Caminhando
segunda-feira, 25 de maio de 2026
O Papa apresenta a Magnifica humanitas: "Desarmar a IA"
Salvatore Cernuzio – Vatican News
Assim como “o Leão de outrora”, o Papa Leão XIII, também o “Leão” de hoje, o Papa Leão XIV, volta seu olhar para as “res novae”, para aquelas “coisas novas” que desafiam o tempo, a história e a humanidade. E se naquela época era a revolução industrial, com as muitas e complexas mudanças no mundo do trabalho e as novas formas de pobreza impostas, hoje é a Inteligência Artificial, com seu potencial e seus perigos, que está sob os olhos e no coração do Pontífice, que lança uma invocação universal: "Desarmar a IA".
A Inteligência Artificial hoje precisa ser "desarmada", libertada das lógicas que a transformam em instrumento de dominação, exclusão ou morte.
Discernir o futuro da humanidade
O Papa Leão XIV fala por metáforas, mas também por referências históricas, em seu discurso proferido na Sala do Sínodo, na apresentação da Magnifica humanitas, a primeira encíclica de seu pontificado, publicada na manhã desta segunda-feira, 25 de maio. Nunca antes um Papa esteve na Sala para apresentar ao público um seu documento magisterial. É também a primeira vez que, além de cardeais e professores, se sentam ao lado do Pontífice especialistas em alta tecnologia. Um sinal da importância e da atenção ao tema abordado na encíclica, um símbolo e sintoma da "gravidade do momento" que estamos vivendo e que causa preocupação na Igreja, chamada a "decifrar coisas novas à luz do Evangelho e da dignidade do ser humano". Uma angústia que Leão XIV enfrenta com confiança:
A confiança de que, juntos, podemos discernir as grandes questões do nosso tempo e, portanto, o futuro da humanidade.
Nos passos de Leão XIV
Cento e trinta e cinco anos atrás, o Papa Pecci observou a situação difícil dos trabalhadores e das famílias desenraizadas e empobrecidas pela rápida transformação industrial e “compreendeu que a Igreja não podia permanecer à margem”. Num momento de “mudança de época” que “ameaçava a dignidade humana”, ele escreveu a encíclica Rerum Novarum. No mesmo espírito, o Papa Prevost — que assinou simbolicamente a Magnifica humanitas em 15 de maio, dia da publicação da Rerum Novarum — diz que se sente “chamado a olhar para outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com os gritos dos pobres e da terra que ressoam em” seu “coração”.
Este é o sentido das aproximadamente 200 páginas, resultado de uma reflexão de dez anos no seio da Santa Sé sobre as novas tecnologias e a Inteligência Artificial, que hoje impactam "muitas áreas de nossas vidas", influenciam decisões e estão "mudando radicalmente a forma como a guerra é travada".
Fruto da escuta
Há tantas contribuições, reflexões e sugestões nesta encíclica que — como o próprio Papa explica — tem uma única raiz: "A escuta". A escuta de cientistas e engenheiros que "trabalham com sincero entusiasmo em tecnologias capazes de aliviar sofrimentos imensos"; a escuta de "líderes políticos e funcionários públicos que perseveraram na busca por regras justas"; a escuta de "pais e professores profundamente preocupados com o futuro das novas gerações".
Também chegaram até mim outros relatos, bastante perturbadores, sobre sistemas de armas cada vez mais autônomos, praticamente fora do controle humano. Estou recebendo relatos muito preocupantes sobre algoritmos que podem negar acesso a saúde, trabalho e segurança com base em dados contaminados por preconceito e injustiça.
Junto com essas vozes, ressoou também forte “o silêncio de quem não tem voz quando as decisões são tomadas”, explica o Papa Leão XIV, “decisões que correm o risco de gerar novas formas de exclusão e sofrimento”.
