Caminhando
sábado, 9 de maio de 2026
O Papa e as catequeses sobre o Concílio, “estrela-guia” para o caminho da Igreja
Isabella Piro - Vatican News
Dois fatores orientaram a sua escolha: a constatação de que «a geração de bispos, teólogos e fiéis do Concílio Vaticano II hoje já não existe mais» e «o apelo para não extinguir a profecia» do Concílio, mas sim para «continuar buscando caminhos e formas de pôr em prática as intuições». Acima de tudo, explicou o Papa, é importante conhecer o Concílio «não por meio de “boatos” ou das interpretações que foram feitas, mas relendo seus documentos e refletindo sobre o seu conteúdo». Reler os textos de 1965 significa, portanto, oferecer à Igreja a possibilidade de «perceber as mudanças e os desafios da era moderna» e de «colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna», permanecendo com os «braços abertos» para a humanidade, suas esperanças e angústias.
A humanidade integral de Cristo que revela o mistério divino
De 7 de janeiro a 6 de maio — excluindo a pausa para os Exercícios Espirituais da Quaresma e a viagem apostólica à África —, até o momento, foram 14 as reflexões do Pontífice dedicadas a duas Constituições dogmáticas: a Dei Verbum sobre a revelação divina e a Lumen gentium sobre a Igreja.
A primeira, eixo central de cinco catequeses, foi definida por Leão XIV como «um dos documentos mais belos e importantes da assembleia conciliar», pois recorda que Deus fala à humanidade e a convida à amizade com Ele. Cristo, de fato, é o rosto humano de Deus e sua existência histórica, da encarnação à ressurreição, manifesta plenamente o Pai. Não se trata de uma verdade que anula o humano, mas que o realiza: é justamente a humanidade integral de Cristo que torna visível o mistério divino, pois o Senhor «se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós». Daí deriva uma visão dinâmica do cristianismo: ele se baseia na unidade entre Escritura e Tradição, consideradas um único “depósito” confiado à Igreja.
A esse respeito, o Pontífice alertou para dois riscos específicos: por um lado, uma leitura fundamentalista que interpreta os textos sagrados de forma isolada «do contexto histórico em que se desenvolveram e das formas literárias utilizadas». Por outro lado, negligenciar a origem divina da Escritura, acabando por entendê-la como «um mero ensinamento humano», um texto técnico ou já ultrapassado. Pelo contrário — foi a advertência de Leão XIV —, o Evangelho deve ser compreendido como «um espaço privilegiado de encontro, no qual Deus continua a falar aos homens e às mulheres de todos os tempos». Em um mundo saturado de palavras vazias, de fato, a Palavra de Deus se distingue como sempre nova, geradora e saciante para uma humanidade em busca de sentido e verdade.
A Igreja em favor dos pobres, explorados, vítimas, sofredores
Desde 18 de fevereiro, o Bispo de Roma tem centrado suas catequeses na Lumen gentium, à qual dedicou até agora oito reflexões. A partir delas, a Igreja surge como «sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos» e «presença santificadora em meio a uma humanidade ainda fragmentada» por divisões e conflitos. Investida da missão de «pronunciar palavras claras» para rejeitar tudo o que mortifica a vida, a Igreja — destacou ainda o Papa — é chamada a «tomar posição» em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas, dos sofredores. Em sua dimensão escatológica, de fato, ela é guardiã de uma esperança que ilumina o caminho.
Também é fundamental a reflexão que Leão XIV fez sobre duas dimensões eclesiais: a hierárquica e a escatológica. A primeira tem como objetivo perpetuar a missão confiada por Cristo aos Apóstolos, desde que nunca seja absolutizada. Pelo contrário: para corresponder plenamente à sua missão, as instituições eclesiais devem visar «uma conversão contínua, a renovação das formas e a reforma das estruturas». A segunda dimensão — definida como «essencial» — convida, além disso, a considerar a dimensão «comunitária e cósmica da salvação em Cristo», avaliando tudo nessa perspectiva.
Os leigos, cada vez mais testemunhas de justiça e de paz
O Pontífice reservou então uma atenção especial aos leigos, convidados a serem sempre testemunhas de justiça e de paz: seu «vasto campo» de apostolado não deve limitar-se ao espaço eclesial, mas alargar-se ao mundo, de modo a mostrar em toda parte a beleza da vida cristã. Por fim, o Papa retomou o tema da santidade: ela, disse Leão XIV, não é privilégio de poucos, mas compromisso de todos os cristãos na caridade. Em meio às perseguições do mundo, os fiéis são, portanto, exortados a deixar “sinais de fé e de amor”, empenhando-se pela justiça e vivendo a cada dia sua missão de conversão e testemunho.
