Caminhando
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Audiência Geral 7 de outubro de 2026 -Papa Leão XIV
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II IV. Constituição pastoral Gaudium et spes 5. A missão da Igreja no mundo contemporâneo (GS, 40-45)
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Retomando a reflexão sobre a Constituição conciliar Gaudium et spes (GS), hoje consideramos o quarto capítulo da primeira parte, dedicado à missão da Igreja no mundo contemporâneo. Em primeiro lugar, o Concílio recorda que a Igreja não está “acima” nem “ao lado” do mundo, mas como que inserida nele. «Mundus reconciliatus Ecclesia», escrevia Santo Agostinho (Sermo 96): a Igreja é o mundo já reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e com este mundo partilhamos a fragilidade e a beleza (cf. GS, 40).
Assim como o Filho de Deus se encarnou para dar vida ao mundo e para o reconciliar com o Pai, também a Igreja habita no mundo como sinal da encarnação de Deus para manifestar o seu desígnio de tornar todos nós seus filhos numa única e grande família humana. Por isso, a Igreja caminha na história, no meio dos povos e das culturas, e «esta interligação vital com os povos faz-lhe compreender cada vez mais que a sua missão tem um alcance histórico e implica responsabilidade no que diz respeito à maneira como se tecem as relações sociais» (Carta enc. Magnifica humanitas, 19).
A primeira missão da Igreja consiste em ajudar as pessoas a estar atentas às profundas interrogações da vida: aquelas que dizem respeito à nossa origem e ao nosso destino, assim como aquelas que se referem ao sentido do amor e da dor (cf. GS, 41). A lógica do lucro custe o que custar e a manipulação da informação correm o risco de exercer uma pressão indevida a fim de que as pessoas se conformem com um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso coração foi feito para olhar para o alto.
Os Padres do Concílio recordam que a missão da Igreja se realiza também na contribuição para a construção da cidade terrena. No entanto, os seus métodos e a sua finalidade não são primariamente de ordem política, mas consistem no testemunho da fé e da caridade, com o compromisso em prol da justiça, da paz e da fraternidade. Adorando Cristo, o Justo que morreu pelos injustos, o crente não pode aceitar a opressão dos pequeninos e dos pobres, nem as estruturas injustas que perpetuam condições de dependência e injustiça. A Doutrina social da Igreja orienta a ação dos cristãos, que colaboram com todas as pessoas de boa vontade na promoção do bem comum. Portanto, a Igreja «nada deseja mais ardentemente do que, servindo o bem de todos, poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconheça os direitos fundamentais da pessoa e da família, e os imperativos do bem comum» (GS, 42).
Para cumprir com eficácia a missão evangélica, é necessário que cada batizado se comprometa em cooperar com a graça do Espírito Santo, a fim de que a sua fé seja viva e se expresse mediante comportamentos coerentes. Com efeito, como recordam os Padres conciliares, a separação entre fé professada e vida quotidiana «deve ser contada entre os mais graves erros do nosso tempo» (GS, 43).
A Gaudium et spes spes reserva uma menção especial (cf. ibid.) à missão dos fiéis leigos que, em virtude do Batismo, são chamados a animar o mundo com o espírito cristão e a visão do Evangelho. Os principais lugares desta ação, que bem se pode dizer sacerdotal, são indubitavelmente a família e a atividade de trabalho, mas ela estende-se a todos os ambientes de vida.
Para concluir, a Igreja está sempre atenta ao que acontece e se desenvolve na sociedade (cf. GS, 44). É tarefa de todo o Povo de Deus, sobretudo dos pastores e dos teólogos, discernir o que é digno de consideração nas culturas do nosso tempo, tendo sempre como critério supremo de discernimento a Palavra de Deus e a Tradição da Igreja. Isto requer um espírito equilibrado e livre das modas culturais, capaz de olhar para o mundo de modo positivo e, ao mesmo tempo, firme na preservação e apresentação da mensagem evangélica na sua integralidade. Com efeito, «não é certamente diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente» (Discurso à Plenária do Dicastério para a Evangelização — Secção para as questões fundamentais da evangelização no mundo, 28 de maio de 2026).
