Caminhando
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Cinco pontos básicos para entender a Quaresma e como ela é vivida
Quaresma | Shutterstock/Kara GebhardtPor Redação central
15 de fev de 2026 às 05:00
A Quaresma é um período litúrgico de oração e penitência para se preparar para o Tríduo Pascal, que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo.
São Leão Magno afirma que os dias da Quaresma "nos convidam de forma veemente ao exercício da caridade; se quisermos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos ter um interesse muito especial na aquisição dessa virtude, que contém em si todas as outras e cobre uma infinidade de pecados".
1. As três práticas da Quaresma
A primeira prática da Quaresma é a oração, condição indispensável para o encontro com Deus. Por meio dela, o cristão se comunica com o Senhor, permite que a graça entre em seu coração e, como a Virgem Maria, se abre à ação do Espírito Santo, dando uma resposta livre e generosa (Lc 1,38).
A segunda é a mortificação, que inclui o jejum e a abstinência. Ela deve ser vivida diariamente. Significa oferecer a Cristo os momentos que causam desconforto e aceitar a adversidade com humildade e alegria.
A terceira é a esmola ou, de forma mais ampla, a caridade. São João Paulo II explica que ela está enraizada "nas profundezas do coração humano: cada pessoa sente o desejo de estar em contato com os outros, e ele se realiza plenamente quando é dado livremente aos outros".
2. Jejum e abstinência
O jejum consiste em comer apenas uma refeição completa ao dia, e a abstinência se refere a não comer carne. Ambos os sacrifícios reconhecem a necessidade de realizar trabalhos para o bem da igreja e dos irmãos e em reparação dos pecados.
Nesta prática, as necessidades terrenas também são deixadas de lado a fim de redescobrir a sede de Deus. "Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,4).
O jejum é obrigatório dos 18 aos 59 anos de idade, e não proíbe a ingestão de um pouco de alimento pela manhã e à noite.
Além da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-feira Santa, a abstinência deve ser observada todas as sextas-feiras do ano e é obrigatória a partir dos 14 anos de idade.
A prática antiga ou tradicional, anterior ao Concílio Vaticano II, é de abstinência de carne ao longo de toda a Quaresma e jejum em todas as quartas e sextas-feiras da Quaresma.
3. Início e fim da Quaresma
A Quarta-feira de Cinzas indica o início dos 40 dias de preparação para a Páscoa. Nesse dia, o padre abençoa e impõe as cinzas extraídas das palmas abençoadas no Domingo de Ramos do ano anterior.
As cinzas são um sinal de humildade e lembram o cristão de sua origem e seu fim. Elas são impostas na testa com o sinal da cruz e pronunciando as palavras bíblicas: "Lembre-se de que você é pó e ao pó voltará" ou "Arrependa-se e creia no Evangelho".
A Quaresma termina na noite da Quinta-feira Santa. Nesse dia, a igreja comemora a Última Ceia de que o Senhor participou com seus apóstolos antes de ser crucificado na Sexta-feira Santa.
4. Duração da Quaresma
A Quaresma dura 40 dias. Esse é um número especial na Bíblia, pois o número quatro simboliza o universo material e, seguido de zeros, faz alusão ao tempo de vida na Terra, com suas provações e dificuldades.
Além disso, os 40 dias lembram os dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública.
5. A cor litúrgica da Quaresma
A cor litúrgica dessa época é o roxo, que significa luto e penitência. É um período de reflexão, conversão espiritual e preparação para o mistério pascal.
(acidigital)
O que fazer depois de receber as cinzas no início da Quaresma
Membros da marinha dos EUA
recebem as cinzas na testa | Foto da U.S. Navy feita pelo especialista
de terceira classe Brian May / Domínio público.17 de fev de 2026 às 07:00
Na missa da Quarta-feira de Cinzas que marca o início da Quaresma, o padre e os ministros que o ajudam falam uma fórmula quando impõem as cinzas na testa dos fiéis.
