Caminhando
sábado, 18 de julho de 2026
Cristãos do centro da Síria celebram primeira Divina Liturgia desde o início da guerra
Por Souhail Lawand
17 de jul de 2026 às 14:31
Entre os carvalhos, pinheiros, nogueiras e oliveiras que rodeiam a aldeia de Ghassaniyeh, na zona rural de Idlib, na Síria, ouviram-se novamente orações segundo o solene rito bizantino, depois de uma ausência de mais de 14 anos.
O metropolita Atanásio Fahd, arcebispo ortodoxo grego de Latakia e seus territórios dependentes, celebrou a primeira Divina Liturgia para a paróquia desde o início da guerra civil na Síria.
A liturgia foi realizada no salão da igreja de São Jorge porque o próprio edifício da igreja sofreu grandes danos nos anos anteriores.
Na celebração, fiéis acenderam velas diante do ícone de são Jorge, o santo padroeiro da vila, simbolizando o retorno da vida espiritual à comunidade e o início de um novo capítulo. Os moradores esperam que essa iniciativa os ajude a restaurar sua conexão com a natureza em sua terra natal.
Fahd disse à ACI MENA, agencia em árabe da EWTN, que a celebração foi um primeiro passo para encorajar o povo de Ghassaniyeh a voltar às suas terras.
Ele expressou alegria ao ver a felicidade nos rostos daqueles que participaram da liturgia. Ele disse também que a cooperação entre a Igreja e os moradores tornou possível preparar o salão da igreja como um centro que atende às necessidades da comunidade.
O metropolita disse que o espaço terá duas finalidades principais.
Seu primeiro propósito é espiritual, proporcionando um local para orações e liturgias que permanecem no centro da vida cristã.
Seu segundo propósito é social. O salão permanecerá aberto aos moradores como um espaço comunitário, especialmente para aqueles que retornam para visitar suas terras agrícolas ou que ficam temporariamente na vila, mas ainda não têm uma casa adequada para morar ou um lugar para descansar.
Um morador falou sobre os anos difíceis que a vila enfrentou. Ele disse que Ghassaniyeh foi atingida por barris explosivos e mísseis lançados por forças ligadas ao antigo governo, causando destruição generalizada e forçando a maioria dos moradores a sair.
Ele disse que as condições agora estão mais estáveis, a liberdade de movimento melhorou e os moradores começaram a voltar para suas casas e terras agrícolas.
Uma mulher que voltou recentemente à aldeia também falou sobre a alegria de estar de volta ao lar. Ela disse que voltou depois de 14 anos de ausência e que começou a reconstruir sua casa e a adquirir os suprimentos básicos necessários para torná-la habitável.
O caminho de volta para casa continua difícil, especialmente devido à necessidade de reconstruir casas e reparar a infraestrutura.
A Igreja continua apoiando moradores enquanto eles restauram suas casas e reconstroem suas vidas. Nos últimos meses, também tem trabalhado para resolver problemas relacionados às suas propriedades e terras agrícolas, inclusive terras que estavam sob o controle de facções armadas estrangeiras, como grupos uigures e turquestanos.
A visita de Fahd foi a sua segunda a Ghassaniyeh, depois de uma visita de inspeção em maio.
A Igreja latina também celebrou sua primeira missa na vila em novembro do ano passado, oferecendo mais um sinal da determinação da comunidade cristã em voltar.
- (acidigital)
Hoje é celebrado santo Arsênio, monge que renunciou a uma grande herança
Santo Arsênio | ACI DigitalPor Redação central
18 de jul de 2026 às 00:15
Hoje (18), a Igreja recorda santo Arsênio, monge eremita que viveu entre os séculos IV e V, famoso por sua sabedoria e virtude. Muitas pessoas iam ao seu encontro em busca de conselhos espirituais. Alguns viajavam semanas ou até meses para encontrar conforto ou alguma luz em suas palavras.
Santo Arsênio é um dos Padres do Deserto.
