Caminhando
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Leão XIV pede reforço do valor da liturgia na formação cristã
Por Eduardo Berdejo
26 de ago de 2026 às 07:18
Em mensagem aos participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional, realizada em Catânia, Itália, o papa Leão XIV pediu o fortalecimento e a recuperação, quando necessário, do valor da liturgia na formação cristã.
A mensagem traz a assinatura do secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, e foi enviada em nome do papa ao arcebispo de Catanzaro, Claudio Maniago, anfitrião do evento que ocorre de 24 a 27 de agosto com o lema Uma Igreja que gera. Liturgia e iniciação cristã.
O texto, datado de 6 de agosto, cita as palavras que o papa dirigiu aos membros da Conferência Episcopal Italiana em sua recente assembleia geral, quando disse que a iniciação cristã "não pode ser pensada só como preparação para os sacramentos", mas como o ventre no qual a comunidade gera a fé e a introduz na vida pascal.
"A unidade entre catequese e celebração tem caracterizado a fecunda generatividade da Esposa de Cristo desde as suas origens, quando os irmãos 'se dedicavam ao ensino dos apóstolos, à comunhão, à fração do pão e à oração' ", diz o texto.
A mensagem diz que "o Santo Padre nos chama a voltar à fonte, fortalecendo e, quando necessário, recuperando, na formação cristã, o valor da liturgia, na qual o mistério de Cristo nos alcança, nos transforma e nos faz nascer como novas criaturas".
A mensagem diz que, em suas audiências de quarta-feira, o papa abordou os documentos do Concílio Vaticano II e disse, na catequese de 3 de junho, que "os ritos da liturgia cristã não são um revestimento exterior do mistério sacramental, um conjunto de cerimônias arbitrárias, mas são a mediação eclesial através da qual o dom divino nos alcança".
Ele diz ser "necessário ensinar como cultivar e apreciar a solenidade sóbria dos gestos litúrgicos, ajudando as pessoas a compreender e viver seus significados do modo mais pleno possível".
Por fim, a mensagem enviada em nome do papa diz que "a liturgia é um lugar privilegiado" para ouvir e compreender a Palavra de Deus e, assim, "é essencial dar a conhecer esse patrimônio àqueles que se aproximam dos caminhos da Iniciação Cristã, ensinando-os a alimentar-se dele frequentemente, com um coração atento e sedento, e fornecendo-lhes as ferramentas adequadas".
"Só assim a fé, nascida do altar, pode alcançar os caminhos da humanidade, dando frutos de bondade, reconciliação e paz", diz o texto enviado aos participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional.
Concílio Vaticano II reformou a liturgia para promover participação ativa, diz Leão XIV
Por Ishmael Adibuah
26 de ago de 2026 às 09:55
CIDADE DO VATICANO — O papa Leão XIV descreveu hoje (26) as reformas litúrgicas que se seguiram ao Concílio Vaticano II como necessárias para incentivar a participação ativa dos fiéis.
“Uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar essa experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva”, disse Leão XIV. “A reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II se insere, portanto, na tradição viva da Igreja”.
Em audiência geral hoje no Vaticano, o papa concluiu sua catequese de verão sobre a constituição litúrgica do Concílio Vaticano II, Sacrosanctum concilium. A audiência foi realizada na basílica de São Pedro por causa do calor do verão romano.
Os fiéis não podem ser passivos na liturgia
Leão XIV defendeu a decisão dos padres conciliares no Concílio Vaticano II de reformar a liturgia, citando uma carta que o papa são Paulo VI escreveu quando arcebispo de Milão, Itália, para encorajar a participação dos fiéis.
“Motivado por essas convicções, o futuro papa são Paulo VI disse que os fiéis não podem e não devem mais permanecer em silêncio e passivos. Sua presença física não pode ser conciliada com sua ausência espiritual”, disse Leão XIV.
O papa disse também que a liturgia tem aspectos divinos que não podem mudar e elementos humanos que podem mudar para promover a participação dos fiéis.
