segunda-feira, 23 de março de 2026

Por que a Semana Santa muda de data

 


O Sábado Santo é uma das celebrações mais evocativas da Semana Santa O Sábado Santo é uma das celebrações mais evocativas da Semana Santa | Zofia Czubak/EWNT News
 

As datas do Tríduo Pascal mudam a cada ano porque são as fases da Lua que guiam o calendário da Igreja para as celebrações dos mistérios da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Na Semana Santa, os cristãos celebram a paixão, morte e a ressurreição de Jesus, a festa mais importante do calendário litúrgico. Nos primeiros séculos da fé, era a única festa que se celebrava. Não havia outros tempos litúrgicos nem outras solenidades.

A origem desta data se deve ao fato de que a morte de Cristo ocorreu ao redor da festa de pesach, a páscoa judaica. Os evangelhos se referem a esta celebração na passagem bíblica da última ceia, quando Jesus se reuniu com seus discípulos para celebrar esta festa na que os judeus recordavam a saída do Egito.

Os judeus celebravam o pesach o dia 15 do mês de Nisan, que começa com a primeira lua nova da primavera. Assim, ficou estabelecido no primeiro concilio ecumênico de Niceia, em 325, que a Páscoa se celebra no domingo seguinte à primeira lua cheia depois do equinócio da primavera do hemisfério norte, outono do hemisfério sul. Algumas igrejas ortodoxas não seguem essa determinação e celebram a Páscoa em datas diferentes.

O domingo de Páscoa pode cair entre 22 de março e 25 de abril.

As datas de Páscoa se repetem em um período de 5,7 milhões de anos. Nesse intervalo de tempo a data mais frequente para a Páscoa é 19 de abril. Na maioria das vezes, a Semana Santa cai durante a primeira ou segunda semana de abril.

Trump, sobre apelo de Leão XIV por cessar-fogo no Irã: 'Não estamos buscando isso'

 


O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres ao sair da Casa Branca, em Washington D.C., EUA, em 20 de março de 2026 ??
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres ao sair da Casa Branca, em Washington D.C., EUA, na última sexta-feira (20). | Heather Diehl/Getty Images
 

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Casa Branca "não está buscando" implementar um cessar-fogo na guerra em curso contra o Irã, depois de o papa Leão XIV ter pedido diálogo em vez de conflito.

Owen Jensen, correspondente da EWTN News na Casa Branca, perguntou ao presidente sobre os  apelos do papa, em 15 de março, por um cessar-fogo na mais recente guerra no Oriente Médio. Leão XIV instou “os responsáveis ​​por esse conflito” a “cessar o fogo e reabrir os caminhos do diálogo”.

“Podemos dialogar, mas não quero um cessar-fogo”, respondeu o presidente, que faz parte do Partido Republicano.

“Não se faz um cessar-fogo quando se está literalmente aniquilando o outro lado”, diz Trump.

“[O Irã] não tem marinha, não tem força aérea, não tem nenhum equipamento, não tem observadores, não tem defesa antiaérea, não tem radar, e seus líderes foram todos mortos em todos os níveis”, disse o presidente.

“Não estamos buscando um cessar-fogo”, disse ele.

O conflito no Irã começou em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques conjuntos contra o país do Oriente Médio. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto no bombardeio prolongado, junto com vários outros altos funcionários iranianos.

O Irã respondeu lançando ataques contra bases americanas e israelenses. O conflito interrompeu peregrinações católicas na região e fez com que católicos se mobilizassem para evacuar a zona de guerra.

Trump disse ao canal de televisão americano MS Now na última sexta-feira (20) que os EUA pretendem continuar o conflito no Irã para garantir que o país "nunca pudesse se reconstruir" depois da guerra.

“Se saímos agora, eles levariam pelo menos dez anos para reconstruir, mas eles vão reconstruir”, disse Trump à rede de notícias.

(acidigital) 

Papa: que o olhar perdido das crianças diante da guerra possa nos converter

 

A condição da infância em um mundo entre guerras e IA foi o centro da mensagem de felicitações que Leão XIV dirigiu aos redatores e leitores do encarte infantil "Popotus" do jornal italiano "Avvenire".

