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quarta-feira, 18 de março de 2026
terça-feira, 17 de março de 2026
Papa Leão XIV será homenageado com a Medalha da Liberdade nos EUA
Vatican News
O Centro Nacional da Constituição (National Constitution Center) concederá a 38ª Medalha da Liberdade ao Papa Leão XIV durante uma cerimônia na Filadélfia, marcada para o próximo dia 3 de julho, véspera do 250º aniversário da fundação dos Estados Unidos.
O prêmio reconhece o trabalho do Pontífice na promoção da liberdade religiosa, de expressão e de consciência em todo o mundo — princípios estabelecidos pelos pais fundadores estadunidenses na Primeira Emenda da Constituição do país. O Papa pretende fazer seu discurso de aceitação ao vivo, diretamente do Vaticano, por meio de transmissão online.
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, informou que o Papa está profundamente grato “por este prestigioso reconhecimento, em uma ocasião tão significativa para o povo estadunidense, chamado a refletir sobre os 250 anos de sua própria história, preservando a Declaração de Independência, a Constituição dos Estados Unidos e a liberdade como marcas distintivas de sua herança para as futuras gerações”.
Reconhecimento ao compromisso com o diálogo
O comunicado de imprensa do Centro Nacional da Constituição destaca o compromisso do Pontífice com o diálogo inter-religioso e ecumênico. “Sua ação”, afirma o texto, “reflete uma visão moral mais ampla que considera a liberdade religiosa não como um direito abstrato, mas como uma expressão concreta da dignidade humana, especialmente para as comunidades marginalizadas, incluindo as minorias religiosas e aqueles afetados por conflitos”.
A Medalha da Liberdade
O Centro Nacional da Constituição, com sede na Filadélfia, reúne pessoas de diferentes idades e perspectivas, vindas de todo o mundo, para conhecer, discutir e celebrar a visão de liberdade humana proclamada pela Constituição dos Estados Unidos.
Instituída em 1988, por ocasião do bicentenário da Constituição, a Medalha da Liberdade é concedida anualmente a indivíduos e organizações que se destacam na promoção dos benefícios da liberdade para pessoas em todo o mundo.
Papa a jornalistas: mostrar a guerra com seus sofrimentos, não como um videogame
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV se uniu às felicitações italianas pelos 50 anos do telejornal do segundo canal da RAI (Radiotelevisione Italiana SpA), o serviço público de rádio e televisão da Itália, que só de oferta na TV administra 13 canais nacionais. A RAI 2 é uma das três redes de editoria generalista, com abordagem mais leve e inovadora em relação ao canal nacional RAI 1, que desde a fundação em 1961 apresenta uma programação direcionada ao entretenimento e à informação. O TG2, então, o telejornal da RAI 2, nasceu 15 anos após a fundação da rede, em 15 de março de 1976, graças a uma reforma do serviço público que, na época, reorganizou o panorama de TV na Itália. Segundo a própria primeira-ministra, Giorgia Meloni, "o TG2 sempre foi caracterizado como o telejornal da inovação e da busca por novos formatos".
A saudação do Papa Leão XIV
Nesta segunda-feira (16/03), um dia após as comemorações oficiais do TG2, o Papa Leão XIV recebeu em audiência os profissionais que compõem aa redação com seus familiares na Sala Clementina, no Vaticano. Após parabenizar o noticiário por "ter alcançado a marca de 50 anos", o Pontífice propôs uma reflexão "de aniversário" sobre o caminho percorrido, "como paradigma dos desafios que o jornalismo televisivo enfrentou e daqueles que ainda tem pela frente":
"Penso na transição do sistema analógico para o digital, na qual vocês foram protagonistas ao aproveitar as oportunidades e compreender que nenhuma novidade tecnológica pode substituir a criatividade, o discernimento crítico e a liberdade de pensamento. E se o desafio do nosso tempo é aquele da inteligência artificial, penso na necessidade de regular a comunicação de acordo com o paradigma humano e não com o tecnológico. O que significa, em última instância, saber distinguir entre os meios e os fins."
O desafio do TG2 em tempos de guerra
O Papa, então, recordou das características distintivas que, desde o início, marcaram a identidade do TG2: a laicidade e o pluralismo das fontes de informação, "inclusive na televisão estatal". Ao comentar sobre a "forte tentação" de buscar somente o que confirma a própria opinião, Leão XIV alertou que "não pode haver boa comunicação, nem verdadeira liberdade e pluralismo saudável" sem uma abertura autêntica ao fatos, encontros, olhares e vozes dos outros. E a história do TG2, contada pelo convívio de "posições culturais diferentes", ainda hoje pode ser "um exemplo de diálogo" diante de uma época dominada "por polarizações, fechamentos ideológicos e slogans, que impedem de ver e compreender a complexidade da realidade":
"Sempre, mas de maneira especial nas circunstâncias dramáticas de guerra, como as que estamos vivendo, a informação deve evitar o risco de se transformar em propaganda. E a tarefa dos jornalistas, ao verificar as notícias, para não se tornar megafone do poder, torna-se ainda mais urgente e delicada, diria que essencial."
