Caminhando
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Audiência Geral, 16 de setembro de 2026 - Papa Leão XIV
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
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Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II IV. Constituição pastoral Gaudium et spes (GS 23-32) 3. A comunidade humana
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Dedicando o segundo capítulo à “comunidade humana”, a Constituição Gaudium et spes (GS) convida a considerar a «multiplicação das relações entre os homens» «entre os principais aspetos do mundo atual» (n. 23). No entanto, esta realidade tem necessidade de encontrar o seu cumprimento «ao nível mais profundo da comunidade de pessoas», para a qual é indispensável «o mútuo respeito pela sua plena dignidade espiritual» (ibid.).
São afirmações que, nos nossos dias, adquirem maior urgência. Com efeito, por um lado o desenvolvimento tecnológico, a difusão dos mass media e dos social media, e o recurso crescente à inteligência artificial abrem novas possibilidades, abatendo barreiras e distâncias; por outro, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, mais virtuais, e corremos o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana. A tal respeito, fazer com que as relações sociais tenham peso real e profundidade pessoal é a contribuição que a comunidade cristã se propõe oferecer.
O Concílio convida a encontrar critérios e força no projeto criador de Deus, o qual desejou que «[todos] os homens formassem uma só família e se tratassem uns aos outros como irmãos»; por isso, «o amor a Deus e ao próximo é o primeiro e maior de todos os mandamentos», que em Cristo teve a sua plena revelação e a sua completa atuação (cf. GS, 24).
O aperfeiçoamento da pessoa humana e o desenvolvimento da sociedade devem ser considerados estreitamente interdependentes entre si: opô-los ou separá-los significaria torna-los vãos. A história, até a mais recente, confirma esta verdade de maneira clara e, por isso, não devemos cansar-nos de reiterar com os Padres do Concílio Vaticano II que «a pessoa humana, uma vez que por sua natureza necessita absolutamente da vida social, é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais» (GS, 25).
Nesta perspetiva, a Gaudium et spes afirma que a diversidade das pessoas e dos povos no mundo não deve ser considerada um perigo nem uma ameaça, mas potencial de enriquecimento e crescimento. A oposição, que às vezes degenera em violência, constitui um fruto do poder do pecado e do modo como ele condiciona as mentalidades e as ações a todos os níveis, causando destruição e morte. É necessário abrir-se cada vez mais à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado, como acontece também entre os diferentes membros do corpo humano (cf. 1 Cor 12, 21-25).
Neste ponto, a Constituição pastoral oferece inclusive uma definição sintética de “bem comum”, recordando que ele consiste no «conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (GS, 26). Ao mesmo tempo, reconhecendo a interdependência entre os povos, ela afirma que «cada grupo deve ter em conta as necessidades e legítimas aspirações dos outros grupos e mesmo o bem comum de toda a família humana» (ibid.).
Em seguida, a partir desta abordagem, os Padres conciliares indicam algumas «conclusões práticas e mais urgentes» (GS, 27). Em primeiro lugar, o respeito pela pessoa humana. A Gaudium et spes afirma: «Tudo quanto se opõe à vida, como toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes» (ibid.).
Segunda conclusão: o respeito e o amor até pelos adversários ou por aqueles que pensam ou agem diferentemente de nós (cf. GS, 28).
Em terceiro lugar: a igualdade fundamental de todos os homens, que exige justiça social. O Documento diz: «Deve superar-se e eliminar-se, como contrária à vontade de Deus, qualquer forma social ou cultural de discriminação, quanto aos direitos fundamentais da pessoa, por razão de sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião» (GS, 29).
Para concluir, os Padres conciliares exortam a superar a mentalidade individualista e a assumir uma atitude de responsabilidade e participação (cf. GS, 30-31).
Caros irmãos e irmãs, esta visão da humanidade como “comunidade de pessoas” é um legado precioso que o Concílio Vaticano II nos deixou. Ela ajuda todos nós a realizar um discernimento pessoal e comunitário, para avaliar com responsabilidade os projetos sociais e políticos de hoje, com base nos critérios da dignidade da pessoa humana, da justiça social e da livre participação na construção do bem comum. Pois o futuro da humanidade depende do compromisso de cada um para colaborar com Deus e com os irmãos na construção de um mundo mais humano (cf. GS, 30).
