Caminhando
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Audiência Geral, 19 de agosto 2026 - Papa Leão XIV
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Basílica de São Pedro
Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II III. Constituição Sacrosanctum Concilium 7. A música sacra
Prezados irmãos e irmãs!
O sexto capítulo da Constituição Sacrosanctum concilium (SC) do Concílio Vaticano II é dedicado à música sacra. Nele afirma-se: «A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene» (SC, 112) e especifica: «A música sacra será [...] tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à ação litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas» (ibid.).
Encontramos aqui o núcleo do ensinamento conciliar, que confirma e aprofunda a função ministerial da música na liturgia, já salientada por São Pio X no Motu Proprio Inter sollicitudines (22 de novembro de 1903). Com efeito, a música faz parte da ação litúrgica e não é mero adorno da celebração. Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e irmãos e com Deus, na participação ativa no mistério celebrado. Em particular, a música expressa a dimensão afetiva da oração, como afirma Santo Agostinho: «Cantare amantis est», ou seja, «cantar é próprio de quem ama» (Sermo 336, 1). Isto é muito importante, pois ajuda a abrir o coração à ação de Deus na graça e a deixar-se modelar por ela.
Além disso, o canto favorece a comunhão. Através da sinfonia das vozes, contribui para a união das almas, superando as diferenças entre as pessoas e congregando todos no louvor a Deus. Assim, torna-se epifania da Igreja, manifestação sensível da comunhão que pertence à sua própria natureza.
Do profundo significado teológico do canto sacro, como parte integrante da ação litúrgica, derivam algumas exigências. Uma primeira é que, além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores, ele deve corresponder a todos os níveis àquilo que é mais apropriado para o momento celebrativo. Além disso a forma, especialmente no seu aspeto melódico, deve ser nobre e simultaneamente simples, de elevada qualidade musical e facilmente executável, sobretudo quando se destina a ser entoada por toda a assembleia (cf. SC, 121).
Pelo mesmo motivo, o Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja. É necessário velar sobre isto, a fim de que se mantenha viva e cresça a dinâmica expressa no antigo princípio “lex orandi lex credendi”, ou seja, a lei da oração é também lei da fé.
A Sacrosanctum concilium dedica amplo espaço ao tema da participação ativa dos fiéis (cf. n. 114). Ela «deve ser entendida […] a partir de uma maior consciência do mistério que é celebrado e da sua relação com a vida quotidiana» (Bento XVI, Exort. ap. Sacramentum caritatis, 52), em «espírito de constante conversão que deve caraterizar a vida de todos os fiéis» (ibid., 55). Além disso, quanto ao modo concreto como ela se pode realizar através do papel específico da música sacra, a Constituição oferece uma resposta clara: «Promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos» e «um silêncio sagrado» (SC, 30), exortando cada um, ministro ou fiel, a fazer «tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas» (SC, 28), no equilíbrio harmonioso entre os diferentes ministérios, as várias intervenções e os momentos de silêncio.
Depois, o Concílio atribui grande valor ao canto gregoriano, mas sem excluir da celebração outros tipos de música sacra. Uma atenção especial é dedicada inclusive ao órgão (cf. SC, 120), enquanto é admitida a utilização de outros instrumentos, «contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis» (SC, 120).
Um tema caro à reforma conciliar é o da inculturação, também no campo da música sacra. Salienta-se em particular, no que se refere às tradições musicais das diferentes culturas, a importância de as ter seriamente em consideração, como parte da vida religiosa e social das pessoas. Por isso recomenda-se, por um lado, que se implemente em todos uma adequada «educação do sentido religioso» (SC, 119) e, por outro, «na medida do possível», que se promova «a música tradicional desses povos nas escolas e nas ações sagradas» (ibid.).
No contexto litúrgico, uma tarefa especial é reconhecida à schola cantorum, instrumento pastoral cuja promoção é recomendada, com a função de «assegurar a justa interpretação das partes que lhe pertencem, conforme os distintos géneros de canto, e promover a participação ativa dos fiéis no canto» (Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução Musicam sacram, 19).
