Caminhando
sábado, 18 de abril de 2026
DISCURSO DO SANTO PADRE EM ANGOLA
VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)
ENCONTRO COM AS AUTORIDADES, A SOCIEDADE CIVIL E O CORPO DIPLOMÁTICO
DISCURSO DO SANTO PADRE
Palácio Presidencial, Luanda
Sábado, 18 de abril de 2026
Senhor Presidente,
Distintas Autoridades e membros do Corpo Diplomático,
Senhoras e Senhores!
É para mim motivo de grande alegria estar entre vós. Obrigado, Senhor Presidente, pelo convite para visitar Angola e pelas palavras de boas-vindas. Venho até vós para encontrar o vosso povo, como um peregrino que procura os sinais da passagem de Deus por esta terra que Ele ama.
Antes de prosseguir, gostaria de assegurar a minha oração pelas vítimas das fortes chuvas e inundações que atingiram a província de Benguela, bem como expressar a minha proximidade com as famílias que perderam suas casas. Sei também que vós, angolanos, estais unidos em uma grande corrente de solidariedade em favor dos atingidos.
Desejo encontrar-vos na gratuidade da paz e constatar que o vosso povo possui tesouros que não se vendem nem se roubam. Em particular, possui em si uma alegria que nem mesmo as circunstâncias mais adversas conseguiram extinguir. Essa alegria, que também conhece a dor, a indignação, as desilusões e as derrotas, resiste e regenera-se entre aqueles que mantiveram o coração e a mente livres do engano da riqueza. Vós sabeis bem que, demasiadas vezes, se olhou e se olha às vossas terras para dar ou, mais frequentemente, para tirar algo. É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria.
A África é, para o mundo inteiro, uma reserva de alegria e esperança, que eu não hesitaria em definir como virtudes “políticas”, porque os seus jovens e os seus pobres ainda sonham, ainda esperam, não se contentam com o que já existe, desejam reerguer-se, preparar-se para grandes responsabilidades, empenhar-se em primeira pessoa. Com efeito, a sabedoria de um povo não se deixa esmorecer por nenhuma ideologia e, realmente, o desejo de infinito que habita o coração humano é um princípio de transformação social mais profundo do que qualquer programa político ou cultural. Estou aqui, entre vós, ao serviço das melhores forças que animam as pessoas e as comunidades de que Angola é um mosaico muito colorido. Desejo ouvir e encorajar aqueles que já escolheram o bem, a justiça, a paz, a tolerância e a reconciliação. Ao mesmo tempo, com milhões de homens e mulheres de boa vontade que constituem a principal riqueza deste país, pretendo também invocar a conversão dos que, escolhendo caminhos opostos, impedem o seu desenvolvimento harmonioso e fraterno.
Caríssimos, referia-me às riquezas materiais nas quais, inclusivamente no vosso país, interesses prepotentes põem as mãos. Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista! Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende impor-se como o único possível. O santo Papa Paulo VI, interpretando de forma penetrante as inquietudes do mundo juvenil, denunciava já há sessenta anos «o aspeto senil – totalmente anacrónico – de uma civilização comercial, hedonista, materialista, que ainda tenta passar por portadora do futuro». E observava: «Contra esta ilusão, a reação instintiva de numerosos jovens, apesar dos seus excessos, expressa um valor real. Esta geração aguarda outra coisa» (Exort. ap. Gaudete in Domino, VI). Graças a sabedorias muito antigas que alimentam o vosso pensar e o vosso sentir, vós sois testemunhas de que a criação é harmonia na riqueza da diversidade. Sempre que essa harmonia foi violada pela prepotência de alguns, o vosso povo sofreu. Ele traz as cicatrizes tanto da exploração material como da pretensão de impor uma ideia sobre outras. A África tem uma necessidade urgente de superar situações e fenómenos de conflitualidade e inimizade, que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão. Somente no encontro a vida floresce. No princípio, está o diálogo. Ele não exclui a divergência, que contudo pode tornar-se conflito.
