quinta-feira, 5 de novembro de 2026

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Popes of Life Times


 

El Papa León: "Los políticos que se dirigen a las heridas del pueblo dan esperanza a la humanidad“


 

Leão retorna a casa, Continente cheio de contradições e esperanças

 

A longa viagem pela América Latina do Sucessor de Pedro, que foi missionário no Peru
 

Andrea Tornielli

O Papa Leão retorna a casa. Ele retorna ao Continente onde, por mais de vinte anos, prestou serviço, primeiro como missionário e depois como bispo. O Peru, última e mais longa etapa da peregrinação apostólica que terá início nas próximas horas e que o levará primeiro ao Uruguai e à Argentina, não é o país natal de Robert Francis Prevost, o primeiro Pontífice nascido nos Estados Unidos. Mas pode ser considerado uma segunda pátria, uma pátria do coração, como demonstraram as primeiras palavras proferidas por Leão XIV poucos minutos após a eleição, quando, ao aparecer na sacada central da Basílica de São Pedro, saudou a multidão e os fiéis conectados do mundo inteiro, primeiro em italiano – como convém ao Bispo de Roma – e depois em espanhol, para dirigir uma saudação especial “à minha querida diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou seu bispo, compartilhou sua fé e deu muito, muito mesmo, para continuar sendo a Igreja fiel de Jesus Cristo”. Nesse sentido, a etapa peruana representa um retorno a casa, para relembrar um vínculo que nunca se rompeu entre um bispo missionário “com cheiro das ovelhas” e seu povo. Que o Papa desse tanta importância a essa viagem ficou evidente também nos dias de sua recente internação no Policlínico Gemelli. Será, portanto, uma imersão na memória, um retorno a casa revigorante, apesar do cansaço de uma viagem de doze dias com treze voos de avião e dois de helicóptero.

No entanto, seria redutivo explicar ou interpretar a viagem apenas com base nessas categorias: não se trata, de fato, de uma peregrinação “patriótica”. Em primeiro lugar, porque o Papa Leão visitará outros dois países, caracterizados por problemas e situações tanto comuns quanto diferentes entre si. E também porque a interpretação do retorno a casa não deve correr o risco de colocar em segundo plano as mensagens que o Pontífice vem trazer a essas terras: sobretudo, confirmar na fé o povo cristão que ali habita, relançando uma missão evangelizadora baseada na proximidade, na ternura, na partilha, no apoio aos mais pobres e no compromisso de construir juntos uma sociedade mais justa. Com aquele estilo que ele tinha quando era bispo, como aconteceu durante a Covid, quando, como administrador apostólico de Callao, organizou uma rede de solidariedade e distribuição de alimentos, água e remédios para todos os moradores e trabalhadores informais que, devido às restrições, estavam confinados em casa sem dinheiro nem comida. As pessoas ainda se lembram dessas ajudas como uma “resposta de Deus” às suas súplicas.

No Uruguai, Leão se deparará com um dos países “mais europeus” da América Latina, caracterizado por uma longa história de estabilidade e democracia, mas também por um laicismo nem sempre aberto ao papel positivo e público das religiões, onde, há um ano, foi aprovada uma lei sobre a eutanásia. Na Argentina, terra natal de Francisco, o qual não voltou mais ao país após a eleição de 2013, o Papa encontrará uma sociedade fortemente polarizada e importantes desafios sociais. Características de um continente onde persiste a pobreza e uma grande distância entre poucos ricos e muitos pobres. Leão XIV falará de justiça segundo a Doutrina Social da Igreja, não para se opor a este ou aquele governo - o Sucessor de Pedro não age como político -, mas para convidar à unidade contra a polarização e à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Uma sociedade que leve em conta as necessidades dos menos favorecidos ou daqueles que vivem nas periferias extremas, como os povos amazônicos que se sentem abandonados, mas receberão a visita do Pontífice na etapa de Pucallpa.

A essência da mensagem que Leão vem trazer à América Latina é bem resumida pelos três lemas escolhidos para as três etapas: “Anuncio-vos uma grande alegria” para o Uruguai; “Todos são bem-vindos. Ide e anunciai” na Argentina; “Abramos o coração” no Peru. Um apelo à fé e à missão evangelizadora, para promover a unidade e o encontro. Nos próximos dias, será central valorizar os tesouros ocultos desses países: os muitos santos e beatos que inculturaram a mensagem de Cristo nos diversos contextos e a devoção popular, que desempenha um papel fundamental na experiência de fé dos povos latino-americanos.