"Eu te seguirei onde quer que vás" (Lc 9, 57)
Acredita-se que Arsênio tenha nascido em Roma por volta do ano 350. Possivelmente pertencia a uma família nobre e foi educado com cuidado e pureza. No ano de 383, o imperador Teodósio I, o Grande, ordenou que ele fosse tutor de seus filhos, seguindo o conselho do papa são Dâmaso I. Por pouco mais de dez anos, o santo viveu no palácio do imperador como tutor dos jovens Arcádio e Honório, filhos do imperador.
Aos 40 anos, após uma profunda crise espiritual, Arsênio compreendeu que Deus lhe pedia uma mudança total em sua vida: “Afaste-se do trato com as pessoas e vá para a solidão”. Assim, deixou Constantinopla, onde estava naquele momento, e embarcou secretamente em direção a Alexandria, até chegar ao deserto de Scete.
Colocado em prova
Arsênio se apresentou no mosteiro do local por volta do ano 400. O abade, ciente de sua nobreza e refinamento, submeteu-o a um regime muito exigente com o objetivo de testar sua vocação. Ele jogou sua comida no chão e disse a ele "coma". Arsênio agradeceu ao abade e ajoelhou-se para recolher a comida. Todos ficaram impressionados com seu bom temperamento e humildade.
Arsênio, nesse sentido, mostrava-se apto para uma vida de mortificação e sacrifício. Ele foi admitido na vida monástica.
Morto para as coisas do mundo
Santo Arsênio ficaria conhecido por seu espírito penitente e alma obediente. Era comum ele passar a noite em oração, mortificando-se com jejuns e trabalhos braçais. Ele escrevia e repetia "frases", breves frases de caráter instrutivo, que eram de grande ajuda para seus irmãos ou para quem o ouvia falar.
Em certa ocasião, disseram-lhe que um senador romano havia lhe deixado uma grande fortuna. O santo renunciou a ela para dar aos pobres. Referindo-se ao doador, ele exclamou: "Antes que ele morra em seu corpo, eu morri em minhas ambições e ganância. Não quero riquezas mundanas que me impeçam de adquirir as riquezas do céu".
São Arsênio morreu em Troe, Egito, no ano 445.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Arcebispo Gallagher em missão na Ucrânia: “condições justas para uma paz justa”
Roberto Paglialonga – enviado a Lviv
Um céu ensolarado acolhe o início da missão na Ucrânia do arcebispo Paul Richard Gallagher, na qualidade de legado pontifício para as celebrações do aniversário de 35 anos da reabertura das instalações da Igreja Católica de rito latino, que, conforme anunciado em uma postagem na conta X @TerzaLoggia da Secretaria de Estado, serão realizadas no domingo, 19 de julho, no Santuário de Nossa Senhora do Monte Carmelo, em Berdychiv. A ocasião serve também para relembrar a viagem de João Paulo II, que visitou o país em 2001.
O secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais da Santa Sé, que pousou em Cracóvia, na Polônia (o espaço aéreo ucraniano está fechado devido à guerra), na quinta-feira, 16 de julho, seguiu viagem de carro junto com o núncio apostólico em Kiev, o arcebispo Visvaldas Kulbokas. Ele permanecerá no país até terça-feira, 21.
A travessia de carro pela fronteira de Krakovets
Após a passagem pelo posto fronteiriço de Krakovets – com filas intermináveis de carros tanto na entrada quanto na saída do país, alguns chegam a esperar de 8 a 10 horas sem a certeza de obter permissão para o trânsito –, onde a delegação do Vaticano foi recebida pelo embaixador ucraniano junto à Santa Sé, Andrii Yurash, juntamente com representantes do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, e após a passagem por algumas aldeias situadas além da fronteira, a primeira parada foi em Lviv. Cidade com um patrimônio histórico, artístico e arquitetônico visível, que remonta aos períodos polonês e austro-húngaro, fundada oficialmente em 1256 pelo rei Danilo da Galícia (o nome foi dado em homenagem a seu filho Leão) no principado ruto da Galícia-Volínia, cujo centro urbano foi incluído em 1998 na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. A própria Lviv foi atingida várias vezes por ataques russos 0 a última vez no final de março de 2026.
