quinta-feira, 2 de abril de 2026

Entrega Doctor Honoris Causa Padre Mario Pezzi **13-11-2025**


 

A missa dos Santos Óleos: unidade e sacramento

 

Celebração marca a unidade do clero, a renovação das promessas sacerdotais, a benção e consagração dos óleos que serão utilizados na vida sacramental da Igreja ao longo do ano.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

Na manhã da quinta-feira santa, ocorre um dos últimos momentos da quaresma: a Missa dos Santos Óleos. Popularmente conhecida como Missa do Crisma, é uma das celebrações mais ricas em simbolismo deste tempo litúrgico. Embora algumas dioceses a realizem em outra data por questões logísticas e de distância, a maioria mantém a tradição neste dia. Isso ocorre porque a data celebra a Instituição da Eucaristia, permitindo que os padres, intimamente ligados a esse mistério, renovem suas promessas sacerdotais.

Esta celebração possui então dois pontos fundamentais: a manifestação da unidade do presbitério em torno do seu Bispo e a preparação dos óleos que serão utilizados nos sacramentos ao longo do ano.

A bênção e consagração dos óleos

O inicio é composto pelo rito em que o Bispo prepara os três óleos que serão distribuídos para todas as paróquias da diocese:

- Óleo dos catecúmenos: utilizado no batismo. O revestimento com este óleo prepara o novo filho de Deus para enfrentar as situações adversas, especialmente a luta contra o pecado, antes de mergulhar nas águas batismais.
- Óleo dos enfermos: utilizado no sacramento da Unção dos enfermos. No próprio ritual para a sua administração, encontra-se a passagem bíblica que corrobora este uso: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados" (Tg 5, 14-15).
- Santo Crisma: diferentemente dos outros, que são apenas abençoados, este é o único que é consagrado. O Bispo sopra sobre a jarra e mistura perfume ao óleo, um gesto que recorda Deus soprando a vida em Adão ou Jesus soprando sobre os apóstolos. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), após o Batismo, na ordenação de padres e bispos, e na consagração de altares e igrejas.

A renovação das promessas sacerdotais

Além da confecção dos óleos, esta missa marca o encontro de todos os padres da diocese com o seu Pastor. Como na quinta-feira santa celebra-se a Instituição do Sacerdócio, os padres renovam publicamente os compromissos assumidos no dia de sua ordenação. É uma manifestação visual da unidade da Igreja: o Bispo como pastor principal e os padres como seus colaboradores diretos, todos unidos para servir ao povo de Deus.

Importância

A Missa dos Santos Óleos é o "reabastecimento espiritual" da diocese. Sem esses óleos, não haveria batizados, crismas ou ordenações, conforme o rito tradicional. É uma celebração que olha para o futuro, garantindo que a graça de Deus chegue aos fiéis por meio dos sacramentos nos meses seguintes.

Após a missa, cada padre leva uma porção desses óleos para sua paróquia. Assim, quando acontece um batizado na comunidade, o óleo usado veio desta celebração solene, simbolizando a união de cada paróquia com o Bispo.

A celebração seguinte, que ocorre nas vésperas, dará início ao Tríduo Pascal. Por isso, esta missa da manhã simboliza o fechamento da quaresma para que a Igreja entre profundamente no mistério da Redenção. Mesmo aberta a todos, muitos fiéis não participam por falta de conhecimento. Se tiver a oportunidade, não deixe de ir: é uma chance única de presenciar a beleza dos ritos mais profundos da nossa liturgia.


MISSA CRISMAL HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV

 






 


 

MISSA CRISMAL

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV

Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 2 de abril de 2026


Queridos irmãos e irmãs,

Estamos já às portas do Tríduo Pascal. O Senhor conduzir-nos-á, mais uma vez, ao ápice da sua missão, para que a sua paixão, morte e ressurreição se tornem o centro da nossa missão. Efetivamente, o que estamos prestes a reviver tem em si a força de transformar aquilo que o orgulho humano tende geralmente a endurecer: a nossa identidade, o nosso lugar no mundo. A liberdade de Jesus muda o coração, cura as feridas, perfuma e faz brilhar os nossos rostos, reconcilia e reúne, perdoa e ressuscita.

Neste primeiro ano em que presido à Missa Crismal como Bispo de Roma, desejo refletir convosco sobre a missão à qual Deus nos consagra como seu povo. É a missão cristã, a mesma de Jesus, e não outra. Cada um participa nela de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão! Bispos e presbíteros, ao renovarmos as nossas promessas, estamos ao serviço de um povo missionário. Somos, com todos os batizados, o Corpo de Cristo, ungidos pelo seu Espírito de liberdade e consolação, Espírito de profecia e unidade.