(vaticannews)

Programa da viagem do papa Leão XIV ao Uruguai, Argentina e Peru

 


O papa Leão XIV percorre a praça de São Pedro antes de celebrar a Audiência Geral de quarta-feira. | Crédito: Vatican Media. ??
O papa Leão XIV percorre a praça de São Pedro antes de celebrar a Audiência Geral de quarta-feira. | Crédito: Vatican Media.

A viagem apostólica do papa Leão XIV ao Uruguai, à Argentina e ao Peru será de 6 a 17 de novembro. Será sua primeira visita à América Latina como papa e marcará seu retorno ao Peru, onde exerceu grande parte de seu ministério como sacerdote e bispo.

O programa inclui visitas aos santuários marianos da Virgem dos Trinta e Três, no Uruguai, e de Nossa Senhora de Luján, na Argentina, além da coroação da Virgem Imaculada em Chiclayo, no Peru.

Confira a seguir o programa completo da viagem de Leão XIV. Os horários são sempre locais. Para o horário de Roma, é preciso subtrair quatro horas para obter o horário de Brasília. Uruguai e Argentina estão no mesmo fuso horário de Brasília e, para o Peru, é preciso somar duas horas para chegar ao horário de Brasília:

Uruguai

Sexta-feira, 6 de novembro

7h – Partida de avião do Aeroporto Internacional de Roma/Fiumicino com destino a Montevidéu

16h30 – Chegada ao Aeroporto Internacional de Montevidéu-Carrasco «General Cesáreo L. Berisso»

17h30 – Cerimônia de boas-vindas na “Plaza Independencia”.

17h45- Encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático.

18h15- Visita ao presidente da República no “Edifício José Artigas”.

19h10- Celebração das vésperas com os bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e seminaristas na catedral metropolitana da Imaculada Conceição e São Filipe e São Tiago.

Sábado, 7 de novembro

08h25- Partida de avião do Aeroporto Internacional de Montevidéu-Carrasco com destino a Paysandú.

09h10 -Chegada ao Aeroporto Internacional de Paysandú «Brigadier General Aviador Tydeo Larre Borges»

10h - Santa Missa no “Parque París Londres”.

12h45 - Partida de avião do Aeroporto Internacional de Paysandú rumo a Montevidéu.

13h30 - Chegada ao Aeroporto Internacional de Montevidéu-Carrasco.

17h - Encontro com a realidade social de Casavalle, na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe.

18h - Encontro com o mundo da educação na Universidade Católica do Uruguai.

19h- Vigília de oração no Estádio Centenário.

Uruguai - Argentina

Domingo, 8 de novembro

10h30 - Santa Missa na praça da Catedral Basílica de Florida, Santuário Nacional da Virgem dos Trinta e Três.

12h40 – Almoço com os bispos na casa de acolhimento “Jesús Buen Pastor”.

Leão XIV pede orações por sua primeira viagem à América do Sul

 


O Papa, junto com o sacerdote peruano Edgar Iván Rimaycuna e pelo prefeito da Casa Pontifícia, o arcebispo esloveno Peter Rajic, durante a Audiência Geral desta quarta-feira. Crédito: Daniel Ibañez/ E... ??
O Papa, junto com o sacerdote peruano Edgar Iván Rimaycuna e pelo prefeito da Casa Pontifícia, o arcebispo esloveno Peter Rajic, durante a Audiência Geral desta quarta-feira. Crédito: Daniel Ibañez/ EWTN News. 
 

“Depois de amanhã, darei início à viagem apostólica ao Uruguai, à Argentina e ao Peru. Peço que me acompanhem com as orações, para que o Senhor abençoe esta missão naqueles países que me são tão queridos"”, disse o papa Leão XIV nas saudações em italiano no final Audiência Geral de hoje (4). O papa visitará Uruguai, Argentina e Peru, de 6 a 17 de novembro.

O papa também mencionou duas beatificações que ocorrerão no próximo fim de semana.

“Em Antigua, na Guatemala, será beatificado Augusto Rafael Ramírez Monasterio, sacerdote da Ordem dos Frades Menores, assassinado por ódio à fé em 1983”, disse o papa.

Em Santander, Espanha, “serão beatificados Francisco González de Córdova, sacerdote diocesano, e 79 companheiros, sacerdotes, seminaristas e leigos que, durante a perseguição espanhola do século passado, não temeram derramar o seu sangue por amor a Cristo”, disse o papa.

