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quinta-feira, 30 de julho de 2026
Tráfico Humano, Rede Talitha Kum: restaurar a esperança das vítimas
Poliana Ferreira – Vatican News
Atualmente, mais de 50 milhões de pessoas mundialmente estão vivendo em situações de escravidão moderna. Além disso, aproximadamente 236 bilhões de dólares são gerados ilegalmente por conta de tráfico de pessoas e exploração.
Para contrastar essa realidade, nasceu a Rede Talitha Kum, criada pela União Internacional das Superiores Gerais (USG) e liderada por freiras e consagradas em todo mundo.
A Rede Talitha Kum, em 2025, teve um aumento de operação internacional, sendo 68 redes nacionais atuando em 113 países. Também, no mesmo ano, a Talitha Kum ajudou 1,2 milhão de pessoas no mundo todo, tendo assim um aumento significativo de 29,6% em relação a 2024, através de atividades preventivas, proteção e cuidado dos sobreviventes, iniciativas de acesso à justiça, esforços de defesa de direitos e parcerias internacionais
A prevenção é a maior área de atividade da Talitha Kum. Somente no ano passado, ajudou 928.972 pessoas, um aumento de 34,6% em comparação a 2024: 303.359 mulheres e meninas e 262.621 menores de 18 anos. Através de esforços para divulgar o assunto em diversos lugares, como por exemplo escolas, eventos comunitários, igrejas e clínicas, Irmãs e parceiros possibilitaram dados e ferramentas para reconhecer e evitar as ameaças do tráfico de pessoas.
Ademais, a iniciativa cuida também de proteção e cuidados para 27.329 sobreviventes através de abrigos seguros, auxílio médico e psicológico, parte jurídica, educação e capacitação profissional.
Para compreender melhor o projeto, a Irmã Neide Lamperti, brasileira, missionária Scalabriniana e coordenadora do Departamento de Migrantes, Refugiados e Tráfico Humano da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC) e intregrante da iniciativa Rede Talitha Kum, concedeu uma entrevista ao Vatican News por ocasião do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas.
Como a senhora descobriu a sua vocação, e como chegou até esse projeto?
Desde muito jovem senti o chamado de Deus para ser missionária e dedicar a minha vida ao serviço dos mais necessitados. Cresci em uma família que vivia fortemente os valores cristãos de solidariedade, respeito e compromisso com o próximo. Com o tempo, esse chamado foi amadurecendo, passou por um acompanhamento, discernimento e o ingresso na Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas. Há mais de três décadas vivo a minha vocação religiosa, procurando testemunhar o Evangelho através da missão junto aos migrantes, refugiados e pessoas em situação de vulberabilidade.
A minha missão levou-me a diferentes realidades do Brasil e 17 anos no continente africano, sobretudo em Angola e África do Sul, trabalhando nas respectivas Conferências Episcopais, coordenando os Departamentos de Migrantes, Refugiados e prevenção do Tráfico Humano. O contato com migrantes, refugiados, pessoas deslocadas à força nestes países, fez-me compreender a urgência de defender a dignidade humana e promover os direitos daqueles que são forçados a deixar as suas terras, casas, famílias em busca de segurança e uma vida melhor.
Foi precisamente o trabalho nas Conferências Episcopais que me levou a integrar a Rede Talitha Kum. Vi neste trabalho uma oportunidade concreta de trabalho em rede e de fortalecer a proteção, a integração e a esperança de milhares de pessoas em mobilidade. Participar deste projecto é uma das formas de responder ao chamado vocacional, colocando a fé em ação por meio do serviço, da defesa dos direitos humanos e do acompanhametno pastoral das pessoas mais vulneráveis e vitimas do trafico humano.
Como é a realidade do tráfico humano na área em que a senhora está presente?
África do Sul compreende uma realidade de Tráfico Humano muito complexa e preocupante. O país é considerado um dos países de origem, trânsito e destino para pessoas traficadas na África Austral, devido à sua economia relativamente mais forte, às extensas fronteiras terrestres e elevados fluxos migratórios provenientes dos países vizinhos.
Os traficantes exploram não somente os estrangeiros, mas igualmente, os cidadãos sul africanos em situação de vulnerabilidade, somando o número maior para mulheres, crianças e jovens, embora em menor número, os homens. Estes últimos são vítimas da exploração laboral.