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Saudações:
Uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, de modo especial, aos grupos vindos do Brasil e de Portugal. Queridos irmãos e irmãs, que nas vossas comunidades o “Mandamento Novo” de Jesus se transforme em gestos concretos de acolhimento, compaixão e unidade, para ser o reflexo deste amor no mundo. Deus vos abençoe!
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Resumo da catequese do Santo Padre:
Prosseguimos o ciclo de catequeses sobre a Constituição Pastoral Gaudium et Spes. O segundo capítulo do documento trata da “comunidade humana”, ressaltando que «entre os principais aspectos do mundo atual conta-se a multiplicação das relações entre os homens» (GS 23). O texto conciliar recorda que os critérios necessários para que estas relações sejam boas devem ser estabelecidos a partir do projeto criador de Deus, que «quis que os homens formassem uma só família, e se tratassem uns aos outros como irmãos» (GS 24). Logo, a diversidade de povos não é um perigo ou uma ameaça, mas um fator que enriquece e faz crescer a humanidade. O bem comum, que deve ser promovido por todos, é definido como «o conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (GS 26).
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Inteligência artificial católica inspirada em são Carlo Acutis chega à América Latina
15 de set de 2026 às 09:25
A inteligência artificial (IA) está avançando rapidamente e já faz parte da vida de milhões de pessoas, especialmente jovens que a usam para estudar, buscar informações ou tirar dúvidas. Em resposta a esse crescimento, dois jovens católicos criarama Acutis AI, plataforma que busca colocar essa tecnologia a serviço da educação, da dignidade humana e da fé.
Inspirada em são Carlo Acutis, jovem italiano que usou a internet para evangelizar, a iniciativa nasceu com o propósito de oferecer uma alternativa católica no mundo da IA (Inteligência Artificial).
Peter Cooney, cofundador da Acutis AI, disse à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN, que o projeto surgiu da observação de que algumas plataformas existentes nem sempre ofereciam respostas conforme as doutrinas da Igreja quando os usuários faziam perguntas sobre a fé e a moral.
“Quando usamos o ChatGPT, Gemini, Claude e outras plataformas, percebemos que, se você fizesse perguntas morais sobre fé ou sobre assuntos como aborto ou mudança de sexo, as respostas não estavam alinhadas com as doutrinas católicos”, disse.
O cofundador da Acutis AI disse que essa situação pode ser especialmente complexa para os jovens que não têm formação suficiente para avaliar as respostas.
“Se for um adulto que foi católico a vida toda, provavelmente saberá a resposta. Mas se for um estudante do ensino médio perguntando: Posso mudar de gênero? ou até mesmo, Deus existe?, nem sempre terá respostas claras baseadas nas doutrinas da Igreja”, disse.
Uma inteligência artificial com fontes católicas
Cooney disse que uma das principais características da plataforma é o uso de documentos de referência da Igreja.
“Já carregamos muitos documentos da Igreja: o Catecismo, a Suma Teológica e várias encíclicas e documentos da Igreja”, disse.
“Para qualquer questão relacionada à fé, moral ou tópicos semelhantes, use essas fontes e obtenha a resposta com base nelas. Cite essas fontes em vez de simplesmente usar uma pesquisa genérica na internet ou seus próprios dados de treinamento”, disse.
O cofundador disse que a IA não se destina a substituir a companhia humana ou a vida espiritual.
“É importante entender que é só uma ferramenta. Não é uma pessoa e não pode substituir as relações humanas. Pode soar como uma pessoa e, de certo modo, responder como uma pessoa, mas é preciso entender que é só uma máquina baseada em números e cálculos”, disse.
O nome da plataforma faz referência a são Carlo Acutis, jovem que se tornou programador e criou um site que catalogava e divulgava milagres eucarísticos. Nele, Carlo dizia aos visitantes: “Quanto mais frequentemente recebermos a Eucaristia, mais nos assemelharemos a Jesus, de modo que nesta terra teremos um vislumbre do Céu”.
