Caminhando
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Mães de presos recebem Leão XIV em bairro romano assolado pelo tráfico de drogas
27 de fev de 2026 às 13:14
Como parte de suas visitas pastorais a várias paróquias de Roma nesta Quaresma, o papa Leão XIV vai no próximo domingo, 1º de março, ao bairro periférico de Quarticciolo, uma das maiores áreas de tráfico de drogas em Roma.
O papa chegará no domingo à tarde à paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, confiada aos padres dehonianos.
Primeiro, segundo o vicariato de Roma, ele se encontrará no pátio do oratório com um grupo de crianças, jovens e suas famílias. Depois, o papa vai ao salão paroquial para saudar quatro mães de dependentes químicos presos.
Segundo o pároco, padre Daniele Canali, uma delas é catequista e outra é voluntária da Cáritas. Junto com elas estará também um grupo de pessoas com deficiência, idosos, doentes, pobres e voluntários que vão receber o papa.
Leão XIV se reunirá então com o conselho pastoral numa sala paroquial e, às 17h, horário de Roma, vai celebrar a missa na igreja paroquial. Por fim, ele se encontrará com a comunidade de sacerdotes.
Segundo o padre Canali, será a terceira visita de um papa ao bairro. "São João XXIII visitou o local em 3 de março de 1963, e são João Paulo II em 3 de março de 1980", disse ele.
“Estamos nos preparando não só do ponto de vista prático, com a organização de todos os espaços, mas sobretudo do ponto de vista espiritual, com a lectio divina semanal”, disse o padre. “Em todos os grupos, houve reflexão sobre a figura de Pedro”.
Para o pároco, a presença do papa é um sinal de esperança: "Essa comunidade paroquial é pequena e passou por momentos muito difíceis, mas devo testemunhar que ninguém jamais desistiu, a comunidade sempre se manteve firme”.
(acidigital)
Reflexão para o II Domingo da Quaresma
Vatican News
Neste domingo a liturgia se ocupa em nos mostrar que nossa vida deve ser um eterno caminhar com Jesus, tendo como exemplo Abraão que tudo deixa para seguir sua vida com Deus e deverá estar preparado para enfrentar, com ânimo, as dificuldades que encontrará na caminhada.
O chamado feito a Abraão - sua vocação - pode ser visto como o início do Povo de Deus. Nosso Patriarca vive bem em sua terra, possui mulher, família e muitos bens. Deus, ao convidá-lo para estar com Ele, solicita que deixe tudo e vá para onde Ele lhe indicar. Abraão obedece e parte com sua mulher e com seu sobrinho, empregados e bens. Ele confia na promessa do Senhor de que terá descendência e terra, de que será a origem de um grande povo.
O que aconteceu com Abraão? Como ele deixa a segurança conquistada pelos seus e empreende uma aventura? Qual a segurança que ele possui? Como tem certeza de que foi Deus quem lhe falou e lhe pediu essa aparente loucura?
Deus não apareceu a Abraão de um modo físico, palpável, e pronunciou palavras dirigidas a ele, mas Abraão possuía uma visão espiritual da realidade em que vivia. Ele sabia ler nos acontecimentos da vida a ação de Deus e entendia, refletindo na oração, o que Deus lhe pedia.
Abraão teve coragem de deixar o modelo de vida que lhe dava segurança e desacomodando-se seguiu em frente naquilo que o Senhor lhe pedia através de sinais entendidos na oração.
Todo aquele que presta atenção nos acontecimentos da vida – que sabemos por jornal, rádio, televisão, internet, e principalmente naqueles que se referem diretamente à nossa vida particular – e apresenta tudo isso ao Senhor, para que à luz do Espírito Santo, possa refletir, saberá quais os apelos de Deus para sua vida e poderá se considerar filho de Abraão, membro desse Povo que é guiado pelo Senhor e não tem medo de desafios e de viver na insegurança deste mundo. Sua proteção está no Senhor, que fez o céu e a terra. Por isso sente-se livre para deixar o conforto, a segurança e, com sua família, após um discernimento, partir para o desconhecido, mas indicado pelo Senhor.
No Evangelho, Mateus, como sempre, quer mostrar a todos que Jesus é o verdadeiro Messias. Ele, desde o início do trecho de hoje, usa terminologias conhecidas já no Antigo Testamento, quando vamos ler o relato da Criação: “Seis dias depois”. Seis dias depois de quê? Da Criação do Mundo, da Criação do Homem? Quando lemos o Êxodo: “uma alta montanha”. Qual? A do Sinai? Em seguida, ele vai falar de uma “nuvem luminosa”. Também lemos sobre ela no Êxodo.