Vatican News

A ocasião são os 30 anos do encarte infantil do jornal "Avvenire", mas a mensagem é dirigida a todos os fiéis. E é assim que o Papa Leão fala sobre as crianças "nestes dias de grande preocupação com as guerras que ameaçam o futuro da humanidade".

Ao felicitar os redatores e os pequenos leitores de "Popotus", Leão XIV afirma que devolver ao mundo sua beleza é possível, a pensar nele com confiança e a construí-lo sem preconceitos. 

"Jesus disse aos seus discípulos: 'Se não se converterem e não se tornarem como crianças, não entrarão no reino dos céus'. E Ele nos diz isso também hoje. Ser como crianças não é voltar atrás, mas guardar uma chave para ver o essencial de cada coisa, para encontrar respostas surpreendentes mesmo para as perguntas mais difíceis. Talvez só olhando para os olhos perdidos das crianças diante da barbárie da guerra possamos nos converter. Reaprender a olhar-nos nos olhos e a olhar o mundo com olhos puros."

Dirigindo-se aos pais e professores, o Papa lhes agradece pelo carinho e pelo amor com que educam a infância: "Vocês são testemunhas de como as crianças nos educam enquanto as educamos e de como devemos protegê-las de uma visão desumana da informação e da educação. Todos nós, especialmente hoje, na era digital e da inteligência artificial, precisamos de uma educação permanente. E, para continuarmos sendo humanos, precisamos preservar um olhar infantil sobre a realidade".

Também por isso, prossegue o Santo Padre, não devemos permitir que as crianças acabem acreditando que podem encontrar nos chatbots da Inteligência Artifical seus melhores amigos ou o oráculo de todo o conhecimento, "entorpecendo seu intelecto e sua capacidade de relacionamento, adormecendo sua criatividade e seus pensamentos. "Devemos zelar por sua infância e guiar seu crescimento para que sejam protagonistas de um mundo renovado", conclui o Pontífice.

 

Leão XIV à ITA, que leva os Papas pelo mundo: aviões são veículos de paz, não de guerra

 

O Pontífice recebeu em audiência representantes da ITA Airways, que faz o transporte dos Papas nas viagens que saem do aeroporto internacional Roma-Fiumicino. Ele agradeceu pelo serviço realizado a partir de São Paulo VI, em 1964, até hoje e descreveu a importância de voos que levam mensagens de paz: "os aviões deveriam ser sempre veículos de paz, jamais de guerra!", e após "as trágicas experiências do século XX, os bombardeios aéreos deveriam ter sido banidos para sempre!", o que não aconteceu.

Andressa Collet - Vatican News

A semana começou com uma série de audiências para o Papa Leão XIV no Vaticano. Na Sala Clementina, o Pontífice recebeu nesta segunda-feira (23/03) cerca de 200 pessoas, entre dirigentes e funcionários da ITA Airways, a nova companhia aérea nacional da Itália, criada em 2021 para substituir a Alitalia, com menos aviões e funcionários e foco em rotas consideradas sustentáveis. A herança que permaneceu foi a institucional, como transportar os Papas nas viagens que saem do aeroporto internacional Roma-Fiumicino: Leão XIV viajou pela primeira vez com a ITA em 27 de novembro de 2025 para Ancara, no Turquia, e voltará a usufruir dos serviços da companhia italiana em menos de um mês, como o próprio Pontífice recordou durante a audiência no Vaticano:

"A história das viagens apostólicas dos Papas de avião, a partir de São Paulo VI, está ligada de maneira especial à companhia aérea de bandeira italiana, antes a Alitalia e agora a ITA Airways. E eu também, se Deus quiser, terei a oportunidade de contar novamente com o serviço de vocês, daqui a vinte dias, para a viagem à África."

 

Leão XIV fez referência à viagem apostólica de 13 a 23 de abril que o levará a visitar quatro nações - Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial: para o país de destino inicial ele viaja com a ITA; já os voos internos e de retorno à Itália normalmente ganham o apoio de companhias aéreas do país visitado. Os Pontífices, então, não usam um avião próprio do Vaticano, mas aeronaves comerciais fretadas, adaptadas para a segurança e o trabalho do Papa, seguindo protocolos adotados por chefes de Estado. Os voos ainda incluem a comitiva pontifícia e uma delegação de jornalistas.