Leão XIV disse que estas testemunhas da fé representam uma nova manifestação da santidade na Igreja: “Estes novos beatos tornam visível uma nova parte da imensa multidão dos amigos do Senhor”.

Um mártir franciscano na Guatemala

O sacerdote franciscano Augusto Rafael Ramírez Monasterio morreu no dia 7 de novembro de 1983, na Guatemala. Membro da Ordem dos Frades Menores, ele exerceu o seu ministério em um contexto marcado pela violência e pelas tensões pelas quais o país passava. A Igreja reconhece a sua morte como martírio in odium fide (por ódio à fé), ou seja, por ter sido morto em razão do seu testemunho cristão.

A sua beatificação será celebrada na histórica cidade de Antigua Guatemala, um dos principais centros da vida católica no país.

Oitenta mártires da perseguição religiosa na Espanha

Na Espanha, a cerimônia de beatificação ocorrerá na Catedral de Santander e incluirá um amplo grupo de vítimas da perseguição religiosa do século XX.

À frente da causa está o sacerdote diocesano Francisco González de Córdova, acompanhado por 79 mártires, entre sacerdotes, seminaristas e fiéis leigos.

Muitos deles foram assassinados durante os anos da Guerra Civil Espanhola por serem católicos ou por exercerem o ministério sacerdotal. Com esta cerimônia, a Igreja continua reconhecendo o testemunho daqueles que permaneceram fiéis a Cristo, mesmo às custas da própria vida.

Antes de conceder a sua bênção, o papa recordou a memória litúrgica de são Carlos Borromeu, arcebispo de Milão e uma das grandes figuras da reforma católica do século XVI. “Animado por um amor ardente ao Senhor, foi mestre e guia de seus irmãos. A exemplo dele, deixem-se conduzir por Cristo na vida de cada dia”, exortou.

Videomessaggio Leone XIV al convegno sui "Cento anni dalla consacrazione dei primi vescovi cinesi"


 

 

MENSAGEM VÍDEO DO PAPA LEÃO XIV
POR OCASIÃO DO CONGRESSO INTERNACIONAL ORGANIZADO PELO DICASTÉRIO PARA A EVANGELIZAÇÃO 
“O ROSTRO UNIVERSAL DA IGREJA NA CHINA. 100 ANOS DA CONSAGRAÇÃO DOS PRIMEIROS BISPOS CHINESES”

(5 de novembro de 2026)


Amados irmãos e irmãs!

Estou feliz por poder dirigir-me a todos vós, participantes no Congresso intitulado “O rosto universal da Igreja na China”. Ele é dedicado à história dos primeiros Bispos católicos chineses consagrados na época contemporânea, que receberam a Ordenação episcopal na Basílica de São Pedro das mãos do Papa Pio XI, há cem anos, no dia 28 de outubro de 1926.

A sua Consagração representou um acontecimento de grande relevância, não só para o percurso da Igreja católica na China, mas para a Igreja universal, como sugere o título do vosso Congresso.

Partiram de navio de Shangai para receber a Ordenação episcopal das mãos do Sucessor de Pedro, e poderíamos resumir os sentimentos que os animavam naquela viagem com as palavras de São João de Ávila: «Senhor, se me mandais fazer o que Vós fizestes, concedei-me o vosso Coração» (Sermão 57, 20).

Na sua viagem, vemos uma metáfora do longo caminho percorrido pela Igreja católica na China até àquele dia, fruto do grande ímpeto missionário próprio dos anos 20 do século passado.

Em 1919, com a Carta apostólica Maximum illud, o Papa Bento XV tinha reafirmado o princípio claro de que a obra missionária da Igreja não pode ser confundida com processos de colonização e exportação de ideias ou modelos culturais. Com efeito, a semente do Evangelho cresce onde é lançada, não através de estratégias humanas, mas pela graça de Deus. E a Igreja, que nasce da missão e do primeiro anúncio, tem o prazer de assumir os traços e as conotações das pessoas e dos povos junto dos quais é chamada a dar testemunho de Cristo na caridade.

Em 1924, no Concílio de Shangai — o primeiro Concílio geral da Igreja na China — manifestou-se a urgente necessidade de confiar rapidamente a direção das Comunidades e Circunscrições eclesiásticas a sacerdotes e Bispos chineses autóctones. Os próprios Bispos missionários, todos provenientes de outros países, fizeram-se promotores desse pedido sob a orientação clarividente do Delegado apostólico, o Arcebispo Celso Costantini. Era conveniente iniciar e promover tal processo, para permanecer fiéis à própria natureza da Igreja, cuja unidade não é uniformidade, mas comunhão na diversidade (cf. Francisco, Audiência geral, 25 de setembro de 2013, 3).