Para tal finalidade, o compositor de música sacra é chamado a conhecer e a preservar o acervo musical da Igreja, deixando-se inspirar por ele para dar vida a novas composições ao serviço da liturgia, no respeito pela sensibilidade contemporânea e pelas diferentes tradições culturais, de maneira a «purificar o culto de dispersões de estilos, de formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do ato que se celebra, para assegurar dignidade e singeleza de formas à música litúrgica» (São João Paulo II, Quirógrafo sobre a música sacra, 22 de novembro de 2003, 3).
Por todas estas razões, os Padres conciliares recomendam que se promova a formação e a prática da música sacra, «nos seminários, noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas» (SC, 115), e que aos músicos e cantores se assegure uma sólida formação litúrgica (cf. ibid.).
Caros irmãos e irmãs, os Padres da Igreja atribuíram grande importância ao canto litúrgico, símbolo da comunhão eclesial. Por isso, podemos concluir com estas bonitas expressões de Santo Inácio de Antioquia: «Vós, um por um, tornai-vos um coro a fim de que, harmoniosos no acorde e assumindo a tonalidade de Deus na unidade, canteis em uníssono por meio de Jesus Cristo ao Pai, para que vos ouça e, pelas boas obras que realizais, reconheça que sois membros do seu Filho» (Carta aos Efésios, 4, 2).
_________________
Saudações:
Saúdo cordialmente os fiéis de língua portuguesa. Santo Agostinho escreveu: «quem canta o louvor, não somente canta, mas ama Aquele a quem dirige o seu canto» (Enar. in Ps. 72, 1). Façamos do canto litúrgico uma expressão do nosso amor a Deus. Abençoo-vos de coração!
____________________________________
Resumo da catequese do Santo Padre:
Continuamos o ciclo de catequeses sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, focando-nos hoje na música sacra. «A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene» (SC, 112). A música sacra, com efeito, não é uma mera decoração, mas exprime a dimensão afetiva da oração, como afirma Santo Agostinho: «cantar é próprio de quem ama» (Sermo 336, 1). A Constituição refere-se ainda à inculturação do Evangelho através da música sacra, pedindo que se promova, na medida do possível, a música tradicional dos povos nas ações sagradas (cf. SC, 119).
Copyright © Dicastério para a Comunicação - Libreria Editrice Vaticana
Dois povos e dois Estados: a linha inalterada dos Papas e da Santa Sé
Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano
A solução de "dois Estados" é e continua sendo o único caminho possível para a paz entre Israel e Palestina. Mudaram os Papas, assim como a situação no Oriente Médio, que, após 7 de outubro de 2023, testemunhou uma escalada dramática e uma evolução da violência e da separação. No entanto, a linha diplomática da Santa Sé ao longo dos últimos quase oitenta anos tem sido e continua sendo uma rocha inabalável: "dois Estados", o único horizonte para garantir justiça e uma paz justa e duradoura. O último foi Leão XIV, que reiterou com veemência essa posição histórica, que atravessou décadas, sendo rejeitada categoricamente pelo governo israelense.
"Exorto com urgência a comunidade internacional a garantir que a Solução de dois Estados avance, em prol de uma paz justa e duradoura", disse o Papa Leão XIV no Angelus em Castel Gandolfo, no domingo, 16 de agosto, após condenar os abusos e a violência contra os palestinos na Cisjordânia. O Pontífice solicitou uma aceleração para que este projeto — formulado em 1947 com o plano adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas para a partilha da Palestina sob Mandato Britânico em dois Estados — possa finalmente ser concretizado.
Uma doutrina diplomática profundamente enraizada
Desde o pedido inicial de internacionalização dos lugares sagrados de Jerusalém em 1947, a solução de dois Estados tornou-se a pedra angular da doutrina diplomática da Santa Sé em relação ao conflito israelense-palestino desde a década de 1980. Esta posição inabalável, certamente não ditada por reações emocionais às muitas escaladas, mas sim enraizada no tempo. E consistentemente revigorada pelos Papas.