O que Jesus vive nos momentos culminantes da sua missão é antecipado pelo oráculo de Isaías, por Ele referido na sinagoga de Nazaré como a Palavra que «hoje» se cumpre (cf. Lc 4, 21). Com efeito, na hora da Páscoa, torna-se definitivamente claro que Deus consagra para enviar: «Enviou-me» (Lc 4, 18), diz Jesus, descrevendo aquele movimento que une o seu Corpo aos pobres, aos prisioneiros, àqueles que caminham às cegas na escuridão e àqueles que se encontram oprimidos. E nós, membros do seu Corpo, chamamos “apostólica” a uma Igreja que foi enviada, impulsionada para além de si mesma, consagrada a Deus no serviço das suas criaturas: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21).

Sabemos que ser enviado implica, em primeiro lugar, um desapego, ou seja, o risco de deixar o que é seguro e familiar para se aventurar no novo. É interessante que Jesus, «impelido pelo Espírito» (Lc 4, 14) que desceu sobre Ele após o batismo no Jordão, regresse à Galileia e vá «a Nazaré, onde tinha sido criado» (Lc 4, 16). É o lugar que agora deve deixar. Ele move-se «segundo o seu costume» (v. 16), mas para inaugurar um tempo novo. Terá agora de partir definitivamente daquela aldeia, para que amadureça o que ali germinou, sábado após sábado, na escuta fiel da Palavra de Deus. Da mesma forma, chamará outros a partir, a arriscar, para que nenhum lugar se torne um recinto; nenhuma identidade, um esconderijo.

Caríssimos, seguimos Jesus, que «não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo» (Fl 2, 6-7): toda missão começa por esse tipo de esvaziamento, no qual tudo renasce. A nossa dignidade de filhos e filhas de Deus não nos pode ser tirada, nem se perder, e nem mesmo os afetos, os lugares e as experiências que estão na origem da nossa vida podem ser apagados. Somos herdeiros de tanto bem e, simultaneamente, das limitações de uma história na qual o Evangelho deve ser portador de luz e salvação, perdão e cura. Assim, não há missão sem reconciliação com as nossas origens, com os dons e as limitações da formação recebida; mas, ao mesmo tempo, não há paz sem partidas, não há consciência sem desapego, não há alegria sem correr riscos. Somos Corpo de Cristo se seguirmos em frente, acertando as contas com o passado sem ficarmos prisioneiros dele: tudo se reencontra e se multiplica se antes se deixar ir, sem medo. É um primeiro segredo da missão. É algo que não se experimenta uma vez só, mas em cada recomeço, em cada novo envio.

O caminho de Jesus revela-nos que a disponibilidade para perder, para se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas condição para o encontro e para a intimidade. O amor só é verdadeiro se estiver desarmado – desprovido de muitos empecilhos e sem nenhuma ostentação –, se guarda delicadamente a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em lançar-nos numa missão tão exposta e, no entanto, não há «Boa-nova aos pobres» ( Lc 4, 18) se formos ao seu encontro com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos do possuir. Tocamos aqui um segundo segredo da missão cristã. Depois da lei do desapego, vem a lei do encontro. Sabemos que, ao longo da história, a missão foi não poucas vezes pervertida por lógicas de domínio, totalmente estranhas ao caminho de Jesus Cristo. São João Paulo II teve a lucidez e a coragem de reconhecer que «por causa daquele vínculo que nos une uns aos outros dentro do Corpo místico, todos nós, embora não tendo responsabilidade pessoal por isso e sem nos substituirmos ao juízo de Deus – o único que conhece os corações –, carregamos o peso dos erros e culpas de quem nos precedeu». [1]

Consequentemente, é portanto prioritário recordar que o bem não pode advir da prevaricação, nem no âmbito pastoral, nem no âmbito sócio-político. Os grandes missionários são testemunhas de aproximações feitas com delicadeza, cujo método consiste na partilha da vida, no serviço desinteressado, na renúncia a qualquer estratégia calculista, no diálogo, no respeito. É o caminho da encarnação, que assume sempre de novo a forma da inculturação. A salvação, realmente, só pode ser acolhida por cada um na sua língua própria materna: «Que se passa, então, para que cada um de nós os ouça falar na nossa língua materna?» ( Act 2, 8). A surpresa de Pentecostes repete-se quando não pretendemos dominar os tempos de Deus, mas confiamos no Espírito Santo, que «como no tempo de Jesus e dos Apóstolos, está presente também hoje: está presente e está a agir, chega antes de nós, trabalha mais e melhor do que nós; não nos cabe nem semeá-lo nem despertá-lo, mas, antes de mais, reconhecê-lo, acolhê-lo, cooperar com ele, abrir-lhe caminho, seguir-lhe os passos. Ele está presente e nunca desanimou em relação ao nosso tempo; pelo contrário, sorri, dança, penetra, investe, envolve, chega mesmo onde nunca teríamos imaginado». [2]

