Caminhando
sábado, 20 de junho de 2026
Em 19 de junho de 1982 Robert Prevost era ordenado sacerdote
Vatican News
A poucos passos do Vaticano, na capela de Santa Mônica, há 44 anos, Robert Prevost, então com 27 anos, era ordenado sacerdote. Cinco anos antes, ele havia ingressado na Ordem de Santo Agostinho e professado votos solenes em 1981. Em setembro daquele ano, chegou a Roma, ao Colégio Internacional de Santa Mônica, para estudar direito canônico na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum).
Alguns meses mais tarde, sua ordenação teve lugar em um lugar que mais tarde se tornaria muito familiar para ele. Prevost, de fato, viveu no Prédio do Santo Ofício desde 2023 e, naquele mesmo ano, no consistório de 30 de setembro, o Papa Francisco o nomeou cardeal, designando-o para a diaconia de Santa Mônica.
“Sou o vosso servo”
O santinho para aquele ocasião reproduzia um ícone russo do século XV representando a Última Ceia. As palavras escolhidas eram do Sermão 399 de Santo Agostinho: “Para mim alimentar todos vocês com pão comum é algo que não posso fazer. Mas esta Palavra é a sua porção. Eu os alimento da mesma mesa que me alimenta. Sou o vosso servo".
As felicitações da "sua" diocese
Em uma mensagem de felicitações enviada pela Diocese de Roma, da qual é Bispo, lê-se: “Estamos conscientes da delicadeza do seu ministério e somos edificados pela sua dedicação diária ao anúncio do Reino e à busca da paz”. “Nós o sustentamos– está escrito no texto – com renovado afeto e com a oração de todo o Povo Santo de Deus, invocando para o senhor a força desarmada dos humildes. Que a Santíssima Virgem do Divino Amor o proteja e abençoe o seu ministério”.
Papa a adolescentes dos EUA: abram o coração ao amor de Deus que dá paz e alegria
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV dirigiu uma mensagem em vídeo a todos os estudantes de Ensino Médio dos Estados Unidos que irão participar das Conferências de Verão da Juventude de Steubenville, cidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos (Steubenville Youth Conferences). A série de eventos católicos, promovida pela tradicional Universidade Franciscana local, comemora um marco histórico em 2026: são 50 anos de evangelização juvenil e os organizadores preveem a participação estimada de 50 mil adolescentes em 25 conferências espalhadas pelo país e também pelo Canadá.
Como semear a paz de Cristo a exemplo de São Francisco
Em vídeo, o Papa também recordou de outro aniversário: os 800 anos da morte de São Francisco. E, com a ligação da instituição franciscana, Leão XIV procurou refletir sobre a mensagem que o Pobrezinho de Assis poderia transmitir aos jovens de hoje. "Penso que poderia nos falar de muitas coisas", comentou o Pontífice, "mas especialmente da paz autêntica e da alegria perfeita, pois esses temas foram uma parte importante da sua vida":
“Se, no século XIII, vocês tivessem encontrado São Francisco pelas ruas de Assis, provavelmente ele os teria olhado com um sorriso sereno e amoroso e teria dito: 'Paz e bem'. Era assim que São Francisco costumava saudar as pessoas, e expressa um dos desejos que tinha no coração. Nós também podemos nos perguntar: desejo a verdadeira paz para aqueles que entram em contato comigo? Trato os outros de uma maneira que lhes traga paz?”
Talvez, comentou o Papa, pode representar uma atitude difícil de se levar adiante, por trazer frustração e conflito ao invés de paz. O importante, porém, é recordar do que fazia São Francisco, que semeava "a paz não pelos próprios esforços, mas porque possuía dentro de si a fonte da verdadeira paz", já que "a paz é um dom de Deus, um dom que recebemos quando convidamos o Senhor a entrar em nosso coração" e que precisamos levá-lo até as nossas famílias e comunidades.
Os requisitos para a alegria perfeita
Além da paz de Cristo, a exemplo de São Francisco, o Papa recomendou a procurar ser alegre como o Pobrezinho de Assis. A alegria do santo vinha através da "beleza da criação, com a bondade e a misericórdia infinitas de Deus, com a conversão dos pecadores". Leão XIV, então, para ilustrar aos adolescentes das Conferências de Verão da Juventude o que era a alegria perfeita, voltou a contar sobre São Francisco:
"Numa noite de inverno, enquanto voltava a pé para Assis com o Frei Leão, um dos primeiros membros da Ordem Franciscana, São Francisco começou a fazer uma lista das coisas aparentemente 'boas' que não levam à alegria perfeita. A certa altura, o Frei Leão exclamou: 'Padre Francisco, diga-me onde se pode encontrar a alegria perfeita!'. Ao responder, o santo descreveu uma situação trágica que envolvia sofrer com o frio, a fome e a rejeição – o oposto do que se esperaria –, acrescentando então que, se essas dificuldades fossem aceitas com paciência, sem reclamar e com amor a Deus, 'essa é a alegria perfeita'."