No Povo de Deus, a fé compartilhada abrange as diferenças, fazendo suas, sempre que possível, as caraterísticas dos indivíduos e dos povos, com grande visão, que reflete a forma de agir de Deus, que chama cada um com as suas peculiaridades. Assim, a Igreja vive no seio dos povos com amizade e simpatia pelas suas expetativas e boas aspirações. Já os Padres da Igreja o testemunhavam, constatando com alegria que a fé em Jesus e a obra do Espírito Santo tornam irmãos e irmãs pessoas pertencentes a diferentes culturas, línguas, civilizações e nações, às vezes distantes.

A este propósito, recentemente, referindo-me ao grande Bispo missionário São Toríbio de Mogrovejo, tive a ocasião de realçar que nenhum pastor na Igreja pode atribuir a si próprio a missão, mas recebe-a e exerce-a na comunhão, unido ao Sucessor de Pedro e a todos os outros Sucessores dos Apóstolos: os Bispos espalhados pelo mundo (cf. Carta aos Bispos da América Latina e do Caribe, por ocasião do III Centenário da Canonização de São Toríbio de Mogrovejo, 8 de setembro de 2026).

Nesta ótica, é comovente pensar nos nossos seis futuros Bispos, que vieram de Shangai até Roma para receber a Ordenação episcopal diante do túmulo do Apóstolo Pedro. Atravessaram o mundo para testemunhar a comunhão que brota da fé dos Apóstolos, cujo sinal irrenunciável é a unidade de cada Bispo com o Bispo de Roma.

É um sinal belo, gratuito e reconfortante, um vínculo libertador, uma proximidade que inspira confiança e sobretudo uma manifestação do mistério do Corpo místico de Cristo que, como escreveu São Paulo VI no Credo do Povo de Deus, «não possui outra vida a não ser a da graça». É nisto que reside a singularidade da Igreja em relação a todos os outros sistemas e organizações sociais e políticas, que moldam e regulam as sociedades e a convivência dos povos.

Na sua Carta aos católicos chineses (27 de maio de 2007), o Papa Bento XVI escreveu que «a Igreja católica na China, por uma graça especial do Espírito Santo, nunca ficou desprovida do ministério de Pastores legítimos, que conservaram intacta a sucessão apostólica» (n. 8).

A estas suas palavras seguiram-se as do Papa Francisco: «Os católicos chineses, em comunhão com o Bispo de Roma, caminham no tempo presente. No contexto em que vivem, dão testemunho da sua fé inclusive com obras de misericórdia e caridade e, no seu testemunho, oferecem uma contribuição real para a harmonia da convivência social, para a edificação da casa comum» (Mensagem vídeo aos participantes no Congresso internacional “100 anos do Concilium sinense: entre história e presente”, 21 de maio de 2024, 3).

Então, como muitas vezes acontece na longa história da Igreja, olhar para o passado pode iluminar o presente. Há cem anos, a viagem de seis homens, que da China se deslocavam a Roma para se tornar Bispos da Igreja católica, despertou a alegria e o orgulho em muitos dos seus compatriotas, relegando para o esquecimento desconfianças, suspeitas e hostilidades. Hoje, num mundo dilacerado por conflitos e assolado por guerras, a Esposa de Cristo continua a mesma missão, rezando para que, perante todas as insídias, o Senhor preserve o tesouro da comunhão eclesial, nascente fecunda de bondade e de paz para todos.

Caríssimos, desejo-vos bom trabalho e abençoo-vos de coração!

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L'Osservatore Romano

Ecclesia 5 nov 2026


 

Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 11h00 Missa, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima


 

Homilia Diária | Ouvir Jesus: a origem da mudança de vida (Quinta-feira da 31ª Sem. do Tempo Comum)


 

SANTO DO DIA - 05 DE NOVEMBRO: SANTOS ZACARIAS E ISABEL


 

Laudes de Quinta-feira da 31ª Semana do Tempo Comum


 

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 11h00 Missa, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima


 

Leão XIV pede para fazer bom uso das riquezas



Leão XIV dedica sua intenção de oração para o mês de novembro ao "bom uso das riquezas". Por meio da Rede Mundial de Oração do Papa, o Santo Padre convida os fiéis e as pessoas de boa vontade a rezar para recordar e aprofundar a ideia de que, "partilhando, construímos o futuro".

