Caminhando
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Canadá se tornou centro mundial da eutanásia com 100 mil mortos em dez anos
Por Daniel Payne
16 de jun de 2026 às 16:02
O programa de suicídio assistido adotado pelo governo do Canadá completa dez anos este mês. Desde seu lançamento, a morte assistida tornou-se uma das principais causas de morte no país.
Alex Schadenberg, diretor executivo da Coalizão para a Prevenção da Eutanásia, diz que há um lado sombrio nessa tendência: outros países estão cada vez mais relutantes em se envolver com o suicídio assistido.
“A única coisa boa sobre o Canadá é o efeito que o Canadá está tendo em outros países”, disse ele.
Medidas que regulamentam o suicídio assistido sofreram derrotas significativas em vários outros parlamentos nacionais nos últimos anos.
O procedimento continua sendo extremamente popular no Canadá.
Dados do governo mostram que o número de suicídios cresceu a uma taxa anual de cerca de 30% entre 2019 e 2022; diminuiu nos anos seguintes, embora tenha continuado crescendo, com um total de 16.499 canadenses que morreram por suicídio em 2024.
O governo do Canadá disse que a “grande maioria” das pessoas que morreram por suicídio assistido teve uma “morte razoavelmente previsível”, enquanto cerca de 4,5% das mortes das vítimas não atenderam a esse critério.
O governo disse que a taxa de crescimento decrescente "parece sugerir que o número de suicídios anuais está começando a se estabilizar", embora tenha ressaltado que as "tendências de longo prazo" só poderão ser identificadas depois de "mais alguns anos".
Dados indicam que o país tem o maior número de mortes por suicídio assistido do mundo.
Algumas restrições, expansões propostas
Em fevereiro de 2015, a Suprema Corte do Canadá decidiu que a proibição do suicídio assistido no país era ilegal. Essa decisão, tecnicamente, legalizou a prática no Canadá, embora o tribunal tenha adiado a implementação da decisão por um ano.
O suicídio assistido tornou-se totalmente disponível no país no verão seguinte, em 16 de junho de 2016. Em abril deste ano, o país aprovou oficialmente 100 mil procedimentos de MAID (Morte Assistida por Médico, na sigla em inglês).
David Cooke, gerente de campanhas do grupo pró-vida Campaign Life Coalition disse à EWTN News que o décimo aniversário do programa MAID é "um aniversário para lamentar".
“Com dez anos de homicídio médico legalizado, o Canadá tem o sangue de mais de 100 mil vítimas em suas mãos — sangue que clama a Deus por justiça”, disse ele. “O programa de eutanásia do Canadá está numa onda de assassinatos”.
Cooke disse que, embora o programa tenha sido divulgado como uma "resposta" ao "sofrimento humano", ele "desencadeou enorme sofrimento na sociedade canadense e nas famílias e amigos das vítimas".
“Até mesmo as próprias vítimas sofrem — por serem submetidas ao abandono médico e social, ao preconceito, por terem negado o acesso oportuno a tratamento e apoio que afirmam a vida, além de terem que enfrentar a experiência horrenda e indescritível de serem envenenadas até a morte”, disse ele.
O regime de eutanásia "destruiu completamente a integridade e o propósito de salvar vidas do nosso sistema de saúde, descartando canadenses doentes e deficientes como medida de redução de custos", disse Cooke.
Defensores dizem que o programa governamental tem mecanismos de segurança integrados, como a estipulação de que os pacientes devem ter pelo menos 18 anos de idade e sofrer de uma "condição médica grave e irremediável" antes de serem autorizados a participar.
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Entre as preocupações levantadas pelos defensores da vida está a pressão para estender o suicídio assistido àqueles que sofrem exclusivamente de doenças mentais. Essa expansão foi adiada para o ano que vem, embora o grupo Cardus Health tenha dito no ano passado que pacientes com doenças mentais estavam morrendo em taxas desproporcionalmente altas no país.
Um relatório de 2024 disse que, desde 2018, os "reguladores da eutanásia" em Ontário identificaram cerca de 400 "problemas de conformidade" com as leis sobre morte assistida — como falhas no processo de elegibilidade e gestão inadequada de relatórios — mas que nenhuma dessas violações foi processada.