Como poderemos interpretar o recado de Mateus?
Em seu Evangelho, sempre que Jesus vai fazer algo muito importante, Ele sobe a montanha. Jesus repete várias vezes o que Moisés fez. Moisés é envovido por uma luz, Cristo também.
Após o sexto dia Deus descansou, temos a conclusão da Criação. No Evangelho, o sexto dia quer apresentar a plenificação daquilo que Deus preparou para o homem.
Mateus nos apresenta Jesus como o verdadeiro Moisés, aquele que dá ao novo Povo de Deus, a nova lei, aquele que revela Deus definitivamente! Jesus nos revela o projeto do Pai.
Todo aquele que possui uma afinidade, uma intimidade com Jesus Cristo, leva adiante essa atenção reflexiva para perceber se, no seu dia a dia, o Senhor não lhe está pedindo alguma coisa. Para essas pessoas, nada é por “acaso”. Para elas essa palavra não existe. O que aparentemente surgiu sem muito haver, de modo espontâneo, gratuito, mas interferindo em minha vida, deve ser olhado, refletido como uma mensagem de Deus para mim.
Para o três apóstolos: Pedro, Tiago e João, a trasfiguração de Jesus foi ocasião para crescerem na atenção dada ao Mestre. Jesus não era mais um, mais um Profeta, mas o Filho amado do Pai, no qual Ele colocou todo o Seu agrado e ao qual deveremos sempre escutar.
Exercícios espirituais, o Papa: experiência profunda, senti-me convidado a refletir
Salvatore Cernuzio – Vatican News
“Devo reconhecer que, pessoalmente, em alguns momentos, senti-me particularmente convidado a refletir. Por exemplo, esta manhã, quando falava da eleição do Papa Eugênio III e São Bernardo, ele disse: ‘O que vocês fizeram? Que Deus tenha piedade de vocês’”. Com uma breve intervenção improvisada – e uma piada que provocou o sorriso dos membros da Cúria Romana presentes na Capela Paulina –, Leão XIV concluiu esta noite, 27 de fevereiro, a semana de Exercícios Espirituais da Quaresma, iniciada na tarde do último domingo. O Pontífice interveio à noite, após a décima primeira e última meditação do pregador dom Erik Varden, bispo de Trondheim, na Noruega, a quem Leão expressou profunda gratidão por ter acompanhado ele e a Cúria nestes dias de oração e reflexão.
Experiência profunda
“Uma experiência profunda, espiritual, muito importante em nosso caminho quaresmal”, assim definiu Leão XIV os Exercícios, realizados em um local simbólico: a Capela Paulina. Ou seja, a capela onde todos os cardeais se reuniram em 8 de maio de 2025 – dia da eleição de Robert Francis Prevost – para a celebração eucarística. O que impressionou o Papa, hoje como então, foi a inscrição do versículo da Carta de São Paulo aos Filipenses: “para mim, viver é Cristo e morrer é lucro”. Uma leitura bíblica que Leão disse ter retomado durante os Exercícios Espirituais como “reflexão sobre a esperança e sobre a verdadeira fonte da esperança que é Cristo”. Do escrito paulino, o Papa citou também outra passagem, aquela em que o apóstolo exorta: “Comportem-se, portanto, de maneira digna do Evangelho de Cristo”. É precisamente este o convite que Leão XIV dirigiu a todos no final destes dias de oração: “Comportem-se, portanto, de maneira digna do Evangelho de Cristo”.
Liberdade, verdade, esperança
“Com esse espírito de comunhão, todos nós reunidos trabalhamos juntos”, disse ainda o Papa. Às vezes estamos “separados”, portanto, “encontrar-nos em oração” é “um momento muito importante da nossa vida, refletindo sobre tantas questões que são importantes para a nossa vida e para a Igreja”. Recordando rapidamente os dias que acabaram de passar, o Papa Leão retomou alguns dos temas que surgiram durante as onze meditações, começando pela referência a John Henry Newman, o cardeal inglês que ele proclamou Doutor da Igreja, e o poema “O sonho de Geronzio”, onde o teólogo leva o leitor a “contemplar seu próprio medo da morte e seu próprio sentimento de indignidade diante de Deus”. Depois, outros elementos como “a liberdade” e “a verdade” que, sublinhou, são “tão importantes na nossa vida”.
