quarta-feira, 22 de abril de 2026

El Papa León XIV improvisa un emocionante mensaje en Mogombo, Guinea Ecuatorial | 22 de abril 2026


 

O TRUQUE para desenhar 2 passarinhos


 

Papa Leão com toda coragem e franqueza!


 

Guiné Equatorial, Mongomo, Santa Missa, 22 de abril de 2026 – Papa Leão XIV


 

Cidade de Deus não é política, diz Leão XIV na Guiné Equatorial

 


Papa Leão XIV discursa na Guiné Equatorial em 21 de abril de 2026 ??
Papa Leão XIV discursa hoje (21) na Guiné Equatorial. | Vatican Media
 

O papa Leão XIV exortou as autoridades da Guiné Equatorial a priorizarem questões fundamentais que afetam a vida social e política dos fiéis no país da África Central, dizendo que o Céu não é político.

Em seu encontro hoje (21) com autoridades, membros da sociedade civil e do corpo diplomático no palácio presidencial da Guiné Equatorial, o papa Leão XIV falou sobre o modelo de santo Agostinho da “Cidade de Deus” e da “cidade terrena”.

O papa condenou a busca por riquezas injustas e domínio político. Ele disse que os cristãos não são estranhos à vida política, mas são chamados, guiados pelas Escrituras, a contribuir construtivamente para o bem comum, mantendo o olhar fixo na cidade celestial.

“A Cidade de Deus não propõe um programa político, mas fornece reflexões valiosas sobre questões fundamentais da vida social e política»”, disse o papa no primeiro dia de sua visita ao país, que vai até depois de amanhã (23).

“Hoje, a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar as coisas novas que desestabilizam o planeta e a convivência humana, buscando, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça”, disse Leão XIV.

Para o papa, a dimensão fundamental da missão da Igreja é “contribuir para a formação das consciências, através do anúncio do Evangelho, da oferta de critérios morais e de princípios éticos autênticos, no respeito pela liberdade de cada indivíduo e pela autonomia dos povos e seus governos”.

O papa Leão XIV disse que a doutrina social da Igreja visa ajudar as pessoas a enfrentar as realidades em constante mudança, dizendo que ela “tem como objetivo final educar para enfrentar os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova, com renovados desafios, sonhos e interrogações”.

Falando sobre os desafios contemporâneos, ele disse que o mundo de hoje se depara com questões que “abalam os alicerces da experiência humana”.

Ele falou também sobre a encíclica Rerum novarum, de 1891, do papa Leão XIII, sobre o capital e o trabalho, e disse: “A exclusão é a nova face da injustiça social. O fosso entre uma pequena minoria – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática”.

Leão XIV disse que “a falta de terra, comida, casa e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados”.

Ele disse que “é dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral”, fundamentado na solidariedade e na destinação universal dos bens.

“Senhor Presidente, Senhoras e Senhores, caminhemos juntos, com sabedoria e esperança, rumo à Cidade de Deus, que é a cidade da paz”, disse o papa Leão XIV.

Ainda hoje (21), o papa se reunirá com acadêmicos e artistas num encontro com representantes do mundo da cultura no Campus Leão XIV da Universidade Nacional. O dia também terá uma visita pastoral a pacientes e funcionários do hospital psiquiátrico Jean Pierre Olie.

Amanhã (22), o papa vai a Mongomo para celebrar a missa na basílica da Imaculada Conceição antes de visitar a Escola de Tecnologia Papa Francisco.

Depois, ele vai para Bata, onde visita uma prisão, reza num memorial dedicado às vítimas da explosão de 7 de março de 2021, que atingiu a cidade, e se encontra com jovens e famílias no estádio de Bata.

A viagem apostólica à África será concluída na próxima quinta-feira, com uma missa final celebrada pelo papa no estádio de Malabo.

Depois da cerimônia de despedida no aeroporto internacional de Malabo, o papa partirá para Roma, Itália, chegando no fim da tarde ao aeroporto internacional de Fiumicino, na capital italiana.

