quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Quem está no trono da sua vida?


 

Eles destruíram a Pietà em pedaços com martelos


 

Abu Dhabi, celebrações dos 800 anos da morte de São Francisco são inauguradas por Martinelli

 

Uma série de eventos dedicados ao oitavo centenário da morte do Pobrezinho de Assis teve início na última segunda-feira à noite em Abu Dhabi. Na abertura das celebrações, Martinelli, vigário apostólico da Arábia do Sul, recordou como Francisco aprendeu, "a partir do seu encontro com Cristo", a fraternidade e o diálogo com todos os seres humanos e com a criação. Conferências e oficinas também serão realizadas em Omã no final de outubro e início de novembro.

Roberto Paglialonga – Vatican News

Oitocentos anos após sua morte, São Francisco de Assis foi o tema central de um encontro em Abu Dhabi dedicado à relevância de sua mensagem na Península Arábica. O evento, intitulado "800º Aniversário do Trânsito de São Francisco de Assis – Um legado de Assis para os Emirados", ocorreu em 19 de outubro de 2026, no Instituto Italiano de Cultura em Abu Dhabi, como parte da "Semana da língua italiana no mundo".

A relevância do legado de São Francisco no Golfo

Uma oportunidade para redescobrir não apenas a contribuição do Pobrezinho de Assis para a cultura e espiritualidade italianas, mas também a relevância de seu legado no Golfo, onde o diálogo entre diferentes culturas e religiões faz parte do cotidiano. O encontro foi organizado pelo Vicariato Apostólico da Arábia do Sul, pela Embaixada da Itália nos Emirados Árabes Unidos e pelo Instituto Italiano de Cultura, sob o patrocínio do Comitê para as Comemorações do oitavo centenário da morte de São Francisco. Recebidos por Susanna Salafia, Diretora do Instituto Italiano de Cultura em Abu Dhabi, os participantes foram o vigário apostólico Paolo Martinelli; o embaixador da Itália Lorenzo Fanara; o diretor do Escritório de Diálogo Inter-religioso e Ecumênico (IFEDO) do Vicariato, padre Stefano Luca; Roberto Catalano, professor do Instituto Universitário Sophia; e o xeique Ali bin Abdullah Al Mualla, artista visual e engenheiro emiradense.

Fraternidade, paz e diálogo

Martinelli deteve-se particularmente no Cântico do Irmão Sol, uma das primeiras composições poéticas da literatura italiana, enfatizando como os escritos de Francisco são "extraordinariamente intensos, profundos e inovadores". De fato, acrescentou, "ainda hoje o celebramos como um dos homens que mais influenciaram a vida da Igreja e inovaram a cultura". Seus escritos também refletem os três pilares que caracterizaram e "transformaram" sua vida: "Fraternidade, paz e diálogo". Esses textos, continuou o vigário apostólico, despertaram interesse universal ao longo dos séculos, não apenas entre os franciscanos. Um interesse que "cresceu na era moderna e contemporânea" e que ofereceu "a oportunidade de redescobrir um Francisco original, no qual ele mesmo fala de sua vida e da Ordem que fundou".

O encontro com Cristo

Francisco, além disso, "não nasceu homem de paz" e era fascinado pelas ordens de cavalaria, "mas tornou-se um aprendendo com seus fracassos, com o horror da guerra que vivenciou", explicou o bispo, referindo-se à experiência pessoal do santo. "Profundamente tocado por seu encontro com Cristo, tornou-se um homem de paz e reconciliação, de misericórdia, um construtor de pontes." Da mesma forma, para ele, a fraternidade também nasce da conversão, por meio de encontros decisivos, como o com os leprosos. Francisco "testemunha que a mudança é possível na vida": Cristo revela a ele que "há um só Pai para todos e que somos todos filhos de Deus, irmãos e irmãs". E daí vem sua experiência de fraternidade não apenas com as pessoas, mas também com a criação e até mesmo com a morte; assim como o diálogo, inclusive "com aqueles que seguem outras religiões", como aconteceu com o sultão al-Malik al-Kamil, citado no Capítulo XVI da "Regra não selada". Tanto que, em sua obra, ele diz a seus frades que vão entre os muçulmanos a não se deixarem envolver "em brigas ou disputas", mas a se submeterem "a toda criatura humana por amor a Deus", confessando "ser cristãos; ... e quando verem que isso agrada ao Senhor, proclamar a palavra de Deus".

