sexta-feira, 9 de outubro de 2026

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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026 - 12:30 Missa, na Capelinha das Aparições


 

Ecclesia 9 Outubro 2026


 

Santa Sé: ódio on-line e intolerância religiosa, formas de racismo contra a unidade

 


Declaração do arcebispo Christophe Zakhia El-Kassis, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, na 81ª sessão da Assembleia Geral sobre o tema da eliminação da discriminação racial. O prelado alerta contra as "ideologias materialistas e nacionalistas" que são uma afronta à dignidade humana, pedra angular na construção de "uma verdadeira comunidade internacional".

Vatican News

A dignidade comum a todo ser humano, "concedida por Deus" e "fundamental para a construção de uma verdadeira comunidade internacional", é hoje ameaçada por formas de discriminação que se espalham por esferas cada vez mais amplas, desde o ambiente on-line até os espaços religiosos, passando pela indiferença para com migrantes e refugiados. O observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, dom Christophe Zakhia El-Kassis, alertou contra "ideologias materialistas e nacionalistas", que ameaçam a unidade da família humana, em sua declaração na Terceira Comissão da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Proferida na quinta-feira, 8 de outubro, a mensagem referia-se ao item 68 da agenda: "Eliminação do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e de outras formas de intolerância".

Proteger a igualdade

Reiterando o ensinamento da Igreja de que a dignidade de todo ser humano é igual e inviolável, o arcebispo condenou o racismo, a discriminação, a xenofobia e todas as outras formas de intolerância que são uma afronta à "unidade da família humana". Esse conceito foi reiterado pelo Papa Leão XIV durante sua recente viagem apostólica à França, quando, em Metz, ele exortou a proteger a igualdade "sem distinção de raça, cor, classe ou profissão".

Rejeitar ideologias racistas

"Uma Comunidade internacional autêntica não pode, de fato, mostrar-se complacente com 'ideologias materialistas e nacionalistas' que prejudicam a harmonia da família humana", reiterou El-Kassis. De fato, o mal do racismo persiste em várias formas, "apesar do aparente progresso", e continua a se manifestar com base na "convicção errônea de que uma pessoa, reduzida a uma mera característica, seja superior a outra". A seguir, o representante vaticano se concentrou em algumas áreas em que as práticas discriminatórias persistem: em particular, migrantes, refugiados e requerentes de asilo continuam sendo vítimas. Em vez de encontrarem segurança e uma vida melhor, como enfatizou o Papa durante a última Missa Jubilar dedicada a eles, muitas vezes se deparam com "a frieza da indiferença ou o estigma da discriminação".

Ódio on-line e religioso

Dos migrantes aos ambientes digitais, onde novas formas de exclusão e preconceito estão surgindo, amplificando o ódio e a polarização. "Na era digital", observou El-Kassis, "a justiça social exige que os dados e a tecnologia sejam usados ​​para promover a dignidade da pessoa e o bem comum". Por fim, o prelado destacou a intolerância religiosa: "Quer ela se manifeste na forma de antissemitismo, cristianofobia, islamofobia ou outras formas de hostilidade baseadas em preconceito antirreligioso", disse ele, deve ser "firmemente rejeitada". Ele concluiu suas observações com a esperança de intensificar os esforços "para cultivar e promover o respeito pela dignidade inalienável de cada pessoa humana e para fomentar uma cultura de encontro e abertura ao outro, no respeito recíproco".

Homilia Diária | O demônio e a batalha espiritual (Sexta-feira da 27ª Sem. do Tempo Comum -09/10/26)


 

Representante da Santa Sé fala na ONU sobre desenvolvimento, pobreza e mulheres

 


Christophe Zakhia El-Kassis, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Nova York, EUA. | Crédito da foto: Cortesia da Missão de Observação Permanente da Santa Sé junto às Nações Unid... ??
Christophe Zakhia El-Kassis, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Nova York, EUA. | Crédito da foto: Cortesia da Missão de Observação Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas 
 

O arcebispo Christophe-Zakhia El-Kassis, núncio apostólico da Santa Sé na Organização das Nações Unidas (ONU), defendeu a “verdadeira igualdade” para as mulheres e que os avanços econômicos e tecnológicos globais priorizem a pessoa humana e o bem comum, em discurso proferido na sessão da última terça-feira (6) da 81ª Assembleia Geral.