“Poderíamos perguntar: é realmente possível sentir alegria em circunstâncias tão difíceis? Só é possível se a nossa vida for fundamentada em nosso relacionamento com Deus como Pai amoroso.”
De fato, disse o Papa, "a mensagem de São Francisco e a minha é simples": encontramos a verdadeira paz e a alegria perfeita ao nos abrirmos e ao confiarmos no poder transformador do Senhor. Esses dons de Deus, ao contrário, alertou Leão XIV, não devem ser buscados nas telas e "navegando infinitamente pelas redes sociais todos os dias"; nem pelo uso de drogas e álcool, promiscuidade, relações superficiais e obsessão pela imagem; e muito menos podem ser encontrados "em bens como a riqueza, a beleza, a fama ou mesmo a saúde, pois um dia deixaremos tudo isso para trás". São todas atividades que dificultam momentos de oração, tempo de qualidade com amigos e família, para se aprender mais sobre a fé, para estudar ou praticar esportes. E o Papa finalizou o vídeo, afirmando:
"Somente o amor de Deus pode nos dar uma alegria verdadeira e perfeita. Se estivermos profundamente convencidos de que Deus cuida de nós como seus filhos amados, não ficaremos confusos nem desanimados, nem mesmo em situações difíceis. Muitos de vocês ouviram desde pequenos que Deus os ama. Mas vocês acreditam nisso de verdade? Vocês são preciosos aos olhos de Deus! Vocês são amados por Ele incondicionalmente! Têm certeza disso? Se cultivarem com Ele um relacionamento de confiança, por meio da oração regular, ao receber os sacramentos, se se entregarem às Suas mãos, então, a ansiedade, a tristeza e a solidão desaparecerão, enquanto Sua graça os preencherá e o Seu amor inflamará o coração de vocês. Este é o segredo para conseguir enfrentar as circunstâncias difíceis com um sorriso. Abram seus corações para descobrir essa realidade."
Prior dos Agostinianos em Pavia: queremos apoiar o Papa testemunhando a unidade
Tiziana Campisi - Correspondente em Pavia
"Estamos muito felizes em receber Leão XIV em nosso convento e de acompanhá-lo à Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro, onde ele poderá venerar as relíquias de Santo Agostinho, preservadas aqui em Pavia desde o século VIII."
Padre Gianfranco Casagrande, prior da comunidade dos padres agostinianos - a quem foi confiado o cuidado pastoral do local de culto que guarda os restos mortais do bispo de Hipona em uma arca de mármore - não consegue conter sua alegria com a chegada do Papa na tarde de sábado, 20 de junho. "Porque é a realização de um sonho que ele acalentava desde sua eleição": prestar homenagem ao grande Pai da Igreja, de quem ele é "filho", um religioso agostiniano, como revelou no próprio dia de sua eleição para o papado.
"Ele retorna aqui, à casa de Santo Agostinho, onde esteve muitas vezes, especialmente como prior geral da Ordem agostiniana, e poderá encontrar Agostinho em seu túmulo, dentro da Arca. E isso é muito significativo - explica o padre Gianfranco - porque sua mensagem para toda a Igreja é também a da espiritualidade agostiniana, uma espiritualidade fundada na unidade, na comunhão, na amizade e, sobretudo, na partilha fraterna para superar todo tipo de conflito, pessoal, comunitário e social. Aqui, portanto, haverá um encontro de dois corações - acrescenta o sacerdote - o coração do Papa e o coração de Agostinho."
Leão XIV e a família agostiniana
A Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro é a segunda etapa da visita pastoral de Leão XIV a Pavia, que antes da celebração da Palavra, encontrará os irmãos em seu convento. Entre os presentes estarão o prior geral da Ordem de Santo Agostinho, padre Joseph Farrell, e o prior da Província agostiniana da Itália, padre Gabriele Pedicino. Mas também estarão mais de cem frades o agaurdando na basílica, juntamente com uma representação de monjas e irmãs de vida ativa da família agostiniana, para serem, com o Pontífice, "um só coração e uma só alma, voltada para Deus", como pede o Bispo de Hipona em sua Regra.
Robert Prevost visitou Pavia pela última vez em 2024, como cardeal, para concluir as celebrações do 1300º aniversário da transladação das relíquias de Santo Agostinho de Cagliari, em 28 de fevereiro, em São Pedro in Ciel d'Oro. Agora, há um clima de grande expectativa, religiosos e leigos estão ocupados preparando-se para a chegada de Leão XIV.