A audiência nesta segunda-feira (23/03) na Sala Clementina, no Vaticano
A audiência nesta segunda-feira (23/03) na Sala Clementina, no Vaticano   (@Vatican Media)

Voo papal leva mensagens de paz

Hoje em fase de consolidação, a ITA está em processo de integração à Lufthansa, um dos maiores grupos de aviação da Europa, tanto que uma representação alemã também participou da audiência com o Papa nesta segunda-feira (23/03). A oportunidade também foi de agradecimento do Pontífice pelo trabalho realizado pelos profissionais, tanto da Alitalia como da ITA, durante as viagens internacionais com os predecessores e colaboradores de Leão XIV, num ambiente que ele caracterizou como "sereno, diria quase familiar, onde o respeito se une à devoção. Encontrar-me com vocês me dá a oportunidade de expressar o apreço e a gratidão, meus e da Santa Sé, por este serviço precioso". 

Delegações da ITA Airways e do Grupo Lufthansa participaram da audiência com o Papa
Delegações da ITA Airways e do Grupo Lufthansa participaram da audiência com o Papa   (@Vatican Media)

Um serviço importante nos dias de hoje, pois inspira diariamente a "traçar rotas de paz nos céus", destacou Leão XIV, ao enfatizar novamente o "retrocesso" das atividades aéreas utilizadas a serviço da guerra:

"Os voos papais são um dos símbolos mais eloquentes da missão dos Sucessores de Pedro na era contemporânea. De maneira particular, em suas viagens apostólicas, o Papa se apresenta a todos como mensageiro de paz: as suas rotas são o que sempre deveriam ser, ou seja, pontes de diálogo, de encontro, de fraternidade. Os aviões deveriam ser sempre veículos de paz, jamais de guerra! Ninguém deveria ter medo de que do céu chegassem ameaças de morte e destruição."

“Após as trágicas experiências do século XX, os bombardeios aéreos deveriam ter sido banidos para sempre! Em vez disso, como sabemos, eles ainda existem, e o desenvolvimento tecnológico, em si positivo, é colocado a serviço da guerra. Isso não é progresso, é retrocesso!”

A ITA está em processo de integração à Lufthansa, um dos maiores grupos de aviação da Europa
A ITA está em processo de integração à Lufthansa, um dos maiores grupos de aviação da Europa   (@Vatican Media)

O poder da Palavra de Deus (Jo 8,1-11) Palavra de Deus | Irmã Maria Raquel 23/03


 

SANTO DO DIA - 23 DE MARÇO: SÃO TURÍBIO DE MOGRAVEJO


 

Laudes de Segunda feira da 5ª Semana da Quaresma


 

domingo, 22 de março de 2026

Missa desde a Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima 22.03.2026


 

Orquesta china de música antigua interpreta "El Cóndor Pasa"


 

March 22 2026, Angelus prayer, Pope Leo XIV


 

PAPA LEÃO XIV

ANGELUS

Praça de São Pedro
V Domingo da Quaresma, 22 de março de 2026


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste quinto domingo da Quaresma, o Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45) é proclamado na Liturgia.

No caminho quaresmal, este é um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1265). Hoje, Jesus diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre» (Jo 11, 25-26).

Assim, nesta perspectiva, a Liturgia convida-nos a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor – a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento – para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram.

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e vivo em nós pela graça do Batismo, que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento, para a nossa salvação e plenitude de vida.

A sua graça ilumina este mundo, que parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes – tempo, energias, valores, afetos –, como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais. É o sintoma de uma necessidade de infinito que cada um de nós traz em si, mas cuja resposta não pode ser confiada ao que é efémero. Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos n’Ele (cf. Confissões, I, 1.1).

A narrativa da ressurreição de Lázaro convida-nos, portanto, a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, a libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade. Nestes lugares não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Também a nós Jesus ordena: «Vem cá para fora!» (Jo 11, 43), encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho ressuscitado.