Ao longo da última década, defensores católicos no país têm protestado regularmente contra o programa, inclusive em fevereiro, quando a Conferência Canadense de Bispos Católicos instou o governo a aprovar uma medida que proibisse o acesso de cidadãos ao MAID (Morte Assistida por Médico) caso sua única condição seja uma doença mental.
Schadenberg disse que a Coalizão para a Prevenção da Eutanásia atua no combate aos esforços para expandir a Morte Assistida por Médico (MAID, na sigla em inglês), inclusive no caso de Claire Brosseau, atriz canadense que está processando para ter acesso à eutanásia devido a uma doença mental crônica.
Brosseau disse que sofre de "um tipo grave de transtorno bipolar tipo I e transtorno de estresse pós-traumático, entre outros transtornos mentais" e que as leis de MAID (morte assistida por médico) do país "discriminam" indivíduos como ela.
Mas, preocupações sobre permitir que pacientes com doenças mentais tenham acesso ao suicídio assistido são tão prevalentes que, no ano passado, o Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência instou o Canadá a interromper a expansão planejada do suicídio assistido para aqueles que sofrem exclusivamente de problemas de saúde mental.
Cooke disse que tal plano permitiria a eutanásia para aqueles que lutam contra depressão, dependência química, autismo, esquizofrenia, distúrbios alimentares e "uma infinidade de outras dificuldades que prejudicam o pensamento e o julgamento".
“Oferecer eutanásia a quem não está em seu juízo perfeito é um horror que remete ao programa nazista T4”, disse ele. “Essas almas feridas seriam melhor atendidas por meio de aconselhamento, terapia e medicação — não por assassinato”.
Schadenberg destacou as propostas de salvaguardas para a eutanásia em Alberta, que são modestamente encorajadoras e ofereceriam proteção a cidadãos menores de idade e àqueles que sofrem de doenças mentais. Ele disse que as propostas são "restrições menores", mas as descreveu como "resultados positivos em comparação com o resto do Canadá".
Cooke também citou as salvaguardas de Alberta, que abrangem a afirmação do direito dos pacientes de não receber cuidados de médicos que praticam eutanásia e a defesa do direito dos próprios médicos de não matar seus pacientes.
Médicos e outros profissionais de saúde em Alberta estão agora proibidos de propor a eutanásia como opção médica, sendo obrigados a esperar que o paciente a mencione.
Embora a adesão ao suicídio assistido continue alta no Canadá, Schadenberg disse que a taxa descontrolada de suicídios no país estava provocando reações contrárias em outros países.
“A Escócia rejeitou seu projeto de lei sobre suicídio assistido, o projeto de lei do Reino Unido foi rejeitado na Câmara dos Lordes, [e] a Eslovênia revogou sua lei sobre suicídio assistido”, disse ele, dizendo que “tudo isso está relacionado à loucura que o Canadá alcançou”.
Cooke disse que a Campaign Life Coalition está incentivando outras províncias a desenvolverem suas próprias salvaguardas, e aumenta a conscientização sobre "os horrores da eutanásia" por meio de lobby e manifestações públicas.
Schadenberg disse ao programa “EWTN Pro-Life Weekly” em março que a luta contra a eutanásia no Canadá é “uma situação de longo prazo na qual precisamos estar envolvidos”.
“A maioria das pessoas morre por eutanásia não porque esteja sentindo dores extremas... Geralmente é porque sentem que suas vidas não têm sentido, propósito ou valor”, disse ele.
“O mais importante que podemos fazer é reconhecer a importância de cuidar das pessoas, de estar com as pessoas”, disse Schadenberg.
Ele pediu aos defensores que garantam que “os familiares [e] os amigos... quando estiverem passando por uma doença, não se sintam sozinhos, não se sintam solitários, não sintam que suas vidas carecem de significado ou propósito, e que alguém realmente se importe com eles”.
June 17 2026, General Audience - Pope Leo XIV , A Viagem Apostólica à Espanha
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Catequese. A Viagem Apostólica à Espanha
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje desejo propor algumas reflexões sobre a Viagem Apostólica que na semana passada realizei à Espanha, visitando Madrid, Barcelona, a Abadia de Montserrat e as Ilhas Canárias.
