audiência no Palácio Apostólico, no Vaticano, em 29 de dezembro de 2025 ??
Papa Leão XIV em audiência hoje (29) no Palácio Apostólico, no Vaticano. | Vatican Media
 

O papa Leão XIV disse hoje (29) que, para permitir a ação de Deus na vida pessoal, é necessário "esvaziar-se" e cultivar uma profunda interioridade.

O papa falava a um grupo de peregrinos da paróquia de São Tomás de Villanueva, de Alcalá de Henares, Espanha, no palácio Apostólico, no Vaticano.

O encontro ocorreu no contexto do Ano Jubilar, que Leão XIV disse ser “um tempo particularmente significativo para a Igreja”. O papa agradeceu aos peregrinos por sua solidariedade espiritual e pelo apoio “com as suas orações e generosidade”, dizendo que é “um gesto de comunhão e proximidade”.

Em sua saudação, Leão XIV falou sobre a figura de são Tomás de Villanova, bispo espanhol e frade agostiniano, padroeiro da paróquia, dizendo que ele era um homem “que se mostrou aberto à ação de Deus em sua vida”.

“Essa disposição para servir o levou a fazer muito bem à Igreja e à sociedade de seu tempo”, disse o papa.

Leão XIV exortou os fiéis a se inspirar em algumas características marcantes do santo espanhol, começando por sua intensa vida espiritual.

“Em sua vida e escritos, ele nos revela uma busca incessante pela oração contínua, ou seja, uma inquietação santa de estar na presença de Deus a cada momento”, disse o papa. “Isso requer uma profunda interioridade; requer esvaziar-se para escutar e deixar o Senhor agir”.

Leão XIV também falou sobre sua “sobriedade e simplicidade”, assim como “seu trabalho altruísta”, especialmente no ambiente universitário, e seu “zelo apostólico”. O papa disse que todas essas qualidades levam a crer que “devemos reconhecer os talentos que recebemos e colocá-los a serviço da comunidade, com esforço e dedicação, para que se multipliquem em benefício de todos”.

Num mundo que “parece nos oferecer tudo de maneira cada vez mais rápida e fácil”, Leão XIV exortou as pessoas a reconhecer os talentos que receberam e a colocá-los “a serviço da comunidade, com esforço e dedicação, para que se multipliquem em benefício de todos”.

Ele também elogiou a simplicidade de são Tomás de Villanova (1486-1555), historicamente reconhecido como o "arcebispo dos Pobres" ou o "esmoleiro de Deus" por sua imensa caridade.

"Gostaria de destacar seu amor pelos pobres", disse o papa.

Referindo-se à vida paroquial dos peregrinos, Leão XIV agradeceu pela sensibilidade concreta deles para com os mais necessitados, dizendo que "os pobres não são só pessoas a serem ajudadas, mas a presença sacramental do Senhor".

 (acidigital)

Terceira porta santa do Jubileu 2025 é fechada em São Paulo Fora dos Muros


Fechamento da porta santa da basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, em 28 de dezembro de 2025 ??
Porta santa da basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, Itália, é fechada ontem (28). | Pool AIGAV.
 

A porta santa da basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, foi oficialmente fechada ontem (28). A cerimônia foi conduzida pelo arcipreste da basílica, cardeal James Michael Harvey.

Assim, o Jubileu da Esperança 2025 chega ao fim em três das quatro basílicas papais. A porta santa de Santa Maria Maior foi fechada no Natal, a porta de São João de Latrão no sábado (27) e ontem (28) a porta de São Paulo Fora dos Muros, dedicada ao “apóstolo dos Gentios”.

O cardeal Harvey ajoelhou-se para o rito e fechou a porta vermelha, que simboliza o martírio de são Paulo.

A porta santa de São Paulo Fora dos Muros foi aberta em 5 de janeiro, a quinta e última porta santa do Jubileu da Esperança. No ano passado, o papa Francisco também abriu uma porta santa na igreja do Pai Nosso, na Prisão de Rebibbia, em Roma.

“Chegamos ao fim de um tempo de graça”, disse o cardeal Harvey na missa que celebrou depois do rito de encerramento. “O fechamento da porta santa marca a conclusão visível do Ano Jubilar e, ao mesmo tempo, preserva e reafirma seu profundo significado”.

“Na liturgia da Igreja, o que sempre chega ao fim é um período de tempo, mas a misericórdia de Deus permanece perpetuamente aberta; o que sempre permanece aberto é o caminho da conversão e da esperança que esse tempo gerou”, disse o arcipreste. “Neste lugar venerável onde estamos, confiado à memória do apóstolo Paulo, sentimos a poderosa ressonância das palavras que acompanharam todo o Jubileu: A esperança não decepciona”.

A esperança não decepciona porque se baseia no amor fiel de Deus

“A porta santa que se fecha hoje é muito mais do que uma simples passagem física; foi um limiar espiritual, um chamado dirigido a cada um de nós para deixarmos para trás o que oprime nossos corações e entrarmos no reino da misericórdia”, disse o cardeal Harvey. “Atravessá-la significou reconhecer que a salvação vem da humilde entrega Àquele que, só Ele, pode dar pleno sentido às nossas vidas. A tradição da Igreja nos lembra que a porta santa era o sinal do retorno à casa do Pai. Ainda hoje, Deus nunca fecha a porta para a humanidade; é a humanidade que é chamada a atravessá-la”.

Segundo o arcipreste, o papa Francisco “enfatizou claramente” esse ponto: a esperança é concreta. “O papa Leão XIV continua, com significativa e profunda continuidade, o caminho iniciado: uma única esperança, fundada em Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre”.

“O peregrino que cruzou a porta é enviado de volta ao mundo como testemunha, levando o dom recebido para a vida diária”, concluiu o cardeal Harvey. “Uma responsabilidade se abre diante de nós: somos chamados a ser testemunhas credíveis de esperança num mundo marcado por divisões e medos. Que a porta da missão permaneça aberta, porque o mundo precisa de Cristo”.

 

Leão XIV alerta sobre perigos dos jogos de azar, que ‘arruínam muitas famílias’


Papa Leão XIV conversa com assessores trabalhistas no Vaticano em 29 de dezembro de 2025 ??
Papa Leão XIV conversa hoje (29) com assessores trabalhistas no Vaticano. | Vatican Media
 

O papa Leão XIV falou hoje (29) sobre o perigo dos jogos de azar para muitas famílias, em audiência com membros da Associação Nacional de Municípios Italianos (ANCI).

No início de seu discurso proferido hoje no Palácio Apostólico, no Vaticano, o papa disse que “a encarnação do Filho de Deus nos faz encontrar uma criança, cuja frágil mansidão se choca com a arrogância do rei Herodes”.

Assim, ele disse que "o massacre dos inocentes por ele ordenado não significa só a perda do futuro para a sociedade, mas é manifestação de um poder desumano, que não conhece a beleza do amor porque ignora a dignidade da vida humana".

Pelo contrário, o papa disse que o nascimento do Senhor “revela o aspecto mais autêntico de todo poder, que é, antes de tudo, responsabilidade e serviço” e que toda autoridade deve “encarnar as virtudes da humildade, da honestidade e da partilha”.

Assim, Leão XIV falou sobre o compromisso público da associação italiana, falando a ela sobre a importância da escuta “como dinâmica social que ativa essas virtudes”, especificamente “às necessidades das famílias e das pessoas, cuidando especialmente dos mais frágeis, para o bem de todos”.

O papa Leão XIV concentrou sua atenção em algumas realidades que exigem atenção especial, como as dificuldades enfrentadas pelas famílias e pelos jovens, assim como a solidão dos idosos e o "grito silencioso dos pobres".

Sobre isso, ele disse que "nossas cidades não são lugares anônimos, mas rostos e histórias a serem guardados como tesouros preciosos".

Ele também citou o venerável Giorgio La Pira, conhecido como o “santo prefeito” de Florença, que disse que seu dever fundamental era cuidar e socorrer todos os que sofriam. Assim, o papa disse que “a coesão social e a harmonia cívica exigem, em primeiro lugar, ouvir os pequenos e pobres”.