Na África do Sul, as formas mais encontradas de tráfico humano são para a exploração sexual, especialmente mulheres e meninas, o trabalho forçado em setores agrícolas, construção, trabalho doméstico, pesca, restauração e mineração. Há a mendicidade forçada, onde a exploração maior afeta as crianças. É possível encontrar casamentos forçados e outras formas de exploração associadas a práticas culturais ou criminosas para atividades ilícitas.
Para ter uma idéia, dados do
Ministério da Justiça de 2024/2025 apresentam um total de 234 vítimas de
tráfico humano que foram resgatadas e assistidas durante este período
do ano financeiro, pelo governo sul africano. Destes, houve 23 processos
de tráfico humano concluídos com decisão judicial e 11 processos com
condenações, abrangendo um total de 146 acusações de tráfico de pessoas.
Estas condenações resultaram em 34 penas de prisão perpétua, 8
condenados com 20 anos de prisão e 2 condenados com 10 anos de prisao.
Já no ano financeiro 2025/2026 foram instaurados 32 novos processos
envolvendo 57 acusados. Continuam em andamento 67 processos envolvendo
156 acusados e 428 acusações. (Fonte: https://www.gov.za/sites/default/files/gcis_document/202606/54758gon7540.pdf?utm_source=chatgpt.com )
Embora parece que o número é alto, organizações internacionais afirmam que são apenas uma fração da realidade, porque o crime é oculto, alimentado pela pobreza, migração irregular, desigualdade e redes criminosas organizadas. Há ainda muito por fazer em termos de prevenção. Identificação e proteção das vítimas.
Por acaso, a senhora poderia contar alguma situação que já aconteceu?
Há um caso de uma menina de seis anos que levou à condenação três pessoas por tráfico humano, para fins de exploração e rapto. Todos receberam prisão perpétua.
Em setembro de 2025, sete cidadãos chineses foram condenados a 20 anos de prisão cada um, por tráfico de pessoas, trabalho forçado e exploração de 91 trabalhadores malawianos, incluindo crianças, numa fábrica em Johannesburgo.
A polícia sul-africana desmantelou uma rede internacional que recrutava mulheres da Tailândia com falsas promessas de empregos. Ao chegarem aqui, os passaportes eram confiscados e elas eram obrigadas a prostituir-se para pagar as suas dívidas de viagens. Eu conheci algumas delas em um abrigo bem seguro, para pessoas traficadas. Nosso departamento ofereceu ajuda financeira para apoios necessarios de recuperacao e traumas vivenciados, enquanto aguardam os processos da corte serem finalizados e por fim poderem regressar aos seus paises de origem.
Quais são os principais desafios enfrentados pela Talitha Kum no combate ao tráfico de pessoas em diferentes contextos culturais, econômicos e políticos?
Em cada região as formas de exploração assumem características diferentes, devido aos contextos culturais, políticos e econômicos. Em alguns países predomina a exploração sexual, outros o trabalho forçado, outros o tráfico de crianças ou casamento forçado e assim por diante. Isto torna-se um desafio porque a prevenção, a proteção e a incidência política precisa acontecer de forma segura, em redes de solidariedade para que se consiga resultados mais eficazes e duradouros.
Outro desafio que a Rede Talitha Kum enfrenta é a prevenção, ou seja, é preciso enfrentar as causas estruturais que favorecem o tráfico de pessoas: ajudar a combater a pobreza, a desiguladade, discriminação de gênero, migração insegura e irregular, corrupção, impunidade e sistemas de proteção frágeis. A prevenção e a educação acerca da problemática do tráfico humano junto aos jovens, nas escolas, comunidades, especialmente as mais vulneráveis é a melhor forma de impedir que o tráfico aconteça.
Há o desafio de ter mais recursos financeiros para fortalecer continuamente a formação dos membros e parceiros da Rede, adaptar os programas às necessidades da comunidade onde atua, trabalhar em estreita colaboração com dioceses, congregações religiosas, organizações da sociedade civil, autoridades públicas, organismos internacionais e outras tradições religiosas.
E como a organização adapta suas estratégias para responder a essas realidades?