Após a longa viagem a quatro países africanos, desta vez encontrei-me imerso num país europeu de antiga e riquíssima tradição católica. E ficou evidente que, na Espanha de hoje, que passou por notáveis mudanças sociais e culturais, o Papa foi acolhido em toda a parte com entusiasmo e abertura à escuta. Por isto dou graças a Deus e a todo o povo espanhol, ao Rei e às Autoridades civis, aos Bispos e às Comunidades eclesiais.
O povo de Deus confortou-me muito com a manifestação festiva da sua fé e carinho. Por minha vez, confirmei os fiéis e, como Bispo de Roma, encorajei-os a superar todas as formas de divisão e de oposição, cultivando sempre a comunhão, o diálogo, a unidade na diversidade. Este é o serviço próprio do Sucessor de Pedro, serviço que nas viagens apostólicas encontra uma expressão específica, sempre adaptada às situações eclesiais e sociais dos países visitados.
No caso da Espanha, pude constatar com alegria como o povo, de todas as idades e condições, aguardava a visita do Papa: em toda a parte encontrei multidões que me receberam com grande afeto. Isto não era dado por certo e merece uma reflexão. Naturalmente, tal participação expressa em primeiro lugar, como eu dizia, a fé do povo espanhol; ao mesmo tempo, acho que manifesta a necessidade generalizada de se unir sobre um alicerce verdadeiro e profundo, que não seja ideológico nem de interesse parcial. Aquele fundamento que, em última análise, só Cristo pode garantir e que o Evangelho, através das necessárias “inculturações”, pode transmitir na vida dos povos. Pode fazê-lo porque a sua mensagem responde plenamente a ambas estas exigências: a busca da verdade e a sede de justiça.
Em Madrid e Barcelona, reunimo-nos nas grandes Catedrais, assim como nos estádios ultramodernos. Recitamos o santo Rosário na Abadia de Montserrat. Pudemos celebrar na Sagrada Família, símbolo majestoso, sinfonia de pedra e luz que fala a todos do mistério cristão. Este encontro de antigo e moderno, de tradição católica e cultura contemporânea, fez-me sentir pessoalmente a índole própria da Europa, a sua riqueza inestimável, como realidade atual, não ultrapassada. Trata-se de uma herança a preservar com cuidado, para a poder investir no presente global com os seus desafios epocais: a paz, a ecologia integral, o desenvolvimento equitativo e sustentável, o respeito pela dignidade humana. São desafios que já o Concílio Vaticano II tinha reconhecido claramente e que o Magistério sucessivo voltou a abordar, até à minha recente Encíclica Magnifica humanitas, que visa tutelar a pessoa humana na era da inteligência artificial.
Ao longo dos vários encontros, senti a necessidade de ouvir na voz do Papa o Evangelho da esperança para a nossa humanidade de hoje, duramente provada pelas consequências negativas de um modelo de desenvolvimento enganador. Esta necessidade, manifestada nos numerosos testemunhos que pude ouvir — testemunhos às vezes comoventes, por vezes edificantes — reconheci-a também e sobretudo no rosto das crianças e dos pobres que encontrei: do menino que, na paróquia, me leu a sua carta; de algumas vítimas de abuso, que pedem para ser ouvidas; dos presos que me esperavam na cadeia; dos jovens cheios de inquietude e de projetos; dos migrantes nos centros de primeiro acolhimento nas Ilhas Canárias.
Foi precisamente lá, nas Ilhas Canárias, última etapa do nosso itinerário, que me ofereceram uma chave de leitura global. Ela foi-me oferecida, por um lado, pela própria posição geográfica daquele arquipélago; e, por outro, pela realidade de uma Igreja local que acolhe um grande número de migrantes forçados, provenientes principalmente da África. Sabemos que o fenómeno migratório é complexo e exige planos de ação orgânicos e concertados. Mas esta chave de leitura abre uma perspetiva diferente e mais ampla: faz-nos compreender que somos chamados a reler o Evangelho no mundo de hoje, intercambiando os dons das nossas respetivas culturas e, em particular, os frutos nelas produzidos pela fecundidade da mensagem de Cristo. E um destes frutos é precisamente o diálogo entre as pessoas e entre os povos, o encontro em espírito de fraternidade, que permite descobrir e apreciar reciprocamente os valores dos quais o outro é portador. Este percurso não é fácil, exige boa vontade e a ajuda de Deus, mas é o caminho que leva à civilização do amor.