(acidigital) 

Leão XIV agradece e elogia profissionais de hospital da Guiné Equatorial

 


Papa Leão XIV em Guiné Equatorial em 21 de abril de 2026 ??
Papa Leão XIV hoje (21) em Guiné Equatorial. | Vatican Media
 

O papa Leão XIV agradeceu hoje (21) os profissionais de saúde, e elogiou a dedicação deles ao cuidado de pacientes.

Em seu discurso hoje no hospital psiquiátrico Jean Pierre Olie, na Guiné Equatorial, o papa agradeceu a recepção na instituição e falou sobre a tristeza associada à doença e as dificuldades enfrentadas por pacientes e suas famílias.

“Sou profundamente grato pela calorosa recepção, assim como pelos cânticos e danças”, disse Leão XIV. “Obrigado! Sempre que visito um hospital, tenho sentimentos contraditórios. Por um lado, sinto tristeza pelos pacientes e suas famílias”.

“Admiro e me sinto confortado por tudo o que é feito ali todos os dias para servir à vida humana”, disse ele. “Sinto o mesmo aqui, mas hoje, constato, e espero que o mesmo aconteça com vocês, que a alegria prevalece. É a alegria de nos reunirmos em nome do Senhor e cuidarmos daqueles que têm saúde frágil”.

Citando as palavras do diretor do hospital, o papa falou sobre a importância da compaixão na sociedade, dizendo: “Uma sociedade verdadeiramente grandiosa não é aquela que esconde as suas fraquezas, mas sim aquela que as envolve com amor”.

“Sim, isso é verdade”, disse ele. “Esse é um princípio de uma civilização com raízes cristãs, pois no curso da história da humanidade Cristo veio para redimir e restaurar à plena dignidade aqueles que sofrem com o estigma da deficiência”.

A viagem apostólica de 11 dias do Papa Leão XIV pela África será concluída na Guiné Equatorial na próxima quinta-feira (23). O papa teve hoje uma cerimônia oficial de boas-vindas ao país antes de se encontrar com o presidente da Guiné Equatorial e com líderes políticos, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático.

Amanhã (22), o papa vai a Mongomo para celebrar a missa na basílica da Imaculada Conceição antes de visitar a Escola de Tecnologia Papa Francisco.

Depois, ele vai para Bata, onde visita uma prisão, reza num memorial dedicado às vítimas da explosão de 7 de março de 2021, que atingiu a cidade, e se encontra com jovens e famílias no estádio de Bata.

A viagem apostólica à África será concluída na próxima quinta-feira, com uma missa final celebrada pelo papa no estádio de Malabo.

Depois da cerimônia de despedida no aeroporto internacional de Malabo, o papa partirá para Roma, Itália, chegando no fim da tarde ao aeroporto internacional de Fiumicino, na capital italiana.


Homilia Diária | Contemplar o Filho e nele crer (Quarta-feira da 3ª Semana da Páscoa - 22/04/26)


 

Hoje é celebrado santo Anselmo de Cantuária, doutor da Igreja

 


Santo Anselmo de Cantuária Santo Anselmo de Cantuária
 

Santo Anselmo foi um monge beneditino nomeado arcebispo de Cantuária na Inglaterra, proclamado doutor da Igreja em 1720 pelo papa Clemente XI e considerado um dos maiores teólogos e filósofos de seu tempo. Sua festa é celebrada hoje (21).

É conhecido como “o pai da escolástica”. Como teólogo, é lembrado por suas importantes obras e sua defesa da Imaculada Conceição, e como filósofo, por seu célebre argumento ontológico.

Este santo, que contava com uma piedade e caridade transbordante, é precursor de santo Tomás de Aquino, pois a Igreja não havia tido um metafísico de sua estatura desde a época de santo Agostinho. Além disso, é um dos autores mais lidos por professores de teologia durante séculos.

Também foi um hábil mestre para seus irmãos da Ordem de São Bento, aos quais ensinou teologia, e um lutador para conseguir a liberdade da Igreja apesar de sofrer banimento.