O pedido de Pio XII para a proteção dos Lugares Santos
As primeiras declarações datam de 1948, quando Pio XII, na Encíclica In multiplicibus curis, pediu "uma ordem" na "terra sagrada" da Palestina que garantisse "a segurança da existência e, ao mesmo tempo, condições de vida, físicas e morais, capazes de alicerçar normalmente um estado de bem-estar espiritual e material". Em sua encíclica subsequente, Redemptoris Nostri Cruciatus (1949), preocupado com o fato de todos os locais ligados à existência do Salvador estarem sendo submetidos à fúria da guerra, Pacelli pediu ação "por todos os meios legais" para garantir que Jerusalém obtivesse "uma adequada situação jurídica".
Paulo VI e os direitos legítimos dos palestinos
O primeiro Papa a viajar para a Terra Santa em 1964, Paulo VI, na véspera da Guerra dos Seis Dias (1967), falou explicitamente sobre os direitos legítimos do povo palestino, mudando a perspectiva do problema de uma emergência humanitária para uma questão política fundamental.
Em uma mensagem ao secretário-geral da ONU, U Thant, Montini invocou, em nome de toda a cristandade, "todo esforço" para que "Jerusalém, devido ao seu caráter peculiarmente sagrado e santo, possa ser declarada uma cidade aberta e inviolável", "livre de qualquer operação militar" e "imune às consequências da guerra".
O Impulso de João Paulo II
O impulso decisivo, no entanto, veio com João Paulo II, o primeiro a exigir veementemente o direito dos palestinos a uma pátria independente e, ao mesmo tempo, reafirmar o direito de Israel de viver em segurança. Esse apelo duplo cristalizou-se na Redemptionis anno de 1984: "Para o povo judeu que vive no Estado de Israel, e que nessa terra conserva testemunhos tão preciosos de sua história e de sua fé, devemos invocar a desejada segurança e a justa tranquilidade que é prerrogativa de toda nação e condição de vida e progresso para toda sociedade", declarou o Papa. "O povo palestino, cujas raízes históricas estão nessa terra e que viveu disperso por décadas, tem o direito natural, por justiça, de redescobrir uma pátria e de poder viver em paz e tranquilidade com os outros povos da região." Ele reiterou o mesmo em 2000, durante sua peregrinação à Terra Santa — não a primeira de um Papa, mas aclamada como "histórica" por sua importância.
O apoio de Bento XVI
Nove anos depois, outro Papa viajou para a terra santa e ferida de Jesus: era maio de 2009 e Bento XVI viajava para o Oriente Médio. Seguindo seu antecessor, ele enfatizou que a fórmula de "dois Estados" não é uma utopia, mas sim um pré-requisito para interromper a espiral de violência e garantir um futuro para a região. "A Santa Sé apoia o direito do seu povo a uma Palestina soberana na terra dos vossos antepassados, segura e em paz com os seus vizinhos, dentro de confins internacionalmente reconhecidos.", afirmou o Papa Ratzinger. Ele encorajou "manter viva a chama da esperança" para que "um caminho pudesse ser encontrado entre as legítimas aspirações de israelenses e palestinos por paz e estabilidade".
Palavras e gestos do Papa Francisco
Com o Papa Francisco, o compromisso tornou-se internacionalizado e formalizado, corroborado por ações diplomáticas — como a assinatura, pela Santa Sé, do Acordo Abrangente que reconheceu oficialmente o Estado da Palestina em 2015 — e por ações mais pastorais, como a oração conjunta pela paz nos Jardins do Vaticano em 2014 com o presidente israelense Shimon Peres e o presidente palestino Mahmoud Abbas. Este evento foi fruto da viagem à Terra Santa no final de maio, durante a qual Jorge Mario Bergoglio afirmou lapidarmente: "Chegou o momento de terem a coragem da generosidade e da criatividade ao serviço do bem, a coragem da paz, que assenta sobre o reconhecimento, por parte de todos, do direito que têm dois Estados de existir e gozar de paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas".
Mesmo nos anos que se seguiram, até sua morte, Francisco procurou acelerar o progresso diplomático e simbólico rumo à implementação da solução. Palavras e gestos sempre respaldados pelas declarações das Missões Permanentes da Santa Sé às organizações internacionais ou pelas afirmações do Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, que em mais de uma ocasião observou que "a solução de dois povos e dois Estados é a solução política mais urgente a ser buscada".