Desarmar…
De tudo isso, desenvolveu-se uma convicção que o próprio Pontífice chama de "perturbadora" e que norteia a encíclica: "A Inteligência Artificial deve ser desarmada". "A palavra é forte, eu sei", admite Leão XIV, "mas foi escolhida deliberadamente porque este momento precisa de palavras capazes de chamar a atenção, despertar consciências e indicar o caminho a seguir para a humanidade."
… e construir
A Igreja está comprometida há muito tempo com o desarmamento nuclear, como um "serviço à paz e à dignidade da família humana". Da mesma forma, "a Inteligência Artificial requer hoje que seja desarmada", porque "como a energia nuclear, deve estar a serviço de todos e do bem comum". E "as decisões sobre a tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade".
A paz, e não apenas a ausência de guerra, é a justiça em ação. Mas quando a tecnologia enfraquece nosso senso crítico, a própria paz fica em risco. Desarmar, porém, não basta. Precisamos construir.
"Ninguém reconstrói sozinho"
Esta última indicação, "reconstruir", traz à tona outra lembrança da história para Robert Francis Prevost. A história mais recente e pessoal de seus anos de missão no Peru. Especificamente, 2017, quando chuvas torrenciais e inundações causadas pelo El Niño atingiram o norte do país: "Muitas famílias viram suas casas engolidas pela lama, e o mesmo aconteceu com muitas estradas." "Ali", confidencia o Papa, "aprendi que reconstruir não significa simplesmente substituir o que foi destruído. Significa consertar laços, restaurar a confiança e reacender a esperança no futuro. Além disso, ninguém reconstrói sozinho."
Somente com uma visão tão integral a Inteligência Artificial poderá ser orientada para o bem comum. Somente juntos — quem projeta os sistemas e quem sofre suas consequências, os países mais ricos e os mais pobres, as instituições e os indivíduos, os centros de poder e as periferias — seremos capazes de construir um futuro não para poucos privilegiados, mas para toda a família humana.
A sabedoria da Igreja
Esta é a “civilização do amor”, proclamada com veemência por São Paulo VI e São João Paulo II. É por isso que a Igreja deseja, “com humildade e franqueza”, participar do diálogo sobre IA: “Não possuímos respostas técnicas, nem pretendemos substituir quem tem competência”, observa o Papa. “Mas contribuímos com uma sabedoria sobre o humano que o nosso tempo necessita desesperadamente: cada pessoa é única e insubstituível, um sujeito livre e inteligente, dotado de consciência, capaz de buscar a Deus, servir aos outros e cuidar da nossa casa comum.”
Concluindo, o Papa faz um convite a todos os membros da Igreja e da família humana: "Aprendamos a ouvir uns aos outros, a enfrentar com coragem os desafios do presente e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna". Que este lançamento da Magnifica humanitas, espera o Papa Leão XIV, possa inaugurar uma nova era de "artesãos da esperança" que continuarão a "construir o canteiro de obras do nosso tempo".
Hoje é celebrada a memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja
Virgem Maria, Mãe da Igreja | ACI DigitalPor Redação central
25 de mai de 2026 às 08:35
Hoje (25), segunda-feira depois do Domingo de Pentecostes, é celebrada a memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja. A data foi estabelecida pelo papa Francisco no início de 2018, por meio de um Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
“Esta celebração ajudará a recordar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos”, diz o documento.
O texto diz que o papa Francisco decidiu estabelecer esta memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja, “considerando atentamente quanto à promoção desta devoção possa favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana”.
O evangelho de são João narra que, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe’” (Jo 19,25-27).
Com referência a este episódio evangélico, o decreto destaca que a Virgem Maria “aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito”.
“Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial”.
"Dedicada guia da Igreja nascente, Maria iniciou, portanto, a própria missão materna já no cenáculo, rezando com os Apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo”, continua o texto.
Segundo o decreto, ao longo dos séculos, “a piedade cristã honrou Maria com os títulos, de certo modo equivalentes, de Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo e, também, ‘Mãe da Igreja’, como aparece nos textos dos autores espirituais assim como nos do magistério de Bento XIV e Leão XIII”.