El-Kassis, nomeado pelo papa Leão XIV para o cargo em julho, discursou na terceira comissão da ONU, de questões sociais, humanitárias e culturais, e na segunda comissão, para questões econômicas e financeiras.

Baseando-se na declaração do papa Leão XIV de que “o desenvolvimento é verdadeiramente humano quando coloca as pessoas no centro, em vez da acumulação de riquezas”, El-Kassis disse que a erradicação da pobreza deve vir acompanhada do desenvolvimento de um sistema que não trate os pobres “meramente como receptores passivos de assistência”.

“Eles devem ser participantes ativos e protagonistas nas medidas e programas concebidos para ajudá-los em suas próprias vidas”, disse ele. “Para alcançar os objetivos de erradicação da pobreza, pleno emprego e trabalho decente, e integração social, conforme estabelecido em Copenhague e reafirmado em Doha, será necessária cooperação contínua, criatividade e um compromisso renovado com uma visão política, econômica, ética e espiritual para o desenvolvimento social baseado na dignidade humana”. Copenhague, na Dinamarca, em 1995, e Doha, no Qatar, em 2025, sediaram as duas reuniões da Cúpula para o Desenvolvimento Social da ONU.

Em outra sessão sobre desenvolvimento sustentável e mudanças econômicas globais, El-Kassis defendeu que a economia mundial adote uma “arquitetura financeira internacional mais justa e inclusiva”.

“As circunstâncias do nascimento de uma pessoa não devem determinar o respeito pela sua dignidade inerente, dada por Deus, nem as oportunidades a que um indivíduo pode ter acesso”, disse. “Do mesmo modo, as circunstâncias econômicas de um país não devem limitar a sua capacidade de participar de modo significativo nas decisões que moldam o seu desenvolvimento”.

El-Kassis citou a encíclica Magnifica humanitas de Leão XIV ao falar sobre as mulheres e disse que “a igualdade para as mulheres não pode ser alcançada enquanto a violência contra as mulheres permanecer generalizada”. O representante da Santa Sé na ONU também condenou o tráfico de pessoas e disse que outros avanços tecnológicos e médicos possibilitaram modos de exploração, inclusive a barriga de aluguel.

A Santa Sé reafirmou sua oposição à barriga de aluguel, que trata a gestação como "um serviço negociável" que viola a dignidade tanto da criança como da mãe.

Papa nomeia freira que falou de ordenação de mulheres presidente das Obras Missionárias

 


Papa Leão XIV abençoa peregrinos reunidos na praça de São Pedro, no Vaticano, para sua audiência geral em 1º de abril de 2026. | Crédito: Vatican Media. ??
Papa Leão XIV abençoa peregrinos reunidos na praça de São Pedro, no Vaticano, para sua audiência geral em 1º de abril de 2026. | Crédito: Vatican Media. 
 

O papa Leão XIV nomeou a freira Mary Teresa Barron secretária-adjunta do Dicastério para a Evangelização, na Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares, confiando-lhe também o cargo de presidente das Pontifícias Obras Missionárias.

Segundo comunicado divulgado hoje (8) pela Sala de Imprensa da Santa Sé, a freira irlandesa assumirá suas novas responsabilidades em 4 de janeiro do ano que vem.

A freira Barron, superiora-geral das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos, assume uma das posições mais importantes na esfera missionária da Igreja. Como presidente das Pontifícias Obras Missionárias, ela será responsável por coordenar e promover a cooperação missionária entre as Igrejas locais em várias partes do mundo, especialmente em territórios onde a Igreja continua crescendo e enfrenta maiores desafios pastorais.

Em 2024, numa conferência de imprensa depois dos debates da assembleia do Sínodo da Sinodalidade, a freira Barron, então presidente da União Internacional das Superioras Gerais (UISG), organização que representa cerca de 600 mil religiosas em 80 países, abordou a questão das mulheres que vivem “um chamado ao sacerdócio”.

Naquela ocasião, a freira disse que, embora haja uma tendência para enquadrar o debate sobre as diaconisas a partir da perspectiva de "as mulheres podem ou não ser ordenadas na Igreja hoje em dia?", ela acredita que a questão também deve ser formulada sob outra perspectiva.

“Acho que temos que analisar a questão de uma perspectiva muito espiritual. O Espírito está chamando as mulheres? Porque algumas mulheres sentem um chamado para o sacerdócio ou o diaconato”, disse ela em 7 de outubro de 2024.

