sexta-feira, 11 de setembro de 2026

"Nós Aprendemos a rezar, rezando!" Santa Madre Tereza de


 

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026 - 11:00 Missa, na Basílica da Santíssima Trindade


 

Semana do Papa, Super Horta e Jornadas Nacionais de Comunicação Social


 

Homilia Diária | Enxergar a realidade com o olhar de Deus (Sexta-feira da 23ª Semana do Tempo Comum)


 

Os Papas e o 11 de setembro: a luz de Cristo na hora sombria da história

 


Reflexões dos Papas sobre os atentados de 25 anos atrás e seus repetidos apelos à paz e à reconciliação. Porque, mesmo diante de um horror indescritível, o mal e a morte não têm a última palavra.

Isabella Piro – Cidade do Vaticano

É 11 de setembro de 2001. Os Estados Unidos da América acabam de ser atingidos por quatro ataques suicidas que, em diferentes regiões do país, provocaram quase três mil vítimas. João Paulo II encontra-se em Castel Gandolfo. Informado por telefone pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, fica profundamente abalado com o ocorrido. Imediatamente, recolhe-se em oração na capela do Palácio Apostólico. Em seguida, envia um telegrama de pesar e proximidade ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. São seis linhas escritas em letras de forma, próprias da linguagem oficial, mas as palavras escolhidas pelo Papa Wojtyła são profundamente humanas e expressam a dor do mundo inteiro: o Pontífice fala de um “horror indescritível”, definindo os atentados terroristas como “desumanos” e aquele momento histórico como “sombrio e trágico”.

Uma afronta à dignidade humana

 

No dia seguinte é quarta-feira e, na Praça São Pedro, realiza-se a audiência geral. A pedido do Bispo de Roma, não há aplausos; os fiéis permanecem em um silêncio respeitoso. “Ontem foi um dia sombrio na história da humanidade, uma terrível afronta à dignidade do homem”, afirma João Paulo II, levantando em seguida a pergunta que está no coração de todos: “Como podem acontecer episódios de tamanha selvageria?”. A resposta, prossegue, está em Cristo, fundamento da esperança, aquele que faz com que “o mal e a morte não tenham a última palavra”.

João Paulo II em oração
João Paulo II em oração

Não a vingança, mas a unidade e o diálogo

 

Enquanto isso, naquelas mesmas horas, em Roma, acontece o 180º Capítulo Geral Ordinário da Ordem de Santo Agostinho. Participa dele também o padre Robert Francis Prevost, norte-americano, futuro Leão XIV, que em 14 de setembro, no dia de seu aniversário, é eleito prior-geral. Caberia a ele, portanto, presidir, em 21 de setembro, a missa conclusiva dos trabalhos, na igreja de Santa Maria del Popolo: “Não podemos deixar de recordar os trágicos acontecimentos que, em 11 de setembro, abalaram os Estados Unidos — afirma na homilia. — A violência que o mundo viu agir na semana passada nos Estados Unidos é uma expressão trágica de uma série de problemas que estão se agravando em toda parte. O ódio e a violência continuarão a aumentar enquanto existirem tantas pessoas obrigadas a viver em extrema pobreza, oprimidas por tantas formas de injustiça”. “Enquanto muitos procuram vingança — conclui —, os agostinianos devem dar testemunho do Evangelho e de seus valores de unidade, diálogo, paz e reconciliação”.

A ferocidade do terrorismo é vencida pelo Amor

 

Passa-se um ano e os apelos de João Paulo II pela paz sucedem-se incessantemente. Em 11 de setembro de 2002, uma quarta-feira, na Audiência Geral, o Papa recorda “o atroz atentado” ocorrido doze meses antes, o desabamento das Torres Gêmeas e as vidas de tantos inocentes tragadas pelos escombros. Com firmeza, o Pontífice reafirma que “o terrorismo é e será sempre uma manifestação de ferocidade desumana” e que “a opressão, a violência armada e a guerra são escolhas que semeiam e geram apenas ódio e morte”. “Somente a razão e o amor são meios válidos para superar e resolver as disputas entre as pessoas e os povos”, conclui.

