segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Metz – Santa Missa, 28 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV


 

 

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
A FRANÇA E VISITA À SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO)

25-28 DE SETEMBRO DE 2026

SANTA MISSA

HOMILIA DO SANTO PADRE

Catedral de Santo Estêvão (Metz)
Segunda-feira, 28 de setembro de 2026


 


Homilia do Santo Padre na Santa Missa 

Agradecimento final após a Santa Missa
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Homilia 
Queridos irmãos e irmãs,

É com grande alegria que presido a esta Eucaristia, durante a qual confiamos ao Senhor o caminho da Comunidade diocesana de Metz e o de toda a Europa. Nesta terra histórica do Mosela, que nunca deixou de ser um ponto de encontro de povos e que foi uma fronteira dolorosa na Europa, a promessa de Deus ressoa hoje com uma força singular.

Na primeira leitura (cf. Is 32, 15-18), o profeta Isaías fala da vinda do Reino de Deus em termos de direito, justiça e paz. Recorre a três imagens: o deserto, o jardim e a casa.

No deserto, lugar de sobriedade e silêncio, instaura-se o direito, ou seja, a lei que ajuda o homem a avançar no caminho do bem. Esta imagem austera recorda-nos a importância do essencial e da simplicidade, que nos permitem atribuir o justo valor às coisas, formando-nos, ao mesmo tempo, para a renúncia e o sacrifício.

A segunda imagem é a do jardim, onde reina a justiça. Se o deserto é o lugar do essencial, o jardim é o lugar da beleza. Ali há água, as sementes brotam, os rebentos despontam e as flores desabrocham, cada uma com a sua graça particular. Este é o efeito de uma vida reta, que permite à pessoa realizar-se plenamente, aderindo em liberdade aos desígnios do Senhor.

A terceira imagem é a da casa, lugar de paz. Note-se que, se o deserto e o jardim são ambientes em que prevalece a ação de Deus, que faz germinar e crescer, a construção de uma casa requer, por outro lado, um contributo mais direto e importante por parte do homem, com emprego de forças e competências, através dum esforço comum: um autêntico “trabalho de construção”. Assim, a paz, que é um dom de Deus, exige uma resposta por parte dos homens, num esforço partilhado. Aliás, mais do que uma simples construção de pedras, a casa é um lugar de presença humana e de amor. Neste sentido, a Palavra profética recorda-nos que, num mundo marcado pelos limites, a concórdia só se constrói na caridade, que sabe partilhar alegrias e dores, encorajar e perdoar, sem cálculos nem limites, tal como numa família.

Também o Evangelho que acabámos de ouvir nos fala disso (cf. Mt 5, 38-48). Enquanto hoje, a vários níveis, assistimos no mundo a tanta violência, manipulação e arrogância, Jesus ensina-nos como transformar o deserto num oásis, como plantar jardins e construir casas. Ele indica-nos o caminho que passa pelo perdão, pela misericórdia e pela magnanimidade. «Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém quiser litigar contigo para te tirar a túnica, dá-lhe também a capa. E se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas» (Mt 5, 39-41).

Para alguns, estas palavras podem parecer um sinal de fraqueza, ou talvez uma rendição diante do mal; mas, na verdade, não é assim. Olhemos profundamente para dentro de nós mesmos e olhemos à nossa volta: o que produz, no mundo e em nós próprios, atitudes como a vingança, a retaliação e a rejeição? E as relações e os sistemas permeados pelas lógicas impiedosas que derivam destas atitudes qual futuro deixam entrever para a humanidade? Vós, que sois os filhos desta terra, dilacerada no passado por conflitos fratricidas, sabeis bem que não é verdade que quem se vinga é mais forte do que quem perdoa. Não é verdade que quem não cede é mais forte do que quem procura a reconciliação. Não é verdade que quem se vai embora batendo a porta é mais forte do que quem se esforça por caminhar em conjunto.

Metz e o Mosela mostram ao mundo inteiro que a reconciliação só é possível quando se tem a coragem de quebrar a cadeia do ressentimento. É preciso força e grande equilíbrio para não se deixar oprimir pelo mal, sobretudo quando as feridas sofridas são profundas. Mas, perante a injustiça, o único caminho de salvação para o homem é o amor que cuida do outro e que procura dar confiança independentemente das circunstâncias, mesmo perante os comportamentos mais difíceis de aceitar (cf. Mt 5, 42). Assim, a lei, a justiça e a paz são etapas de um caminho de conversão que, de pessoal, se torna cada vez mais comunitário, em prol de uma civilização capaz de respeitar o homem e o seu Criador.

Não é por acaso que Santo Agostinho define a paz da cidade celeste como uma comunhão harmoniosa, na qual os homens se regozijam em Deus e, n’Ele, uns nos outros (cf. Santo Agostinho, De civitate Dei, XIX, 13.1). Ele fala também da paz entre os homens como do fruto de uma “tranquillitas ordinis”, na qual cada um reconhece e respeita no outro uma dignidade e um papel únicos e sagrados.

Convém recordar, aqui em Metz, que são precisamente estes os valores sobre os quais se construiu, ao longo dos séculos, a Europa que conhecemos, com o seu património espiritual e moral, ainda antes do económico e político. Com emoção, São João Paulo II gostava de recordar que ela tem as suas raízes na vida e na obra de homens e mulheres que viveram, pregaram e partilharam os ensinamentos do Evangelho (cf. Acto Europeísta em Santiago de Compostela, 9 de novembro de 1982). São testemunho disso o grande contributo espiritual, cultural e até agrícola e artesanal que o monaquismo deu à história do Continente, bem como a obra de santos como o grande Crodegango, Pastor incansável desta comunidade, que precisamente aqui, na Regra dos cónegos, deu uma forma visível à comunhão eclesial.

Daí foram-nos transmitidos os fundamentos morais do mundo em que vivemos: princípios como a primazia da pessoa e o caráter sagrado e inviolável da vida humana, em todas as suas fases e em todas as circunstâncias; a defesa da liberdade dos indivíduos; a importância primordial da família como fundamento da sociedade; a atenção aos pobres e mais necessitados; o acolhimento do estrangeiro e o respeito pelos idosos.

A vossa Igreja local, que preserva a herança única de um diálogo fecundo entre a sociedade civil e a fé, em virtude do seu status particular, tem a responsabilidade de ser um laboratório vivo desta fidelidade. Manter-se fiel a estes pilares não foi fácil, nem sequer para aqueles que nos precederam. No entanto, com coerência e perseverança, os nossos antepassados deixaram-no-los como um tesouro, para o transmitirmos, por nossa vez, às gerações futuras, enriquecido pela nossa experiência, pelo valor dos nossos esforços e das nossas histórias.