O agradecimento à música que eleva o espírito a Deus
Ao concluir seu discurso improvisado, o Pontífice agradeceu novamente a dom Varden por ter compartilhado a “sabedoria” e o “testemunho” dele e da vida monástica de São Bernardo, pela “riqueza de suas reflexões” que continuarão por muito tempo a ser “fonte de bênção” e “de graça”. Agradecimento também aos colaboradores do Escritório de Celebrações Litúrgicas pela preparação do material e ao coro por ter acompanhado a oração com música, que, como destacou o Papa, “nos ajuda de uma maneira que as palavras não podem fazer, elevando nosso espírito ao Senhor”.
DISCURSO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
DISCURSO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
ÀS COMUNIDADES DE QUATRO SEMINÁRIOS DE ESPANHOL:
ALCALÁ DE HENARES, TOLEDO, INTERDIOCESANO DA CATALUNHA E CARTAGENA
Sala Clementina
Sábado, 28 de fevereiro de 2026
Queridos irmãos no episcopado, Eminência, sacerdotes, seminaristas e parentes:
O seminário é sempre um sinal de esperança para a Igreja; portanto, encontrar-se com você – tanto aqueles que estão em turnê neste palco quanto aqueles que têm a responsabilidade de acompanhá-lo – é para mim uma causa de verdadeira alegria.
Eu poderia falar sobre muitos aspectos importantes para a sua formação, sobre o qual já tive a oportunidade de escrever na carta que enviei para o Seminário de San Carlos e San Marcelo em Trujillo, Peru – instituição da qual eu fiz parte há vários anos – e que eu encorajaria você a ler quando tiver ocasião. Mas hoje eu gostaria de focar em algo que silenciosamente sustenta todo o resto e que, precisamente por essa razão, corre o risco de se dar é claro sem ser cultivado: ter um olhar sobrenatural sobre a realidade.
Há uma frase do autor Chesterton que pode servir de chave para ler tudo o que gostaria de compartilhar com você: “Tire o sobrenatural e você não encontrará o natural, mas o não natural” (cf. Hereges, VI). O homem não é feito para viver fechado em si mesmo, mas em relação viva com Deus. Quando esse relacionamento é obscurecido ou enfraquecido, a vida começa a estragar de dentro. O antinatural não é apenas o escandaloso, basta viver sem Deus no cotidiano, deixando-o à parte dos critérios e decisões com que a existência é enfrentada.
E, se isso é verdade para cada cristão, é particularmente grave no caminho da formação para o sacerdócio. O que poderia ser mais antinatural do que um seminarista ou um sacerdote que fala de Deus com familiaridade, mas vive interiormente como se sua presença existisse apenas no plano das palavras, e não na espessura da vida? Nada seria mais perigoso do que se acostumar com as coisas não vividas de Deus. É por isso que, no fundo, tudo começa – e sempre retorna – à relação viva e concreta com Aquele que nos escolheu sem o nosso mérito.
Ter uma visão sobrenatural não significa fugir da realidade, mas aprender a reconhecer a ação de Deus na concretude de cada dia; um olhar que não é improvisado ou delegado, mas que é aprendido e exercido no comum da vida. É precisamente por isso que, se a visão sobrenatural é tão decisiva para a vida cristã pela maior razão é para aqueles que agirão em persona Christi, e já do estágio formativo merece ser guardada com especial atenção, porque é o princípio que dá unidade a tudo o resto.
Esse olhar crente para a realidade precisa ser traduzido todos os dias em escolhas concretas de vida; caso contrário, mesmo intrinsecamente boas práticas – como estudo, oração, vida comunitária – podem ser esvaziadas interiormente e desnaturalizadas, tornando-se mera realização. Uma maneira simples e comprovada de guardar esse olhar é se exercitar na prática da presença de Deus, que mantém o coração acordado e a vida constantemente referida a Ele.
A Sagrada Escritura expressa esta verdade com uma imagem simples no primeiro salmo, quando descreve o justo como “uma árvore plantada na beira das águas, que dá frutos no devido tempo e cujas folhas não murcham” (vv. 3). Não é frutífera por causa da ausência de dificuldades, mas pelo lugar onde criou raízes. O vento, o inverno, a seca ou a poda fazem parte de seu crescimento, mas nem a tempestade nem a aridez a destroem quando suas raízes são profundas e próximas da fonte. A própria Escritura sabe, porém, o paradoxo da figueira que não dá frutos apesar do cuidado recebido (cf. Lc 13,6-9).
