Caminhando
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Venerável Fulton Sheen será beatificado
Por Tessa Gervasini
9 de fev de 2026 às 14:05
A Santa Sé informou oficialmente ao bispo de Peoria, Illinois, EUA, Louis Tylka, que a causa de beatificação do venerável servo de Deus arcebispo Fulton J. Sheen pode prosseguir, segundo um comunicado da diocese.
“O próximo passo no processo é a celebração da beatificação, na qual Fulton Sheen será declarado beato”, disse Tylka. “O arcebispo Fulton Sheen foi uma das maiores vozes da evangelização na Igreja e no mundo no século XX. Há muito admiro seu compromisso de vida em servir à Igreja como sacerdote, enraizado em sua profunda devoção à Virgem Maria e à Eucaristia”.
“Ao longo de sua jornada pelas diferentes fases da vida, sua capacidade de compartilhar o Evangelho e se conectar verdadeiramente com as pessoas atraiu inúmeras almas para um encontro com Jesus — um encontro que transformou não só a sua vida, mas, mais importante ainda, a vida daqueles que ele tocou”.
“Em seus últimos anos, particularmente por meio de seu trabalho em prol das missões, o arcebispo Sheen nos ajudou a reconhecer que a Igreja é para todas as pessoas”, disse o bispo. “Ele nos lembrou que, como membros da Igreja, somos chamados a servir a todos, especialmente aos mais necessitados e àqueles que anseiam ouvir e vivenciar o Evangelho, onde quer que estejam no mundo”.
Tylka agradeceu à Santa Sé, aos seus irmãos bispos, ao clero e aos leigos pela colaboração e pelas orações que levaram à beatificação de Sheen, que será “uma bênção especial para a Igreja nos EUA, onde ele foi um poderoso evangelizador no rádio, na televisão e em aparições pessoais”.
A diocese de Peoria está trabalhando com o Dicastério para as Causas dos Santos para definir os detalhes da beatificação.
Fulton Sheen
Peter John Sheen nasceu em El Paso, Illinois, em 8 de maio de 1895, e recebeu o nome de Fulton do sobrenome de solteira de sua mãe. Sheen foi ordenado sacerdote da diocese de Peoria em 20 de setembro de 1919. Em 11 de junho de 1951, foi consagrado bispo auxiliar da arquidiocese de Nova York, cargo que ocupou até 1966. Em seguida, foi nomeado bispo de Rochester, Nova York, função que exerceu até sua aposentadoria em 1969, aos 74 anos.
Tylka já havia chamado Sheen de "pioneiro" por seu programa de televisão vencedor do prêmio Emmy, Life Is Worth Living (A Vida Vale a Pena ser Vivida). O programa foi ao ar de 1952 a 1957, abordando temas como moralidade e catolicismo.
Sheen “alcançou milhões de pessoas por causa” do programa, disse Tylka. “Ele estava muito à frente de seu tempo naquela realidade que hoje damos como certa”.
Sheen morreu de uma doença cardíaca em 9 de dezembro de 1979, dia da festa de são Juan Diego, indígena vidente de Nossa Senhora de Guadalupe, no atual México, no século XVI.
Caminho para a beatificação
Embora Sheen deva ser beatificado, o processo que levou a esse marco foi marcado por muitos desafios e atrasos.
O processo de canonização do televangelista foi aberto em 2002 sob a liderança da diocese de Peoria, e a partir de então ele passou a ser chamado de servo de Deus. O papa Bento XVI o declarou venerável em junho de 2012.
Em 6 de março de 2014, o conselho de especialistas médicos que assessorava a então Congregação para as Causas dos Santos, atual Dicastério para as Causas dos Santos, aprovou por unanimidade um suposto milagre atribuído à sua intercessão. Os pais de um bebê natimorto, James Fulton, rezaram pela intercessão de Sheen e seu filho se recuperou milagrosamente.
Em 17 de junho de 2014, a comissão teológica de sete membros que assessora a congregação concordou unanimemente com a conclusão da equipe médica.
Em setembro de 2014, a causa de Sheen foi suspensa devido a uma disputa sobre a propriedade de seus restos mortais. A suspensão foi anunciada “com tristeza” numa declaração do então bispo de Peoria, Daniel R. Jenky, presidente da Fundação Arcebispo Fulton J. Sheen.