Caros irmãos e irmãs, o lema desta Viagem Apostólica foi “Alzad la mirada”, “Elevai o olhar!” (cf. Jo 4, 35). São palavras de Jesus, dirigidas aos seus primeiros discípulos, para lhes ensinar a ver nas pessoas e nas multidões o desejo de vida, verdade, plenitude. É a mim, em primeiro lugar, que o Senhor repete essas palavras e, com a sua graça, experimentei-as inclusive durante a Viagem. Hoje gostaria de partilhar convosco este convite: elevemos o olhar! Aprendamos com Jesus a fitar o próximo, as pessoas, o mundo “com o olhar de Deus”, isto é, com amor, respeito e compaixão.
Para concluir, quero agradecer a todos aqueles que rezaram pelo bom êxito desta Viagem Apostólica, de modo especial às comunidades de monjas contemplativas, que na Espanha, graças a Deus, são deveras numerosas. Continuai a rezar para que, pela intercessão da Virgem Maria, as sementes que espalhei deem frutos abundantes. Obrigado!
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Saudações:
Tenho a alegria de dar as boas-vindas aos peregrinos de língua portuguesa, especialmente ao grupo de sacerdotes vindos de Portugal e à família marista proveniente do Brasil. Queridos irmãos e queridas irmãs, o Senhor Jesus pede-nos que levantemos os olhos e observemos a humanidade com o seu olhar compassivo, transformando cada lugar com a esperança e a caridade. Que Deus vos abençoe!
APELO
É com satisfação que acolho a conclusão de um acordo entre a República Islâmica do Irão e os Estados Unidos da América, que será assinado na sexta-feira, como resultado encorajador de um paciente trabalho de diálogo e negociação. Manifesto gratidão aos países que se esforçaram por fomentar o encontro entre as Partes e por tornar possível este entendimento. Espero que este acordo possa contribuir para fortalecer a confiança mútua, a segurança e a estabilidade no Médio Oriente, promovendo percursos de diálogo e cooperação entre os povos.
Por outro lado, chegam notícias dolorosas sobre a guerra na Ucrânia, que continua a alastrar-se: tantas vítimas inocentes, socorristas mortos, igrejas e lugares do acervo cultural devastados pelas chamas. Estou próximo de quantos choram os seus entes queridos, dos feridos e daqueles que, no meio da violência, continuam a servir a vida com coragem. Convido todos a rezar para que esta guerra termine. Peçamos ao Senhor que abra caminhos de diálogo, apague o ódio e torne possível uma paz justa e duradoura.
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Resumo da catequese do Santo Padre:
Desejo partilhar hoje algumas reflexões sobre os dias que passei em Espanha. Antes de mais, marcaram-me o entusiasmo e o afeto com os quais o povo espanhol me acolheu, mostrando abertura para escutar a mensagem de diálogo e unidade que lhes anunciava. Pude constatar a festiva manifestação de fé do povo de Deus e isso alegrou-me profundamente: fez-me a pensar que todos precisamos de nos encontrar unidos sobre um sólido fundamento, ou seja, a verdade e a justiça de Cristo. Desde Madrid a Barcelona, desde a Abadia de Montserrat às Ilhas Canárias apercebi-me da necessidade difusa de escutar o Evangelho da esperança, que nos pede para levantarmos os olhos e vermos tudo com o respeito e o amor de Jesus.
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Papa defende jornalismo rigoroso contra ‘droga das fake news’ e polarizações artificiais
Por Victoria Cardiel
16 de jun de 2026 às 11:52
O papa Leão XIV defendeu, em mensagem ao jornal italiano L'Adige, por ocasião do 80º aniversário do jornal, celebrado hoje (16), a importância do jornalismo rigoroso contra "o vício das fake news" e as "polarizações artificiais".
