Caminhando
terça-feira, 21 de abril de 2026
Papa: verdade não se fabrica, não se manipula, se acolhe e se busca com humildade
Raimundo de Lima – Vatican News
Após o Encontro com as Autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplomático no Palácio Presidencial, esta terça-feira, 21 de abril, o Papa teve um Encontro com o Mundo da Cultura no Campus Universitário Leão XIV da Universidade Nacional, em Malabo, desde janeiro passado, ex-capital da Guiné Equatorial, última etapa da viagem apostólica internacional do Santo Padre em terras africanas. O evento marcou a inauguração do novo campus da Universidade Nacional da Guiné Equatorial (UNGE), criada em 1995, cuja nova sede universitária recebeu o nome do Pontífice. O Campus Universitário Papa Leão XIV, situado na parte norte da ilha de Bioko, é a estrutura acadêmica mais imponente do país.
Colocar o conhecimento ao serviço do bem comum
Esta inauguração é um gesto de confiança no ser humano: uma afirmação de que vale a pena continuar a apostar na formação das novas gerações e nessa tarefa, tão exigente quanto nobre, que consiste em procurar a verdade e colocar o conhecimento ao serviço do bem comum.
Portanto, continuou o Pontífice, este momento reveste-se de um significado que vai muito além das fronteiras materiais do local e dos edifícios. Hoje abre-se igualmente espaço à esperança, ao encontro e ao progresso. Toda a verdadeira obra educativa, com efeito, é chamada a crescer não só como estrutura, mas como organismo vivo.
Universidade chamada a ser enraizada na busca da verdade
Talvez por isso, afirmou Leão XIV, a imagem da árvore resulte particularmente eloquente para falar da missão universitária. Para a população da Guiné Equatorial, a ceiba, árvore nacional, adquire um elevado valor evocativo. Uma árvore cria raízes profundas, ergue-se para o alto com paciência e força e encerra em si uma fecundidade que não existe por si mesma.
Pela sua grandeza, pela solidez do seu tronco e pela extensão dos seus ramos, esta árvore parece oferecer uma parábola do que uma instituição universitária está chamada a ser: uma realidade firmemente enraizada na seriedade do estudo, na memória viva de um povo e na busca perseverante da verdade.
Simbologia de algumas árvores bíblicas
Só assim poderá crescer firme; só assim será capaz de se elevar sem perder o contato com a realidade histórica em que se insere e de oferecer às novas gerações, para além das ferramentas para o sucesso profissional, razões para viver, critérios para discernir e motivos para servir.
A esse ponto de seu discurso, o Santo Padre ressaltou que a história do homem pode ser interpretada também através da simbologia de algumas árvores bíblicas. No jardim do Livro do Gênesis, junto à árvore da vida, ergue-se a árvore do conhecimento do bem e do mal. O problema não reside, observou o Papa, no conhecimento, mas no seu desvio para uma inteligência que já não procura corresponder à realidade, mas sim moldá-la à sua própria medida, avaliando-a de acordo com a conveniência daquele que pretende conhecê-la. Aí, prossegiuiu o Pontífice, o conhecimento deixa de ser abertura e torna-se posse; deixa de ser caminho para a sabedoria e transforma-se numa afirmação orgulhosa de autossuficiência, dando lugar a desorientações que podem chegar a tornar-se desumanas.
A tradição cristã contempla a árvore da Cruz
Leão XIV observou ainda que a história bíblica não se esgota diante daquela árvore. A tradição cristã contempla outra árvore, a da Cruz, não como uma negação da inteligência humana, mas como um sinal da sua redenção. Se no Gênesis surge a tentação de um conhecimento separado da verdade e do bem, na cruz revela-se, pelo contrário, uma verdade que, longe de impor o seu domínio, se oferece por amor e eleva o homem à dignidade com que foi concebido desde a sua origem.
Ali, o ser humano é convidado a deixar que o seu desejo de conhecer seja curado: a redescobrir que a verdade não se fabrica, não se manipula nem se possui como um troféu, mas se acolhe, se busca com humildade e se serve com responsabilidade.