Para estabelecer esta sintonia com o invisível, é necessário chegar ao lugar para onde somos enviados com simplicidade, honrando o mistério que cada pessoa e comunidade traz consigo. Somos hóspedes: somo-lo enquanto bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, enquanto cristãos. Na verdade, para acolher temos de aprender a deixar-nos acolher. Mesmo os lugares onde a secularização parece estar mais avançada não são terra de conquista ou reconquista: «Novas culturas continuam a nascer nestas enormes geografias humanas onde o cristão já não costuma ser promotor ou gerador de sentido, mas recebe delas outras linguagens, símbolos, mensagens e paradigmas que oferecem novas orientações de vida, muitas vezes em contraste com o Evangelho de Jesus. […] É necessário chegar onde se formam as novas narrativas e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades». [3] Isto só acontece se, na Igreja, caminhamos juntos, se a missão não for uma aventura heroica de alguém, mas o testemunho vivo de um Corpo com muitos membros.

Existe ainda uma terceira dimensão – talvez a mais radical – da missão cristã. A dramática possibilidade de incompreensão e de rejeição que se manifesta já na reação violenta dos habitantes de Nazaré à palavra de Jesus: «Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo» (Lc 4, 28-29). Embora a leitura litúrgica tenha omitido esta parte, o que nos preparamos para celebrar a partir desta noite compromete-nos a não fugir, mas a “passar pelo meio” da provação, como Jesus, que, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho (cf. Lc 4, 30). A cruz é parte da missão: o envio torna-se mais amargo e assustador, mas também mais gratuito e perturbador. A ocupação imperialista do mundo é então interrompida a partir de dentro, a violência que até hoje se faz lei é desmascarada. O Messias pobre, prisioneiro, rejeitado, precipita-se na escuridão da morte, mas assim traz à luz uma nova criação.

Quantas ressurreições nos são dadas experimentar quando, livres de uma atitude defensiva, descemos ao serviço como a semente à terra! Na vida, podemos passar por situações em que tudo parece ter chegado ao fim. Perguntamo-nos, então, se a missão terá sido inútil. É verdade: ao contrário de Jesus, vivemos também fracassos que dependem da nossa insuficiência ou da dos outros, muitas vezes de um emaranhado de responsabilidades, luzes e sombras. Mas podemos fazer nossa a esperança de muitos testemunhos. Recordo-me de um, que me é particularmente querido. Um mês antes da sua morte, no caderno dos Exercícios Espirituais, o santo Bispo Óscar Romero anotava assim: «O núncio da Costa Rica alertou-me para um perigo iminente precisamente nesta semana… As circunstâncias imprevistas serão enfrentadas com a graça de Deus. Jesus Cristo ajudou os mártires e, se for necessário, sentirei a sua presença muito próxima quando lhe entregar o meu último suspiro. Todavia, mais do que o último instante de vida, o que conta é entregar-lhe toda a vida e viver para Ele… Basta-me, para ser feliz e confiante, saber com certeza que n’Ele está a minha vida e a minha morte; que, apesar dos meus pecados, n’Ele depositei a minha confiança e não ficarei decepcionado, e outros prosseguirão, com mais sabedoria e santidade, o trabalho pela Igreja e pela pátria».

Queridos irmãos e irmãs, os santos escrevem a história. Esta é a mensagem do Apocalipse: «Graça e paz […] da parte de Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primeiro vencedor da morte e o Soberano dos reis da terra» (Ap 1, 4-5). Esta saudação resume o caminho de Jesus num mundo dividido entre potências que o devastam. No seu seio surge um povo novo, não de vítimas, mas de testemunhas. Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso “sim” a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz. Sim, aqui estamos! Superemos o sentimento de impotência e de medo! Anunciamos a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

 

 

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[1] São João Paulo II, Bula de proclamação do Grande Jubileu do ano 2000 “Incarnationis mysterium” (29 de novembro de 1998), 11.

[2]C. M. Martini, Tre racconti dello Spirito, Milano 1997, 11.

[3] Francisco, Exort. Ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 73-74.