Os apelos de Leão XIV
Este legado está nas mãos de Leão XIV, que imediatamente recolocou a solução de dois Estados no centro do debate global. Suas declarações no voo Istambul-Beirute, durante sua viagem apostólica à Turquia e ao Líbano, são particularmente memoráveis: "A Santa Sé tem apoiado publicamente a proposta de uma solução de dois Estados há vários anos. Todos sabemos que Israel ainda não aceita esta solução, mas a vemos como a única solução que pode oferecer uma solução para o conflito em curso." Essas palavras foram reiteradas na audiência com o Corpo Diplomático em 9 de janeiro de 2026: "A solução de dois Estados continua a ser a perspectiva institucional que responde às legítimas aspirações de ambos os povos".
Os apelos de Leão e seus antecessores ainda aguardam uma resposta. A guerra continua a devastar povos, e o caminho para a paz parece nebuloso. No entanto, para os Pontífices e a Santa Sé, o impasse político e a tragédia humanitária não negam a validade da solução, mas, ao contrário, demonstram sua urgência. E foi isso que o Papa Leão XIV pediu, apelando à responsabilidade internacional.
Regra de Fé nos primeiros séculos do cristianismo
Por Dom Vital Corbellini, bispo de Marabá (PA)
A Regra de Fé expressava num certo sentido, nos primeiros séculos do cristianismo, a profissão de fé, sendo uma fórmula breve de confissão de fé das pessoas, ligada ao símbolo de fé, o credo apostólico, onde os fiéis que se preparavam ao batismo, ela era uma norma para a busca cristã da verdade[1]. Ela abraçava a pregação da Igreja, espécie de síntese da fé para a pessoa que deixava o paganismo ou o judaísmo para ingressar na vida cristã, no cristianismo em geral[2]. A seguir nós vejamos a forma como ela se processou na vida cristã e na vida das comunidades.
A Regra de Fé em Santo Ireneu de Lião
O Bispo de Lião, século III afirmava a necessidade de se manter na Regra da Fé, e cumprir os mandamentos da Lei de Deus, temendo com o Senhor e amando-o como Pai. A fé é dada pela verdade, pois ela tem o seu fundamento nela[3]. Santo Ireneu afirmava que os fiéis acreditavam nas verdades que realmente são, como sempre, para assim manter a adesão na firmeza das coisas anunciadas[4].
Fé e Salvação
A Regra de Fé liga a Fé com o dom da Salvação. Desta forma é preciso dar maior atenção a ela para obter uma verdadeira inteligência da verdade. É esta fé que foi comunicada pela Tradição que vinha dos Bispos, dos Presbíteros, das Comunidades Cristãs, em profunda ligação com os apóstolos e do Senhor Jesus Cristo[5].
A tradição e o batismo
Esta tradição colocou a importância do batismo para a remissão dos pecados em nome de Deus Pai e em nome de Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, morto e ressuscitado, e no Espírito Santo de Deus. O batismo é o selo da vida eterna, sendo o novo nascimento em Deus, de modo que nós somos filhos, filhas do Deus eterno , acima de todas as criaturas, de qualquer espécie, porque foi por Ele criado. Deus é onipotente e tudo provém dele[6].
A Regra de Fé em Tertuliano
Tertuliano, padre da Igreja nos séculos II e III do Norte Africano afirmou a Regra de Fé para que os fiéis acreditassem no único e verdadeiro Deus, um único Deus, uma só economia divina, seja também na disposição da Trindade[7]. Tudo isso seja vivido pelo batismo na qual os fiéis recebiam a graça de serem batizados em nome da Santíssima Trindade.