Um apaixonado por Deus

O padre Luca ressaltou esse sentimento, explicando que, além das muitas imagens estereotipadas que retratam o Pobrezinho "como um filantropo, um ambientalista ou um promotor da paz", ele era, na realidade, antes de tudo "um homem apaixonado por Deus": ainda hoje, ele "testemunha como a religião, a espiritualidade e a sociedade podem se enriquecer mutuamente". Enquanto o professor Catalano explorou "o vínculo entre São Francisco e o Papa Francisco, particularmente através do conceito de fraternidade", Al Mualla falou da conexão entre sua arte, feita com materiais descartados, a sustentabilidade e o amor franciscano pela criação. O embaixador Fanara, por sua vez, destacou os valores significativos de São Francisco que também inspiram a política externa italiana (entre eles, o diálogo e a compreensão mútua).

Dia de formação para o Vicariato em 22 de outubro

A noite faz parte de um rico calendário de celebrações que marcam o aniversário de 800 anos do Trânsito de Francisco ao céu. Na quinta-feira, 22 de outubro, sacerdotes, religiosos e líderes pastorais de todo o Vicariato se reunirão na Catedral de São José, em Abu Dhabi, para o "Dia de Formação AVOSA", uma oficina intitulada "São Francisco de Assis: Um legado que continua para nosso Vicariato". O programa será aberto com uma meditação introdutória do vigário Martinelli sobre o tema "O impacto duradouro da experiência cristã de São Francisco". O padre Domenico Lo Sardo, da Pontifícia Universidade Antonianum, e o professor Roberto Catalano, do Instituto Universitário Sophia, oferecerão reflexões sobre "O papel e o impacto das Sagradas Escrituras na vida e nos escritos de São Francisco" e sobre "Construir pontes de diálogo no Espírito de Assis".

Eventos em Omã

Alguns eventos se realizarão em Omã. Nos dias 29 e 30 de outubro, haverá duas reflexões sobre "São Francisco e o Sultão"; enquanto nos dias 5 e 6 de novembro, em Mascate, serão realizados dois eventos sobre "São Francisco sob a ótica de Giotto".


Papa: obrigado a Deus pela generosidade e aos fiéis pelas orações

 

A vida matrimonial e familiar foi o tema da catequese do Papa, inspirado na segunda parte da Constituição Pastoral "Gaudium et spes". Leão XIV recordou que os filhos são o maior dom do matrimônio, e os pais têm a responsabilidade de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus. Mas antes, um agradecimento especial aos fiéis!

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Leão XIV retomou esta quarta-feira a Audiência Geral uma semana após a operação para a retirada de um tumor maligno no pulmão direito. O encontro semanal com os fiéis foi realizado na Praça São Pedro e o Pontífice manteve o giro de papamóvel entre os presentes.

Antes de sua catequese, Leão XIV agradeceu mais uma vez aos fiéis pelas orações: 

“A primeira coisa que gostaria de dizer a vocês é: obrigado! Obrigado pelo apoio de suas orações. Obrigado a Deus por sua generosidade. Renovemos todos nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.”


Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Leão!

Vida matrimonial e familiar

Prosseguindo o ciclo sobre a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, o Papa refletiu acerca do bem da pessoa e da sociedade, que está intimamente ligado à vida matrimonial e familiar. 

Este documento define o matrimônio como "íntima comunidade da vida e do amor conjugal", fundada na entrega recíproca dos esposos, na fidelidade e na união indissolúvel, fortalecida pela graça de Cristo. A Gaudium et spes reforça que o amor conjugal não se limita à atração erótica, mas envolve toda a vontade dos cônjuges, "reavivando os afetos da alma e expressando-se através de sentimentos e gestos de ternura", explicou o Pontífice.

Iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, abrindo-os à fecundidade. Com efeito, os filhos são "o maior dom do matrimônio" e os pais têm a responsabilidade humana e cristã de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus.