Em seguida, ele exortou os membros da Associação Nacional de Municípios Italianos a "se tornarem mestres da dedicação ao bem comum, promovendo uma aliança social pela esperança".

Lamentando que as cidades estejam vivendo modos de marginalização, violência e solidão “que precisam ser enfrentadas”, ele alertou especificamente sobre o vício em jogos de azar, “que arruínam muitas famílias”. Citando o relatório mais recente da Cáritas Itália, o papa disse que esse tipo de vício em jogos de azar é um “grave problema educacional, de saúde mental e de confiança social”. 

“Não podemos esquecer também outros tipos de solidão que afetam muitas pessoas: distúrbios psíquicos, depressões, pobreza cultural e espiritual, abandono social”, disse o papa. “São sinais que indicam o quanto há necessidade de esperança. Para testemunhá-la de modo eficaz, a política é chamada a tecer relações autenticamente humanas entre os cidadãos, promovendo a paz social”.

Leão XIV exortou que a atividade administrativa promova "os talentos das pessoas, dando profundidade cultural e espiritual às cidades".

Ao fim de seu discurso, ele pediu que tivessem "a coragem de oferecer esperança às pessoas, projetando juntos o melhor futuro para suas terras, na lógica de uma promoção humana integral".

 

Homilia Diária | Como nutrir a esperança? (6º Dia na Oitava do Natal - 3...

SANTO DO DIA - 30 DE DEZEMBRO: SÃO RUGERO

Liturgia das Horas: laudes - oitava de Natal (30/12/25)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

DISCURSO DEL SANTO PADRE LEÓN XIV

DISCURSO DEL SANTO PADRE LEÓN XIV
A LOS MIEMBROS DE LA ASOCIACIÓN NACIONAL DE MUNICIPIOS ITALIANOS (ANCI)

Sala Clementina
Lunes, 29 de diciembre de 2025


En el nombre del Padre, del Hijo y del Espíritu Santo.

¡La paz esté con ustedes!

Eminencia,

queridos hermanos y hermanas, buenos días y bienvenidos.

Me es grato encontrarme con todos ustedes, que representan a la Asociación Nacional de Municipios Italianos. Vivimos este encuentro en el tiempo de Navidad y al término de un año jubilar: la gracia de estos días ilumina sin duda también su servicio y sus responsabilidades.

La encarnación del Hijo de Dios nos hace encontrar a un niño, cuya mansa fragilidad se enfrenta a la prepotencia del rey Herodes. En particular, la matanza de los inocentes que él ordenó no solo significa la pérdida del futuro para la sociedad, sino que es manifestación de un poder inhumano, que no conoce la belleza del amor porque ignora la dignidad de la vida humana.

Por el contrario, el nacimiento del Señor revela el aspecto más auténtico de todo poder, que es ante todo responsabilidad y servicio. Para que cualquier autoridad pueda expresar estas características, es necesario encarnar las virtudes de la humildad, la honestidad y el compartir. En su compromiso público, en particular, son conscientes de lo importante que es la escucha, como dinámica social que activa estas virtudes. Se trata, de hecho, de prestar atención a las necesidades de las familias y de las personas, cuidando especialmente de los más frágiles, por el bien de todos.

La crisis demográfica y las dificultades de las familias y los jóvenes, la soledad de los ancianos y el grito silencioso de los pobres, la contaminación del medio ambiente y los conflictos sociales son realidades que no les dejan indiferentes. Mientras tratan de dar respuestas, saben bien que nuestras ciudades no son lugares anónimos, sino rostros e historias que hay que custodiar como tesoros preciosos. En este trabajo, se convierten en alcaldes día tras día, creciendo como administradores justos y fiables.

A este respecto, sirva de ejemplo el venerable Giorgio La Pira, quien, en un discurso a los concejales de Florencia, afirmaba: «Ustedes tienen un solo derecho frente a mí: ¡el de negarme su confianza! Pero no tienen derecho a decirme: Señor alcalde, no se preocupe por las personas sin trabajo (despedidos o desempleados), sin hogar (desahuciados), sin asistencia (ancianos, enfermos, niños). Es mi deber fundamental. Si hay alguien que sufre, tengo un deber preciso: intervenir de todas las maneras posibles, con todos los recursos que el amor sugiere y que la ley proporciona, para que ese sufrimiento se reduzca o se alivie. No hay otra norma de conducta para un alcalde en general y para un alcalde cristiano en particular» (Escritos, VI, p. 83).

La cohesión social y la armonía cívica requieren, en primer lugar, escuchar a los más pequeños y a los pobres: sin este compromiso, «la democracia se atrofia, se convierte en nominalismo, una formalidad, pierde representatividad, se va desencarnando porque deja afuera al pueblo en su lucha cotidiana por la dignidad, en la construcción de su destino» (Francisco, Discurso, 5 de noviembre de 2016). Tanto ante las dificultades como ante las oportunidades de desarrollo, los exhorto a convertirse en maestros de la dedicación al bien común, favoreciendo una alianza social por la esperanza.

Al término del Jubileo, comparto gustosamente con ustedes este importante tema, que mi amado predecesor, el papa Francisco, señaló en la Bula de convocación. Todos, escribía, «necesitan recuperar la alegría de vivir, porque el ser humano, creado a imagen y semejanza de Dios (cf. Génesis 1, 26), no puede conformarse con sobrevivir o subsistir mediocremente, amoldándose al momento presente y deja1ndose satisfacer solamente por realidades materiales. Eso nos encierra en el individualismo y corroe la esperanza, generando una tristeza que se anida en el corazón, volviéndonos desagradables e intolerantes» (Spes non confundit, 9).

Lamentablemente, nuestras ciudades conocen formas de marginación, violencia y soledad que deben ser abordadas. Quisiera llamar la atención, en particular, sobre la lacra del juego, que arruina a muchas familias. Las estadísticas registran un fuerte aumento en Italia en los últimos años. Como subraya Cáritas Italiana en su último Informe sobre pobreza y exclusión social, se trata de un grave problema educativo, de salud mental y de confianza social. No podemos olvidar tampoco otras formas de soledad que padecen muchas personas: trastornos psíquicos, depresiones, pobreza cultural y espiritual, abandono social. Son señales que indican cuánta necesidad hay de esperanza. Para dar testimonio de ella de manera eficaz, la política está llamada a tejer relaciones auténticamente humanas entre los ciudadanos, promoviendo la paz social.

Don Primo Mazzolari, sacerdote atento a la vida de su pueblo, escribía que «el país no solo necesita alcantarillado, casas, carreteras, acueductos y aceras. El país también necesita una forma de sentir, de vivir, una forma de mirarse, una forma de fraternizar» (Discursos, Bolonia 2006, 470). La actividad administrativa encuentra así su plena realización, porque hace crecer los talentos de las personas, dando profundidad cultural y espiritual a las ciudades.

Queridísimos, tengan, entonces, el valor de ofrecer esperanza a la gente, proyectando juntos el mejor futuro para sus tierras, en la lógica de una promoción humana integral. Mientras les agradezco su disponibilidad para servir a la comunidad, los acompaño en la oración, para que, con la ayuda de Dios, puedan afrontar eficazmente sus responsabilidades, compartiendo el compromiso con sus colaboradores y conciudadanos. A ustedes y a sus familias les imparto de corazón la bendición apostólica y les deseo lo mejor para el nuevo año. ¡Gracias!

Oremos juntos: Padre Nuestro...

[Bendición]

¡Feliz año nuevo y buena peregrinación!

_____________________________

Boletín de la Oficina de Prensa de la Santa Sede, 29 de diciembre de 2025

 

El Papa León XIV CANTANDO "Feliz Navidad" | VIDEO COMPLETO

A vida como soldado da misteriosa Guarda Suíça no Vaticano

Homilia Diária | 5º Dia na Oitava do Natal (29/12/2025)

SANTO DO DIA - 29 DE DEZEMBRO: SANTO TOMÁS BACKET

Laudes de 29 de Dezembro

domingo, 28 de dezembro de 2025

Missa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José na Sé de Angra do Heroísmo

UM REBENTO BROTA DO TRONCO DO JESSÉ (Isaías 11, 1-11) - Kiko Argüello CA...