O Departamento Migrantes, Refugiados e Trafico Humano da SACBC procurou adotar uma estratégia baseada na ação local e na colaboração interinstitucional. Há uma equipe central de apoio ao departamento composto por um grupo de pessoas de diferentes organizações e membros da Rede Talitha Kum, para a prevenção do Tráfico Humano em escolas, dioceses, vida consagrada, lideranças multi-religiosas, diocesanas, etc. A equipe tambem conta com apoio de Organizações Internacionais, governamentais e ONGs para as formações intensivas de líderes diocesanos e religiosos nas temáticas de prevencão e proteção das vítimas.
A prevencão é uma das principais prioridades. Da mesma forma acompanha casos e ajuda nas denúncias. O departamento investe fortemente na prevenção de campanhas de sensibilização, educação e formação. Especialmente junto de jovens, mulheres, migrantes e comunidades vulneráveis. Produzimos e distribuimos materiais informativos. Acreditamos que informar as pessoas sobre os métodos utilizados pelos traficantes é uma das formas mais eficazes de reduzir a vulnerabilidade e prevenir novos casos. O objectivo não é apenas conscientizar, mas transformar as comunidades em espaços de proteção e prevenção do tráfico de pessoas.
Através do Departamento, fortalecemos o trabalho da Rede Talitha Kum South Africa, envolvendo a rede nas diferentes atividades programadas e envolvendo a Vida Consagrada e os jovens embaixadores seja nos cursos de capacitação, tanto nas atividades de prevenção.
Procuramos trabalhar em redes, em parcerias com uma abordagem que procura colocar a dignidade da pessoa humana no centro. Não trabalhamos apenas para combater o crime, mas para restaurar a esperança das vítimas, promover a sua reintegração e enfrentar as profundas causas que tornam tantas pessoas vulneráveis ao tráfico humano.
Considerando os avanços tecnológicos e o uso das redes sociais por organizações criminosas, quais estratégias inovadores a Talitha Kum pode adotar para identificar riscos, prevenir o aliciamento e ampliar a proteção das populações mais vulneráveis?
Uma das estratégias é investir na prevenção digital. Uma espécie de alfabetização digital pode tornar-se uma das formas de proteção. Não basta dizer que o tráfico existe, é necessário ensinar as crianças, jovens, migrantes e famílias a reconhecer sinais de riscos nos ambientes digitais.
A rede Talitha Kum precisa trabalhar a prevenção onde estão os jovens: nas redes sociais, em pequenos vídeos, podcasts, campanhas digitais e conteúdos produzidos numa linguagem acessível e adaptadas às diferentes culturas e faixas etárias.
O tráfico humano é transnacional e a resposta também precisa estar ao mesmo nível. Ou seja, a Rede Talitha Kum poderia criar uma rede transnacional de monitorização e alerta, e através dela, as redes nacionais podem partilhar informações sobre as novas modalidades de recrutamento, rotas, perfis utilizados pelos traficantes. Seria uma ferramenta da inteligencia artificial que ajuda a antecipar riscos e adotar campanhas de prevenção. Esta mesma rede pode ter uma plataforma para analisar dados, identificar na rede anúncios suspeitos e redes organizadas que atuam no espaço digital. É evidente que estas tecnologias devem ser utilizadas em parcerias com universidades, especialistas e empresas tecnológicas que repeitem a privacidade, os direitos humanos e a proteção de dados.
Ajudar os jovens, sobretudo os Jovens Embaixadores a não serem apenas utilizadores das redes sociais, mas tornarem-se os agentes de prevenção. Eles usam a mesma linguagem dos demais jovens e comunicam-se de uma maneira em que a mensagem chega de maneira mais eficaz.
Por fim, a Rede Talitha Kum pode responder aos desafios da era digital combinando inovação tecnológica, cooperação internacional, educação digital, protagonismo juvenil e presença comunitária. Mas não se pode esquecer que a tecnologia pode oferecer novas ferramentas, mas a missão permanece a mesma, que é proteger a dignidade humana, prevenir a exploração e construir uma cultura em que nenhuma pessoa seja tratada como uma mercadoria.
