Caminhando
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Aumenta número de vocações na África e Ásia, alimentadas pela fé do Povo de Deus
Por Padre Guy Bognon*
O Dia Mundial de Oração pelas Vocações, instituído pelo Papa Paulo VI e celebrado oficialmente pela primeira vez no domingo, 12 de abril de 1964, é celebrado este ano em 26 de abril, IV Domingo da Páscoa, conhecido como "Domingo do Bom Pastor".
Este dia especial de oração pelas vocações tem uma ligação particular e muito próxima com a Pontifícia Sociedade de São Pedro Apóstolo, que se dedica exclusivamente às vocações sacerdotais e religiosas nos territórios sob a jurisdição do Dicastério para a Evangelização, Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares.
1. O Dia Mundial de Oração pelas Vocações: o que é?
Como muitas palavras que são esvaziadas de seu significado original para tranquilizar as consciências, o termo "vocação" é cada vez mais compreendido apenas em seu sentido genérico de inclinação, impulso irresistível ou particular que um indivíduo sente em relação a uma profissão, um tipo de atividade ou um estado de vida.
Como resultado, há uma crescente tendência de fazer deste dia um Dia de Oração por todos os estados de vida, por todos os tipos de vocação.
Mas se retornarmos ao contexto em que nasceu esta iniciativa do Papa Paulo VI, fica claro que não se tratava precisamente de rezar para que as pessoas sentissem ou abraçassem a vocação de historiador, romancista, empresário ou pintor, ou que muitos jovens escolhessem a vida matrimonial para se tornarem esposas e maridos, mães e pais na sociedade, já que não havia escassez nessa área.
Embora o termo "Vocação" possa assumir esses significados, ao falar do Dia de Oração pelas Vocações, a Igreja entende a expressão em seu sentido estrito como o movimento interior pelo qual o ser humano se sente chamado por Deus e destinado à vida consagrada, sacerdotal e religiosa. O objetivo deste Dia era, portanto, antes de tudo, rezar para que muitas pessoas, especialmente os jovens, decidissem se comprometer a se tornarem sacerdotes, religiosos e religiosas, para proclamar Cristo ao mundo com toda a sua vida.
De fato, por ocasião do primeiro Dia de Oração pelas Vocações, a primeira mensagem do Papa, no sábado, 11 de abril de 1964, começou com estas palavras que ecoam o convite de Cristo: "Rogai ao Senhor da Seara que envie trabalhadores" para a sua Igreja (cf. Mt 9,38). E a razão por trás dessa exortação era clara: “Ao contemplarmos com ansiedade a imensidão dos campos verdes que, em todo o mundo, aguardam mãos sacerdotais, esta sincera invocação brota da alma ao Senhor, em conformidade com a recomendação de Cristo.”
Este convite do Papa, que repropõe as próprias palavras de Cristo, surgiu de uma constatação angustiante: a falta de pastores e de almas totalmente e energicamente dedicadas às numerosas necessidades pastorais da missão evangelizadora. É precisamente por essa razão que, naquela primeira mensagem, aquele dia foi designado o “Dia Mundial de Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas”.
Este convite à oração é dirigido a todos os membros do Povo de Deus, e a oração a ser recitada é em favor de todos os membros do Povo de Deus, para que cada um, segundo as próprias possibilidades e a a própria função, possa contribuir para o nascimento e florescimento das vocações sacerdotais e religiosas. (...)
A oração à qual todo o Povo de Deus é especialmente convidado no Domingo do Bom Pastor é chamada a continuar nas devoções diárias ou ordinárias, uma vez que em todo o lado e a cada momento se sente a necessidade de pastores de uma forma sempre nova. Estas orações e devoções nunca deixam de dar frutos.
Ao promover a formação do clero local por meio do apoio aos seminários diocesanos e interdiocesanos e às casas de formação religiosa nos territórios de missão, a Pontifícia Sociedade de São Pedro Apóstolo observa um aumento anual no número de seminaristas e noviços que decidem seguir a vida sacerdotal e religiosa.