A magnífica Catedral desta cidade, onde nos encontramos, ilustra muito bem tudo isto: é conhecida como Lanterne du Bon Dieu devido aos seus 6.500 metros quadrados de vitrais com representações históricas. Parece que os construtores quiseram reduzir ao mínimo as paredes, que, no entanto, permanecem sólidas, para que a luz pudesse chegar em abundância aos fiéis. Quem entra nela vê-se assim imerso numa riquíssima “biblia pauperum”, fonte de oração e meditação, através dos reflexos de mil cores. E neste lugar de luz, o esplendor dos vitrais foi recentemente enriquecido pela genialidade de Marc Chagall. As obras deste grande pintor judeu, incorporadas nas paredes da Catedral, transformam a Lanterne du Bon Dieu num extraordinário símbolo ecuménico e de diálogo inter-religioso. Esta Catedral diz-nos que a luz do Senhor não apaga as especificidades, mas une histórias e culturas diversas num único e maravilhoso mosaico de paz, necessário à nossa época, dilacerada por novas divisões e novos conflitos. Ao contemplarmos estes vitrais, aprendemos que o futuro da Europa não reside na uniformidade, mas na harmonia das diferenças, onde a ferida do passado se torna uma fresta por onde a luz pode entrar.

Nisto reside um símbolo da nossa identidade como Igreja. Também nós utilizamos estruturas que só fazem sentido na medida em que nos ajudam a levar ao mundo a luz do Evangelho. Sem estes vitrais, as janelas da Catedral de Saint-Étienne não passariam de espaços inundados por uma luz ofuscante. Com os vitrais, tornam-se livros que nos reúnem para recordar histórias maravilhosas, cheias de heroísmo, bondade, misericórdia, amor e beleza moral, das quais, também nós, devemos ser testemunhas generosas e corajosas.

Com gratidão e confiança, no final da minha viagem à França, partilho convosco este desejo para a vossa comunidade de Metz, chamada hoje, mais do que nunca, a ser um farol de esperança para este país, para a Europa e para o mundo, confiando-a às orações da Virgem Maria e dos vossos santos padroeiros.
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Agradecimento final após a Santa Missa

Queridos irmãos e irmãs,

Esta Santa Missa é o último encontro público da minha visita à França. Celebrei-a, por isso, com um vivo sentimento de gratidão ao Senhor, e desejo também expressar o meu reconhecimento a todos aqueles que a tornaram possível com o seu empenho.

Agradeço ao senhor Presidente da República e às várias autoridades civis que organizaram a receção em Paris, em Lourdes e aqui em Metz. Renovo com afeto o meu agradecimento à Presidência da Conferência Episcopal e aos bispos mais envolvidos e, com eles, aos presbíteros, diáconos, consagrados, fiéis leigos, bem como a todos os voluntários que colaboraram. Obrigado a todos!

Caros amigos, continuemos a caminhar juntos, unidos na Santa Mãe Igreja, para a glória de Deus e para o serviço do seu Reino de amor, justiça e paz. Muito obrigado! paz.

Metz – Encontro inter-religioso, 28 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV


 

Lourdes – Oração do Rosário, 27 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV


 

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
A FRANÇA E VISITA À SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO)

25-28 DE SETEMBRO DE 2026

ORAÇÃO DO SANTÍSSIMO ROSÁRIO E PROCISSÃO DAS VELAS

DISCURSO DO SANTO PADRE

Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
Domingo, 27 de setembro de 2026


Estamos aqui reunidos esta noite para responder ao pedido que Nossa Senhora dirigiu aos sacerdotes por intermédio de Santa Bernadette: “Que se venha aqui em procissão”. Como é comovente ver o povo fiel, de geração em geração, responder com amor e confiança ao terno convite da Virgem Maria. Como é reconfortante ouvir os cristãos entoarem hinos cheios de fervor e fé, e caminharem, com uma vela acesa na mão, em direção à sua Mãe do Céu, a Mãe que Jesus nos deu na Cruz.

Esta luz que nos guia e nos atrai é a da esperança que nunca nos abandona, mesmo enquanto peregrinamos nesta vida, muitas vezes marcada por provações, mas já habitada pela alegria de nos sabermos filhos de Deus, amados e salvos por Jesus. As pessoas doentes são testemunhas privilegiadas desta transfiguração da existência através da fé e do amor a Deus e ao próximo. É preciso vir aqui fazer esta procissão convosco, queridos doentes, para entender plenamente a sua realidade. Como dizia o Papa Pio XII: «Jamais num lugar da terra se viu semelhante cortejo de sofrimento, jamais semelhante irradiação de paz, de serenidade e de alegria!» (Carta Encíclica Le pèlerinage de Lourdes, 2 de julho de 1957, n.º 5).

E se tal milagre é possível – o de suscitar serenidade e alegria na provação –, é porque Deus nos concede a graça de voltar o nosso olhar para um futuro mais distante, para além do nosso horizonte terreno, um futuro de felicidade infinita em Deus, que temos a certeza de alcançar se permanecermos firmes na fé e na caridade. Para isso, São Paulo encoraja-nos: «Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rm 8, 18). Guardai sempre na memória estas palavras de ouro, queridos doentes: os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós.

Enquanto nos forem concedidos os dias da nossa vida neste mundo, somos, uma e outra vez, chamados a perseverar no nosso caminho, no qual Maria nos precede. E correremos com confiança em direção a Ela, cuja Imaculada Conceição resplandece como um farol na noite. «Ela é o sinal da vitória do amor, do bem e de Deus, que dá ao nosso mundo a esperança de que tem necessidade. Nesta tarde, voltemos o nosso olhar para Maria, tão gloriosa e tão humana, e deixemos que seja Ela a conduzir-nos para Deus, que é o vencedor» (Bento XVI, Homilia na procissão das velas, 13 de setembro de 2008).

“Eu sou a Imaculada Conceição!” Foi precisamente assim que Maria se designou aqui mesmo, com a maior humildade, mas grata a Deus pelo privilégio absolutamente único com que foi agraciada e que representa para nós a aurora da salvação. Jesus, pelos méritos da sua Paixão e da sua Ressurreição, quis preservar a sua Mãe de qualquer vestígio do pecado original; fez dela uma nova Eva – sobre quem o demónio nunca terá qualquer influência –, a partir da qual tudo recomeça, tudo volta a ser possível, tanto para o mundo como para cada um de nós.

É por isso que o seu amparo e a sua intercessão não são secundários para o cristão que deseja acolher a graça da Redenção, conquistada pelo sangue de Jesus, e lutar contra o mal. Ela é a estrela do mar – Stella maris – que nos socorre nas tribulações, como tão bem expressou São Bernardo: «Tu que te vês, nas flutuações deste mundo, agitado no meio das procelas e das tempestades em vez de caminhar sobre terra firme, não afastes os olhos do brilho desta estrela, se não queres naufragar nas tormentas. […] Se a segues, não te extraviarás; se a invocas, não desesperarás; se pensas nela, não errarás. Sob a sua proteção, não terás medo; sob a sua direção, não te cansarás; sob o seu amparo, alcançarás a meta». (São Bernardo, Segunda homilia Super Missus est, n.º 17).