Amor pelo conhecimento colocado no seu contexto original
Por isso, numa perspetiva cristã, Cristo não se apresenta como uma saída fideísta face ao esforço intelectual, como se a fé começasse onde a razão se detém. Pelo contrário: manifesta-se n’Ele a profunda harmonia entre verdade, razão e liberdade. A verdade apresenta-se como uma realidade que precede o homem, o interpela e o chama a sair de si mesmo, e por isso pode ser procurada com confiança.
Desta forma, disse o Papa, a árvore da Cruz recoloca o amor pelo conhecimento no seu contexto original. Ensina-nos que conhecer significa abrir-se à realidade, acolher o seu sentido e guardar o seu mistério. Assim, a busca da verdade permanece verdadeiramente humana: humilde, séria e aberta a uma verdade que nos precede, nos chama e nos transcende. Leão XIV acrescentou o desejo sincero que a Igreja católica expressa no seu empenho plurisecular no âmbito da educação: “que as novas gerações sejam formadas de maneira integral, para além da mera aparência do sucesso”. Os frutos não tardarão a surgir, enfatizou, fazendo votos de que “estes frutos, além de serem abundantes, sejam ingualmente muito bons”.
Papa na Guiné Equatorial: ENCONTRO COM ÀS AUTORIDADES, AOS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL E AO CORPO DIPLOMÁTICO
VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)
ENCONTRO COM ÀS AUTORIDADES, AOS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL E AO CORPO DIPLOMÁTICO
DISCURSO DO SANTO PADRE
Palácio Presidencial (Malabo)
Terça-feira, 21 de abril de 2026
Senhor Presidente,
Distintas Autoridades e membros do Corpo Diplomático,
Senhoras e Senhores!
Saúdo-vos cordialmente, agradecido pelo vosso acolhimento e pelas palavras que me foram dirigidas. Estou feliz por estar aqui a visitar o amado povo da Guiné Equatorial. Quando visitou o país, o Santo Papa João Paulo II definiu, Senhor Presidente, a sua pessoa como «o centro simbólico para o qual convergem as vivas aspirações de um povo a um clima social de autêntica liberdade, de justiça, de respeito e promoção dos direitos de cada pessoa ou grupo, e de melhores condições de vida, para se realizar como homens e como filhos de Deus» (Discurso ao Presidente da Guiné Equatorial, Malabo). São palavras que permanecem atuais e que interpelam quantos estão investidos de responsabilidades públicas. Por outro lado, «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (Const. past. Gaudium et spes, 1). Estas palavras da Constituição Gaudium et spes do Concílio Vaticano II expressam da melhor forma as razões e os sentimentos que me trazem até vós, para confirmar na fé e consolar o povo deste país em rápida transformação. Pois, tal como no coração de Deus, assim também no coração da Igreja ressoa o eco do que acontece na terra, entre milhões de homens e mulheres pelos quais o nosso Senhor Jesus Cristo deu a vida.
Vós sabeis que Santo Agostinho interpretava os acontecimentos e a história segundo o modelo de duas cidades: a de Deus, eterna e caracterizada pelo seu amor incondicional (amor Dei), unido ao amor pelo próximo, especialmente pelos pobres; e a terrena, lugar de morada provisória, na qual o homem e a mulher vivem até à morte. Nesta perspetiva, as duas cidades existem conjuntamente até ao fim dos tempos (cf. De civitate Dei, 19,14) e cada ser humano manifesta nas suas decisões, dia após dia, a qual delas deseja pertencer.
Sei que empreendestes o imponente projeto de construir uma cidade, que há poucos meses é a nova capital do vosso país. Decidistes dar-lhe um nome em que parece ressoar o da Jerusalém bíblica, Ciudad de la Paz. Que tal decisão possa interrogar as consciências sobre qual cidade desejam servir! Como tive ocasião de recordar ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, a cidade terrena, segundo o grande Padre Agostinho, centra-se no amor orgulhoso de si mesmo (amor sui), na ânsia de poder e de glória mundanas que conduzem à destruição.