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Depois do Angelus:

Queridos irmãos e irmãs,

continuo a acompanhar com consternação a situação no Médio Oriente, bem como noutras regiões do mundo devastadas pela guerra e pela violência. Não podemos permanecer em silêncio perante o sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas destes conflitos. Aquilo que as fere, fere toda a humanidade. A morte e a dor provocadas por estas guerras são um escândalo para toda a família humana e um clamor diante de Deus! Reitero com veemência o apelo para que perseveremos na oração, a fim de que cessem as hostilidades e sejam finalmente abertos caminhos de paz, baseados no diálogo sincero e no respeito pela dignidade de cada pessoa humana.

Hoje realiza-se em Roma a grande Maratona, com inúmeros atletas provenientes de todo o mundo. Este é um sinal de esperança! Que o desporto possa traçar caminhos de paz, de inclusão social e de espiritualidade.

Dirijo-vos a todos vós, romanos e peregrinos de vários países, uma saudação calorosa, em especial aos que vieram da Diocese de Córdoba, em Espanha.

Saúdo com alegria os fiéis de Belluno e Pordenone, de Crotone e da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, em Roma. Cumprimento os jovens de Nave, da Diocese de Brescia; o grupo de crismandos da Arquidiocese de Florença e os representantes da Associação de Diretores de Hotéis.

Desejo a todos um bom domingo!

Médico católico mudou a visão do mundo sobre a síndrome de Down

 


JeromeLejeune_FundacionJeromeLejeune_011221.webp Doutor Jérôme Lejeune | Fundação Jérôme Lejeune
 

O postulador da causa da canonização de Jérôme Lejeune, Aude Dugast, elogiou o caráter heroico das virtudes do geneticista francês, e seu legado espiritual e intelectual que mudou a visão do mundo da síndrome de Down.

Nascido em 13 de junho de 1926 em Montrouge, França, o doutor Lejeune descobriu em 1958 a trissomia do par de cromossomos 21, responsável pela síndrome de Down.

A descoberta foi publicada na revista Nature em 1959. Desde então, Lejeune dedicou todos os seus esforços para defender essas crianças das tentativas de instrumentalizar sua descoberta para justificar o aborto de crianças com Down.

Essa postura de Lejeune na defesa do direito à vida de crianças com síndrome de Down fez com que sua candidatura ao Prêmio Nobel de Medicina de 1970 não prosperasse, apesar da importância de sua descoberta.

Em uma entrevista ao National Catholic Register, Dugast disse que a virtude da fé do geneticista francês é óbvia, "ele nunca duvidou e sua fé cresceu junto com sua inteligência e conhecimento científico".

“Todo o seu ser estava orientado para a busca da verdade”, disse. “Como resultado, ele usou sua inteligência científica e espiritual para descobrir os mistérios do mundo criado com o grande mérito de poder transmiti-lo ao mundo com palavras simples e com grande humildade”, acrescentou.

O postulador disse que as capacidades do servo de Deus se combinavam com "uma caridade heroica porque tinha um amor incondicional por seus pacientes que demonstrava quando se falava do aborto de crianças com síndrome de Down”.

“Ele não seguiu o espírito da época. Sua moral estava a salvo. E isso é heroico porque ele sabia que teria muitos problemas por fazer isso, ele sabia. Mas disse que ele era o defensor natural dessas crianças porque não podiam se defender sozinhas", comentou.

Dugast disse que o geneticista se manteve "incrivelmente tranquilo e gentil" mesmo quando as portas se fecharam, e foi graças a isso que foi reconhecido como “o verdadeiro defensor da vida. Esta é a marca da sua natureza heroica”.

O postulador acrescentou que o geneticista católico via "no paciente uma pessoa feita à imagem de Deus" e destacou que este olhar "de amor e esperança transforma o paciente e os pais".

“Tenho muitos testemunhos de pais que ficaram maravilhados com a maneira como Lejeune recebeu seu filho e olhou para ele. Isso os ajudou a olhar para seu filho deficiente com amor renovado”, acrescentou.