Fechada a Porta Santa da Basílica de São Paulo. Harvey: a esperança não foge das crises do mundo

Em sua homilia durante a celebração eucarística na Basílica Papal, o cardeal arcipreste reafirmou o tema central do Jubileu: uma confiança capaz de atravessar a história sem ceder ao "otimismo ingênuo". Além da "crosta de resignação", das limitações e imperfeições humanas, a porta da misericórdia permanece "perenemente aberta", doando uma liberdade interior que "nenhuma prisão pode extinguir".

Edoardo Giribaldi – Vatican News

A esperança cristã não foge das guerras, das crises, das injustiças e da desorientação que o mundo vive hoje. Foi o que disse o arcipreste da Basílica Papal de São Paulo Fora dos Muros, cardeal James Michael Harvey, em sua homilia durante a celebração eucarística com o rito de fechamento da Porta Santa, presidida na manhã deste domingo, 28 de dezembro. Evadir, fugir da realidade das próprias limitações e imperfeições, da história coletiva ferida de hoje, ou permanecer, acorrentado em suas próprias prisões internas, permitindo que a resignação se torne hábito e, depois, ferida. Dois movimentos opostos e complementares, como a abertura e o fechamento de uma Porta Santa. Contudo, nestes dois últimos, preservamos a memória de uma misericórdia que não se consome, de uma "salvação já doada" que, uma vez inserida na história, torna-se semente capaz de germinar sem murchar. Este é o horizonte de significado evocado pelo cardeal.

Paz e a única esperança

O sol alto acima da estátua de São Paulo, no centro do quadripórtico da Basílica, aquece os fiéis reunidos, amenizando as temperaturas gélidas do inverno. A Porta Santa está situada à direita da fachada, sob cuja cruz encontra-se a inscrição "Spes unica". E "a única esperança", como o cardeal estadunidense lembrou na missa, reside na "Cruz de Cristo": uma esperança pascal que brota da doação incondicional de si e "floresce na nova vida da ressurreição". Em vez disso, a frase gravada na Porta Santa que acompanhou os peregrinos ao longo do ano — "Ad sacram Pauli cunctis venientibus aedem – sit pacis donum perpetuumque salus" — torna-se uma esperança constante de que o "dom da paz" possa realmente se espalhar em um mundo marcado por "guerras, crises, injustiças e confusão".

O fechamento da Porta Santa

O rito de fechamento foi marcado por um silêncio contemplativo que acompanhou o cardeal Harvey em direção à Porta Santa, cujos três painéis recordam os três anos preparatórios para o Ano Santo de 2000, encomendados por São João Paulo II e dedicados ao Pai, rico em misericórdia, ao Espírito Santo, principal agente da evangelização, e ao Filho Redentor. O cardeal ajoelhou-se diante da Porta Santa e, após alguns momentos de reflexão em oração, a fechou.

Esperança em meio às “dificuldades da vida”

“A misericórdia de Deus permanece sempre aberta”, disse o cardeal em sua homilia. Ele convidou a prosseguir no caminho de “conversão e esperança” inspirado pelo Ano Santo. No lugar confiado à memória de São Paulo, as palavras da Carta aos Romanos ressoam com particular força: “a esperança não decepciona”, que acompanharam todo o Jubileu. Um “lema” que é muito mais do que isso: uma verdadeira “profissão de fé”. O Apóstolo dos Gentios, de fato, confia essas palavras à história consciente das “dificuldades da vida”, tendo experimentado a prisão, a perseguição e o “aparente fracasso”. Contudo, a esperança não desfalece, porque não se fundamenta em frágeis capacidades humanas, mas “no amor fiel de Deus”.

Entrar no espaço da misericórdia

A Porta Santa não é, portanto, um mero limiar material, mas um pórtico a ser atravessado, deixando para trás "o que pesa no coração" para entrar "no espaço da misericórdia". Atravessá-la significa, acrescentou o cardeal arcipreste, renunciar a toda "pretensão de autossuficiência" e confiar-se humildemente "Naquele que pode dar sentido pleno às nossas vidas". O pórtico também está ligado à caminhada penitencial, como um lugar "de reentrada na comunhão" e "um sinal do retorno à casa do Pai". Um gesto que, ao longo dos anos, não perdeu sua força simbólica: "Deus nunca fecha a porta ao homem; é o homem que é chamado a atravessá-la".

Aguardar a salvação já doada

A esperança, mas também a fé e a caridade, foram definidas pelo Papa Francisco como o "coração da vida cristã". A virtude associada ao Jubileu de 2025, afirmou o cardeal Harvey, vai muito além do "otimismo ingênuo" e de qualquer "fuga da realidade". Como ele mesmo recordou por ocasião da abertura da Porta Santa, em 5 de janeiro passado, não se trata de uma "palavra vazia" ou de um "vago desejo de que as coisas deem certo". Esperar significa aguardar com confiança a "salvação já doada" e ainda a caminho para a sua realização. Uma realização que se desdobra na história da humanidade, a ser percorrida com o olhar "fixo em Cristo", enfrentando a dor na certeza de que "a última palavra pertence à vida e à salvação".

A coragem de descer na profundidade, livre das correntes

A esperança, portanto, está longe de ser abstrata, transmitida através da "conversão do coração" e da experiência libertadora do perdão vivida no sacramento da Reconciliação. O Papa Francisco insistiu nesse aspecto, e seu sucessor, Leão XIV, retomou-o, como lembrou Harvey, explicando que a esperança se alimenta da coragem de "descer na profundidade", cavando "sob a superfície da realidade" e rompendo a "crosta da resignação". Uma virtude frágil, mas com imenso potencial: o de "mudar o mundo".

O cardeal evocou mais uma vez a figura de São Paulo, que, tendo experimentado a sua própria fraqueza, afirmou na Segunda Carta aos Coríntios que foi precisamente dela, através do seu encontro com Cristo, que tirou a sua força. As correntes das prisões em que esteve confinado — de Filipos a Jerusalém, de Cesareia a Roma — não sufocaram o seu anseio de confiança, consolação e esperança. "Nenhuma prisão pode extinguir a liberdade interior de quem vive em Cristo."

A maior esperança

À esperança, recordou o cardeal Arcipreste, o Papa Bento XVI dedicou a Encíclica Spe Salvi, na qual enfatizou como o homem precisa de "muitas esperanças" para iluminar o seu caminho: pequenas e grandes, mas todas convergindo para a única grande esperança, o próprio Deus, na sua "face humana", manifestada como uma "realidade viva e presente" que abraça toda a história da humanidade. Um amor que sustenta a perseverança na vida quotidiana, mesmo num mundo marcado pela "imperfeição e limitação", porque garante a existência daquilo que o homem deseja em última instância: "A vida que é verdadeiramente vida".

A responsabilidade do peregrino

Passar pela Porta Santa torna-se, assim, um convite a "voltar ao mundo", testemunhando o dom recebido no ordinário. Um caminho tanto interior quanto concreto, que começa com o reconhecimento das próprias limitações e da "incompletude do olhar", confiando-se à orientação do Senhor. Um processo passo a passo, como na oração, na confiança de que cada passo é suficiente. Cada peregrino, enfatizou Harvey, carrega consigo a responsabilidade de ser uma testemunha crível do que recebeu, um "sinal humilde, porém luminoso, da presença de Deus" num mundo marcado por "divisões e medo".

As portas abertas do coração

Um fardo que os santos assumiram, permanecendo fiéis ao seu lugar na história e vivendo a esperança da vida cotidiana, como a Sagrada Família de Jesus, Maria e José, lembrada na liturgia de hoje: uma vida comum de trabalho silencioso, "cuidado recíproco" e escuta da vontade de Deus nas dobras da existência. Gestos repetidos com amor e, portanto, capazes de brilhar, sustentados por uma confiança que "persevera mesmo na escuridão". "Com o fechamento da Porta Santa", disse o cardeal, "que a porta da fé, da caridade e da esperança permaneça aberta em nossos corações. Que a porta da missão permaneça aberta, porque o mundo precisa de Cristo."