Por outro lado, Agostinho considera que os cristãos são chamados por Deus a habitar na cidade terrena com o coração e a mente voltados para a cidade celeste, a sua verdadeira pátria. É a cidade para a qual Abraão «partiu sem saber para onde ia. Pela fé, estabeleceu-se como estrangeiro na Terra Prometida, habitando em tendas, tal como Isaac e Jacob, co-herdeiros da mesma promessa, pois esperava a cidade bem alicerçada, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus» (Heb 11, 8-10). Todo o ser humano pode apreciar a antiquíssima consciência de viver na terra como de passagem. É fundamental que sinta a diferença entre o que perdura e o que passa, mantendo-se livre da riqueza injusta e da ilusão do domínio. Em particular, «o cristão, vivendo na cidade terrena, não está alheio ao mundo político e procura aplicar ao governo civil a ética cristã, inspirada nas Escrituras. A Cidade de Deus não propõe um programa político, mas fornece reflexões valiosas sobre questões fundamentais da vida social e política» (Discurso ao Corpo Diplomático, 9 de janeiro de 2026).
Hoje, a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar as “coisas novas” que desestabilizam o planeta e a convivência humana, buscando, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça. Esta é uma parte fundamental da missão da Igreja: contribuir para a formação das consciências, através do anúncio do Evangelho, da oferta de critérios morais e de princípios éticos autênticos, no respeito pela liberdade de cada indivíduo e pela autonomia dos povos e seus governos. O objetivo da Doutrina Social é educar para enfrentar os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova, com renovados desafios, sonhos e interrogações.
Em particular, diante de nós erguem-se questões que abalam os alicerces da experiência humana. Como tive oportunidade de sublinhar, comparando os nossos tempos com aquele em que o Papa Leão XIII promulgou a Rerum novarum, hoje «a exclusão é a nova face da injustiça social. O fosso entre uma “pequena minoria” – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática. […] Quando falamos de exclusão, também nos deparamos com um paradoxo. A falta de terra, comida, casa e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados. Os telemóveis, as redes sociais e até mesmo a inteligência artificial estão ao alcance de milhões de pessoas, incluindo os pobres» (Discurso aos Movimentos Populares, 23 de outubro de 2025). Consequentemente, é dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, do qual a destinação universal dos bens e a solidariedade são princípios fundamentais.
Não se pode esconder, por exemplo, que a vertiginosa evolução tecnológica a que assistimos acelerou uma especulação ligada à necessidade de matérias-primas, que parece fazer esquecer exigências fundamentais como a salvaguarda da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública. A este respeito, faço meu o apelo do Papa Francisco, que há precisamente um ano deixou este mundo: «Hoje devemos dizer “não a uma economia da exclusão e da desigualdade social”. Esta economia mata» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 53). Com efeito, hoje, mais do que há alguns anos, é ainda mais evidente que a proliferação dos conflitos armados tem entre os seus principais motivos a colonização de jazidas petrolíferas e minerais, sem qualquer respeito pelo direito internacional e pela autodeterminação dos povos.
As próprias novas tecnologias surgem concebidas e utilizadas principalmente para fins bélicos e em contextos que não deixam vislumbrar um aumento de oportunidades para todos. Pelo contrário, sem uma mudança de rumo na assunção de responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e pelos acordos internacionais, o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido. Deus não deseja isto. O seu santo Nome não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação: acima de tudo, não deve nunca ser invocado para justificar escolhas e ações de morte. Que o vosso país não hesite em rever as suas trajetórias de desenvolvimento e as positivas oportunidades de se posicionar no cenário internacional ao serviço do direito e da justiça.
