Caminhando
domingo, 10 de maio de 2026
May 10 2026, Regina Caeli prayer - Pope Leo XIV
PAPA LEÃO XIV
REGINA CAELI
Praça de São Pedro
Domingo, 10 de maio de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, no Evangelho, escutámos algumas palavras que Jesus dirige aos seus discípulos durante a Última Ceia. Ao fazer do pão e do vinho o sinal vivo do seu amor, Cristo diz: «Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos» (Jo 14, 15). Esta afirmação liberta-nos de um equívoco, ou seja, da ideia de sermos amados se observarmos os mandamentos: a nossa justiça seria então condição para o amor de Deus. Pelo contrário, é o amor de Deus a condição para a nossa justiça. Observamos verdadeiramente os mandamentos, segundo a vontade de Deus, se reconhecermos o seu amor por nós, tal como Cristo o revela ao mundo. As palavras de Jesus são, portanto, um convite à relação, não uma chantagem ou uma incerteza.
Eis por que o Senhor manda que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13, 34): é o amor de Jesus que gera em nós o amor. O próprio Cristo é o critério, o paradigma do verdadeiro amor: que é fiel para sempre, puro e incondicional; que não conhece nem “mas” nem “talvez”; que se doa sem querer possuir; que dá vida sem levar nada em troca. Porque Deus nos ama primeiro, também nós podemos amar; e quando amamos de verdade a Deus, amamo-nos de verdade uns aos outros. Acontece como com a vida: só quem a recebeu pode viver, e assim só quem foi amado pode amar. Os mandamentos do Senhor são, por isso, uma regra de vida que nos cura dos falsos amores; são um estilo espiritual, que é caminho para a salvação.
Precisamente porque nos ama, o Senhor não nos deixa sozinhos nas provações da vida: promete-nos o Paráclito, ou seja, o Advogado defensor, o «Espírito da Verdade» (Jo 14, 17). É um dom que «o mundo não pode receber» (ibid.), enquanto se obstinar no mal que oprime o pobre, exclui o fraco, mata o inocente. Quem, pelo contrário, corresponde ao amor que Jesus nutre por todos, encontra no Espírito Santo um aliado que nunca falha: «Vós é que O conheceis – diz Jesus – porque permanece junto de vós, e está em vós» (ibid.). Sempre e em toda a parte podemos, então, testemunhar Deus, que é amor: esta palavra não significa uma ideia da mente humana, mas a realidade da vida divina, pela qual todas as coisas foram criadas do nada e salvas da morte.
Ao oferecer-nos o amor verdadeiro e eterno, Jesus partilha conosco a sua identidade de Filho amado: «Eu estou no meu Pai, e vós em mim, e Eu em vós» (v. 20). Esta envolvente comunhão de vida desmente o Acusador, ou seja, o adversário do Paráclito, o espírito contrário ao nosso defensor. Com efeito, enquanto o Espírito Santo é força de verdade, este Acusador é «pai da mentira» (Jo 8, 44), que quer opor o homem a Deus e os homens entre si: precisamente o contrário do que faz Jesus, salvando-nos do mal e unindo-nos como povo de irmãos e irmãs na Igreja.
Caríssimos, cheios de gratidão por este dom, confiemo-nos à intercessão da Virgem Maria, Mãe do Amor Divino.
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Depois do Regina Caeli:
Queridos irmãos e irmãs,
Recebi com preocupação as notícias relativas ao aumento da violência na região do Sahel, em particular no Chade e no Mali, afetados por recentes ataques terroristas. Asseguro a minha oração pelas vítimas e proximidade a todos aqueles que sofrem. Desejo que cesse qualquer forma de violência e encorajo todos os esforços em prol da paz e do desenvolvimento naquela amada terra.
Todos os anos, no dia 10 de maio, celebra-se o “Dia da Amizade Copto-Católica”. Dirijo uma saudação fraterna a Sua Santidade o Papa Tawadros II e asseguro a minha oração a toda a amada Igreja copta, na esperança de que o nosso caminho de amizade nos conduza à unidade perfeita em Cristo, que nos chamou “amigos” (cf. Jo 15, 15).