 

Homilia Diária | A presença real da Vítima pascal (Quinta-feira da Semana Santa - 02/04/2026)


 

Laudes de Quinta-feira da Semana Santa Liturgia das Horas 128 mil subscritores


 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

AUDIENCIA GERAL Praça de São Pedro Quarta-feira, 1 de abril de 2026


 

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Quarta-feira, 1 de abril de 2026


 

Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II II. Constituição dogmática Lumen Gentium 6. Pedras vivas na Igreja e testemunhas no mundo: os leigos no povo de Deus 

Irmãos e irmãs, bom dia!

Continuemos o nosso caminho de reflexão sobre a Igreja, como nos é apresentada na Constituição conciliar Lumen Gentium (LG). Hoje vamos abordar o quarto capítulo, que trata dos leigos. Recordemos todos o que o Papa Francisco gostava de repetir: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 102).

Esta parte do Documento preocupa-se em explicar in positivo a natureza e a missão dos leigos, após séculos em que eles eram definidos simplesmente como aqueles que não fazem parte dos clérigos ou dos consagrados. Por isso, apraz-me reler convosco um trecho muito bonito, que manifesta a grandeza da condição cristã: «Um só é, pois, o Povo de Deus: “Um só Senhor, uma só fé, um só Batismo” (Ef 4, 5); comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo; comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa» (LG, 32).

Antes de qualquer diferença de ministério ou de estado de vida, o Concílio afirma a igualdade entre todos os batizados. A Constituição não quer que se esqueça o que já tinha afirmado no capítulo sobre o povo de Deus, ou seja, que a condição do povo messiânico é a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus (cf. LG, 9).

Naturalmente, quanto maior é o dom, tanto maior é também o compromisso. Por isso, o Concílio, além da dignidade, realça inclusive a missão dos leigos na Igreja e no mundo. Mas onde se fundamenta esta missão e em que consiste? É a própria descrição dos leigos, proposta pelo Concílio, que nos dá a resposta: «Por leigos entendem-se aqui todos os fiéis cristãos [...] que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes a seu modo da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo» (LG, 31).

Portanto, o santo povo de Deus nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou, como dizia Santo Agostinho, o Christus totus: é a comunidade organicamente estruturada, em virtude da fecunda relação entre as duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: sacerdócio comum dos fiéis e sacerdócio ministerial (cf. LG, 10). Em virtude do Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. Com efeito, «o supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo seu Espírito e, sem cessar, os incita a toda a obra boa e perfeita» (LG, 34).

Como deixar de recordar, a tal propósito, São João Paulo II e a sua Exortação apostólica Christifideles laici (30 de dezembro de 1988)? Nela, ele frisava que «o Concílio, com o seu riquíssimo património doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, fazendo eco ao chamamento de Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar na sua vinha» (n. 2). Deste modo, o meu venerado Predecessor relançava o apostolado dos leigos, ao qual o Concílio dedicara um Documento específico, de que falaremos mais adiante. [1]

O vasto campo do apostolado dos leigos não se limita ao espaço da Igreja, mas dilata-se ao mundo. Com efeito, a Igreja está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: nos ambientes de trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, mostram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus. É necessário que o mundo «seja penetrado do espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim» (LG, 36). E isto só é possível com a contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos!

É o convite a ser aquela Igreja “em saída” de que nos falava o Papa Francisco: uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos!

Irmãos e irmãs, a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de ser, como Maria de Magdala, Pedro e João, testemunhas do Ressuscitado!

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Saudações:

Un cordiale saluto a tutti i pellegrini di lingua portoghese! Per rimanere sempre come pietre vive nell’edificio spirituale della Chiesa, dobbiamo offrire al mondo una testimonianza coerente con la nostra fede. Non dimentichiamo che siamo tutti discepoli missionari di Cristo! Dio vi benedica!

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Resumo da catequese do Santo Padre:

Continuando o ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, olhamos hoje para os leigos, pedras vivas do edifício espiritual da Igreja e testemunhas de Cristo no mundo. Antes de sinalizar qualquer diferença de ministério ou de estado de vida no seio do Povo de Deus, o Concílio afirma a igualdade entre os batizados, pois todos são chamados à santidade. A missão dos fiéis leigos na Igreja e no mundo está fundada na comum dignidade batismal: participam da missão sacerdotal, profética e real de Cristo e são chamados a dar testemunho d’Ele na sociedade. O amplo campo do apostolado laical não se restringe aos ambientes eclesiais, mas estende-se a todo o mundo. Para uma Igreja encarnada na história, é fundamental a missão dos leigos.

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[1] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Apostolicam actuositatem (18 de novembro de 1965).

 

Homilia Diária | Jesus vendido como escravo (Quarta-feira da Semana Santa - 01/04/2026)


 

Laudes de Quarta-feira da Semana Santa