Da Arca de Santo Agostinho um presente para o Papa
"Hoje, nosso confrade Prevost é o Pastor universal da Igreja - considera o prior da comunidade agostiniana em Pavia. Por um lado, sentimos o peso que ele carrega por toda a Igreja e, ao mesmo tempo, gostaríamos de aliviá-lo, carregando-o nós mesmos, rezando por ele, deixando-o sentir nossa proximidade, nossa amizade e nosso espírito de vida fraterna."
Um sinal concreto será o presente que lhe será entregue: uma cópia do alto relevo que retrata a conversão de Santo Agostinho, representada na Arca de Santo Agostinho, reproduzida com uma impressão 3D de uma foto tirada durante a restauração. Isso porque a Arca também passou por uma limpeza para a visita do Papa.
A Superintendência de Arqueologia, Belas Artes e Paisagens das províncias de Monza-Brianza e Pavia removeu a poeira e as incrustações, e uma nova iluminação agora destaca o mármore de Carrara, revelando muitos detalhes. "Por exemplo, há vários cachorrinhos esculpidos aqui e ali - descreve o padre Gianfranco - veio à tona um gatinho que persegue um rato, e muitos detalhes estão mais visíveis".
"O presente que estamos oferecendo ao Papa tem o objetivo de lembrá-lo da arca de Santo Agostinho, do túmulo do nosso santo Doutor e da nossa comunidade", continua o agostiniano. "Escolhemos reproduzir o momento da Tolle lege porque é um episódio fundamental, que marca a transição para a santidade na vida de Aurélio Agostinho." E então, em homenagem a Leão XIV, uma lâmpada de bronze feita de três altos ramos de oliveira foi encomendada ao escultor Armando Marrocco, "um símbolo da paz que o Papa está anunciando a toda a Igreja e ao mundo inteiro", especifica o Padre Gianfranco. Ela será acesa pelo próprio Papa e permanecerá ao lado das relíquias de Santo Agostinho, que serão expostas no presbitério inferior no sábado.
Uma comunidade que quer ser internacional
A comunidade agostiniana de Pavia é composta atualmente por oito religiosos, e a Província da Itália, em colaboração com o Conselho Geral da Ordem, está planejando a presença de frades de vários países para revitalizá-la. Isso também para atender o grande número de turistas, peregrinos, famílias, jovens e indivíduos que visitam a Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro há um ano e aprendem mais sobre Santo Agostinho. "Milhares de pessoas nos visitam - explica o padre Gianfranco - e a comunidade precisa de apoio. Entre outras coisas, estamos nos aproximando do 1600º aniversário da morte de Santo Agostinho em 2030, e gostaríamos de organizar um período de preparação de três anos. Por isso, decidimos criar comissões para trabalhar em conjunto e planejar um centenário que una todos os grupos eclesiais que aderem à regra de Santo Agostinho e à sua espiritualidade, tanto eclesiásticos quanto leigos e sociais".
As relíquias do Bispo de Hipona
Diz-se que os restos mortais do Bispo de Hipona chegaram a Pavia em 723, quando a cidade era a capital do reino lombardo sob Liutprando. O soberano os adquiriu a peso de ouro em Cagliari para protegê-los das incursões dos sarracenos. Provavelmente foram levados da África para a Sardenha entre os séculos VII e VIII, por medo que fossem, profanadas, segundo alguns pelos bárbaros, segundo outros por populações árabes que chegavam da região do Magrebe.
O rei Liutprando mandou colocar as relíquias em um relicário de prata, que foi preservado em San Pietro in Ciel d'Oro e confiado aos cuidados de uma comunidade monástica beneditina ali estabelecida, aos quais se somaram em 1221 os Cônegos Regulares e, cerca de três séculos mais tarde os Cônegos lateranenses
Os agostinianos chegaram em 1327 e construíram seu convento ao sul da basílica, que, portanto, era oficiada por ambos. Foram os próprios agostinianos, para homenagear seu "pai espiritual", que encomendaram o monumento, "um paralelogramo de quatro andares composto de molduras, estátuas, baixos-relevos e vários ornamentos", construído entre 1360 e 1400. Tem aproximadamente quatro metros de altura e pouco mais de três metros de largura, conforme descrito por Defendenti Sacchi em 1832.
A obra é atribuída aos mestres campioneses Matteo e Bonino e a Balduccio di Pisa e seus alunos, e foi desmontada. e remontadas diversas vezes. Durante séculos, a localização exata das relíquias permaneceu incerta. Elas só foram descobertas em 1695 e declaradas autênticas em 1728, após extensos estudos e investigações. Em 1785, após a supressão dos conventos dos cônegos e agostinianos, as relíquias de Agostinho foram confiadas à cidade de Pavia e preservadas primeiro na Igreja do Gesù e depois na catedral.
Após diversas vicissitudes, o local de culto foi declarado monumento nacional e submetido a restauração, sendo reaberto em 1896 e, em 7 de outubro de 1900, voltou a acolher as relíquias de Santo Agostinho.