O meu venerado predecessor, Papa Francisco, ofereceu-nos uma interpretação inolvidável: «Perante o conflito, alguns limitam-se a olhá-lo e passam adiante como se nada fosse, lavam-se as mãos para poder continuar com a sua vida. Outros entram de tal maneira no conflito que ficam prisioneiros, perdem o horizonte, projectam nas instituições as suas próprias confusões e insatisfações e, assim, a unidade torna-se impossível. Mas há uma terceira forma, a mais adequada, de enfrentar o conflito: é aceitar suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de ligação de um novo processo. «Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9)» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 227). Angola pode crescer muito, se, em primeiro lugar, vós, que detendes autoridade no país, acreditardes na multiformidade da sua riqueza. Não temais as divergências, nem extingais as visões dos jovens e os sonhos dos idosos. Sabei, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renovação. Colocai o bem comum acima do das partes, não confundindo nunca a vossa parte com o todo. Então, a história dar-vos-á razão, mesmo que, no imediato, alguns vos sejam hostis.
Referi-me à alegria e à esperança como características da vossa jovem sociedade. Normalmente, consideram-se sentimentos pessoais, privados. No entanto, elas são uma força intensa e expansiva, que contraria toda a resignação e a tentação de se fechar. Os déspotas e os tiranos do corpo e do espírito pretendem tornar as almas passivas e os ânimos tristes, propensos à inércia, dóceis e subjugados ao poder. Na tristeza, com efeito, ficamos à mercê dos nossos medos e fantasmas, refugiamo-nos no fanatismo, na submissão, no ruído mediático, na miragem do ouro, no mito identitário. O descontentamento, o sentimento de impotência e de desenraizamento separam-nos, em vez de nos colocarem em relação, difundindo um clima de estraneidade em relação aos assuntos públicos, desprezo perante a desgraça alheia e a negação de todo o tipo de fraternidade. Tal incongruência desagrega as relações fundamentais que cada um mantém consigo mesmo, com os outros e com a realidade. Como também observou o Papa Francisco: «A melhor maneira de dominar e avançar sem entraves é semear o desânimo e despertar uma desconfiança constante, mesmo disfarçada por detrás da defesa de alguns valores. Usa-se hoje, em muitos países, o mecanismo político de exasperar, exacerbar e polarizar» (Carta enc. Fratelli tutti, 15).
Desta alienação, liberta-nos a verdadeira alegria, que não por acaso a fé reconhece ser um dom do Espírito Santo. Como escreveu São Paulo, «onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17). A alegria é, efetivamente, o que intensifica a vida e impulsiona para o campo aberto da socialidade: cada um se alegra fazendo frutificar as suas capacidades relacionais, percebendo que contribui para o bem comum e vendo-se reconhecido como pessoa única e digna, numa comunidade de encontros que se multiplicam e ampliam o espírito. A alegria sabe traçar trajetórias mesmo nas regiões mais sombrias de estagnação e angústia. Caríssimos, examinemos, pois, o nosso coração, porque sem alegria não há renovação; sem interioridade não há libertação; sem encontro não há política; sem o outro não há justiça.
Juntos, podeis fazer de Angola um projeto de esperança. A Igreja Católica, cuja obra de serviço ao país sei o quanto estimais, deseja ser fermento na massa e promover o crescimento de um modelo justo de convivência, livre das escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias. Só juntos poderemos multiplicar os talentos deste povo maravilhoso, mesmo nas periferias urbanas e nas regiões rurais mais remotas, onde pulsa a sua vida e se prepara o seu futuro. Eliminemos os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, lutando e esperando com aqueles que o mundo rejeitou, mas que Deus escolheu. Foi assim, na verdade, que surgiu a nossa esperança: «A pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se pedra angular» (Sl 118, 22), Jesus Cristo, plenitude do homem e da história.
Que Deus abençoe Angola!
Obrigado.
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Igreja celebra hoje santa Bernadette Soubirous, a vidente de Nossa Senhora de Lourdes
Por Redação central
16 de abr de 2026 às 00:01
“Sim, mãe querida, tu baixaste até a Terra e apareceste a humílima menina... Tu rainha do céu e da terra quiseste escolher-me porque era o que de mais frágil havia no mundo”, disse em uma ocasião santa Bernadette Soubirus, a vidente de Nossa Senhora de Lourdes e cuja festa se celebra hoje (16).
Santa Bernadette nasceu em 7 de janeiro de 1844 em Lourdes (França). Recebeu como nome de batismo Marie-Bernard, mas costumavam chamá-la pelo diminutivo “Bernardette”. Sua família padeceu a mais absoluta pobreza.
Bernadette ficou sob responsabilidade de sua ama, que a enviou ao pastoreio de ovelhas, mas isso dificultava que ela se preparasse para receber a primeira comunhão. Era a única menina de quase 14 anos que não tinha recebido a Eucaristia. Como era muito boa pastora, obrigaram-na a cuidar mais tempo das ovelhas.