Bento XVI em oração no Ground Zero
Bento XVI em oração no Ground Zero

A coragem de trabalhar pela paz

 

A paz invocada por Karol Wojtyła ganha força na oração de seu sucessor, Bento XVI. É 20 de abril de 2008 e, durante sua viagem apostólica aos Estados Unidos, Joseph Ratzinger vai a Ground Zero. No local onde antes se erguiam as Torres Gêmeas, há uma profunda cavidade, quase uma metáfora do abismo do mal. Ao redor, porém, tudo é um grande canteiro de obras, símbolo da esperança que renasce e reconstrói. Em silêncio, o Pontífice acende uma vela em memória das vítimas; depois, ajoelha-se e pede ao Senhor que “leve a paz a um mundo violento” e conceda à humanidade “a sabedoria e a coragem de trabalhar incansavelmente por um mundo no qual a paz e o amor autênticos reinem entre as nações e nos corações de todos”.

Cada vida humana é preciosa

 

Três anos mais tarde, em 11 de setembro de 2011, no décimo aniversário dos ataques terroristas, Bento XVI envia uma carta ao presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, que seria criado cardeal em fevereiro do ano seguinte. Recordando o “brutal atentado” de dez anos antes, define-o como uma “tragédia... tornada ainda mais grave pela reivindicação de seus autores de agir em nome de Deus”. Com firmeza, portanto, convida a “afirmar sem equívocos que nenhuma circunstância pode jamais justificar atos de terrorismo. Toda vida humana é preciosa aos olhos de Deus e não se deveria poupar nenhum esforço na tentativa de promover no mundo um respeito autêntico pelos direitos inalienáveis e pela dignidade dos indivíduos e dos povos em toda parte”.

Papa Francisco presta homenagem às vítimas dos ataques (Ground Zero, 25 de setembro de 2015)
Papa Francisco presta homenagem às vítimas dos ataques (Ground Zero, 25 de setembro de 2015)

Uma dor palpável que clama aos céus

 

Também o Papa Francisco vai a Ground Zero, que, nesse período, já se transformara em um memorial composto por duas grandes piscinas de água, do tamanho das bases das Torres Gêmeas. Nas bordas, estão inscritos os nomes das 2.974 vítimas de 90 nacionalidades diferentes. Durante o Encontro inter-religioso, realizado no local em 25 de setembro de 2015, o Pontífice descreve os atentados de 11 de setembro como “um ato insensato de destruição” e fala de uma “dor palpável”, “dilacerante”, que “deixa atônitos e clama aos céus”. A água que corre nas piscinas, afirma Jorge Mario Bergoglio, “recorda todas aquelas vidas que estavam sob o poder daqueles que acreditam que a destruição é a única maneira de resolver os conflitos”. Mas “a lógica da violência, do ódio e da vingança pode causar apenas dor, sofrimento, destruição e lágrimas”. A vida, ao contrário, “está sempre destinada a triunfar sobre os profetas da destruição, sobre a morte”, porque “a reconciliação e a unidade vencerão o ódio e a divisão”. “Peçamos aos céus o dom de nos comprometermos com a causa da paz — conclui o Bispo de Roma. — Paz neste vasto mundo que Deus nos deu como casa de todos e para todos. Somente paz”.

Nunca mais uns contra os outros!

 

Diante da paz, “não podemos ser indiferentes e neutros”, afirmaria ainda Francisco em 11 de setembro de 2021. A ocasião é o G20 Interfaith Forum, realizado em Bolonha sobre o tema “É tempo de curar — Paz entre as culturas, compreensão entre as religiões”. Em uma mensagem aos participantes, o Papa volta a destacar: “Não neutros, mas comprometidos com a paz! Invoquemos o ius pacis, como direito de todos de resolver os conflitos sem violência”. E conclui: “Nunca mais a guerra, nunca mais uns contra os outros, nunca mais sem os outros!”, porque, no fim, “os jovens e a história nos julgarão por isso”.


SANTO DO DIA - 11 DE SETEMBRO: SANTOS PROTO E JACINTO


 

Laudes de Sexta-feira da 23ª Semana do Tempo Comum


 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Missa a Nossa Senhora de Fátima desde a Capelinha das Aparições 10.09.2026


 

Na liturgia, a música não é decoração


 

Golaço da Igreja madrilenha! No Estádio Bernabéu


 

Os novos mártires do século XXI: encontro para refletir sobre os Santos da “porta ao lado”

 

O Dicastério para as Causas dos Santos promove o encontro na próxima terça-feira, 15 de setembro, no Instituto Patrístico Augustinianum, em Roma, das 9h30 às 18h30. O prefeito, cardeal Semeraro: “Os santos não são apenas aqueles proclamados pela Igreja”. O professor Riccardi: “As notícias nos mostram que o sacrifício dos cristãos continua”. Na quarta-feira, 16, os participantes serão recebidos em audiência pelo Papa Leão XIV.