A Porta Santa da Basílica de São Paulo Fora dos Muros foi a terceira basílica papal a ser fechada. A primeira foi a de Santa Maria Maior, no dia de Natal. Na manhã de sábado, 27 de dezembro, foi a vez de São João de Latrão. Leão XIV fechará a Porta Santa da Basílica de São Pedro em 6 de janeiro, Solenidade da Epifania do Senhor.

(vaticanews)

 

Angelus 28 de dezembro de 2025 - Papa Leão XIV

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

PAPA LEÃO XIV

ANGELUS

Praça São Pedro
Domingo, 28 de dezembro de 2025


Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

Hoje celebramos a Festa da Sagrada Família e a Liturgia apresenta-nos a narração da “fuga para o Egito” (cf. Mt 2, 13-15.19-23).

É um momento de provação para Jesus, Maria e José. Com efeito, no contexto luminoso do Natal, projeta-se, quase inesperadamente, a sombra inquietante de uma ameaça mortal, que tem a sua origem na vida atormentada de Herodes, um homem cruel e sanguinário, temido pela sua brutalidade e, precisamente por isso, profundamente só e obcecado pelo medo de ser destronado. Quando, através dos Magos, toma conhecimento que nasceu o “rei dos Judeus” (cf. Mt 2, 2), sentindo-se ameaçado no seu poder, decreta a morte de todas as crianças com a idade correspondente à de Jesus. Deus está a realizar, no seu reino, o maior milagre da história, no qual se cumprem todas as antigas promessas de salvação; porém, cego pelo medo de perder o trono, as suas riquezas e os seus privilégios, ele não consegue ver isso. Em Belém, há luz e alegria: alguns pastores receberam o anúncio celestial e, diante do presépio, glorificaram a Deus (cf. Lc 2, 8-20), mas nada disso consegue penetrar além das fortificações do palácio real, a não ser como um eco distorcido de uma ameaça, a ser sufocada com uma violência cega.

Não obstante, precisamente esta dureza de coração evidencia ainda mais o valor da presença e da missão da Sagrada Família que, no mundo despótico e ganancioso que o tirano representa, é o ninho e o berço da única resposta de salvação possível: a de Deus que, em total gratuidade, se doa aos homens sem reservas nem pretensões. E o gesto de José que, obediente à voz do Senhor, põe a salvo a Esposa e o Menino, manifesta-se aqui em todo o seu significado redentor. Com efeito, no Egito, a chama do amor doméstico a que o Senhor confiou a sua presença no mundo cresce e ganha vigor para levar luz ao mundo inteiro.

Enquanto contemplamos este mistério com admiração e gratidão, pensamos nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos. Infelizmente, o mundo sempre tem os seus “Herodes”, os seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos. Não deixemos que estas miragens sufoquem a chama do amor nas famílias cristãs. Pelo contrário, conservemos nelas os valores do Evangelho: a oração, a frequência aos sacramentos – especialmente a Confissão e a Comunhão –, os afetos saudáveis, o diálogo sincero, a fidelidade, a concretude simples e bela das palavras e dos bons gestos de cada dia. Isso torná-las-á luz de esperança para os ambientes em que vivemos, escola de amor e instrumento de salvação nas mãos de Deus (cf. Francisco, Homilia na Missa pelo X Encontro Mundial das Famílias, 25 de junho de 2022).

Peçamos, então, ao Pai do Céu, por intercessão de Maria e São José, que abençoe as nossas famílias e as do mundo inteiro, para que, crescendo segundo o modelo da família do seu Filho feito homem, elas sejam para todos um sinal eficaz da sua presença e da sua caridade sem fim.

______________________

Depois do Angelus:

Queridos irmãos e irmãs,

a todos vós, romanos e peregrinos de vários países, dirijo a minha calorosa saudação.

Em particular, saúdo as crianças de Clusone, Gerenzano e San Bartolomeo in Bosco, os crismandos de Adrara San Martino, os jovens e os acólitos de Brescia, os participantes na peregrinação dos pré-adolescentes da Unidade Pastoral de Sarezzo e os escuteiros de Treviso.

Saúdo também os educadores da Ação Católica de Limena e de Morciano di Romagna, os animadores do Oratório São Pio X de Portogruaro, o grupo de voluntários de Borgomanero, os fiéis de San Cataldo e Serradifalco e os membros da Pro Loco de Sant’Egídio de Monte Albino.

À luz do Natal do Senhor, continuemos a rezar pela paz. De modo particular, oremos hoje pelas famílias que sofrem devido à guerra, pelas crianças, pelos idosos e pelas pessoas mais frágeis. Confiemo-nos uns aos outros à intercessão da Sagrada Família de Nazaré.

Desejo a todos um bom domingo!

Hoje é celebrada a festa da Sagrada Família


Sagrada Família Sagrada Família | ACI Digital
 

Hoje é celebrada a festa da Sagrada Família e a Igreja convida a contemplar José, Maria e o Menino Jesus como modelos para a vida cotidiana. Os três juntos, desde o início, tiveram de enfrentar perigos, privações e dificuldades. No entanto, a presença de Deus no meio deles fortaleceu o amor mútuo de tal forma que conseguiram sempre seguir em frente.

Como família santa — Jesus, Maria e José — eles são um reflexo da Trindade e um cenáculo no qual se compartilha o verdadeiro Amor.

Luz de esperança para as famílias de hoje

A festa da Sagrada Família, celebrada durante a Oitava de Natal, é um convite para aprofundar o sentido do amor familiar, para depois examinar a própria situação do lar e buscar os meios adequados para que cada membro, pai, mãe e filhos, se assemelhem cada vez mais às pessoas que compõem a Família de Nazaré. Em muitos casos, há ausências ou carências dentro de uma família, mas isso não significa que a Sagrada Família deixe de ser fonte de inspiração e modelo de amor. Todos nós estamos ou viemos de uma família.

Hoje, há perigos que ameaçam a família como instituição humana amada por Deus. É preciso estar alerta. A vida familiar não pode ser reduzida a problemas, dificuldades e desentendimentos. Essas coisas geralmente surgem por causa de nossas fragilidades e imperfeições, que devem ser encaradas como o que são: questões que podem ser superadas com amor, compreensão e perdão. Para isso, é preciso sempre contar com a graça de Deus.

“Estejam vigilantes” (Mc 13, 33ss)

As dificuldades mal assumidas, não enfrentadas ou resolvidas, obscurecem os valores transcendentais; e surge o risco de esquecer o fundamental. Mudemos de direção! Tenhamos presente que a família é sinal do “diálogo” entre Deus e o homem e, portanto, seus membros – pais e filhos – devem estar sempre abertos ao encontro com quem sustenta a vida familiar: Deus. Essa abertura deve ser vivida também com a Palavra de Deus e com o que a Igreja ensina sobre o casamento e a família. Trata-se de saber ouvir o outro e respeitar sua liberdade. Nunca se pode prescindir da oração familiar, porque ela sela e fortalece o vínculo entre os membros.

São João Paulo II — o grande promotor das Jornadas Mundiais da Família — recomendava muito a recitação do terço em família e repetia constantemente uma frase que deve ser lema para todos e, ao mesmo tempo, meta: “Família que reza unida, permanece unida”.

 

Cinco coisas que talvez não saiba sobre os Santos Inocentes


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No marco da festa dos Santos Inocentes, apresentamos cinco coisas que talvez não sabia sobre estes mártires, cujas mortes seguem repercutindo na sociedade de hoje, segundo artigo de padre Sergio Román, publicado no SIAME (Serviço Informativo da Arquidiocese do México).