Dou, agora, as boas-vindas a todos vós, romanos e peregrinos de vários países!
Em particular, saúdo o grupo “Guardas de Honra do Sagrado Coração de Jesus”, proveniente de várias cidades da Itália, e os “Voluntários para a Evangelização” ligados à família da Rádio Maria; bem como a Associação de voluntariado “Komen Italia”, empenhada na prevenção do cancro da mama.
Gostaria de agradecer a hospitalidade que caracteriza o povo das Ilhas Canárias, por ter permitido a chegada do cruzeiro “Hondius”, com doentes de hantavírus. Estou contente por me poder encontrar convosco no próximo mês, durante a minha visita às Ilhas.
E, hoje, dirijo às mães um pensamento especial! Por intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, rezemos com carinho e gratidão por todas as mães, especialmente por aquelas que vivem em condições mais difíceis. Obrigado! Que Deus vos abençoe!
Desejo a todos um bom domingo.
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Dia das Mães: Uma oração pelas mães que morreram
Por Redação central
10 de mai de 2026 às 05:00
Muitos países do mundo comemoram o Dia das Mães hoje, segundo domingo de maio. Mas, muitas pessoas já não as têm ao seu lado, pois morreram.
A seguir, uma oração pelas mães que já morreram:
Rezamos a Ti continuamente, Senhor, por nossa mãe.
Lembramo-nos
dela com paz e com amor diante de Ti, certos de que ela vive, da mesma
forma como estamos certos de que Tu vives e de que o Teu amor dura para
sempre.
Lembramo-nos de quando ela estava entre nós...
Às vezes,
parece que sentimos o calor e a calma de sua presença protetora como
quando morava aqui, muito mais para nós do que para si mesma.
Dá-lhe Senhor o teu amor, dá-lhe a tua vida.
Dá-lhe a tua paz.
Tem-la muito próxima a Ti.
Que seja feliz e rogue diante de Ti por nós.
Ajuda-nos a viver o que ela nos ensinou, mais com amor do que com palavras.
A rezar a Ti como ela, a amar-Te como ela, a fazer de Ti e dos demais, assim como ela fazia, o sentido de nossa vida.
E,
se por descuido ou por debilidade, em algo te faltou, perdoa-lhe, Tu
que sabes o que é ser Pai e Mãe e conheces como ninguém o amor e o
perdão sem medida nem limites...
Perdoa-lhe suas faltas , pois amou muito a todos.
Obrigado, Senhor, por esta oração que nos enche de paz na lembrança de nossa mãe.
Amém.
Dia das Mães: Dez mães católicas que alcançaram a santidade
Por Redação central
10 de mai de 2026 às 02:42
Por ocasião da celebração do Dias da Mães, apresentamos uma lista de dez mães que chegaram à santidade. Mulheres que são exemplo para as mães católicas de hoje, que mostram que na vida cotidiana do matrimônio e da família é possível alcançar a glória do céu.
Antes de todas as santas, porém, destacamos a Mãe de Deus, a Virgem Maria, aquela que com o seu “sim” concebeu e deu à luz o Salvador. Ela que acompanhou o Senhor em todos os momentos, guardava e meditava tudo em seu coração.
Maria, a mais humilde entre as mulheres, se tornou modelo para toda mulher e mãe, exemplo de amor, fidelidade, confiança em Deus. Além disso, foi à Maria que, na cruz, Jesus entregou toda a humanidade através de são João. Por isso, também nós a chamamos nossa Mãe.
A seguir, a lista das dezsantas mães:
1. Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962)
Esta Santa italiana adoeceu de câncer e decidiu continuar com a gravidez de seu quarto filho, em vez submeter-se a um aborto, como lhe sugeriam os médicos para salvar sua vida.
Gianna estudou medicina e se especializou em pediatria. Seu trabalho com os doentes se resumia na seguinte frase: “Como o sacerdote toca Jesus, assim nós, os médicos, tocamos Jesus nos corpos de nossos pacientes”.
