Caminhando
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Leão XIV telefona a Zelensky: trégua em Oleshky e evacuação segura dos civis
Salvatore Cernuzio - Vatican News
Primeiro Moscou, depois Kyiv. O telefone de Leão XIV encurta, simbolicamente, as distâncias de uma guerra, a da Ucrânia - “massacre inútil” que voltou a assombrar a Europa, como afirmou no recente discurso em Metz - e que parece não encontrar uma solução. Depois de conversar com Vladimir Putin na última sexta-feira, 16 de outubro, quando ainda estava internado no Hospital Gemelli, e de fazer um apelo por uma trégua humanitária em Oleshky, cercada pelos russos e com a população reduzida à fome, o Papa conversou por telefone, no final da tarde desta segunda-feira, 19 de outubro, com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. E, segundo informou a Sala de Imprensa da Santa Sé em uma nota, Oleshky esteve novamente no centro da conversa.
O comunicado do Vaticano
O comunicado da Santa Sé afirma que, “durante a conversa, o Santo Padre recordou a grave situação na cidade de Oleshky, na região de Kherson, fazendo referência ao pedido de uma trégua humanitária já apresentado ao presidente da Federação Russa. O Santo Padre manifestou o desejo de que a colaboração de ambas as partes possa permitir a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”. Por fim, “reiterou o compromisso da Santa Sé em favor do diálogo e da paz”.
Tragédia humanitária em Oleshky
Leão, portanto, não renuncia ao objetivo declarado e perseguido desde o início do pontificado: ser um “missionário da paz”. Em particular, em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, países aos quais ofereceu, poucos dias após a eleição, a Cidade do Vaticano como lugar neutro e espaço de negociação para uma paz “justa e duradoura”. Mas, além de manter abertas as portas para o diálogo, para o Papa norte-americano a urgência é encontrar soluções imediatas para Oleshky, cidade situada na margem esquerda do rio Dnipro, na região de Kherson, sufocada pela guerra. Nos últimos meses, os habitantes, cerca de 2 mil pessoas - entre elas aproximadamente 50 crianças, segundo fontes de Kyiv - vivem sem água, eletricidade, medicamentos ou ambulâncias. A ponte que liga a cidade a Kherson, destruída em novembro de 2022, impede qualquer possibilidade de saída, enquanto as estradas fora da cidade e nas aldeias próximas estão minadas. Não existe, portanto, um corredor de fuga. As autoridades ucranianas acusam as forças russas de bloquear corredores humanitários, enquanto Moscou devolve as acusações a Kyiv.
Na ligação com Putin - iniciativa do próprio Papa, como afirmou o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin - Leão XIV pediu “uma trégua para permitir a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”.
Os contatos anteriores
O apelo do Papa dirige-se agora a Zelensky, com quem foram numerosos os contatos ao longo destes 17 meses de pontificado. Já em 12 de maio de 2025, quatro dias após a eleição no Conclave, Leão XIV demonstrava sua atenção à situação na Ucrânia em uma primeira ligação oficial, durante a qual Zelensky convidou o recém-eleito Pontífice a visitar Kyiv e reiterou a disponibilidade do país para novas negociações em qualquer formato, “inclusive conversações diretas”. Os dois se encontraram depois, em 18 de maio, também na presença da esposa do presidente, Olena, logo após a Missa de início do pontificado na Praça São Pedro. O encontro voltou a ocorrer em 9 de julho de 2025, durante uma audiência privada na Villa Barberini, residência pontifícia de Castel Gandolfo, quando discutiram a possibilidade de o Vaticano acolher futuras negociações de paz. Novamente em 9 de dezembro, também em Castel Gandolfo - ao final daquela audiência, Papa e presidente apareceram juntos na varanda -, discutiram a necessidade de manter aberto o diálogo, a questão dos prisioneiros de guerra e o retorno das crianças ucranianas deportadas para a Rússia. São temas sobre os quais permanece constante a ação conduzida pelo cardeal Matteo Zuppi, que esteve duas vezes em missão em Kyiv e duas em Moscou, e reforçada também pela visita, no verão passado, de dom Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais. Em 3 de abril deste ano, por ocasião da Páscoa, o Papa voltou a falar com Zelensky em meio a uma nova e intensa escalada de ataques russos com drones e mísseis em várias regiões da Ucrânia. Na ocasião, Leão XIV manifestou solidariedade ao povo ucraniano, reiterando a urgência da ajuda humanitária, da libertação dos prisioneiros e de uma paz negociada. Apelos que nunca cessaram e que foram reiterados também hoje.
Santo do Dia, 20 de outubro — Santa Iria
Santo do dia: Santa Iria
Nascida
de uma rica família de Nabância (Região de Tomar) de onde era
natural, Iria recebeu educação nobre num mosteiro de freiras
beneditinas governado por seu tio, o Abade Sélio, e no qual viria a
professar. Pela sua beleza e inteligência Iria cedo reuniu a
simpatia das religiosas e das pessoas da povoação, em especial dos
moços e fidalgos, que disputavam entre si a as virtudes da
noviça.