Daniele Piccini – Cidade do Vaticano

Entre eles há quem tenha lutado até o dom da própria vida contra o narcotráfico ou o desmatamento. Há quem tenha protegido aldeias inteiras da exploração dos recursos naturais, que destrói os ecossistemas e os torna inabitáveis, e tenha pago com o próprio sangue seu amor pelos outros. Há quem tenha denunciado ações criminosas ou corruptas em benefício de uma comunidade ou de todo um país e não tenha sido perdoado por isso. São os novos mártires do século XXI, estimados em cerca de 1.700. Para refletir sobre sua identidade e suas motivações e valorizar seus atos de sacrifício, o Dicastério para as Causas dos Santos organiza, na terça-feira, 15 de setembro, no Instituto Patrístico Augustinianum, na Via Paolo VI, 25, em Roma, um congresso intitulado “O século XXI: um novo tempo de mártires?”. O encontro acontece exatamente um ano após a Missa presidida por Leão XIV na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, para recordar os mártires e testemunhas da fé do século XXI, no dia em que a Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz. O encontro foi apresentado na manhã desta quinta-feira, 10 de setembro, na Sala de Imprensa da Santa Sé.

“Nem todos os santos são canonizados”

“A santidade não é apenas aquela oficialmente canonizada”, afirmou o cardeal Marcelo Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. “A graça da santidade na Igreja – acrescentou – é significada, mas não se esgota nas canonizações. Naturalmente, não se exclui que, para alguns dos inscritos no Catálogo, uma vez verificadas as condições exigidas, possa ser iniciado um processo de beatificação e canonização. O que se pretende, porém, destacar são sobretudo a ‘medida elevada da vida cristã ordinária’, indicada por João Paulo II em Novo millennio ineunte, n. 30, e a santidade ‘da porta ao lado’, recordada pelo Papa Francisco em Gaudete et exsultate, nn. 6-8.”

Foi o Papa Francisco quem instituiu, neste Dicastério, por meio da Carta de 3 de julho de 2023, a “Comissão dos Novos Mártires – Testemunhas da Fé”, com a finalidade de “elaborar um Catálogo de todos aqueles que derramaram seu sangue para confessar Cristo e testemunhar o Evangelho”.

Leão XIV preside a Missa em Comemoração dos Mártires e Testemunhas da Fé do Século XXI, em 14 de setembro de 2025, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.
Leão XIV preside a Missa em Comemoração dos Mártires e Testemunhas da Fé do Século XXI, em 14 de setembro de 2025, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.   (@Vatican Media)

Sem os valores da santidade, o ser humano desaparece

“A santidade cristã – acrescentou o cardeal – também possui um valor antropológico, muito bem destacado por Bento XVI.” O Papa Ratzinger, na Carta Encíclica Spe salvi, reafirmava que o abandono das qualidades dos mártires da Igreja – “sofrer com o outro, pelos outros; sofrer por amor da verdade e da justiça; sofrer por causa do amor e para se tornar uma pessoa que verdadeiramente ama” – levaria à destruição do próprio ser humano, pois, escrevia ainda o Pontífice, “a capacidade de sofrer por amor da verdade é medida da humanidade”.

O prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos destacou, por fim, “o valor ecumênico da iniciativa”, já percebido profundamente tanto pelo Papa João Paulo II – que, na Carta Encíclica Ut unum sint, falava de um “martirológio comum” dos cristãos – quanto, mais recentemente, pelo Papa Francisco, que, “ao instituir a Comissão dentro do Dicastério para as Causas dos Santos, destacou que seu trabalho ‘permitirá acrescentar aos mártires oficialmente reconhecidos pela Igreja os testemunhos documentados – e são muitos – desses nossos irmãos e irmãs, dentro de um amplo panorama no qual ressoe a única voz da martyria dos cristãos’”.