Casou-se com o Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Durante toda sua vida, conseguiu equilibrar seu trabalho com sua missão de mãe de família.
Gianna morreu em 28 de abril de 1962, aos 39 anos, uma semana depois de ter dado à luz. Foi canonizada em 16 de maio de 2004 pelo papa João Paulo II, que a tornou padroeira da defesa da vida.
2. Santa Mônica (332-387), mãe de santo Agostinho
A mãe de santo Agostinho nasceu no Tagaste (África) no ano 332. Seus pais a casaram com um homem chamado Patrício. Embora fosse trabalhador, seu marido era violento, mulherengo, jogador e desprezava a religião.
Durante 30 anos, Mônica sofreu os ataques de ira de seu marido. Santa Mônica orava e oferecia sacrifícios constantemente pela conversão de seu esposo. No ano 371, Deus lhe concedeu este desejo e Patrício se batizou. Ficou viúva um ano depois, quando Agostinho tinha 17 anos.
Durante 15 anos rezou e ofereceu sacrifícios pela conversão de seu filho, que levava uma vida libertina. No ano 386, santo Agostinho lhe anunciou sua conversão ao catolicismo e seu desejo de permanecer celibatário até a morte.
Morreu santamente no ano 387, aos 55 anos. Muitas mães e esposas se pedem a intercessão de santa Mônica pela conversão de seus filhos e maridos.
3. Santa Rita de Cássia (1381-1457)
Embora desde menina quisesse ser religiosa, seus pais a casaram com o Paolo Ferdinando.
Seu marido pertencia a uma família de mercenários e, apesar de beber muito, ser mulherengo e violento, Rita foi fiel durante todo seu matrimônio. O casal teve filhos gêmeos do mesmo temperamento do pai. A Santa encontrou fortaleza em Jesus, a quem oferecia sua dor.
Depois de 20 anos de oração, Paolo se converteu e começou um caminho de santidade junto a Rita. Entretanto, foi assassinado por seus inimigos. Seus filhos juraram vingar a morte de seu pai e Rita pediu ao Senhor que lhes concedesse a morte antes de vê-los cometer um pecado mortal. Antes de morrer, os gêmeos perdoaram os assassinos de seu pai.
No ano 1417, ingressou como religiosa no convento das religiosas Agostinianas. Ali meditou e aprofundou a Paixão de Cristo. Em 1443, recebeu os estigmas. Depois de uma grave enfermidade, faleceu em 1457. Seu corpo está incorrupto até hoje. É conhecida como a “santa das causas impossíveis”.
4. Santa Maria da Cabeça (?- 1175)
Maria Toribia nasceu na Espanha, próximo de Madri. Foi a esposa de São Isidro Lavrador. Realizava seus trabalhos com humildade, paciência, devoção e austeridade. Além disso, sempre foi atenta e serviçal com seu marido. O casal só teve um filho.
Como tanto Isidro como Maria queriam ter uma vida totalmente entregue a Deus, decidiram se separar. Seu marido ficou em Madri e Maria partiu para uma ermida. Ali, entregou-se a profundas meditações e fazia obras de caridade.
Quando Maria da Cabeça morreu, foi enterrada na ermida que com tanto amor visitava. Seus restos foram transladados para Madri e são atribuídos a ela milagres de cura dos males da cabeça.
5. Santa Ana, Mãe da Virgem Maria
Joaquim e Ana eram um rico e piedoso casal que residia no Nazaré. Como não tinham filhos, ele sofria humilhações no Templo. Um dia, o santo não voltou para sua casa, mas foi às montanhas para entregar a Deus sua dor. Quando Ana se inteirou do motivo da ausência de seu marido, pediu ao Senhor que lhe tirasse a esterilidade e lhe prometeu oferecer seus filhos para seu serviço.
