Caminhando
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Hoje é dia de são Germano de Paris, o pai dos pobres
São Germano de ParisPor Redação central
28 de mai de 2026 às 00:01
A Igreja recorda hoje (28) são Germano de Paris, bispo da cidade luz entre 555 e 576, lembrado por seu intenso amor pelos pobres e por seu papel na pacificação da França de seu tempo.
Antes de se tornar bispo, são Germano foi abade do mosteiro de são Sinforiano, onde fomentou o espírito de pobreza entre os monges. Diz-se que o seu desapego das coisas materiais era tal que a sua conduta incomodava os monges mais apegados às seguranças deste mundo. Conta-se também que em certa ocasião ele teve que enfrentar um grupo de monges que se rebelaram contra sua autoridade, temendo que o santo doasse os seus pertences. São Germano viveu em tempos em que a nobreza estava em decadência, nos quais a ostentação e a vida desordenada eram a norma, e onde ninguém simpatizava com aqueles que tinham menos.
O menino abandonado que virou monge
São Germano de Paris nasceu em 496, perto da cidade de Autun. Ainda criança foi abandonado pelos pais, embora pela graça de Deus um parente seu, Scapilion, que era padre, cuidou dele. Scapilion deu ao pequeno os cuidados necessários e a educação de que precisava.
Mais tarde, Germano, muito inclinado à vida espiritual, entrou para o mosteiro de São Sinforiano de Autun e tornou-se monge segundo a Regra de São Basílio. A sua dedicação e observância foram tão grandes que os seus irmãos o elegeram abade. Segundo o testemunho de seu amigo e também bispo, são Venancio Fortunato De Poitiers, sabe-se que Germano foi um abade de fervorosa oração e simplicidade, e que muitos milagres seriam operados por sua intercessão.
“De graça recebestes, de graça dai”
A são Germano é atribuída a conversão ao catolicismo do rei franco Quildeberto I, a quem ele pediu para colocar ordem nos costumes de seus súditos. Muitas práticas pagãs eram mantidas na França da época, principalmente entre aqueles que se diziam cristãos. Os excessos abundavam ali por igual, mesmo em dias de festas religiosas.
No ano de 555, morreu o bispo de Paris, Eusébio. Germano estava na cidade e dado o seu prestígio de homem nobre e santo, tanto o clero como o povo pediram ao rei que Germano ocupasse a sede vacante. Quildeberto I, rei das Galias, acedeu ao pedido do povo e reteve-o na cidade.
Como pastor, são Germano fortaleceu o anúncio evangelizador dos povos pagãos, defendeu a doutrina e ampliou a prática dos costumes cristãos na vida social, especialmente a esmola. Ele também participou do terceiro e quarto Concílio de Paris, bem como do segundo Concílio de Tours (566). Foi Germano quem, com a morte de Quildeberto, colocou em prática seus bons ofícios para reconciliar os herdeiros que disputavam o legado do rei. Infelizmente, ele não teve muito sucesso nessa empreitada e morreu sem ver a paz restaurada.
O protetor de Paris e as esmolas
Um tema que deve ser destacado quando se fala de são Germano de Paris é o da generosidade, e sua realização prática na “esmola”. A “comunhão de bens” é uma tradição desde os tempos apostólicos. Isso, em essência, é compartilhar o que Deus dá, material ou não, para o bem de cada um.
O Senhor Jesus foi o primeiro exemplo: deu tudo, não guardou nada para si; a ponto de não ter "onde reclinar a cabeça". Deu o exemplo da viúva pobre e mostrou, através do gesto daquela mulher, que o amor é coerente com o desapego e o desprendimento. São Germano quis fazer eco dessa santa generosidade e mobilizou toda uma cidade para contribuir com o sustento da Igreja e dos mais necessitados. Isso lhe valeu ser chamado de "o pai dos pobres". Por isso, é preciso lembrar que a esmola é expressão de amor, de entrega; uma prova irrefutável de que as "coisas" não são o mais importante e devem ser um meio para fazer o bem.
Tesouros no céu
Depois de uma vida de austeridade e penitência, ele morreu com quase 80 anos, em 28 de maio de 576. Muitos franceses o veneram hoje como o santo padroeiro da grande metrópole parisiense.