Falando sobre como a Santa Sé “esperava que os restos mortais do Venerável Sheen fossem transferidos para Peoria, onde uma inspeção oficial seria feita e relíquias de primeira classe seriam levadas”, o comunicado disse que a arquidiocese de Nova York havia negado o pedido de Jenky para transferir o corpo para Peoria.
Por fim, em março de 2019, um tribunal de apelações de Nova York decidiu por unanimidade que os restos mortais de Sheen poderiam ser transferidos para a catedral de Santa Maria, em Peoria. Em junho do ano seguinte, depois de três anos de litígio, seu corpo foi transferido para a catedral de Santa Maria, abrindo caminho para que o processo de canonização do arcebispo prosseguisse.
O papa Francisco aprovou o milagre atribuído à intercessão de Sheen em 5 de julho de 2019. A beatificação de Sheen estava marcada para 21 de dezembro de 2019, mas foi adiada.
(acidigital)
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Beatificação na Espanha: Padre Valera foi um Evangelho vivo, afirma cardeal Semeraro
Antonella Palermo - Vatican News
“Uma vida dedicada a muitas pessoas, especialmente aos doentes, pobres e necessitados que percorriam as ruas e habitavam as casas desta terra”. A terra é a de Almería, na Espanha, e as palavras são do cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, referindo-se ao Padre Salvador Valera Parra que neste sábado, 7 de fevereiro, é elevado às honras dos altares. A cerimônia de beatificação foi realizada em Huércal-Overa, na Espanha, local de nascimento do Venerável Servo de Deus, onde exerceu o ministério de arcipreste e pároco no século XIX.
Sempre ao lado do povo e dos sofredores
O testemunho deixado por Parra foi o de quem difunde “o perfume de Cristo”, diria São Paulo. Um modelo, afirma o cardeal, especialmente para aqueles que, como ele, vivem hoje o ministério pastoral como sacerdotes. Inspirando-se na página do evangelista João sobre a figura do Bom Pastor, proposta pela liturgia do dia, olha-se para Jesus que oferece a sua vida por nós, colocando-a literalmente em risco, gastando-a “de modo a torná-la como uma raiz, da qual nos podemos alimentar”. Assim fez o Cura Valera, que, de nome e de fato, amou as pessoas, esteve perto delas, compreendeu seus problemas, aliviou seus sofrimentos, lembra o cardeal.
Simplicidade, dedicação silenciosa, fidelidade
Eventos particularmente críticos, como epidemias de cólera, terremotos e desastres ambientais atingiram sua região (em 1863 causaram destruição e vítimas), mas Parra permaneceu próximo à população, “visitando os doentes, socorrendo os mais fracos, assistindo os idosos. Na verdade, isso é, antes de tudo, o cuidado das almas!”, lembra Semeraro em homilia. Partindo do pressuposto de que “somente o amor torna possível um conhecimento verdadeiro, renovado, interior e profundo”, o prefeito retoma o que já foi destacado pelos bispos locais na Carta Pastoral “Una vida para los démas”, onde escreveram que “em um mundo caracterizado pela pressa, pelo individualismo e pela superficialidade, a figura do Padre Valera se ergue como um lembrete de que a verdadeira grandeza reside na simplicidade, na dedicação silenciosa, na fidelidade perseverante”.
O “quinto Evangelho”
O cardeal conclui com a metáfora do chamado “quinto Evangelho”, aquele que cada discípulo de Jesus é chamado a escrever com sua própria vida. Foi isso que Valera fez:
“Ele foi um Evangelho vivo: olhou para tudo e para todos com os olhos de Jesus; amou tudo e todos com o coração de Jesus. É um modelo e um exemplo para nós. Essa também é a missão dos santos.”
ANGELUS 8 fev 26
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 8 de fevereiro de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Depois de ter proclamado as Bem-aventuranças, Jesus dirige-se àqueles que as vivem, dizendo que, graças a eles, a terra já não é a mesma e o mundo já não está na escuridão. «Vós sois o sal da terra. […] Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 13-14). Na verdade, é a verdadeira alegria que dá sabor à vida e traz à luz o que antes não existia. Esta alegria irradia de um estilo de vida, de um modo de habitar a terra e de viver juntos que deve ser desejado e escolhido. É a vida que resplandece em Jesus, o novo sabor dos seus gestos e das suas palavras. Depois de O termos encontrado, parece insípido e opaco tudo o que se afasta da sua pobreza de espírito, da sua mansidão e simplicidade de coração, da sua fome e sede de justiça, que despertam misericórdia e paz como dinâmicas de transformação e reconciliação.
