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terça-feira, 23 de junho de 2026
Ativistas nigerianos se manifestam nos EUA em defesa de cristãos perseguido
22 de jun de 2026 às 16:14
Num protesto perto da Casa Branca, ativistas nigerianos pediram ao governo Trump para intensificar ações para acabar com o terrorismo e a perseguição aos cristãos no país da África ocidental.
O comício Save Nigeria (Salve a Nigéria) teve oradores como Alveda King, sobrinha do ativista dos direitos civis Martin Luther King Jr., e representantes de todas as seis zonas geopolíticas da Nigéria no sábado (20).
“Estamos aqui para apoiar os cristãos perseguidos da Nigéria”, disse Stephen Osemwegie, presidente do Save Nigeria Group USA, em discurso no comício, no qual agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, por seus esforços para redesignar a Nigéria como um “país de preocupação especial” e para fazer ataques estratégicos contra grupos terroristas no país.
“Este é o fim de semana do feriado de Juneteenth (19 de Junho)”, disse Osemwegie. “Enquanto nossos irmãos e irmãs americanos celebram a vitória histórica sobre os males da escravidão e da opressão de pessoas, vemos uma conexão espiritual inquebrável entre a luta pelos direitos civis nos EUA e nossa luta contra a perseguição religiosa e o terrorismo hoje”.
“As algemas podem parecer diferentes, mas o espírito demoníaco da opressão é exatamente o mesmo”, disse ele.
Osemwegie disse à EWTN News que acabar com o terrorismo radical e a perseguição na Nigéria é "de vital interesse para a segurança nacional dos EUA".
Sendo um país de 240 milhões de habitantes, dos quais 70% têm menos de 45 anos, Osemwegie enfatizou a necessidade crucial de os EUA impedirem que a Nigéria caia “nas mãos do terrorismo islâmico radical”.
“A Nigéria está hoje no epicentro da jihad global”, disse ele. “Se o Boko Haram e o Estado Islâmico se reorganizarem como fizeram na Síria, a Nigéria poderá se tornar outra Síria, outro Afeganistão. E isso significa que seu principal objetivo... [seria] se reorganizar e atacar os EUA”.
“Eles estão realmente planejando se reagrupar usando os incríveis recursos da África e da Nigéria, que têm lítio, terras raras, ouro, entre outros, e uma produção de petróleo de dois milhões de barris por dia”, disse ele. “Não podemos permitir que um país assim se torne um centro terrorista. Isso será uma ameaça para a comunidade global”.
Osemwegie disse também que a escalada do terrorismo poderia desencadear uma crise migratória. “Somos 240 milhõe, poderíamos lotar muitos países vizinhos e a Europa. Queremos que os EUA e o mundo nos ajudem a permanecer aqui, combatendo o terrorismo”.
“O que a Nigéria precisa não são tropas americanas lutando em terra”, disse Osemwegie. “Precisamos de apoio — a plataforma, os drones, os assessores que estarão ao lado de nossas valentes tropas nigerianas que estão dando suas vidas todos os dias. Aliás, perdemos oficiais superiores, generais e soldados lutando sem o equipamento adequado”.
Segundo Osemwegie, a Nigéria precisa que os EUA intervenham para cortar o financiamento de grupos terroristas no país, como o Boko Haram e o Estado Islâmico, que, segundo ele, recebem a maior parte de seu financiamento do Oriente Médio e de outras “partes nefastas do mundo”.
O ativista também chamou a atenção para a “crise humanitária que a Nigéria enfrenta”, com aqueles que foram forçados a fugir de suas casas por sofrerem perseguição por parte de grupos militantes armados, particularmente os grupos militantes Fulani, que têm realizado a maior parte da perseguição aos cristãos no país.
“Estima-se que 11 milhões de pessoas tenham sido forçadas a deixar suas casas desde 2009”, disse ele. “Essas pessoas agora vivem em acampamentos improvisados. Elas não têm acesso a nada, mas o mundo não se dá conta de que precisam de comida, abrigo e, principalmente, de voltar em segurança para suas comunidades”.
'Nigéria, nós te ouvimos, nós te amamos'
“Encorajo o presidente Trump, e oro continuamente por ele, para que se preocupe com o povo da Nigéria”, disse Alveda King em seu discurso no comício.
Falando sobre a mensagem de seu tio, King fez um apelo para que pessoas de todas as crenças se considerem irmãos e irmãs.
“Temos que aprender a conviver. O mesmo vale para Israel, os palestinos e os judeus. Eles são irmãos. Não são vizinhos nem primos. São irmãos de verdade”, disse ela, aludindo a conflitos em curso em Israel e no Oriente Médio em geral.
Em diferentes momentos de seu discurso, King cantou versos dos hinos gospel This Little Light of Mine (Essa Minha Pequena Luz) e How Great Thou Art (Quão Grande És Tu).
Ela enfatizou a necessidade de os cristãos apoiarem causas humanitárias. “Quando criancinhas estão com fome, eu não pergunto 'Você é muçulmano ou judeu?' 'Você é da Nigéria ou dos EUA?'. Uma criancinha está com fome, então vamos alimentá-la”.
Em entrevista à EWTN News, King encorajou o povo nigeriano a manter a esperança.