Ir. Neide Lamperti - Missionária Scalabriniana
Coordenadora do Departamento de Migrantes, Refugiados e Trafico Humano da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral – SACBC
Leão XIV: amo dos EUA a liberdade e o acolhimento de pessoas do mundo inteiro
Edoardo Giribaldi – Vatican News
O sentido de liberdade, das oportunidades e o fato de, ao longo das gerações, ter acolhido pessoas vindas de todas as partes do mundo para fazerem parte de uma única nação. Esse é o aspecto mais profundo dos Estados Unidos da América que mais toca o coração do Papa Leão XIV, como emerge da entrevista concedida às emissoras NBC e Telemundo ao término do encontro de oração Cântico de Paz, realizado nesta quarta-feira, 29 de julho, no Borgo Laudato si', nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo, acompanhado pelas vozes de Andrea Bocelli e do coro ABF Voices. O Pontífice também manifestou o desejo de visitar seu país natal e voltou a abordar a questão dos migrantes, exortando-os a não perderem a esperança e a viverem “de maneira ordenada”.
As crianças podem ensinar muito
Crianças provenientes de diferentes partes do mundo e pertencentes a diversas religiões, unidas pela beleza do canto e da música. O cenário proporcionado pelo Cântico de Paz representou, na visão do Papa, um convite a “olhar além” e a reconhecer a beleza que nasce — e da qual todos podem participar — “quando deixamos de lado algumas diferenças e reconhecemos a riqueza representada por cada ser humano, todos criados à imagem de Deus”. Leão XIV recordou ainda alguns trechos das orações recitadas pelas crianças, que dirigiam aos adultos uma pergunta tão simples quanto desarmante: “Por que existe a guerra e não a paz? Por que existe o ódio e não o amor?”.
“Acredito que as crianças podem nos ensinar muito e que precisamos redescobrir os valores, o tesouro que existe no ser humano, no fato de sermos todos irmãos e irmãs, percebendo que todos podemos realmente participar de uma sociedade que ama a paz, que busca a paz, que acolhe uns aos outros apesar das diferenças. Se todos trabalharmos para construir a paz, poderemos superar tantas situações que geram conflito e ódio.”
Primeiro Papa americano
A entrevista volta-se, em seguida, para a importância de Robert Francis Prevost ser o primeiro Pontífice proveniente dos Estados Unidos. Diante dessa consideração, o Bispo de Roma faz uma ressalva: “Penso em mim antes de tudo como o Papa que, apenas por circunstância, é americano.” Não se trata de diminuir o valor de sua pátria, pela qual o Pontífice afirma nutrir “um grande amor”, mas de reafirmar sua missão como “pastor da Igreja universal”, com uma voz e uma oportunidade de diálogo voltadas ao mundo inteiro.
“Por isso coloco as coisas nessa ordem e, ao mesmo tempo, reconheço que, tanto para mim quanto para o povo dos Estados Unidos, a julgar pela reação que vimos desde 8 de maio do ano passado, ser o primeiro Papa americano tem um grande significado.”
O sentido de liberdade e de oportunidade
Questionado sobre aquilo de que mais ama nos Estados Unidos, Leão XIV revela apreciar sobretudo os princípios que o país representa.
“Aquilo que a América representa: o sentido de liberdade, o sentido de oportunidade, o fato de, por gerações, ter convidado pessoas de todas as partes do mundo a fazerem parte da América.”
A riqueza dos Estados Unidos
O próprio Prevost recorda que, por parte dos avós, descende de uma família de imigrantes, enquanto, pelo lado materno, “há pessoas que foram tanto escravizadas quanto proprietárias de escravos”.
“Existe uma história, por assim dizer, de crescimento, e esse tipo de experiência me ajuda a reconhecer uma das maiores riquezas dos Estados Unidos. E continuo a defender os princípios que, durante tantos anos, fizeram parte da identidade americana, e isso continuará.”
“Vocês me verão lá”
Durante seu pontificado, Leão XIV dirigiu numerosas mensagens a diferentes realidades de seu país. Questionado sobre uma possível visita aos Estados Unidos, o Papa não escondeu o desejo de ir pessoalmente, para testemunhar com ainda “maior força” seu compromisso em favor da paz, do amor e do esforço comum para construir a harmonia.