O vosso país é jovem! Estou certo, portanto, de que na Igreja encontrareis ajuda para a formação de consciências livres e responsáveis, com as quais caminhareis juntos rumo ao futuro. Num mundo ferido pela prepotência, os povos têm fome e sede de justiça. É preciso valorizar quem acredita na paz e ousar políticas contracorrente, cujo centro é o bem comum. É urgente ter a coragem de visões novas e de um pacto educativo que dê aos jovens espaço e confiança. A cidade de Deus, cidade da paz, deve, realmente, ser acolhida como um dom que vem do alto e para o qual devemos voltar o nosso desejo e todos os nossos recursos. É uma promessa e uma tarefa. Os seus habitantes «transformarão as suas espadas em arados, as suas lanças em foices» (Is 2, 4) e, depois de enxugada toda lágrima, participarão no banquete que já não será reservado a uma elite, pois os manjares suculentos, os vinhos excelentes e as iguarias (cf. Is 25, 6) serão partilhados por todos.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores, caminhemos juntos, com sabedoria e esperança, rumo à Cidade de Deus, que é a cidade da paz. Obrigado!
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CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DURANTE O VOO COM DESTINO A MALAB
VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)
CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
DURANTE O VOO COM DESTINO A MALABO
Terça-feira, 21 de abril de 2026
Matteo Bruni
Bom dia a todos. Também esta etapa acabou. Bom dia, Santidade. Passo-lhe a palavra, para que, se desejar, nos possa dizer algo.
Papa Leão XIV
Bom dia a todos! Agora, tendo feito esta parte da viagem, em Angola, gostaria desde já recordar o Papa Francisco, neste primeiro aniversário da sua morte: ele que deu tanto à Igreja com a sua vida, o seu testemunho, a sua palavra e os seus gestos. Com frequência, naquilo que fez, mostrou verdadeira proximidade em relação aos mais pobres, aos pequeninos, aos doentes, às crianças e aos idosos. Deixou muito à Igreja com o seu testemunho e a sua palavra. Podemos recordar muitas coisas. Por exemplo, a fraternidade universal, procurando promover o respeito autêntico por todos os homens e mulheres, promovendo este espírito de fraternidade, o sermos todos irmãos e irmãs, tentando viver a mensagem que encontramos no Evangelho, reconhecendo este espírito de fraternidade entre todos. Podemos recordar ainda a mensagem da misericórdia, desde aquela primeira vez, no Angelus, ou mesmo na Santa Missa que ele celebrou antes da inauguração do pontificado, a 17 de março de 2013, quando, pregando sobre a mulher apanhada em adultério, falou a partir do coração da misericórdia de Deus, como falou deste grande amor e do perdão, generosa expressão da misericórdia do Senhor. Ele quis partilhar este espírito com toda a Igreja, proporcionando a belíssima celebração do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Rezemos para que ele esteja já a gozar da misericórdia do Senhor e agradeçamos ao Senhor pelo grande dom da vida de Francisco à Igreja e ao mundo.
Penso que talvez haja alguma pergunta sobre Angola… De qualquer forma, estamos realmente contentes! Ah, e antes que me esqueça, acho que há duas ou três pessoas que celebram hoje o seu aniversário. Parabéns também para elas! Quem são? [Matteo Bruni responde]. Muitos parabéns!
Matteo Bruni
Aqui, diante de si, estão alguns jornalistas angolanos. A primeira a fazer a pergunta será a Adelina, da Televisão Angolana.
Primeira Pergunta
Bom dia, Santidade! Como pode a Igreja ajudar o Estado angolano a melhorar os serviços de educação e saúde? Que Igreja encontrou em Angola, tendo em conta que a Igreja angolana é muito fecunda no que diz respeito a vocações, tanto de irmãs como de padres?