Deus escutou suas orações e enviou-lhe um anjo que lhe disse: “Ana, o Senhor olhou suas lágrimas; conceberá e dará à luz e o fruto de seu ventre será bendito por todo mundo”. Este anjo fez a mesma promessa a Joaquim. Ana deu à luz uma filha a quem chamou Miriam (Maria) e que foi a Mãe de Jesus Cristo.
6. Beata Ângela de Foligno (1249-1309)
Ângela viveu apegada às riquezas desde sua juventude até sua vida de casada. Além disso, teve uma vida libertina.
Em 1285, sofreu uma crise existencial. Como vivia perto de Assis, sentiu-se tocada e desafiada pelo exemplo de são Francisco. Um dia, estava tão atormentada pelo remorso que pediu ao Santo que a livrasse. Então foi à igreja de são Feliciano, onde fez uma confissão de vida.
Ali fez uma promessa de castidade perpétua e começou a levar uma vida de penitência, dando de presente seus melhores vestidos e fazendo estritos jejuns. Depois de sua conversão, perdeu sucessivamente sua mãe, seu marido e seus oito filhos. Morreu em 1309.
7. Santa Isabel de Portugal (1274-1336)
Aos 12 anos tornou-se esposa do Diniz, rei de Portugal. Desde que chegou ao país, ganhou a simpatia do povo por seu caráter piedoso e devoto. Embora seu marido fosse mulherengo e tivesse filhos com várias mulheres, Isabel os acolheu na corte e lhes deu uma atenção cristã. Mas, quando o príncipe Afonso advertiu que seu direito ao trono estava em perigo, decidiu rebelar-se e o rei respondeu violentamente.
Esta briga entre Diniz e Afonso causou muita dor a Isabel que interveio muitas vezes nas batalhas entre eles. Um dia, a rainha se interpôs entre ambos exércitos para evitar o derramamento de sangue.
Logo depois da morte do rei em 1324, Isabel se retirou para Coimbra e recebeu o hábito como franciscana clarissa. Em 1336, eclodiu um novo conflito entre o Afonso IV e o rei de Castilla, Afonso XI, que era neto da Isabel.
A rainha foi até o acampamento dos exércitos, onde foi recebida e caiu doente. Antes de morrer, seu filho lhe prometeu que não invadiria Castilla.
8. Santa Clotilde (474-545)
Graças a ela, o fundador da nação francesa se converteu ao catolicismo e a França foi um país católico. A rainha convencei seu marido a converter-se ao cristianismo se ele ganhasse a batalha de Tolbiac, contra os alemães.
O rei Clodoveu obteve a vitória e foi batizado no Natal de 496 pelo bispo são Remígio. Naquela mesma noite, receberam o sacramento a irmã do rei e três mil de seus homens. Desde esse momento, Clotilde foi chamada na França: “Filha primogênita da Igreja”.
Clotilde era amada por todos por causa de sua grande generosidade com os pobres, sua pureza e devoção. Seus súditos estavam acostumados a dizer que parecia mais uma religiosa do que uma rainha.
Depois da morte de Clodoveu, houve guerra porque seus dois filhos queriam o trono. Durante 36 anos, Clotilde rezou pela reconciliação de ambos. Um dia, quando os dois exércitos estavam preparados para o combate, surgiu uma forte tormenta que impediu a batalha. Graças à oração da rainha, os irmãos fizeram as pazes.
9. Santa Helena (270-329)
Em meio à pobreza, conheceu o general romano Constâncio Cloro. Apaixonaram-se e se casaram. O filho do casal foi o imperador Constantino. Foi repudiada por seu marido, por ambição ao poder. Santa Helena passou 14 anos de sofrimento e se converteu ao cristianismo.
Em 306, Constantino foi proclamado imperador romano, embora continuasse sendo pagão. Entretanto, converteu-se quando viu uma Cruz, antes da batalha da Saxa Rubra, com uma legenda que dizia: “Com este sinal vencerás”.
Depois da vitória, Constantino decretou a livre profissão da religião católica e expandiu o cristianismo por todo o império. O imperador autorizou sua mãe para que utilizasse o dinheiro do governo para realizar boas obras. A Igreja atribui à santa Helena o descobrimento da Cruz de Cristo. Morreu santamente no ano 329.