O Missal Romano diz que “o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um: ‘Arrependei-vos e acreditai no Evangelho’ (cf. Mc 1,15) ou: ‘Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar’ (cf. Gen 3,19)”.
O que fazer depois de receber as cinzas?
Um primeiro ponto é que não há indicação do que a pessoa deve dizer ou fazer, portanto, é um momento para meditar em silêncio sobre o que foi ouvido após a imposição das cinzas.
O padre argentino Mauro Carlorosi, do Oratório de São Felipe Neri, especialista no tema da Divina Misericórdia, disse à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, que, embora "não haja um tempo mínimo" estabelecido para o uso das cinzas na testa ou na cabeça, elas podem servir como um testemunho.
O sacerdote disse que as cinzas "são muito úteis como testemunho de que a pessoa é cristã e está vivendo a Quaresma".
"Não se deve ter medo de dar testemunho onde quer que se esteja", destacou.
“Mas é claro que as cinzas em sua cabeça nesse dia não o impedem de cumprir seu dever. Se tiver que se lavar ou se molhar, pode fazê-lo, mas não deve tirá-las por covardia por usar um sinal externo", acrescentou.
Para o padre Carlorosi, "nestes tempos, precisamos saber como exteriorizar nossa fé, especialmente os leigos. Assim como usamos alianças de casamento em nossas mãos ou fazemos o sinal da cruz em frente às igrejas, podemos usar cinzas com coragem para dar testemunho de Cristo".
"Se as cinzas caírem sozinhas ou se alguém se lavar, então que seja devido à perda no uso natural desse sinal", recomendou o padre.
"E se houver uma mancha feia na testa, que se deteriora com o passar do dia, não há problema em removê-la para que não pareça sujeira. Então, não haveria problema em se lavar", concluiu.
Igreja celebra hoje os sete santos fundadores da Ordem dos Servos de Maria
Sete santos fundadores da Ordem dos Servos de MariaPor Redação central
17 de fev de 2026 às 00:01
No século XIII, sete jovens ricos provenientes da República Livre de Florença (hoje Itália) decidiram abandonar suas riquezas para se entregar a Cristo, seu Evangelho e à Virgem Maria.
Mais tarde, fundaram a Ordem dos Servos de Maria, e sua festa é comemorada hoje (17).
Este é o único caso na história da Igreja Católica no qual sete pessoas fundaram uma ordem religiosa.
No dia 15 de agosto de 1233 (festa da Assunção de Maria), a Virgem apareceu a eles e lhes pediu que renunciassem ao mundo e se dedicassem exclusivamente a Deus.
Foi então que Buonfiglio dei Monaldi (Bonfilho), Giovanni di Buonagiunta (Bonajunta), Bartolomeo degli Amidei (Amadeu), Ricovero dei Lippi-Ugguccioni (Hugo), Benedetto dell’Antella (Maneto), Gherardino di Sostegno (Sóstenes) e Alesio de Falconieri (Aleixo), que nesta época formavam uma confraria de leigos chamada Laudenses, repartiram todo o seu dinheiros entre os pobres e se retiraram ao Monte Senario, perto de Florença, para rezar e fazer penitência. Lá construíram uma Igreja e uma ermida, na qual levaram uma vida austera.
Tempos depois, todos foram ordenados sacerdotes a pedido do cardeal, delegado do papa, exceto santo Aleixo Falconieri, o mais novo deles, que por humildade quis permanecer sempre como irmão.
Em 1239, os sete fundaram a ordem religiosa dos Servos de Maria, após uma nova visão da Virgem na qual lhes disse para seguir as regras de santo Agostinho e lhes mostrou um hábito negro, recomendando que o usassem em memória da Paixão de seu Filho.
Desde 1240, foram conhecidos como os servitas e rapidamente estenderam seu trabalho apostólico por toda Florença, chegando a fundar vários conventos e igrejas.
As características desta organização são a grande devoção à Santíssima Virgem, a solidão e o retiro.