Mais adiante, pediu aos seus pais para voltar para casa, porque queria receber a primeira comunhão e seus pais aceitaram. Com este desejo é que lhe aparece a Virgem de Lourdes, que chamava a si mesma “a Imaculada Conceição”.
Depois das aparições, a humilde jovem se manteve simples e modesta, sem procurar a agitação nem popularidade. Recebeu sua primeira comunhão em 3 de junho de 1858, no dia de Corpus Christi daquele ano.
Recebeu incompreensões, zombarias e quase sempre estava doente. Sofria de vômitos com sangue, asma crônica, tuberculose, aneurisma, dor de estômago, deterioração do osso, abcessos nos ouvidos e um tumor no joelho.
A Virgem havia dito a santa Bernadette: “Não prometo fazer-te feliz neste mundo, mas sim no outro”.
Em 1860, as Irmãs da Caridade de Nevers, que serviam na escola e hospital, ofereceram a ela asilo. Lá, foi designada uma irmã que lhe ensinou a ler e escrever. Ao crescer, Bernadette também passou por momentos de vaidade, buscando ter uma boa aparência, mas essas coisas passaram rápido e não prejudicaram sua simplicidade de coração.
Mais tarde, decidiu abraçar a vida religiosa e pediu para ser aceita pela Madre Superiora. Aos 22 anos, foi pela última vez à amada gruta para despedir-se, antes de ingressar no noviciado.
Sua saúde decaiu seriamente e a madre superiora quis lhe dar o consolo de que pronunciasse os votos. Durante a cerimônia, ela fez gestos de consentimento, porque não podia falar, e lhe deram o véu de professa. Na manhã seguinte, despertou feliz e a madre superiora lhe disse para remover o véu e ela humildemente aceitou.
Em 30 de outubro de 1867, fez seus votos temporários aos 23 anos e, em 1878, emitiu os votos perpétuos. Depois, sua saúde se deteriorou e voltou para a enfermaria. Ali, sofreu muito, superou a tentação de pensar que não poderia ser salva, não se deixou vencer e se manteve serena.
Padeceu durante a Semana Santa de 1879. Em 16 de abril, pediu às religiosas que rezassem o Rosário. Após a conclusão de uma Ave-Maria, seu rosto expressou um sorriso, como se visse de novo a Virgem da gruta e partiu para a Casa do Pai às 3h15.
“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim pobre pecadora... pecadora”, foram suas últimas palavras. Seu corpo permanece incorrupto em sua capela em Nevers, com a aparência de estar adormecida.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Cameroon, Douala, Holy Mass, 17 April 2026 – Pope Leo XIV
VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)
HOMILIA DO SANTO PADRE
“Japoma Stadium” (Douala)
Sexta-feira, 17 de abril de 2026
Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho que acabámos de ouvir (Jo 6, 1-15) é palavra de salvação para toda a humanidade. Por toda a parte se proclama hoje esta Boa Nova, que para a Igreja nos Camarões ressoa como um anúncio providencial do amor de Deus e da nossa comunhão.
Com efeito, o testemunho do apóstolo João fala-nos de uma grande multidão (cf. vv. 2-5), tal como nós somos aqui e agora. Para toda essa gente, porém, há muito pouca comida: apenas «cinco pães de cevada e dois peixes» (v. 9). Observando esta desproporção, Jesus pede-nos hoje, tal como pediu então aos seus discípulos: de que forma resolveis este problema? Olhai quanta gente faminta, oprimida pelo cansaço. O que fazeis?
Esta pergunta é dirigida a cada um de nós: é dirigida aos pais e mães que cuidam das suas famílias. É dirigida aos pastores da Igreja, que velam pelo rebanho do Senhor. É dirigida a todos os que têm a responsabilidade social e política de olhar pelo povo e pelo seu bem. Cristo dirige esta pergunta aos poderosos e aos fracos, aos ricos e aos pobres, aos jovens e aos idosos, porque todos sentimos fome da mesma maneira. Esta carência nos lembra que somos criaturas. Precisamos de comer para viver. Não somos Deus: mas, precisamente, onde está Deus perante a fome das pessoas?
Enquanto aguarda as nossas respostas, Jesus dá a sua: «Tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram» (v. 11). Um grave problema é resolvido abençoando a pouca comida que há e repartindo-a por todos os que têm fome. A multiplicação dos pães e dos peixes acontece na partilha: eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa. Observemos bem o gesto de Jesus: quando o Filho de Deus toma o pão e os peixes, antes de mais nada dá graças. Agradece ao Pai por um bem que se torna dom e bênção para todo o povo.