10. Santa Zélia Martin, mãe de santa Teresinha de Lisieux (1831-1877)
Embora durante sua juventude também quisesse ser religiosa, a abadessa lhe negou a entrada ao convento. Por isso, decidiu abrir uma fábrica de rendas caseiras. A boa qualidade de seu trabalho fez sua oficina famosa. Sempre teve uma boa relação para com seus trabalhadores.
Em 1858, Zélia passou pelo jovem relojoeiro Luís Martin na rua. Em pouco tempo ambos se apaixonaram e se casaram três meses depois.
Zélia sempre quis ter muitos filhos e que todos fossem educados para o céu. Isso foi exatamente o que fez porque suas cinco filhas Paulina, Leonia, Maria, Celina e Teresa foram religiosas. A última foi santa e doutora da Igreja.
O amor que Zélia sentia por Luís era profundo e elevado. Para ela, sua maior alegria era estar junto a seu marido e compartilhar com ele uma vida santa.
Em 1865, o câncer no seio provocaria muito sofrimento a Zélia. Entretanto, soube assumir sua enfermidade e estava disposta a aceitar a vontade de Deus. Morreu em 1877. Foi beatificada junto com seu marido pelo papa Bento XVI no ano 2008. Em 2015, o casal foi canonizado pelo papa Francisco.
sábado, 9 de maio de 2026
O Papa e as catequeses sobre o Concílio, “estrela-guia” para o caminho da Igreja
Isabella Piro - Vatican News
Dois fatores orientaram a sua escolha: a constatação de que «a geração de bispos, teólogos e fiéis do Concílio Vaticano II hoje já não existe mais» e «o apelo para não extinguir a profecia» do Concílio, mas sim para «continuar buscando caminhos e formas de pôr em prática as intuições». Acima de tudo, explicou o Papa, é importante conhecer o Concílio «não por meio de “boatos” ou das interpretações que foram feitas, mas relendo seus documentos e refletindo sobre o seu conteúdo». Reler os textos de 1965 significa, portanto, oferecer à Igreja a possibilidade de «perceber as mudanças e os desafios da era moderna» e de «colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna», permanecendo com os «braços abertos» para a humanidade, suas esperanças e angústias.
A humanidade integral de Cristo que revela o mistério divino
De 7 de janeiro a 6 de maio — excluindo a pausa para os Exercícios Espirituais da Quaresma e a viagem apostólica à África —, até o momento, foram 14 as reflexões do Pontífice dedicadas a duas Constituições dogmáticas: a Dei Verbum sobre a revelação divina e a Lumen gentium sobre a Igreja.
A primeira, eixo central de cinco catequeses, foi definida por Leão XIV como «um dos documentos mais belos e importantes da assembleia conciliar», pois recorda que Deus fala à humanidade e a convida à amizade com Ele. Cristo, de fato, é o rosto humano de Deus e sua existência histórica, da encarnação à ressurreição, manifesta plenamente o Pai. Não se trata de uma verdade que anula o humano, mas que o realiza: é justamente a humanidade integral de Cristo que torna visível o mistério divino, pois o Senhor «se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós». Daí deriva uma visão dinâmica do cristianismo: ele se baseia na unidade entre Escritura e Tradição, consideradas um único “depósito” confiado à Igreja.
A esse respeito, o Pontífice alertou para dois riscos específicos: por um lado, uma leitura fundamentalista que interpreta os textos sagrados de forma isolada «do contexto histórico em que se desenvolveram e das formas literárias utilizadas». Por outro lado, negligenciar a origem divina da Escritura, acabando por entendê-la como «um mero ensinamento humano», um texto técnico ou já ultrapassado. Pelo contrário — foi a advertência de Leão XIV —, o Evangelho deve ser compreendido como «um espaço privilegiado de encontro, no qual Deus continua a falar aos homens e às mulheres de todos os tempos». Em um mundo saturado de palavras vazias, de fato, a Palavra de Deus se distingue como sempre nova, geradora e saciante para uma humanidade em busca de sentido e verdade.