Caríssimos, enquanto se encontra a caminho na história, a Igreja tem como «único fim (...) o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo o género humano» (GS, 45). Ela tende para esta finalidade sobretudo através da santidade pessoal e do amor fraterno. São Paulo VI escrevia: «Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra fará a sua caminhada até atingir o coração do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer vã e infecunda» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 76). Portanto, tornemo-nos dóceis à ação do Espírito Santo, a fim de que nos ajude a viver em santidade e caridade, para que o mundo possa acreditar e esperar.
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Saudações:
Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em especial aos grupos vindos do Brasil e de Portugal. Queridos irmãos e irmãs, na próxima segunda-feira, 12 de outubro, celebra-se Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Confio todos vós e as vossas famílias à sua intercessão maternal. Que Nossa Senhora vos proteja sempre! Deus vos abençoe!
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Resumo da catequese do Santo Padre:
Prosseguimos o ciclo de catequeses sobre a Constituição Pastoral Gaudium et spes. O quarto capítulo da primeira parte do documento trata da missão da Igreja no mundo atual, que se realiza principalmente pelo testemunho da fé e da caridade, no empenho pela justiça, paz e fraternidade. A Doutrina social da Igreja orienta os cristãos, que colaboram com todas as pessoas de boa vontade na promoção do bem comum. Para cumprir com eficácia esta missão evangélica é preciso que cada batizado coopere com a graça do Espírito Santo, a fim de que a sua fé seja viva e se manifeste em ações coerentes. Enquanto caminha na história humana, a Igreja tem por fim “o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo o género humano” (GS 45).
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Paz e justiça no magistério de João Paulo I: um simpósio na Gregoriana
Vatican News
É o último dos seis “queremos” da mensagem Urbi et Orbi de João Paulo I – Albino Luciani, em 27 de agosto de 1978, no dia seguinte à sua eleição, o tema central do simpósio internacional: “João Paulo I: Iustizia e Pax ‘Proteger e promover a paz neste mundo conturbado’”. O evento, programado para o próximo dia 13 de outubro, é promovido pela Fundação Vaticana João Paulo I em colaboração com a Pontifícia Universidade Gregoriana e o Pontifício Comitê de Ciências Históricas, e será realizado na sede da universidade, na Praça da Pilotta, das 9h30 às 18h30.
Um “volumus”, destacou em um comunicado da Fundação Vaticana João Paulo I o cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, que também é presidente da referida Fundação, que “nos leva a refletir sobre como essas questões de interesse histórico continuam sendo extremamente atuais e como sua mensagem é de extrema relevância”. De fato, ao relembrar as palavras do Pontífice recém-eleito, é impossível não perceber isso.
Queremos, por fim, apoiar todas as iniciativas boas e louváveis que possam proteger e promover a paz neste mundo conturbado: convocando à colaboração todos os justos, os bons, os honestos e os de coração reto, para que possam conter, dentro das nações, a violência cega que apenas destrói e semeia ruínas e lutos e, na vida internacional, possam conduzir os homens à compreensão mútua, à união de esforços que favoreçam o progresso social, erradiquem a fome do corpo e a ignorância do espírito e promovam o progresso dos povos menos abastados, mas ricos em energia e vontade.
O apoio aos acordos de paz de Camp David para a questão árabe-israelense
Retomando as afirmações de João Paulo I — ou seja, que nem o Papa nem a Santa Sé possuem “soluções milagrosas para os grandes problemas mundiais” —, o cardeal Parolin destacou que “o apoio à construção de uma paz possível, parte essencial de sua missão, foi o fio condutor dos trinta e quatro dias de seu pontificado”. Naquele mês, de fato – como é explicado –, houve duas circunstâncias em que a paz se tornou uma urgência: a controvérsia entre o Chile e a Argentina surgida em relação à soberania sobre as ilhas do Canal de Beagle, conflito que foi evitado graças à mediação da Santa Sé. A segunda foi o apoio às negociações de paz que, de 5 a 17 de setembro, reuniram em Camp David o presidente americano Jimmy Carter, o presidente egípcio Anwar al-Sadat e o primeiro-ministro israelense Menachem Begin. João Paulo I desempenhou um papel de forte impacto simbólico e diplomático justamente naquelas semanas de setembro que viram se concretizar o resultado positivo dos Acordos de Paz de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.
“Proteger e promover a paz neste mundo conturbado”
O congresso, inaugurado com as saudações institucionais de Mark A. Lewis, SJ, reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana; de Marek Inglot, SJ, presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas; de Carlo Ossola, presidente do Instituto da Enciclopédia Italiana Treccani; e do cardeal Pietro Parolin, será dividido em quatro sessões.