Considerando, por exemplo, os dados do ano letivo de 2023-2024 (778 seminários para 82.859 seminaristas) e os do ano letivo de 2024-2025 (801 seminários para 88.156 seminaristas), a diferença é de 23 seminários e 5.297 seminaristas.
Não faltam explicações para tentar justificar o aumento anual no número de seminários e seminaristas.
2. Algumas razões evidentes para o aumento das vocações sacerdotais
De um modo geral, e sob a perspectiva da fé, pode-se dizer que o aumento no número de vocações sacerdotais e religiosas é um sinal tangível de que o Senhor atende às orações do seu povo, que clama a Ele por suas necessidades, cumprindo, ao mesmo tempo, a sua parte de responsabilidade. De fato, como São João Paulo II tão acertadamente afirmou na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, “o dom de Deus não anula a liberdade do homem, antes a suscita, desenvolve e exige. Por este motivo, a confiança total na incondicionada fidelidade de Deus à Sua promessa está ligada na Igreja à grave responsabilidade de colaborar com a acção de Deus que chama, de contribuir para criar e manter as condições nas quais a boa semente , semeada pelo Senhor, possa criar raízes e dar frutos abundantes.”. Essas condições, em certa medida, provavelmente constituem o terreno fértil que fomenta vocações sacerdotais e religiosas em alguns países onde a lógica humana menos espera isso.
- Segundo relatos de formadores nas casas de formação, a origem dos jovens que chegam aos seminários é frequentemente modesta, provenientes de famílias simples e de condições econômicas humildes. Alguns desses jovens vivenciam a pobreza, tornando-se sensíveis ao sofrimento dos necessitados, dos doentes, dos sem voz, dos abandonados, dos humilhados, e sentindo profundamente em si mesmos o chamado para dedicar suas vidas a servir aqueles para quem ninguém mais tem tempo. Tendo experimentado a dor de situações difíceis, eles adquiriram a capacidade de silêncio, reflexão, cultura pessoal, vida espiritual e oração. Estão mais dispostos a ouvir o chamado discreto e gentil de Deus que os convida a estar disponíveis.
- Os ambientes onde abundam vocações são lugares onde a fé é vivida fervorosamente. Para haver sacerdotes ou pessoas consagradas, é preciso, antes de tudo, que sejam cristãos. Essas numerosas vocações são fruto da vitalidade de uma fé vivida com alegria, sem complexos, sem falsa vergonha; através da prática regular e entusiástica dos sacramentos do batismo, da comunhão, da confirmação, da reconciliação e do matrimônio, segundo as normas da Igreja.
- As vocações provêm de ambientes onde os ensinamentos da Igreja Católica são seguidos sem seleção, retendo-se apenas o que agrada e tranquiliza, rejeitando-se com facilidade e sem escrúpulos o que é considerado difícil, árduo ou ultrapassado.
- São lugares onde agentes pastorais, sacerdotes, religiosos e religiosas, e até mesmo fiéis leigos, comunicam-se facilmente com os jovens através de diversos projetos pastorais e de uma catequese rigorosa; lugares onde os jovens têm a certeza de que sua experiência na Igreja não limita sua liberdade, mas a enriquece e contribui para sua plena realização.
— Trata-se de paróquias ou dioceses onde a pastoral vocacional, sem excessivas complicações intelectuais e abstratas, é estruturada e organizada na simplicidade das realidades locais para acompanhar assiduamente os jovens na busca da vontade de Deus para suas vidas, com rigor e amor. Isso evidencia que, mesmo nesses países de missão, onde as vocações são geralmente numerosas, observa-se seu declínio ou inexistência em paróquias onde os párocos demonstram pouca preocupação com os jovens e têm dificuldades para implementar uma boa pastoral vocacional.