Em sua mensagem ao jornal, o papa exortou os jornalistas a “proteger vozes e rostos, cultivarem a seriedade de cada crônica e de cada análise, e preservar a beleza das culturas e dos territórios”.
Ele exortou as pessoas a "fortalecer as comunidades na verdade que nos une a todos, a governar a tecnologia sem se render à retórica de um único modo de pensar, a respeitar as diversas opiniões".
“Neste momento de grandes mudanças que estamos atravessando, desejo que o seu jornal seja sempre um instrumento da verdade, um guardião da história e da memória, uma fonte de conhecimento e um fermento da humanidade”, escreve o papa, que apela para que se enfrente o desafio da informação com “qualidade”.
Em sua carta, Leão XIV fala sobre as origens do L’Adige e a figura de seu fundador, Flaminio Piccoli, que escolheu para o jornal o nome do rio que atravessa Trento, onde é publicado.
“A água corrente é de fato um símbolo de regeneração contínua, possível só se bebermos de uma fonte pura”, diz o papa. “Que metáfora mais bela poderia haver para o bom jornalismo? Ser água que sacia profundamente a sede de conhecimento de pessoas de diferentes gerações; nutrir as consciências com notícias e não com fofocas; oferecer uma interpretação correta e transparente da realidade; unir, nos bons e nos maus momentos, a comunidade na qual se está enraizado, protegendo sua história e sua memória”.
Leão XIV destacou a contribuição do pensamento cristão para o desenvolvimento do jornalismo e a defesa da liberdade de expressão: “Suas raízes testemunham a riqueza do pensamento cristão como fermento do jornalismo, não só católico, mas também como baluarte da liberdade de expressão”.
Por fim, o papa citou Alcide De Gasperi, que, segundo ele, antes de se tornar um protagonista político na reconstrução democrática da Itália pós-fascismo, “foi editor e depois diretor do jornal La Voce Cattolica de Trento e depois fundador do jornal Il Trentino”.
Cuidar da criação é uma exigência da fé, diz o papa
16 de jun de 2026 às 12:00
O papa Leão XIV disse que “aqueles que acreditam que nosso mundo foi criado por Deus e que é intrinsecamente bom são chamados a assumir uma responsabilidade ainda maior no cuidado com a criação, pois essa é uma exigência da própria fé”.
Numa mensagem em vídeo dirigida aos participantes da X Cúpula Mundial na Áustria — um evento internacional anual sobre clima, sustentabilidade e meio ambiente que acontece hoje (16) em Viena, capital do país, — o papa disse que “a Igreja sempre esteve consciente” da dimensão moral da ecologia.
À luz das virtudes teológicas, o papa convidou à reflexão sobre as questões das alterações climáticas e da proteção ambiental a partir de uma dimensão religiosa, "essencial para abordar adequadamente esses desafios".
Para Leão XIV, “a fé reforça o desejo comum de proteger a vida e cuidar da natureza”. Segundo o papa, a crise climática é uma manifestação mais ampla da crise socioeconômica e é preciso dar especial atenção aos mais pobres.
“Apesar dos pessimistas ou dos cínicos, a esperança pode ser uma poderosa força motriz”, disse o papa.
Segundo ele os países mais ricos devem "apoiar financeiramente os países mais pobres".
"Uma nova estrutura financeira internacional centrada nas pessoas" é necessária, segundo o papa.
O papa Leão XIV convidou ao cultivo de uma “cultura autêntica de cuidado” com o meio ambiente, que abrange o que o papa Francisco definiu como “amor cívico e político”, ao qual Leão XIV se referiu como “a chave para o desenvolvimento autêntico”.
Concluindo, o papa Leão XIV disse esperança de que os participantes da cúpula promovam essa cultura do cuidado “e assim contribuam para a civilização do amor”, buscando soluções eficazes “para proteger o maravilhoso dom da criação”.
(acidigital)
Hoje é celebrado santo Alberto Chmielowski, que inspirou a vocação de são João Paulo II
Santo Alberto ChmielowskiPor Redação central
17 de jun de 2026 às 00:01
Santo Alberto Chmielowski foi um pintor de profissão e religioso polonês que inspirou a vocação do papa são João Paulo II. Também fundou os “irmãos” e “irmãs” da Ordem Terceira de São Francisco, Servos dos Pobres.