A primeira, que aborda a evolução da doutrina sobre a guerra e a paz por parte das Igrejas, é presidida pelo prefeito do Arquivo Apostólico Vaticano, Rocco Ronzani, e conta com a palestra de abertura do historiador Roberto Morozzo della Rocca, centrada no tema “As Igrejas cristãs e a evolução da doutrina sobre a guerra e a paz (1945-1978)”. À mídia vaticana, o historiador destacou a atenção de João Paulo I ao tema da paz e sua premente atualidade. “Hoje me parece que muitos não estão dispostos a promover a paz”, acrescentou, “enquanto o Papa Luciani foi uma testemunha relevante nesse sentido, que deve ser valorizada e lembrada. Não é preciso ser pacifista para desejar a paz; basta ser uma pessoa de bom senso que não queira ruínas, catástrofes e situações apocalípticas no mundo de hoje. João Paulo I — concluiu Morozzo della Rocca — foi um pacificador porque tinha a preocupação genuína de que o mundo vivesse em paz”.
Nessa mesma sessão, estão previstas as intervenções de Roberto Regoli, professor titular de História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana, que se concentrará em “A ação da diplomacia da Santa Sé”. A sessão será encerrada com a contribuição de Giovanni Vian, professor titular de História do Cristianismo e das Igrejas na Universidade Ca’ Foscari de Veneza, que abordará o tema “Justiça e paz no magistério de João Paulo I”.
“Dentro das nações” e “na vida internacional”
A segunda sessão da manhã, presidida pelo secretário do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, Pierantonio Piatti, aborda, por sua vez, os contextos históricos em que João Paulo I desenvolveu sua ação em prol da paz ao longo de seu breve pontificado. A abrir a sessão, a intervenção do renomado historiador Mario Del Pero, professor de História Internacional no Centre d’Histoire da Sciences Po, em Paris. Sua contribuição concentra-se nos acordos de Camp David, de setembro de 1978, que representaram um momento crucial na história do Oriente Médio e da política norte-americana na região: “Os Estados Unidos e a busca por uma paz esquiva no Oriente Médio. Jimmy Carter e os acordos de Camp David”. Em seguida, a palestra de Gennaro Gervasio, professor de História e Instituições da África na Universidade Roma Tre, sobre “Anwar al-Sadat: da diplomacia de choque à paz separada”; e, para encerrar, a contribuição de Massimo De Giuseppe, professor titular de História Contemporânea na Universidade IULM de Milão: “O Conflito de Beagle. Entre ditaduras, transformações, crises e direitos humanos. A América Latina em 1978”.
É o diálogo com a historiadora Anna Foa, conhecida por seus estudos específicos sobre a história do judaísmo, e com Yassine Lafram, líder da União das Comunidades Islâmicas da Itália, que dá início à terceira sessão do Congresso, presidida por Mauro Mantovani, prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana. O diálogo intitula-se: “A guerra dos zelotes. Extremismo religioso e poder global”. O tema da paz e da guerra é aqui abordado sob a perspectiva inter-religiosa e das tendências extremistas, considerando que, em 10 de setembro de 1978, João Paulo I havia falado longamente sobre a cúpula em andamento em Camp David para a solução do conflito árabe-israelense, dedicando, para seu sucesso, o Angelus dominical, no qual havia destacado como os três líderes das religiões cristã, judaica e muçulmana haviam solicitado expressamente aos povos que rezassem com eles “para que a paz e a justiça resultem dessas deliberações”. O diálogo, em mesa redonda, é moderado por Stefania Falasca, vice-presidente da Fundação Vaticana João Paulo I, e por Nicole Winfield, correspondente da Associated Press.