Portanto, queridos irmãos e irmãs, peregrinos e doentes, que viestes da França e de todo o mundo para participar nesta fervorosa e serena procissão de luz, levemos as nossas intenções mais queridas e urgentes e apresentemo-las a Nossa Senhora: as nossas intenções pessoais e pelo mundo. Ao contemplá-la na sua Imaculada Conceição, uma alegria e uma esperança invencível brotam no nosso coração: pois, revestida do sol, com a lua debaixo dos pés e coroada de estrelas, ela é gloriosa, é poderosa; e, ao mesmo tempo, é humilde, muito próxima de nós, é a Mãe de Jesus, é a nossa Mãe.

Ó Virgem Imaculada, que nas nossas vidas nunca se apague esta luz que trazemos nas mãos esta noite, mas que ela ilumine o futuro, abrindo-nos, hoje mesmo, às promessas da vida eterna.

Você tem valor para Deus (Lc 9,46-50) Palavra de Deus | Irmã Maria Raquel 28/09


 

Hoje é celebrado são Venceslau, mártir e padroeiro da República Tcheca

 


São Venceslau. | ACI Digital. ??
São Venceslau. | ACI Digital. 
 

São Venceslau foi um soberano tcheco que evangelizou seu povo, modificou o sistema judicial e reduziu as condenações relativas à pena de morte ou à tortura.

O santo foi filho de Vratislau e de sua esposa Draomira. Era neto de santa Ludimila, esposa do primeiro cristão da Boêmia, que se encarregou de sua educação e o ensinou a amar e servir a Deus.

Quando jovem, o santo perdeu seu pai após uma guerra e, por isso, sua mãe assumiu o poder. Entretanto, ela instaurou uma política anticristã e secularista que converteu o povo em um caos total.

Diante dessa situação, sua avó tentou persuadir o príncipe a assumir o trono e proteger o cristianismo, o que fez com que os nobres a assassinassem por considerá-la uma ameaça latente aos seus interesses.

Entretanto, por circunstâncias desconhecidas, a rainha foi expulsa do trono e Venceslau foi proclamado rei pela vontade do povo.

Como primeira medida, anunciou que apoiaria decididamente à Igreja. Sempre governou com justiça e misericórdia.

Por interesses políticos obscuros, Boleslau – que desejava o trono de seu irmão – assassinou o santo rei a punhaladas durante uma festividade.

O povo proclamou o rei Venceslau como mártir da fé e logo a igreja de São Vito – onde se encontram seus restos mortais – se tornou um centro de peregrinações.

Tempos depois, foi proclamado padroeiro do povo da Boêmia e hoje sua devoção é tão grande que também da República Tcheca.

Laudes de Segunda-feira da 26ª Semana do Tempo Comum


 

domingo, 27 de setembro de 2026

Lourdes – Santa Missa e recitação da oração do Angelus, 27 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
A FRANÇA E VISITA À SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO)

25-28 DE SETEMBRO DE 2026

SANTA MISSA

HOMILIA DO SANTO PADRE

Prairie do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
Domingo, 27 de setembro de 2026


Irmãos e irmãs, peregrinos vindos da França e de todo o mundo, ao olhar para vós esta manhã, reunidos na casa da nossa Mãe, vejo o rosto universal da Igreja. Alguns de vós atravessastes continentes, superastes fadigas, trouxestes as vossas alegrias e os vossos fardos até esta Gruta sagrada. Que felicidade estarmos juntos, um só coração, uma única família!

Gostaria de saudar de forma especial os peregrinos vindos de todas as províncias e dioceses da França. Hoje pisais o solo desta terra abençoada que recebeu tantas graças. Que esta peregrinação reavive a chama da fé nos vossos lares e nas vossas paróquias. Levai o consolo de Lourdes aos vossos vizinhos, aos vossos entes queridos e a todo o povo francês.

Os textos que a Liturgia nos propõe neste domingo abordam um aspecto central da mensagem que a Virgem Maria veio confiar a Santa Bernadette: um convite à conversão, ao mesmo tempo terno e urgente. No Evangelho, Jesus lança um olhar de verdade e profunda tristeza sobre os corações fechados: «nem depois de verdes isto, vos arrependestes!» (Mt 21, 32). Porquê esta ferida no coração de Cristo? Porque Deus não quer a perdição dos seus filhos. O profeta Ezequiel recorda-nos isso: «Se o justo se afasta da sua justiça para praticar o mal e morre por causa disto, é por causa do mal que praticou que ele morrerá»; ao passo que, se se converte, «se ele se afasta dos pecados que cometeu, viverá certamente, não morrerá» (Ez 18, 26.28). É por isso que os apelos à penitência ressoam nas Sagradas Escrituras e percorrem toda a pregação do Evangelho ao longo dos séculos. Assumem uma gravidade salutar para manifestar a sua urgência e necessidade: é hoje – não amanhã – que é preciso converter-se; é hoje o momento favorável, o dia da salvação (cf. 2 Cor 6, 2). Sim, Deus deseja que o homem viva, que abra os olhos e volte para Ele. Converter-se é abandonar os caminhos do erro para seguir o Caminho da Vida, abrindo assim o nosso coração à única Alegria que não passa.

O próprio Jesus não mede palavras quando exorta à penitência, como nos relata, por exemplo, São Lucas: «se não vos converterdes, perecereis todos» (Lc 13, 5). Mas Ele alarga o horizonte da vida terrena ao da vida eterna. Enquanto a felicidade aqui na terra é uma realidade efémera, relativa e, por vezes, infelizmente inacessível para alguns, a verdadeira felicidade é prometida a todos, na esperança, e deve ser o principal objeto da nossa busca, dos nossos esforços e das nossas escolhas. Não foi a Virgem Maria que disse a Santa Bernadette: «Não te prometo que serás feliz neste mundo, mas no outro»?

Esta promessa, proclamada precisamente aqui, ressoa com uma força particular nesta terra de França e abala as nossas mentalidades contemporâneas. Neste momento da história, no seio de uma sociedade em busca de progresso e bem-estar material, mas por vezes tentada a esquecer o horizonte da eternidade, Maria vem lembrar-nos a grandeza e a amplitude da nossa vocação para a vida, para a vida eterna. Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a Gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã. Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada. As vossas muletas, as vossas cadeiras de rodas, as vossas lágrimas escondidas não são obstáculos: são o lugar por excelência onde sois plenamente respeitados, acolhidos e transcendidos pelo amor infinito de Deus. Lourdes é o lugar abençoado de uma profissão de fé na beleza e na sacralidade da vida, pois aqui ela é acolhida como um dom precioso de Deus, chamada a desabrochar para a eternidade no amor do Pai.

