Caminhando
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A primeira missa do Brasil foi celebrada há 526 anos
Por Redação central
26 de abr de 2026 às 00:30
Há 526 anos, no dia 26 de abril de 1500 – domingo da oitava de Páscoa –, foi celebrada a primeira missa do Brasil. A missa foi rezada por frei Henrique de Coimbra e outros sacerdotes em Santa Cruz Cabrália, litoral sul da Bahia, sobre o ilhéu da Coroa Vermelha.
Em sua carta ao rei dom Manuel, o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a celebração feita em um “altar mui bem arranjado” e que, segundo observou, “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”.
Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, nas 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral, o qual, avistando do mar um monte, chamou-o de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa. Àquela terra, inicialmente, colocou o nome Terra de Vera Cruz.
Após desembarcarem em terra firme e terem os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha. Foi neste local que celebraram a Santa Missa.
Terminada a celebração, conforme relata Pero Vaz de Caminha, o sacerdote subiu em uma cadeira alta e “pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção”.
Conforme indicam os relatos, o escrivão Caminha acreditava que a conversão dos índios seria fácil, pois demonstraram respeito quanto à religião. Neste sentido, pediu ao rei que enviasse logo clérigos para batizá-los.
A representação mais famosa da celebração é o quadro “A Primeira Missa no Brasil“, feito em 1861 pelo pintor catarinense Victor Meirelles de Lima.
Após esta, a segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí.
Hoje é celebrada santa Zita, padroeira das empregadas do lar
Santa ZitaPor Redação central
27 de abr de 2026 às 00:04
Hoje (27), é celebrada a festa de santa Zita, padroeira das empregadas do lar. Ela era de condição muito humilde e, desde pequena, teve que trabalhar como empregada para manter sua família. Sofreu muitas zombarias, mas seu amor aos pobres fez com que até os anjos a ajudassem nas tarefas da casa.
Santa Zita nasceu perto de Lucca (Itália) em 1218 e, desde os doze anos de idade, serviu por 48 anos a uma família muito rica.
Como se preocupava muito com os desfavorecidos, certo dia foi ajudar um necessitado, deixando por um momento seu trabalho na cozinha. Os outros empregados disseram à família, que foi à cozinha investigar e encontrou os anjos fazendo o trabalho da santa.
Dessa maneira, foi-lhe permitida mais liberdade para servir aos pobres. Mas, nem por isso pararam os ataques e zombarias dos outros empregados.
Naquela época, uma grande fome atingiu a cidade e santa Zita repartiu até a sua própria comida com os pobres. A necessidade dos mais desfavorecidos chegou a tal ponto que a santa teve que repartir as reservas de grãos da família. Quando os patrões foram ver, depararam-se com a surpresa de que a despensa estava milagrosamente cheia.
Na véspera de Natal, Zita se encontrou com um homem que tremia de frio na entrada da Igreja de são Frediano. A santa lhe deu um manto caro da família para que se aquecesse e pediu que o devolvesse ao terminar a Missa, mas o homem desapareceu.
No dia seguinte, o patrão ficou enfurecido com Zita, mas um idoso desconhecido no povoado chegou e devolveu o manto. Os cidadãos interpretaram que este necessitado tinha sido um anjo e, desde aquele momento, a porta de São Frediano foi chamada “A Porta do anjo”.
Santa Zita partiu para a Casa do Pai em 27 de abril de 1278 e, imediatamente, sua fama de santidade se expandiu em todo o país e na Inglaterra. Seus restos mortais repousam na capela de santa Zita da igreja de são Frediano, em Lucca (Itália).
domingo, 26 de abril de 2026
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
SANTA MISSA E ORDENAÇÕES SACERDOTAIS
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Basílica de São Pedro
IV Domingo de Páscoa, 26 de abril de 2026
Queridos irmãos e irmãs,
Com esta saudação dirijo-me em particular àqueles que agora foram apresentados e que receberão a ordenação presbiteral, aos seus familiares, aos padres de Roma – muitos dos quais recordam a própria ordenação neste IV Domingo da Páscoa –, e a todos os presentes.