O profeta Isaías apresenta uma lista de gestos concretos que põem fim à injustiça: partilhar o pão com o faminto, acolher em casa os miseráveis, os sem-abrigo, vestir quem vemos nu, sem esquecer os vizinhos e as pessoas da nossa casa (cf. Is 58, 7). «Então – continua o profeta – a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se» (v. 8). Por um lado, a luz, aquela que não se pode esconder, porque é grande como o sol que todas as manhãs afugenta as trevas; por outro lado, uma ferida, que antes ardia e agora está a cicatrizar.
É doloroso, com efeito, perder o sabor e renunciar à alegria; no entanto, é possível ter esta ferida no coração. Jesus parece avisar quem o escuta, para que não renuncie à alegria. O sal que perdeu o sabor, diz ele, «não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens» (Mt 5, 13). Quantas pessoas – e talvez já tenha acontecido também conosco – se sentem descartáveis, imperfeitas. É como se a sua luz tivesse sido escondida. Jesus, porém, anuncia-nos um Deus que nunca nos descartará, um Pai que guarda o nosso nome, a nossa singularidade. Qualquer ferida, mesmo a mais profunda, será curada ao acolhermos a palavra das Bem-aventuranças e ao voltarmos a caminhar pela via do Evangelho.
Realmente, são os gestos de abertura aos outros e de atenção, aqueles que reacendem a alegria. Com certeza que, na sua simplicidade, eles nos colocam em contracorrente. O próprio Jesus, no deserto, foi tentado por outros caminhos: afirmar a sua identidade, exibi-la, ter o mundo a seus pés. No entanto, rejeitou os caminhos em que perderia o seu verdadeiro sabor, o qual encontramos todos os domingos no Pão partido: a vida doada, o amor que não faz barulho.
Irmãos e irmãs, deixemo-nos alimentar e iluminar pela comunhão com Jesus. Sem qualquer tipo de ostentação, seremos como uma cidade no monte, não apenas visível, mas também convidativa e hospitaleira: a cidade de Deus, onde, no fundo, todos desejam habitar e encontrar a paz. A Maria, Porta do Céu, dirijamos agora o nosso olhar e oração, para que nos ajude a tornarmo-nos e a permanecermos discípulos do seu Filho.
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Depois do Angelus:
Queridos irmãos e irmãs!
Ontem, em Huércal-Overa, Espanha, foi beatificado o padre Salvatore Valera Parra, um pároco dedicado inteiramente ao seu povo, humilde e atencioso na caridade pastoral. O seu exemplo de presbítero centrado no essencial é um estímulo para os sacerdotes de hoje serem fiéis na vida quotidiana, vivida com simplicidade e austeridade.
Com dor e preocupação, tomei conhecimento dos recentes ataques contra várias comunidades na Nigéria, que causaram graves perdas de vidas humanas. Expresso a minha proximidade orante a todas as vítimas da violência e do terrorismo. Espero que as autoridades competentes continuem a trabalhar com determinação para garantir a segurança e a proteção da vida de todos os cidadãos.
Hoje, memória de Santa Josefina Bakhita, celebra-se o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas. Agradeço às religiosas e a todos aqueles que se empenham em combater e erradicar as formas atuais de escravatura. Em sintonia com eles, afirmo: a paz começa com a dignidade!
Asseguro a minha oração pelas populações de Portugal, Marrocos e Espanha – em particular Grazalema, na Andaluzia – e do sul de Itália – especialmente Niscemi, na Sicília –, atingidas por inundações e deslizamentos de terra. Encorajo as comunidades a permanecerem unidas e solidárias, sob a proteção maternal da Virgem Maria.
E agora dou as boas-vindas a todos vós, romanos e peregrinos de Itália e de outros países. Saúdo os fiéis de Melilha, Múrcia e Málaga, em Espanha; os que vieram da Bielorrússia, da Lituânia e da Letónia; os estudantes de Olivença, Espanha, e os crismandos de Malta. Saúdo também os jovens que estão a acompanhar-nos a partir de três oratórios da diocese de Brescia.
Continuemos a rezar pela paz. Como nos ensina a história, as estratégias de poder económico e militar não oferecem futuro à humanidade. O futuro passa pelo respeito e pela fraternidade entre os povos.