Uma reflexão histórica e cultural sobre o martírio

“A inspiração para o congresso – refletiu o professor Andrea Riccardi, vice-presidente da Comissão dos Novos Mártires – Testemunhas da Fé – nasce de um aspecto da vida do Papa João Paulo II, que sempre se sentiu companheiro dos mártires, mas também se perguntou constantemente por que havia sobrevivido ao atentado de 13 de maio de 1981. E a resposta que dava a si mesmo era: ‘para testemunhar a graça da resistência, até o dom da vida, de tantos homens e mulheres de todas as condições’.”

O historiador e fundador da Comunidade de Santo Egídio respondeu afirmativamente à pergunta retórica apresentada pelo título do congresso: o nosso é, sem dúvida, um tempo de “novos mártires”. “O Papa Francisco – prosseguiu o professor Riccardi – percebeu isso ao instituir esta Comissão. O tempo do martírio continua. As notícias o sugerem. Não será um congresso científico, mas uma reflexão enraizada em uma consciência madura da Igreja sobre o valor e o significado do martírio. A Comissão sentiu a necessidade de elaborar historicamente e culturalmente sobre essa experiência da Igreja do século XXI, observando – concluiu o historiador – as muitas faces do martírio.”

Auditório do Pontifício Instituto Patrístico Agostiniano
Auditório do Pontifício Instituto Patrístico Agostiniano

O programa do congresso

Dom Fabio Fabene, secretário do Dicastério para as Causas dos Santos e presidente da Comissão dos Novos Mártires – Testemunhas da Fé, apresentou, por fim, o programa do congresso, que se propõe a “analisar o fenômeno do martírio contemporâneo”. O encontro será realizado em duas sessões: das 9h às 13h e das 15h30 às 18h30. Os participantes serão recebidos pelo Papa Leão XIV na quarta-feira, 16 de setembro, antes da audiência geral.

Na primeira sessão, pela manhã, dom Fabio Fabene, após uma oração, abrirá os trabalhos e passará a palavra ao cardeal Fridolin Ambongo, arcebispo de Kinshasa, na República Democrática do Congo, e ao professor Andrea Riccardi. À tarde, depois do intervalo e da mesa-redonda, participarão Sandra Sarti, presidente da organização Ajuda à Igreja que Sofre Itália; irmã Nicoletta Vittoria Spezzati, consultora histórica do Dicastério para as Causas dos Santos; a jornalista Lucia Capuzzi; e irmã Alice Drajea Jurugo, das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus.

O cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, abrirá os trabalhos da tarde dedicados aos testemunhos da Terra Santa. Em seguida, haverá as apresentações de Paolo Affatato, jornalista da Fides, e do professor Roberto Regoli, da Pontifícia Universidade Gregoriana. Posteriormente, contribuirão para a reflexão o professor Gianni La Bella, da Universidade de Modena e Reggio Emilia, e dom Marco Gnavi, secretário da Comissão. O cardeal Semeraro fará, por fim, as conclusões do congresso.


A Santa Sé à ONU: a dignidade dos idosos não diminui com a fragilidade

 

Declaração do observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas e às outras organizações internacionais em Genebra, o arcebispo Ettore Balestrero, por ocasião da 63ª sessão ordinária do Conselho dos Direitos Humanos: são necessários diálogo, compreensão e acompanhamento, para que os idosos permaneçam “membros ativos da sociedade, capazes tanto de receber quanto de oferecer sua contribuição

Giada Aquilino – Cidade do Vaticano

A dignidade da pessoa é “um dom de Deus” e não se apaga, mesmo quando as capacidades, o intelecto e a consciência se enfraquecem ou desaparecem. Foi o que reafirmou ontem o arcebispo Ettore Balestrero, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas e às outras organizações internacionais em Genebra, por ocasião da 63ª sessão ordinária do Conselho dos Direitos Humanos. Em sua declaração durante o diálogo interativo com o Especialista Independente sobre o exercício de todos os direitos humanos pelas pessoas idosas, o núncio apostólico destacou o “grave risco” – apontado em um relatório ad hoc anterior – de que, quando as capacidades cognitivas estão comprometidas, a pessoa “possa ser cada vez mais frequentemente representada por outros em vez de ser ouvida, como se uma capacidade reduzida significasse uma personalidade reduzida”.