“Prometo-te”! Sim, a vida eterna é uma promessa sólida e certa que o Senhor nos faz. Ele já a obteve para nós através da sua morte na cruz e da sua ressurreição, e já a realiza todos os dias em nós pela graça do batismo. Está ao nosso alcance, mas cabe-nos acolhê-la livremente, aproveitá-la, não lhe colocar obstáculos; ora, o obstáculo à graça e à vida eterna, o único obstáculo a esse amor, é o pecado, o fechamento em si mesmo, essa recusa de Deus que nos aprisiona nas nossas próprias trevas! Está, portanto, em jogo a nossa responsabilidade pessoal, e ela é grande. Deus quis-nos livres, pois a liberdade é uma condição do amor; não se pode amar por obrigação. Esta liberdade que nos é concedida, devemos empenhá-la num “sim” a Cristo e, com a ajuda da Sua graça, no seguimento dos passos de Maria; um “sim” incessantemente renovado até ao nosso último suspiro: “agora e na hora da nossa morte”, como dizemos na Ave-Maria.

Encontramos o apelo insistente à conversão nas palavras que Maria proferiu aqui mesmo: “Penitência! Penitência! Penitência!”. Ela repete a palavra três vezes! E convida Bernadette a realizar alguns gestos. Por que razão? Será porque somos lentos a compreender? Será porque, com demasiada facilidade, nos consideramos isentos de pecado? Será porque não praticamos suficientemente a penitência? A Virgem pede-nos que a façamos, não só por nós próprios, que precisamos dela, mas também “pelos pecadores”, por um mundo que vai mal. Como não se sentiriam interpelados os nossos corações perante os conflitos cada vez mais generalizados, que destroem tantas vidas inocentes? Ora, o mal que a nossa época conhece provém do coração do homem; Deus não é responsável por ele: «É o meu modo de agir que não é justo? – diz Ele aos filhos de Israel –, Ou é o vosso que o não é?» (Ez 18, 25). São, portanto, os corações dos homens que precisam de ser mudados, a começar pelo nosso.

A penitência é uma obra suscitada pelo amor em solidariedade com a humanidade: amor a Deus, cuja ferida no Coração, causada pelos nossos pecados, queremos reparar; amor por todos os nossos irmãos, os homens que não ouvem este apelo à conversão e cujas faltas os conduzem à morte. Esta exigência de conversão envolve a própria Igreja na sua peregrinação terrena. Ela deve ter a coragem de viver essa conversão em primeiro lugar. Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os dolorosos desvios cometidos no seu seio, devemos submeter-nos humildemente ao olhar purificador do Senhor. Reconhecer os nossos próprios erros é indispensável para o nosso progresso espiritual, como escreveu Santo Agostinho: «Que te desagrade sempre o que és, se queres alcançar o que ainda não és» (Sermo 169, 15.18).

O apelo da nossa Mãe ao nosso dever de oração e conversão enche-nos de grande esperança, pois ela indica-nos o meio de mudar o curso das coisas, meio esse que não é outro senão o de nos associarmos à paixão de Cristo. Queridos doentes que conheceis o sofrimento, tão numerosos em Lourdes, é-vos possível viver as vossas dores e aflições neste espírito de oferta, para entrar neste caminho redentor de que o mundo tanto necessita. Neste sentido, estais verdadeiramente no coração da Igreja, e o vosso papel é insubstituível.

Peregrinos, irmãos e irmãs, não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança. Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz. Sede testemunhas ativas desta força e desta ternura divinas, que nos permitem continuar o caminho e alcançar a meta, nos vossos países, dioceses e famílias. Apoiados pela oração dos doentes e pelo amor da nossa Mãe, caminhai com confiança rumo ao futuro. Não temais as tempestades do mundo: a Santa Mãe de Deus vigia sobre o vosso caminho, envolve a Igreja no seu manto de ternura e, como Estrela radiosa da manhã, guia os vossos passos para vos gerar, com alegria, na própria vida do seu Filho Jesus.

Ámen.


 

 

 

SANTO DO DIA - 27 DE SETEMBRO: SÃO VICENTE DE PAULO


 

Hora Sexta do 26º Domingo do Tempo Comum


 

sábado, 26 de setembro de 2026

Paris – Santa Missa, 26 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV


 

 

Queridos irmãos e irmãs,

Agradeço a Deus a graça que me foi concedida de estar aqui, nesta Praça da Concórdia, a celebrar a Eucaristia. Sim, como é bom e agradável encontrarem-se os irmãos e irmãs (cf. Sl 133, 1), para glorificar a grandeza de Deus! Que a minha presença entre vós fortaleça a vossa fé, encorajando-vos a irradiar e a transmitir incessantemente a vida, a paz e o amor do nosso amado Senhor Jesus Cristo.

«Se alguém tem sede, venha a mim» (Jo 7, 37). Irmãos e irmãs, a nossa comunidade sedenta volta-se para Cristo, fonte de água viva; a água que sacia e faz florescer a vida, a água do amor de Deus «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5).

O desejo de Deus habita no mais profundo do nosso coração, e nós clamamos com o salmista: «A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!» (Sl 42, 3). É o clamor de um homem, humilde e apaixonado, cuja sede mais íntima e existencial não cessa de crescer. Ora, é Jesus Cristo que, através da sua encarnação, vai ao encontro de cada homem na sua história e se lhe revela como a verdadeira fonte de água viva, capaz de aplacar a sua sede. Não se trata tanto de uma sede material, mas antes de uma sede de sentido, de verdade e de realização que habita no coração de cada um. Jesus responde a este profundo desejo de relação, de comunhão com Deus, no qual reside a plenitude da vida para sempre.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel vê a água sair do Templo e, espalhando-se pelo deserto, purificar e fecundar tudo (cf. Ez 47, 1-2.8-9.12). São João, mais tarde, verá a água brotar do lado traspassado de Jesus, que entrega o Espírito (cf. Jo 19, 30-34). Então, todos podem saciar-se nesta fonte para renascer e receber o dom do Espírito, tornando-se filhos de Deus, novas criaturas.

Irmãos e irmãs, é preciso reconhecer que nada, neste mundo, consegue satisfazer-nos em plenitude. Quando pensamos que conseguimos concluir, finalmente, o nosso trabalho e ver recompensados os nossos esforços, reaparece muitas vezes um vazio interior ainda mais profundo. Então, pode acontecer que, para o preencher, busquemos novos prazeres, queiramos possuir novas coisas e façamos de tudo para nos “divertirmos”, simplesmente para não sentir aquele mal-estar interior!