Nasceu no ano 1033 em Aosta de Piamonte (Alpes italianos), em uma família nobre. Sua educação foi encarregada aos padre beneditinos, depois de sofrer pela excessiva rigorosidade e diversos maus-tratos de seu antigo professor leigo.

Depois da morte de sua mãe e devido a uma má relação com seu pai, Anselmo abandonou sua casa. Em 1060, aos 27 anos, ingressou no mosteiro de Bec (Normandia), onde se tornou discípulo e grande amigo de Lanfranco, arcebispo de Cantuária.

Três anos mais tarde, ocupou o cargo de prior do mosteiro, depois que Lanfranco foi enviado para assumir a abadia dos Homens (Normandia).

Como prior de Bec, Anselmo compôs suas duas obras mais conhecidas que serviram para integrar a filosofia e a teologia: “Monologium” (meditações sobre as razões da fé), no qual dava as provas metafísicas da existência e natureza de Deus, e “Proslogium” (a fé que busca a inteligência), ou contemplação dos atributos de Deus.

Do mesmo modo, compôs os tratados da verdade, da liberdade, da origem do mal e da arte de raciocinar.

Em 1078, o santo foi eleito abade de Bec, o que o obrigava a viajar com frequência para a Inglaterra, onde a abadia contava com algumas propriedades.

Após a morte de Lanfranco (1089), Anselmo viajou para a Inglaterra, onde foi nomeado Arcebispo em 4 de dezembro de 1093, embora inicialmente o rei Guilherme, o Vermelho, tenha se oposto. Este último foi hostil com os católicos daquela época e até mesmo baniu Santo Anselmo.

O santo passou um tempo no mosteiro de Campania (Itália) por razões de saúde e ali terminou sua famosa obra “Cur Deus homo”, o mais famoso tratado que existe sobre a Encarnação. Depois, sofreria mais um banimento e regressaria para a Inglaterra.

Faleceu no ano 1109, idoso e debilitado por sua idade, entre os monges de Cantuária. Suas últimas palavras antes de morrer foram: “Onde estão as verdadeiras alegrias celestes, devem estar sempre os desejos do nosso coração”. Foi canonizado em 1494. 

Aclamai o Senhor - Salmo 100 (99)


 

Liturgia das Horas: Laudes, 3ss.4ª, 22 abr 26


 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Ó SENHOR, O MEU CORAÇÃO NÃO É AMBICIOSO (Salmo 131(130)) - Kiko Argüello CAMINHO NEOCATECUMENAL PT


 

#bendiciones #papa #papaleonxiv #leonxiv


 

Papa: verdade não se fabrica, não se manipula, se acolhe e se busca com humildade

 

 


"O ser humano é convidado a deixar que o seu desejo de conhecer seja curado: a redescobrir que a verdade não se fabrica, não se manipula nem se possui como um troféu, mas se acolhe, se busca com humildade e se serve com responsabilidade". Foi o que disse o Santo Padre esta terça-feira no Encontro com o mundo da cultura no Campus Universitário Leão XIV da Universidade Nacional, em Malabo, na Guiné Equatorial, última etapa da viagem apostólica internacional do Pontífice em terras africanas

Raimundo de Lima – Vatican News

Após o Encontro com as Autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplomático no Palácio Presidencial, esta terça-feira, 21 de abril, o Papa teve um Encontro com o Mundo da Cultura no Campus Universitário Leão XIV da Universidade Nacional, em Malabo, desde janeiro passado, ex-capital da Guiné Equatorial, última etapa da viagem apostólica internacional do Santo Padre em terras africanas. O evento marcou a inauguração do novo campus da Universidade Nacional da Guiné Equatorial (UNGE), criada em 1995, cuja nova sede universitária recebeu o nome do Pontífice. O Campus Universitário Papa Leão XIV, situado na parte norte da ilha de Bioko, é a estrutura acadêmica mais imponente do país.