A economia divina
O Padre africano afirmou a Regra de Fé como economia divina, o único Deus que tinha também o Filho, a sua Palavra, que do Pai foi gerado, derivou, por meio do qual tudo foi criado e sem o qual nada foi criado, que foi enviado pelo Pai na Virgem Maria e nasceu dela, Homem e Deus, Filho do Homem e Filho de Deus e foi chamado Jesus Cristo; Ele sofreu, morreu e foi sepultado, segundo as Escrituras e ressuscitado pelo Pai, levado no céu, sentou-se à direita do Pai e virá para julgar os vivos e os mortos; e mandou segundo a sua promessa, por parte do Pai, o Espírito Santo, o Paráclito, o Santificador da fé de todos os que crêem no Pai e no Filho e no Espírito Santo[8]
Lei da Fé
Tertuliano dizia que a Regra de Fé na qual tinha uma síntese do ensinamento da Igreja, proveniente do Evangelho de Jesus Cristo, era também a Lei da Fé. Ele o descreveu em uma de suas obras que a Regra da Fé é todo um conjunto de forças e de doutrinas que consiste no crer em um só Deus Onipotente, Criador do universo e no seu Filho, Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, ressuscitou dos mortos o terceiro dia, subiu aos céus e está sentado à direita do Pai e que deve vir para julgar os vivos e os mortos para a ressurreição da carne[9].
O único Deus em Três Pessoas
Tertuliano foi um dos Padres da Igreja que reforçou a fé em único Deus em Três Pessoas. Desta forma Ele disse que a Regra de Fé consistia em crer que há um só Deus, que é o Criador do mundo. Ele criou todas as coisas do nada por meio da mediação do seu Verbo, gerado antes de todas as coisas. Este Verbo é chamado seu Filho. Ele foi anunciado pelos patriarcas e pelos profetas e desceu dos céus por obra do Espírito Santo e pelo Poder de Deus Pai, na Virgem Maria, se fez carne no seu seio, e nascendo dela, viveu como Jesus Cristo[10].
A pregação de Jesus
Tertuliano afirmou que Jesus pregou uma nova Lei em relação ao amor e a nova promessa do Reino dos Céus. Fez muitos milagres, curando as pessoas e expulsando demônios, foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia. Elevado aos céus, sentou-se à direita do Pai. Enviou no seu lugar o poder do Espírito Santo, para guiar os fiéis[11].
A volta do Senhor
A Regra de Fé que Tertuliano ressaltou e viveu em sua comunidade, dizia respeito também a volta do Senhor para tomar as pessoas santas e fazê-las gozar da vida eterna, das promessas e também para julgar a todas as pessoas em vista da ressurreição dos justos e dos injustos, com a restauração de suas carnes.
Tal Regra de fé foi ensinada pelo Senhor Jesus Cristo, passada aos Apóstolos, seus Sucessores, os Bispos e às Comunidades Cristãs, segundo o Autor africano. Ela não levantou nenhuma discussão entre as pessoas da comunidade[12]. Nós somos chamados a seguir a Regra de Fé, que era uma síntese do Credo Apostólico, e Ela nos ajuda a amar a Deus, ao próximo, como a si mesmo neste mundo e um dia na eternidade.
[1] Cfr. V. Grossi. Regula Fidei. In: Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane. Institutum Patristicum Augustinianum. Casa Editrice Marietti- Genova-Milano, 2008, pgs. 4491-4492.
[2] Cfr. Idem, pg. 4492.
[3] Cfr. Irineu de Lyon. Demonstração da Pregação Apostólica, 3. São Paulo: Paulus, 2014, pg. 73.
[4] Cfr. Idem.
[5] Cfr. Ibidem.
[6] Cfr. Ibidem, pgs. 73-74.
[7] Cfr. Q.S.F. Tertulliano. Contro Prassea, 3,1. Società Editrice Internazionale, Torino, 1985, pg. 147.
[8] Cfr. Idem, II,1, pgs. 145-147.
[9] Cfr. Tertulliano, De VIrg. Vel., 11. In: Johannes Quasten, Patrologia (I primi due secoli, II-III). Casale, 1980, pg. 560.
[10] Cfr. Idem, De Praescr, 13, In: Idem pg. 560-561.
[11] Cfr. Ibidem, pg 561.
[12] Cfr. Ibidem, De Praescr., 13-14, pg. 561.
Pompeia, em São Paulo, inaugura estátua de dois metros de são Carlo Acutis
A estátua de são Carlo Acutis
está na praça da paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Pompeia (SP). |
Instagram/carloacutis_estatuaPor Monasa Narjara
18 de ago de 2026 às 15:28
Uma estátua de dois metros de altura de são Carlo Acutis com a usual mochila nas costas e calça jeans foi inaugurada na praça da paróquia Nossa Senhora do Rosário, no município de Pompeia (SP). A imagem foi instalada depois da missa de encerramento da Semana Jovem 2026 da Igreja, em 1º de agosto.