Este é um domingo cheio de vida! Ainda que a morte nos rodeie, a promessa de Jesus já se cumpre: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). Na disponibilidade dos jovens, que hoje a Igreja pede sejam ordenados presbíteros, encontramos muita generosidade e entusiasmo. Ao reunirmo-nos, tão numerosos e diversos, em torno do único Mestre, sentimos uma força que nos regenera. É o Espírito Santo, que une pessoas e vocações na liberdade, para que ninguém viva já para si mesmo. O domingo – todos os domingos – chama-nos para fora do “sepulcro” do isolamento, do fechamento, para que nos encontremos no jardim da comunhão, do qual o Ressuscitado é o guardião.
O serviço do sacerdote, sobre o qual a vocação destes irmãos nos convida a refletir, é um ministério de comunhão. Na verdade, a “vida em abundância” chega-nos no encontro profundamente íntimo com a pessoa do Filho, mas abre-nos imediatamente os olhos para um povo de irmãos e irmãs que já experimentam, ou que ainda procuram, o «poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12). Eis aqui um primeiro segredo na vida do sacerdote. Caríssimos ordenandos, quanto mais profundo for o vosso vínculo com Cristo, tanto mais radical será a vossa pertença à humanidade comum. Não há oposição, nem competição, entre o céu e a terra: em Jesus, eles unem-se para sempre. Este mistério vivo e dinâmico compromete o coração num amor indissolúvel: compromete-o e enche-o. É claro que, tal como o amor dos cônjuges, também o amor que inspira o celibato pelo Reino de Deus deve ser cuidado e sempre renovado, pois todo o verdadeiro afeto amadurece e torna-se fecundo com o tempo. Vós sois chamados a um específico, delicado e difícil modo de amar e, mais ainda, de vos deixardes amar, na liberdade. Um modo que poderá fazer de vós, além de bons sacerdotes, também cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social.
A este respeito, chama a atenção, no Evangelho que acabámos de ouvir (Jo 10, 1-10), a referência que faz Jesus a figuras e gestos de agressão: entre Ele e aqueles que ama, na verdade, irrompem estranhos, ladrões e salteadores que ultrapassam os limites, que vêm – diz Jesus – «apenas para roubar, matar e destruir» (v. 10) e, sobretudo, têm uma voz diferente da sua, irreconhecível (cf. v. 5). Há um grande realismo nas palavras do Senhor: Ele conhece a crueldade do mundo no qual caminha conosco. Com as suas palavras, evoca formas de agressão física, mas sobretudo espiritual. No entanto, isso não o impede de doar a sua vida. A denúncia não se torna renúncia, o perigo não leva à fuga. Eis um segundo segredo para a vida do sacerdote: a realidade não nos deve causar medo. Quem nos chama, é o Senhor da vida. Caríssimos, que o ministério que vos é confiado possa transmitir a paz daquele que, mesmo entre os perigos, sabe por que razão está seguro.
Hoje, a necessidade de segurança torna os ânimos agressivos, leva as comunidades a fecharem-se sobre si mesmas e induz à procura de inimigos e bodes expiatórios. O medo anda frequentemente à nossa volta e, talvez, esteja dentro de nós. A vossa segurança não resida no cargo que ocupais, mas na vida, morte e ressurreição de Jesus, na história da salvação da qual participais com o vosso povo. É uma salvação que já atua em tanto bem realizado silenciosamente, entre pessoas de boa vontade, nas paróquias e ambientes aos quais vos aproximareis, como companheiros de viagem. O que anunciais e celebrais proteger-vos-á também em situações e tempos difíceis.