A freira Barron disse também que, “mesmo que neste momento não estejamos considerando um ministério ordenado” para mulheres, é necessário manter o diálogo aberto sobre esse assunto.

Ela defendeu a manutenção da reflexão aberta dentro da Igreja: "Esses apelos ainda existem? Podemos continuar a discussão? Acho que é isso que devemos nos perguntar neste momento: se podemos continuar dialogando sobre essa questão”.

Para Barron, a questão deve ser analisada não só sob as perspectivas teológicas ou canônicas atuais, mas também sob a perspectiva das necessidades evangelizadoras da Igreja. “Acho que temos que olhar além do que podemos ou não fazer de um ponto de vista puramente teológico ou canônico, mas em termos do espírito que nos chama ao ministério hoje e em termos das… necessidades da missão hoje”, disse.

A ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN, tentou entrar em contato com a freira Barron para esclarecer sua posição, mas até o momento não recebeu resposta.

Missionária na África

Nascida em Donegal, Irlanda, em 7 de novembro de 1968, ela tem uma sólida formação acadêmica em administração pública e desenvolvimento internacional. É mestre em Administração de Saúde Pública pelo Instituto de Administração Pública de Dublin e mestre em Desenvolvimento Internacional pelo Instituto Kimmage, também em Dublin.

Desde 2018, ela é superiora-geral das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos, congregação dedicada à evangelização e ao serviço missionário, especialmente em vários países africanos.

Sua carreira tem também responsabilidades significativas em organizações internacionais ligadas à vida consagrada e à missão. Entre 2022 e 2025, foi presidente do Serviço de Documentação e Estudo sobre a Missão Global (SEDOS), organização dedicada ao estudo e à reflexão sobre a missão evangelizadora da Igreja. Do mesmo modo, entre 2023 e 2025, presidiu a UISG, organização que reúne superioras de congregações religiosas femininas de todo o mundo.

Crescente presença de mulheres em cargos governamentais na Santa Sé

A freira irlandesa tornou-se uma das mulheres mais importantes da Cúria Romana e a primeira a chefiar as Pontifícias Obras Missionárias, que atuam em cerca de 120 países. Essa decisão faz parte de uma série de nomeações feitas por Leão XIV que consolidaram a tendência de inclusão de mulheres em posições de liderança na Santa Sé.

A primeira grande nomeação de uma mulher pelo papa ocorreu em 22 de maio do ano passado, quando ele nomeou a freira Tiziana Merletti secretária do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. A presença de mulheres em posições de liderança continuou a crescer em 1º de abril de 2026, quando Paola Fanelli foi nomeada Diretora de Recursos Humanos da Santa Sé. Outra nomeação significativa ocorreu em 2 de junho de 2026, quando Leão XIV nomeou María Montserrat Alvarado, atualmente presidente e diretora de Operações (COO) da EWTN News, prefeita do Dicastério para a Comunicação. A jornalista e acadêmica mexicano-americana se tornará, em 1º de novembro, a primeira leiga latino-americana a chefiar o órgão responsável pela coordenação do sistema de comunicação da Santa Sé, inclusive o Vatican News, a Rádio Vaticano, o jornal L'Osservatore Romano e as plataformas digitais da Santa Sé.

Em 30 de junho, o papa nomeou a freira salesiana italiana Alessandra Smerilli, de 51 anos, prefeita do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. A freira Smerilli, professora de Economia Política, era secretária da agência desde 2021 e, na época, foi a primeira mulher a alcançar um cargo tão elevado na hierarquia da Santa Sé.

Na última segunda-feira (5), o papa Leão XIV recebeu representantes de leigos e da associação Donne in Vaticano (Mulheres no Vaticano) em audiência no Vaticano, dizendo que “a presença das mulheres constitui uma riqueza que deve ser cada vez mais reconhecida e valorizada”. Ele disse também que as mulheres trazem para as instituições “uma sensibilidade particular para com as pessoas e as relações”.

Hoje é dia de são João Newman, de anglicano a Doutor da Igreja

 


São João Newman | ACI Digital ??
São João Newman | ACI Digital 
 

A Igreja Católica celebra hoje (9) são João Henrique Newman (1801-1890), uma figura proeminente do catolicismo britânico, um teólogo brilhante e um dos mais célebres convertidos ao catolicismo nos últimos séculos. O papa Leão XIV lhe conferiu o título de doutor da Igreja em 1º de novembro de 2025, dia em que a Igreja celebra a festa de Todos os Santos.