A história

Herodes disse aos Magos do Oriente que ele estava muito interessado no rei que tinha acabado de nascer e pediu-lhes para informá-lo sobre este rei em seu retorno para também ir adorá-lo. A estrela guiou os Magos até a criança e, cumprida sua missão, voltaram para seus países de origem por outros caminhos, pois um anjo lhes avisou em sonhos que Herodes queria matar Jesus.

Desapontado com os Magos, Herodes mandou matar todas as crianças menores de dois anos com o desejo de acabar com aquele Rei nascido em Belém, que colocava em perigo seu próprio reinado. Um genocídio. A matança dos inocentes. A Igreja os recorda no dia 28 de dezembro, unidos aos Natal, porque eles não morreram por Cristo, mas no lugar de Cristo.

Herodes, o Grande!

Assim se fazia chamar aquele rei da Palestina, fantoche do Império Romano. Foi grande porque soube ganhar guerras e conquistar terras para o seu reino, mas também por seus crimes: casou-se com Mariana, filha do sumo sacerdote Hircano II. Temeroso de que desejavam o seu reino, mandou matar seu genro, José; Salomé; o sumo sacerdote Hircano II; sua esposa Mariana; os irmãos dela, Aristóbulo e Alexandra; seus próprios filhos, Aristóbulo, Alexander e Antipatro.

Quando ficou enfermo, mandou prender todos os personagens importantes de Jericó, com a ordem de que assim que morresse, matassem-nos a flechadas. Quando Herodes morreu, esta ordem não foi cumprida. Com esses dados, podemos compreender que para ele foi fácil mandar matar os Santos Inocentes. Quantos foram? Hoje, sabe-se que Belém não devia ter mais de mil habitantes e que a este número, provavelmente, corresponderia uma população de 20 meninos.

A gruta de Belém

Santa Helena, mãe do imperador Constantino, que deu paz aos cristãos no século IV, construiu uma Basílica sobre a gruta de Belém, onde o Menino Jesus nasceu. Essa Basílica, reconstruída, ainda existe e guarda em sua cripta a preciosa gruta onde uma estrela de prata marca o lugar do santo nascimento. “Aqui nascei Jesus Cristo de Maria, a Virgem”, diz a inscrição em latim.

A gruta de Belém é um sistema de cavernas que se estendem debaixo da antiga basílica e do templo católico de Santa Catarina. Em uma dessas cavernas foram encontrados restos de crianças enterradas. O primeiro pensamento foi que eram os restos dos Santos Inocentes, mas os caixões correspondiam a uma época muito posterior. De todo modo, essa caverna foi dedicada à memória dos Santos Inocentes.

Ain Karen

Ain Karen é uma cidade perto de Jerusalém. Segundo a tradição, é o lugar da “Visitação” e do nascimento de João Batista. Este era mais velho do que Jesus apenas seis meses e existe a lenda de que também ao ser vítima de Herodes. Perseguida por soldados assassinos, sua mãe Isabel buscou uma rocha no monte atrás da qual ocultou seu pequeno João antes que os soldados a alcançassem.

Quando os soldados a alcançaram, procuraram até atrás da rocha, mas não viram nada. Quando saíram, Isabel correu para buscar seu menino e descobriu que a rocha tinha aberto um espaço para dar lugar em seu interior ao pequeno perseguido e, assim, salvou João Batista. Na Basílica da Visitação, sobre o monte, guarda-se uma estranha rocha que recorda esta história.

Os santos inocentes de hoje

A celebração litúrgica deve nos recordar não apenas o fato histórico daquelas crianças assassinadas no lugar de Cristo, mas também o acontecimento diário de todos aqueles inocentes perseguidos e assassinados entre nós. Os humanos somos capazes de monstruosidades que nos envergonham.

Seguimos assassinando por motivos religiosos, políticos, econômicos e, cada vez que denunciamos um desses crimes, clamamos indignados “Nunca mais!”, para, em seguida, repetir a história. Não permaneçamos indiferentes ante esses genocídios, despertemos em nós a solidariedade e unamos nossas vozes e nossas ações às desses inocentes que seguem morrendo no lugar de Cristo.

 (acidigital)

Hoje são celebrados os Santos Inocentes, crianças que morreram por Cristo


Santos Inocentes Santos Inocentes | ACI Digital
 

“Ainda não falam e já confessam a Cristo. Ainda não podem mover os seus membros para travar batalha e já alcançam a palma da vitória”, disse uma vez são Quodvultdeus (século V) ao exortar os fiéis sobre os Santos Inocentes, as crianças que morreram por Cristo e cuja festa se celebra hoje (28).

De acordo com o relato de são Mateus, o rei Herodes mandou matar em Belém e seus arredores os meninos menores de dois anos, ao sentir-se enganado pelos Reis Magos, os quais retornaram aos seus países por outro caminho para não lhe revelar onde estava o Messias.

A festa para venerar estes meninos que morreram como mártires foi instituída no século IV. A tradição oriental os recorda em 29 de dezembro, enquanto que a latina, no dia 28 deste mês.

Posteriormente, são Quodvultdeus, padre da Igreja do século V e bispo de Cartago (norte da África), deu um sermão sobre este lamentável feito.

“Que temes, Herodes, ao ouvir dizer que nasceu o Rei? Ele não veio para te destronar, mas para vencer o demónio. Tu, porém, não o compreendes; e por isso te perturbas e te enfureces, e, para que não escape aquele único Menino que buscas, te convertes em cruel assassino de tantas crianças”, disse.

O santo ainda acrescenta: “Nem as lágrimas das mães nem o lamento dos pais pela morte de seus filhos, nem os gritos e gemidos das crianças te comovem. Matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração”.

“As crianças, sem o saberem, morrem por Cristo; os pais choram os mártires que morrem. Àqueles que ainda não podiam falar, Cristo os faz suas dignas testemunhas”, enfatizou são Quodvultdeus.

 

Laudes da Festa da Sagrada Família, Jesus, Maria e José

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Missa a Nossa Senhora de Fátima desde a Capelinha das Aparições 26.12.2025

Semana do Papa, Livro «fluxos religiosos na poesia e nos gestos do fado»...

Leão XIV revive tradição: Fazer saudações de Natal em diferentes idiomas


Leão XIV na varanda central do Palácio Apostólico, no Vaticano, em 25 de dezembro de 2025 ??
Papa Leão XIV hoje (25), Natal do Senhor, na varanda central do Palácio Apostólico, no Vaticano. | Daniel Ibáñez/ EWTN News
 

O papa Leão XIV surpreendeu fiéis este ano ao reviver uma tradição que não se via com frequência nos últimos anos: saudações de Natal em vários idiomas, como chinês, árabe, espanhol e latim, na bênção  Urbi et orbi, à cidade [de Roma] e ao mundo, a partir da varanda central da basílica de São Pedro, no Vaticano.

A facilidade do papa com idiomas, demonstrada em sua recente visita a Ancara, Turquia, quando cumprimentou soldados em turco, permitiu-lhe retomar saudações em vários idiomas neste Natal, reforçando assim o caráter global da celebração.

A iniciativa lembra costumes do papa são João Paulo II e do papa Bento XVI, que também costumavam dirigir-se aos fiéis em diferentes idiomas.

O primeiro Natal do papa Leão XIV teve várias mudanças. A primeira foi a mudança do horário da missa da Véspera de Natal para as 22h, em vez das habituais 19h, alteração implementada devido à pandemia de COVID-19. Historicamente, a celebração ocorria à meia-noite, embora Bento XVI tenha decidido antecipá-la em duas horas em 2009.

Apesar da cerimônia tardia, o papa também celebrou a missa de Natal às 10h da manhã (6h no horário de Brasília) de hoje (25), algo que não acontecia desde 1994, no pontificado de são João Paulo II.

A manhã de Natal teve uma surpresa para os fiéis: momentos antes de dar a bênção apostólica, Leão XIV percorreu a praça de São Pedro no papamóvel para saudar e felicitar pessoalmente milhares de fiéis que o aguardavam há horas sob a chuva.