Os Servos de Maria foram reconhecidos pela Santa Sé em 1304. Sua memória é comemorada em 17 de fevereiro, dia em que, segundo consta, morreu o último de seus membros, santo Aleixo Falconieri, no ano 1310.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
O Papa em Óstia: desarmar a linguagem, investir energia e recursos na educação
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV visitou, na tarde deste domingo (15/02), a Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz, em Óstia Lido, cidade litorânea próxima a Roma, iniciando a primeira das cinco visitas paroquiais romanas previstas para os domingos antes da Páscoa.
O Pontífice celebrou a missa e em sua homilia manifestou imensa alegria de estar ali com essa comunidade, vivendo "o gesto que dá nome ao domingo. É o 'dia do Senhor' porque Jesus Ressuscitado vem ao nosso encontro, nos escuta, nos fala, nos alimenta e nos envia".
No Evangelho deste domingo, "Jesus anuncia a sua 'nova lei': não apenas um ensinamento, mas a força para colocá-lo em prática. É a graça do Espírito Santo que escreve de forma indelével em nosso coração e leva ao cumprimento os mandamentos da Antiga Aliança".
O Papa recordou que a Primeira Leitura extraída do Livro do Eclesiástico, nos convida "a ver nos mandamentos do Senhor não uma lei opressiva, mas sua pedagogia para a humanidade em busca de plenitude de vida e liberdade".
O caminho para a plenitude humana
Jesus "indica como caminho para a plenitude humana, uma fidelidade a Deus fundada no respeito e no cuidado com o outro em sua sacralidade inviolável, a ser cultivada, no coração, antes mesmo de gestos e palavras".
“É ali, de fato, que nascem os sentimentos mais nobres, mas também as profanações mais dolorosas: o fechamento, a inveja, o ciúme. Por isso, quem pensa mal de seu irmão, nutrindo sentimentos ruins em relação a ele, é como se, no seu íntimo, já o estivesse matando.”
A violência que existe e fere
A seguir, o Papa recordou as palavras da Primeira Carta de São João: "Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino". "Como essas palavras são verdadeiras! Quando também nos encontrarmos julgando e desprezando os outros, lembremo-nos de que o mal que vemos no mundo tem suas raízes precisamente ali, onde o coração se torna frio, duro e desprovido de misericórdia", disse Leão XIV, acrescentando:
“Isso também é vivido aqui, em Óstia, onde, infelizmente, a violência existe e fere, ganhando força, às vezes, entre jovens e adolescentes, talvez alimentada pelo abuso de substâncias; ou por organizações criminosas que exploram as pessoas, envolvendo-as em seus crimes e perseguindo interesses iníquos com métodos ilegais e imorais.”
Não se conformar com a cultura de abuso
Diante desses fenômenos, o Papa convidou todos, "como comunidade paroquial, junto com as demais realidades virtuosas que trabalham nesses bairros, a continuarem se dedicando com generosidade e coragem para semear a boa semente do Evangelho em suas ruas e casas". "Não se conformem com uma cultura de abuso e injustiça", sublinhou.
“Pelo contrário, difundam o respeito e a harmonia, começando por desarmar a linguagem e investindo energia e recursos na educação, especialmente das crianças e dos jovens. Sim, que na paróquia eles possam aprender a honestidade, o acolhimento e o amor que ultrapassa fronteiras; aprender a ajudar não só aqueles que retribuem e a cumprimentar não só aqueles que cumprimentam, mas a ir ao encontro de todos de forma gratuita e livre; aprender a coerência entre fé e vida.”
"Que este seja o objetivo de seus esforços e atividades, para o bem de quem está perto e quem está longe, para que até mesmo quem é escravo do mal possa encontrar, por meio de vocês, o Deus do amor, o único que liberta o coração e torna verdadeiramente feliz", disse ainda o Papa.
Papa Bento XV quis esta paróquia
Leão XIV recordou que cento e dez anos atrás, o Papa Bento XV quis esta paróquia intitulada a Nossa Senhora Rainha da Paz. Ele o fez no auge da Primeira Guerra Mundial, "pensando nesta comunidade como um raio de luz no céu plúmbeo da guerra".