Um coração arrependido

Nascido em Londres, Reino Unido, em 21 de fevereiro de 1801, foi primeiro sacerdote da Igreja Anglicana, até sua conversão ao catolicismo em 1845. Seu amor e abertura à verdade, bem como a docilidade com que se permitiu ser guiado pelo Espírito Santo, o levou a dar um passo tão grande.

Como católico, aprofundou e contribuiu para o ensino da Igreja, graças ao seu amplo conhecimento de teologia e à sua visão aguçada dos tempos modernos, visão fundada no Evangelho. Foi elevado à dignidade de cardeal por decisão do papa Leão XIII.

Volta às fontes

Na juventude esteve ligado ao chamado Movimento de Oxford, tornando-se uma das suas figuras mais importantes. Este movimento - formado por proeminentes intelectuais ligados à não menos prestigiada universidade – queria a volta da Igreja Anglicana às suas raízes, o que levou a posições teológicas cada vez mais próximas do catolicismo e ao posterior desejo dos seus membros de aderirem à Igreja Católica.

Depois de completar seus estudos no Trinity College da Universidade de Oxford, Newman foi ordenado sacerdote da Igreja Anglicana em 29 de maio de 1825. Serviu à Igreja por duas décadas até ocorrer sua conversão definitiva ao catolicismo em 1845. Dois anos depois ele receberia a sagrada ordem sacerdotal na Igreja Católica, em 30 de maio de 1847.

Volta para casa

Newman foi o fundador do Oratório de São Felipe Neri na Inglaterra e desenvolveu uma obra prolífica: foi autor de 40 livros e 21 mil cartas.

Quando foi criado cardeal em 1879 por Leão XIII, Newman adotou como lema "Cor ad cor loquitur" (O coração fala ao coração) como expressão de sua experiência de conversão, que é uma "volta para casa", uma viagem de volta ao mais íntimo do coração, onde Deus reside.

Milagres

O cardeal Newman morreu em Edgbaston, Inglaterra, em 1890. Foi beatificado pelo papa Bento XVI em 19 de setembro de 2010, graças à cura milagrosa do diácono Jack Sullivan, de Braintree, Massachusetts, EUA, que se recuperou de uma doença na coluna que o impedia de caminhar.

O papa Francisco o canonizou em 13 de outubro de 2019, em virtude da cura imediata e definitiva de uma mulher grávida que sofria de profusa hemorragia interna. O sangramento não pôde ser controlado pelos médicos, mas parou quando a mãe pediu a intercessão do santo – ela havia visto recentemente o documentário sobre a vida de João Newman na EWTN, rede de comunicação católica à qual pertence a ACI Digital.

O bebê nasceu completamente saudável e a mãe totalmente recuperada.

Impacto na cultura católica atual

São João Newman é o padroeiro do Ordinário Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham e do Oratório de Birmingham, na Inglaterra, que é considerado seu santuário. Seus restos mortais repousam no pequeno cemitério católico de Rednal, na mesma cidade.

O postulador da causa de canonização do cardeal Newman, padre Ignatius Harrison, disse em 2019: “Newman foi uma figura central dentro do Movimento de Oxford na Igreja da Inglaterra, e isso o ajudou a dar sua contribuição teológica e espiritual única ao catolicismo depois de sua conversão em 1845”.

Harrison acrescenta que a “longa peregrinação espiritual de Newman 'das sombras e imagens à verdade' encoraja todos os cristãos a perseverarem na sua busca de Deus acima de tudo... A sua conversão ao catolicismo é um exemplo claro de como Deus usa todas as circunstâncias das nossas vidas para atrai-nos para si mesmo, para o seu próprio tempo e de muitas maneiras diferentes.”