A justiça, disse ele, é a "grande virtude cardeal de Lejeune", que lutou "pelo reconhecimento dos direitos de todos os nascituros" e não teve medo de "sacrificar a própria carreira" por esta causa.

Dugast disse que essa decisão fez com que o servo de Deus perdesse muitas coisas no processo, como o Prêmio Nobel, ao qual foi nomeado duas vezes; mas nada poderia o desviar do que “via como a verdade da inteligência e a verdade do coração” sobre o valor da vida.

“Em nosso mundo pós-moderno, a pressão é enorme, e se a pessoa não é livre interiormente, se não está disposta a perder tudo para seguir a própria consciência, sempre estará em perigo de se comprometer”, lamentou.

O postulador disse que o legado científico de Lejeune revolucionou o mundo da genética e a vida das famílias com crianças com deficiência.

“Não percebemos hoje, mas antes dessa descoberta em 1958, as famílias que tinham um filho com síndrome de Down, ou uma criança 'mongolóide' como eram chamadas na época, estavam perdidas, sem mencionar a forma como a sociedade via os seus filhos e, portanto, como os via”, acrescentou.

Dugast lamentou que as famílias com filhos com deficiência naquela época tenham sido condenadas ao ostracismo e a viver escondidas, onde as outras filhas não podiam se casar.

“Ao mostrar que se tratava de uma doença cromossômica, Lejeune revolucionou a visão da sociedade sobre as famílias e restaurou sua dignidade. Isso as libertou do peso da suspeita e da fatalidade", disse.

O postulador destacou que o servo de Deus fez da genética uma disciplina “por direito próprio, criou os primeiros certificados citogenéticos, foi o primeiro professor da primeira cátedra acadêmica de genética na França. Ele também foi reitor da Universidade de Medicina de Paris”.

“Diz-se que ele foi o pai da genética moderna. Todos os geneticistas da França durante 30 anos foram seus alunos. Teve um impacto enorme, não só na França, mas também nos EUA e em todo o mundo”, disse.

Mas o seu impacto foi também no plano espiritual, onde o servo de Deus conseguiu demonstrar que “a fé e a ciência andam de mãos dadas, que para ser um grande cientista não é preciso deixar a fé de lado”, e para ser um homem venerável, com virtudes heróicas, “não precisa deixar a inteligência de lado”.

“A inteligência de Jérôme Lejeune está verdadeiramente no centro da sua santidade”, acrescentou.

Dugast também destacou o papel fundamental de Birthe Lejeune, esposa do geneticista francês, a quem descreveu como “mais do que uma mão direita. Ela era parte total dele”.

“Jérôme Lejeune não seria o homem que conhecemos se a senhora Lejeune não estivesse ao seu lado, mesmo que apenas em um nível muito simples. A senhora Lejeune era uma espécie de força vital pura, e Jérôme era um cientista, um poeta, que também era muito concreto, mas não tinha a força vital da senhora Lejeune”, acrescentou.

(acidigial) 

Hoje é dia de são Nicolau Owen, o carpinteiro que salvou padres nos seus esconderijos


São Nicolau Owen São Nicolau Owen
 

Hoje (22), a Igreja celebra são Nicolau Owen, o irmão jesuíta que foi carpinteiro, artesão e pedreiro e se especializou na construção de esconderijos e abrigos para proteger o clero perseguido na Inglaterra no final do século XVI e início do século XVII.

São Nicolau foi canonizado em outubro de 1970 pelo papa são Paulo VI como parte do grupo "40 Mártires da Inglaterra e País de Gales".

"Mansos como pombas" (Mt 10,16)

São Nicolau Owen S.J. nasceu em Oxford em 1550 e morreu na capital inglesa em 1606, torturado na “Torre de Londres”, o “Palácio Real e Fortaleza de Sua Majestade”. A torre do castelo abrigava a prisão que serviu de centro de tortura e execução durante a longa perseguição organizada pela coroa britânica contra os católicos, após a ruptura final com Roma em 1534.

Nicolau era filho de um carpinteiro chamado Walter Owen, com quem aprendeu o ofício. Ele também trabalhou como artesão e pedreiro.