Para Cooney, a vida do jovem italiano mostra que a santidade também pode ser vivida em meio à tecnologia e aos desafios do mundo atual.
“Ver aquele jovem que criava sites, praticava esportes e era um estudante normal, e depois vê-lo se tornar um santo, foi uma experiência muito especial”, disse.
“Isso me fez entender que qualquer pessoa pode se tornar um santo. Mesmo que você seja jovem, mesmo que não seja religioso ou monge, você pode usar seus talentos e a tecnologia atual e direcioná-los para o bem”, disse.
O que diferencia a Acutis AI de outras plataformas?
Cooney diz que a principal diferença é que o Acutis AI tem ferramentas de controle parental.
“Adicionamos controles para que os pais possam criar contas para seus filhos, bloquear determinados tópicos e receber notificações caso uma criança pergunte sobre assuntos perigosos”, disse.
Organizar uma JMJ é difícil, mas viver depois pode ser mais exigente, diz cardeal Américo Aguiar
Por Natalia Zimbrão
15 de set de 2026 às 12:24
“Organizar uma Jornada é difícil, mas viver depois da Jornada pode ser ainda mais exigente”, disse o bispo de Setúbal, cardeal Américo Aguiar, na segunda reunião preparatória da Jornada Mundial da Juventude Seul 2027, que acontece na Coreia do Sul, de 13 a 17 de setembro. Dom Américo foi o responsável pela organização da JMJ Lisboa 2023, quando ainda era bispo auxiliar de Lisboa.
Dom Américo fez alusão à Transfiguração de Jesus no Monte Tabor para ressaltar que “a vida não é uma Jornada permanente”, pois “é preciso descer do monte”.
“Jesus não nos deixa construir as tendas. Manda-nos descer e voltar às nossas casas, às nossas dioceses, às nossas paróquias, às nossas famílias, às nossas escolas, universidades e locais de trabalho”, disse o bispo, segundo a Agência Ecclesia, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Ele disse que “é aí que começa a pergunta verdadeiramente importante sobre o legado: o que fazemos, na planície, com aquilo que recebemos no monte?”
O cardeal citou o exemplo do Rejoice- Jornada Nacional da Juventude, evento que teve a segunda edição de 24 a 26 de julho deste ano, em Lamego, e reuniu cerca de 1,2 mil jovens das diferentes dioceses portuguesas. Dom Américo ressaltou que, embora não tenha registrado “grande multidão”, a participação dos jovens mostrou que a “JMJ Lisboa 2023 continua a dar frutos”.
“Nem sempre serão árvores carregadas de frutos”, disse. “Às vezes será apenas um pequeno rebento. Mas existe, cresce e multiplica-se”, acrescentou.
Segundo o cardeal, “as multidões enchem-nos de alegria e confiança” e mostram “que não estamos sozinhos”, mas “será sempre no recato de cada vida que se fará o milagre do encontro com Jesus vivo no meio de nós”.
Para dom Américo, “o maior legado de uma Jornada” é “o rosto de um jovem que regressou a casa diferente; de um voluntário que descobriu que servir pode ser uma forma de felicidade; de uma família que abriu a porta a um desconhecido e, alguns dias depois, se despediu de um amigo”.
“É o rosto de uma comunidade que percebeu que os jovens não são apenas o futuro da Igreja. Os jovens são Igreja agora”, disse.
Trabalho em conjunto
Dom Américo Aguiar também destacou a importância do trabalho em conjunto na preparação da JMJ. “Quando cada um oferece aquilo que tem, mesmo quando parece pouco, Deus encontra espaço para fazer muito mais”, disse.
Segundo ele, “foi isso que vimos em Lisboa” e é o que ele deseja para Seul.
O cardeal, porém, ressaltou que não deseja que Seul sela “uma cópia de Lisboa”, assim como Lisboa não foi uma cópia de edições anteriores da JMJ.
“A JMJ Seul 2027 terá o rosto da Coreia. Terá a vossa cultura e a vossa história, a vossa fé e as vossas feridas, a vossa esperança e os vossos jovens. E terá também aquilo que nenhum de nós consegue ainda imaginar, porque o Espírito continua a soprar e, quando o Espírito sopra, nunca sabemos inteiramente o que nos traz”, disse.