— Por fim, nota-se que os locais onde as vocações sacerdotais e religiosas estão aumentando significativamente são os territórios e dioceses onde ainda existem seminários menores. Seu objetivo é "auxiliar o amadurecimento humano e cristão dos adolescentes que demonstram os primeiros sinais de vocação ao sacerdócio ministerial, a fim de fomentar neles uma liberdade interior própria da idade, permitindo-lhes corresponder ao plano de Deus para suas vidas" (Ratio Fundamentalis Istitutionis Sacerdotalis 2016, n. 18).
Segundo os testemunhos dos Reitores, estes Seminários Menores são a principal fonte de candidatos que ingressam nos Seminários Preparatórios e nos Seminários Maiores, bem como nos Noviciados e em outras casas de formação religiosa.
Diante deste aumento de vocações, que exige a criação de novos seminários, a Pontifícia Fraternidade São Pedro Apóstolo sente-se mais diretamente envolvida em seu papel e busca constantemente maneiras de contribuir para a formação desses jovens que sentem essa vocação particular para a vida consagrada.
3. O Papel da POSPA hoje na área das vocações
A formação de um jovem que sente o chamado divino não é apenas responsabilidade de sua família, muito menos de sua paróquia de origem, mas de toda a Igreja universal. Consequentemente, os seminários e as casas de formação religiosa necessitam da generosa cooperação de todos os fiéis para proporcionar aos candidatos a formação adequada e necessária que os capacite a se tornarem pastores e missionários da Igreja. (...)
Hoje, sem a contribuição da POSPA, que se beneficia dos fundos disponibilizados pelas Direções Nacionais das Pontifícias Obras Missionárias, muitos seminários seriam obrigados a fechar as portas, a criação de novos seminários, tão urgentemente necessários, seria difícil, senão impossível, e muitos jovens capazes de se tornarem bons sacerdotes seriam forçados a escolher outro caminho na vida.
Em sua Carta Apostólica por ocasião do centenário da POSPA, em 1989, o Papa São João Paulo II escreve: "O crescimento do clero autóctone pode ser prejudicado pela insuficiência de recursos disponíveis. Segundo o testemunho de numerosos bispos de países de missão, ainda hoje mais de uma diocese pode ver suas esperanças em um clero nativo frustradas sem o apoio da Fraternidade São Pedro Apóstolo. Após várias décadas, essas palavras do Papa permanecem mais relevantes do que nunca."
À luz dos dados mais recentes disponíveis, para o ano letivo de 2024-2025, a POSPA concedeu bolsas ordinárias a:
- 449 Seminários Menores, com um total de 53.405 seminaristas menores, dos quais 84% estão na África e 16% na Ásia.
- 141 Seminários Propedêuticos, com um total de 6.575 seminaristas preparatórios, dos quais 77% estão na África, 17% na Ásia, 2% na América e 1% em outros países. Oceania.
- 211 Seminários Maiores com um total de 23.312 seminaristas maiores, dos quais 68% estão na África, 21% na Ásia, 1% nas Américas e 1% na Oceania.
Além das verbas ordinárias para o funcionamento diário dos Seminários, também são concedidas verbas extraordinárias, destinadas a projetos de construção ou grandes intervenções materiais necessárias à vida do Seminário. Além disso, para garantir a qualidade da formação dos seminaristas, são promovidas e apoiadas sessões de formação permanente para formadores de seminaristas em diversos países. Em consonância com esse objetivo, também são disponibilizadas bolsas de estudo em universidades católicas para a formação de sacerdotes designados pelas Conferências Episcopais para lecionar e formar nos Seminários. Essas bolsas também são estendidas a religiosos e religiosas de congregações indígenas de direito diocesano, para a formação de formadores em seus noviciados.
Além dos seminários onde os sacerdotes diocesanos são formados, a Fraternidade São Pedro Apóstolo também serve à comunidade religiosa. Os noviços das Congregações presentes nos territórios de missão enviam uma modesta contribuição anual, a título de Subsídio Ordinário, aos noviciados das congregações religiosas de direito diocesano e pontifício. Segundo os dados mais recentes, existem 1.200 noviciados com um total de 7.845 noviços, dos quais 2.801 são rapazes e 5.044 são raparigas. As vocações religiosas também são numerosas, crescendo sobretudo em África e na Ásia.