Em seguida, a palestra do eclesiólogo Dario Vitali, da Pontifícia Universidade Gregoriana, sobre “O Concílio Vaticano II e o novo paradigma da paz”. “O tema da paz – destacou ele à imprensa vaticana – tem, naturalmente, suas raízes nas Escrituras e na tradição da vida da Igreja; em particular, minha contribuição se concentrará no Concílio Vaticano II, pois na Constituição Pastoral sobre o Mundo Contemporâneo, Gaudium et spes, há o capítulo quinto da segunda parte que trata da promoção da paz e da solidariedade entre os povos. A referência será sobretudo a isso e à forma como o Concílio abordou esse tema”. Vitali ressaltou ainda que o magistério de João Paulo I é de grande atualidade. “A intervenção sobre os acontecimentos de Camp David não teria sido possível se não houvesse um magistério do Concílio que, ao se aproximar do mundo e superar as barreiras criadas ao longo da história, permitiu que a Igreja entrasse em um diálogo que acompanha a humanidade na busca por valores fundamentais. De fato, não se trata apenas de uma necessidade de evitar a guerra, mas de uma urgência de construir a paz”. Após Vitali, a palestra de Emília Hrabovec, professora titular de História na Universidade Comenius de Bratislava e membro do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, especialista em história das relações entre a Santa Sé e os países do Leste, com uma apresentação sobre “Albino Luciani – João Paulo I, o comunismo e a Igreja Católica por trás da Cortina de Ferro”. Para encerrar a sessão, a palestra de Mauro Velati, centrada em João Paulo I e na dimensão internacional.
“Levar o mundo a uma paz mais estável, a uma cooperação mais leal”
A sessão de encerramento do Simpósio internacional de estudos contará, por fim, com a participação do presidente da Fundação Vaticana João Paulo I, o cardeal Pietro Parolin, em um diálogo com estudantes de diversas universidades do grupo interparlamentar “Jovens Universitários no Parlamento (Gup)” sobre o tema da paz. A Associação, criada para dar voz às novas gerações nos locais onde se tomam as decisões públicas, transforma o interesse acadêmico em participação ativa por meio de atividades de aprofundamento, diálogos com representantes institucionais e percursos de reflexão sobre os grandes temas contemporâneos, nos quais a formação universitária se integra à compreensão das instituições e das relações entre os povos. A moderação do encontro ficou a cargo de Flavia Tudini, da Universidade de Roma Tre, e de Vincenzo Varagona, presidente da União Católica da Imprensa Italiana (UCSI). Ao final, para fins de créditos de formação dos jornalistas, houve uma saudação da Associação “Artigo 21 Livres de…”.
As sessões e as respectivas intervenções serão precedidas pela exibição de um vídeo intitulado “Le carte della pace”, extraído do material contido no Arquivo Privado Albino Luciani (APAL), patrimônio da Fundação Vaticana João Paulo I.
Papa Leão XIV: rezar o Terço no mês de outubro pela paz entre os povos em conflito
Silvonei José – Vatican News
“A Bela Senhora”, vestida de branco, tal como se apresentou a Bernadette Soubirous, tinha um longo rosário de contas brancas que descia pelo seu braço direito. Esse rosário é segurado pela Virgem na Gruta de Massabielle, um convite perene à oração que transforma os corações e move o mundo. Assim, o Papa Leão, no Ângelus deste domingo, 27 de setembro, recitado em frente ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, relembra a força do rosário em uma época sombria, marcada por conflitos e violência. Rezar juntos o Angelus, “uma oração simples e maravilhosa”, ressalta o Pontífice, “nos ajuda a viver cada dia em adesão à vontade de Deus, seguindo o exemplo da Virgem Maria”.
“Antes disso, uma vez que me encontro neste local, gostaria de fazer um apelo que sinto ser especialmente importante. Foi aqui que a Imaculada Conceição apareceu a Santa Bernadette com o terço e, por assim dizer, guiou a sua oração. Por isso, hoje convido todos os fiéis e todas as comunidades cristãs a rezar o santo Rosário durante o próximo mês de outubro, com a intenção especial de que cessem as guerras e que a paz se estabeleça entre os povos em conflito”.
Um pedido que deve ser acompanhado de atitudes e intenções específicas:
“Acompanhemos esta oração com ações concretas de penitência e misericórdia, com o compromisso de promover sempre o diálogo e a reconciliação. Que nossa Santíssima Mãe interceda por nós!”
terça-feira, 6 de outubro de 2026
“O Diário pessoal do Papa Francisco”, um livro do cardeal Fernández
Vatican News
A Livraria Editora Vaticana publicará, em 24 de novembro de 2026, O Diário pessoal do Papa Francisco, livro do cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, que apresenta o Diário de Jorge Mario Bergoglio — Papa Francisco. Um texto de excepcional valor e importância para conhecer ainda mais a figura do pontífice jesuíta que guiou a Igreja Católica de 13 de março de 2013 até sua morte, ocorrida em 21 de abril de 2025. O Diário pessoal do Papa Francisco será lançado simultaneamente em todo o mundo em cinco idiomas e será distribuído em 24 de novembro em 94 países.