Misericórdia minha, misericórdia - Salmo 51 (50)


 

Liturgia das Horas: Laudes, 3ss.6ª, 09 out 26


 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Santa Missa, 8 de outubro de 2026 - Papa Leão XIV


 

 

MISSA POR OCASIÃO DO INÍCIO DO ANO ACADÉMICO DAS UNIVERSIDADES PONTIFÍCIAS

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV

Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 8 de outubro de 2026


Queridos irmãos e irmãs,

Celebramos hoje a Eucaristia invocando o dom do Espírito Santo para que o início de um novo ano académico nas Universidades Pontifícias seja mais do que um simples recomeço das atividades de estudo e investigação. Desejamos abrir a inteligência e as relações educativas ao sopro criador do Ressuscitado, que concede paz e unidade para que cada um assuma a própria tarefa e, assim, corresponda ao Deus que chama e à humanidade que espera. Portanto, possa este novo começo ser um verdadeiro momento eclesial, no qual este encontro em torno da mesa do Senhor alimente a nossa missão comum. Então, ninguém ensinará, estudará ou investigará apenas por si mesmo, mas com e para os outros; e, sobretudo, com e para o Senhor. Tal como ouvimos na Carta aos Gálatas: a inteligência é determinante para a fé e a missão.

O apóstolo Paulo, preocupado com as notícias recebidas das comunidades da Galácia, escreve palavras que convidam à reflexão os destinatários da Carta. O tom é vibrante, vivo; porém, o que poderia parecer uma repreensão é, na realidade, um apelo à inteligência, à memória e ao espírito crítico. Em cada época, não faltam falsos mestres que desviam para os seus próprios interesses o sentimento religioso de muitos crentes, levando-os frequentemente a radicalizar algum aspecto do ensinamento recebido em detrimento do todo, que é Cristo e seu Evangelho.

Caríssimos, para o bem de cada um de vós e de tantos irmãos e irmãs pelos quais o Senhor deu a sua vida, valorizai o estudo como um serviço à fé e à verdade. Embora o encontro com Ele gere verdadeira alegria e entusiasmo, não se trata nunca de ficar “enfeitiçado” ou “fascinado” (cf. Gl 3, 1). À luz da Palavra de Deus e da Tradição da Igreja, a razão, o questionar-se e o fazer perguntas são parte essencial do caminho de fé no seguimento de Jesus Cristo. Por isso mesmo, a Igreja tem o desejo e a responsabilidade de salvaguardar integralmente o tesouro da Revelação e de desenvolver, nos diversos contextos, a sua inteligência orante, a reflexão científica, a mediação cultural e a tradução prática. Todas expressões de um único amor que hoje vos chama, sustenta e compromete na comum investigação. É uma missão! As nossas vocações são diversas, mas a missão é única.

Encontramos uma ulterior sugestão nas palavras do Apóstolo. Ele, com efeito, convida os Gálatas a recordarem onde tinham começado. Escreve: «Sois tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, quereis agora, pela carne, chegar à perfeição? Foi em vão que experimentastes coisas tão grandiosas? Se é que foi mesmo em vão!» (Gl 3, 3-4). Desse modo, a inteligência deve fazer memória: não simplesmente juntando dados – como um algoritmo já faz mais rapidamente do que nós –, mas recordando as experiências vividas, com as ressonâncias que só a alma humana pode sentir, e entrando mais intensamente em contato com a sua bondade. Tudo o que é bom começa “sob o sinal do Espírito Santo” e tem, portanto, um ímpeto, um dinamismo, um sentido de comunhão que, uma vez experimentados, ficam gravados no coração. A rotina, as ambições, as rivalidades e outros fatores negativos podem, com o tempo, distrair a nossa atenção e forças, deixando-nos áridos, apáticos, irritadiços e tristes. É preciso, então, regressar ao coração. Foi ali que tudo começou, é ali que está o início que permanece conosco. Caríssimos, guardai o vosso coração! Quer sejais estudantes, investigadores ou docentes, guardai o vosso coração, para que cada idade e responsabilidade sejam vividas “sob o sinal do Espírito”.

Caríssimos, na Universidade, cultivai o dom precioso da amizade, ainda mais quando é vivida na busca comum da verdade em Cristo. Permanecei enraizados no povo de Deus, valorizando o seu sensus fidei e acolhendo as suas questões. E não vos esqueçais dos pobres, que, por vezes, são aquele amigo insistente que vem bater à porta durante a noite (cf. Lc 11, 5-13). Segundo a lógica da Encarnação, fora da qual a Revelação se cala, levai a vida para o estudo e o estudo para a vida. Sim, quanto mais nos afastamos da inteira realidade que o Filho de Deus assumiu e habitou com amor infinito, menos teremos algo a dizer e menos possibilidades de compreender. Irmãs e irmãos, ouçamos o desejo de Deus que hoje volta a bater à porta e levemo-lo para a investigação científica. Partilhemos aquilo que nos nutre. São muitos aqueles que não têm as mesmas oportunidades de formação que nós recebemos. Abramos a porta, não nos fechemos.