As comunidades para onde sereis enviados são lugares onde o Ressuscitado já está presente, onde muitos já o seguiram de forma exemplar. Reconhecereis as suas chagas, distinguireis a sua voz, encontrareis quem vo-lo indicará. São comunidades que também vos ajudarão a ser santos! E vós ajudai-as a caminhar unidas atrás de Jesus, o Bom Pastor, para que sejam lugares – jardins – da vida que ressuscita e se comunica. O que falta às pessoas é, muitas vezes, um lugar onde experimentar que juntos é melhor, que é bom estar com os outros e que se pode viver em conjunto. Facilitar o encontro, ajudar a aproximar quem de outra forma jamais se encontraria e encurtar distâncias entre opostos é indissociável da celebração da Eucaristia e da Reconciliação. Reunir é sempre e de novo implantar a Igreja.
No Evangelho, há uma imagem significativa que, a certa altura, Jesus começa a usar para falar de si mesmo. Estava a descrever-se como o “pastor”, mas quem o ouve parece não compreender. Então, Ele muda de metáfora: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas» (Jo 10, 7). Em Jerusalém, havia uma porta que se chamava precisamente assim, “a porta das ovelhas”, perto da piscina de Betzatá. Por ela, entravam no templo ovelhas e cordeiros, previamente imersos na água para depois serem destinados aos sacrifícios. De um modo espontâneo, vem à nossa mente o Batismo.
«Eu sou a porta», diz Jesus. O Jubileu mostrou-nos como esta imagem continua a tocar o coração de milhões de pessoas. Durante séculos, a porta – frequentemente um verdadeiro portal – convidou a atravessar o limiar da Igreja. Em alguns casos, a pia batismal era construída no exterior, como a antiga piscina de Betzatá, sob cujos pórticos «jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos» (Jo 5, 3). Queridos ordenandos, senti-vos parte desta humanidade que sofre e que espera a vida em abundância. Ao iniciar outros na fé, reavivareis a vossa própria fé. Com os outros batizados, atravessareis todos os dias o limiar do Mistério, aquele limiar que tem o rosto e o nome de Jesus. Nunca escondais esta porta santa, não a obstruais, não sejais um impedimento para quem deseja entrar. «Vós próprios não entrastes e impedistes a entrada àqueles que queriam entrar!» (Lc 11, 52): é a amarga repreensão de Jesus aos que esconderam a chave de uma passagem que devia estar aberta a todos.
Hoje, mais do que nunca, especialmente onde os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja, mantende a porta aberta! Deixai entrar e estai sempre prontos para sair. Este é outro segredo para a vossa vida: vós sois um canal, não um filtro. Muitos acreditam já saber o que há além daquele limiar. Trazem consigo memórias, talvez de um passado distante; com frequência, há algo vivo que não se extinguiu e que atrai; por vezes, porém, há qualquer outra coisa, que ainda sangra e afasta. O Senhor sabe e espera. Sede reflexo da sua paciência e da sua ternura. Vós sois de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da vossa missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras.
Por outro lado, Jesus insiste e esclarece: «Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há de entrar e sair e achará pastagem» (Jo 10, 9). Ele não sufoca a nossa liberdade. Existem relações que sufocam, comunidades nas quais é fácil entrar e quase impossível sair. Não é assim a Igreja do Senhor, não é assim a comunidade dos seus discípulos. Quem é salvo, diz Jesus, “entra, sai e encontra pastagem”. Todos procuramos abrigo, descanso e cuidado: a porta da Igreja está aberta. Não para nos afastarmos da vida: ela não se esgota na paróquia, na associação, no movimento, no grupo. Quem é salvo “sai e encontra pastagem”.