Segundo a programação prevista, amanhã (26) o papa viajará para Castel Gandolfo, Itália, para descansar fora de Roma. Ele voltará ao Vaticano para celebrar o tradicional hino Te Deum, no Ano Novo, na basílica de São Pedro, acompanhado por cidadãos romanos, e em seguida visitará o presépio e a árvore de Natal na praça de São Pedro, seguindo outro costume natalino do papado.

 

Angelus 26 de dezembro de 2025 - Papa Leão XIV

FESTA DE SANTO ESTEVÃO PROTOMÁRTIR

PAPA LEÃO XIV

ANGELUS

Praça de São Pedro
Sexta-feira, 26 de dezembro de 2025


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é o “natal” de Santo Estêvão, como costumavam dizer as primeiras gerações cristãs, certas de que não se nasce apenas uma vez. O martírio é o nascimento para o céu: efetivamente, um olhar de fé, mesmo na morte, não vê apenas escuridão. Viemos ao mundo sem decidir, mas passamos depois por muitas experiências nas quais nos é pedido, cada vez mais conscientemente, que “venhamos à luz”, que escolhamos a luz. O relato dos Atos dos Apóstolos testemunha que quem viu Estêvão caminhar para o martírio ficou surpreendido com a luz do seu rosto e das suas palavras. Está assim escrito: «Todos os membros do Sinédrio tinham os olhos fixos nele e viram que o seu rosto era como o rosto de um Anjo» (Act 6, 15). É o rosto de quem não passa indiferente pela história, mas a enfrenta com amor. Tudo o que Estêvão faz e diz representa o amor divino que se manifestou em Jesus, a Luz que brilhou nas nossas trevas.

Caríssimos, o nascimento do Filho de Deus no meio de nós convida-nos a viver como filhos de Deus, tornando-o possível graças a um movimento de atração experimentado, desde a noite de Belém, por pessoas humildes como Maria, José e os pastores. Porém, aquela beleza de Jesus e de quem vive como Ele é também uma beleza rejeitada: desde o início, a sua força magnética suscitou precisamente a reação de quem teme pela sobrevivência do seu poder, de quem é desmascarado na sua injustiça por uma bondade que revela os pensamentos dos corações (cf. Lc 2, 35). Contudo, até hoje, poder algum prevalece sobre a obra de Deus. Em todo o mundo há quem escolha a justiça, mesmo que isso tenha um custo, quem anteponha a paz aos próprios medos, quem sirva os pobres em vez de se servir a si mesmo. Então, apesar de tudo, brota a esperança e faz sentido estar em festa.

Nas condições de incerteza e sofrimento do mundo atual, a alegria pareceria impossível. Quem hoje acredita na paz e escolheu o caminho desarmado de Jesus e dos mártires é frequentemente ridicularizado, excluído do debate público e, não raro, acusado de favorecer adversários e inimigos. O cristão, porém, não tem inimigos, mas irmãos e irmãs, que continuam a sê-lo mesmo quando não estão de concordo. O Mistério do Natal traz-nos esta alegria: uma alegria motivada pela tenacidade de quem já vive a fraternidade, de quem já reconhece à sua volta, até nos seus adversários, a dignidade indelével das filhas e dos filhos de Deus. Por isso, Estêvão morreu perdoando, tal como Jesus: por cauda de uma força mais verdadeira do que a das armas. É uma força gratuita, já presente no coração de todos, que se reativa e se comunica de forma irresistível quando alguém começa a olhar de modo diverso para o seu próximo, a oferecer-lhe atenção e reconhecimento. Sim, isto é renascer, isto é vir novamente à luz, isto é o nosso Natal!

Rezemos agora a Maria e contemplemo-la, bendita entre todas as mulheres que servem a vida, contrapondo o cuidado à prepotência, a fé à desconfiança. Que Maria nos leve a entrar na sua própria alegria, uma alegria que dissolve todo o medo e toda a ameaça, como a neve derrete ao sol.

____________________

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs,

Renovo sinceramente os votos de paz e serenidade na luz do Natal do Senhor.

Saúdo todos os fiéis de Roma e os peregrinos vindos de tantos países.

Na memória de Santo Estêvão, o primeiro mártir, invocamos a sua intercessão para que fortaleça a nossa fé e sustente as comunidades que mais sofrem por causa do seu testemunho cristão.

Que o seu exemplo de mansidão, coragem e perdão acompanhe todos aqueles que estão envolvidos em situações de conflito para promover o diálogo, a reconciliação e a paz.

Desejo a todos uma feliz festa!

Homilia Diária | Festa de Santo Estêvão, Protomártir (26/12/2025)

SANTO DO DIA - 26 DE DEZEMBRO: SANTO ESTEVÃO

Laudes da Festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Vamos já, pastores - Caminho Neocatecumenal

NATAL DO SENHOR | 25.12.2025

Natal no Vaticano 🎄 100 Presépios do Mundo | Viagem 4K 2025

Mensagem de Natal e Bênção “Urbi et Orbi” 25 de dezembro de 2025- Papa L...

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA LEÃO XIV

NATAL 2025

Balcão central da Basílica Vaticana
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


Queridos irmãos e irmãs,

«Exultemos de alegria no Senhor, porque nasceu na terra o nosso Salvador. Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz» (Antífona de entrada da Missa da Meia Noite). Assim canta a liturgia na noite de Natal e assim ressoa na Igreja o anúncio de Belém: o Menino que nasceu da Virgem Maria é Cristo Senhor, enviado pelo Pai para nos salvar do pecado e da morte. Ele é a nossa paz: Aquele que venceu o ódio e a inimizade com o amor misericordioso de Deus. Por isso, «o Natal do Senhor é o Natal da paz» (São Leão Magno, Sermão 26).

Porque não havia lugar para Ele na hospedaria, Jesus nasceu num estábulo. Assim que nasceu, a sua mãe Maria «envolveu-o em panos e recostou-o numa manjedoura» (cf. Lc 2, 7). O Filho de Deus, por meio do qual tudo foi criado, não é recebido e o seu berço é uma pobre manjedoura para animais.

O Verbo eterno do Pai, que os céus não podem conter, escolheu vir ao mundo desta forma. Por amor, desejou nascer de uma mulher, para partilhar a nossa humanidade; por amor, aceitou a pobreza e a rejeição e identificou-se com quem é descartado e excluído.

No Natal de Jesus, já se perfila a escolha de fundo que orientará toda a vida do Filho de Deus, até à morte na cruz: a escolha de não nos fazer carregar o peso do pecado, mas de o carregar Ele por nós, de assumir sobre Si esse peso. Só Ele o podia fazer. Ao mesmo tempo, porém, mostrou o que só nós podemos fazer, ou seja, assumir cada um a sua parte de responsabilidade. Sim, porque Deus, que nos criou sem nós, não pode salvar-nos sem nós (cf. Santo Agostinho, Discurso 169, 11. 13), isto é, sem a nossa livre vontade de amar. Quem não ama não se salva, está perdido. E quem não ama o irmão que vê, não pode amar Deus que não vê (cf. 1 Jo 4, 20).

Irmãs e irmãos, eis o caminho da paz: a responsabilidade. Se cada um de nós, a todos os níveis, em vez de acusar os outros, reconhecesse em primeiro lugar as próprias falhas, pedisse perdão a Deus e, ao mesmo tempo, se colocasse no lugar dos que sofrem, mostrando-se solidário com os mais fracos e oprimidos, então o mundo mudaria.

Jesus Cristo é a nossa paz porque, em primeiro lugar, nos liberta do pecado e, em segundo lugar, nos indica o caminho a seguir para superar os conflitos, quaisquer que sejam eles, desde os interpessoais aos internacionais. Sem um coração livre do pecado, um coração perdoado, não se pode ser homens e mulheres pacíficos e construtores de paz. Foi por esta razão que Jesus nasceu em Belém e morreu na cruz: para nos libertar do pecado. Ele é o Salvador. Com a sua graça, cada um pode e deve fazer a sua parte para rejeitar o ódio, a violência, a contraposição e para praticar o diálogo, a paz, a reconciliação.