Colocar o conhecimento ao serviço do bem comum

Esta inauguração é um gesto de confiança no ser humano: uma afirmação de que vale a pena continuar a apostar na formação das novas gerações e nessa tarefa, tão exigente quanto nobre, que consiste em procurar a verdade e colocar o conhecimento ao serviço do bem comum.

Portanto, continuou o Pontífice, este momento reveste-se de um significado que vai muito além das fronteiras materiais do local e dos edifícios. Hoje abre-se igualmente espaço à esperança, ao encontro e ao progresso. Toda a verdadeira obra educativa, com efeito, é chamada a crescer não só como estrutura, mas como organismo vivo.

Universidade chamada a ser enraizada na busca da verdade

Talvez por isso, afirmou Leão XIV, a imagem da árvore resulte particularmente eloquente para falar da missão universitária. Para a população da Guiné Equatorial, a ceiba, árvore nacional, adquire um elevado valor evocativo. Uma árvore cria raízes profundas, ergue-se para o alto com paciência e força e encerra em si uma fecundidade que não existe por si mesma.

Pela sua grandeza, pela solidez do seu tronco e pela extensão dos seus ramos, esta árvore parece oferecer uma parábola do que uma instituição universitária está chamada a ser: uma realidade firmemente enraizada na seriedade do estudo, na memória viva de um povo e na busca perseverante da verdade.

Simbologia de algumas árvores bíblicas

Só assim poderá crescer firme; só assim será capaz de se elevar sem perder o contato com a realidade histórica em que se insere e de oferecer às novas gerações, para além das ferramentas para o sucesso profissional, razões para viver, critérios para discernir e motivos para servir.

A esse ponto de seu discurso, o Santo Padre ressaltou que a  história do homem pode ser interpretada também através da simbologia de algumas árvores bíblicas. No jardim do Livro do Gênesis, junto à árvore da vida, ergue-se a árvore do conhecimento do bem e do mal. O problema não reside, observou o Papa, no conhecimento, mas no seu desvio para uma inteligência que já não procura corresponder à realidade, mas sim moldá-la à sua própria medida, avaliando-a de acordo com a conveniência daquele que pretende conhecê-la. Aí, prossegiuiu o Pontífice, o conhecimento deixa de ser abertura e torna-se posse; deixa de ser caminho para a sabedoria e transforma-se numa afirmação orgulhosa de autossuficiência, dando lugar a desorientações que podem chegar a tornar-se desumanas.

A tradição cristã contempla a árvore da Cruz

Leão XIV observou ainda que a história bíblica não se esgota diante daquela árvore. A tradição cristã contempla outra árvore, a da Cruz, não como uma negação da inteligência humana, mas como um sinal da sua redenção. Se no Gênesis surge a tentação de um conhecimento separado da verdade e do bem, na cruz revela-se, pelo contrário, uma verdade que, longe de impor o seu domínio, se oferece por amor e eleva o homem à dignidade com que foi concebido desde a sua origem.

Ali, o ser humano é convidado a deixar que o seu desejo de conhecer seja curado: a redescobrir que a verdade não se fabrica, não se manipula nem se possui como um troféu, mas se acolhe, se busca com humildade e se serve com responsabilidade.

Amor pelo conhecimento colocado no seu contexto original

Por isso, numa perspetiva cristã, Cristo não se apresenta como uma saída fideísta face ao esforço intelectual, como se a fé começasse onde a razão se detém. Pelo contrário: manifesta-se n’Ele a profunda harmonia entre verdade, razão e liberdade. A verdade apresenta-se como uma realidade que precede o homem, o interpela e o chama a sair de si mesmo, e por isso pode ser procurada com confiança.

Desta forma, disse o Papa, a árvore da Cruz recoloca o amor pelo conhecimento no seu contexto original. Ensina-nos que conhecer significa abrir-se à realidade, acolher o seu sentido e guardar o seu mistério. Assim, a busca da verdade permanece verdadeiramente humana: humilde, séria e aberta a uma verdade que nos precede, nos chama e nos transcende. Leão XIV acrescentou o desejo sincero que a Igreja católica expressa no seu empenho plurisecular no âmbito da educação: “que as novas gerações sejam formadas de maneira integral, para além da mera aparência do sucesso”. Os frutos não tardarão a surgir, enfatizou, fazendo votos de que “estes frutos, além de serem abundantes, sejam ingualmente muito bons”.   