Entre estes mancebos contava-se Britaldo, príncipe
daquele Senhorio, que veio a alimentar por Iria uma paixão doentia.
Iria, porém, recusava as investidas amorosas do fogoso fidalgo,
confessando-lhe a sua eterna devoção a Deus.
Dos amores
de Britaldo teve conhecimento Remígio, director espiritual de Iria e
a quem a beleza da donzela também não passara despercebida.
Consumido de ciúmes, o monge fez tomar a Iria uma tisana embruxada,
que logo fez surgir no seu corpo os sinais de gravidez. Expulsa do
convento, a pobre donzela recolhera-se junto do rio para orar quando,
traiçoeiramente, foi assassinada por um criado de Britaldo, a quem
tinham chegado os rumores destes eventos.
Lançado ao
rio, o corpo da mártir foi depositado em sepulcro celestial nas
claras areias do Tejo, aí permanecendo, incorruptível, através dos
tempos. Eis o que conta a lenda de Sta. Iria...
Evangelho Quotidiano
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
O rápido desenvolvimento - Carta Apostólica de João Paulo II
Jackson Erpen - Cidade do Vaticano
Ao retomar, mais de duas décadas depois, as palavras de São João Paulo II sobre a comunicação social, Pe. Gerson Schmidt* destaca em sua reflexão como sua análise permanece surpreendentemente atual diante da aceleração tecnológica, das redes digitais, dos algoritmos e da inteligência artificial. Em O rápido desenvolvimento, publicada em 2005, o Pontífice polonês não se limitava a defender o uso dos meios de comunicação pela Igreja, mas também alertava para uma transformação cultural profunda, na qual as novas tecnologias passariam a influenciar a formação da consciência, os relacionamentos, a educação, a vida social e até os comportamentos cotidianos. Hoje, inseridos numa realidade marcada pela velocidade e pelo excesso de informação, somos convidados a revisitar esse ensinamento e perguntar: o que acontece com a pessoa humana quando a comunicação deixa de ser apenas um instrumento e passa a moldar a própria maneira de pensar, relacionar-se e viver?
Em sua reflexão semanal, o sacerdote gaúcho nos propõe "O rápido desenvolvimento - Carta Apostólica de São João Paulo II":
"Giovanni Paolo II, comemorando mais de 40 anos do Decreto do Concílio Vaticano II - Inter Mirifica, tem alertado com toda a força para a necessidade da utilização dos modernos meios de Comunicação. A Carta apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “O RÁPIDO DESENVOLVIMENTO”, é dirigida aos responsáveis pelas comunicações sociais. Estamos vivendo num mundo encharcado e afogado num movimento muitíssimo acelerado. Não conseguimos acompanhar a evolução, o desenvolvimento, a enxurrada de informações que recebemos, dos acontecimentos ao nosso redor. Estamos numa “sociedade de cansaço” muito grande, quase sem volta. Temos pressa. Não temos tempo mais para as coisas mais fundamentais, como o cuidado de nós mesmos, um encontro fraterno entre amigos. O trabalho e o dinheiro dão o ritmo de nossas constantes ações num sistema complexo. O mundo exige de nós eficiência, rapidez e produção plena, sem possíveis falhas, a todo o vapor, expressão antiga, que lembra um trem num ritmo aceleradíssimo. Poderíamos dizer não mais a todo o vapor, mas a todo o “vapor digital”. Estamos no mundo de algoritmos.
Estamos numa era pós-moderna, numa cultura de um pensar digital e dentro da inovação e reformulação de nossas mentes, por meio da Inteligência Artificial. Recordemos o que já frisamos anteriormente. A Carta Apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “O RÁPIDO DESENVOLVIMENTO”, já dizia assim no número 03: “São numerosos os desafios para a nova evangelização num mundo rico de potencialidades comunicativas como o nosso. Tendo isto em consideração, na Carta encíclica Redemptoris missio quis realçar que o primeiro areópago do tempo moderno é o mundo da comunicação, capaz de unificar a humanidade tornando-a como se costuma dizer "uma aldeia global". Os meios de comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o principal instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos individuais, familiares e sociais. Trata-se de um problema complexo, visto que esta cultura nasce, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio fato que existem novos modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas. A nossa época é uma época de comunicação global, onde muitos momentos da existência humana se desenrolam através de processos mediáticos, ou pelo menos, se devem confrontar com eles. Limito-me a recordar a formação da personalidade e da consciência, a interpretação e a estruturação dos vínculos afetivos, o desenvolvimento das fases educativas e formativas, a elaboração e a difusão de fenômenos culturais, o desenvolvimento da vida social, política e econômica”. O documento referendado é assinado e publicado por Joannes Paulus II, em 24 de janeiro de 2005, memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas. É o dia também que todos os anos os Papas divulgam a Mensagem para o dia Mundial da Comunicações Sociais.