Como sugeri na minha primeira Encíclica, para construir a cidade onde Deus deseja habitar em paz com toda a humanidade, somos hoje chamados a assumir a atitude do povo na época de Neemias (cf. Carta enc. Magnifica humanitas, 8). Cada um tem a sua tarefa neste canteiro de obras, no qual é importante trabalharmos juntos. Por exemplo, quem se depara com a fragmentação do conhecimento e com o impacto das novas tecnologias na mente humana percebe que «é necessário promover uma verdadeira higiene da atenção: ritmos que prevejam silêncio, estudo aprofundado, leitura, debate ponderado. Sem estes elementos, a liberdade interior pode ficar comprometida» (ibid., 146).

O estudo da Teologia não é alheio a estes desafios, mas, no canteiro de obras da “cidade de Deus”, a sua investigação contribui para iluminar o trabalho de todos, colocando-se como encruzilhada entre os diversos saberes. Em particular, a Comunidade eclesial de Roma, com a sua vocação de servir toda a catolicidade, é um ponto de encontro, diálogo e enriquecimento mútuo entre sensibilidades, culturas e tradições diversas, nas quais o Evangelho revela os seus tesouros inesgotáveis.

Queridos irmãos e irmãs, que possais viver em plenitude estes vossos anos em Roma. Não os deixeis passar em vão! Aqui, Pedro confessou a sua fé até ao martírio. Aqui, Paulo, o grande tradutor universal da experiência cristã para tantos povos, línguas e culturas, terminou a sua corrida, conservando a fé (cf. 2 Tm 4, 7). Na Universidade, olhai à vossa volta: nas vossas salas de aula senta-se o mundo. Estudam ao vosso lado pessoas vindas da África, Ásia, América, Europa e Oceania. Não vos limiteis ao estar sentados lado a lado: encontrai-vos, conversai, escutai-vos, partilhai as vossas experiências de Igreja, rezai juntos, partilhai momentos de lazer, fazei nascer amizades que vos acompanharão por toda a vida.

O Senhor disse-nos: «Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á» (Lc 11, 9-10). Fortalecidos por esta promessa, perseveremos na oração. Confiemos o novo ano académico à intercessão maternal da Virgem Maria, Sede da Sabedoria, e acolhamos o Espírito Santo que o nosso Pai celestial não deixa faltar àqueles que o pedem com confiança filial.

6 Ordens Católicas com Regras que Poucos Suportariam


 

Bispos nos EUA pedem fim da pena de morte e Trump autoriza fuzilamento de militar

 


Pena de morte. Imagem referencial. - Crédito: Felipe Caparros/Shutterstock ??
Pena de morte. Imagem referencial. - Crédito: Felipe Caparros/Shutterstock

Os bispos católicos do Tennessee pediram ao Estado que se substitua a pena de morte pela pena de prisão perpétua.

Em comunicado divulgado em 2 de outubro, a Conferência Católica do Tennessee disse que a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional "serve à justiça, protege a sociedade e respeita a dignidade de toda vida humana".

“A responsabilização por crimes graves é necessária, mas não exige que se tire outra vida”, escreveram eles. “Uma execução não pode restaurar a vida que foi tirada, e a incerteza, os processos prolongados e o sofrimento que envolvem a pena de morte podem agravar a angústia de todos os envolvidos, inclusive as famílias das vítimas, as famílias dos prisioneiros e aqueles encarregados de fazer as execuções”.

O Estado do Tennessee tentou executar a primeira mulher em cerca de 200 anos, Christa Pike, de 50 anos.

Depois de duas doses de pentobarbital não terem conseguido matar Pike em 30 de setembro, a execução foi suspensa. Ela permanece em estado crítico, entubada.

A execução malsucedida foi a segunda no Tennessee este ano e levou à renúncia de Frank Strada, comissário do Departamento de Correções do Estado. O governador do Tennessee, Bill Lee, decretou uma moratória sobre as execuções pelo restante do ano.