Cabe salientar que, apesar do aumento das vocações nos territórios de missão, o campo a colher continua a expandir-se e a necessidade de obreiros é cada vez mais premente, sobretudo tendo em conta as Igrejas que mais precisam deles neste momento em que a missão chama a todos os lados. Por vocação, cada Igreja local é chamada a considerar e a participar nas necessidades da Igreja universal e, portanto, de todas as outras Igrejas, através da oração e da partilha. Seja qual for a necessidade ou a urgência da missão no seu próprio território, cada Igreja deve poder interessar-se pelas experiências de outras Igrejas e partilhar com elas os seus recursos para a expansão do Corpo. De Cristo até os confins da terra e até o fim dos tempos.
*Sacerdote da Fraternidade dos Sacerdotes de São Sulpício, Secretário-Geral da Pontifícia Sociedade de São Pedro Apóstolo (POSPA)
(AGÊNCIA FIDES)
Papa: Chernobyl é alerta para uso de tecnologias cada vez mais poderosas
Vatican News
Ao final do Regina Caeli, o Papa recordou os 40 anos do desastre de Chernobyl e fez um alerta:
Hoje marca o 40º aniversário do trágico acidente de Chernobyl, que impactou a consciência da humanidade. Ele permanece como um alerta sobre os riscos inerentes ao uso de tecnologias cada vez mais poderosas. Confiamos à misericórdia de Deus as vítimas e todos aqueles que ainda sofrem as consequências. Espero que, em todos os níveis de tomada de decisão, o discernimento e a responsabilidade sempre prevaleçam, para que todo uso da energia atômica esteja a serviço da vida e da paz.
Em 26 de abril de 1986, aconteceu um dos piores acidentes da história envolvendo energia nuclear onde hoje é o norte da Ucrânia. O desastre ocorreu perto da cidade de Chernobyl, na ex-URSS, que investiu pesadamente em energia nuclear após a Segunda Guerra Mundial
Durante um teste de segurança mal executado no reator nº 4, houve uma combinação de falhas humanas e problemas no projeto do reator. Isso causou uma explosão seguida de um incêndio, liberando uma enorme quantidade de material radioativo na atmosfera. Esse material se espalhou por grande parte da Europa.
Trabalhadores e bombeiros morreram logo após o acidente por exposição intensa à radiação. Milhares de pessoas desenvolveram câncer, especialmente câncer de tireoide. A resposta inicial foi lenta, o que agravou a exposição à radiação.
A cidade de Pripyat foi abandonada, e uma grande área ao redor (zona de exclusão) permanece praticamente desabitada até hoje. Solo, água e florestas ficaram contaminados por décadas.
Hoje, o reator destruído está coberto por uma estrutura de contenção (um “sarcófago” moderno) para impedir a liberação contínua de radiação.
A primeira missa do Brasil foi celebrada há 526 anos
Por Redação central
26 de abr de 2026 às 00:30
Há 526 anos, no dia 26 de abril de 1500 – domingo da oitava de Páscoa –, foi celebrada a primeira missa do Brasil. A missa foi rezada por frei Henrique de Coimbra e outros sacerdotes em Santa Cruz Cabrália, litoral sul da Bahia, sobre o ilhéu da Coroa Vermelha.
Em sua carta ao rei dom Manuel, o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a celebração feita em um “altar mui bem arranjado” e que, segundo observou, “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”.
Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, nas 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral, o qual, avistando do mar um monte, chamou-o de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa. Àquela terra, inicialmente, colocou o nome Terra de Vera Cruz.
Após desembarcarem em terra firme e terem os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha. Foi neste local que celebraram a Santa Missa.
Terminada a celebração, conforme relata Pero Vaz de Caminha, o sacerdote subiu em uma cadeira alta e “pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção”.