Papa aos doentes de ELA: “somos o povo da esperança, que não se rende”
Vatican News
Na manhã deste sábado, 9 de maio, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano os membros da Associação Italiana de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), formada pelas pessoas que vivem com a doença, familiares e cuidadores. Unidas, disse o Papa por uma “aliança terapêutica de forte proximidade e presença, que encarna o próprio estilo de Jesus em relação àqueles que sofrem”.
Valor da vida é maior que a doença
Leão iniciou seu discurso destacando que a primeira contribuição deste “pacto”, “é daqueles que sofrem de E.L.A. e que todos os dias, com empenho, fé e coragem, testemunham que a bondade e o valor da vida são maiores que a doença e que, inclusive, os próprios desafios que a doença traz podem ser enfrentados juntos, transformando-os em ocasiões especiais e privilegiadas para dar e receber amor”. “Obrigado por isso!”, disse o Papa, “vocês, como profetas, ensinam a todos o verdadeiro valor da vida, e o nosso mundo tem tanta necessidade da sua mensagem!"
Proximidade e apoio institucional
Recordando os compromissos da Associação, “pesquisa científica, formação, informação e assistência, sensibilização nas comunidades”, Leão destacou também o outro aspecto do estilo de trabalho do grupo, ou seja, a proximidade. Com isso estão presentes nas casas dos pacientes. “Isso também é muito importante, pois o cuidado com a saúde, além de organização e competência, exige presença, inclusive física, para o bem da pessoa em suas diversas dimensões: biológica, psíquica e espiritual”.
Igreja e voluntariado
A Igreja, disse o Papa, “valoriza profundamente este 'estar próximo': o de acompanhar as pessoas onde quer que estejam, [...] para oferecer um acompanhamento que, além de assistencial, seja também espiritual”. Disse também que nas diversas situações da vida, ninguém deve jamais ser deixado sozinho, e o voluntariado, destacou, “ao uni-los na gratuidade, realiza poderosamente este valor, colocando em circulação a solidariedade e o respeito, e respondendo com gestos de cuidado à cultura do descarte e da morte”.
Continuar a caminhar, sem se render, jamais
Por fim o Santo Padre recordou que Jesus, o Filho de Deus feito homem, quis viver, a paixão, a sua Via-Sacra, como tempo de provação, de dor física e de sofrimento espiritual. “Ele foi solidário conosco até o fim” disse, “mostrando-nos, porém, com a sua cruz e ressurreição, que a dor e o sofrimento não podem deter o amor nem anular o poder de Deus”. Por isso, concluiu o Papa, “todos nós, filhos da sua Páscoa, somos o povo da esperança, que não se rende diante das dificuldades, mas unido e solidário, com a ajuda de Deus, continua a caminhar, sem se render, jamais”.
O Papa aos muçulmanos do Senegal: “diálogo inter-religioso e diplomacia para a paz”
Vatican News
Na manhã deste sábado (09) o Papa Leão XIV recebeu uma delegação de Representantes das Comunidades muçulmanas do Senegal. Ao iniciar seu discurso observou que o Senegal é chamado o país da “Teranga”, uma expressão que representa hospitalidade, respeito e solidariedade, sendo considerada um pilar da cultura senegalesa. “Terra de laços familiares vivos, de convivialidade e de coexistência pacífica entre cristãos, muçulmanos e fiéis de outras tradições”, destacou. “Esta realidade”, continuou o Papa, “constitui o fundamento de um diálogo entre povos diversos por sua pertença religiosa e sua origem étnica. Esse tesouro de fraternidade, que deve ser guardado com cuidado, é um bem precioso não só para a nação de vocês, mas também para toda a humanidade”.