Papa Leão XIV
Muito bem. Certamente, no que diz respeito à forma como a Igreja pode ajudar o Estado, entramos numa questão complexa… Trabalhamos juntos pelo bem de todo o povo, mas a partir de perspetivas diferentes. De qualquer forma, posso dizer-vos que uma das questões sobre as quais conversei com o senhor Presidente foi precisamente esta da saúde e da educação: o modo como, onde for possível, podemos também trabalhar juntos para melhorar os serviços que o Estado, no caso de Angola, oferece sobretudo ao povo: a construção de novos hospitais, novas estruturas. Um forte empenho pelo bem do povo: isto é verdadeiramente importante. Creio que a Igreja, com o testemunho, com a palavra e também com a pregação, o anúncio corajoso da Palavra de Deus, tem a responsabilidade de reconhecer os direitos de todos e, neste sentido, ajudar a promover os direitos universais.
Matteo Bruni
Obrigado, Santidade! Obrigado, senhora Adelina Domingos. A outra pergunta é da Agência de Imprensa Angolana, Mauro Romeo.
Segunda pergunta
Bom dia, Santidade! Angola perdeu há pouco tempo o seu cardeal e o povo angolano aguarda ansiosamente a nomeação de outro. Quando será, Santo Padre?
Papa Leão XIV
Eis a pergunta que muitos gostariam de fazer! Ainda não está decidido quando haverá a criação de novos cardeais. É preciso analisar o assunto a nível global. Esperemos que para África e talvez até para Angola no futuro – não digo num futuro próximo, mas um pouco mais adiante –, se possa considerar a nomeação, a criação de um novo cardeal. Para Angola também. Obrigado.
Matteo Bruni
Obrigado, Santidade! A última pergunta é de Cornélio Bento, da Rádio Católica Angolana.
Terceira Pergunta
Bom dia, Santidade! A Igreja em Angola cresceu muito em número de fiéis. Cada vez mais se sente que as dioceses são demasiado pequenas [insuficientes] para os assistir. Santidade, haverá a criação de novas dioceses para Angola ou os bispos angolanos ainda não Lho pediram?
Papa Leão XIV
Bem, é sempre uma alegria constatar as regiões onde a Igreja está a crescer. Sabemos todos que há outros lugares no mundo onde acontece o contrário. Por isso, temos aqui um apelo à evangelização, a continuar a anunciar o Evangelho e a tentar convidar outras pessoas; não por proselitismo, como dizia tantas vezes o Papa Francisco, mas por meio da beleza e da atração da fé. A alegria dos crentes é um dos melhores anúncios da fé, do Evangelho. Portanto, é verdade que em Angola a Igreja está a crescer. Com o trabalho dos próprios Bispos, que podem fazer a proposta, com a colaboração do Núncio Apostólico, é possível verificar concretamente onde seria importante criar dioceses novas para o bem do povo, para haver esta possibilidade de mais bispos com maior proximidade, como pastores junto do povo. Obrigado!
Ótimo. Bom voo, boa viagem! Felicidades a todos!
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segunda-feira, 20 de abril de 2026
Papa: "Os idosos guardam a sabedoria de um povo"
Nesta segunda-feira, 20 de abril, o primeiro compromisso de Leão XIV foi na cidade de Saurimo, visitando um asilo. "Os idosos não devem ser apenas assistidos, mas, em primeiro lugar, devem ser escutados, pois guardam a sabedoria de um povo", afirmou.
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
A manhã desta segunda-feira começou para o Santo Padre com mais um deslocamento em Angola. O Pontífice deixou Luanda em direção a Saurimo, capital da província de Lunda Sul, cidade a cerca de mil quilômetros ao leste da capital.
O primeiro compromisso foi uma visita a um centro de acolhimento para idosos. O local abriga 74 pessoas, das quais 42 mulheres, que têm entre 60 e 93 anos de idade. A maioria foi abandonada pela própria família. Após ouvir alguns testemunhos, iniciou sua saudação com as seguintes palavras: "Paz a esta casa e a quantos nela habitam!".
Leão XIV disse que ficou tocado ao saber que chamam este espaço de «lar», uma palavra que remete à família, recordando que Jesus também gostava de estar na casa dos seus amigos, como narram alguns episódios do Evangelho.