Conforme indicam os relatos, o escrivão Caminha acreditava que a conversão dos índios seria fácil, pois demonstraram respeito quanto à religião. Neste sentido, pediu ao rei que enviasse logo clérigos para batizá-los.
A representação mais famosa da celebração é o quadro “A Primeira Missa no Brasil“, feito em 1861 pelo pintor catarinense Victor Meirelles de Lima.
Após esta, a segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí.
Hoje é celebrada santa Zita, padroeira das empregadas do lar
Santa ZitaPor Redação central
27 de abr de 2026 às 00:04
Hoje (27), é celebrada a festa de santa Zita, padroeira das empregadas do lar. Ela era de condição muito humilde e, desde pequena, teve que trabalhar como empregada para manter sua família. Sofreu muitas zombarias, mas seu amor aos pobres fez com que até os anjos a ajudassem nas tarefas da casa.
Santa Zita nasceu perto de Lucca (Itália) em 1218 e, desde os doze anos de idade, serviu por 48 anos a uma família muito rica.
Como se preocupava muito com os desfavorecidos, certo dia foi ajudar um necessitado, deixando por um momento seu trabalho na cozinha. Os outros empregados disseram à família, que foi à cozinha investigar e encontrou os anjos fazendo o trabalho da santa.
Dessa maneira, foi-lhe permitida mais liberdade para servir aos pobres. Mas, nem por isso pararam os ataques e zombarias dos outros empregados.
Naquela época, uma grande fome atingiu a cidade e santa Zita repartiu até a sua própria comida com os pobres. A necessidade dos mais desfavorecidos chegou a tal ponto que a santa teve que repartir as reservas de grãos da família. Quando os patrões foram ver, depararam-se com a surpresa de que a despensa estava milagrosamente cheia.
Na véspera de Natal, Zita se encontrou com um homem que tremia de frio na entrada da Igreja de são Frediano. A santa lhe deu um manto caro da família para que se aquecesse e pediu que o devolvesse ao terminar a Missa, mas o homem desapareceu.
No dia seguinte, o patrão ficou enfurecido com Zita, mas um idoso desconhecido no povoado chegou e devolveu o manto. Os cidadãos interpretaram que este necessitado tinha sido um anjo e, desde aquele momento, a porta de São Frediano foi chamada “A Porta do anjo”.
Santa Zita partiu para a Casa do Pai em 27 de abril de 1278 e, imediatamente, sua fama de santidade se expandiu em todo o país e na Inglaterra. Seus restos mortais repousam na capela de santa Zita da igreja de são Frediano, em Lucca (Itália).
domingo, 26 de abril de 2026
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
SANTA MISSA E ORDENAÇÕES SACERDOTAIS
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Basílica de São Pedro
IV Domingo de Páscoa, 26 de abril de 2026
Queridos irmãos e irmãs,
Com esta saudação dirijo-me em particular àqueles que agora foram apresentados e que receberão a ordenação presbiteral, aos seus familiares, aos padres de Roma – muitos dos quais recordam a própria ordenação neste IV Domingo da Páscoa –, e a todos os presentes.
Este é um domingo cheio de vida! Ainda que a morte nos rodeie, a promessa de Jesus já se cumpre: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). Na disponibilidade dos jovens, que hoje a Igreja pede sejam ordenados presbíteros, encontramos muita generosidade e entusiasmo. Ao reunirmo-nos, tão numerosos e diversos, em torno do único Mestre, sentimos uma força que nos regenera. É o Espírito Santo, que une pessoas e vocações na liberdade, para que ninguém viva já para si mesmo. O domingo – todos os domingos – chama-nos para fora do “sepulcro” do isolamento, do fechamento, para que nos encontremos no jardim da comunhão, do qual o Ressuscitado é o guardião.