Fazendo assim, a comida torna-se abundante: não é racionada por causa de uma emergência, não é roubada por causa de disputas, não é desperdiçada por quem se banqueteia diante daqueles que não têm nada para comer. Passando das mãos de Cristo para as dos seus discípulos, a comida aumenta para todos; mais ainda, sobra (cf. vv. 12-13). A multidão, admirada com o que Jesus fez, exclama: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» (v. 14), ou seja, aquele que fala em nome de Deus, o Verbo do Omnipotente. E é verdade, mas Jesus não usa estas palavras tendo em vista um sucesso pessoal: não quer tornar-se rei (cf. v. 15), porque veio para servir com amor, não para dominar.
O milagre que Ele realizou é um sinal desse amor: mostra-nos não só como Deus alimenta a humanidade com o pão da vida, mas também como podemos levar esse alimento a todos os homens e mulheres que, tal como nós, têm fome de paz, liberdade e justiça. Cada gesto de solidariedade e perdão, cada iniciativa de bem é um pedaço de pão para a humanidade necessitada de cuidados. E, no entanto, isto não basta. Na verdade, ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma, que nutre a nossa consciência, que nos sustenta na hora sombria do medo, nas trevas do sofrimento. Este alimento é Cristo, que sempre alimenta em abundância a sua Igreja e com o seu Corpo nos fortalece ao longo do caminho.
Irmãs e irmãos, a Eucaristia que estamos a celebrar torna-se, assim, fonte de uma fé renovada, pois Jesus está presente no meio de nós. O Sacramento não reaviva uma memória distante no tempo, mas realiza uma “com-panhia” que nos transforma, porque nos santifica. Felizes os convidados para a ceia do Senhor! Em torno da Eucaristia, esta mesma mesa torna-se anúncio de esperança nas provações da história e nas injustiças que vemos à nossa volta. Torna-se sinal da caridade de Deus, que em Cristo nos convida a partilhar o que temos, para que seja multiplicado na fraternidade eclesial.
O Senhor abraça o céu e a terra, conhece o nosso coração e todas as situações, felizes ou tristes, que atravessamos. Fazendo-se homem para nos salvar, Ele quis partilhar as necessidades da humanidade, a começar pelas mais simples e quotidianas. A fome revela, então, não só a nossa carência, mas sobretudo o seu amor: lembremo-nos disso sempre que o nosso olhar se cruzar com o do irmão e da irmã a quem falta o necessário. Com efeito, aqueles olhos repetem-nos a pergunta que Jesus fez aos seus discípulos: «O que fazeis por toda esta gente?» É certo que ser testemunhas de Cristo, imitando os seus gestos de amor, implica frequentemente dificuldades e obstáculos, tanto fora como dentro de nós, onde o orgulho pode corromper o coração. Nestes momentos, porém, repitamos com o salmista: «O Senhor é minha luz e salvação: de quem terei medo?» (Sl 27, 1). Se por vezes vacilarmos, Deus encoraja-nos sempre: «Confia no Senhor! Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!» (v. 14).
Caríssimos jovens, dirijo-vos especialmente este convite, porque sois os filhos amados da terra africana! Como irmãos e irmãs de Jesus, multiplicai os vossos talentos com a fé, a tenacidade e a amizade que vos animam. Sede vós, em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida: alimento de sabedoria e de libertação de tudo aquilo que não nos nutre, mas que, pelo contrário, confunde os nossos bons desejos e nos rouba a dignidade.
Mesmo no vosso país tão fértil, Camarões, muitos experimentam a pobreza, tanto a material como a espiritual. Não cedais à desconfiança e ao desânimo; rejeitai toda a forma de abuso e de violência, que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e tornam-no insensível. Não vos esqueçais de que o vosso povo é ainda mais rico do que esta terra, pois o seu tesouro são os seus valores: a fé, a família, a hospitalidade, o trabalho. Sede, pois, protagonistas do futuro, seguindo a vocação que Deus concede a cada um, sem vos deixardes comprar por tentações que desperdiçam as energias e não servem ao progresso da sociedade.