"Por isso mesmo, caríssimos, gosto de pensar que Jesus também habita aqui, neste lar. Sim, Ele habita no meio de vós sempre que procurais amar-vos e ajudar-vos mutuamente, como irmãos e irmãs. Sempre que, depois de um mal-entendido ou de uma pequena ofensa, sois capazes de vos perdoar e reconciliar. Sempre que, alguns de vós ou todos juntos, rezais com simplicidade e humildade."
O Papa manifestou o seu apreço às Autoridades angolanas pelas iniciativas em favor dos idosos mais necessitados, bem como a todos os colaboradores e voluntários. O cuidado das pessoas mais frágeis, afirmou, é um sinal muito importante da qualidade da vida social de um país. "E não nos esqueçamos: os idosos não devem ser apenas assistidos, mas, em primeiro lugar, devem ser escutados, pois guardam a sabedoria de um povo. E temos de lhes ser gratos, pois enfrentaram grandes dificuldades pelo bem da comunidade."
O Pontífice concluiu sua breve visita afirmando que levará no coração a recordação deste encontro e se despediu invocando a Virgem Maria para que vigie sempre sobre esta comunidade. "E que a minha bênção também vos acompanhe."
O Papa: quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Leão XIV presidiu a missa em Saurimo, capital da província angolana de Lunda Sul, na manhã desta segunda-feira (20/04).
A cidade de Saurimo situa-se a 1.081 metros acima do nível do mar. Anteriormente, chamava-se Henrique de Carvalho, em homenagem a um explorador português de mesmo nome que visitou a região, em 1884, e entrou em contato com o povo Lunda-Cokwe, povo banto e grupo etnolinguístico predominante no nordeste de Angola.
Procuramos o Senhor por gratidão ou por interesse?
O Pontífice iniciou sua homilia, ressaltando que Jesus Ressuscitado "ilumina-nos a via para o Pai e santifica-nos com a força do Espírito, para que transformemos o nosso estilo de vida segundo o seu amor".
“Esta é a Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias, sustentando-nos ao longo do caminho. Um caminho que hoje me trouxe até aqui, para estar convosco!”
A seguir, o Papa refletiu "sobre o motivo e o fim pelos quais seguimos o Senhor", que realizou "gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos". "Quem ouve falar destas obras põe-se à procura de Jesus", sublinhou o Papa.
"Ao mesmo tempo, o Senhor vê o nosso coração, perguntando-nos se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor", disse ainda Leão XIV, recordando as palavras de Jesus: «Vós procurais-me, não por terdes visto sinais milagrosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes».
Projetos de quem não deseja o encontro
De acordo com o Papa, as palavras de Jesus "manifestam os projetos de quem não deseja o encontro com uma pessoa, mas o consumo de objetos. A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins, o vê como um prestador de serviços. Se Ele não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam".
"O mesmo acontece quando a fé autêntica é substituída por um comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve. Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prêmio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe", disse Leão XIV, acrescentando:
“O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte. Também o objetivo que aquela multidão se propõe é inadequado: não procuram, efetivamente, um mestre a quem amar, mas um líder a reverenciar por interesse.”
Acolher o sentido das palavras de Jesus
"Bem diferente é a atitude de Jesus para conosco", ressaltou o Papa. "Ele não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a sua conversão. Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser."
“Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa. Quando, no sinal do pão partilhado, vemos a vontade do Salvador, que se dá a si mesmo por nós, então aproximamo-nos do verdadeiro encontro com Jesus, que se torna seguimento, missão e vida.”
Explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza
Jesus nos educa "a procurar de modo correto o pão da vida, alimento que nos sustenta para sempre. O desejo da multidão encontra assim uma resposta ainda maior e surpreendente: Jesus não nos dá um alimento que acaba, mas um pão que não nos deixa acabar, porque é alimento de vida eterna".
“O seu dom ilumina o nosso presente: com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos. Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa história: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na missão encoraja-nos.”