Reunião preparatória
Uma delegação portuguesa participou da segunda reunião preparatória da JMJ Seul 2027. Fazem parte do grupo, além do cardeal Américo Aguiar, padre Filipe Diniz, Pedro Carvalho e Isabel Fernandes, do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ).
Segundo o DNPJ, “a reunião em Seul constitui um momento de trabalho conjunto com o Comitê Organizador Local, permitindo aprofundar os principais aspectos da preparação da Jornada e da participação dos peregrinos de diferentes países”.
O programa da reunião inclui o conhecimento e aprofundamento das propostas para a JMJ Seul 2027, como o recrutamento e preparação dos peregrinos, o sistema de inscrição e aplicativo digital da Jornada, os Dias nas Dioceses e restantes eventos e a caminhada dos peregrinos até à sua participação na Jornada.
A JMJ Seul 2027 vai acontecer de 3 a 8 de agosto de 2027, com o tema “Coragem! Eu venci o mundo” (cf. Jo 16,33).
Para o DNPJ, participar da segunda reunião preparatória é uma oportunidade para acompanhar de perto a preparação da JMJ Seul 2027, reforçar a articulação com o Comitê Organizador Local e continuar a preparação do caminho dos jovens portugueses.
(acidigital)
Hoje a Igreja celebra são Cornélio e são Cipriano, amigos defensores da fé
Por Redação central
15 de set de 2026 às 22:01
Hoje (16), a Igreja celebra o papa são Cornélio e o bispo são Cipriano, dois amigos que se opuseram às heresias e blasfêmias de seu tempo, o que os levou a morrer como mártires.
Cornélio significa “duro como chifre” e durante sua vida honrou seu nome, pois enfrentou com firmeza a heresia de Novaciano, que proclamava que a Igreja Católica não tinha poder para perdoar os pecados. Entretanto, o papa se opôs e sustentou o perdão para o pecador verdadeiramente arrependido.
Entre os que apoiavam o papa estava são Cipriano, o qual o respaldou contra a heresia de Novaciano.
Porém, o sofrimento de são Cornélio não seria apenas por questões internas na Igreja, mas também pela perseguição aos cristãos por parte do imperador Décio. Foi envido ao desterro e morreu decapitado no ano 253.
Cipriano, bispo de Cartago, por sua vez, sofreu do mesmo modo a perseguição de Décio e do imperador Valeriano. Mais tarde, decretaram pena de morte a ele por continuar celebrando cerimônias religiosas e se opor a oferecer sacrifícios aos deuses. Ele, ao ouvir sua sentença, exclamou: “Graça sejam dadas a Deus”. Em seguida, foi decapitado em setembro de 258.
Assim, os dois amigos, unidos na fé e no apoio em tempos difíceis, padeceram o mesmo suplício e deram testemunho aos demais cristãos para que permaneçam firmes na Verdade.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Cardeal Farrell: Cruz, sinal de esperança para os jovens que se preparam para Seul
Vatican News
A cruz de Cristo, longe de ser um símbolo de derrota, é sinal de esperança e de vida para uma humanidade marcada pelo sofrimento. Essa foi uma das principais mensagens do cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, na homilia da Missa celebrada nesta segunda-feira, 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz, no contexto da segunda reunião internacional de preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Seul 2027.
A celebração abriu um encontro que reúne na Coreia do Sul cerca de 400 representantes de dioceses e organizações de aproximadamente 190 países, além de membros do Organismo Consultivo Internacional da Juventude (IYAB), responsáveis do comitê organizador e voluntários. A reunião, realizada de 14 a 17 de setembro, tem como objetivo compartilhar a visão e o andamento dos preparativos para a JMJ de 2027 e aprofundar a participação das Igrejas locais na preparação do grande encontro internacional.
A cruz que transforma o sofrimento
Ao comentar a liturgia da Exaltação da Santa Cruz, o cardeal Farrell recordou que, aos olhos humanos, a cruz poderia parecer apenas instrumento de tortura e morte. Em Cristo, porém, ela foi transformada em sinal da salvação. “A cruz de fé em Cristo nos mostra que o sofrimento não é o fim”, afirmou, segundo o texto da homilia.