“Quando a Igreja faz uma reforma da liturgia — um processo constante de desenvolvimento ao longo dos séculos — é importante distinguir entre os elementos divinos e imutáveis e os elementos humanos, que podem sofrer várias modificações”.
“Surgiu a necessidade de os fiéis celebrarem as liturgias de modo mais consciente e ativo, não como estranhos e espectadores silenciosos, mas participando plenamente do mistério salvífico”, disse Leão XIV.
A reforma litúrgica começou muito antes do Concílio Vaticano II
A liturgia atual da Igreja foi estabelecida em 1969, depois do Concílio Vaticano II. Ela substituiu a antiga liturgia tridentina, padronizada desde o Concílio de Trento, em 1570.
A liturgia tridentina foi substituída depois do Concílio. O papa Bento XVI permitiu maior acesso a ela em 2007, mas o papa Francisco restringiu esse acesso em 2021.
Leão XIV disse também que a reforma litúrgica começou muito antes do Concílio Vaticano II, sob o pontificado de vários papas.
“A constituição apostólica Divini Cultus, de Pio XI, também já havia retomado a necessidade de os fiéis não assistirem às celebrações como estranhos ou espectadores mudos”, disse o papa.
Leão XIV falou também sofre a reforma da liturgia da Semana Santa Tridentina feita pelo papa venerável Pio XII em 1955, que "reorganizou os ritos da Semana Santa, recolocando-os nos horários correspondentes aos acontecimentos pascais, depois de terem sido antecipados por séculos para o período da manhã".
Leão XIV falou também sobre as intervenções do papa são João XXIII, que convocou o Concílio Vaticano II em 1959. Leão XIV disse que são João XXIII contribuiu para a reforma litúrgica da Igreja ao simplificar “as rubricas do Breviário e do Missal, nas quais ele apresentou a definição dos princípios fundamentais de uma reforma litúrgica”.
“A liturgia é uma realidade viva e esteve sempre sujeita a evoluções e mudanças”, disse Leão XIV.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Audiência Geral, 26 de agosto 2026 - Papa Leão XIV
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Basílica de São Pedro
Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II III. Constituição Sacrosanctum Concilium 8. As razões da reforma litúrgica
Locutor:
Nesta catequese, a última sobre a Constituição Sacrosanctum Concilim do Vaticano II, refletimos sobre as razões pelas quais os Padres conciliares reformaram a liturgia. Efetivamente, a Igreja vela para que os cristãos não sejam meros espectadores mudos durante a celebração do mistério da fé, mas sejam introduzidos no evento salvífico de Cristo através dos gestos e das palavras da sagrada liturgia, que comunica a vida de Deus. Portanto, reformam-se os textos e os ritos para que estes «exprimam com mais clareza as coisas santas que significam, e, quanto possível, o povo cristão possa mais facilmente […] participar neles por meio de uma celebração plena, ativa e comunitária» (n. 21), crescer na fé e configurar-se cada vez mais com Cristo.
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Santo Padre:
Saluto di cuore i pellegrini di lingua portoghese, specialmente il gruppo di catechismo di Válega, in Portogallo. Carissimi, gioite nella Chiesa Madre e Maestra, e partecipate sempre più attivamente nelle celebrazioni liturgiche, dove vi arricchite dall’insegnamento divino e vi nutrite del Corpo di Gesù che ci custodisce nell’unità. Dio vi benedica!
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Locutor:
Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em especial o grupo de catequese de Válega, em Portugal. Caríssimos, alegrai-vos na Igreja Mãe e Mestra, e participai cada vez mais ativamente nas celebrações litúrgicas, nas quais vos enriqueceis com o ensinamento divino e vos nutris do Corpo de Jesus, que nos guarda na unidade. Deus vos abençoe!
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Audiência aos Bispos da Igreja Luterana da Noruega
SAUDAÇÃO DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
AOS BISPOS DA IGREJA DA NORUEGA
Quarto adjacente ao Audience Hall
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
Queridos amigos,
É-me grato receber-vos esta manhã em Roma e aqui no Vaticano, e espero que tenhais tempo, ou tenhais tido tempo, para visitar os vários locais sagrados associados aos primeiros cristãos e mártires, cujo testemunho da fé em nosso Senhor continua a ser uma fonte duradoura de inspiração, encorajando-nos igualmente a dar a nossa vida pela glória de Deus e pelo bem dos nossos irmãos e irmãs.