O serviço do sacerdote, sobre o qual a vocação destes irmãos nos convida a refletir, é um ministério de comunhão. Na verdade, a “vida em abundância” chega-nos no encontro profundamente íntimo com a pessoa do Filho, mas abre-nos imediatamente os olhos para um povo de irmãos e irmãs que já experimentam, ou que ainda procuram, o «poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12). Eis aqui um primeiro segredo na vida do sacerdote. Caríssimos ordenandos, quanto mais profundo for o vosso vínculo com Cristo, tanto mais radical será a vossa pertença à humanidade comum. Não há oposição, nem competição, entre o céu e a terra: em Jesus, eles unem-se para sempre. Este mistério vivo e dinâmico compromete o coração num amor indissolúvel: compromete-o e enche-o. É claro que, tal como o amor dos cônjuges, também o amor que inspira o celibato pelo Reino de Deus deve ser cuidado e sempre renovado, pois todo o verdadeiro afeto amadurece e torna-se fecundo com o tempo. Vós sois chamados a um específico, delicado e difícil modo de amar e, mais ainda, de vos deixardes amar, na liberdade. Um modo que poderá fazer de vós, além de bons sacerdotes, também cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social.
A este respeito, chama a atenção, no Evangelho que acabámos de ouvir (Jo 10, 1-10), a referência que faz Jesus a figuras e gestos de agressão: entre Ele e aqueles que ama, na verdade, irrompem estranhos, ladrões e salteadores que ultrapassam os limites, que vêm – diz Jesus – «apenas para roubar, matar e destruir» (v. 10) e, sobretudo, têm uma voz diferente da sua, irreconhecível (cf. v. 5). Há um grande realismo nas palavras do Senhor: Ele conhece a crueldade do mundo no qual caminha conosco. Com as suas palavras, evoca formas de agressão física, mas sobretudo espiritual. No entanto, isso não o impede de doar a sua vida. A denúncia não se torna renúncia, o perigo não leva à fuga. Eis um segundo segredo para a vida do sacerdote: a realidade não nos deve causar medo. Quem nos chama, é o Senhor da vida. Caríssimos, que o ministério que vos é confiado possa transmitir a paz daquele que, mesmo entre os perigos, sabe por que razão está seguro.
Hoje, a necessidade de segurança torna os ânimos agressivos, leva as comunidades a fecharem-se sobre si mesmas e induz à procura de inimigos e bodes expiatórios. O medo anda frequentemente à nossa volta e, talvez, esteja dentro de nós. A vossa segurança não resida no cargo que ocupais, mas na vida, morte e ressurreição de Jesus, na história da salvação da qual participais com o vosso povo. É uma salvação que já atua em tanto bem realizado silenciosamente, entre pessoas de boa vontade, nas paróquias e ambientes aos quais vos aproximareis, como companheiros de viagem. O que anunciais e celebrais proteger-vos-á também em situações e tempos difíceis.
As comunidades para onde sereis enviados são lugares onde o Ressuscitado já está presente, onde muitos já o seguiram de forma exemplar. Reconhecereis as suas chagas, distinguireis a sua voz, encontrareis quem vo-lo indicará. São comunidades que também vos ajudarão a ser santos! E vós ajudai-as a caminhar unidas atrás de Jesus, o Bom Pastor, para que sejam lugares – jardins – da vida que ressuscita e se comunica. O que falta às pessoas é, muitas vezes, um lugar onde experimentar que juntos é melhor, que é bom estar com os outros e que se pode viver em conjunto. Facilitar o encontro, ajudar a aproximar quem de outra forma jamais se encontraria e encurtar distâncias entre opostos é indissociável da celebração da Eucaristia e da Reconciliação. Reunir é sempre e de novo implantar a Igreja.
No Evangelho, há uma imagem significativa que, a certa altura, Jesus começa a usar para falar de si mesmo. Estava a descrever-se como o “pastor”, mas quem o ouve parece não compreender. Então, Ele muda de metáfora: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas» (Jo 10, 7). Em Jerusalém, havia uma porta que se chamava precisamente assim, “a porta das ovelhas”, perto da piscina de Betzatá. Por ela, entravam no templo ovelhas e cordeiros, previamente imersos na água para depois serem destinados aos sacrifícios. De um modo espontâneo, vem à nossa mente o Batismo.