A Igreja em favor dos pobres, explorados, vítimas, sofredores
Desde 18 de fevereiro, o Bispo de Roma tem centrado suas catequeses na Lumen gentium, à qual dedicou até agora oito reflexões. A partir delas, a Igreja surge como «sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos» e «presença santificadora em meio a uma humanidade ainda fragmentada» por divisões e conflitos. Investida da missão de «pronunciar palavras claras» para rejeitar tudo o que mortifica a vida, a Igreja — destacou ainda o Papa — é chamada a «tomar posição» em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas, dos sofredores. Em sua dimensão escatológica, de fato, ela é guardiã de uma esperança que ilumina o caminho.
Também é fundamental a reflexão que Leão XIV fez sobre duas dimensões eclesiais: a hierárquica e a escatológica. A primeira tem como objetivo perpetuar a missão confiada por Cristo aos Apóstolos, desde que nunca seja absolutizada. Pelo contrário: para corresponder plenamente à sua missão, as instituições eclesiais devem visar «uma conversão contínua, a renovação das formas e a reforma das estruturas». A segunda dimensão — definida como «essencial» — convida, além disso, a considerar a dimensão «comunitária e cósmica da salvação em Cristo», avaliando tudo nessa perspectiva.
Os leigos, cada vez mais testemunhas de justiça e de paz
O Pontífice reservou então uma atenção especial aos leigos, convidados a serem sempre testemunhas de justiça e de paz: seu «vasto campo» de apostolado não deve limitar-se ao espaço eclesial, mas alargar-se ao mundo, de modo a mostrar em toda parte a beleza da vida cristã. Por fim, o Papa retomou o tema da santidade: ela, disse Leão XIV, não é privilégio de poucos, mas compromisso de todos os cristãos na caridade. Em meio às perseguições do mundo, os fiéis são, portanto, exortados a deixar “sinais de fé e de amor”, empenhando-se pela justiça e vivendo a cada dia sua missão de conversão e testemunho.
Papa aos doentes de ELA: “somos o povo da esperança, que não se rende”
Vatican News
Na manhã deste sábado, 9 de maio, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano os membros da Associação Italiana de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), formada pelas pessoas que vivem com a doença, familiares e cuidadores. Unidas, disse o Papa por uma “aliança terapêutica de forte proximidade e presença, que encarna o próprio estilo de Jesus em relação àqueles que sofrem”.
Valor da vida é maior que a doença
Leão iniciou seu discurso destacando que a primeira contribuição deste “pacto”, “é daqueles que sofrem de E.L.A. e que todos os dias, com empenho, fé e coragem, testemunham que a bondade e o valor da vida são maiores que a doença e que, inclusive, os próprios desafios que a doença traz podem ser enfrentados juntos, transformando-os em ocasiões especiais e privilegiadas para dar e receber amor”. “Obrigado por isso!”, disse o Papa, “vocês, como profetas, ensinam a todos o verdadeiro valor da vida, e o nosso mundo tem tanta necessidade da sua mensagem!"
Proximidade e apoio institucional
Recordando os compromissos da Associação, “pesquisa científica, formação, informação e assistência, sensibilização nas comunidades”, Leão destacou também o outro aspecto do estilo de trabalho do grupo, ou seja, a proximidade. Com isso estão presentes nas casas dos pacientes. “Isso também é muito importante, pois o cuidado com a saúde, além de organização e competência, exige presença, inclusive física, para o bem da pessoa em suas diversas dimensões: biológica, psíquica e espiritual”.
Igreja e voluntariado
A Igreja, disse o Papa, “valoriza profundamente este 'estar próximo': o de acompanhar as pessoas onde quer que estejam, [...] para oferecer um acompanhamento que, além de assistencial, seja também espiritual”. Disse também que nas diversas situações da vida, ninguém deve jamais ser deixado sozinho, e o voluntariado, destacou, “ao uni-los na gratuidade, realiza poderosamente este valor, colocando em circulação a solidariedade e o respeito, e respondendo com gestos de cuidado à cultura do descarte e da morte”.
