Caminhando
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Hoje celebramos Nossa Senhora do Carmo, a mais bela flor do jardim de Deus
Nossa Senhora do Carmo | ACI DigitalPor Redação central
16 de jul de 2026 às 00:01
Segundo a tradição, no dia 16 de julho de 1251, são Simão Stock, superior dos carmelitas, encontrava-se em profunda oração rogando por seus religiosos perseguidos quando a Virgem lhe apareceu com o hábito da Ordem na mão e entregou-lhe o escapulário.
Tempos depois, a devoção a Nossa Senhora do Carmo foi florescendo e a espiritualidade carmelita se estendeu por vários lugares do mundo.
A festa de Nossa Senhora do Carmo, que se celebra hoje, 16 de julho, é ainda símbolo do encontro entre a Antiga e a Nova Aliança, porque foi no monte Carmelo (vocábulo hebreu que significa jardim) onde o profeta Elias defendeu a fé do povo escolhido contra os pagãos.
Elias e Eliseu permaneceram no Monte Carmelo e com seus discípulos viveram de maneira contemplativa, como eremitas em oração. Em meados do século XII de nossa era, são Bertolo fundou a Ordem do Carmelo e vários sacerdotes foram viver no Carmelo como eremitas.
Por volta de 1205, santo Alberto, patriarca de Jerusalém, entregou aos eremitas do Carmelo uma regra de vida, que foi aprovada pelo papa Honório III em 1226. Eles tinham a missão de viver na forma de Elias e de Maria Santíssima, a quem veneravam como a Virgem do Carmo.
No século XIII, o papa Inocêncio IV concedeu aos carmelitas o privilégio de ser incluídos entre as ordens mendicantes junto com os franciscanos e dominicanos. Os carmelitas passaram por algumas reformas, sendo a maior delas a realizada por santa Teresa d´Ávila (Santa Teresa de Jesus) e são João da Cruz. Através dos séculos, esta espiritualidade deu muitos santos à Igreja.
Oração à Nossa Senhora do Carmo
Ó bendita e imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo! Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário, olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto de vossa fraqueza com o vosso poder, iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Ornai minha alma com a graça e as virtudes que a tornem agradável ao vosso divino Filho. Assisti-me durante a vida, consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado; e lá do céu, eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade.
Nossa Senhora do Carmo libertai as benditas almas do purgatório. Amém!
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Orações à Virgem do Carmo
Por Redação central
15 de jul de 2026 às 01:00
Amanhã (16) é o dia de Nossa Senhora do Carmo. A seguir, algumas orações á Virgem do Carmo.
Bendita e imaculada Virgem Maria, beleza e glória do Carmelo, vós, que tratais com bondade inteiramente especial aqueles que se vestem com vosso amantíssimo hábito, volvei sobre mim também um olhar propício e cobri-me com o manto de vossa maternal proteção.
Por vosso poder, fortificai minha fraqueza; por vossa sabedoria, esclarecei meu espírito; em mim aumentai a fé, a esperança e a caridade. Ornai minha alma com graças e virtudes que a façam cara a vosso Divino Filho e a vós.
Assisti-me durante a vida, consolai-me na morte por vossa amável presença e apresentai-me à Augusta Trindade como vosso filho e servo dedicado, para vos louvar e bendizer eternamente.
Amém!
Ó Senhora do Carmo, revestido(a) de vosso escapulário eu vos peço que ele seja para mim sinal de vossa materna proteção em todas as necessidades, nos perigos e nas aflições da vida. Acompanhai-me com vossa intercessão, para que eu possa crescer na fé, esperança e caridade, seguindo a Jesus e praticando a Sua Palavra. Ajudai-me, ó mãe querida, para que, levando com devoção vosso santo escapulário, alcance a graça de morrer piedosamente como ele, na graça de Deus, e assim chegar à vida eterna.
Amém.
Súplica à Virgem do Carmo
Dos inimigos da alma: livrai-nos.
Em nossos desencontros: iluminai-nos.
Em nossas dúvidas e dores: confortai-nos.
Em nossas tentações: defendei-nos.
Nas horas difíceis: consolai-nos.
Com vosso coração maternal: amai-nos.
Com vossa imensa bondade: protegei-nos.
E com os vossos braços abertos: recebei-nos.
Virgem do Carmo, rogai por nós!
Amém.