Papa saúda um casal de noivos
Papa saúda um casal de noivos   (VATICAN MEDIA)

Proteger a vida desde a concepção

O documento reitera que vida humana nunca deve ser descartada e deve ser salvaguardada desde o primeiro momento da concepção, evitando o aborto e o infanticídio. Ao transmitirem a vida, os cônjuges tornam-se "cooperadores do amor de Deus criador ".

Por fim, o ensinamento da Gaudium et spes destaca a função social da família, definida como "uma escola de valorização humana" e "o fundamento da sociedade", exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente nos âmbitos político e cultural, ao dever de "contribuir eficazmente para a promoção do matrimônio e da família".

Para o Santo Padre, este compromisso é mais urgente do que nunca. A Igreja está consciente deste desafio, como demonstra a solicitude pastoral dos Papas que se sucederam após o último Concílio, até à dupla Assembleia sinodal promovida pelo Papa Francisco. Leão XIV concluiu cofiando as as famílias de todo o mundo à Sagrada Família de Nazaré, para que as ilumine e proteja.


October 21, 2026 General Audience - Pope Leo XIV


 

 

LEÃO XIV

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

[Multimídia]

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Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II IV. Constituição pastoral Gaudium et spes 6. O compromisso pela família na sociedade de hoje (GS, 47-52)

Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

A primeira coisa que gostaria de vos dizer é: obrigado! Obrigado pelo apoio das vossas orações. Obrigado a Deus pela sua generosidade. Renovemos todos a nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.

A Constituição pastoral Gaudium et spes (GS), do Concílio Vaticano II, depois de ter exposto na primeira parte a dignidade da pessoa e a sua vocação no mundo, na segunda parte, «à luz do Evangelho e da experiência humana», considera alguns problemas contemporâneos mais urgentes (cf. GS, 46). A atenção centra-se em primeiro lugar no matrimónio e na família, na convicção de que «o bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado a uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar» (GS, 47).

Para tal objetivo, não são simplesmente reiterados os seus valores e fins, mas perfila-se um conceito renovado do matrimónio como «íntima comunidade de vida e de amor conjugal» (GS, 48). Integrando a dimensão jurídica do matrimónio como contrato, o fundamento desta união é reconhecido na «aliança conjugal», entendida como «o ato humano com o qual os cônjuges mutuamente se dão e recebem um ao outro» (ibid.). A doação recíproca do homem e da mulher, de tal forma que «já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6), motiva a exigência da «plena fidelidade» e da «indissolubilidade da [...] união» dos cônjuges, encontrando expressão viva na procriação e na educação dos filhos (cf. GS, 48). Reflexo da Trindade divina, o amor conjugal e parental, através do Sacramento do matrimónio, é «dirigido e enriquecido pela força redentora de Cristo», a fim de que os cônjuges possam amar-se reciprocamente «assim como Ele amou a Igreja e se entregou por ela» (ibid.).

Depois de ter esclarecido a realidade do matrimónio à luz do amor de Cristo, que é verdade do amor humano e divino, a Gaudium et spes dirige a sua atenção para o amor conjugal e para a fecundidade matrimonial. Sem se limitar à atração erótica, que, no entanto, integra em si, o amor conjugal envolve toda a vontade dos esposos, reavivando os afetos da alma e expressando-se mediante sentimentos e gestos de ternura (cf. GS, 49). Abrangendo o bem de toda a pessoa do homem e da mulher, iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, encontrando expressão nos atos exclusivamente próprios do matrimónio (cf. ibid.). Ao mesmo tempo que significa o amor integral de pessoa para pessoa, a intimidade singular dos esposos favorece a sua entrega mútua, enriquecendo a sua alegria recíproca (cf. ibid.).

Além disso, a fecundidade do amor conjugal manifesta-se na procriação dos filhos, «o maior dom do matrimónio» (GS, 50). Transmitindo e educando a vida humana, que nunca deve ser descartada, os esposos tornam-se «cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes» (ibid.). Chamados a tal responsabilidade humana e cristã, eles devem deixar-se orientar por um juízo reto acerca do bem próprio e dos seus filhos, já nascidos ou que vierem a nascer. Este juízo que, em última análise, os próprios cônjuges devem formular perante Deus, exige que a sua consciência esteja em conformidade com a lei divina, interpretada pelo Magistério eclesial à luz do Evangelho (cf. ibid.).