Vatican News

"Pelo bom uso das riquezas" é o tema da intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de novembro. Em sua oração, o Papa dirige-se ao "Senhor da vida" e reconhece que tudo o temos vem Dele: "A terra fértil, os talentos recebidos, o esforço de quem nos precedeu".

Ouça e compartilhe

“Nada é só nosso, tudo é dom partilhado. Mas, tantas vezes, Senhor, deixamos que a riqueza, desejada ou alcançada endureça o nosso coração, nos feche no egoísmo e nos faça esquecer os mais frágeis. Perdoa-nos por acumular em vez de partilhar, por usar os bens como poder e não como serviço.”

Perante essa realidade, o Papa recorda que "a verdadeira riqueza não está naquilo que guardamos, mas naquilo que entregamos com amor".

“Um coração desapegado transforma o mundo: abre caminhos de justiça, derruba muros de indiferença, semeia esperança entre os pobres.”

Leão XIV pede ao Espírito Santo que nos ensine a usar o dinheiro, o tempo, os talentos e as oportunidades como "instrumentos de fraternidade", para que "cada decisão econômica, familiar ou comunitária nasça de um coração livre, capaz de reconhecer que todo o bem é comum, e que só partilhando construímos o futuro".

A oração se conclui com o pedido para que sejamos testemunhas de "uma riqueza transformada em serviço e misericórdia", sinal do Reino de justiça e de paz.

Uma riqueza cada vez mais concentrada

A intenção de oração do Papa responde a uma realidade que está relacionada com a atualidade que vivemos. A riqueza financeira das famílias atingiu, em 2025, um recorde de 268,4 bilhões de euros, mais 8,6% do que no ano anterior, segundo o Relatório de Riqueza Global 2026 da Allianz. Ainda assim, a riqueza não chega a todos: nos países analisados, os 10% mais ricos da população detêm 85,4% dos ativos financeiros líquidos, enquanto a metade mais pobre, quase 3 bilhões de pessoas, praticamente não possui nada. 

Entretanto, o número de pessoas com grandes fortunas continua aumentando. Segundo o Relatório de Riqueza Global 2026 do UBS, 2025 registou quase um milhão de novos milionários em dólares, mais de 2.600 por dia, e desde 2020, a riqueza média tem-se afastado cada vez mais da mediana, ou seja, da riqueza de uma pessoa comum. Os ganhos, portanto, distribuem-se de forma desigual: a riqueza dos mais ricos cresce mais rapidamente do que a de uma pessoa comum.

A mensagem de Leão XIV para o X Dia Mundial dos Pobres

Leão XIV já tinha alertado para este paradoxo na sua primeira Exortação Apostólica, Dilexi te, sobre o amor para com os pobres: "Num mundo em que os pobres são cada vez mais numerosos", ressalta o Papa, também crescem "algumas elites ricas, que vivem numa bolha de condições muito confortáveis e luxuosas". O Papa adverte que esta situação alimenta uma cultura do descarte que tolera, "com indiferença que milhões de pessoas morram de fome ou sobrevivam em condições indignas do ser humano".

A intenção de oração para o mês de novembro percorre a Mensagem para o X Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado no próximo dia 15, sobre o lema "O Senhor é o refúgio do pobre". Na mensagem, o Papa contrapõe a obsessão de quantos acumulam riquezas apenas para si mesmos à perseverança de Deus, que abre o coração e acolhe, e propõe um exame de consciência que inclui perguntas incômodas: “Temos consciência da nossa pobreza e preferimo-la à riqueza injusta? Vamos ao encontro dos pobres, experimentando a sua marginalização? Escutamos os seus pensamentos e partilhamos as suas esperanças?”

Sobre a Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma Obra Pontifícia confiada à Companhia de Jesus. Está presente em mais de 90 países e reúne uma comunidade espiritual de mais de 22 milhões de pessoas que procuram viver cada dia a disponibilidade para colaborar na missão de Cristo. No centro desta missão estão as intenções mensais de oração do Papa, que convidam a centrar-se nos desafios da humanidade e na missão da Igreja.

Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração. Em dezembro de 2020, o Papa Francisco instituiu esta Obra Pontifícia como Fundação Vaticana e aprovou os seus estatutos definitivos em julho de 2024.


Audiência Geral, 4 de novembro de 2026 - Papa Leão XIV