O santo foi enterrado na capela de são Sinforiano, que foi construída por ordem de Quildeberto I, localizada na igreja de São Vicente. No entanto, em 754, suas relíquias foram transferidas para a nave principal, na presença de Pipino, o Breve, e de seu filho Carlos Magno, que na época era um menino de sete anos. Mais tarde, essa igreja se tornou a igreja da Abadia de Saint-Germain-des-Prés, construída em homenagem ao santo bispo.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
May 27 2026, General Audience - Pope Leo XIV
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II III. Constituição Sacrosanctum Concilium 2. A reforma da liturgia: tradição e desenvolvimento
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Na Encíclica Mediator Dei, o Venerável Pio XII escreve que «a Igreja é um organismo vivo e, por isso, também no que diz respeito à sagrada liturgia, confirmando a integridade do seu ensinamento, cresce e desenvolve-se, adaptando-se e conformando-se às circunstâncias e às exigências que se verificam ao longo do tempo» (I, V).
Em plena continuidade com este princípio, o Concílio Vaticano II, no Proémio da Constituição Sacrosanctum Concilium (SC), reconhece como seu «dever interessar-se de modo particular também pela reforma e o incremento da liturgia» (n. 1). Com efeito, a assembleia conciliar reuniu-se com a finalidade de «fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições suscetíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja» (ibid.).
Naquele momento histórico, sentia-se fortemente a necessidade de uma renovação das formas rituais, mediante as quais desde há séculos a Igreja tinha realizado a glorificação de Deus e a santificação do povo cristão. Graças ao Movimento litúrgico amadureceu a convicção, expressa sucessivamente por São João Paulo II, de que «existe uma ligação muito íntima e orgânica entre a renovação da liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja. A Igreja não só age, mas também se exprime na liturgia [...] e haure da liturgia as energias para a vida» (Carta Dominicae Cenae, 13).
Portanto, para favorecer o acesso dos fiéis à riqueza dos dons da graça dispensados pela sagrada liturgia, a Constituição Sacrosanctum Concilium indica com uma fórmula muito eficaz o caminho a seguir: «Conservar a sã tradição e abrir [...] o caminho a um progresso legítimo» (SC, 23).
O Papa Bento XVI identificou nesta declaração de intenções o «programa de reforma» dos Padres conciliares, «em equilíbrio com a grande tradição litúrgica do passado e com o futuro», observando que «muitas vezes tradição e progresso se contrapõem de maneira inadequada» enquanto, «na realidade, os dois conceitos se integram: a tradição inclui, ela mesma, de certa forma o progresso. Como se dissesse que o rio da tradição tem em si também a sua nascente e tende para a foz» (Discurso aos participantes no diálogo por ocasião do 50º aniversário de fundação do Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo, 6 de maio de 2011).
O Concílio afirma a legitimidade deste progresso enraizado na autêntica Tradição distinguindo, no seio da liturgia, «uma parte imutável, porque de instituição divina», das «partes suscetíveis de modificação, que podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondem tão bem à natureza íntima da liturgia, ou se tenham tornado menos apropriados» (SC, 21). Mudanças deste tipo ocorreram constantemente ao longo dos séculos, a fim de permitir aos fiéis uma fecunda participação, através das ações rituais, no mistério pascal de Cristo, fundamento da fé cristã. Por conseguinte, o culto da Igreja “encarnou-se” nas formas culturais de cada época e foi capaz de as influenciar e até de as transformar. Assim, durante séculos a liturgia foi um motor de evangelização. Hoje é necessário renovar esta energia, em continuidade com a autêntica e viva tradição católica, ou seja, segundo uma dinâmica destinada a introduzir os crentes na plenitude da verdade.
Então, compreende-se por que motivo os Padres conciliares recomendaram que a revisão dos ritos, quando corresponder a «uma utilidade autêntica e certa da Igreja», seja sempre realizada «com a preocupação de que as novas formas, de certo modo, surjam a partir das já existentes» (SC, 23). Para o bem de toda a Igreja, qualquer reforma deve ser sempre precedida de «uma acurada investigação teológica, histórica e pastoral» (ibid.). Deste modo, o Magistério conciliar convida a evitar a desorientação dos fiéis, dissuadindo qualquer pessoa de acrescentar, suprimir ou modificar algo por sua iniciativa em matéria litúrgica (cf. SC, 22). O progresso evocado pela Constituição conciliar não compromete de maneira alguma a comunhão eclesial: pelo contrário, tenciona confirmá-la e favorecê-la.
Por conseguinte, exorto todos aqueles que são chamados a preparar a celebração dos divinos mistérios, em particular os sacerdotes que exercem o ministério da presidência litúrgica, a manter sempre o respeito pelos textos e pelas normas da liturgia que brota de uma atitude interior de disponibilidade e confiança em Deus, manifestando humildade perante a sua grandeza e sincera fidelidade à comunhão eclesial.