Será publicado em italiano pela Livraria Editora Vaticana, em espanhol, inglês e português pelas respectivas filiais da Penguin Random House, e em francês pela Editions Albin Michel.
Conhecer a interioridade do Pontífice argentino
“Estamos muito honrados em publicar este texto do cardeal Víctor Manuel Fernández, que apresenta ao público o Diário do Papa Francisco”, afirma Andrea Tornielli, diretor editorial do Dicastério para a Comunicação. “Com este livro, que acreditamos poderá ser apreciado por leitores em todo o mundo, poderemos conhecer ainda mais a interioridade do Pontífice argentino”.
O Diário pessoal do Papa Francisco apresenta e comenta anotações que Bergoglio fez de 20 de dezembro de 1992 a 18 de agosto de 2024.
A serviço da divulgação das palavras dos Papas
“A Livraria Editora Vaticana está a serviço da divulgação das palavras dos Papas em nível internacional, destaca Lorenzo Fazzini, diretor editorial da LEV. Este ano, cuidamos da publicação e divulgação dos escritos de Robert F. Prevost, hoje Papa Leão XIV, quando era Prior Geral dos Agostinianos, com o livro Liberi sotto la grazia, já publicado em várias línguas. Estamos realmente muito felizes em poder disponibilizar em breve aos leitores na Itália e, por meio de diversas editoras, em todo o mundo, essas páginas pessoais do Papa Francisco, apresentadas em um livro elaborado por um de seus colaboradores mais próximos, o cardeal Víctor Manuel Fernández”.
O livro será apresentado às editoras internacionais pela Livraria Editora Vaticana durante a próxima Feira do Livro de Frankfurt, programada para os dias 7 a 11 de outubro de 2026.
DISCURSO DO PAPA LEÃO XIV AOS SACERDOTES, RELIGIOSAS E RELIGIOSOS COREANOS RESIDENTES EM ROMA
DISCURSO DO PAPA LEÃO XIV
AOS SACERDOTES, RELIGIOSAS E RELIGIOSOS COREANOS RESIDENTES EM ROMA
Sala Clementina
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Bom dia a todos, bem-vindos!
Joh-eun achim-ieyo! (bom dia!)
Eminência
Queridos irmãos e irmãs!
É uma alegria receber-vos hoje, sacerdotes, religiosas e religiosos coreanos em Roma. Aqui, diante das memórias dos Apóstolos Pedro e Paulo, a fé que recebestes na Coreia encontra as suas raízes e pode receber novo impulso missionário. Provindes de longe, é verdade, mas aqui estais em casa!
Saúdo em particular quantos estão comprometidos na preparação da Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027. Além disso, comemora-se o vigésimo quinto aniversário da inauguração da sede do Pontifício Colégio Coreano: dirijo à comunidade do Colégio os meus votos de felicidades e o meu agradecimento pelo serviço prestado à Igreja na Coreia e à Igreja universal!
A história da vossa Igreja é verdadeiramente singular! A fé germinou espontaneamente na Coreia e desenvolveu-se também através da busca sincera da verdade por parte de homens que conheceram os textos cristãos e quiseram saber mais sobre Jesus Cristo. Daquela busca nasceu o desejo do Batismo e, do Batismo, uma comunidade que recordava a Igreja das origens (cf. At 4, 32).
Esta história transmite-nos duas palavras: memória e esperança. A memória cristã não é nostalgia, mas gratidão pelo que Deus realizou e responsabilidade pelo que Ele hoje confia às nossas mãos. A esperança não é mero otimismo, mas certeza de que Cristo ressuscitou e de que nenhuma escuridão pode ter a última palavra.
A Igreja na Coreia cresceu com o testemunho dos mártires. Ao longo da sua história, o povo coreano demonstrou uma extraordinária força de espírito: atravessou perseguições, guerras, pobreza e divisões, sabendo levantar-se de novo e olhar em frente. Iluminada pelo Evangelho, esta tenacidade tornou-se fortaleza cristã: capacidade de superar a provação sem perder a esperança e sem deixar que o sofrimento endureça o coração.