“Não desanimem”, disse ela. “De um só sangue, Deus criou todas as pessoas para viverem juntas na face da Terra. Meu tio, o reverendo Dr. Martin Luther King Jr., disse: Devemos aprender a viver juntos como irmãos… e não perecer juntos como tolos”.
“Nigéria, nós ouvimos vocês, nós amamos vocês, animem-se e tenham fé em Deus”, disse ela.
Sobrevivente de sequestro pelo Boko Haram pede 'portas abertas'
Rebecca Samuel Dali, que foi sequestrada pelo Boko Haram em 2014 e sobreviveu a abusos sexuais quando criança, disse à EWTN News no comício que compareceu para dizer que é grata pelos esforços de Trump para acabar com a perseguição na Nigéria e para pedir que ele "abra as portas" para aqueles que fogem da perseguição.
Dali foi sequestrada pelo Boko Haram em 30 de julho de 2014. Ela contou que o grupo a libertou depois de três horas, quando seu líder percebeu que sua família foi beneficiada pelos serviços prestados por sua organização, o Centro para a Compaixão, o Empoderamento e a Iniciativa da Paz.
“Se os EUA estivessem fechados, eu não estaria aqui agora”, disse ela. “Então, para abrir as portas para que as pessoas venham e fiquem neste país pacífico, é por isso que estou aqui”.
Jamais um médico deveria ‘decidir sobre a vida de um embrião’, diz Leão XIV
Por Victoria Cardiel
22 de jun de 2026 às 15:21
O papa Leão XIV defendeu hoje (22) a dignidade da vida humana em todas as suas fases e alertou sobre os riscos de uma medicina subordinada a critérios técnicos ou utilitários.
“Um médico jamais deveria se permitir, com base em algoritmos de laboratório, decidir sobre a vida de um determinado embrião ou de uma determinada pessoa idosa”, disse ele hoje no Vaticano, diante de membros da Fundação Jérôme Lejeune. “A medicina nunca poderá se tornar serva da morte programada”.
A fundação foi fundada na França em 1995, depois da morte do geneticista Jérôme Lejeune, que descobriu em 1958 a trissomia do cromossomo 21, causa da síndrome de Down.
Segundo seu site, a organização destina entre € 4 milhões (R$ 23,5 milhões) e € 5 milhões (R$ 147 milhões) anualmente para pesquisa, tem um banco de dados em Paris com cerca de 20 mil amostras e quatro centros médicos: Paris, onde cerca de 13 mil pacientes foram tratados; Nantes, França; Córdoba, Argentina; e Madri.
“Quero expressar meu encorajamento a vocês em seu compromisso com a vida e a dignidade humana”, disse Leão XIV.
Em seu discurso, o papa recordou o cientista francês, cuja causa de beatificação avançou quando o papa Francisco assinou o decreto de suas virtudes heroicas em 2021.
Apesar do reconhecimento internacional que sua descoberta lhe rendeu, ela foi depois usada pela indústria do aborto para identificar bebês nascituros com síndrome de Down, o que Lejeune rejeitou veementemente.
O geneticista francês, declarado venerável pela Igreja, defendeu publicamente a vida dos mais vulneráveis, apesar da rejeição que sofreu em certos círculos científicos.
No encontro, realizado por ocasião do centenário do nascimento de Lejeune, o papa disse que o professor dedicou sua vida às crianças com deficiência: "Comovido pela difícil situação das crianças com deficiência, o professor Lejeune dedicou sua vida a elas como pesquisador científico”.
Ele disse também que a descoberta da anomalia cromossômica responsável pela trissomia do cromossomo 21 o tornou um "precursor da genética moderna".
Medicina é ódio à doença e amor ao doente
O papa também destacou a vocação médica e o compromisso de Lejeune com os pacientes, a quem chamou de "os pobres entre os pobres", e citou uma de suas expressões mais conhecidas: "A medicina é o ódio à doença e o amor ao doente".
Leão XIV falou também sobre a influência de Lejeune na Igreja, dizendo que o papa são Paulo VI o nomeou membro da Pontifícia Academia das Ciências e que a sua proximidade ao papa são João Paulo II contribuiu para a criação da Pontifícia Academia para a Vida.
Em seu discurso, Leão XIV alertou contra o uso eticamente questionável dos avanços científicos. "Homem de ciência e sabedoria, Jérôme Lejeune compreendeu rapidamente que sua descoberta científica seria usada para erradicar pessoas com trissomia do cromossomo 21 antes mesmo de nascerem", disse. O papa disse que o geneticista denunciou esse fenômeno como "racismo cromossômico".
“Sejam, como ele, testemunhas comprometidas na sociedade, a serviço da busca constante pelo bem comum”, disse Leão XIV.
O papa reafirmou que a tecnologia não pode substituir a medicina nem ser separada de um quadro ético: "O valor da pessoa não depende do que ela faz ou produz”.
Por fim, ele disse ser grato pelo trabalho da Fundação Lejeune, que dá continuidade ao trabalho de seu fundador nas áreas de pesquisa, saúde e defesa da dignidade humana. "Fico satisfeito com o papel de destaque que desempenham globalmente na pesquisa sobre deficiências intelectuais de origem genética", disse ele.
O papa concluiu encorajando os membros da instituição a continuarem promovendo uma cultura de vida e do bem comum, e concedeu sua bênção apostólica às suas famílias e aos pacientes atendidos pela instituição.