Restaurar a paz nesta parte da Europa
Aqui, Gallagher, recebido pelo arcebispo católico de Lviv, Mieczyslaw Mokrzycki, na manhã de sexta-feira (17/07), reuniu-se na cúria arcebispal com um grupo de autoridades da região e da cidade. “Um fim justo para a guerra significa trazer de volta a paz a esta parte da Europa”, afirma o representante da Santa Sé, acrescentando que a Igreja e o Papa Leão XIV “não esquecem os sofrimentos do povo ucraniano e seus sacrifícios. Devemos criar as condições adequadas para uma paz justa”. Às 9h em ponto, na capela do local, foi realizado um momento de oração e silêncio pelas vítimas do conflito: um momento comovente e significativo que é observado em toda a Ucrânia à mesma hora desde o início das hostilidades, em fevereiro de 2022, de forma espontânea, tornando-se mais recentemente uma norma legal: trabalhadores, estudantes, cidadãos, todos param, descendo dos carros ou interrompendo tudo por um minuto de reflexão.
A visita à Universidade de Lviv
Em seguida, ele visitou a Universidade Católica da cidade, que conta com cerca de 30 mil alunos matriculados, tanto on-line quanto presencialmente. O terreno onde fica a universidade, equipado com bunkers especiais onde também podem se refugiar os moradores dos bairros vizinhos em caso de ataque, foi adquirido pelas autoridades ucranianas em 1998, que mandaram construir ali um campus futurista (com sete faculdades), tendo no centro uma igreja. No local onde ela se encontra agora, estava inicialmente prevista a construção de escritórios dedicados à propaganda soviética. Os prédios, embora não tenham sido atingidos diretamente, sofreram de perto os bombardeios russos.
Há dois anos, um míssil caiu a poucas centenas de metros, causando de 7 a 8 vítimas. No total, são cerca de 40 mortos ligados à universidade, entre estudantes e seus familiares. “A guerra está aqui”, ressalta durante o encontro o reitor da universidade, o bispo metropolita greco-católico Borys Gudziak, ao receber o arcebispo Gallagher e apresentar as instalações e atividades acadêmicas. Entre elas, o apoio direto a muitas pessoas com deficiência, acolhidas em ambientes que são parte integrante da universidade: a delegação conversa com elas por alguns minutos, ouvindo suas histórias por meio do relato da responsável pelo programa de formação do Colégio Universitário, a Ir. Maria Radist, e compartilhando reflexões de esperança para o futuro. “Todos estão empenhados em prestar assistência e ajuda: os estudantes que vêm até nós recebem uma educação integral, que inclui também a capacidade de se doar pelos outros”, conclui Gudziak.
Em Kiev, o encontro com Shevchuk
Na noite desta sexta-feira (17/07), após uma parada na Igreja São João Paulo II, em Rivne, irá à nunciatura apostólica de Kiev, onde Gallagher se reunirá com o arcebispo-mayor greco-católico de Kiev-Halyc, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk.
Leão XIV vai assistir concerto de verão em Castel Gandolfo
Por Ishmael Adibuah
16 de jul de 2026 às 16:06
O papa Leão XIV, que restaurou a tradição papal interrompida pelo papa Francisco de passar parte do verão em Castel Gandolfo, Itália, deverá assistir a um concerto de música clássica no próximo sábado (18).
O Concerto em Honra ao Santo Padre Leão XIV vai acontecer no pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo, onde ele está hospedado de 5 a 27 de julho. A diocese suburbicária de Albano, que fica nas proximidades, vai oferecer o evento como um presente ao papa para marcar a renovação da presença papal na cidade à beira do lago, que faz parte da diocese.
Leão XIV, como cardeal Robert Prevost, foi o cardeal-bispo titular da diocese de Albano antes de sua eleição para o papado no ano passado.
Em comunicado de imprensa divulgado hoje (16) pela diocese, o bispo de Albano, Itália, Vincenzo Viva, descreveu o concerto como uma expressão da alegria e proximidade da diocese com o papa.
“A presença renovada do Santo Padre em nosso território diocesano encheu de alegria nossa Igreja local e seus habitantes”, disse Viva em comunicado. “Desejamos oferecer esse concerto sinfônico como um gesto de afeto e comunhão, e o programa que elaboramos revela momentos de raro esplendor”.