"Tal como o pão vivo que sempre nos dá, a Eucaristia, assim a sua história não tem fim e, por isso mesmo, remove o fim, ou seja, a morte, da nossa história, que o Ressuscitado abre com a força do seu Espírito. Cristo vive! Ele é o nosso Redentor. Este é o Evangelho que partilhamos, fazendo irmãos todos os povos da terra. Este é o anúncio que transforma o pecado em perdão. Esta é a fé que salva a vida", disse o Papa Leão.
Não viemos ao mundo para morrer
Em Jesus, "ganha voz o anúncio da nossa ressurreição", disse o Pontífice, ressaltando que "não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade".
A palavra de Deus "é para nós regra de vida e critério de verdade", disse ainda o Papa. "É o Senhor quem traça a via para esta caminhada, não as nossas urgências, nem as modas do momento. Por isso, seguindo Jesus, o caminho eclesial é sempre um «Sínodo da ressurreição e da esperança»", disse Leão XIV, citando um trecho da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia in Africa de São João Paulo II. "O Senhor caminha sempre ao nosso lado, para que possamos prosseguir na sua estrada: o próprio Cristo dá orientação e força à caminhada, uma caminhada que queremos aprender a viver cada vez mais como deve ser, ou seja, de modo sinodal", concluiu.
Viagem Apostólica a Angola: Santa Missa
VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)
HOMILIA DO SANTO PADRE
Esplanada de Saurimo (Saurimo)
Segunda-feira, 20 de abril de 2026
Em todas as partes do mundo, a Igreja vive como povo que caminha no seguimento de Cristo, nosso irmão e Redentor: Ele, o Ressuscitado, ilumina-nos a via para o Pai e santifica-nos com a força do Espírito, para que transformemos o nosso estilo de vida segundo o seu amor. Esta é a Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias, sustentando-nos ao longo do caminho. Um caminho que hoje me trouxe até aqui, para estar convosco! Na alegria e na beleza da nossa assembleia, reunida em nome de Jesus, escutamos com coração aberto a sua Palavra de salvação, porque nos faz refletir sobre o motivo e o fim pelos quais seguimos o Senhor.
Quando o Filho de Deus se faz homem, realiza gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos. Quem ouve falar destas obras põe-se à procura de Jesus. Ao mesmo tempo, o Senhor vê o nosso coração, perguntando-nos se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor. Com efeito, à gente que o seguia diz: «Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes» (Jo 6, 26). As suas palavras manifestam os projetos de quem não deseja o encontro com uma pessoa, mas o consumo de objetos. A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins, vê-o como um prestador de serviços. Se Ele não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam.
O mesmo acontece quando a fé autêntica é substituída por um comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve. Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe. O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte. Também o objetivo que aquela multidão se propõe é inadequado: não procuram, efetivamente, um mestre a quem amar, mas um líder a reverenciar por interesse.
Bem diferente é a atitude de Jesus para connosco: Ele não rejeita esta procura insincera, mas incentiva à sua conversão. Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa. Quando, no sinal do pão partilhado, vemos a vontade do Salvador, que se dá a si mesmo por nós, então aproximamo-nos do verdadeiro encontro com Jesus, que se torna seguimento, missão e vida.
A advertência que o Senhor dirige à multidão transforma-se assim num convite: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). Com estas palavras, Cristo indica o seu verdadeiro dom para nós: não nos chama ao desinteresse pelo pão quotidiano, que aliás multiplica em abundância e ensina a pedir na oração. Ele educa-nos a procurar de modo correto o pão da vida, alimento que nos sustenta para sempre. O desejo da multidão encontra assim uma resposta ainda maior e surpreendente: Jesus não nos dá um alimento que acaba, mas um pão que não nos deixa acabar, porque é alimento de vida eterna.
O seu dom ilumina o nosso presente: com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos. Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa história: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na missão encoraja-nos. Tal como o pão vivo que sempre nos dá – a Eucaristia, assim a sua história não tem fim e, por isso mesmo, remove o fim, ou seja, a morte, da nossa história, que o Ressuscitado abre com a força do seu Espírito. Cristo vive! Ele é o nosso Redentor. Este é o Evangelho que partilhamos, fazendo irmãos todos os povos da terra. Este é o anúncio que transforma o pecado em perdão. Esta é a fé que salva a vida!