O santo nasceu em uma pequena cidade do reino da Polônia (parte do império russo), em 20 de agosto de 1845. Sua família era nobre. Cresceu em um clima de ideais patrióticos e amor pelos pobres.
“Aos 17 anos (1863), ainda estudante na escola agrícola, participou na luta insurrecional para libertar a sua pátria do jugo estrangeiro e nessa luta sofreu a mutilação da perna. Buscou o significado de sua vocação através da atividade artística, deixando obras que ainda hoje impressionam por uma particular capacidade expressiva”, disse São João Paulo II durante a missa de canonização deste santo.
Em 1874, sendo já um artista maduro, decidiu dedicar "a arte, o talento e suas aspirações à glória de Deus". Assim, os temas religiosos passaram a predominar em suas atividades artísticas.
Uma de suas melhores pinturas, "Ecce Homo", foi o resultado de uma profunda experiência do amor misericordioso de Cristo pelo homem, experiência que conduziu Chmielowski à sua transformação espiritual.
Anos depois, decidiu renunciar à arte e dedicar sua vida ao serviço dos marginalizados. Em 1888, pronunciou os votos religiosos na congregação dos Irmãos da Ordem Terceira de São Francisco.
Alberto organizou asilos para os pobres, casas para os mutilados e incuráveis, enviou as irmãs de sua congregação para trabalhar em hospitais militares, fundou refeitórios públicos para os pobres e orfanatos para crianças e jovens desabrigados.
Graças ao seu espírito empreendedor, quando morreu, deixou fundadas 21 casas religiosas nas quais prestavam seus trabalhos 40 irmãos e 120 religiosos.
O santo morreu de câncer no estômago em 1916, em Cracóvia, no asilo por ele fundado. Foi beatificado em Cracóvia, em 22 de junho de 1983, pelo papa João Paulo II, que também o canonizou em 12 de novembro de 1989, em Roma.
terça-feira, 16 de junho de 2026
A Igreja ‘é chamada a ser pobre e refúgio para os pobres’, diz Leão XIV
Papa Leão XIV almoçou com mais
de 1,3 mil pessoas em situação de pobreza e exclusão no Dia Mundial dos
Pobres 2025 | Daniel Ibañez/ EWTN NewsPor David Ramos
14 de jun de 2026 às 10:10
Em sua mensagem para o X Dia Mundial dos Pobres, que será celebrada em 15 de novembro de 2026, o papa Leão XIV disse que “a Igreja, pela sua própria natureza, é chamada a ser pobre e refúgio para os pobres”.
A mensagem, divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé hoje (14), tem como título “O Senhor é o refúgio do pobre”, tirado do Salmo 14,6. “As palavras do salmista sugerem o caminho que somos chamados a percorrer na perspectiva do X Dia Mundial dos Pobres”, disse o papa. Ele destacou que, “mais uma vez, é necessário recorrer à Palavra de Deus para compreender a importância que os pobres têm na vida da Igreja”.
O Dia Mundial dos Pobres foi instituída pelo papa Francisco em 20 de novembro de 2016, ao concluir o Jubileu da Misericórdia. Naquele dia, em sua carta apostólica Misericordia et misera, Francisco disse que essa data deve ser celebrada em toda a Igreja no XXXIII Domingo do Tempo Comum.
“Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia”, disse Francisco, referindo-se à solenidade que será celebrada em 2026, no domingo, 22 de novembro, e com a qual se encerra o Ano Litúrgico da Igreja.
‘Uma injustiça social que brota de uma corrupção arrogante’
Em sua mensagem, Leão XIV alerta que “nota-se, infelizmente, como também nos nossos dias é difundida uma injustiça social que brota duma corrupção arrogante, tão deplorável quanto discriminatória”.
“A perda do sentido de transcendência na vida quotidiana já não é tanto uma negação teórica da existência de Deus; antes, manifesta-se em não considerar a sua bondade e misericórdia na construção da justiça pessoal e social”, disse.