A oração em ucraniano de Zuppi em Kiev: “que Deus conceda uma paz justa”
Salvatore Cernuzio – Vatican News
Para aquele mesmo céu de onde, até a última noite, caíram mísseis que destruíram infraestruturas civis, o cardeal Matteo Maria Zuppi, da capital Kiev, elevou uma oração em ucraniano a “Deus Todo-Poderoso” pela “querida Ucrânia”, pedindo bênção e proteção:
“Conceda uma paz justa, para que os prisioneiros possam voltar para casa, as crianças possam abraçar novamente suas famílias, os desaparecidos sejam encontrados e todos possam chorar diante do corpo do seu ente querido que morreu. Inspire em cada um de nós a coragem e a sabedoria para sermos construtores de paz…”
O presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) está nesta quarta-feira, 15 de julho, em seu terceiro dia de missão no país atacado, onde chegou na noite de segunda-feira, dia 13, partindo da região de Lviv até chegar na noite de terça (14/07) a Kiev, para levar a solidariedade do Papa Leão XIV e fortalecer os contatos e canais já estabelecidos com a primeira missão de 2023 promovida pelo Papa Francisco, em prol da ação humanitária da Santa Sé. Uma ação voltada para facilitar a troca de prisioneiros de guerra, a devolução das crianças que, segundo a Ucrânia, foram levadas à força para a Rússia e o repatriamento dos corpos. É justamente com as associações e ONGs locais que atuam nessas áreas que Zuppi irá se reunir durante a tarde, além das reuniões institucionais que, no entanto, não incluem, pelo menos para esta quarta-feira (15/07), um encontro com o presidente Volodymyr Zelensky, com quem já se reuniu há três anos.
As celebrações pelo Batismo da Rus’ de Kiev
Pela manhã — após a missa na Nunciatura Apostólica que o hospeda, presidida pelo arcebispo Visvaldas Kulbokas, que acompanha o cardeal nestes dias de visita – o cardeal participou das celebrações pelo Batismo da Rus’ de Kiev, data comemorativa que ocorre anualmente em 15 de julho e que celebra a cristianização do país em 988 pelo príncipe Volodymyr, o Grande, considerado santo tanto pela Igreja Católica quanto pela Ortodoxa, simbolizando as raízes históricas e espirituais da Europa Oriental. Uma festa civil e religiosa, portanto, conhecida na Ucrânia também como Dia da Soberania Ucraniana, de acordo com o título escolhido pelo presidente Zelensky em 2021, que inseriu a data no calendário nacional. Inúmeras autoridades estiveram presentes na capital, entre elas, líderes de diversas religiões, o chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Sviatoslav Shevchuk; e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em sua décima primeira visita à Ucrânia desde o início do conflito.
A oração do cardeal
Convidado de honra, o cardeal Zuppi participou da cerimônia na Praça São Miguel, em frente ao mosteiro dourado que – como lembra o jornal católico italiano Avvenire, acompanhando a missão – tornou-se um memorial de guerra desde os primeiros dias da invasão russa. Em “procissão” ao lado de Zelensky e das demais autoridades, o cardeal caminhou pela avenida ladeada pelo Memory Wall, o muro da memória no qual estão expostas as fotografias dos que morreram nestes anos de guerra, segurando um buquê de rosas vermelhas que depois depositou em homenagem àqueles que perderam a vida no campo de batalha.
Do centro da praça, o presidente da Conferência Episcopal Italiana e arcebispo de Bolonha, lendo um texto escrito em ucraniano, invocou então uma “paz justa” para esta terra tantas vezes definida pelo Papa Francisco como “martirizada”. Desejo este confiado a Deus e também à intercessão de São Volodymyr, cujo nome – disse ele – remete tanto ao nome do presidente da Ucrânia quanto ao do presidente da Rússia: “Que São Volodymyr ilumine as mentes e os corações dos dois chefes de Estado para abrir caminhos de justiça e paz”.
A oração pela paz também foi o fio condutor dos compromissos de terça-feira (14/07) do cardeal Zuppi na Ucrânia, que começou na fronteira com a Polônia, na região de Lviv, com uma visita à colônia penal de Zakhid-1, onde estão detidos prisioneiros de guerra capturados nos campos de batalha. Ainda em Lviv, o cardeal se reuniu com o chefe da administração regional, Maksym Kozytskyi, que lhe agradeceu pelos esforços voltados para o repatriamento de prisioneiros de guerra e crianças, bem como pela busca dos desaparecidos, e propôs áreas específicas de colaboração entre a capital ocidental da Ucrânia e as instituições da Santa Sé e da Itália.