São Carlo Acutis foi canonizado em 7 de setembro, pelo papa Leão XIV, em uma missa na praça de São Pedro, no Vaticano. Ele é o primeiro santo millennial, a geração dos nascidos do início de 1980 e meados de 1990. Acutis é conhecido como "ciberapóstolo da Eucaristia", "apóstolo dos millennials" e, mais recentemente, "apóstolo da Internet", porque foi um divulgador de milagres eucarísticos por meio da internet, tendo criado um site com essa finalidade. O jovem dizia que a “Eucaristia era sua autoestrada para o céu”. Ele nasceu no dia 3 de maio de 1991, em Londres, Reino Unido, e viveu sua infância e juventude em Milão, Itália, para onde sua família havia voltado. Ele morreu aos 15 anos de leucemia em 12 de outubro de 2006, dia de Nossa Senhora Aparecida, e foi beatificado em 2020 em Assis, na Itália.
Referência de caminhada na fé
Segundo o coordenador do grupo de jovens de Pompéia, Guilherme Bonfim, o projeto da estátua foi iniciativa do grupo de jovens da paróquia e começou a ser desenvolvido em 2025, em vista de apresentar Carlo Acutis como referência para quem inicia a caminhada de fé. Ela foi confeccionada por uma empresa de Londrina (PR) em cerca de oito meses.
Segundo Bonfim, a devoção dos jovens de Pompeia a Carlo Acutis se fortaleceu depois que ele e o pároco, padre Antônio Padula, foram à Itália, em abril de 2025, para a canonização que, com a morte do papa Francisco, foi adiada.
“Mesmo assim, nós fomos até Assis e visitamos o túmulo dele”, disse Bonfim. “Fizemos bastante stories e mandamos vídeos para o pessoal daqui. Foi assim que criamos todo um carisma em volta do Carlo”.
Ele também relatou que mesmo antes de Acutis ser canonizado, os jovens continuavam rezando e falando muito sobre ele. “Pensamos: o que nós podemos fazer de diferente? E fizemos a estátua”, disse Bonfim.
Além da estátua, a paróquia recebeu uma relíquia de primeiro grau de são Carlo Acutis: um fio de cabelo do santo. O fragmento está exposto para veneração ao lado da capela do Santíssimo Sacramento, junto com pedaços do caixão em que Carlo foi sepultado e uma pétala de flor branca que caiu sobre o túmulo de Carlo. Segundo Bonfim, a pétala continua preservada e intacta há cerca de dois anos.
(acidigital)
Hoje é celebrado são João Eudes, promotor da devoção ao Sagrado Coração de Jesus
São João Eudes | ACI DigitalPor Redação central
19 de ago de 2026 às 00:01
“Autor, pai, doutor, apóstolo, promotor e propagandista da devoção litúrgica aos sagrados Corações de Jesus e Maria”. Foi assim que são Pio X definiu são João Eudes, cuja memória litúrgica a Igreja celebra hoje (19).
O sacerdote francês é o fundador da Congregação de Jesus e Maria e da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor. Também foi ele quem, pela primeira vez,introduziu a festa pública do Sagrado Coração.
João Eudes nasceu em 14 de novembro de 1601, na Normandia, França. Era o primogênito dos seis filhos do casal Isaac e Marta. Desde menino, deu sinais de grande inclinação ao amor de Deus.
Aos 14 anos, João ingressou no colégio dos jesuítas de Caen. Seus pais desejavam que se casasse e seguisse trabalhando na granja da família. Mas João, que tinha feito voto de virgindade, recebeu as ordens menores em 1621 e estudou Teologia em Caen com a intenção de consagrar-se aos ministérios paroquiais.
Pouco depois ingressou na congregação do oratório, que tinha sido fundado em 1611. Depois de solicitar com grande dificuldade a permissão paterna, foi recebido em Paris pelo superior geral em 1623. A finalidade da congregação do oratório consistia em promover a perfeição sacerdotal. Dois anos depois, recebeu sua ordenação, dedicando-se integralmente à pregação entre o povo.