Diálogo inter-religioso e diplomacia
Em seguida o Papa recordou que infelizmente, o contexto africano atual com conflitos armados, que geram graves carências humanitárias e profundas desigualdades que todos os dias “colocam à prova populações inteiras, sem esquecer o preocupante aumento do extremismo violento”. E que neste contexto, “os valores incorporados pelo espírito da 'Teranga' e o diálogo inter-religioso são um instrumento precioso para aliviar as tensões e construir uma paz duradoura”. Prosseguindo seu pensamento afirmou ainda que ao favorecer o diálogo inter-religioso e ao envolver os líderes religiosos nas iniciativas de mediação e reconciliação, a política e a diplomacia podem valer-se de forças morais capazes de apaziguar as tensões, prevenir as radicalizações e promover uma cultura de estima e respeito mútuo. Concluindo este ponto disse: “Hoje, o mundo precisa de uma diplomacia e de um diálogo religioso fundamentados na paz, na justiça e na verdade”.
Dignidade que nenhuma lei pode confiscar
“Cristãos e muçulmanos”, continuou o Papa, “acreditamos juntos que cada ser humano é moldado pelas mãos de Deus e, portanto, revestido de uma dignidade que nenhuma lei, nem qualquer poder humano, tem o direito de confiscar”. As nações do mundo assim o proclamaram: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. É sobre este fundamento de fraternidade, na origem da humanidade e na fé, que assumimos juntos a nossa responsabilidade comum: “condenar toda forma de discriminação e de perseguição fundada na raça, na religião ou na origem; rejeitar qualquer instrumentalização do nome de Deus para fins militares, econômicos ou políticos; levantar a nossa voz em favor de toda minoria que sofre”.
Viver juntos no respeito e na fraternidade
Concluindo seu discurso o Santo Padre disse: “Rezo para que Deus, o Onipotente, faça renascer o desejo de nos compreendermos melhor reciprocamente, de ouvirmos uns aos outros e de vivermos juntos no respeito e na fraternidade”. Desejando ainda a todos que Deus dê “a coragem de percorrer o caminho do diálogo, de responder aos conflitos com gestos de fraternidade e de abrir o vosso coração aos outros, sem temer as diferenças”.
À festa de anos de David Attenborough, nem a Casa Real faltou
A vida e a carreira do apresentador e ambientalista foram celebradas com um concerto especial no Royal Albert Hall, em Londres. A realeza não faltou
Coordenadora digital
Durante 90 minutos, o Royal Albert Hall acolheu as celebrações do 100.º aniversário de Sir David Attenborough, numa noite emotiva, acompanhada de música ao vivo e com muitos convidados especiais.
“Mais do que um marco notável de 100 anos, celebramos uma vida inteira de serviço extraordinário. Uma vida que aproximou o mundo natural da humanidade e a humanidade da sua responsabilidade para com o mundo natural”, afirmou o príncipe William, presente na cerimónia. O pai, o rei Carlos III, manteve-se no castelo, mas não quebrou a longa tradição monárquica de enviar cartas de felicitação aos cidadãos do Reino Unido e dos reinos da Commonwealth que celebram o seu 100.º aniversário. Só que esta foi uma entrega especial.
Num vídeo criado pelo Palácio de Buckingham e pela BBC Studios Natural History Unit, o rei é visto a escrever a carta, na qual lhe endereça os parabéns, recorda que o conheceu em 1958, quando tinha nove anos, e agradece o facto de Attenborough “ter revelado a beleza e as maravilhas da natureza a públicos de todo o mundo, de formas novas e maravilhosas”. “Ao fazê-lo, partilhou a minha determinação em destacar a necessidade urgente de proteger e preservar este nosso precioso planeta — e toda a vida na Terra — para as gerações futuras”, acrescentou.
Mas, do Castelo de Balmoral até às mãos de David Attenborough, no Royal Albert Hall, a carta encontra obstáculos, e são animais de várias espécies que acabam por entregar a missiva. Na sala de espetáculos, o naturalista ergueu-a e o público aplaudiu.
Mas a noite não se fez apenas de simbolismo. O concerto, concebido como um percurso pela vida e pelo legado de Attenborough, combinou imagens de arquivo, excertos dos seus documentários mais emblemáticos e uma banda sonora interpretada ao vivo por uma orquestra, acompanhando imagens de espécies e ecossistemas que o naturalista ajudou a dar a conhecer ao mundo.
Entre os momentos mais marcantes estiveram as referências aos primeiros anos da carreira, na BBC, e o papel pioneiro na popularização dos documentários de natureza, bem como o regresso aos temas que têm marcado o seu trabalho nas últimas décadas: a perda de biodiversidade, as alterações climáticas e a urgência de proteger os habitats naturais.