«Eu sou a porta», diz Jesus. O Jubileu mostrou-nos como esta imagem continua a tocar o coração de milhões de pessoas. Durante séculos, a porta – frequentemente um verdadeiro portal – convidou a atravessar o limiar da Igreja. Em alguns casos, a pia batismal era construída no exterior, como a antiga piscina de Betzatá, sob cujos pórticos «jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos» (Jo 5, 3). Queridos ordenandos, senti-vos parte desta humanidade que sofre e que espera a vida em abundância. Ao iniciar outros na fé, reavivareis a vossa própria fé. Com os outros batizados, atravessareis todos os dias o limiar do Mistério, aquele limiar que tem o rosto e o nome de Jesus. Nunca escondais esta porta santa, não a obstruais, não sejais um impedimento para quem deseja entrar. «Vós próprios não entrastes e impedistes a entrada àqueles que queriam entrar!» (Lc 11, 52): é a amarga repreensão de Jesus aos que esconderam a chave de uma passagem que devia estar aberta a todos.
Hoje, mais do que nunca, especialmente onde os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja, mantende a porta aberta! Deixai entrar e estai sempre prontos para sair. Este é outro segredo para a vossa vida: vós sois um canal, não um filtro. Muitos acreditam já saber o que há além daquele limiar. Trazem consigo memórias, talvez de um passado distante; com frequência, há algo vivo que não se extinguiu e que atrai; por vezes, porém, há qualquer outra coisa, que ainda sangra e afasta. O Senhor sabe e espera. Sede reflexo da sua paciência e da sua ternura. Vós sois de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da vossa missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras.
Por outro lado, Jesus insiste e esclarece: «Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há de entrar e sair e achará pastagem» (Jo 10, 9). Ele não sufoca a nossa liberdade. Existem relações que sufocam, comunidades nas quais é fácil entrar e quase impossível sair. Não é assim a Igreja do Senhor, não é assim a comunidade dos seus discípulos. Quem é salvo, diz Jesus, “entra, sai e encontra pastagem”. Todos procuramos abrigo, descanso e cuidado: a porta da Igreja está aberta. Não para nos afastarmos da vida: ela não se esgota na paróquia, na associação, no movimento, no grupo. Quem é salvo “sai e encontra pastagem”.
Caríssimos, ide e descobri a cultura, as pessoas, a vida! Maravilhai-vos com o que Deus faz crescer sem que nós o tenhamos semeado. Aqueles para quem sereis sacerdotes – fiéis leigos e famílias, jovens e idosos, crianças e doentes – habitam pastagens que deveis conhecer. Algumas vezes, parecer-vos-á que não tendes os mapas. Mas o Bom Pastor possui-os, e é a sua voz, tão familiar, que deveis ouvir. Quantas pessoas hoje se sentem perdidas! A muitos parece que já não conseguem orientar-se. Não há, então, testemunho mais precioso do que aquele que confia: «Em verdes prados me faz descansar e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos retos, por amor do seu nome» (Sl 23, 2-3). O seu nome é Jesus: “Deus salva”! Disto, sois testemunhas. «Na verdade, a tua bondade e o teu amor hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida» (Sl 23, 6). Irmãos, irmãs, queridos jovens: que assim seja!
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REGINA CAELI
PAPA LEÃO XIV
REGINA CAELI
Praça de São Pedro
IV Domingo de Páscoa, 26 de abril de 2026
Irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!
Enquanto continuamos o nosso caminho no tempo pascal, o Evangelho apresenta-nos hoje as palavras de Jesus, que se compara a um pastor e, depois, à porta do redil (cf. Jo 10, 1-10).