O testemunho pascal, portanto, diz respeito certamente a Cristo, o crucificado que ressuscitou, mas precisamente por isso também nos diz respeito a nós: n’Ele ganha voz o anúncio da nossa ressurreição. Não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade. Na verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos os dias. O que devemos fazer para acolher tal dom? O próprio Evangelho no-lo ensina: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou» (Jo 6, 29). Sim, nós cremos! Hoje, juntos, dizemo-lo com força e gratidão para Convosco, Senhor Jesus. Queremos seguir-Vos e servir-Vos no nosso próximo: a vossa palavra é para nós regra de vida e critério de verdade.
«Ditosos os que seguem a lei do Senhor» (cf. Sl 119/118,1): assim cantámos com o Salmo. Caríssimos, é o Senhor quem traça a via para esta caminhada, não as nossas urgências, nem as modas do momento. Por isso, seguindo Jesus, o caminho eclesial é sempre um «Sínodo da ressurreição e da esperança» (Exort. ap. Ecclesia in Africa, 13), como afirmava São João Paulo II na sua Exortação Apostólica para a África: continuemos nesta sábia direção! Com o Evangelho no coração, tereis coragem diante das dificuldades e desilusões: o caminho, que Deus abriu para nós, nunca desilude. O Senhor caminha sempre ao nosso lado, para que possamos prosseguir na sua estrada: o próprio Cristo dá orientação e força à caminhada, uma caminhada que queremos aprender a viver cada vez mais como deve ser, ou seja, de modo sinodal.
Em particular, «a Igreja anuncia a Boa Nova não só através da proclamação da palavra que recebeu do Senhor, mas também mediante o testemunho de vida, pelo qual os discípulos de Cristo dão razão da fé, da esperança e do amor que neles existe» (ibid., 55). Partilhando a Eucaristia, pão da vida eterna, somos chamados a servir o nosso povo com uma dedicação que levanta de todas as quedas, que reconstrói o que a violência arruína e que partilha com alegria dos vínculos fraternos. Através de nós, a iniciativa da graça divina dá bons frutos sobretudo nas adversidades, como mostra o exemplo do protomártir Estevão (cf. Act 6, 8-15).
Caríssimos, o testemunho dos mártires e dos santos encoraja-nos e impele-nos a um caminho de esperança, de reconciliação e de paz, ao longo do qual o dom de Deus se torna o compromisso do homem na família, na comunidade cristã, na sociedade civil. Percorrendo-o juntos, à luz do Evangelho, a Igreja em Angola cresce segundo aquela fecundidade espiritual que começa na Eucaristia e se prolonga no cuidado integral de cada pessoa e de todo o povo. A vitalidade das vocações que vivenciais é, de modo particular, sinal da correspondência ao dom do Senhor, sempre abundante para quem o acolhe com coração puro. Graças ao Pão de vida nova, que hoje partilhamos, podemos continuar no caminho de toda a Igreja, que tem por meta o Reino de Deus, por luz a fé e por alma a caridade.
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Agradecimento do Santo Padre no final da Santa Missa
Queridos irmãos e irmãs,
Esta tarde teremos o último encontro com a Comunidade Católica em Angola, mas desejo, neste momento, dirigir a todos uma saudação repleta de gratidão.
Obrigado aos senhores Bispos, bem como aos presbíteros e diáconos, e igualmente aos consagrados e aos fiéis leigos, por toda a preparação da minha visita.
Expresso o meu profundo reconhecimento às autoridades civis angolanas pelo grande empenho colocado na organização.
Angola, mantém-te fiel às tuas raízes cristãs! Assim, poderás continuar, cada vez melhor, a dar o teu contributo para a construção da justiça e da paz em África e em todo o mundo. Muito obrigado!
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