A valorização da comunhão amorosa e da fecundidade procriativa no matrimónio leva o Concílio a excluir que possa existir «verdadeira incompatibilidade entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e o desenvolvimento do autêntico amor conjugal» (GS, 51) e a afirmar, pelo contrário, que «quando se trata [...] de conciliar o amor conjugal com a transmissão [...] da vida», é preciso manter, «num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana» (ibid.). Daí decorre que a vida «deve [...] ser salvaguardada com extrema solicitude desde o primeiro momento da conceção», evitando «o aborto e o infanticídio»; e que os «atos específicos da vida conjugal, realizados segundo a autêntica dignidade humana, devem ser objeto de grande respeito» (ibid.).

Em seguida, o ensinamento da Gaudium et spes sobre a comunidade conjugal e familiar chega a salientar a função social da família, definida como «uma escola de valorização humana» e «o fundamento da sociedade» (GS, 52), exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente no âmbito político e cultural, ao dever de «contribuir eficazmente para a promoção do matrimónio e da família» (ibid.).

Caríssimos, este compromisso é mais urgente do que nunca. A Igreja sabe-o bem, como demonstra a solicitude pastoral dos Papas que se sucederam após o último Concílio, até à dupla Assembleia sinodal desejada pelo Papa Francisco, a respeito da qual os Chefes das Igrejas Católicas Orientais e os Presidentes das Conferências Episcopais voltaram a debater recentemente. Que a Sagrada Família de Nazaré nos ilumine ao longo do caminho, amparando as famílias do mundo inteiro.

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Saudações:

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa! Confio todos vós e as vossas famílias à Sagrada Família de Nazaré. Que Deus vos abençoe!

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Resumo da catequese do Santo Padre:

Prosseguindo o ciclo de catequeses sobre a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, hoje refletimos acerca do bem da pessoa e da sociedade, que está intimamente ligado à vida matrimonial e familiar. O matrimónio é a «íntima comunidade da vida e do amor conjugal» (n. 48), fundada na entrega recíproca dos esposos, na fidelidade e na união indissolúvel, fortalecida pela graça de Cristo. «Os filhos são, sem dúvida, o maior dom do matrimónio» (n. 50), e os pais têm a responsabilidade de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus.

 

Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026 -11h00 Missa, na Basílica da Santíssima Trindade


 

Homilia Diária | O administrador infiel e a missão dos sacerdotes (Quarta-feira 29ª S. Tempo Comum)


 

SANTO DO DIA - 21 DE OUTUBRO: SANTA ÚRSULA


 

Liturgia das Horas: Laudes, 1ss.4ª, 21 Out 26


 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Santo Padre agradece pelas orações! #papa


 

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Terça-feira, 20 de Outubro de 2026 -11h00 Missa, na Basílica da Santíssima Trindade


 

Mística do Arado: a lição das coisas pequenas


 

Lançamento do livro" Memórias de uma Jornada Belíssima"


 

Leão XIV telefona a Zelensky: trégua em Oleshky e evacuação segura dos civis

 


Após a ligação com o presidente russo Putin, o Papa conversou hoje (19/10) com o líder de Kyiv novamente sobre a situação na cidade da região de Kherson, ocupada pelos russos, onde os habitantes estão no limite e todas as vias de fuga estão bloqueadas. O Pontífice pede “a colaboração de ambas as partes” para garantir a chegada de ajuda e a evacuação “voluntária e segura” dos moradores. Desde o início do pontificado, foram três encontros e três telefonemas com o presidente da Ucrânia.