Membros valiosos da sociedade

 

Ao citar a encíclica Magnifica humanitas, de Leão XIV, o arcebispo Balestrero recordou que a pessoa não é definida por sua consciência, seu intelecto ou suas capacidades: essas qualidades “podem se enfraquecer ou até mesmo desaparecer”, mas a dignidade da pessoa – reconhecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos “como fundamento de direitos iguais e inalienáveis” – “não desaparece com elas”. O reconhecimento da dignidade, destacou, acontece “sobretudo” no âmbito da família e da comunidade, onde cada pessoa é ouvida e apoiada. “Quando as pessoas idosas afetadas por déficits cognitivos podem viver nesses contextos, não são consideradas um peso a ser colocado de lado, mas – ressaltou – são vistas, ao contrário, como membros valiosos da sociedade”. A dependência e a fragilidade, acrescentou, “não negam nem obscurecem essa dignidade”; pelo contrário, “são uma manifestação da condição humana”.

Diálogo, compreensão e acompanhamento

 

Os idosos com déficits cognitivos, prosseguiu o observador permanente, “continuam a deter e exercer seus direitos, muitas vezes por meio de formas de apoio e de relacionamento”. É justamente por isso que “a resposta não deve ser a substituição, mas o diálogo, a compreensão e o acompanhamento”, para que permaneçam “membros ativos da sociedade, capazes tanto de receber quanto de oferecer sua contribuição”.


O Papa: a Igreja não está isolada do mundo, mas anuncia a esperança

 

Leão XIV recebeu os bispos nomeados recentemente que participam do curso de formação no Vaticano. Em seu discurso, ele assegurou que "nenhum bispo está sozinho" e os exortou a estarem próximos do povo, amando aqueles que Deus lhes confiou, especialmente os sacerdotes. O Pontífice olha para este tempo de mudanças e desenvolvimento tecnológico e indica a Magnifica humanitas como referência para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

“Nenhum bispo caminha sozinho.” Nenhum bispo deve abandonar seu povo, mas sim conhecer suas alegrias, tristezas e sonhos, mantendo “um coração aberto a todos” — incluindo cristãos de outras confissões e fiéis de outras religiões — e anunciando o Evangelho nesta época, por vezes “desconcertante”, de rápidas mudanças e desenvolvimento da inteligência artificial. Assim, o Papa se dirigiu a 147 bispos de cinco continentes. São os prelados nomeados no último ano que participam do curso anual de formação no Vaticano, um espaço para favorecer o diálogo, a orientação e o conhecimento entre os que provêm de diversos contextos eclesiais, culturais e sociais. Noventa e oito bispos inscritos no programa oferecido pelo Dicastério para os Bispos e 49 no programa oferecido pelo Dicastério para a Evangelização participaram desta edição.

Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje, foi o tema deste minicurso oferecido aos novos bispos, que começou em 2 de setembro e terminou na manhã desta quinta-feira, dia 10, com uma audiência com o Papa Leão XIV na Sala do Sínodo. Ele iniciou o encontro pedindo "uma oração pelo descanso eterno" do pai do cardeal Louis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que faleceu há alguns dias.

"Nenhum bispo caminha sozinho"

Leão XIV começou seu discurso dizendo estar "sinceramente feliz" com a "experiência única de fraternidade" vivida pelos prelados nos últimos dias: juntos eles "escutaram, rezaram, celebraram a Eucaristia". Tudo isso nos ajuda a lembrar "uma coisa muito simples e preciosa: nenhum bispo caminha sozinho", afirmou o Papa.

Vocês estão em minhas orações, e com vocês suas Igrejas: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, famílias, jovens, idosos, pobres, os que sofrem e aqueles que ainda aguardam o encontro com a alegria do Evangelho. Todos devem encontrar um lugar no coração do Bispo, porque todos já têm um lugar no coração de Cristo.

O desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial

Partindo dessa premissa, o Papa ofereceu algumas orientações concretas aos novos bispos para o seu ministério. Especialmente nesta "era de rápidas mudanças", em que "os avanços nas tecnologias de comunicação e na Inteligência Artificial abriram possibilidades que, até alguns anos atrás, nem sequer imaginaríamos". Essas oportunidades e novos cenários "certamente não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências: as crises que estamos vivendo demonstram isso tragicamente", enfatizou Leão.