Em 1627, ocorreu na Normandia uma violenta epidemia de peste e João se ofereceu para assistir a seus compatriotas. O padre Eudes passou dois meses na assistência espiritual e material aos doentes. Depois, foi enviado ao oratório do Caen, onde permaneceu até que uma nova epidemia se desatou nessa cidade, em 1631. Para evitar o perigo de contagiar seus irmãos, João se separou deles e viveu no campo, onde recebia a comida do convento.
Passou os dez anos seguintes em missões evangelizadoras. São João Eudes se distinguiu entre todos os missionários. Assim que acabava de pregar, sentava-se para ouvir confissões, já que, segundo ele, “o pregador agita os ramos, mas o confessor é o que caça os pássaros”.
Uma das experiências que adquiriu durante seus anos de missionário, foi que as mulheres que tinham estado na prostituição e que tentavam se converter encontravam-se em uma situação particularmente difícil. Durante algum tempo, buscou resolver a dificuldade alojando-as provisoriamente nas casas das famílias piedosas, mas se deu conta de que esse remédio não era de todo adequado.
Assim, em 1671, são João Eudes alugou uma casa para as mulheres arrependidas, na qual podiam albergar-se, desde que encontrassem um emprego. Mais tarde, as religiosas que atendiam as mulheres arrependidas formaram a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio, ordem que deu origem, no século XIX, à Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, conhecida como as Irmãs do Bom Pastor.
Em 1643, depois de muito rezar, refletir e consultar, são João Eudes abandonou a congregação do oratório. A experiência lhe ensinou que o clero precisava se reformar dos fiéis e que a congregação só poderia conseguir seu fim mediante a fundação de seminários.
Decidiu formar uma associação de sacerdotes diocesanos, cujo objetivo principal seria a criação de seminários para a formação de um clero paroquial zeloso. A nova associação foi fundada no dia da Anunciação de 1643, em Caen, com o nome de “Congregação de Jesus e Maria”.
São João Eudes e seus cinco primeiros companheiros se consagraram à “Santíssima Trindade, que é o primeiro princípio e o último fim da santidade do sacerdócio”. O distintivo da congregação era o Coração de Jesus, no que estava incluído misticamente o de Maria; como símbolo do amor eterno de Jesus pelos homens.
Em 1671, publicou um livro intitulado “A Devoção ao Adorável Coração de Jesus”. Já antes, o santo tinha instituído em sua congregação uma festa do Santíssimo Coração da Maria. Em seu livro incluiu uma Missa e um ofício do Sagrado Coração de Jesus.
Em 31 de agosto de 1670, celebrou-se pela primeira vez a dita festa na capela do seminário de Rennes e logo se estendeu a outras dioceses. Assim, embora são João Eudes não tenha sido o primeiro apóstolo da devoção ao Sagrado Coração em sua forma atual, foi ele “quem introduziu o culto do Sagrado Coração de Jesus e do Santo Coração da Maria”, como o disse Leão XIII em 1903. O decreto de beatificação acrescentava: “Foi o primeiro que, por divina inspiração lhes tributou um culto litúrgico”.
Clemente X publicou seis bulas nas que concedia indulgências às confrarias dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, instituídas nos seminários de são João Eudes.
Durante os últimos anos de sua vida, o santo escreveu seu tratado sobre “O Admirável Coração da Santíssima Mãe de Deus”; trabalhou na obra muito tempo e a terminou um mês antes de morrer, no dia 19 de agosto de 1680.
Foi canonizado em 1925 e sua festa foi incluída no calendário da Igreja do ocidente em 1928.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Estes foram os achados de santa Helena na Terra Santa
Santa Helena | Wikipédia (Domínio público)Por Redação central
18 de ago de 2026 às 02:00
No século IV, santa Helena, mãe do imperador Constantino, decidiu viajar à Terra Santa para buscar a Santa Cruz sobre a qual Cristo morreu e encontrou muito mais do que isso.
Diz a tradição que os trabalhadores que acompanharam a santa realizaram escavações no Monte Calvário. Encontraram a Santa Cruz e também outras relíquias relacionadas a Jesus Cristo.
A Santa Cruz
Escritores antigos, como são Crisóstomo e santo Ambrósio, narraram que, depois de realizar muitas escavações, foram encontradas três cruzes.