A Liturgia da Palavra de hoje convida-nos a examinar o nosso coração: qual é a nossa sede mais profunda? O que procuramos realmente na vida? Todos aspiramos à felicidade, ao amor, à realização. Mas em que fonte procuramos saciar a nossa sede? Contentamo-nos com os bens materiais, com satisfações imediatas, com tantos pequenos ídolos que prometem mundos e fundos, deixando o nosso coração vazio? Com o Batismo, recebemos a água viva de que fala o Evangelho, mas será que na verdade encontrámos pessoalmente Cristo? Na sua essência, o ser humano é um ser que “deseja” e só Deus pode preencher este vazio interior.

Sim, irmãos e irmãs, Jesus Cristo, o Bom Pastor, guia-nos, tal como o pastor conduz as suas ovelhas à fonte da felicidade e da paz. Conhece pelo nome cada um e cada uma. Nada Lhe escapa dos nossos segredos, intenções e fraquezas. Ele sonda as profundezas do nosso coração, entregou a sua vida por nós e continua a doá-la através dos Sacramentos. Carrega aos ombros as ovelhas cansadas ou feridas e, com delicadeza, traz de volta as que se perderam. Jesus revela o amor incondicional de Deus por nós. Para Ele, nenhum de nós é um simples número no bilhete de identidade ou um código de identificação, mas uma pessoa, única e insubstituível.

Ao ver-vos aqui reunidos, queridos irmãos e irmãs, herdeiros de uma longa e bela história sacra em França, digo-vos: saciai-vos, também vós, desta fonte que é o Coração traspassado de Jesus. Sim, tendes sede de Deus, de vida, de verdade, de unidade, de paz, de comunhão, de felicidade. Aspirai a redescobrir um horizonte cheio de luz, a construir uma nação renovada a partir das suas raízes regadas pela fé. Não guardeis a fé em Jesus Cristo só para vós mesmos, mas deixai-a transbordar para saciar e preencher as pessoas que encontrardes. A vós cabe levar a esperança onde reinam o desânimo e a aridez espiritual.

Com efeito, só aceitando viver na verdade, sob o olhar de Jesus, é possível ser autênticos e olhar para as nossas vidas com lucidez: certamente frágeis, vulneráveis e destinadas a passar pela morte, mas também maravilhosas, milagrosas, capazes de se renovarem nas relações e de se abrirem ao verdadeiro amor.

«Quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão de correr do seu coração rios de água viva» (Jo 7, 37-38). Quando nos saciamos na fonte que é o coração de Cristo – escreveu Orígenes – tornamo-nos nós próprios poços, nascentes e rios para os outros (cf. Homilia 12, 1, 2-3). Na verdade, o fiel que dela bebe torna-se, por sua vez, fonte de vida graças à sua ligação existencial com Cristo e transmite esta mesma vida ao próximo.

Queridos irmãos e irmãs, a água viva do Espírito Santo foi derramada em abundância e continua a dar frutos na Igreja através de missionários e testemunhas em todas as culturas e povos. Fecunda tudo o que se deixa tocar e transformar por ela para dar o seu fruto, ou seja, a santidade daqueles que adoram o verdadeiro Deus e servem os irmãos e as irmãs com generosa caridade. Ao longo dos séculos, neste esplêndido país que é a França, muitos se saciaram desta água viva e consagraram totalmente a sua vida ao bem: os primeiros mártires, como Blandina, Potino e Irineu; santos e santas que fundaram ordens religiosas; santos bispos, como Martinho de Tours e Francisco de Sales; homens e mulheres com um coração sensível às necessidades do próximo, como Vicente de Paulo, Federico Ozanam, Joana Jugan e tantos outros. Ainda hoje, na nossa sociedade, nas nossas paróquias e nas nossas diversas atividades, são inúmeros aqueles que continuam a empenhar-se em prol da vida, da família, da verdade, da paz, da fraternidade e da justiça.

A partir desta bela cidade de Paris, rezo com fervor para que a água viva do Espírito Santo se espalhe em toda a França. Penso em vós, queridas famílias, que, apesar das múltiplas dificuldades que enfrentais diariamente, perseverais corajosamente na vossa missão. Agradeço-vos do fundo do coração por todo o bem que se realiza através de vós. Que nunca se esgote em vós a presença concreta de Jesus! Penso em vós, queridos jovens: sois a Igreja de hoje! Como é lindo ver o vosso entusiasmo, o vosso dinamismo, o vosso empenho e a vossa alegria dentro das comunidades cristãs. Penso também em vós, queridos catecúmenos e neófitos, que empreendeis o caminho da fé, da conversão e da iniciação cristã. Que o dom do Espírito Santo vos faça testemunhas, prontas a difundir à vossa volta a civilização do amor.

Irmãos e irmãs, recorramos à Mãe de Deus, Fonte de salvação, aquela que guia as nossas vidas para o seu Filho, autor de toda a graça. Com o seu “sim” livre e confiante, tornou-se a arca, humilde e desejada por Deus, na qual o amor do Pai encarnou para se doar ao mundo. Invoquemo-la com confiança, para que, pela sua intercessão, jorrem fontes de água viva no seio do Povo de Deus, fazendo florescer em toda a França os rebentos da fé, da esperança e da caridade. Ámen!

El Papa León XIV se emociona al cantar la Salve en Notre-Dame


 

Leão XIV reza na catedral de Notre-Dame: 'onde o céu e a terra se encontram'

 


Papa Leão XIV profere uma homilia na celebração das Vésperas na catedral de Notre-Dame, em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN ??
Papa Leão XIV profere uma homilia na celebração das Vésperas na catedral de Notre-Dame, em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN 
 

O papa Leão XIV rezou hoje (25) as vésperas na catedral de Notre-Dame, tornando-se o primeiro papa a pisar na monumental igreja desde que ela foi reconstruída devido ao incêndio em 2019 que devastou seu telhado, nave e torre.

Menos de dois anos depois da reabertura da catedral, Leão XIV falou sobre a icônica catedral, que, “há séculos (...), convida Paris a erguer os olhos para o céu”.

“Passaram-se sete anos desde que o mundo inteiro, com a respiração suspensa, viu a Catedral ser consumida por um incêndio terrível”, disse na homilia. “Essa dor não era só dos católicos, nem só dos crentes”.

“Naquela hora dramática, percebemos que Notre-Dame é mais do que um monumento”, disse o papa. “A participação coletiva na reconstrução e, hoje, o esplendor do resultado, revelam que neste lugar bate o coração de um povo, que estamos no centro vital de uma civilização, que o passado e o futuro se abraçam, que o céu e a terra se encontram”.

A cerimônia religiosa na famosa catedral gótica foi o primeiro encontro do papa Leão XIV com a Igreja em Paris em sua visita à França, entre 25 e 28 de setembro.