Caríssimos, ide e descobri a cultura, as pessoas, a vida! Maravilhai-vos com o que Deus faz crescer sem que nós o tenhamos semeado. Aqueles para quem sereis sacerdotes – fiéis leigos e famílias, jovens e idosos, crianças e doentes – habitam pastagens que deveis conhecer. Algumas vezes, parecer-vos-á que não tendes os mapas. Mas o Bom Pastor possui-os, e é a sua voz, tão familiar, que deveis ouvir. Quantas pessoas hoje se sentem perdidas! A muitos parece que já não conseguem orientar-se. Não há, então, testemunho mais precioso do que aquele que confia: «Em verdes prados me faz descansar e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos retos, por amor do seu nome» (Sl 23, 2-3). O seu nome é Jesus: “Deus salva”! Disto, sois testemunhas. «Na verdade, a tua bondade e o teu amor hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida» (Sl 23, 6). Irmãos, irmãs, queridos jovens: que assim seja!
Copyright © Dicastério para a Comunicação - Libreria Editrice Vaticana
REGINA CAELI
PAPA LEÃO XIV
REGINA CAELI
Praça de São Pedro
IV Domingo de Páscoa, 26 de abril de 2026
Irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!
Enquanto continuamos o nosso caminho no tempo pascal, o Evangelho apresenta-nos hoje as palavras de Jesus, que se compara a um pastor e, depois, à porta do redil (cf. Jo 10, 1-10).
Jesus contrapõe o pastor ao mercenário. Na verdade, afirma: «Quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador» (v. 1). Mais adiante, diz de forma ainda mais clara: «O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (v. 10). A diferença é evidente: o pastor tem uma ligação especial com as suas ovelhas e, por isso, pode entrar pela porta do redil; se, pelo contrário, alguém precisa de transpor a cerca, então é certamente um ladrão que quer roubar as ovelhas.
Jesus diz-nos que está ligado a nós por uma relação de amizade: Ele conhece-nos, chama-nos pelo nome, guia-nos e, tal como o pastor faz com as suas ovelhas, vem à nossa procura quando nos perdemos e trata das nossas feridas quando estamos doentes (cf. Ez 34, 16). Jesus não vem, como um ladrão, roubar a nossa vida e a nossa liberdade, mas conduzir-nos pelos caminhos direitos. Não vem sequestrar ou enganar a nossa consciência, mas iluminá-la com a luz da sua sabedoria. Não vem corromper as nossas alegrias terrenas, mas abri-las a uma felicidade mais plena e duradoura. Quem confia n’Ele não tem nada a temer: Ele não vem atormentar a nossa vida, mas vem dar-no-la em abundância (cf. v. 10).
Irmãos e irmãs, somos convidados a refletir e, sobretudo, a vigiar o redil do nosso coração e da nossa vida, porque quem nele entrar pode multiplicar a alegria ou, como um ladrão, pode roubá-la. Os “ladrões” podem ter muitos rostos: são aqueles que, apesar das aparências, sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade; são convicções e preconceitos que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida; são ideias erradas que podem levar-nos a escolhas negativas; são estilos de vida superficiais ou marcados pelo consumismo, que nos esvaziam interiormente e nos levam a viver sempre à margem de nós mesmos. E não esqueçamos também aqueles “ladrões” que, saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas ou alimentando o mal nas suas diversas formas, não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade.
Podemos perguntar-nos: Quem queremos que guie a nossa vida? Quais são os “ladrões” que tentaram entrar no nosso redil? Conseguiram-no, ou fomos capazes de os afastar?
Hoje, o Evangelho convida-nos a confiar no Senhor: Ele não vem para nos roubar nada; pelo contrário, é o Bom Pastor, que multiplica a vida e no-la oferece em abundância. Que a Virgem Maria nos acompanhe sempre ao longo do caminho e interceda por nós e pelo mundo inteiro.
_______________________
Depois do Regina Caeli:
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje recorda-se o 40.º aniversário do trágico acidente de Chernobyl, que marcou a consciência da humanidade. Este acidente continua a ser um aviso sobre os riscos inerentes ao uso de tecnologias cada vez mais poderosas. Confiamos à misericórdia de Deus as vítimas e todos aqueles que ainda sofrem as suas consequências. Desejo que, a todos os níveis de decisão, prevaleçam sempre o discernimento e a responsabilidade, para que qualquer utilização da energia atómica esteja ao serviço da vida e da paz.