Neste dia de festa, desejo enviar uma calorosa saudação paterna a todos os cristãos, em especial àqueles que vivem no Médio Oriente e que recentemente, na minha primeira viagem apostólica, desejei encontrar. Ouvi os seus receios e conheço bem o seu sentimento de impotência perante dinâmicas de poder que os ultrapassam. O Menino que hoje nasce em Belém é o mesmo Jesus que diz: «Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» (Jo 16, 33).

D’Ele invocamos justiça, paz e estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel e a Síria, ao confiarmos nestas palavras divinas: «A paz será obra da justiça, e o fruto da justiça será a tranquilidade e a segurança para sempre» (Is 32, 17).

Ao Príncipe da Paz, entregamos o inteiro Continente Europeu, pedindo-Lhe que continue a inspirar um espírito comunitário e colaborativo, fiel às suas raízes cristãs e à sua história, solidária e acolhedora com quem passa necessidade. Rezemos de modo especial pelo povo ucraniano tão massacrado: que o barulho das armas acabe e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem de dialogar de modo sincero, direto e respeitoso.

Do Menino de Belém, imploramos paz e consolação para as vítimas de todas as guerras em curso no mundo, especialmente as esquecidas; e para quantos sofrem por causa da injustiça, da instabilidade política, da perseguição religiosa e do terrorismo. Recordo de modo particular os irmãos e irmãs do Sudão, do Sudão do Sul, do Mali, do Burquina Faso e da República Democrática do Congo.

Nestes últimos dias do Jubileu da Esperança, rezemos ao Deus feito homem pela querida população do Haiti, para que, cessando toda a forma de violência no país, possa progredir no caminho da paz e da reconciliação.

O Menino Jesus inspire todos os que têm responsabilidades políticas na América Latina, para que, ao enfrentarem os inúmeros desafios, deem espaço ao diálogo pelo bem comum e não a preconceitos ideológicos e de parte.

Ao Príncipe da Paz, pedimos que ilumine Myanmar com a luz de um futuro de reconciliação: devolva a esperança às jovens gerações, guie todo o povo birmanês por vias de paz e acompanhe aqueles que vivem sem casa, segurança ou confiança no futuro.

A Ele pedimos que restaure a antiga amizade entre a Tailândia e o Camboja e que as partes em causa continuem a empenhar-se pela paz e reconciliação.

A Ele confiamos também as populações do Sul asiático e da Oceânia, duramente provadas pelas recentes e devastadoras calamidades naturais, que com gravidade atingiram inteiras populações. Perante tais provações, convido todos a renovar com convicção o nosso empenho comum em socorrer quem sofre.

Queridos irmãos e irmãs,

na escuridão da noite, «o Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9), porém «os seus não o receberam» (Jo 1, 11). Não nos deixemos vencer pela indiferença em relação a quem sofre, porque Deus não é indiferente às nossas misérias.

Fazendo-se homem, Jesus assume a nossa fragilidade, identifica-se com cada um de nós: com aqueles que não têm mais nada e perderam tudo, como os habitantes de Gaza; com quem está a braços com a fome e a pobreza, como o povo do Iémen; com aqueles que fogem da própria terra em busca de um futuro noutro lugar, como os muitos refugiados e migrantes que atravessam o Mediterrâneo ou atravessam o Continente americano; com aqueles que perderam o trabalho e com os que o procuram, como tantos jovens que têm dificuldade em encontrar emprego; com aqueles que são explorados, como muitos trabalhadores mal remunerados; com aqueles que estão na prisão e, muitas vezes, vivem em condições desumanas.

Ao coração de Deus chega a invocação de paz que se eleva de todas as partes da terra, como escreve um poeta:

«Não a paz de um cessar-fogo,
nem a visão do lobo e do cordeiro,
mas antes
como quando no coração a excitação termina
e apenas se pode falar de um grande cansaço.
[...]
Venha de repente,
como as flores selvagens,
porque o campo
precisa dela: paz selvagem». [1]

Neste santo dia, abramos o nosso coração aos irmãos e irmãs que passam necessidades e sofrem. Ao fazê-lo, abrimos o nosso coração ao Menino Jesus, que, com os braços abertos, nos acolhe e revela a sua divindade: «a quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12).

Em poucos dias, o Ano Jubilar terminará. As Portas Santas fechar-se-ão, mas Cristo, nossa esperança, permanecerá sempre conosco. Ele é a Porta sempre aberta, que nos introduz na vida divina. É a alegre notícia deste dia: o Menino que nasceu é Deus feito homem; Ele não vem para condenar, mas para salvar; a sua não é uma aparição fugaz; Ele vem para ficar e dar-se a si mesmo. N’Ele, todas as feridas são curadas e todos os corações encontram repouso e paz. «O Natal do Senhor é o Natal da paz».

Desejo a todos, de coração, um feliz e santo Natal.

 


[1] Y. Amichai, “Wildpeace”, in The Poetry of Yehuda Amichai, Farrar, Straus and Giroux, 2015.

Natal do Senhor–Santa Missa do dia, 25 de dezembro de 2025- Papa Leão XIV

SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
SANTA MISSA DO DIA

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV

Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


Irmãs e irmãos caríssimos!

«Irrompei em cânticos de alegria» (Is 52, 9), brada o mensageiro da paz a todos aqueles que se encontram entre as ruínas de uma cidade inteiramente por reconstruir. Embora empoeirados e feridos, os seus pés são formosos – escreve o profeta (cf. Is 52, 7) –, porque, por estradas longas e irregulares, trouxeram uma alegre notícia, na qual tudo agora renasce. É um novo dia! Também nós participamos nesta mudança, na qual ninguém parece ainda acreditar: a paz existe e já está no meio de nós.

«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou» (Jo 14, 27). Assim disse Jesus aos discípulos, a quem acabara de lavar os pés, mensageiros da paz que, a partir daquele momento, deveriam percorrer o mundo, sem se cansar, para revelar a todos «o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12). Hoje, portanto, não só nos surpreendemos com a paz que já está aqui, mas celebramos como este dom nos foi dado. Com efeito, a partir deste como brilha a diferença divina que nos faz irromper em cânticos de alegria. Por isso, em todo o mundo, o Natal é, por excelência, uma festa de músicas e cânticos.

O prólogo do quarto Evangelho também é um hino e tem como protagonista o Verbo de Deus. O “verbo” é uma palavra que age. Esta é uma caraterística da Palavra de Deus: nunca é ineficaz. Olhando bem, muitas das nossas palavras também produzem efeitos, por vezes indesejados. Sim, as palavras agem. Mas eis a surpresa que a liturgia do Natal coloca diante de nós: o Verbo de Deus aparece e não sabe falar, vem até nós como um recém-nascido que apenas chora e dá vagidos. «Fez-se carne» (cf. Jo 1, 14) e, embora crescerá e um dia aprenderá a língua do seu povo, agora fala apenas a sua presença simples e frágil. «Carne» é a nudez radical à qual, em Belém e no Calvário, falta até a palavra; como a não têm muitos irmãos e irmãs despojados da sua dignidade e reduzidos ao silêncio. A carne humana pede cuidados, invoca acolhimento e reconhecimento, procura mãos capazes de ternura e mentes dispostas à atenção, deseja palavras bonitas.

«Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 11-12). Eis a forma paradoxal segundo a qual a paz já está entre nós: o dom de Deus envolve-nos, procura acolhimento e mobiliza a dedicação. Surpreende-nos porque se expõe à rejeição, encanta-nos porque nos arranca da indiferença. É um verdadeiro poder o de nos tornarmos filhos de Deus: um poder que permanece enterrado enquanto estivermos distantes do choro das crianças e da fragilidade dos idosos, do silêncio impotente das vítimas e da melancolia resignada de quem faz o mal que não quer.

Como escreveu o amado Papa Francisco, para nos convocar à alegria do Evangelho: «Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. Espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contato com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 270).