Diz-se que as árvores “morrem de pé”: permanecem eretas, retêm a aparência, mas dentro já estão secas. Algo semelhante pode acontecer na vida do seminário ou de um seminarista – e mais tarde na vida de um sacerdote – quando a fertilidade é confundida com a intensidade das atividades ou com o cuidado meramente externo das formas. A vida espiritual não dá fruto para o que é visto, mas para o que está profundamente enraizado em Deus. Quando essa raiz é negligenciada, tudo acaba secando dentro, até que, silenciosamente, acaba “em pé”.
No final, o olhar sobrenatural nasce da mais simples e decisiva da vocação: estar com o Mestre. Jesus chamou aqueles que Ele “estaria com Ele” (Mc 3,14). Esse é o fundamento de toda a formação sacerdotal, permanecer com Ele e deixar-Se formar a partir de dentro; ver Deus agir e reconhecer como Ele opera na vida de alguém e na de Seu povo. Portanto, embora os meios humanos, a psicologia e as ferramentas de treinamento são valiosas e necessárias, elas não podem substituir essa relação. O verdadeiro protagonista deste caminho é o Espírito Santo, que molda o coração, ensina a corresponder à graça e prepara uma vida fecundo a serviço da Igreja. Tudo começa agora, no comum de todos os dias, onde cada um decide se permanece com o Senhor ou tenta sustentar-se apenas em sua própria força.
Queridos filhos, agradeço-vos, em nome da Igreja, a generosidade de ter decidido seguir o Senhor. Fazei-o sempre com a certeza de que não andais sozinhos: Cristo vos precede, Maria Santíssima acompanha-vos e toda a Igreja vos sustenta com a sua oração.
Por fim, quero agradecer de forma especial a todas as famílias aqui.
Confiando então nesta certeza, faça avançar com paz e fidelidade. Que o Senhor te abençoe. Muito obrigado.
Copyright © Dicastério para Comunicação - Libreria Editrice Vaticana
Hoje é dia da beata Antônia de Florença, a viúva que se tornou religiosa
Beata Antônia de FlorençaPor Redação central
28 de fev de 2026 às 00:01
Hoje (28), é celebrada a beata Antônia de Florença, freira italiana do século XV, que ficou viúva duas vezes e depois foi chamada por Deus para ser freira, tornando-se protagonista de uma reforma em sua família espiritual.
Esposa e mãe
Antônia nasceu em Florença em 1401, casou-se aos 15 anos e teve um filho, mas logo ficou viúva.
Esse segundo golpe a levou a considerar seriamente se o Senhor tinha um plano diferente para ela, longe do casamento ou da vida mundana. Quando seu filho se tornou independente, ela decidiu ser freira.
Antônia foi uma das primeiras mulheres a se consagrar no convento das Irmãs Terciárias Regulares de São Francisco de Assis, em Florença, apesar da oposição de sua família que queria que ela se casasse de novo.
Mãe espiritual
Em 1430, um ano depois de entrar para o claustro, foi nomeada superiora do convento de Santa Ana em Foligno e, depois de três anos ali, foi enviada para o convento de Santa Isabel em Áquila. Lá teve como diretor espiritual são João de Capistrano, que, junto com são Bernardino de Sena, promoveu a chamada "Observância", a reforma da Ordem de São Francisco de Assis.
Por conta própria, Antônia já havia descoberto a necessidade e a urgência de uma regra mais rígida em torno da pobreza e da caridade. Por isso, são João de Capistrano a incluiu em seu projeto e, com a aprovação do papa Nicolau V, doou a ela o mosteiro de Corpus Christi, que havia sido construído para outra Ordem.
Nesse mosteiro a beata retirou-se com onze das suas irmãs em 1447 com o propósito de praticar a regra originária de santa Clara de Assis com todo o seu rigor. São João de Capistrano confiou-lhe a direção do mosteiro e pediu-lhe expressamente que fosse modelo do novo espírito “observante”.
Legado
A beata Antônia foi uma superiora modelo, uma reformadora de costumes, um exemplo de virtudes e obediência. Durante os últimos 15 anos de sua vida, ela teve que suportar uma doença dolorosa, além de outras provações espirituais.
Ela morreu com 71 anos, em 28 de fevereiro de 1472. A cidade de Áquila a venerou como santa desde sua morte e seu culto foi confirmado em 1847.