Atento aqui que há mais de 20 anos, o santo de nosso tempo, João Paulo II, homem que se comunicava profundamente com gestos pois foi ator de teatro há juventude, por isso, por exemplo, beijava o solo do país que chegava, alertava para visão nova da realidade onde o indivíduo nasce já mergulhado na tecnologia. As crianças, no berço, recebem numa das mãos uma mamadeira e a outra um celular. Repetimos o que já apontamos. Atentos ao que o Papa falava já em 2005, 39 dias antes de sua morte, em 02 de abril daquele ano, na festa do Domingo da Misericórdia por ele instituído. (Se o ouvinte não prestou atenção, atente-se a isso!). O Papa, há mais de duas décadas, falou que “os meios de comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o principal instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos individuais, familiares e sociais. Trata-se de um problema complexo, visto que esta cultura nasce, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio fato que existem novos modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas”."
Pe. Gerson Schmidt* – Jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS) responsável último por sete comunidades locais católicas do município.
Hoje é a festa de são Paulo da Cruz, fundador dos Padres e Irmãs Passionistas
Por Redação central
19 de out de 2026 às 00:30
Hoje (19), a Igreja Católica celebra são Paulo da Cruz (1694-1775), fundador dos Padres e Irmãs Passionistas (Congregação da Paixão), que convida a agir “de forma que todos vejam que leva, não só no interior, mas também no exterior, a imagem de Cristo crucificado, modelo de toda doçura e mansidão”.
São Paulo da Cruz, cujo nome de batismo era Paulo Francisco Danei Massari, nasceu em Ovada, Itália, em 1694. Recebeu de seus pais uma cuidadosa educação na fé. Enquanto sua mãe despertava nele a piedade cordial à cruz de Cristo, seu pai lia com frequência para ele a vida dos santos, para que Paulo sempre se sentisse animado a ser uma pessoa melhor.
Quando Paulo tinha cerca de 19 anos, ouviu na missa que o padre pregava sobre a penitência e a oração. Essa homilia o tocou profundamente e mudou sua vida de muitas maneiras; foi o impulso espiritual que finalmente o encorajou a se consagrar a Deus. Cheio de fervor, Paulo começou a usar todos os meios à sua disposição para viver santamente. Aqueles dias foram de intensa oração e serena alegria. Deus estava preparando seu coração para grandes coisas, que deveriam ser feitas com espírito de renúncia e humildade.
Um sonho, uma missão a cumprir
De repente, uma noite Paulo teve um sonho no qual a Virgem Maria apareceu a ele e lhe mostrou um hábito com o emblema de uma nova comunidade religiosa que deveria viver sob o modelo de Jesus Cristo crucificado. São Paulo contou sobre esse sonho a seu bispo, dom Gattinara, que lhe propôs fazer o que a Virgem lhe pediu: ordenou que usasse um hábito igual ao do sonho, todo preto; o qual seria o “hábito da Paixão”. Com isso, Paulo da Cruz foi revestido em 22 de novembro de 1720. Mais tarde, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, faria seus votos e uma promessa: promover a memória da Paixão de Cristo.
Junto com seu irmão João Batista, eles assumiram a missão de estabelecer a nova comunidade religiosa. Ambos já se dedicavam a servir os mais pobres e necessitados. Especialmente em sua obra, eles deram atenção especial aos doentes. Os “Passionistas” - como passaram a ser chamados - pediam esmolas para ajudar aqueles que, com a sua dor, se uniram ao Cristo sofredor. Quando a nova família espiritual começou a tomar forma, Paulo solicitou uma audiência com o papa Bento XIV, que aprovaria os estatutos da nova "Congregação da Paixão". Os seus membros se consagrariam à vida de oração, concentrando-se na meditação da Paixão, e ao anúncio do mistério do sacrifício de Cristo pela humanidade. Logo depois, em 1727, Paulo e seu irmão foram ordenados sacerdotes.
O papa Clemente XIV convocou São Paulo da Cruz para ser seu conselheiro pessoal e, em sinal de patrocínio à Ordem da Paixão, deu-lhe o convento e a basílica dos santos João e Paulo, que se tornaria a casa-mãe dos Passionistas. A ordem a conserva até hoje. Nesse lugar, Paulo da Cruz passou seus últimos dias, até que, em 1775, aos 80 anos, Deus o chamou à sua presença.
Os passionistas deram muitos frutos de santidade ao longo de sua história, entre os quais São Vicente Maria Strambi, São Gabriel das Dores e Santa Gema Galgani.
Um santo para um mundo sem amor
Em 29 de setembro de 2006, o papa emérito Bento XVI enviou uma mensagem aos irmãos Passionistas por ocasião do Capítulo Geral de sua Ordem, realizado em Roma. Aqui estão algumas de suas palavras sobre seu fundador: “Paulo da Cruz considerava a Paixão de Jesus como a maior manifestação do amor de Deus, capaz de converter os corações muito mais do que qualquer outro argumento. Com efeito, somente à luz da Cruz é possível aproximar-se do mistério do Amor divino”.