O papa afirmou que “os primeiros a sofrer suas consequências são os pobres”, cujo número, advertiu, “não por acaso, está a aumentar em muitas sociedades”.
Leão XIV lamentou que “a ausência de Deus faz com que as pessoas já não se coloquem umas ao lado das outras, num clima de respeito mútuo, mas sim umas acima das outras, num clima de domínio e opressão”.
O ambiente digital aumenta a indiferença para com os pobres
Depois alertar que “o clamor dos pobres por justiça é hoje abafado por múltiplas técnicas, cada vez mais dissimuladas”, Leão XIV denunciou que “o ambiente digital radicaliza o preconceito contra eles e aumenta a cortina de indiferença que envolve as suas causas”.
“Ao pobre não resta senão clamar por Deus e fazer chegar até Ele o seu lamento, com a certeza de ser ouvido, porque Deus é fiel e rico em misericórdia”, disse. O papa destacou que “os oprimidos, humilhados e indefesos crescem também hoje na certeza de que devem entregar-se a Deus, cheios de confiança e expectativa”.
“Nesta entrega total, renasce o sentido da própria dignidade, reconhecem-se irmãs e irmãos com quem organizar os próprios sonhos, a esperança torna-se silenciosamente realidade. Refugiar-se em Deus equivale a encontrar a proteção verdadeira e segura, aquela que os poderosos não podem garantir e preferem negar”, disse ele.
O papa destacou que o pobre “sabe reconhecer melhor do que os outros o essencial, porque vive do essencial”. “emelhante a Cristo mais do que qualquer outro, reconhece Deus como seu refúgio, mesmo quando as circunstâncias parecem contradizê-lo, e está cheio de esperança na justiça divina, que não tardará a manifestar-se”.
Chamados ‘a sermos refúgio para os pobres’
Leão XIV disse que, “em Cristo, portanto, também nós somos chamados a tornarmo-nos pobres e a sermos refúgio para os pobres”.
“A comunidade cristã não pode permanecer insensível perante tantos que hoje se encontram à porta e permanecem invisíveis para aqueles que estão fechados entre as suas próprias paredes”, disse e destacou que “a Igreja, pela sua própria natureza, é chamada a ser pobre e refúgio para os pobres”.
“Surgem inevitavelmente algumas perguntas que, neste X Dia Mundial dos Pobres, precisamos urgentemente de fazer ressoar na nossa mente e no nosso coração”, disse o papa. “Somos sinal de um Deus que é refúgio para os pobres? Temos consciência da nossa pobreza e preferimo-la à riqueza injusta? Chegamos onde se encontram os pobres, experimentando a sua marginalidade? Ouvimos os seus pensamentos e partilhamos as suas expectativas? Pronunciamos os seus nomes com ternura divina? A nossa caridade reaviva e sustenta neles o desejo de justiça e redenção?”.
“Estas e muitas outras questões obrigam-nos a um sério exame de consciência, para verificar o quanto ainda somos chamados a ser em favor dos pobres e da sua libertação”, disse.
Leão XIV recordou “o oitavo centenário da morte de são Francisco de Assis” que, segundo ele, “convida-nos a recordar como, ao chegar a Roma em peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro, ele se compadeceu dos mendigos”. “Queremos testemunhar que é possível, também hoje, experimentar a mesma alegria ao colocar-se no lugar dos pobres e ao ouvi-los, em vez de apenas falar sobre eles”, disse o papa.
“Quem tem Deus como refúgio é livre para fazer escolhas proféticas, que testemunham como tudo pode ser repensado a partir de baixo, na humildade e na fraternidade que, por si sós, curam um mundo ferido pela prepotência”, disse.
Leão XIV recebe Igreja Siro-Malancar e pede que preserve identidade na Europa e nos EUA
15 de jun de 2026 às 14:51
O papa Leão XIV recebeu hoje (15) uma delegação da Igreja Siro-Malancar para o primeiro congresso entre clérigos e fiéis da denominação indiana que vivem na Europa, pedindo-lhes que valorizem e promovam a sua identidade, especialmente no contexto da diáspora na Europa e nos EUA.
A origem dessa Igreja está na tradição cristã da Índia, especialmente no Estado de Kerala, ligada a cristãos que foram evangelizados pelo apóstolo são Tomé no século I.