Desejo um bom domingo para todos.
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sábado, 7 de fevereiro de 2026
Papa sobre formação cristã: cuidar da prevenção a abusos dentro das comunidades
Andressa Collet - Vatican News
"Bom dia e bem-vindos a todos! Este é o último ato da plenária ou vocês ainda têm trabalho a fazer? Ainda? Muito bem, muito bem! Então, é um bom momento para fazer uma pausa, e estou muito feliz em recebê-los nesta manhã", disse o Papa Leão XIV no início do discurso desta sexta-feira (06/02), na Sala Clementina, no Vaticano, dirigido ao grupo de 60 pessoas que participam da III Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Nos três dias de encontro, os trabalhos são focados nos temas da formação cristã e dos Encontros Mundiais, "realidades importantes para toda a Igreja", comentou o Pontífice.
Os Encontros Mundiais, disse Leão XIV, exigem um trabalho complexo de organização, mas o Papa preferiu se deter particularmente sobre a formação cristã, a partir das palavras de São Paulo dirigidas aos Gálatas: “Até que Cristo seja formado em vós” (Gal 4,19), que dá tema ao encontro e é um argumento presente em várias passagens do Apóstolo. Por exemplo, quando fala da importância dos "pedagogos em Cristo", mas sobretudo dos "pais" (1 Cor 4,15):
"É verdade que, na Igreja, às vezes, a figura do formador como 'pedagogo', empenhado em transmitir instruções e competências religiosas, prevaleceu sobre aquela do 'pai' capaz de gerar a fé. A nossa missão, porém, é muito mais elevada, por isso não podemos nos limitar a transmitir uma doutrina, uma observância, uma ética, mas somos chamados a compartilhar o que vivemos, com generosidade, amor sincero pelas almas, disponibilidade para sofrer pelos outros, dedicação sem reservas, como pais que se sacrificam pelo bem dos filhos."
A dimensão comunitária da formação
O Papa, então, tratou de outro aspecto da formação: a dimensão comunitária. Assim "como a vida humana é transmitida graças ao amor de um homem e de uma mulher, também a vida cristã é veiculada pelo amor de uma comunidade". Os pais dão vida aos filhos para "compartilhar a superabundância de amor e alegria que os habita", assim como deve acontecer na Igreja:
"Não é o sacerdote sozinho, ou um catequista ou um líder carismático, que gera a fé, mas a Igreja, a Igreja unida, viva, feita de famílias, de jovens, de solteiros, de consagrados, animada pela caridade e, portanto, desejosa de ser fecunda, de transmitir a todos, e sobretudo às novas gerações, a alegria e a plenitude de sentido que vive e experimenta."
O cuidado com a prevenção a abusos nas comunidades
"A missão do formador, continuou o Papa, devem seguir alguns elementos fundamentais, como "a necessidade de favorecer percursos de vida constantes, envolventes e pessoais, que conduzam ao Batismo e aos Sacramentos, ou à sua redescoberta". Outro aspecto é "ajudar quem empreende um caminho de fé a amadurecer e a custodir um novo modo de viver, que abranja todos os âmbitos da existência, privados e públicos, como o trabalho, as relações e a conduta cotidiana". E o Papa enalteceu:
“É indispensável cuidar nas nossas comunidades dos aspectos formativos voltados para o respeito à vida humana em todas as suas fases, em particular, aqueles que contribuem para prevenir qualquer forma de abuso contra menores e pessoas vulneráveis, bem como para acompanhar e apoiar as vítimas.”
"Como podemos ver, a arte de formar não é fácil e não se improvisa: requer paciência, escuta, acompanhamento e verificação, tanto em nível pessoal como comunitário, e não pode prescindir da experiência e da convivência com aqueles que a viveram, para aprender e seguir o exemplo."
No final do discurso, o encorajamento do Papa Leão XIV à missão, mesmo diante dos desafios e seguindo modelos de fé, como aquele de Santo Agostinho:
"Os desafios que enfrentam, às vezes, podem parecer superiores às suas forças e recursos. Mas vocês não devem desanimar. Comecem pelo pequeno, seguindo, na fé, a lógica evangélica do 'grão de mostarda' (cf. Mt 13, 31-32), confiantes de que o Senhor nunca os deixará, no momento oportuno, as energias, as pessoas e as graças necessárias."