“Cabe a vocês mostrar o sofrimento que a guerra sempre traz às populações; mostrar o rosto da guerra e contá-la com os olhos das vítimas para não transformá-la em um videogame. Não é fácil nos poucos minutos de um telejornal e dos seus espaços de aprofundamento. Mas é aí que está o desafio.”
O Papa: a prevenção de abusos é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira (16/03), na Sala do Consistório, no Vaticano, os participantes da Assembleia Plenária da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores.
O Pontífice expressou sua gratidão a todos os "membros e colaboradores pelo serviço prestado à Igreja na proteção de crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade". "É um serviço exigente, por vezes silencioso e árduo, mas essencial para a vida da Igreja e para a construção de uma autêntica cultura do cuidado", sublinhou.
Garantir a prevenção do abuso
Leão XIV destacou que o Papa Francisco quis situar, de forma permanente, o serviço da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores dentro da Cúria Romana, para lembrar "a toda a Igreja que a prevenção de abusos não é uma tarefa opcional, mas sim uma dimensão constitutiva da missão da Igreja".
"Desde a minha eleição, tenho me sentido muito encorajado pelo diálogo que vocês têm fomentado com a Seção Disciplinar do Dicastério para a Doutrina da Fé, pois, desta forma, alcança-se o objetivo desejado: que a prevenção – da qual vocês são responsáveis – e a vigilância disciplinar sejam reforçadas por este Dicastério, de maneira verdadeiramente sinérgica e eficaz", disse ainda o Papa, acrescentando:
“A missão de vocês é ajudar a garantir a prevenção do abuso. No entanto, a prevenção nunca se resume a um conjunto de protocolos ou procedimentos. Trata-se de ajudar a formar, em toda a Igreja, uma cultura do cuidado, na qual a proteção dos menores e pessoas em situação de vulnerabilidade não seja vista como uma obrigação imposta externamente, mas como uma expressão natural da fé.”
Caminho crível de esperança e renovação
De acordo com o Pontífice, "isso requer um processo de conversão em que o sofrimento alheio seja ouvido e nos motive a agir".
“Nesse sentido, as experiências das vítimas e sobreviventes são pontos de referência essenciais. Embora certamente dolorosas e difíceis de ouvir, essas experiências revelam a verdade de forma impactante e nos ensinam a humildade enquanto nos esforçamos para ajudar as vítimas e os sobreviventes. Ao mesmo tempo, é justamente reconhecendo a dor causada que se abre um caminho crível de esperança e renovação.”
Outro elemento importante do serviço da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores "é a incorporação de uma abordagem multidisciplinar e sistemática". "Como parte da Cúria Romana, dentro do Dicastério para a Doutrina da Fé, vocês têm um papel claro que os coloca em diálogo com os Dicastérios e outras instituições que exercem a sua responsabilidade nas diversas áreas relacionadas com a proteção", disse ainda o Papa.
Esperança e prudência
A propósito do Relatório Anual da Comissão, Leão XIV disse que se trata de "uma ferramenta de grande importância".
“Representa um exercício de verdade e responsabilidade, bem como de esperança e prudência, que devem caminhar juntas para o bem da Igreja. A esperança impede-nos de cair no desânimo; a prudência protege-nos da improvisação e da superficialidade quando abordamos a prevenção de abusos.”
"Os Ordinários e os Superiores Maiores também têm a sua própria responsabilidade, que não pode ser delegada", disse ainda Leão XIV. "A escuta e o acompanhamento das vítimas devem encontrar expressão concreta em cada instituição e comunidade eclesial", destacou, frisando que nenhuma comunidade dentro da Igreja deve se sentir sozinha nesta tarefa. "O apoio às igrejas locais, especialmente onde faltam recursos ou experiência, dá expressão concreta à solidariedade eclesial", sublinhou o Papa Leão.
Comunhão e responsabilidade partilhada
Citando duas áreas de proteção em rápida evolução: "O conceito de vulnerabilidade em relação ao abuso e a prevenção do abuso de menores facilitado pela tecnologia no espaço digital", o Papa disse que "ao ler esses 'sinais dos tempos', a Comissão ajuda a Igreja a enfrentar corajosamente os desafios da proteção e a responder com clareza pastoral e renovação estrutural".
Leão XIV concluiu, dizendo que todos os esforços da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores "demonstram que sua missão não é simplesmente o estabelecimento de um processo formal, mas um sinal de comunhão e responsabilidade partilhada" e que "a proteção dos menores e pessoas vulneráveis não é uma área isolada da vida da Igreja, mas uma dimensão que atravessa a pastoral, a formação, a governança e a disciplina. Cada passo dado neste caminho é um passo em direção a Cristo e em direção a uma Igreja mais evangélica e autêntica".