Na catedral, o papa discursou para o clero e para religiosos católicos do país — a igreja reconstruída proporcionando um cenário apropriado para sua mensagem de que “essa Catedral renasceu para que possais renascer com ela num impulso de santidade e de missão cotidiana”.

Leão XIV se dirige aos católicos franceses num momento crucial da sua história, em que acolhem um número crescente de conversões. Na Páscoa deste ano, a França registou cerca de 20 mil batismos de adultos e adolescentes, um aumento de 20% em relação ao número já recorde do ano passado, que registrou um aumento de 45% em relação aos números de 2024.

Apesar da tendência encorajadora, o país continua a se tornar mais secular. Os dados mais recentes sobre identidade religiosa na França, referentes a 2019-2020, mostram que 51% dos adultos franceses dizem não ter nenhuma afiliação religiosa, um aumento de 8% em relação à década anterior. Embora 29% da população se identifique como católica, a pesquisa constatou que só 8% frequentam a Igreja regularmente, segundo o Instituto Nacional de Estudos Demográficos do país (INDE).

A catedral de Notre-Dame de Paris reabriu em dezembro de 2024, pouco mais de cinco anos depois de pessoas ao redor do mundo terem assistido horrorizadas ao incêndio que destruiu a igreja. Os trabalhos de restauração da catedral gótica continuaram até este ano.

Em sua homilia, o papa Leão XIV falou sobre o simbolismo da arquitetura da catedral, sé do arcebispo de Paris.

“A planta em cruz da Catedral, onde as pedras e a luz se fundem, evoca o encontro entre a terra e o céu. Ela reúne e ordena os acontecimentos da história, feita de alegrias e sofrimentos humanos. Junta-os numa dinâmica simbólica que constrói uma linguagem viva a partir de diferentes expressões, agrupando-as em unidade”, disse ele.

Antes das vésperas, o papa Leão XIV se aproximou da catedral a pé para saudar os que estavam reunidos do lado de fora.

Mariana González, de 31 anos, foi uma das centenas de pessoas que conseguiram ver o papa Leão XIV quando ele chegou para as vésperas.

González, que esperou cerca de quatro horas com o marido e com a filha de 7 meses para ver o papa, disse à EWTN News que “é muito especial [o papa Leão XIV] estar aqui, não só para vê-lo, mas também para ouvir a mensagem que ele tem para todos os franceses, para nós que vivemos na França e para o mundo inteiro”. González, que é colombiana-americana e mora em Paris, disse acreditar que “a visita dele também tocará muitos corações aqui” e que “está ansiosa para ver todos os frutos que ela trará”.

Autoridades locais estimaram que 300 mil pessoas formaram fila para saudar Leão XIV do lado de fora da Notre-Dame e ao longo dos 4 km de estrada que ligavam seu evento anterior na sede da UNESCO à catedral, disse a Santa Sé.

Entrando na catedral, o papa visitou uma capela para rezar diante do Santíssimo Sacramento e depois venerou uma relíquia da Coroa de Espinhos de Cristo. A catedral, que momentos antes irrompeu em aplausos e gritos de “Papa Leão”, ficou em silêncio.

Depois de vestir vestes litúrgicas para a oração, Leão XIV se aproximou do altar ao som do órgão da catedral, o maior órgão de tubos da França.

“Não devemos esquecer que, tal como todas as outras igrejas, o objetivo para o qual este templo foi erguido é a oração e o louvor a Deus”, disse o papa em sua homilia. “A catedral não é um embrulho de pedra para admirar: ela vive dentro do mistério sagrado que nela é celebrado”.

Ele encorajou sacerdotes e consagrados a nunca negligenciarem sua amizade com Cristo, a cultivarem sua vida interior e a dedicarem tempo à oração pessoal e silenciosa.

“A vossa missão parte, acima de tudo, desta relação íntima com o Senhor, que ali vos espera”, disse ele.

Falando sobre o propósito da catedral na oração e na adoração a Deus, Leão XIV disse: “Hoje, mais do que nunca, vivemos numa época que parece desprovida de plenitude, profundidade e promessas. A nobre simplicidade do canto, da palavra e do gesto litúrgico pode representar, para muitos, uma fresta de esperança, um oásis de paz numa sociedade hiperconectada e barulhenta, onde se pode experimentar a presença do Autor do amor maior”.

Em sua mensagem de boas-vindas a Leão XIV, o arcebispo de Paris, Laurent Ulrich, disse: “Há pouco mais de um ano, quando tomei a liberdade de convidá-lo a Paris, você me disse que queria ver Notre-Dame! … Você veio como um peregrino entre todos esses visitantes”.

Leão XIV fala sobre 'corrupção da cultura' na era da IA

 


Papa Leão XIV discursa perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News ??
Papa Leão XIV discursa perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News 
 

PARIS — O papa Leão XIV disse hoje (25) que a inteligência artificial fomentou uma “corrupção da cultura” que pode afetar o significado de ser humano, em discurso na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Paris, França.

O papa visitou a sede da UNESCO — agência especializada da ONU que preserva sítios de patrimônio cultural e promove a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos — no primeiro dia de sua viagem à França, que ocorre entre 25 e 28 de setembro.

“Há uma questão fundamental que merece ser explorada, e que nos interpela com urgência: o que significa ser humanos?”, disse Leão XIV num discurso proferido metade em francês e metade em inglês.

“Todas as culturas são envolvidas nesta reflexão, que está no cerne de cada conhecimento, arte e religião. Afinal, mesmo no século XXI, não podemos dar por garantido que sabemos quem é a pessoa humana ou o que significa viver como ser humano”, disse o papa.

Ele contrastou a dominação e a confusão da Torre de Babel, à qual já havia comparado a IA, com a paz e a unidade encontradas no Pentecostes.

“A corrupção da cultura de que estamos a falar é resgatada na praça de Pentecostes”, disse ele. “Ali, uma mensagem de paz é acolhida por todos os povos como boa nova. Esse anúncio proclama a ressurreição de Jesus, ou seja, a vitória da vida sobre a morte, a salvação que dá esperança ao mundo”.

Leão XIV também falou sobre o desenvolvimento das comunicações e o risco de disseminação de informações falsas e de “palavras sem significado”, que “dificultando o diálogo em vez de o promover”.

“A inteligência artificial acentua esse problema”, disse ele. “Embora estes sistemas sejam capazes de estabelecer correlações entre dados, não conseguem responder a perguntas sobre o sentido da existência humana, que tem as suas raízes na experiência vivida”.

O papa condenou o poder opressor, o orgulho, a injustiça e o conflito.

“A própria ciência, quando reduzida a uma técnica de poder, já não serve para elevar a pessoa humana, mas, pelo contrário, corre o risco de degradar os frutos desse esforço”, disse.