Preservar a memória dos mártires significa permitir que a sua fé continue a viver nas nossas escolhas, no serviço, no perdão e na entrega de nós mesmos. Penso, em particular, no Venerável Tomás Choe Yang-Eop, segundo sacerdote da história coreana, recordado como o “mártir do suor”. Durante onze anos percorreu incansavelmente as estradas da Coreia para chegar a comunidades cristãs longínquas e escondidas, levando-lhes a Palavra de Deus e os Sacramentos, até consumir a própria vida no serviço. O seu testemunho lembra-nos que existe o martírio de quem oferece a vida num instante e aquele, mais oculto, de quem a entrega dia após dia. Sim, é a isto que todos os cristãos são chamados: dar a vida com amor, todos os dias!
O nosso tempo tem necessidade precisamente disto: de homens e mulheres que tenham a coragem de praticar o bem, mesmo quando isto tem um preço. Aproximai-vos de quem está sozinho, sustentai quem está cansado, procurai quem se afastou. Tende a coragem de perdoar, de recomeçar, de dialogar. O bem nem sempre é reconhecido e muitas vezes custa cansaço, mas é esta coragem diária da caridade que torna credível o nosso anúncio do Evangelho.
A força para viver assim deriva da amizade com Jesus Cristo, que disse aos seus discípulos: «Chamei-vos amigos» (Jo 15, 15). Amados sacerdotes, religiosos e religiosas, preservai esta amizade! Alimentai-a na Eucaristia, na escuta da Palavra, na oração e no silêncio diante do Senhor. É permanecendo com Ele que reencontraremos a alegria da nossa vocação e aprenderemos a amar como Ele.
E a amizade com Cristo abre-nos à fraternidade. Provindes de diferentes dioceses, institutos, congregações e experiências: fazei desta diversidade um recurso para a sinodalidade. Uma Igreja sinodal é uma Igreja que caminha unida atrás do mesmo Senhor, ouvindo, acolhendo e reconhecendo no outro um irmão e um companheiro de caminho, nunca um concorrente.
Se pensarmos na vossa terra, isto adquire um significado particular. A Península coreana ainda carrega a dolorosa ferida da divisão. Por isso, peço-vos que sejais sempre homens e mulheres de reconciliação. A paz começa no coração e nas relações do dia a dia, quando ouvimos em vez de julgar, perdoamos em vez de guardar rancor, escolhemos a comunhão, não a oposição. Permanecei unidos e sede artífices de paz! Continuemos a esforçar-nos e a rezar para que se abram novos caminhos de encontro e a fim de que o Evangelho da paz possa ser anunciado livremente em todas as partes da Península coreana e no mundo.
Outrora terra de missão, hoje a Coreia tornou-se pátria de missionários. É um fruto precioso da fé e do sacrifício de quantos vos precederam: a memória gera missão, e a missão abre à esperança. A próxima Jornada Mundial da Juventude tornará tudo isto visível. Jovens provenientes de todas as partes do mundo chegarão a uma terra onde o Evangelho cresceu através do testemunho dos mártires. Gostaria que fosse um grandioso encontro entre a memória e o futuro: os mártires transmitem a fé às novas gerações e os jovens recebem-na para a levar pelas estradas do mundo.
Escutai os jovens, caminhai com eles e ajudai-os a descobrir que seguir Cristo não diminui a liberdade, mas torna-a plena; que a fé não restringe a vida, mas abre-lhe um horizonte mais vasto. Portanto, preparai a JMJ com paixão — como já fazeis — conservando no coração estas palavras: «Coragem, Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33). Os vossos mártires compreenderam-no: a sua esperança não dependia de circunstâncias favoráveis, mas da certeza de que Cristo já tinha vencido.
Estimados irmãos e irmãs, recebestes uma grande herança. Sede fortes na fé, generosos na caridade e perseverantes na esperança. Nunca vos canseis de praticar o bem, mesmo quando custa e até quando ninguém o vê: nenhum gesto realizado por amor se perde diante de Deus!
Neste mês dedicado ao Santo Rosário, confio-vos, assim como o caminho rumo à Jornada Mundial da Juventude, à Virgem Maria Imaculada, Padroeira da Coreia. Peço a Santo André Kim Tae-gon, a São Paulo Chong Ha-sang e a todos os santos e beatos mártires coreanos que vos acompanhem e façam de vós guardiões da memória, testemunhas da esperança e artífices da paz.
A vós, às vossas famílias, aos vossos irmãos e irmãs e a todo o Povo de Deus que está na Coreia, concedo de coração a Bênção Apostólica. Obrigado!