Continuar a caminhar, sem se render, jamais
Por fim o Santo Padre recordou que Jesus, o Filho de Deus feito homem, quis viver, a paixão, a sua Via-Sacra, como tempo de provação, de dor física e de sofrimento espiritual. “Ele foi solidário conosco até o fim” disse, “mostrando-nos, porém, com a sua cruz e ressurreição, que a dor e o sofrimento não podem deter o amor nem anular o poder de Deus”. Por isso, concluiu o Papa, “todos nós, filhos da sua Páscoa, somos o povo da esperança, que não se rende diante das dificuldades, mas unido e solidário, com a ajuda de Deus, continua a caminhar, sem se render, jamais”.
O Papa aos muçulmanos do Senegal: “diálogo inter-religioso e diplomacia para a paz”
Vatican News
Na manhã deste sábado (09) o Papa Leão XIV recebeu uma delegação de Representantes das Comunidades muçulmanas do Senegal. Ao iniciar seu discurso observou que o Senegal é chamado o país da “Teranga”, uma expressão que representa hospitalidade, respeito e solidariedade, sendo considerada um pilar da cultura senegalesa. “Terra de laços familiares vivos, de convivialidade e de coexistência pacífica entre cristãos, muçulmanos e fiéis de outras tradições”, destacou. “Esta realidade”, continuou o Papa, “constitui o fundamento de um diálogo entre povos diversos por sua pertença religiosa e sua origem étnica. Esse tesouro de fraternidade, que deve ser guardado com cuidado, é um bem precioso não só para a nação de vocês, mas também para toda a humanidade”.
Diálogo inter-religioso e diplomacia
Em seguida o Papa recordou que infelizmente, o contexto africano atual com conflitos armados, que geram graves carências humanitárias e profundas desigualdades que todos os dias “colocam à prova populações inteiras, sem esquecer o preocupante aumento do extremismo violento”. E que neste contexto, “os valores incorporados pelo espírito da 'Teranga' e o diálogo inter-religioso são um instrumento precioso para aliviar as tensões e construir uma paz duradoura”. Prosseguindo seu pensamento afirmou ainda que ao favorecer o diálogo inter-religioso e ao envolver os líderes religiosos nas iniciativas de mediação e reconciliação, a política e a diplomacia podem valer-se de forças morais capazes de apaziguar as tensões, prevenir as radicalizações e promover uma cultura de estima e respeito mútuo. Concluindo este ponto disse: “Hoje, o mundo precisa de uma diplomacia e de um diálogo religioso fundamentados na paz, na justiça e na verdade”.
Dignidade que nenhuma lei pode confiscar
“Cristãos e muçulmanos”, continuou o Papa, “acreditamos juntos que cada ser humano é moldado pelas mãos de Deus e, portanto, revestido de uma dignidade que nenhuma lei, nem qualquer poder humano, tem o direito de confiscar”. As nações do mundo assim o proclamaram: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. É sobre este fundamento de fraternidade, na origem da humanidade e na fé, que assumimos juntos a nossa responsabilidade comum: “condenar toda forma de discriminação e de perseguição fundada na raça, na religião ou na origem; rejeitar qualquer instrumentalização do nome de Deus para fins militares, econômicos ou políticos; levantar a nossa voz em favor de toda minoria que sofre”.
Viver juntos no respeito e na fraternidade
Concluindo seu discurso o Santo Padre disse: “Rezo para que Deus, o Onipotente, faça renascer o desejo de nos compreendermos melhor reciprocamente, de ouvirmos uns aos outros e de vivermos juntos no respeito e na fraternidade”. Desejando ainda a todos que Deus dê “a coragem de percorrer o caminho do diálogo, de responder aos conflitos com gestos de fraternidade e de abrir o vosso coração aos outros, sem temer as diferenças”.