Para que o vosso espírito corajoso se torne uma profecia do mundo novo, tomai como exemplo o que ouvimos nos Atos dos Apóstolos. Os primeiros cristãos dão, com efeito, um testemunho corajoso do Senhor Jesus perante dificuldades e ameaças, e perseveram mesmo entre os ultrajes (cf. Act 5, 40-41). Estes discípulos «todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Boa-Nova de Jesus, o Messias» (v. 42), isto é, o Libertador do mundo. Sim, o Senhor liberta do pecado e da morte. Anunciar com constância este Evangelho é a missão de todo o cristão: é a missão que vos confio especialmente a vós, jovens, e a toda a Igreja que vive nos Camarões. Tornai-vos Boa Nova para o vosso país, tal como o é, por exemplo, o Beato Floribert Bwana Chui para o povo congolês.
Irmãos e irmãs, ensinar significa deixar uma marca, tal como o agricultor faz com o arado no campo, para que o que semeia dê fruto. É assim que o anúncio cristão muda a nossa história, transformando as mentes e os corações. Anunciar Jesus Ressuscitado significa traçar sinais de justiça numa terra sofredora e oprimida, sinais de paz entre rivalidades e corrupções, sinais de fé que nos libertam da superstição e da indiferença. Com este Evangelho no coração, dentro de pouco partilharemos o Pão eucarístico, que nos sacia para a vida eterna. Com fé alegre, peçamos ao Senhor que multiplique entre nós o seu dom, para o bem de todos.
Copyright © Dicastério para a Comunicação - Libreria Editrice Vaticana
Em um minuto, o quarto dia da visita do Papa à África
Vatican News
O momento em que o Papa e alguns membros da comunidade de Bamenda soltaram algumas pombas no final do Encontro pela Paz, foi um dos acontecimentos marcantes de, 16 de abril, dia em que o Papa passou pela cidade, situada a uma hora de voo da capital, na região ocidental de Camarões, devastada pela violência entre separatistas anglófonos e as forças do governo central. Ali, na catedral de São José, o Pontífice advertiu para que as religiões não fossem instrumentalizadas para objetivos militares, econômicos e políticos. Líderes tradicionais, religiosas e famílias de deslocados deram seu testemunho de sofrimento e coragem. Em seguida, a celebração da missa numa área montada no aeroporto da cidade, com cerca de vinte mil fiéis exultantes de alegria pela presença de um hóspede tão esperado. Leão deu ao povo um impulso de energia espiritual, incitando-o a recompor, agora, e não no futuro, “o mosaico da unidade, unindo as diversidades”.
Papa: cada gesto de solidariedade e perdão é um pedaço de pão para a humanidade
Thulio Fonseca - Vatican News
Na manhã desta sexta-feira, 17 de abril, terceiro dia da viagem apostólica a Camarões, o Papa Leão XIV deixou Yaoundé em direção a Douala. No Japoma Stadium, construído no alto de uma colina, presidiu à Santa Missa diante de numerosos fiéis que o acolheram com entusiasmo, saudando-o com alegria à sua chegada a bordo do papamóvel.
O milagre que nasce da partilha
Na homilia, proferida em francês e inglês, o Santo Padre partiu do Evangelho da multiplicação dos pães para refletir sobre a realidade humana marcada pela necessidade e pela responsabilidade comum. Recordando a multidão faminta, afirmou que a pergunta de Jesus continua atual e dirigida a todos: “Olhai quanta gente faminta, oprimida pelo cansaço. O que fazeis?” O Papa sublinhou que essa interrogação envolve cada pessoa, independentemente de sua condição, pois todos experimentam a mesma fome e fragilidade. Diante disso, destacou que a resposta de Cristo não é teórica, mas concreta: a partilha.
“A multiplicação dos pães e dos peixes acontece na partilha: eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa. Observemos bem o gesto de Jesus: quando o Filho de Deus toma o pão e os peixes, antes de mais nada dá graças. Agradece ao Pai por um bem que se torna dom e bênção para todo o povo.”
Um pão que alimenta corpo e alma
Leão XIV recordou ainda que, além do alimento material, a humanidade necessita de um alimento mais profundo: “Ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma.” Esse alimento, afirmou, é o próprio Cristo, presente na Eucaristia, que fortalece e sustenta o caminho dos fiéis. A celebração eucarística torna-se, assim, fonte de esperança e sinal concreto da caridade de Deus, capaz de transformar a história.