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L'Osservatore Romano
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A um ano da JMJ 2027, Leão XIV elogia martírio e história missionária da Coreia
5 de out de 2026 às 12:47
Um ano antes da JMJ 2027 em Seul, Coreia do Sul, o papa Leão XIV elogiou o martírio e a história missionária da Coreia, sublinhando a “extraordinária força de espírito” do povo coreano, a quem insta à reconciliação e à paz.
Em encontro hoje (25) na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano, o papa recebeu padres, freiras e monges coreanos residentes em Roma, Itália, por ocasião da celebração da Jornada Mundial da Juventude e do 25º aniversário da inauguração da sede do Pontifício Colégio Coreano na Cidade Eterna.
Leão XIV, que conseguiu dizer "bom dia" em coreano, destacou no início de seu discurso a história singular da Igreja no país asiático, onde a fé germinou "espontaneamente" e se desenvolveu "através da busca sincera da verdade" sobre Jesus Cristo, da qual "nasceu o desejo pelo batismo e, do batismo, uma comunidade".
Ele disse também que “a Igreja na Coreia cresceu graças ao testemunho dos mártires” e à “extraordinária força de espírito” do povo coreano. O papa disse que esse povo suportou “perseguição, guerra, pobreza e divisão, sabendo se reerguer e olhar para o futuro”, com uma tenacidade que “se tornou uma força cristã” que lhes permite “suportar as provações sem perder a esperança e sem deixar que o sofrimento endureça seus corações”.
O martírio diário
"Preservar a memória dos mártires significa permitir que a sua fé continue viva nas nossas decisões, no serviço, no perdão e na entrega de nós mesmos", disse o papa, antes de citar o venerável Thomas Choe Yang-Eop, o segundo sacerdote coreano, conhecido como o "mártir do suor" pela sua incansável jornada pelo país "até consumir a sua vida".
Sobre o exemplo de Choe, Leão XIV disse que “há o martírio de quem oferece a vida num instante e o, mais oculto, de quem a entrega dia a dia”. Em seguida, disse que “nosso tempo precisa precisamente disso: homens e mulheres que tenham a coragem de fazer o bem mesmo quando é difícil”.
Para alcançar esse ideal, o papa disse que “a força para viver assim vem da amizade com Jesus Cristo”, e por isso encorajou as pessoas a cultivá-la, a alimentá-la na Eucaristia, a ouvir a Sua Palavra e “na oração, em silêncio diante do Senhor”.
Ele disse também que “a amizade com Cristo nos abre para a fraternidade”, encorajando as pessoas a fazer da diversidade “um recurso para a sinodalidade” na Igreja, reconhecendo o outro como “um companheiro de jornada, nunca um rival”.
Falando sobre a história de divisão que assolou o povo coreano, o papa os encorajou a serem “homens e mulheres de reconciliação”, dizendo-os de que “a paz começa no coração”. “Mantenham-se unidos e sejam pacificadores”, disse.
“Preparem-se para a JMJ com paixão”
Leão XIV falou também sobre próxima celebração da JMJ 2027 em Seul, dizendo que ela tornará visível que "a Coreia, que outrora foi uma terra de missões, tornou-se hoje uma pátria de missionários", um fruto que provém "da fé e do sacrifício" de muitos predecessores.
Sobre a Jornada Mundial da Juventude, ele expressou o desejo de que ela se torne “um grande encontro entre a memória e o futuro: os mártires transmitem a fé às novas gerações e os jovens a recebem para levá-la pelos caminhos do mundo”, e incentivou a escuta dos jovens e a ajuda para que descubram “que seguir a Cristo não diminui a liberdade, mas a realiza; que a fé não limita a vida, mas abre um horizonte mais amplo”.
“Preparem-se, então, para a JMJ com paixão — como já estão fazendo —, mantendo estas palavras em seus corações: ‘Tenham coragem! Eu venci o mundo!’ Seus mártires entenderam isso: a esperança deles não dependia de circunstâncias favoráveis, mas da certeza de que Cristo já havia vencido”, disse ele.
“Vocês receberam uma grande herança. Sejam fortes na fé, generosos na caridade e perseverantes na esperança. Nunca se cansem de fazer o bem, mesmo quando for difícil e mesmo quando ninguém o vir: nenhum gesto feito por amor se perde diante de Deus”, concluiu o papa.