Recorda que Paulo VI, "a 21 de novembro de 1964, por ocasião do encerramento da terça sessão do Concílio Vaticano II, declarou a bem-aventurada Virgem Maria ‘Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima’ e estabeleceu que ‘com este título suavíssimo seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão’”.
Além disso, lembra que "a Santa Sé" propôs "uma Missa votiva em honra de Santa Maria, Mãe da Igreja", por ocasião do Ano Santo da Reconciliação em 1975. “A mesma deu a possibilidade de acrescentar a invocação deste título na Ladainha Lauretana (1980), e publicou outros formulários na Coletânea de Missas da Virgem Santa Maria (1986). Para algumas nações e famílias religiosas que pediram, concedeu a possibilidade de acrescentar esta celebração no seu Calendário particular”.
O papa Francisco “estabeleceu que esta memória da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja inscrita no Calendário Romano na Segunda-feira depois do Pentecostes, e que seja celebrada todos os anos”.
domingo, 24 de maio de 2026
SANTA MISSA NA SOLENIDADE DE PENTECOSTES , HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
SANTA MISSA NA SOLENIDADE DE PENTECOSTES
CAPELA PAPAL
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Basílica de São Pedro
Domingo, 24 de maio de 2026
Queridos irmãos e irmãs,
O Tempo Pascal chega hoje, dia da solenidade de Pentecostes, ao seu termo. Para sublinhar a unidade deste acontecimento de salvação, o Evangelho conduz-nos novamente ao «primeiro dia da semana» (cf. Jo 20, 19), ou seja, àquele dia novo em que Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, mostrando-lhes «as mãos e o peito» (v. 20). O Senhor revela o seu corpo glorioso, exatamente as suas chagas, as feridas da crucificação. Estes sinais da Paixão, mais eloquentes do que qualquer discurso, são transfigurados: Aquele que estava morto vive para sempre.
Ao verem o Senhor, também os discípulos voltam à vida: tinham-se sepultado cheios de medo no cenáculo, mas Jesus, apesar das portas fechadas, entra ali e enche-os de alegria. Quando para nós já não havia saída, Ele passa através da nossa morte, abre o sepulcro e escancara-o. Ao seu gesto, Cristo junta a palavra: «A paz esteja convosco» (v. 19); e, imediatamente a seguir, sopra sobre os discípulos o Espírito Santo. O Ressuscitado está cheio de vida: depois de ter mostrado a do corpo, como verdadeiro homem, doa a de Deus, como Filho amado do Pai, por nós feito irmão e Redentor. No mesmo cenáculo onde instituiu a nova e eterna aliança, Jesus efunde o Espírito: o lugar da ceia e da traição transforma-se e, de sepulcro dos Apóstolos, torna-se para toda a Igreja seio de ressurreição. Por isso, o Pentecostes é festa pascal e festa do corpo de Cristo, que nós somos por graça.
Ao celebrarmos este mistério, gostaria de me deter em três aspetos.
Em primeiro lugar, o Espírito do Ressuscitado é o Espírito da paz. Na sua Páscoa, Cristo estabelece a paz entre Deus e a humanidade, e o Espírito Santo infunde-a nos corações e difunde-a pelo mundo. Esta paz provém do perdão e leva-nos ao perdão: começa com o perdão dado pelo próprio Jesus, que foi por nós traído, condenado e crucificado. Surpreendendo-nos com o seu amor, precisamente Ele, o Ressuscitado diz: «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» (Jo 20, 23). Com estas palavras, Jesus confia-nos uma obra divina, porque só Deus pode perdoar os pecados (cf. Mc 2, 7). Tal autoridade é concedida em sinal de uma reconciliação universal: o Senhor derrama o Espírito da paz de um extremo ao outro da história, porque Aquele que redimiu todos da morte não exclui ninguém. O Espírito Santo, com efeito, é o Senhor que dá a vida desde o início da criação, quando pairava sobre as águas (cf. Gn 1, 2), e agora, com a sua redenção, transforma a história do mundo: na verdade, o Pentecostes realiza-se como festa da Nova Aliança: a aliança entre Deus e todos os povos da terra. Enquanto o ruído vindo do céu, o vento e as línguas de fogo no Cenáculo recordam os antigos sinais do Sinai (cf. Act 2, 2-3; Ex 19, 16-19), a santa lei de Deus é escrita nos corações, gravada pelo Espírito com letras de amor na carne de Cristo e no seu corpo, que é a Igreja.