Em 1995, Pike e seu namorado, Tadaryl Shipp, torturaram e mataram Colleen Slemmer. Pike esmagou o crânio da vítima com um pedaço de asfalto. Condenada à morte em 1996, aos 20 anos, Pike tentou estrangular uma colega de prisão, Patricia Jones, em 2001. Ela também tentou fugir em 2012, segundo a rede de televisão americana ABC News.

“A questão moral fundamental é se o Estado deve continuar a tirar vidas quando dispõe de outro meio de proteger o público e impor uma punição séria e duradoura”, escreveram os bispos. “A prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional oferece essa alternativa. Ela responsabiliza os condenados pelos crimes mais graves e protege a sociedade, preservando a possibilidade de arrependimento”.

Eles escreveram que “mesmo aqueles que cometem crimes terríveis conservam sua dignidade humana”.

As doutrinas da Igreja sobre a pena de morte mudaram

O parágrafo 2267 do Catecismo da Igreja Católica, revisto em 2018, diz que a pena de morte não é mais admissível porque “a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos”. Os Estados devem aplicar punições que “não tirem definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir”.

Segundo o catecismo, “durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum”.

O papa Francisco, porém, disse em seu Discurso aos Participantes do Encontro organizado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, em 2017, que “a pena de morte é uma medida desumana que, independentemente do modo como for realizada, humilha a dignidade pessoal”.

O catecismo diz agora que “foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a devida proteção dos cidadãos” e exorta a Igreja a trabalhar pela abolição da pena de morte.

Trump aprova execução militar por pelotão de fuzilamento

O presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou a execução de um militar por fuzilamento.

Na última segunda-feira (2), o porta-voz do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, Sean Parnell, disse na rede social X que Trump aprovou a execução por fuzilamento militar de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército dos EUA, condenado por matar 13 pessoas e feria outras 32 em Fort Hood, base militar no Texas, em 5 de novembro de 2009 gritando Allahu Akbar (Alá em Grande), grito de guerra dos radicais islâmicos.

Depois de um julgamento militar, Hasan foi condenado à morte em 2013. Parnell disse que o secretário do Exército determinará a data e o lugar da execução.

Leão XIV pede a bispos coragem para responder a famílias em dificuldade

 


Papa Leão XIV participa da oração de abertura de uma reunião de bispos sobre a família, que durará uma semana, por ocasião do 10º aniversário da Amoris Laetitia, em 7 de outubro de 2026, na Aula Paulo... ??
Papa Leão XIV participa da oração de abertura de uma reunião de bispos sobre a família, que durará uma semana, por ocasião do 10º aniversário da Amoris Laetitia, em 7 de outubro de 2026, na Aula Paulo VI, no Vaticano. | Crédito: Vatican Media 
 

O papa Leão XIV pediu hoje (7) a representantes episcopais de todo o mundo, reunidos no Vaticano para um encontro sobre a família, que enfrentem com “coragem” o desafio de aprender e oferecer respostas a famílias “marcadas por dificuldades” e por “um aparente fracasso”.

“A sabedoria do Povo de Deus chega até nós através da nossa fé comum, que ilumina todas as famílias, incluindo as situações marcadas por dificuldades, solidão e, por vezes, até mesmo por um aparente fracasso”, disse o papa em seu discurso de abertura do encontro, que está sendo realizado na Aula Paulo VI e terminará em 14 de outubro.

Espera-se que essa assembleia — realizada a portas fechadas e sem jornalistas — produza um documento resumido, embora sem valor doutrinário, que será então entregue ao papa.

A reunião faz parte das assembleias sinodais de avaliação propostas para o fim do período de 2021-2024.

Dez anos depois dos dois sínodos sobre a família e a controvérsia suscitada pela exortação apostólica Amoris laetitia, 154 bispos e cardeais, 53 sacerdotes e leigos, e 11 famílias convidadas iniciaram hoje uma série de encontros com o objetivo de fazer um balanço da situação atual e avaliar a recepção da exortação apostólica que o papa Francisco dedicou às famílias.

O documento gerou intenso debate por abrir as portas, em alguns casos, para o acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia para alguns católicos divorciados e recasados ​​civilmente, "quando a pessoa considera que incorreria em uma falta adicional prejudicando os filhos da nova união".

A doutrina da Igreja diz que os fiéis divorciados que contraíram nova união civil não podem receber os sacramentos.