O papa dedicou partes significativas de seu discurso a sublinhar o cuidado devido a toda vida humana, especialmente às mais vulneráveis, como “crianças no ventre materno e nos diversos cenários de guerra, pessoas com deficiências físicas e intelectuais, idosos, migrantes, refugiados e todos os que a soberba exclui como improdutivos”.

“São eles a prova definitiva das nossas afirmações de respeito à dignidade humana, cuja proteção e promoção se estendem também à criação”, disse ele.

Sobre os avanços tecnológicos, o Leão XIV disse: “paradoxo tornou-se cada vez mais evidente: enquanto a “inteligência” é atribuída aos sistemas computacionais, temos dificuldade em reconhecer a dignidade inalienável da pessoa humana, cuja vida é avaliada com base no critério da eficiência e, quando considerada já não produtiva, é rejeitada e descartada”.

Na chegada à UNESCO, o papa Leão XIV foi recebido com aplausos da plateia.

Antes de seu discurso, o papa fez uma breve visita guiada à sede, inclusive a biblioteca, que abriga os arquivos diplomáticos da UNESCO. Leão XIV foi também calorosamente aplaudido ao regar uma oliveira como sinal de promoção da paz.

Ele também recebeu uma cópia do Livro de Memorandos da Paz, documento de arquivo apresentado à 4ª sessão da Conferência Geral da UNESCO em 1949 para apoiar sua missão de prevenir conflitos globais depois da Segunda Guerra Mundial.

O papa disse que estava visitando a UNESCO “na qualidade de pastor, transmito-vos a palavra da Igreja, que se torna incessantemente «mensagem» e «diálogo», destinada a todos os povos, mulheres e homens de boa vontade (cf. Paulo VI, Carta EncíclicaEcclesiam suam, 38)”, e elogiou a missão da agência de construir um mundo justo e favorecer o desenvolvimento humano autêntico.

Citando sua própria encíclica Magnifica humanitas, ele disse que a Santa Sé considera “essa Organização um interlocutor privilegiado ao serviço do bem comum, que é a «forma social da dignidade» que todos partilhamos de forma originária e igual (cf. Carta Enc.Magnifica humanitas, 59)”.

O papa falou sobre a importância da verdade, sem a qual a linguagem se torna sujeita à violência e ao poder, e disse que “a corrupção da lei tem a sua origem na corrupção do coração”.

Leão XIV ouve migrantes em Paris: Deus abriu “um novo caminho para mim”

 


O papa Leão XIV reza ao lado dos funcionários e voluntários do centro de apoio social e integração Maison Bakhita, em Paris, na França, durante sua visita em 26 de setembro de 2026 | Crédito: Vatican... ??
O papa Leão XIV reza ao lado dos funcionários e voluntários do centro de apoio social e integração Maison Bakhita, em Paris, na França, durante sua visita em 26 de setembro de 2026 | Crédito: Vatican Media 
 

O papa Leão XIV ouviu hoje (26) os relatos de fé e esperança de dois migrantes na França, durante sua visita a um centro de integração da arquidiocese de Paris.

A França é um dos países europeus que recebe o maior fluxo de imigrantes. A imigração é uma questão política profundamente polêmica, que também está ligada às eleições presidenciais do próximo ano, nas quais a política anti-imigração Marine Le Pen figura atualmente como favorita.

Cerca de oito milhões de imigrantes vivem na França, o que representava 11,6% da população total do país em 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística da França.

Leão XIV visitou a Maison Bakhita, um centro que oferece apoio e integração a imigrantes na arquidiocese de Paris. A visita do papa coincide com o quinto aniversário do centro, que oferece oficinas de costura, culinária, artes visuais e informática.

O centro, que leva o nome de santa Josefina Bakhita — sequestrada e escravizada quando era criança no Sudão —, já acolheu 2,5 mil pessoas de 84 nacionalidades desde que abriu suas portas no final de setembro de 2021. Conta com cinco funcionários permanentes e 100 voluntários.

“O nome do vosso Centro de Acompanhamento e Integração Social, ao fazer referência a Santa Bakhita, incentiva-nos a reconhecer o papel fundamental das mulheres na construção de uma civilização do amor, alternativa à cultura que desagrega as comunidades e torna as cidades doentes de solidão”, disse o papa.

Leão XIV ouviu o testemunho de Blessing, uma mulher nigeriana de 31 anos que descreveu como sua vida mudou após receber a ajuda e a amizade da Aux Captifs, la Libération, uma organização católica de caridade que ajuda pessoas em situação de rua e em situação de prostituição.

Blessing descreveu uma vida difícil na qual foi “obrigada a fazer coisas que não queria fazer”. No entanto, graças à ajuda que recebeu, conseguiu deixar essa vida para trás e começou a trabalhar em um restaurante.

“Deus ocupa um lugar importante na minha vida. Sem Deus, nada é possível”, disse. “Mesmo em meio às dificuldades que vivi, nunca duvidei de sua presença e sabia que, algum dia, Ele abriria um novo caminho para mim. Às vezes, gostaria que Deus pudesse apagar tudo como um mágico, mas sei que Ele fará tudo no tempo certo”.

O papa também ouviu Meysam, um refugiado afegão de 35 anos. Na Maison Bakhita, ele conseguiu melhorar seu francês e suas habilidades em costura. Agora, ele é voluntário do centro: “Saio duas vezes por semana às ruas para encontrar pessoas exiladas e refugiadas sem documentos. É uma forma de retribuir o que eu mesmo recebi”.

Leão XIV agradeceu a todos os que trabalham no centro, “bem como a todas as pessoas que, em toda a França, prestam este serviço em instituições semelhantes”.

“Continuai a dar testemunho do cuidado mútuo que, por meio do acolhimento fraterno, dos percursos formativos e do diálogo com a cidade, eleva o espírito e humaniza o mundo”, disse.

“Que Santa Bakhita e os grandes testemunhos da caridade que moldaram a presença da Igreja na França, especialmente em épocas de mudanças conturbadas, intercedam por vós”, concluiu.

Milhares de jovens franceses rezam com Leão XIV em estádio de futebol

 


Papa Leão XIV celebrou a vigília de oração com 80 mil jovens em Paris, França / Crédito: Vatican Media ??
Papa Leão XIV celebrou a vigília de oração com 80 mil jovens em Paris, França / Crédito: Vatican Media 
 

Pelo menos 80 mil jovens católicos compareceram na noite de ontem (25) ao estádio nacional de futebol da França, norte de Paris, para rezar com o papa Leão XIV e ouvir sua mensagem para a Igreja.

Seja levantando os braços em atitude de louvor e adoração, seja venerando em silêncio as relíquias dos santos e a Santa Túnica de Cristo, todo o Stade de France permaneceu unido em oração antes da chegada de Leão XIV e ao longo de um programa com duração de uma hora e meia.