Esta lei é o código da paz, é o duplo mandamento do amor que o Espírito nos recorda a cada batimento cardíaco. Por isso, com o nosso coração podemos invocar: «Veni Sancte Spiritus», porque Ele já nos foi dado. Podemos desejá-Lo, porque já nos foi prometido. Podemos acolhê-Lo, porque Ele próprio é o doce hóspede da alma.
Um segundo aspeto: o Espírito do Ressuscitado é o Espírito da missão: «Assim como o Pai me enviou», diz o Senhor, «também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). Somos deste modo envolvidos na missão de Jesus: a missão d’Aquele que sai de Deus e a Deus regressa com o poder do Espírito, o qual procede do Pai e do Filho, com Eles é adorado e glorificado, único Deus. O Espírito Santo é a caridade viva de Cristo que nos preenche, impele e sustenta na missão (cf. 2Cor 5, 14). Enquanto dá aos Apóstolos o poder de se expressarem nas mais diversas línguas (cf. Act 2, 4), o mesmo Espírito ensina à humanidade a palavra da salvação. Agora que os Apóstolos receberam o Sopro do Ressuscitado dentro de si, este anúncio sai da sua boca, tem a voz de Pedro e dos que estão com ele. Precisamente no dia de Pentecostes, os Apóstolos começam a anunciar Jesus, crucificado e ressuscitado: «as maravilhas de Deus» (Act 2, 11) resumem-se todas na redenção, que inicia com a fé. Com efeito, a primeira obra do Espírito Santo em nós é a fé com a qual professamos que «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3). Esta fé vive e expressa-se em cada boa ação, em cada ato de misericórdia e de virtude. A obra de Deus, portanto, somos nós que, de todas as partes do mundo, viemos hoje aqui, convidados para a mesa do Senhor, reunidos para escutar a sua palavra e enviados para a testemunhar em toda a parte.
Caríssimos, somos verdadeiramente participantes do Evangelho: toda a Igreja é dele protagonista, não apenas guardiã. Com a força do Espírito, o nosso anúncio enche-se de alegria e esperança, porque nós, justamente nós, somos a novidade do mundo, a luz e o sal da terra (cf. Mt 5, 13-14). Certamente não por nosso mérito ou privilégio, mas pela palavra do Senhor, que santifica o pecador, cura o leproso, faz daquele que O renegou um apóstolo. Por um lado – vemo-lo bem – há mudanças que não renovam o mundo, mas o envelhecem entre erros e violências. Por outro lado, o Espírito Santo ilumina as mentes e suscita nos corações novas forças de vida. É assim que transfigura a história, abrindo-a à salvação, isto é, ao dom que o único Senhor partilha com todos. A missão da Igreja atesta essa partilha, transformando a confusão do mundo em comunhão com Deus e entre nós.
Esta missão começa por anunciar a verdade de Deus e do homem, pois o Espírito do Ressuscitado é o «Espírito da verdade» (Jo 14, 17). O próprio Senhor prometeu-nos isso, pedindo unidade para a sua Igreja, uma unidade fundada no amor de Deus, fonte do nosso amor. O Espírito, que falou por meio dos profetas, promove sempre a unidade na verdade, porque suscita em nós compreensão, concórdia e coerência de vida. Como ensina Santo Agostinho, «o Espírito Santo quis que este fosse o sinal da sua presença» (Discurso 269,1): o dom das línguas que se compreendem na única fé. O Paráclito defende-nos de tudo o que obstaculiza esta compreensão: das facções, das hipocrisias, das modas que obscurecem a luz do Evangelho. A verdade que Deus nos dá permanece assim como palavra libertadora para todos os povos, mensagem que transforma por dentro cada cultura.