Depois de saudar os bispos presentes e destacar a renovação espiritual dessa Igreja, o papa disse que a Igreja Siro-Malancar é “um farol de energia evangélica e caridade apostólica”, que tem levado “justiça social, educação e desenvolvimento humano integral àqueles que vivem à margem da sociedade”.
Ele disse também que essa Igreja começou a crescer rapidamente para além das fronteiras étnicas ou linguísticas, inicialmente em Tamil Nadu, como resultado do trabalho de evangelização em 1934.
O papa enfatizou a necessidade de um "compromisso urgente" com a preservação e promoção "dos tesouros inestimáveis incorporados por todas as Igrejas Orientais", especialmente na crescente diáspora.
Leão XIV falou também sobre a presença desses fiéis nos EUA, assim como Bento XVI e Francisco.
Seguindo essa linha de raciocínio, ele dirigiu-se particularmente ao bispo Kuriakose Mar Osthathios, recentemente nomeado pelo papa Leão XIV como visitador apostólico para fiéis siro-malancares que vivem na Europa.
Segundo o papa, a responsabilidade do visitador apostólico é “avaliar a situação atual da pastoral com vista a formular propostas aos bispos locais e à Santa Sé para o bem espiritual dos fiéis”.
Ele disse também que pediu ao Dicastério para as Igrejas Orientais que o ajude a "avaliar as melhores maneiras de lançar bases sólidas e duradouras" para que as futuras gerações de fiéis siro-malancares possam continuar a aprofundar sua amizade com o Senhor Jesus por meio de suas próprias tradições, contribuindo assim para o bem de toda a Igreja Católica.
Sobre isso, Leão XIV pediu-lhes para difundir “a preciosa identidade da Igreja Siro-Malancar”, participando na sua vida eclesial “e vivendo plenamente a sua herança única, conscientes da sua grande dignidade”.
Sabendo que os cristãos de são Tomé, na Índia — uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo — “gozam de uma reputação bem merecida por suas famílias profundamente crentes, das quais surgem inúmeras vocações para o sacerdócio e a vida religiosa”, Leão XIV rezou para que uma fé firme “continue a florescendo em seus lares e em seus corações, especialmente nos dos jovens”.
(acidigital)
Católicos e judeus devem trabalhar juntos para combater o antissemitismo, diz Leão XIV
Por Ishmael Adibuah
15 de jun de 2026 às 14:57
O papa Leão XIV falou hoje (15) sobre a herança comum de judeus e católicos, dizendo que eles devem estar unidos contra o antissemitismo e no serviço aos necessitados.
Em discurso no Vaticano para representantes da United Jewish Appeal-Federation de Nova York, o papa elogiou a organização como “um instrumento de filantropia judaica global, que fornece ajuda humanitária essencial e serviços sociais a populações vulneráveis”. Ele também traçou paralelos entre o trabalho da organização e o compromisso da Igreja com o desenvolvimento humano.
“Esses esforços refletem um claro reconhecimento da dignidade humana e da fraternidade, em sintonia com o compromisso da Igreja em favor do desenvolvimento humano integral e com o chamado a amar o próximo”, disse Leão XIV em seu discurso.
O papa falou também sobre o progresso do diálogo católico-judaico desde a publicação, em 1965, da declaração Nostra aetate, do Concílio Vaticano II sobre a Igreja e as religiões não-cristãs. Reafirmando a posição da Igreja contra o antissemitismo, Leão XIV falou sobre a necessidade de católicos e judeus trabalharem juntos para combater todos os tipos de discriminação.
“A Nostra aetate afirmou, entre outras coisas, a verdade de que pertencemos a uma só família humana”, disse Leão XIV. “Reconhecendo a dignidade inerente de todos os homens e de todas as mulheres, a Nostra aetate assumia uma posição firme contra o antissemitismo e declarava que a Igreja reprova toda forma de discriminação ou de perseguição perpetrada por motivos de raça, cor, condição social e religião. Em um mundo ainda marcado pela divisão e pelo conflito, ela nos convidava a superar os mal-entendidos do passado em direção à colaboração pelo bem comum”.