“Vocês me verão lá. Por coincidência, justamente hoje estávamos olhando o calendário para os próximos dois anos. Ainda não há nada definitivo, mas espero sinceramente poder ir em breve.”
Que os migrantes tenham esperança
O pensamento conclusivo do Pontífice foi dirigido aos migrantes.
“Tenham esperança. Procurem, certamente, viver de maneira ordenada. É preciso reconhecer que, se alguém cometeu delitos ou crimes, não se pode construir uma sociedade dessa forma. Portanto, devemos aprender a viver em paz, mas também precisamos ter coragem e esperança, que sempre nos sustentem.”
Arcebispo defende mesquita nos EUA e critica ‘sentimento anti-muçulmano’
Por Tyler Arnold
29 de jul de 2026 às 16:05
O arcebispo de Santa Fé, Novo México, EUA, John Charles Wester, manifestou apoio ao plano de um grupo muçulmano para construir uma mesquita nos arredores de Albuquerque, que enfrenta alguma resistência da comunidade.
O Centro Islâmico de Albuquerque recebeu aprovação para a mesquita em North Valley numa votação de cinco a um pela comissão de planejamento do Condado de Bernalillo em 1º de julho. A audiência durou cerca de cinco horas, com comentários da comunidade, e a comissão acabou aprovando a mesquita, mas não a escola proposta, para manter o projeto menor e o tráfego previsto mais leve.
Na última segunda-feira (27), Wester divulgou uma declaração de seis parágrafos em apoio ao projeto, dizendo que os muçulmanos têm o direito de ter acesso a serviços religiosos e que a liberdade religiosa vai além dos cristãos.
Em sua declaração, o arcebispo disse ter ouvido “preocupações dos moradores” sobre a mesquita planejada e sentiu-se “compelido a falar de forma clara e pastoral” sobre a tensão.
“Nossos vizinhos muçulmanos têm o mesmo direito, dado por Deus e protegido constitucionalmente, de praticar sua religião livremente, assim como todas as outras comunidades religiosas, inclusive a nossa”, disse ele, citando a declaração do Concílio Vaticano II sobre a liberdade religiosa, Dignitatis Humanae.
O concílio “disse que toda pessoa deve estar livre de coerção em matéria de fé”, disse ele. “Esse princípio se aplica universalmente. Não se limita a católicos ou cristãos; estende-se plenamente a muçulmanos, judeus e a todas as pessoas que buscam praticar sua fé segundo sua consciência. Apoiar a construção de uma mesquita é, assim, totalmente coerente com nossa própria tradição e compromissos morais”.
“O medo do outro não é uma virtude cristã”, disse. “A hospitalidade, sim. Nossos irmãos e irmãs muçulmanos têm enfrentado discriminação e hostilidade em muitas partes do país. Quando esse preconceito surge, os católicos são chamados a estar ao lado deles, não à parte. Apoiar o direito deles de construir uma mesquita é um modo concreto de afirmar sua dignidade e rejeitar as forças que buscam marginalizá-los”.
Ibrahim Hooper, diretor nacional de comunicações do Conselho de Relações Americano-Islâmicas, recebeu com satisfação o apoio do arcebispo em comunicado.
“Recebemos com satisfação a declaração de princípios do arcebispo Wester em defesa da liberdade religiosa e agradecemos-lhe por se manifestar”, disse Hooper. “A liberdade de culto é um direito fundamental e inalienável de todos os americanos e de todos os seres humanos”.
Wester incentivou o “respeito, o diálogo e a coexistência pacífica” entre pessoas de diferentes crenças religiosas. Ele disse: “Não precisamos compartilhar as mesmas crenças para compartilhar a mesma vizinhança. O que precisamos é da disposição para ouvir, aprender e reconhecer o rosto de um vizinho, e não de um estranho”.
O arcebispo disse que as relações inter-religiosas “enriquecem nossa vida cívica e fortalecem o tecido social do qual todos dependemos” e criticou o “sentimento anti-muçulmano”.
“Qualquer hostilidade contra os muçulmanos — seja expressa por meio de retórica, suspeita ou oposição aos seus locais de culto — é incompatível com o Evangelho de Jesus Cristo, que nos ordena a amar o nosso próximo sem exceção”, disse Wester.
(acidigital)