Sem saber qual era a de Jesus, levaram até o Monte Calvário uma mulher agonizante e, ao tocá-la com duas das cruzes, ela piorou. Mas, ao tocá-la com a terceira cruz, a enferma se recuperou instantaneamente.
Macário, então bispo de Jerusalém, santa Helena e milhares de fiéis levaram a cruz em procissão pelas ruas da cidade.
Um pedaço do madeiro onde Jesus foi crucificado é conservado na cidade de Caravaca da Cruz, em Murcia (Espanha), e outro fragmento da Vera Cruz está na catedral do Menina Jesus, na cidade de Aleppo (Síria).
Esta relíquia foi presenteada pelo falecido vigário apostólico emérito de Aleppo, dom Giuseppe Nazzaro. Durante todas as sextas-feiras da Quaresma, os fiéis têm a oportunidade de rezar a Via-Sacra com ela.
A Escada Santa
Santa Helena também mandou levar para Roma a Escada Santa do palácio de Pôncio Pilatos, que estava em Jerusalém. Diz a tradição que Jesus subiu por estes degraus de mármore na Sexta-Feira Santa para ser julgado e que derramou gostas de sangue ali.
Atualmente, a Escada Santa é conservada em frente à basílica de São João de Latrão, em Roma. Em 1723, foi protegida com madeira nobre para preservá-la dos desgastes, pois todos os dias milhares de peregrinos sobem por ela de joelhos.
Em alguns degraus, podem-se apreciar através de um cristal as gotas de sangue que Cristo derramou.

A Escada Santa / Foto: Cortesia Ximena Rondón (ACI Prensa)
Em 1908, o papa são Pio X concedeu a indulgência plenária a todos que sobem a escada com devoção, depois de cumprir as condições da confissão, comunhão e oração pelas intenções do papa.
Os cravos de Jesus e o “Titulus Crucis”
Santa Helena também encontrou os cravos que perfuraram as mãos e pés de Cristo. Diz-se que a santa os usou para proteger seu filho Constantino nas batalhas, colocando um cravo em seu capacete e outro em seu cavalo.
A santa também encontrou o “Titulus Crucis”, a tábua colocada na Cruz que diz: “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”. Este último objeto foi levado no século VII para Roma pelo papa são Gregório Magno.

Um dos cravos e o “Titulus Crucis” / Foto: Cortesia Ximena Rondón (ACI Prensa)
O “Titulus Crucis” e um dos cravos podem ser venerados na basílica da Santa Cruz, em Jerusalém. Acredita-se que os outros cravos estão no altar maior da catedral de Milão, na chamada Coroa de Ferro que está na Catedral de Monza (Itália) e outro na catedral de Colle di Val d’Elsa, na região italiana da Toscana.
A Santa Túnica
Na catedral de Tréveris é conservada uma parte da túnica que Jesus usou antes de ser crucificado. O pedaço de tecido teria sido obtido por santa Helena em Jerusalém e entregue ao então arcebispo de Trier (Alemanha), santo Agrício.
A manjedoura de Jesus
Assine aqui a nossa newsletter diária
De sua viagem, a mãe do imperador Constantino trouxe consigo um fragmento da manjedoura onde, segundo a tradição, o Menino Jesus repousou. Esta relíquia se encontra na basílica de Santa Maria Maior, em Roma.
Relíquias dos Reis Magos
De acordo com o site da catedral de Colônia (Alemanha), santa Helena encontrou as relíquias dos reis magos na cidade de Saba, localizada na Península Arábica, e as levou até Constantinopla (hoje Istambul), que na época era a capital do Império Romano.
Anos mais tarde, as relíquias foram presenteadas a santo Eustórgio, bispo de Milão (Itália), mas, no século XII, o imperador Frederico Barbarossa as levou para a catedral de Colônia, onde permanecem até hoje.
O Santo Sepulcro
A Igreja do Santo Sepulcro, construída pelo imperador Constantino, foi levantada sobre o túmulo onde, segundo a tradição, Jesus Cristo foi enterrado. Este achado também foi descoberto por santa Helena, no século IV.
(acidigital)