E agora dirijo-me a vós, romanos e peregrinos de vários países: bem-vindos!
Saúdo os Cavaleiros e as Damas da Ordem de São Jorge, Ordem europeia da Casa de Habsburgo-Lorena. Saúdo as crianças do grupo de dança «Malva», de Brovary, na Ucrânia; o Coro Cantica Sacra da Arquidiocese de Trnava, na Eslováquia; os fiéis de Viena, de Madrid e das Ilhas Canárias; os dirigentes e professores da Escola «São Tomás» de Lisboa.
Saúdo o numeroso grupo de jovens da Val Camonica (Diocese de Brescia) e os pequenos acólitos de Biadene e Caonada; bem como os fiéis de Treviso, Vicenza, Crotone e Cariati, Oria e Lecce; e os participantes no congresso da Associação dos Apóstolos da Divina Misericórdia.
Uma saudação especial aos familiares e amigos dos novos presbíteros da Diocese de Roma, que ordenei esta manhã na Basílica de São Pedro: acompanhem sempre com a oração estes jovens ministros do Evangelho.
Desejo a todos um bom domingo.
Copyright © Dicastério para a Comunicação - Libreria Editrice Vaticana
sábado, 25 de abril de 2026
Seguro discursa pela primeira vez em sessão do 25 de Abril e abre o Palácio de Belém
Sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril no parlamento está marcada para as 10h00.
António José Seguro vai discursar no sábado pela primeira vez como Presidente da República na sessão solene comemorativa do 25 de Abril e terá uma conversa com 25 jovens no Palácio de Belém ao público.
A sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril no parlamento está marcada para as 10:00. O chefe de Estado será o último a discursar, depois dos representantes dos partidos e do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
Esta será a terceira intervenção de António José Seguro na Assembleia da República desde que assumiu a chefia do Estado, depois dos discursos de posse, em 09 de março, e na sessão comemorativa dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, em 02 de abril.
Na cerimónia em que tomou posse, o antigo secretário-geral do PS, que esteve dez anos afastado da política, prometeu ser o "Presidente de Portugal inteiro" e estar "próximo das pessoas", ouvindo as suas preocupações, "atento às desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana".
Em defesa da estabilidade política, António José Seguro dirigiu-se aos partidos com representação parlamentar pedindo-lhes "um compromisso político claro" nesse sentido e afirmou que tudo fará para estancar o "frenesim eleitoral" do passado recente com "ciclos eleitorais de dois em dois anos".
Como "desafios estruturais" do país, apontou "crescimento económico insuficiente, economia baseada em baixos salários, desigualdades persistentes, pobreza constante, envelhecimento demográfico, morosidade na justiça, burocracias publicas, dificuldades no acesso à saúde e à habitação".
Quando voltou ao parlamento, para assinalar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, o Presidente da República defendeu que não é a Lei Fundamental que "impede a resolução dos problemas concretos dos portugueses" e que "a frustração que muitos portugueses sentem não é da Constituição", mas antes "do seu incumprimento" e "da incapacidade de vários poderes em concretizarem de forma efetiva os direitos que ela consagra".
Na sua intervenção nessa sessão solene, António José Seguro prometeu trabalhar com os outros órgãos de soberania "para que os desígnios do Estado social não sejam letra morta e se consubstanciem em melhores condições de vida para os portugueses, a começar pela melhoria do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".
No seu entender, "outros desígnios que muitos portugueses sentem como vazios têm a ver com a desigualdade e a corrupção".
Entre o "muito por fazer" no cumprimento da Constituição, o chefe de Estado apontou também o acesso à habitação e considerou que "o Estado despertou tarde e é lento nas respostas" e que "são urgentes respostas e resultados concretos".