O papa não fez qualquer menção a isso em seu discurso, que proferiu em inglês depois de um momento de oração.

Leão XIV disse que a vida familiar coloca à Igreja "questões que devemos enfrentar com coragem" e listou algumas das situações que mais o preocupam.

“Em muitos contextos, surgiu um distanciamento crescente entre o modo como a sexualidade e a intimidade são vividas e a visão cristã do casamento”, disse ele.

“Os jovens continuam a desejar o amor, a fidelidade e o sentimento de pertencimento, mas muitos têm dificuldade em compreender como essa visão do amor pode concretizar-se em suas próprias vidas ou em acreditar que um compromisso para toda a vida é a condição para alcançar aquilo que desejam”, disse o papa.

“A insegurança econômica, a migração, a violência, a solidão e outras formas de fragilidade emocional também moldam as escolhas que as pessoas fazem e as possibilidades que conseguem imaginar para o seu futuro”, disse ele.

O que podemos aprender com a experiência vivida pelas famílias?

Focando nos desafios mais prementes, o papa encorajou os bispos a ouvirem as famílias e disse que a Igreja ainda tem muito a aprender com elas. Ele propôs uma série de questões que, em sua opinião, deveriam nortear os trabalhos desse encontro, que está sendo conduzido segundo a metodologia usada no Sínodo da Sinodalidade de discutir em grupos pequenos e não no plenário.

“O que as pessoas procuram verdadeiramente por trás dessas mudanças culturais? O que suas alegrias e esperanças, suas tristezas e angústias nos revelam? Em que aspectos nossa linguagem e nossas práticas pastorais conseguem abrir caminho e onde não conseguem tocar o coração das pessoas nem apoiar seus esforços para fazer o bem? O que nos ensina a experiência vivida pelas famílias — uma experiência da qual ainda não aprendemos plenamente? O que podemos oferecer em termos de formação para uma vida familiar saudável e santa? Em particular, o que podemos aprender com os pais, que procuram acompanhar seus filhos, e com os jovens nesses contextos?”

“A fragilidade merece atenção especial”

O papa disse também que a “fragilidade” merece uma atenção especial porque pode “marcar profundamente a maneira como uma pessoa olha para si mesma, para o futuro e até para sua relação com Deus e com a Igreja”.

“Todos conhecemos a distância entre o bem que desejamos e aquilo que somos capazes de viver. Precisamos de graça, perdão e novos começos para cumprir a vontade de Deus, e aprendemos que a fidelidade é, ela própria, uma graça a receber e um caminho a renovar gradualmente, muitas vezes através da provação”, disse ele.

Leão XIV pediu que o reconhecimento desse “desafio compartilhado” influencie a maneira como os membros da Igreja acompanham as famílias. Para isso, ele fez outras perguntas aos participantes:

“Que tipo de Igreja as pessoas encontram precisamente quando estão mais frágeis? Nossas comunidades ajudam-nas a descobrir que ainda têm um lugar, uma responsabilidade e dons para oferecer? A verdade que proclamamos pode ser encontrada através da paciência, da proximidade e da misericórdia da nossa presença pastoral? Como podemos anunciar-lhes a plenitude do ensinamento do Evangelho sobre a família?”

Por fim, ele convidou os presentes a darem a essas questões toda a importância que merecem.

“O Espírito Santo muitas vezes fala precisamente através de situações que nos testam, iluminando-nos para descobrirmos como a misericórdia de Deus e a graça salvadora de Cristo podem alcançar as nossas famílias hoje, especialmente nas suas fraquezas e resiliências, nas suas esperanças e desilusões, no seu desejo de comunhão e na sua busca de sentido”.

Na parte final de seu discurso, Leão XIV pediu que o trabalho seja realizado numa atmosfera de genuína “liberdade evangélica” e encorajou os participantes a “compartilhar sinceramente tanto as alegrias quanto os desafios vividos em suas Igrejas locais”.

Confidencialidade relativa à reunião

O papa falou também sobre a importância da oração nos encontros e expressou sua esperança de que a reunião contribua para a construção de um entendimento comum sobre a década passada do ministério familiar na Igreja. Por fim, pediu a todos os participantes que ajam com discrição e mantenham a confidencialidade sobre o que está sendo discutido.

A oração abre portas (Lc 11,5-13) Palavra de Deus | Irmã Maria Raquel 08/10