Não há dúvida de que enfrentamos desafios difíceis em nosso próprio tempo, à medida que o mundo passa por um período particularmente turbulento. Parece haver uma crescente animosidade entre os povos, evidente não só em conflitos e disputas internacionais, como você mencionou, mas também dentro de países individuais, como demonstrado pela amargura que freqüentemente caracteriza o discurso político e social.
Dada a nossa condição humana caída, é muito fácil adotar uma atitude de hostilidade em relação àqueles com quem discordamos. Por esta razão, é necessário um esforço concertado para buscar caminhos concretos de reconciliação e de fraternidade. A este respeito, Jesus nos mostra outro caminho, revelando que a bondade e a caridade têm o poder de desarmar. Estou, portanto, sinceramente grato pela vossa presença aqui e pelo vosso desejo comum de procurar formas de construir a comunhão. De fato, mesmo pequenos gestos podem nos inspirar e guiar pelo caminho da reconciliação.
Como bem sabemos, nosso Senhor orou ao Pai celestial pela unidade de seus discípulos: “para que se tornem completamente um só, para que o mundo saiba que me enviaste e os amaste assim como me amaste” (Jo 17,23). Fundamentado em nosso Batismo comum e nossa missão compartilhada no mundo, rezo para que possamos sempre crescer juntos em nosso serviço à promoção da paz e da justiça.
À medida que seguimos neste caminho, podemos olhar para o exemplo dos primeiros mártires e dos santos, como São Olaf e Santa Sunniva, cujas vidas, dedicadas a Deus e ao próximo, ajudaram a unir os povos e a dar testemunho duradouro do poder transformador da caridade.
Por isso, meus queridos amigos, meus queridos irmãos e irmãs, agradeço-vos mais uma vez a vossa vinda esta manhã e a vossa proximidade. Peçamos a bênção de Deus, para que, na infinita bondade e sabedoria de Deus, ele nos ajude a viver cada vez mais verdadeiramente como irmãos e irmãs, e assim dar testemunho comum de nosso Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo.
Obrigado.
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Chanceler da Santa Sé discute guerra na Ucrânia com autoridades na Rússia
Por Ishmael Adibuah
25 de ago de 2026 às 14:56
O arcebispo Paul Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais, reuniu-se hoje (25) com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, na Rússia, para discutir a guerra em curso entre a Rússia e a Ucrânia.
A Secretaria de Estado da Santa Sé anunciou a reunião em sua conta na rede social X no mesmo dia, descrevendo-a como um encontro onde “temas de interesse comum e questões internacionais da atualidade” foram discutidos entre as duas partes.
“No encontro, foram abordados temas de interesse comum e questões internacionais da atualidade, com especial atenção à guerra na Ucrânia e às perspectivas de paz”, disse o comunicado divulgado na rede social X.
O encontro ocorreu no primeiro dia da viagem de Gallagher à Rússia, de 25 a 27 de agosto. O Vatican News, serviço de informações da Santa Sé, descreveu a viagem de Gallagher como “uma missão de diálogo e paz”. Essa é a primeira viagem dele à Rússia desde 2021.
Segundo a agenda publicada na rede social X pela Secretaria de Estado da Santa Sé, o encontro de Gallagher com Lavrov hoje será seguido por uma reunião com o metropolita Anton de Volokolamsk, presidente do Departamento de Relações Externas da Igreja do Patriarcado de Moscou.
Gallagher vai se reunir amanhã (26) com Yuri Ushakov, assessor de política externa do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e na quinta-feira (27), com membros do clero católico, religiosos e bispos. Ele também celebrará uma missa na catedral da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, em Moscou, Rússia.
O Vatican News disse que a agenda de Gallagher “confirma a determinação da Santa Sé em continuar no caminho do diálogo, mesmo num dos momentos mais difíceis das relações internacionais em nível global”.