Ao longo do espetáculo, várias personalidades do mundo da ciência, da televisão e da cultura juntaram-se às homenagens, sublinhando a influência duradoura de Attenborough. Em mensagens gravadas, destacaram o impacto do seu trabalho na forma como diferentes gerações passaram a olhar para o planeta e para a necessidade de o preservar.
No fim, o público aplaudiu de pé o naturalista britânico, que, visivelmente emocionado, agradeceu e reafirmou a importância de continuar a agir. “Ainda temos tempo para fazer a diferença, mas não podemos desperdiçá-lo”, disse, numa breve intervenção.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE LEÃO XIV A POMPEIA E A NÁPOLES 8 DE MAIO DE 2026
8h00: Descolagem do heliporto do Vaticano
8h50: Aterragem na zona de encontro do Santuário de Pompeia
O Santo Padre é recebido por:
1. S.E. Mons. Tommaso Caputo, Arcebispo Prelado de Pompeia, Delegado Pontifício para o Santuário
2. Ex.mo Sr. Roberto Fico, Presidente da Região da Campânia
3. Dr. Michele Di Bari, Representante do Governo em Nápoles
4. Dr. Gaetano Manfredi, Presidente da Câmara Municipal da Cidade Metropolitana de Nápoles
5. Dra. Andreina Esposito, Presidente da Câmara Municipal de Pompeia em exercício
9h00: O Santo Padre caminha até à Sala Luisa Trapani, onde encontra o “Templo da Caridade”: pessoas em situação de vulnerabilidade, acolhidas nos diversos centros do Santuário de Pompeia
- Saudações de S.E. Mons. Tommaso Caputo
- Saudações de três convidados
9h30: O Santo Padre sai da Sala Luisa Trapani e percorre de carro as ruas adjacentes e a praça em frente ao Santuário.
9h45: À entrada do Santuário, o Santo Padre é recebido pelo Reitor, Mons. Pasquale Mocerino, que apresenta o Crucifixo para veneração e a água para aspersão.
No Santuário estão presentes doentes e pessoas com deficiência (que acompanharão a Missa nos ecrãs).
* Bênção e saudação do Santo Padre
10h00: Capela de São Bartolo Longo: veneração dos restos mortais do Santo Fundador do Santuário; saudação aos Bispos presentes
Capela da Reconciliação: saudação aos Sacerdotes do Santuário
O Santo Padre veste os paramentos na sacristia
10h30: Piazza Bartolo Longo: Concelebração eucarística
* homilia * Súplica à Nossa Senhora de Pompeia
Antes da Bênção final, palavras de agradecimento de S.E. o Arcebispo Tommaso Caputo e troca de presentes
12h30: Depois de depor os paramentos, o Santo Padre saúda os colaboradores da Delegação Pontifícia
13h00: Sala Marianna De Fusco: almoço
15h00: Descolagem do ponto de encontro do Santuário de Pompeia.
_____________________________
15h15: Aterragem na Rotonda Diaz em Nápoles
O Santo Padre é recebido por:
1. Cardeal Domenico Battaglia, Arcebispo de Nápoles
2. Ex.mo Sr. Roberto Fico, Presidente da Região da Campânia
3. Dr. Michele Di Bari, Representante do Governo em Nápoles
4. Dr. Gaetano Manfredi, Presidente da Câmara de Nápoles
Deslocamento imediato de carro para a Catedral de Nápoles
15h45: Catedral: Encontro com o clero e os consagrados
- adoração ao Santíssimo Sacramento
- saudação do Cardeal Domenico Battaglia
- oração e leitura de uma passagem do Evangelho
No final, na sacristia, o Santo Padre cumprimenta alguns colaboradores da Cúria Diocesana.
16h30: O Santo Padre deixa a Catedral e segue de carro até à Piazza del Plebiscito.
17h00: Piazza del Plebiscito: Encontro com a população
O Santo Padre entra na Basílica de San Francesco de Paola e cumprimenta a Comunidade dos Padres Mínimos e algumas autoridades.
O Santo Padre toma o seu lugar nos degraus da Basílica:
- saudação do Cardeal Domenico Battaglia
- saudação do Presidente da Câmara de Nápoles, Dr. Gaetano Manfredi
- animação da pastoral juvenil
- ato de confissão à Virgem Maria e Bênção
18h30: Deslocamento de carro para a Rotonda Diaz
O Santo Padre despede-se das autoridades que o receberam à chegada
19h30: Aterragem no heliporto do Vaticano
Copyright © Dicastério para a Comunicação - Libreria Editrice Vaticana