Queridos irmãos e irmãs, uma vez que o Verbo se fez carne, agora a carne fala, brada o desejo divino de nos encontrar. O Verbo ergueu no meio de nós a sua frágil tenda. E como não pensar nas tendas de Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio, e nas tendas de tantos outros deslocados e refugiados em todos os continentes; ou nos refúgios improvisados de milhares de pessoas sem-abrigo dentro das nossas cidades? Fragilizada se encontra a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras em curso ou concluídas, deixando escombros e feridas abertas. Fragilizadas estão as mentes e as vidas dos jovens obrigados a pegar em armas, que precisamente na frente de batalha percebem a insensatez do que lhes é exigido e a mentira de que estão embebidos os discursos inflamados daqueles que os enviam para a morte.

Quando a fraqueza dos outros penetra o nosso coração, quando a dor alheia despedaça as nossas certezas graníticas, então já começa a paz. A paz de Deus nasce de um choro de criança acolhido, de um pranto ouvido: nasce entre ruínas que invocam solidariedades renovadas, nasce de sonhos e visões que, como profecias, invertem o curso da história. Sim, tudo isso existe, porque Jesus é o Logos, o sentido a partir do qual tudo tomou forma. «Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência» (Jo 1, 3). Este mistério interpela-nos a partir dos presépios que construímos, abre-nos os olhos para um mundo em que a Palavra ainda ressoa, «muitas vezes e de variados modos» (cf. Heb 1, 1), e continua a chamar-nos à conversão.

Certamente, o Evangelho não esconde a resistência das trevas à luz, descreve o caminho da Palavra de Deus como uma estrada intransitável, repleta de obstáculos. Até hoje, os autênticos mensageiros da paz seguem o Verbo neste caminho, que finalmente alcança os corações: corações inquietos, que muitas vezes desejam justamente aquilo a que resistem. Assim, o Natal motiva novamente uma Igreja missionária, impelindo-a pelos caminhos que a Palavra de Deus traçou para ela. Não estamos ao serviço de uma palavra prepotente – já ressoam por toda parte –, mas uma presença que suscita o bem, conhece a sua eficácia e não reivindica o seu monopólio.

Eis o caminho da missão: um caminho em direção ao outro. Em Deus, cada palavra é uma palavra dirigida, é um convite à conversação, uma palavra que nunca é igual a si mesma. É a renovação que o Concílio Vaticano II promoveu e que veremos florescer apenas caminhando juntos com toda a humanidade, sem nunca nos separarmos dela. O contrário é mundano: ter-se a si mesmo como centro. O movimento da Encarnação é um dinamismo de conversação. Haverá paz quando os nossos monólogos se interromperem e, fecundados pela escuta, cairmos de joelhos diante da carne despojada do outro. Precisamente nisto, a Virgem Maria é a Mãe da Igreja, a Estrela da evangelização, a Rainha da paz. Nela compreendemos que nada nasce da exibição da força e tudo renasce a partir do poder silencioso da vida acolhida.

Noite Feliz |🎄✨Contracanto

Laudes do Natal do Senhor

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Missa desde a Basílica da Nossa Senhora do Rosário de Fátima 24.12.2025

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Belém, está de volta a Marcha pela paz das crianças


Após uma parada de dois anos devido à guerra, realizou-se a tradicional iniciativa natalina promovida pela Custódia da Terra Santa na cidade natal de Jesus. Padre Ibrahim Faltas: "Nossas crianças não sofreram tanto quanto as de Gaza, mas sofreram da mesma forma: viram a guerra, viram seus pais desempregados e muitas famílias deixaram Belém. Não queremos desistir. Queremos que a vida recomece."

Giordano Contu – Belém

A esperança nasce de um pequeno passo. Na segunda-feira, 22 de dezembro, esse passo começou com as crianças de Belém. A Marcha pela paz das crianças voltou às ruas da cidade onde Jesus nasceu. Essa caminhada, promovida pela Custódia da Terra Santa, é uma oração por todo o planeta, assolado por mais de 50 conflitos, muitos dos quais esquecidos por serem distantes e menos divulgados pela mídia. Os passos dessas crianças e jovens palestinos, cristãos e muçulmanos, são um apelo aos líderes mundiais: "Vamos espalhar a paz, proteger a inocência" e "Uma criança sem guerra... um futuro cheio de esperança", diziam algumas das faixas.

Um sinal de esperança

"Todos os anos, antes do Natal, organizamos esta Marcha pela paz. Nos últimos dois anos, não a realizamos devido à guerra. Em 2025, decidimos retomá-la. Por isso, ela assume um significado ainda mais forte: é um sinal de esperança", disse o padre Ibrahim Faltas, franciscano da Custódia da Terra Santa, à mídia vaticana. "Depois de dois anos sem árvores de Natal, sem festas, queríamos trazer de volta o sorriso às crianças. Nossas crianças não sofreram tanto quanto as de Gaza, mas sofreram da mesma forma: viram a guerra, viram seus pais sem trabalho e muitas famílias deixaram Belém. Não queremos desistir. Queremos que a vida recomece, que os peregrinos voltem, que o mundo não se esqueça de Belém e da Terra Santa."

Padre Ibrahim Faltas entre as crianças da marcha
Padre Ibrahim Faltas entre as crianças da marcha

Reacender o sorriso das crianças

A Marcha pela paz é uma tradição que se mantém há mais de 25 anos. A iniciativa surgiu do projeto "Crianças sem fronteiras", criado para educar crianças palestinas e israelenses, judias, cristãs e muçulmanas sobre esportes, convívio e respeito. Hoje, aproximadamente 600 jovens participam nas regiões de Belém, Jericó, Taybeh, Beit Sahour e Beit Jala, cristãos e muçulmanos, fiéis e leigos. "Desde o início, foi um projeto aberto a todas as crianças, pois nasceu sob a bandeira da esperança", reiterou o franciscano. O objetivo desta iniciativa é fortalecer nos jovens a perspectiva de que a paz nesta Terra é possível. Olhando para essas crianças, o padre Faltas falou com clareza e paixão: "A mensagem desta marcha é ainda mais forte hoje, porque reacende o sorriso onde ele se extinguiu por muito tempo."

Uma promessa a ser cumprida

A paz não é uma palavra abstrata; é o pedido de uma promessa a ser cumprida, uma necessidade concreta. Esta é a mensagem de Belém para o mundo. Com a conclusão do Jubileu da Esperança, esta promessa assume um significado ainda maior. O padre Raffaele Tayem, pároco da Igreja Latina em Belém, explica: "A esperança não decepciona, e Deus continua a agir na história mesmo quando a história parece contradizê-Lo. Para nós, no Oriente Médio, o sofrimento não é um tema para se discutir; é uma realidade que molda as pessoas, famílias e jovens. E precisamente aqui, o Jubileu se torna um forte apelo à consciência global: não se acostumar com o mal, não normalizar a guerra, não considerar inevitável o que destrói. O Jubileu nos convida a ações concretas: proximidade, reconciliação possível, cura de feridas internas, educação dos jovens, apoio às famílias."

A Marcha das crianças chega à Praça da Manjedoura
A Marcha das crianças chega à Praça da Manjedoura

No caminho da reconciliação

A Marcha pela paz das crianças de Belém, irredutível a um slogan, clama pela retomada de um caminho de conciliação. "Hoje", continua Tayem, "falar de paz significa, antes de tudo, dizer a verdade: paz não é apenas a ausência de tiros. A guerra pode até parar, mas isso não significa que haja paz. O mal ainda está presente: crianças sem casa, corações oprimidos, feridas profundas difíceis de cicatrizar, pessoas sofrendo, lares com camas vazias devido à emigração de jovens, a pobreza e a desestruturação das famílias." De onde a reconciliação pode recomeçar? "Eu diria que a partir da fragilidade de um Menino deitado numa manjedoura. De Belém, continua sendo feito um apelo ao mundo: a paz só é possível quando colocamos a dignidade humana e o valor da vida no centro. A paz nasce quando o outro deixa de ser uma ideia ou um inimigo abstrato e volta a ser uma pessoa, com nome, história, dignidade, e quando eu paro de usar a pessoa e amar as coisas, e passo a amar a pessoa e usar as coisas."

 (vaticannews)