O Espírito do Ressuscitado é derramado constantemente e não apenas uma vez. Assim como a Eucaristia é a presença viva de Cristo, que sempre nos alimenta, também o Espírito Santo imprime em nós o seu caráter no Batismo, que faz de nós cristãos; no Crisma, que nos torna testemunhas; na Ordem, que constitui ministros e pastores para o povo de Deus. Em cada Sacramento, Ele é dator munerum, fonte de santidade que multiplica dons e carismas na oração, nas obras de misericórdia, no estudo da Palavra de Deus. Como ensina o Apóstolo: «A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum» (1 Cor 12, 7). É precisamente por isso que somos Igreja, corpo único que vive de Deus e serve o mundo. Graças ao Espírito, podemos levar a todos a paz autêntica, a verdade que salva, ou seja, o próprio Cristo Senhor.
Caríssimos, com coração ardente, rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma superpotência, mas pela Omnipotência do amor. Rezemos para que Ele liberte a humanidade da miséria, que é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável. Rezemos para que nos cure da ferida do pecado, pela redenção anunciada a todos os povos em nome de Jesus. Esta é a graça que infunde coragem aos Apóstolos: por intercessão de Maria, Mãe da Igreja, a infunda também em nós, hoje e sempre.
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Regina Caeli, 24 de Maio de 2026 - Papa Leão XIV
PAPA LEÃO XIV
REGINA CAELI
Praça de São Pedro
Domingo de Pentecostes, 24 mai 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Nesta Solenidade de Pentecostes, somos chamados a contemplar o dom do Espírito Santo, derramado em abundância sobre a Igreja nascente e, hoje, novamente dado aos seus membros, como luz e força que os acompanha em todas as situações da vida.
Podemos deter-nos numa imagem do Espírito que nos é oferecida pela liturgia de hoje: o Espírito abre as portas. Com efeito, o Evangelho diz-nos: «estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas» (Jo 20, 19), e o Livro dos Atos dos Apóstolos conta-nos, ao mesmo tempo, que o Espírito irrompeu como um vento impetuoso (cf. Act 2, 2), que abriu aquelas portas, impelindo os discípulos a sair e a anunciar a Boa Nova de Cristo ressuscitado.
Podemos perguntar-nos também hoje: que portas abre o Espírito Santo?
A primeira porta é a do próprio Deus, no sentido em que nos abre o acesso ao mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo. Com o dom do seu Espírito, Deus concede-nos a verdadeira fé, faz-nos compreender o sentido das Escrituras, dá-se a conhecer como próximo e permite-nos participar na sua própria vida. O Espírito Santo ajuda-nos a fazer uma experiência pessoal de Deus, a encontrá-Lo em Jesus e não apenas na observância duma lei, a reconhecê-Lo em nós e a descobrir os sinais da sua presença na vida quotidiana.
A segunda porta é a do Cenáculo, ou seja, da Igreja. Sem o fogo do Espírito, a Igreja permanece prisioneira do medo, assustada diante dos desafios do mundo, fechada em si mesma e, por isso, incapaz de dialogar com os tempos que mudam. O Espírito abre as portas da Igreja para que esta seja acolhedora e hospitaleira em relação a todos, mesmo aqueles que fecharam as portas a Deus, aos outros, à esperança e à alegria de viver. Como recordou o Papa Francisco, somos chamados a ser «Igreja que abençoa e encoraja […] Igreja das portas abertas para todos» (Homilia na Missa de abertura da Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 4 de outubro de 2023, 4 de outubro de 2023).