Em 1580,  quando tinha cerca de 30 anos, apresentou-se à Companhia de Jesus e foi aceito como "irmão leigo" (nunca foi ordenado padre). Nos dezoito anos seguintes, ele serviu como assistente de dois padres jesuítas: o padre Henry Garnet e o padre John Gerard.

Quando a perseguição se intensificou nos últimos anos do reinado de Elizabeth I e nos primeiros anos de seu sucessor, James I da Escócia, todo padre capturado era levado à prisão sob a acusação de traição à Coroa - o que significava morte quase certa. Como muitos jesuítas, Nicolau manteve sua identidade em segredo para escapar dos perseguidores e fazer seu serviço espiritual.

Neste período, o irmão jesuíta começou a construir abrigos e esconderijos nas casas de algumas famílias católicas. Esse trabalho foi indispensável: os padres só podiam celebrar a missa e administrar os sacramentos na clandestinidade, não era prudente ficar por muito tempo numa mesma casa.

"Astutos como as serpentes" (Mt 10,16)

Para passar despercebido, Owen trabalhava de dia como carpinteiro e à noite ia para a 'casa designada', na qual se esconderia algum padre. Ele construía sozinho um priest hole (buraco do padre, em português), uma câmara secreta habilmente camuflada, na qual geralmente só uma pessoa poderia se esconder para não chamar a atenção.

A expressão inglesa "priest hole" faz alusão às tocas construídas por alguns animais como os coelhos, por isso daria para compreender melhor pensando na expressão "rabbit hole" (a "toca do coelho"). Seria necessário traduzir, talvez, esta expressão por "a toca do padre". A analogia por trás do termo sugere muito sobre o espaço limitado e a dificuldade de ficar dentro da toca.

"Meu amparo, meu refúgio, meu Deus" (Sl 91,2)

O irmão Owen não aceitava nenhum pagamento por seu trabalho, um pouco de comida e abrigo lhe bastavam, porque entendia que sua recompensa era servir aqueles que agem in persona Christi ("na pessoa de Cristo"), os padres.

"Talvez ninguém tenha contribuído mais para a preservação da religião católica na Inglaterra durante os tempos das leis penais [contra os católicos] do que um humilde artesão chamado Nicolau Owen, que no reinado de Jaime I salvou a vida de muitos padres por sua extraordinária capacidade de inventar esconderijos”, diz padre Alban Butler em "Vidas dos Santos".

Em cada uma de suas construções, o santo mostrava sua habilidade técnica e criatividade. Graças a ele, muitos perseguidos puderam ser salvos e a Igreja permaneceu viva nas sombras. Os esconderijos foram tão bem desenhados que nunca foram descobertos pelos guardas, e hoje acredita-se que ainda faltam alguns para serem descobertos.

"Teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará" (Mt 6,6)

Em 1594, são Nicolau Owen foi capturado e preso junto com seu amigo padre John Gerard. Foi torturado, mas não deu nenhuma informação sobre a localização dos esconderijos. No final, seus captores gananciosos o libertaram em troca do dinheiro arrecadado por um grupo de católicos que sabiam da importância de seu trabalho. O santo aproveitou a sua liberdade para arquitetar e fazer a audaciosa fuga do padre Gerard

Em janeiro de 1606, Nicolau Owen estava escondido com dois padres, os padres Garnet e Oldcorne. De repente, eles perceberam que estavam cercados. Nicolau sabia que o procuravam, então saiu do esconderijo e se entregou com a intenção de que as autoridades abandonassem a busca e não encontrassem os padres, que para ele eram mais importantes para a salvação da Inglaterra. E assim aconteceu.

A Torre de Londres foi a sua última morada. Mesmo quando foi submetido a terríveis torturas, ele não traiu ninguém. Por vários dias, seus carrascos o suspenderam no ar por horas. Finalmente, seu corpo não aguentou mais, teve uma hérnia que estourou e morreu em 2 de março de 1606.

 

Se creres, verás a glória de Deus (Jo 11,1-45) Palavra de Deus | Irmã Maria Raquel 22/03


 

Laudes do 5º Domingo da Quaresma