António José Seguro, que integrou os governos de António Guterres entre 1995 e 2002 e liderou o PS entre 2011 e 2014, foi eleito Presidente da República na segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, com cerca de 67% dos votos expressos, contra André Ventura, presidente do Chega.
Esta sexta-feira, para assinalar o Dia da Liberdade, os jardins do Palácio de Belém estarão abertos ao público -- entre as 13:30 e as 19:00, com entrada até às 17:45 -- com atuações culturais. Às 17:00, o Presidente da República vai participar numa conversa com 25 jovens sobre "Liberdade, Democracia e Futuro".
(Lusa)
Papa volta a condenar a pena de morte e se une a quem luta pela abolição da prática no mundo
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV reforçou em mensagem de vídeo nesta sexta-feira (24/04) a condenação à pena de morte, ao assassinato de pessoas e a todas as ações injustas, como enalteceu no dia anterior em coletiva de imprensa no voo de retorno da África. Por ocasião do aniversário de 15 anos da abolição da pena de morte no estado de Illinois, nos Estados Unidos, o Pontífice se dirigiu aos participantes de um evento comemorativo a esse marco realizado pela Universidade DePaul, que contou com a participação da Irmã Helen Prejean, ativista de renome mundial contra essa prática capital. A noite celebrativa no Centro de Estudantes do Lincoln Park, em Chicago, teve transmissão ao vivo.
Em março de 2011, Illinois se transformou no 16° estado do país a abolir a pena de morte, após uma longa e controversa batalha que atestou que o sistema de pena capital carecia de credibilidade, era excessivamente caro e corria o risco de executar pessoas inocentes. Atualmente, de acordo com dados de 2025 do Centro de Informações sobre a Pena de Morte (Death Penalty Information Center), Illinois faz parte do grupo de 23 dos 50 estados dos EUA que não prevêem a pena de morte. No mundo, segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, muitos países que mantêm a pena de morte ocultam dados, dificultando um levantamento exato, mas cerca de 86 nações ainda realizam execuções (relatório de 2024).
É possível garantir justiça sem recorrer às execuções
Apesar da pena de morte seguir sendo uma realidade nos Estados Unidos, onde a legislação criminal permite que cada estado decida de forma autônoma sobre esse tipo de punição, é grande o movimento em defesa de uma ética da vida. O evento na universidade, por exemplo, uniu histórias pessoais, música, reflexões e a própria mensagem em vídeo do Papa Leão XIV. Logo no início, ele recordou o discurso feito em janeiro deste ano aos membros do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé:
"A Igreja Católica sempre ensinou que toda vida humana, desde o momento da concepção até a morte natural, é sagrada e merece ser protegida. De fato, o direito à vida é o próprio fundamento de todos os outros direitos humanos. Por isso, somente quando uma sociedade tutela a sacralidade da vida humana pode florescer e prosperar."
A esse respeito, continuou o Papa em vídeo, "afirmamos que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo após a prática de crimes gravíssimos". O Pontífice abordou, assim, sobre os sistemas de detenção que podem ser "eficazes" para proteger os cidadãos e, ao mesmo tempo, "não privam completamente aos criminosos a possibilidade de se redimirem". Por isso tanto Papa Francisco como os outros recentes predecessores, disse Leão XIV, "reiteraram repetidamente que é possível proteger o bem comum e salvaguardar os requisitos da justiça sem recorrer à pena capital":
“A Igreja ensina que 'a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa'. Assim, eu me uno a vocês para celebrar a decisão tomada em 2011 pelo governador de Illinois e ofereço o meu apoio àqueles que lutam pela abolição da pena de morte nos Estados Unidos da América e em todo o mundo. Rezo para que os seus esforços levem a um maior reconhecimento da dignidade de cada pessoa e inspirem outros a trabalhar pela mesma causa justa.”