O concerto apresentará repertório clássico de Niccolò Paganini e Vincenzo Bellini. A apresentação ficará a cargo da orquestra I Musici di Parma, de Parma, Itália.
O papa Leão XIV decidiu passar parte deste verão de férias no palácio apostólico de Castel Gandolfo, depois de o papa Francisco ter escolhido por não passar os seus verões lá em todo o seu pontificado de 12 anos. O complexo abrange também os Jardins Pontifícios, entre os quais o jardim Borgo Laudato Si'.
O concerto do próximo sábado será a segunda aparição pública de Leão XIV (além do seu Ângelus do domingo passado) em Castel Gandolfo até o momento, depois do almoço com os pobres no jardim do Borgo Laudato Si' em 11 de julho. Com exceção do Ângelus de domingo, todas as audiências, privadas e públicas, inclusive a audiência geral de quarta-feira, estão suspensas em suas férias.
Especialistas assinam declaração de Roma sobre limites para IA e armas nucleares
Por Ishmael Adibuah
16 de jul de 2026 às 16:18
Inspirados pela encíclica Magnifica humanitas, do papa Leão XIV, cerca de 200 acadêmicos, inovadores e laureados com o prêmio Nobel assinaram hoje (16) uma declaração em Roma, Itália, pedindo o desenvolvimento responsável da inteligência artificial (IA) e a eliminação completa das armas nucleares.
“Precisamos desarmar a próxima corrida armamentista, tanto em inteligência artificial quanto nuclear, antes que elas definam também o próximo século”, disse a declaração.
Segundo o Vatican News, serviço de informações da Santa Sé, a assinatura da declaração por “uma paz desarmada e desarmante na era da inteligência artificial, das armas nucleares e autônomas, dos novos protocolos digitais e dos modelos emergentes de desenvolvimento digital” ocorreu no salão Giulio Cesare, no Palazzo Senatorio, a prefeitura de Roma, no topo do monte Capitolino.
A assinatura também encerrou a assembleia global de Laureados com o Prêmio Nobel sobre Inteligência Artificial e Guerra Nuclear, realizada de 14 a 16 de julho no Borgo Laudato Si', parte dos jardins pontifícios de Castel Gandolfo, onde o papa Leão XIV está hospedado de 5 a 27 de julho.
Entre as pessoas presentes na assinatura estavam o vigário-geral de Roma, cardeal Baldassare Reina; o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri; e Sharon Stone, atriz de Hollywood.
Por uma paz desarmada e libertadora
A declaração apelou aos governos e às empresas para que desacelerem o desenvolvimento da IA, interrompam a expansão das armas nucleares e trabalhem para a sua eliminação total.
“Apelamos aos governos, às empresas e às organizações internacionais para que promovam uma desaceleração coordenada do desenvolvimento de inteligência artificial de ponta”, disse a declaração. “Apelamos a negociações urgentes, sustentadas e de boa-fé que conduzam, dentro de um quadro acordado e com prazos definidos, à eliminação verificável e irreversível das armas nucleares”.
Segundo um comunicado de imprensa divulgado hoje (16), a declaração e a cúpula foram inspiradas pela encíclica Magnifica humanitas, escrita por Leão XIV.
“O papa Leão XIV, invocando valores comuns a todas as tradições religiosas, apelou à humanidade para uma paz desarmada e desarmante”.
Uma corrida pela sobrevivência da humanidade
Discursando na assinatura da declaração, Reina falou sobre a importância dela para a sobrevivência da humanidade em meio às ameaças de guerra nuclear e uso indevido da inteligência artificial.
"A declaração apresentada hoje nos lembra com muita clareza que nenhuma máquina, nenhum algoritmo e nenhum sistema autônomo pode ser colocado no centro das decisões das quais depende a sobrevivência da humanidade", disse Reina.
O professor David Gross, laureado com o prêmio Nobel de Física e professor de física teórica na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, EUA, falou sobre a necessidade de países com armas nucleares adotarem políticas para reduzir o risco de guerra nuclear.
“Estamos no meio de uma corrida armamentista acelerada”, disse Gross.
“Solicitamos que os países com armas nucleares promovam políticas que reduzam o risco de guerra, guerra nuclear e aniquilação”, disse ele.