Pessoas vindas de subúrbios da classe trabalhadora dividiam o espaço com famílias do meio católico mais tradicional associado à cidade de Versalhes. Nas filas na entrada do estádio, bandeiras da Bretanha e da Vandea — regiões com forte tradição católica — tremulavam ao lado de grupos de estilo mais popular e carismático.

Uma jovem de 29 anos, Romance Bono, enxugava as lágrimas enquanto o papa entrava no estádio em meio a aplausos ensurdecedores.

“As lágrimas caíram porque é um momento muito emocionante”, declarou ela à EWTN News. “Ver todos esses jovens aclamando o papa como se fosse uma estrela do rock... essa é a força da Igreja e seu futuro aqui. Foi muito comovente”.

Logo depois da chegada do papa ao estádio, centenas de jovens católicos franceses apresentaram uma encenação artística que recriava a vida dos santos franceses e a história da Igreja na França; o espetáculo incluiu cavalos de verdade e culminou com fogos de artifício sobre o estádio.

Jacques-Henri de Livron, um voluntário de 28 anos, contou à EWTN News que, assim que soube que o papa visitaria a França, decidiu pedir um dia de folga no trabalho para vê-lo. Ele temia tanto perder os eventos que se ofereceu como voluntário para garantir que pudesse participar.

De Livron cresceu em um ambiente católico, mas retomou a fé ao chegar aos vinte anos, depois da dolorosa perda de alguns irmãos e amigos próximos. Segundo ele, essas experiências o levaram a redescobrir o valor da fé.

“O cristianismo é, na verdade, a religião da pessoa humana”, afirmou. “Nesta era de narcisismo, ele nos ajuda a sair de nós mesmos, a nos voltarmos para os outros e a nos preocuparmos com eles, em vez de pensar apenas em nós. Muitas vezes é chamado de ‘religião do livro’ ou ‘religião da revelação’. Mas é muito mais do que isso: é a religião da pessoa humana”.

De Livron também quis divulgar seu sobrenome, algo pouco comum na França — onde existe uma cultura anticlerical arraigada e os crentes costumam pedir para serem identificados na imprensa apenas pelo nome de batismo, a fim de evitar problemas no trabalho. “Quero fazer parte de uma geração que deixe de ter medo de dar testemunho, que revele seu nome e que não tema nada”, declarou.

Pierre-Alain Belaube, de 34 anos, descreveu o esforço de chegar com horas de antecedência, após um longo dia de trabalho, e de abrir caminho entre a multidão para entrar no estádio lotado como algo que “valeu a pena 200%. É um privilégio estar aqui”.

Belaube se descreveu como um católico que antes era pouco praticante, cuja vida se transformou ao ler a autobiografia de santo Inácio de Loyola.

“Tenho esperança de que muito mais jovens abram seus corações a Deus e permitam que Ele transforme suas vidas”, disse. “Acredito que um evento como este possa ser, para muitos, o primeiro marco de uma experiência que mude suas vidas. Espero que possamos inspirar muito mais jovens a conhecer Jesus”.

Thibault, um religioso que preferiu não revelar seu sobrenome por não ter permissão de seus superiores para falar com a imprensa, acompanhou ao evento 400 membros do movimento juvenil de sua comunidade religiosa, os Missionários da Divina Misericórdia.

Ele comentou à EWTN News que é muito comovente ver-se cercado por jovens que “querem dizer: ‘Aqui estou, sou católico e tenho orgulho de demonstrar isso’”.

O jovem religioso, que também se prepara para o sacerdócio, expressou sua esperança de que a visita de Leão XIV à França “contribua para o despertar missionário que precisa ocorrer no país”.

Embora esse país, em sua maioria secular, esteja passando por um aumento surpreendente no número de batismos, ele considera que “os católicos ainda têm dificuldade em sair ao encontro dos outros e serem missionários em sua vida cotidiana”.

“Acredito que este possa se tornar um momento significativo para a vida da Igreja na França”.

Em sua mensagem durante a oração, que incluiu hinos religiosos e a ladainha dos santos, Leão XIV convidou os jovens a rejeitar o mal e a se empenhar em praticar o bem.


Papa Leão XIV discursa perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News

“Deus é o Senhor da história e, aconteça o que acontecer, leva-a para a salvação: em Cristo, todo mal tem um fim, precisamente porque o fim se torna início de uma vida nova e eterna”, disse.

“A obra bem feita, aquela que é boa, é a redenção que Jesus realiza por nós”, disse o papa. “Na sua luta contra o pecado e a morte, a vitória de Cristo liberta-nos: salva-nos de todo o mal e convida-nos a todo o bem”.

Leão XIV também respondeu às perguntas de dois jovens franceses como parte da programação da noite.

Chloé, de 25 anos, falou sobre sua participação na paróquia e em um grupo de jovens católicos “ansiosos por viver e compartilhar sua fé com os outros”. No entanto, lamentou que a sociedade “se baseie em princípios diferentes” e, às vezes, “não leve em conta a questão de Deus”.

O papa Leão XIV respondeu: “Como disseste, é verdade que a sociedade em que vivemos parece ser indiferente a Deus. Mas o Senhor não é indiferente para conosco! É o que importa e nos dá sempre esperança”.

Chloé, natural de Saint-Denis, descreveu a vitalidade da vida católica naquela região. Saint-Denis costuma ser descrita como um “quartier sensible” (bairro vulnerável). Seu testemunho ecoou o que a EWTN News ouviu da boca de católicos locais presentes na multidão — incluindo pessoas de origem imigrante — sobre a vida da Igreja em seus bairros, caracterizados por uma forte presença muçulmana.

Um jovem da Borgonha chamado François também se dirigiu ao papa e perguntou como os jovens podem discernir o chamado do Senhor ao serviço.

O conselho de Leão XIV aos jovens foi manter o coração aberto ao sofrimento de seus semelhantes, seguir Jesus e inspirar-se nos exemplos dos santos.

“Mesmo na perseguição, estes nossos irmãos e irmãs abriram caminhos de paz. Olhai para os sacerdotes apaixonados por Cristo, como santo Eugênio de Mazenod e são João Maria Vianney; olhai para a beleza mística de santa Teresa de Lisieux; para a beata Pauline Jaricot, fervorosa na caridade e na missão; para a coragem dos cinquenta mártires do apostolado do período da Segunda Guerra Mundial, que serviram os seus irmãos até ao sacrifício da vida”, disse.

“Estes santos mudaram a história, tendo levado muitos do sofrimento à esperança, porque, acima de tudo, mudaram o seu próprio coração, transformando-o à luz da fé”, destacou.

A vigília juvenil foi o último evento do papa em um primeiro dia intenso na França. A viagem, que ocorre de 25 a 28 de setembro, o levará também a Lourdes e Metz.