Por fim, o Espírito Santo abre as portas dos nossos corações, ajudando-nos a vencer as resistências, os egoísmos, as desconfianças e os preconceitos, e tornando-nos capazes de viver como filhos de Deus e irmãos uns com os outros. Onde está o Espírito do Senhor, nasce a fraternidade entre as pessoas, os grupos, os povos da Terra, e todos falam a única língua do amor, que une e harmoniza as diversidades.
Irmãos e irmãs, também nos nossos dias, especialmente neste dia de Pentecostes, devemos invocar o Espírito Santo, para que Ele abra as portas que permanecem fechadas. Precisamos de redescobrir Deus como Pai que nos ama, de edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e de fazer crescer um mundo fraterno, onde reine a paz entre todos os povos.
Tal como os primeiros discípulos, confiemos na intercessão da Virgem Maria, Morada do Espírito Santo e Mãe da Igreja.
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Depois do Regina Caeli
Queridos irmãos e irmãs,
comemora-se hoje o Dia de Oração pela Igreja na China, na memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria Auxiliadora dos Cristãos, venerada com grande devoção no santuário de Sheshan, em Xangai. Unamos a nossa oração à dos católicos chineses, como sinal do nosso carinho por eles e da sua comunhão com a Igreja universal e com o Sucessor de Pedro. A intercessão da Rainha do Céu alcance à comunidade de crentes na China a graça da unidade e conceda a todos a força de testemunhar o Evangelho nas fadigas quotidianas, para serem sementes de esperança e de paz. Em particular, invoco o descanso eterno para as vítimas do acidente que ocorreu nos últimos dias numa mina no norte da China.
A Maria Santíssima, Auxílio dos Cristãos, confiemos também as comunidades cristãs da Terra Santa, do Líbano e de todo o Médio Oriente, que sofrem por causa da guerra.
Dirijo agora a minha saudação a todos vós, fiéis de Roma e peregrinos vindos de diversos países!
Saúdo, em particular, o grupo de pessoas com deficiência provenientes da Polónia; bem como os peregrinos que vieram de bicicleta de Kelmis, na Bélgica. Parabéns!
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Solenidade de Pentecostes
Vatican News
O autor do Evangelho deste domingo, João Evangelista, nos diz que a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos se deu no dia de Páscoa.
Ele deseja fazer-nos compreender que o Espírito que conduziu Jesus para sua missão de salvar a Humanidade é o mesmo que agora conduz a Igreja, comunidade dos seguidores de Jesus, na continuidade da mesma missão. A Igreja torna presente, na História, o Cristo Redentor.
Quando os discípulos, à tarde do primeiro dia da semana, estão reunidos o Senhor aparece no meio deles e lhes comunica a paz. Mostra-lhes os sinais de seus sofrimentos para lhes dizer que, apesar de seu aspecto glorioso, a memória da paixão não poderá ser deixada de lado, que a glória veio através da cruz.
Estamos no primeiro dia da semana, não nos esqueçamos. Exatamente com esse sentido do novo, do novo pós pascal, isto é, do novo eterno, que não caduca, que não envelhece, Jesus faz a nova criação soprando o Espírito sobre seus seguidores. É uma referência à criação do homem, relatada no cap. 2º, vers. 7 do Gênesis, quando diz que Deus insuflou em suas narinas o hálito de vida e o homem passou a viver. No relato desse fato na tarde pascal, temos a criação da Comunidade Cristã.
A missão é dada logo em seguida: perdoar os pecados e até retê-los, se for o caso. Pecado é aquilo que impede a realização do projeto do Pai, que é a felicidade do ser humano. Ora, perdoar os pecados significa lutar para que os planos de Deus cheguem à sua concretização e, evidentemente, devolvendo àquele que está arrependido de suas ações contrárias a esse plano, a reconciliação.
Pelo batismo e pela crisma fazemos parte dessa comunidade que deve continuar a missão redentora de Jesus. Que honra!
Que nossas ações, seja na família, no trabalho ou no meio dos amigos, colaborem com a alegria e felicidade daqueles que nos cercam. Assim estaremos dando glória a Deus, pois a glória de Deus é a felicidade do homem.