Neste cenário complexo e, de certa forma, "perturbador", a Igreja "celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado". "Talvez porque viva fora do mundo?", questionou o Pontífice. "Pelo contrário, porque é enviada por Cristo, morto e ressuscitado, para proclamar o Evangelho da salvação a todos. E nós, bispos, somos os primeiros destinatários deste mandato." Ele apontou para a Encíclica Magnifica humanitas como referência para "uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial".

Encorajo-os a promover a reflexão e o diálogo suas dioceses, a formar e apoiar aqueles que querem comprometer-se a servir a civilização do amor.

O ministério nasce da proximidade com Jesus

O primeiro mandato que o Papa ofereceu aos bispos é o de "permanecer com Jesus". Isto é o mais importante, afirmou o Pontífice, porque "somos bispos", mas antes de tudo "discípulos". E para falar de Cristo, "precisamos estar com Ele". “Para guiar o seu povo, devemos deixar-nos guiar por Ele todos os dias.”

Por isso, valorize sempre o seu tempo com o Senhor: a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração e aqueles momentos em que você pode estar na sua presença com o coração simples do discípulo que se deixa amar pelo seu Senhor.

O ministério “nasce daí” e assim “o serviço torna-se mais sereno, mais livre e mais fecundo”.

Amar seu povo

Um segundo aspecto que o Papa Leão destacou foi ter um coração “totalmente doado aos irmãos”. Doado aos sacerdotes e diáconos que ordenarão, aos jovens sempre “cheios de entusiasmo”, aos religiosos e religiosas, aos missionários, aos catequistas e às famílias, testemunhas de uma “generosidade silenciosa”. “O bispo – afirmou – é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as tristezas do seu povo, a partilhar os seus sonhos, a alegrar-se ao ver crescer as comunidades”.

Amem as pessoas que o Senhor lhes confiou. Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas quando puderem, rezem com elas.

Portanto, a “presença” é importante, especialmente nas Igrejas jovens: “Ela diz muito, mesmo antes das palavras”. “Uma visita, uma bênção, um tempo dedicado a um sacerdote, ouvir uma família, conversar com um jovem: são pequenos gestos, mas que podem permanecer na alma de uma pessoa por toda a vida”, assegurou o Papa Leão XIV.

Que os sacerdotes encontrem no bispo um pai e um irmão

Na mesma linha, ele exortou à “solicitude pastoral”, que “não significa simplesmente ter muitas responsabilidades”, mas sim demonstrar a verdadeira “paternidade episcopal”, “ter uma grande alma, grande o suficiente para acolher a todos”. A esse respeito, Leão XIV citou o Papa Francisco, que lembrou que “a proximidade é uma das características de Deus com o seu povo”. “Palavras preciosas para nós!” O Papa Prevost afirmou: “Que as pessoas sintam, através da nossa presença, algo da ternura e da paternidade de Deus! E isto vale de modo especial para os sacerdotes.”

Neste ponto, o Pontífice recomendou “amar” os sacerdotes, para que eles encontrem no bispo “um pai e um irmão”.

O Papa os convidou a escutar e encorajar os sacerdotes, a rezar por eles, se alegrar com o bem que fazem e acompanha-los com confiança no seu ministério. Dediquem especial atenção aos idosos e aos doentes. Façam eles saber que são preciosos, que a Igreja lhes é grata e que o Bispo não os esquece. Por vezes, é suficiente um telefonema, uma visita, uma palavra de carinho da parte de vocês.

Um coração missionário aberto a todos

Leão XIV dirigiu uma palavra aos pastores das Igrejas “mais jovens”: “Vocês conhecem a beleza e também o trabalho da missão, de uma Igreja que talvez possua pouco, mas que é rica de uma grande fé. Por isso, convido-os a manter um coração missionário”, exortou o Papa. "O bispo missionário tem o coração aberto a todos: não só aos que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras denominações, aos fiéis de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade. Ele escuta e respeita a todos, aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem presente no coração de cada pessoa."

Caminhemos com o nosso povo: rezemos com ele, escutemos a Palavra com ele, celebremos a Eucaristia com ele. Busquemos a face do Senhor com ele todos os dias.


Homilia Diária | Pagar o ódio com o amor (Quinta-feira da 23ª Semana do Tempo Comum - 10/09/26)


 

SANTO DO DIA - 10 DE SETEMBRO: SÃO NICOLAU DE TOLENTINO