Dirigindo-se especialmente aos jovens, o Papa fez um forte convite à responsabilidade e ao protagonismo: “Sede vós, em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida.” Exortou-os a não cederem ao desânimo nem às ilusões de ganhos fáceis, mas a valorizarem os dons do seu povo, a fé, a família, a hospitalidade e o trabalho, tornando-se construtores do futuro:
“Mesmo no vosso país tão fértil, Camarões, muitos experimentam a pobreza, tanto a material como a espiritual. Não cedais à desconfiança e ao desânimo; rejeitai toda a forma de abuso e de violência, que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e tornam-no insensível.”
Testemunhas de esperança
O Santo Padre concluiu encorajando todos a viverem o Evangelho com coragem, mesmo em meio às dificuldades, recordando que anunciar Cristo significa transformar a realidade com sinais concretos de justiça, paz e fé, e concluiu:
"Anunciar Jesus Ressuscitado significa traçar sinais de justiça numa terra sofredora e oprimida, sinais de paz entre rivalidades e corrupções, sinais de fé que nos libertam da superstição e da indiferença."
Ao término da celebração, o arcebispo de Douala, dom Samuel Kledal, dirigiu palavras de agradecimento ao Pontífice. Em seguida, o Papa seguiu para uma visita privada ao Hospital Católico Saint Paul de Douala. Posteriormente, retornou a Yaoundé, onde prossegue sua agenda. Ainda nesta sexta-feira, está previsto um encontro com jovens universitários no final da tarde.
Papa encontra um grupo de líderes muçulmanos em Camarões: comunicar a paz
Vatican News
Na noite desta quinta-feira, 16 de abril, às 19h30, após seu retorno à Nunciatura, o Papa Leão XIV se reuniu com um grupo de 12 representantes de algumas comunidades islâmicas camaronenses, alguns dos quais haviam sido recebidos em Roma pelo Papa em dezembro. Com eles e com suas respectivas comunidades, estão em andamento projetos de cooperação e justiça social com a Igreja, para o apoio às camadas mais pobres da população do país. A informação foi divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé através do seu canal no Telegram.
A saudação aos representantes das comunidades islâmicas
O Papa, segundo o comunicado, saudou cada um individualmente e ouviu as palavras de boas-vindas e agradecimento dirigidas a ele pelos presentes, especialmente pelo trabalho conjunto com a Igreja, pela visita papal e pelas palavras sobre o diálogo e a paz proferidas em Bamenda. Leão XIV dirigiu então algumas palavras aos representantes muçulmanos, expressando felicidade por viver o encontro com eles e gratidão por ter sido acolhido com tanta alegria por todos em Camarões: cristãos, católicos e não católicos, muçulmanos, pessoas de religiões tradicionais, todos celebrando este dom compartilhado.
Paz que nasce do reconhecimento de que somos irmãos e irmãs
O Pontífice, prossegue o comunicado, citou também as críticas e as divisões que às vezes se insinuam entre as crenças e as religiões, o que torna ainda mais grave a responsabilidade que decorre do encontro, para todos: a de “continuar a comunicar o desejo de todos de encontrar a paz, não uma paz de indiferença, não uma paz que retira a riqueza das diferenças, mas uma paz que nasce quando reconhecemos que todos somos irmãos e irmãs, todos criaturas de Um só, todos chamados a respeitar a dignidade de todos”. Em Camarões, explicou o Papa, há uma grande possibilidade de realizar esse sonho, como um desejo que se torna compromisso. Leão XIV encorajou os presentes a continuarem nesse belo caminho, a levar a mesma mensagem, o mesmo sonho, a outros, aos muçulmanos e a todos aqueles que não compreendem, mas podem aprender a ver a beleza da fraternidade, trazendo grande benefício a todo Camarões.
O encontro com os bispos de Camarões
Na noite desta terça-feira, por sua vez, ao final da primeira tarde em Camarões, o Papa teve um encontro com os bispos do país. O Pontífice destacou o grande valor da comunhão, dom a ser feito seu na Igreja e compartilhado em um mundo dividido, dilacerado por conflitos e polarizações, e o da vida espiritual dos pastores, que os torna testemunhas autênticas; e citou a bênção que provém das muitas vocações em Camarões, e o desafio que daí decorre, de formar os jovens com responsabilidade, nos planos espiritual, intelectual e emocional, sacerdotes cuja única autoridade seja o serviço, seguindo o modelo de Lavar os Pés realizada por Jesus e repetida na Quinta-feira Santa. Em resposta às perguntas de alguns dos bispos presentes, Leão XIV abordou vários temas de grande atualidade para o país.