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quarta-feira, 22 de abril de 2026
Cidade de Deus não é política, diz Leão XIV na Guiné Equatorial
Por Silas Isenjia
21 de abr de 2026 às 15:07
O papa Leão XIV exortou as autoridades da Guiné Equatorial a priorizarem questões fundamentais que afetam a vida social e política dos fiéis no país da África Central, dizendo que o Céu não é político.
Em seu encontro hoje (21) com autoridades, membros da sociedade civil e do corpo diplomático no palácio presidencial da Guiné Equatorial, o papa Leão XIV falou sobre o modelo de santo Agostinho da “Cidade de Deus” e da “cidade terrena”.
O papa condenou a busca por riquezas injustas e domínio político. Ele disse que os cristãos não são estranhos à vida política, mas são chamados, guiados pelas Escrituras, a contribuir construtivamente para o bem comum, mantendo o olhar fixo na cidade celestial.
“A Cidade de Deus não propõe um programa político, mas fornece reflexões valiosas sobre questões fundamentais da vida social e política»”, disse o papa no primeiro dia de sua visita ao país, que vai até depois de amanhã (23).
“Hoje, a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar as coisas novas que desestabilizam o planeta e a convivência humana, buscando, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça”, disse Leão XIV.
Para o papa, a dimensão fundamental da missão da Igreja é “contribuir para a formação das consciências, através do anúncio do Evangelho, da oferta de critérios morais e de princípios éticos autênticos, no respeito pela liberdade de cada indivíduo e pela autonomia dos povos e seus governos”.
O papa Leão XIV disse que a doutrina social da Igreja visa ajudar as pessoas a enfrentar as realidades em constante mudança, dizendo que ela “tem como objetivo final educar para enfrentar os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova, com renovados desafios, sonhos e interrogações”.
Falando sobre os desafios contemporâneos, ele disse que o mundo de hoje se depara com questões que “abalam os alicerces da experiência humana”.
Ele falou também sobre a encíclica Rerum novarum, de 1891, do papa Leão XIII, sobre o capital e o trabalho, e disse: “A exclusão é a nova face da injustiça social. O fosso entre uma pequena minoria – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática”.
Leão XIV disse que “a falta de terra, comida, casa e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados”.
Ele disse que “é dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral”, fundamentado na solidariedade e na destinação universal dos bens.
“Senhor Presidente, Senhoras e Senhores, caminhemos juntos, com sabedoria e esperança, rumo à Cidade de Deus, que é a cidade da paz”, disse o papa Leão XIV.
Ainda hoje (21), o papa se reunirá com acadêmicos e artistas num encontro com representantes do mundo da cultura no Campus Leão XIV da Universidade Nacional. O dia também terá uma visita pastoral a pacientes e funcionários do hospital psiquiátrico Jean Pierre Olie.
Amanhã (22), o papa vai a Mongomo para celebrar a missa na basílica da Imaculada Conceição antes de visitar a Escola de Tecnologia Papa Francisco.
Depois, ele vai para Bata, onde visita uma prisão, reza num memorial dedicado às vítimas da explosão de 7 de março de 2021, que atingiu a cidade, e se encontra com jovens e famílias no estádio de Bata.
A viagem apostólica à África será concluída na próxima quinta-feira, com uma missa final celebrada pelo papa no estádio de Malabo.
Depois da cerimônia de despedida no aeroporto internacional de Malabo, o papa partirá para Roma, Itália, chegando no fim da tarde ao aeroporto internacional de Fiumicino, na capital italiana.
(acidigital)
Leão XIV agradece e elogia profissionais de hospital da Guiné Equatorial
Por Sabrine Amboka
21 de abr de 2026 às 15:30
O papa Leão XIV agradeceu hoje (21) os profissionais de saúde, e elogiou a dedicação deles ao cuidado de pacientes.
Em seu discurso hoje no hospital psiquiátrico Jean Pierre Olie, na Guiné Equatorial, o papa agradeceu a recepção na instituição e falou sobre a tristeza associada à doença e as dificuldades enfrentadas por pacientes e suas famílias.
“Sou profundamente grato pela calorosa recepção, assim como pelos cânticos e danças”, disse Leão XIV. “Obrigado! Sempre que visito um hospital, tenho sentimentos contraditórios. Por um lado, sinto tristeza pelos pacientes e suas famílias”.
“Admiro e me sinto confortado por tudo o que é feito ali todos os dias para servir à vida humana”, disse ele. “Sinto o mesmo aqui, mas hoje, constato, e espero que o mesmo aconteça com vocês, que a alegria prevalece. É a alegria de nos reunirmos em nome do Senhor e cuidarmos daqueles que têm saúde frágil”.
Citando as palavras do diretor do hospital, o papa falou sobre a importância da compaixão na sociedade, dizendo: “Uma sociedade verdadeiramente grandiosa não é aquela que esconde as suas fraquezas, mas sim aquela que as envolve com amor”.
“Sim, isso é verdade”, disse ele. “Esse é um princípio de uma civilização com raízes cristãs, pois no curso da história da humanidade Cristo veio para redimir e restaurar à plena dignidade aqueles que sofrem com o estigma da deficiência”.
A viagem apostólica de 11 dias do Papa Leão XIV pela África será concluída na Guiné Equatorial na próxima quinta-feira (23). O papa teve hoje uma cerimônia oficial de boas-vindas ao país antes de se encontrar com o presidente da Guiné Equatorial e com líderes políticos, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático.
Amanhã (22), o papa vai a Mongomo para celebrar a missa na basílica da Imaculada Conceição antes de visitar a Escola de Tecnologia Papa Francisco.
Depois, ele vai para Bata, onde visita uma prisão, reza num memorial dedicado às vítimas da explosão de 7 de março de 2021, que atingiu a cidade, e se encontra com jovens e famílias no estádio de Bata.
A viagem apostólica à África será concluída na próxima quinta-feira, com uma missa final celebrada pelo papa no estádio de Malabo.
Depois da cerimônia de despedida no aeroporto internacional de Malabo, o papa partirá para Roma, Itália, chegando no fim da tarde ao aeroporto internacional de Fiumicino, na capital italiana.