Jesus contrapõe o pastor ao mercenário. Na verdade, afirma: «Quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador» (v. 1). Mais adiante, diz de forma ainda mais clara: «O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (v. 10). A diferença é evidente: o pastor tem uma ligação especial com as suas ovelhas e, por isso, pode entrar pela porta do redil; se, pelo contrário, alguém precisa de transpor a cerca, então é certamente um ladrão que quer roubar as ovelhas.
Jesus diz-nos que está ligado a nós por uma relação de amizade: Ele conhece-nos, chama-nos pelo nome, guia-nos e, tal como o pastor faz com as suas ovelhas, vem à nossa procura quando nos perdemos e trata das nossas feridas quando estamos doentes (cf. Ez 34, 16). Jesus não vem, como um ladrão, roubar a nossa vida e a nossa liberdade, mas conduzir-nos pelos caminhos direitos. Não vem sequestrar ou enganar a nossa consciência, mas iluminá-la com a luz da sua sabedoria. Não vem corromper as nossas alegrias terrenas, mas abri-las a uma felicidade mais plena e duradoura. Quem confia n’Ele não tem nada a temer: Ele não vem atormentar a nossa vida, mas vem dar-no-la em abundância (cf. v. 10).
Irmãos e irmãs, somos convidados a refletir e, sobretudo, a vigiar o redil do nosso coração e da nossa vida, porque quem nele entrar pode multiplicar a alegria ou, como um ladrão, pode roubá-la. Os “ladrões” podem ter muitos rostos: são aqueles que, apesar das aparências, sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade; são convicções e preconceitos que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida; são ideias erradas que podem levar-nos a escolhas negativas; são estilos de vida superficiais ou marcados pelo consumismo, que nos esvaziam interiormente e nos levam a viver sempre à margem de nós mesmos. E não esqueçamos também aqueles “ladrões” que, saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas ou alimentando o mal nas suas diversas formas, não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade.
Podemos perguntar-nos: Quem queremos que guie a nossa vida? Quais são os “ladrões” que tentaram entrar no nosso redil? Conseguiram-no, ou fomos capazes de os afastar?
Hoje, o Evangelho convida-nos a confiar no Senhor: Ele não vem para nos roubar nada; pelo contrário, é o Bom Pastor, que multiplica a vida e no-la oferece em abundância. Que a Virgem Maria nos acompanhe sempre ao longo do caminho e interceda por nós e pelo mundo inteiro.
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Depois do Regina Caeli:
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje recorda-se o 40.º aniversário do trágico acidente de Chernobyl, que marcou a consciência da humanidade. Este acidente continua a ser um aviso sobre os riscos inerentes ao uso de tecnologias cada vez mais poderosas. Confiamos à misericórdia de Deus as vítimas e todos aqueles que ainda sofrem as suas consequências. Desejo que, a todos os níveis de decisão, prevaleçam sempre o discernimento e a responsabilidade, para que qualquer utilização da energia atómica esteja ao serviço da vida e da paz.
E agora dirijo-me a vós, romanos e peregrinos de vários países: bem-vindos!
Saúdo os Cavaleiros e as Damas da Ordem de São Jorge, Ordem europeia da Casa de Habsburgo-Lorena. Saúdo as crianças do grupo de dança «Malva», de Brovary, na Ucrânia; o Coro Cantica Sacra da Arquidiocese de Trnava, na Eslováquia; os fiéis de Viena, de Madrid e das Ilhas Canárias; os dirigentes e professores da Escola «São Tomás» de Lisboa.
Saúdo o numeroso grupo de jovens da Val Camonica (Diocese de Brescia) e os pequenos acólitos de Biadene e Caonada; bem como os fiéis de Treviso, Vicenza, Crotone e Cariati, Oria e Lecce; e os participantes no congresso da Associação dos Apóstolos da Divina Misericórdia.
Uma saudação especial aos familiares e amigos dos novos presbíteros da Diocese de Roma, que ordenei esta manhã na Basílica de São Pedro: acompanhem sempre com a oração estes jovens ministros do Evangelho.
Desejo a todos um bom domingo.
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