Apelo
Acompanho com preocupação a guerra na Ucrânia, que nestes dias enfrenta uma forte intensificação. Desejo expressar a minha proximidade a quantos sofrem devido aos recentes ataques, perpetrados inclusive contra civis.
A guerra não resolve os problemas, mas agrava-os; não constrói segurança, mas multiplica o sofrimento e o ódio. Onde caem mísseis e drones, caem também as esperanças, destroem-se casas e lugares de oração, ceifam-se vidas inocentes.
Confio todos os povos feridos pela guerra à salvaguarda da Virgem Maria, Rainha da Paz!
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Saudações:
Queridos irmãos e irmãs de língua portuguesa, bem-vindos! Unidos a Maria, Mãe da Igreja, mantenhamo-nos perseverantes e unidos na oração, e transmitamos a todos a esperança e a consolação do Evangelho. Que o Senhor vos abençoe, a vós e às vossas famílias!
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Resumo da catequese do Santo Padre:
O Concílio Vaticano II, ao refletir na Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a reforma da liturgia, distingue nela uma «parte imutável, porque de instituição divina» e «partes suscetíveis de modificação, as quais podem e devem variar no decorrer do tempo» (n. 21). Assim sendo, indicou o caminho para se conservar a sã tradição e abrir espaço a um legítimo progresso das formas rituais pelas quais se dá glória a Deus e se santifica o povo cristão. O importante, sempre, é permitir aos fiéis, por meio dos ritos, uma frutuosa participação no Mistério pascal de Cristo, fundamento da fé cristã. A Liturgia foi, ao longo dos séculos, e continua a ser hoje um motor de evangelização, que confirma e promove a comunhão eclesial.
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Hoje é celebrado santo Agostinho de Cantuária, o apóstolo da Inglaterra
Santo Agostinho de CantuáriaPor Redação central
27 de mai de 2026 às 00:01
Santo Agostinho de Cantuária foi um monge da Ordem de São Bento, o primeiro arcebispo de Cantuária na Inglaterra, um dos padres da igreja latina e um dos maiores evangelizadores europeus junto com são Patrício, na Irlanda, e são Bonifácio, na Alemanha.
A data de seu nascimento é desconhecida, mas se sabe que faleceu em 26 de maio de 604. O início de sua vida apostólica e missionária foi em 597, quando saiu de Roma por ordem do papa são Gregório Magno para evangelizar a Grã Bretanha acompanhado de 39 monges.
A Grã Bretanha havia sido evangelizada desde a época apostólica, entretanto, esta pátria recaiu no paganismo após a invasão nos séculos V e VI.
Apesar dessa situação, o rei Etelberto de Kent (sudestes da Inglaterra medieval) – que posteriormente se converteria ao catolicismo e chegaria a ser santo – permitiu a chegada e a evangelização dos missionários beneditinos, apesar de ser pagão. Sem dúvidas, o fato de sua esposa ser uma princesa cristã influenciou.
Antes que os missionários chegassem ao povoado de Thanet, em Kent, onde foram imediatamente recebidos por Etelberto, o papa são Gregório Magno já havia nomeado Agostinho abade e o designado como bispo.
Depois do encontro, o rei lhes concedeu permissão para pregar em todo o povoado e lhes entregou a igreja de São Martinho para que pudessem celebrar a missa e outras liturgias. A partir desse momento, as conversões começaram a se multiplicar e logo o rei e sua corte foram batizados em Pentecostes do ano 597.
A evidente sinceridade dos missionários, sua simplicidade de intenção, sua força diante de todas as provações e, sobretudo, o caráter desinteressado do próprio Agostinho acompanhado de sua doutrina causaram uma profunda impressão na mente do rei.
Agostinho enviou dois de seus melhores monges a Roma para contar ao Sumo Pontífice o acontecido. Em resposta, o papa o nomeou arcebispo de Cantuária e, ao mesmo tempo, o admoestou paternalmente para que não se orgulhasse pelos êxitos alcançados nem pela honra do alto cargo que lhe conferia.
Seguindo as indicações do papa para a divisão em territórios eclesiásticos, Agostinho erigiu outras sedes episcopais, a de Londres e a de Rochester, consagrando bispos Melito e Justo.
Depois de ter trabalhado por vários anos com todas as suas forças para converter ao cristianismo o maior número possível de ingleses, santo Agostinho de Cantuária morreu em 26 de maio de 604.