O cardeal destacou que Jesus assumiu sobre si o sofrimento humano e, por meio de sua morte e ressurreição, abriu um caminho de esperança. Por isso, convidou os participantes a não permitirem que as dificuldades, as feridas ou as experiências de fracasso determinem o sentido de suas vidas. “A cruz nos mostra que Deus está conosco”, foi uma das ideias centrais de sua reflexão.
Farrell relacionou essa mensagem diretamente à realidade dos jovens. Muitos carregam, segundo ele, diferentes formas de sofrimento: solidão, tristeza, depressão, incredulidade, rejeição e as consequências de uma sociedade que pode fazer com que se sintam sem esperança. Diante disso, a Igreja é chamada a anunciar que nenhuma dessas experiências tem a última palavra.
“Levantem os olhos”
Um dos momentos mais significativos da homilia foi o convite a olhar para a cruz. Recordando a imagem da serpente de bronze erguida por Moisés no deserto, o cardeal explicou que o gesto bíblico de levantar os olhos continua tendo um significado profundo para o cristão.
“Levantem os olhos e vejam — não há nada para temer!”, afirmou Farrell, associando a imagem da serpente de bronze à cruz de Cristo. Para ele, olhar para a cruz significa reconhecer que Deus não abandona a humanidade precisamente nos momentos em que o sofrimento parece mais intenso.
A reflexão também estabeleceu uma ligação com o testemunho cristão. “Quando olhamos para a cruz, vemos Jesus oferecendo a própria vida por nós”, afirmou. Por isso, a cruz não deve levar à resignação diante do sofrimento, mas à confiança e à disposição de viver de maneira diferente, com amor, perdão e serviço.
A cruz no caminho para Seul
A mensagem ganha particular significado no contexto da preparação para a JMJ de Seul. O encontro internacional será realizado de 3 a 8 de agosto de 2027 e será a segunda Jornada Mundial da Juventude realizada na Ásia, depois de Manila, em 1995. Será também a primeira edição da JMJ em um país onde o cristianismo é uma religião minoritária.
O tema escolhido pelo Papa Francisco para a Jornada é uma passagem do Evangelho de São João: “Tende coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33). A escolha está diretamente relacionada à mensagem da homilia de Farrell: a coragem cristã nasce da vitória de Cristo sobre o pecado, o sofrimento e a morte.
Assim, a preparação para Seul não pretende ser apenas uma organização logística de um grande evento internacional. O próprio comitê organizador apresenta a preparação espiritual como uma dimensão fundamental da Jornada. Entre as iniciativas está uma oração pelos jovens, rezada nas comunidades, além do movimento dos “200 milhões de terços”, promovido na Igreja coreana como parte do caminho rumo à JMJ.
Uma Jornada em uma Igreja marcada pelo martírio
A cruz também possui uma importância particular para a Igreja na Coreia do Sul. O cristianismo chegou ao país de maneira singular, inicialmente por meio de leigos coreanos que tiveram contato com a fé católica e posteriormente buscaram o contato com a Igreja universal. A comunidade cristã cresceu em meio a períodos de perseguição e deu origem a numerosos mártires.
A preparação para a JMJ procura justamente apresentar essa história às novas gerações. Em 2024, durante a apresentação da JMJ de Seul no Vaticano, o cardeal Farrell destacou a vitalidade da Igreja coreana e o testemunho heroico de seus mártires. Na mesma ocasião, afirmou que a Jornada poderá ajudar os jovens a redescobrir a beleza da vida cristã e a levar para a vida cotidiana um renovado desejo de seguir Jesus e ser fiel ao Evangelho.
A própria escolha de Seul carrega ainda uma dimensão de unidade e paz. A península coreana permanece dividida, e a Igreja local tem procurado promover reconciliação, diálogo e coexistência pacífica. A preparação da Jornada, portanto, pretende fazer da presença de milhões de jovens na Coreia também um testemunho de fraternidade e esperança.
“A salvação começa quando confiamos”
Na parte final da homilia, o cardeal Farrell retomou o convite a confiar em Deus. A fé, explicou, não significa ausência de dificuldades, mas a certeza de que Deus permanece presente também no meio delas.