Salvatore Cernuzio - Vatican News

Primeiro Moscou, depois Kyiv. O telefone de Leão XIV encurta, simbolicamente, as distâncias de uma guerra, a da Ucrânia - “massacre inútil” que voltou a assombrar a Europa, como afirmou no recente discurso em Metz - e que parece não encontrar uma solução. Depois de conversar com Vladimir Putin na última sexta-feira, 16 de outubro, quando ainda estava internado no Hospital Gemelli, e de fazer um apelo por uma trégua humanitária em Oleshky, cercada pelos russos e com a população reduzida à fome, o Papa conversou por telefone, no final da tarde desta segunda-feira, 19 de outubro, com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. E, segundo informou a Sala de Imprensa da Santa Sé em uma nota, Oleshky esteve novamente no centro da conversa.

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O comunicado do Vaticano

O comunicado da Santa Sé afirma que, “durante a conversa, o Santo Padre recordou a grave situação na cidade de Oleshky, na região de Kherson, fazendo referência ao pedido de uma trégua humanitária já apresentado ao presidente da Federação Russa. O Santo Padre manifestou o desejo de que a colaboração de ambas as partes possa permitir a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”. Por fim, “reiterou o compromisso da Santa Sé em favor do diálogo e da paz”.

Tragédia humanitária em Oleshky

Leão, portanto, não renuncia ao objetivo declarado e perseguido desde o início do pontificado: ser um “missionário da paz”. Em particular, em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, países aos quais ofereceu, poucos dias após a eleição, a Cidade do Vaticano como lugar neutro e espaço de negociação para uma paz “justa e duradoura”. Mas, além de manter abertas as portas para o diálogo, para o Papa norte-americano a urgência é encontrar soluções imediatas para Oleshky, cidade situada na margem esquerda do rio Dnipro, na região de Kherson, sufocada pela guerra. Nos últimos meses, os habitantes, cerca de 2 mil pessoas - entre elas aproximadamente 50 crianças, segundo fontes de Kyiv - vivem sem água, eletricidade, medicamentos ou ambulâncias. A ponte que liga a cidade a Kherson, destruída em novembro de 2022, impede qualquer possibilidade de saída, enquanto as estradas fora da cidade e nas aldeias próximas estão minadas. Não existe, portanto, um corredor de fuga. As autoridades ucranianas acusam as forças russas de bloquear corredores humanitários, enquanto Moscou devolve as acusações a Kyiv.

Na ligação com Putin - iniciativa do próprio Papa, como afirmou o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin - Leão XIV pediu “uma trégua para permitir a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”.

Os contatos anteriores

O apelo do Papa dirige-se agora a Zelensky, com quem foram numerosos os contatos ao longo destes 17 meses de pontificado. Já em 12 de maio de 2025, quatro dias após a eleição no Conclave, Leão XIV demonstrava sua atenção à situação na Ucrânia em uma primeira ligação oficial, durante a qual Zelensky convidou o recém-eleito Pontífice a visitar Kyiv e reiterou a disponibilidade do país para novas negociações em qualquer formato, “inclusive conversações diretas”. Os dois se encontraram depois, em 18 de maio, também na presença da esposa do presidente, Olena, logo após a Missa de início do pontificado na Praça São Pedro. O encontro voltou a ocorrer em 9 de julho de 2025, durante uma audiência privada na Villa Barberini, residência pontifícia de Castel Gandolfo, quando discutiram a possibilidade de o Vaticano acolher futuras negociações de paz. Novamente em 9 de dezembro, também em Castel Gandolfo - ao final daquela audiência, Papa e presidente apareceram juntos na varanda -, discutiram a necessidade de manter aberto o diálogo, a questão dos prisioneiros de guerra e o retorno das crianças ucranianas deportadas para a Rússia. São temas sobre os quais permanece constante a ação conduzida pelo cardeal Matteo Zuppi, que esteve duas vezes em missão em Kyiv e duas em Moscou, e reforçada também pela visita, no verão passado, de dom Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais. Em 3 de abril deste ano, por ocasião da Páscoa, o Papa voltou a falar com Zelensky em meio a uma nova e intensa escalada de ataques russos com drones e mísseis em várias regiões da Ucrânia. Na ocasião, Leão XIV manifestou solidariedade ao povo ucraniano, reiterando a urgência da ajuda humanitária, da libertação dos prisioneiros e de uma paz negociada. Apelos que nunca cessaram e que foram reiterados também hoje.