Comovente, por fim, foi o evento de encerramento do primeiro dia de compromissos: a visita à sede da Comunidade de Santo Egídio em Lviv. Lá, o cardeal, guiado por Yuriy Lifanse, líder da seção ucraniana da Comunidade, recebeu e retribuiu o abraço de um numeroso grupo de fiéis, entre os quais, muitos deslocados assistidos por Santo Egídio. Mulheres, idosos e crianças cercavam o cardeal, que dirigiu a todos palavras de encorajamento e reiterou “a proximidade” do Papa Leão.
terça-feira, 14 de julho de 2026
A palavra do Papa é sempre a do Pastor
Andrea Tornielli
Mesmo quando fala de paz e de guerra, de acolhimento aos migrantes ou de como permanecer humano na era da inteligência artificial, o Sucessor de Pedro é e continua sendo sempre um líder espiritual. O fato de o Bispo de Roma, em virtude dos Pactos Lateranenses de 1929 que resolveram a “Questão Romana”, ser também soberano do menor Estado do mundo – menos de meio quilômetro quadrado no coração da capital italiana – não significa, de fato, que ele aja ou se expresse como político quando aborda temas que dizem respeito aos acontecimentos da nossa humanidade.
Paulo VI explicou isso muito bem, ao discursar em 4 de outubro de 1965 na Assembleia Geral das Nações Unidas: “Este encontro, como todos vós compreendeis — disse o Papa Montini —, marca um momento simples e grandioso. Simples, porque tendes diante de vós um homem como vós; ele é vosso irmão e, entre vós, representantes de Estados soberanos, um dos menores, revestido também ele — se assim preferirdes nos considerar — de uma soberania temporal minúscula, quase simbólica, a quanto lhe basta para ser livre para exercer sua missão espiritual e para garantir a quem quer que trate com ele que é independente de qualquer soberania deste mundo”. O Papa, em visita aos Estados Unidos, acrescentou logo em seguida, falando de si mesmo: “Ele não possui nenhum poder temporal, nem qualquer ambição de competir convosco; de fato, não temos nada a pedir, nenhuma questão a levantar; se há algum desejo a expressar e uma permissão a solicitar, é o de poder servir-vos naquilo que Nos é dado fazer, com desprendimento, humildade e amor”.
É verdade que, para garantir a liberdade absoluta do Vigário de Cristo, há quase cem anos foi estabelecido que houvesse um minúsculo pedaço de terra onde o Bispo de Roma e Pastor da Igreja universal fosse também soberano, ou seja, chefe de Estado. Mas tratava-se, e trata-se, de uma convenção para reconhecer justamente essa necessidade de independência em relação a qualquer outro Estado, e não a afirmação de uma dupla missão. Qualquer exaltação ou supervalorização do papel do Pontífice como chefe de Estado, qualquer ênfase na importância desse papel, acaba sendo, portanto, enganosa, pois prejudica sua única e verdadeira missão de Pastor universal. Um Pastor que se dirige aos católicos, aos cristãos, aos crentes e a todos os homens de boa vontade com o único intuito de anunciar o Evangelho, sua mensagem de amor, de fraternidade e de paz “desarmada e desarmante”.
Isso foi bem destacado pelo então cardeal Giovanni Battista Montini, cardeal-arcebispo de Milão, em seu discurso no Capitólio em 10 de outubro de 1962, na véspera da inauguração do Concílio Ecumênico Vaticano II. Nesse discurso, o futuro Papa, ao falar do fim do poder temporal da Igreja com a queda do Estado Pontifício em 1870, disse: “Foi então que o papado retomou, com vigor inusitado, suas funções de mestre de vida e de testemunho do Evangelho, de modo a alcançar uma altura tão elevada no governo espiritual da Igreja e na irradiação moral sobre o mundo, como nunca antes”.
Quando pede que a vida humana seja sempre respeitada e protegida em todas as fases de sua existência, quando fala de paz pensando no bem dos povos e pede que se ponha fim à louca corrida ao rearmamento, superando até mesmo o conceito de “guerra justa”, quando convida ao diálogo e à negociação, invocando o Magistério da Doutrina Social, quando pede que os migrantes sejam considerados pessoas a serem acolhidas, sem jamais esquecer sua dignidade humana, quando nos lembra que os pobres estão no centro do Evangelho e que devemos construir sociedades mais justas e equitativas, quando defende o direito à liberdade religiosa, quando ressalta a importância de zelar pela Criação para transmiti-la aos nossos filhos e netos, o Sucessor de Pedro não está falando como chefe de Estado. Ele está simplesmente anunciando o Evangelho.