Missa desde a Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima 21.04.2026


 

Papa na Guiné Equatorial: ENCONTRO COM ÀS AUTORIDADES, AOS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL E AO CORPO DIPLOMÁTICO

 


 

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)

ENCONTRO COM ÀS AUTORIDADES, AOS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL E AO CORPO DIPLOMÁTICO

DISCURSO DO SANTO PADRE

Palácio Presidencial (Malabo)
Terça-feira, 21 de abril de 2026


Senhor Presidente,
Distintas Autoridades e membros do Corpo Diplomático,
Senhoras e Senhores!

Saúdo-vos cordialmente, agradecido pelo vosso acolhimento e pelas palavras que me foram dirigidas. Estou feliz por estar aqui a visitar o amado povo da Guiné Equatorial. Quando visitou o país, o Santo Papa João Paulo II definiu, Senhor Presidente, a sua pessoa como «o centro simbólico para o qual convergem as vivas aspirações de um povo a um clima social de autêntica liberdade, de justiça, de respeito e promoção dos direitos de cada pessoa ou grupo, e de melhores condições de vida, para se realizar como homens e como filhos de Deus» (Discurso ao Presidente da Guiné Equatorial, Malabo). São palavras que permanecem atuais e que interpelam quantos estão investidos de responsabilidades públicas. Por outro lado, «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (Const. past. Gaudium et spes, 1). Estas palavras da Constituição Gaudium et spes do Concílio Vaticano II expressam da melhor forma as razões e os sentimentos que me trazem até vós, para confirmar na fé e consolar o povo deste país em rápida transformação. Pois, tal como no coração de Deus, assim também no coração da Igreja ressoa o eco do que acontece na terra, entre milhões de homens e mulheres pelos quais o nosso Senhor Jesus Cristo deu a vida.

Vós sabeis que Santo Agostinho interpretava os acontecimentos e a história segundo o modelo de duas cidades: a de Deus, eterna e caracterizada pelo seu amor incondicional (amor Dei), unido ao amor pelo próximo, especialmente pelos pobres; e a terrena, lugar de morada provisória, na qual o homem e a mulher vivem até à morte. Nesta perspetiva, as duas cidades existem conjuntamente até ao fim dos tempos (cf. De civitate Dei, 19,14) e cada ser humano manifesta nas suas decisões, dia após dia, a qual delas deseja pertencer.

Sei que empreendestes o imponente projeto de construir uma cidade, que há poucos meses é a nova capital do vosso país. Decidistes dar-lhe um nome em que parece ressoar o da Jerusalém bíblica, Ciudad de la Paz. Que tal decisão possa interrogar as consciências sobre qual cidade desejam servir! Como tive ocasião de recordar ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, a cidade terrena, segundo o grande Padre Agostinho, centra-se no amor orgulhoso de si mesmo (amor sui), na ânsia de poder e de glória mundanas que conduzem à destruição.

Por outro lado, Agostinho considera que os cristãos são chamados por Deus a habitar na cidade terrena com o coração e a mente voltados para a cidade celeste, a sua verdadeira pátria. É a cidade para a qual Abraão «partiu sem saber para onde ia. Pela fé, estabeleceu-se como estrangeiro na Terra Prometida, habitando em tendas, tal como Isaac e Jacob, co-herdeiros da mesma promessa, pois esperava a cidade bem alicerçada, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus» (Heb 11, 8-10). Todo o ser humano pode apreciar a antiquíssima consciência de viver na terra como de passagem. É fundamental que sinta a diferença entre o que perdura e o que passa, mantendo-se livre da riqueza injusta e da ilusão do domínio. Em particular, «o cristão, vivendo na cidade terrena, não está alheio ao mundo político e procura aplicar ao governo civil a ética cristã, inspirada nas Escrituras. A Cidade de Deus não propõe um programa político, mas fornece reflexões valiosas sobre questões fundamentais da vida social e política» (Discurso ao Corpo Diplomático, 9 de janeiro de 2026).