Para os jovens que se preparam para Seul, essa mensagem se torna um verdadeiro programa espiritual: olhar para Cristo crucificado, reconhecer nele o amor de Deus e, a partir dessa experiência, tornar-se testemunha desse amor no mundo. A cruz, assim, deixa de ser apenas uma imagem do sofrimento e se torna uma convocação à esperança.
“A cruz é o sinal da vitória”, afirmou Farrell em sua reflexão. E é precisamente essa vitória que o tema da JMJ de Seul deseja colocar no coração dos jovens: “Tende coragem: eu venci o mundo!”. Não se trata, portanto, de uma coragem baseada na força humana, mas daquela que nasce da certeza de que Cristo venceu e continua caminhando com seus discípulos.
A segunda reunião internacional de preparação, que prossegue até 17 de setembro, procura transformar essa visão em ações concretas, reunindo representantes da Igreja de 190 países para compartilhar experiências e preparar a acolhida dos peregrinos. A expectativa é que Seul seja não apenas um grande encontro de jovens, mas uma experiência de fé capaz de renovar a Igreja na Ásia e em todo o mundo.
“40 pares de olhos” vão contar a JMJ 2027 de Seul a partir da experiência dos jovens asiáticos
Vatican News
Cerca de 40 influenciadores católicos poderão formar uma rede especial de comunicação durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2027, em Seul, na Coreia do Sul. A proposta surgiu durante uma assembleia de quatro dias realizada em Manila, de 10 a 13 de setembro, que reuniu cerca de uma centena de missionários digitais católicos de diversos países asiáticos para refletir sobre o tema “De influenciadores a testemunhas: o caminho sinodal para a missão digital na Ásia”.
A iniciativa pretende fazer com que os “40 pares de olhos” presentes na JMJ compartilhem experiências, percepções e momentos vividos pelos jovens e pelas comunidades, multiplicando essas histórias entre os católicos de toda a Ásia.
Segundo o padre Mi Shen, responsável pelo Escritório de Comunicação Social da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), o ambiente digital já é um verdadeiro campo de missão, sobretudo entre os jovens. Muitos católicos asiáticos já testemunham sua fé pelas redes sociais, mas frequentemente trabalham de maneira isolada. A assembleia procurou, portanto, promover não apenas o aprendizado de ferramentas digitais, mas sobretudo a escuta, a criação de vínculos e o discernimento conjunto sobre como ser testemunha de Cristo no mundo digital. “Queremos que esses 40 pares de olhos se tornem 400, 4 mil ou até 40 mil janelas” abertas umas às outras, explicou o sacerdote.
Para os participantes, o encontro também significou uma mudança de perspectiva: o missionário digital não deve ser visto apenas como alguém que produz conteúdos, mas como uma pessoa chamada a testemunhar o Evangelho. Participantes da Índia, Indonésia, Camboja, Bangladesh e Japão relataram ter encontrado esperança ao ouvir histórias semelhantes às suas e perceber que não estavam sozinhos. O japonês Yuzo Akai destacou uma das principais mensagens do encontro: “escutar é mais importante do que falar e criar conteúdos”. Ao final, os participantes assumiram o compromisso de continuar colaborando, com reuniões trimestrais, momentos de oração e a criação de cursos e programas de formação on-line para missionários digitais.
Entre os convidados esteve o cardeal Luis Antonio Tagle, que chamou os participantes a discernir quem e o que realmente exerce influência sobre suas vidas. Segundo ele, somente quem experimenta a influência transformadora de Jesus pode oferecer aos outros um testemunho autêntico. Na missa conclusiva, o cardeal Pablo Virgilio David, bispo de Kalookan e vice-presidente da FABC, recordou que por trás de cada tela existe uma pessoa concreta, com esperanças, medos, feridas e dignidade. A futura rede de comunicadores para a JMJ de Seul nasce, assim, com uma missão que vai além da produção de conteúdo: olhar para as pessoas, escutá-las e ajudá-las a encontrar, também no ambiente digital, uma mensagem de esperança e o rosto de Cristo.
*Com informações de AsiaNews