Hoje, a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar as “coisas novas” que desestabilizam o planeta e a convivência humana, buscando, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça. Esta é uma parte fundamental da missão da Igreja: contribuir para a formação das consciências, através do anúncio do Evangelho, da oferta de critérios morais e de princípios éticos autênticos, no respeito pela liberdade de cada indivíduo e pela autonomia dos povos e seus governos. O objetivo da Doutrina Social é educar para enfrentar os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova, com renovados desafios, sonhos e interrogações.

Em particular, diante de nós erguem-se questões que abalam os alicerces da experiência humana. Como tive oportunidade de sublinhar, comparando os nossos tempos com aquele em que o Papa Leão XIII promulgou a Rerum novarum, hoje «a exclusão é a nova face da injustiça social. O fosso entre uma “pequena minoria” – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática. […] Quando falamos de exclusão, também nos deparamos com um paradoxo. A falta de terra, comida, casa e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados. Os telemóveis, as redes sociais e até mesmo a inteligência artificial estão ao alcance de milhões de pessoas, incluindo os pobres» (Discurso aos Movimentos Populares, 23 de outubro de 2025). Consequentemente, é dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, do qual a destinação universal dos bens e a solidariedade são princípios fundamentais.

Não se pode esconder, por exemplo, que a vertiginosa evolução tecnológica a que assistimos acelerou uma especulação ligada à necessidade de matérias-primas, que parece fazer esquecer exigências fundamentais como a salvaguarda da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública. A este respeito, faço meu o apelo do Papa Francisco, que há precisamente um ano deixou este mundo: «Hoje devemos dizer “não a uma economia da exclusão e da desigualdade social”. Esta economia mata» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 53). Com efeito, hoje, mais do que há alguns anos, é ainda mais evidente que a proliferação dos conflitos armados tem entre os seus principais motivos a colonização de jazidas petrolíferas e minerais, sem qualquer respeito pelo direito internacional e pela autodeterminação dos povos.

As próprias novas tecnologias surgem concebidas e utilizadas principalmente para fins bélicos e em contextos que não deixam vislumbrar um aumento de oportunidades para todos. Pelo contrário, sem uma mudança de rumo na assunção de responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e pelos acordos internacionais, o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido. Deus não deseja isto. O seu santo Nome não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação: acima de tudo, não deve nunca ser invocado para justificar escolhas e ações de morte. Que o vosso país não hesite em rever as suas trajetórias de desenvolvimento e as positivas oportunidades de se posicionar no cenário internacional ao serviço do direito e da justiça.

O vosso país é jovem! Estou certo, portanto, de que na Igreja encontrareis ajuda para a formação de consciências livres e responsáveis, com as quais caminhareis juntos rumo ao futuro. Num mundo ferido pela prepotência, os povos têm fome e sede de justiça. É preciso valorizar quem acredita na paz e ousar políticas contracorrente, cujo centro é o bem comum. É urgente ter a coragem de visões novas e de um pacto educativo que dê aos jovens espaço e confiança. A cidade de Deus, cidade da paz, deve, realmente, ser acolhida como um dom que vem do alto e para o qual devemos voltar o nosso desejo e todos os nossos recursos. É uma promessa e uma tarefa. Os seus habitantes «transformarão as suas espadas em arados, as suas lanças em foices» (Is 2, 4) e, depois de enxugada toda lágrima, participarão no banquete que já não será reservado a uma elite, pois os manjares suculentos, os vinhos excelentes e as iguarias (cf. Is 25, 6) serão partilhados por todos.

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores, caminhemos juntos, com sabedoria e esperança, rumo à Cidade de Deus, que é a cidade da paz. Obrigado!