“Com o passar do tempo, infelizmente, muitas nuvens ainda obscurecem o mundo, com a difusão de lógicas contrárias ao Evangelho, que exaltam a supremacia do mais forte, encorajam a prepotência e alimentam a sedução da vitória a todo custo, surdas ao grito de quem sofre e de quem é indefeso.”
A força desarmante da mansidão
Leão XIV convidou a opor-se a essa tendência "com a força desarmante da mansidão, continuando a pedir a paz, a acolher e a cultivar esse dom com tenacidade e humildade". O Papa recordou Santo Agostinho que dizia que «não é difícil possuir a paz [...]. Se [...] a quisermos, ela está ali, ao nosso alcance, e podemos possuí-la sem nenhum esforço».
"Isso porque a nossa paz é Cristo, que se conquista deixando-se conquistar e transformar-se por Ele, abrindo-lhe o coração e, com a sua graça, abrindo-o àqueles que Ele mesmo coloca no nosso caminho".
O Papa concluiu, convidando os fiéis a fazerem isso todos os dias, "juntos, como comunidade, com a ajuda de Maria, Rainha da Paz. Que ela, Mãe de Deus e nossa Mãe, sempre nos guarde e nos proteja".
O significado e a origem das cinzas de Quaresma
Imagem ilustrativa | UnsplashPor Redação central
16 de fev de 2026 às 05:15
Daqui a alguns dias começa a Quaresma de 2026, um período marcado por celebrações e práticas específicos de preparação para a Páscoa.
1. O que é a Quarta-feira de Cinzas?
É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a igreja chama os fiéis a se converterem e a se prepararem verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa. Este ano será celebrada no dia 14 de fevereiro.
A Quarta-feira de Cinzas é uma celebração que está no Missal Romano. No final da Missa, abençoa-se e impõe-se as cinzas obtidas da queima dos ramos usados no Domingo de Ramos do ano anterior.
2. Como nasceu a tradição de impor as cinzas?
A tradição de impor as cinzas remonta à Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas sobre a cabeça e se apresentavam diante da comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.
A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos por volta do ano 400 d.C. e, a partir do século XI, a Igreja de Roma passou a impor as cinzas no início deste tempo.
3. Por que se impõe as cinzas?
A cinza é um símbolo. Sua função está descrita no artigo 125 do Diretório sobre a piedade popular e a liturgia:
“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canônica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada batizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Deve-se ajudar os fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal”.
4. O que as cinzas simbolizam e o que recordam?
A cinza, produto da combustão de algo pelo fogo, adquiriu desde muito cedo um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência.
A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19).
5. Onde podemos conseguir as cinzas?
Para a cerimônia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Antes de queimá-los, asperge-se água benta e incensam-se os ramos.
6. Como se impõe as cinzas?
Este ato acontece durante a missa, depois da homilia. Hoje é permitido que os leigos ajudem o sacerdote. As cinzas são impostas na fronte, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras Bíblicas: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
Depois de receber as cinzas, o fiel deverá retirar-se em silêncio, meditando na frase proferida.
7. O que devem fazer quando não há sacerdote?
Quando não há sacerdote, a imposição das cinzas pode ser realizada sem missa, de forma extraordinária. Entretanto, é recomendável que antes do ato participem da liturgia da palavra.
A bênção das cinzas, porém, como todo sacramental, somente pode ser feita por um sacerdote ou um diácono.
8. Quem pode receber as cinzas?
Qualquer pessoa pode receber este sacramental, inclusive os não católicos. Como explica o Catecismo (1670 ss.), “sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela”.
9. A imposição das cinzas é obrigatória?
A Quarta-feira de Cinzas não é dia de preceito e, portanto, a imposição das cinzas não é obrigatória..
10. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte?
Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado.
11. O jejum e a abstinência são necessários?
O jejum e a abstinência são obrigatórios durante a Quarta-feira de Cinzas, como também na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Nesse dia, os fiéis podem ter uma refeição principal uma vez durante o dia.
A abstinência de comer carne é obrigatória a partir dos 14 anos. Todas as sextas-feiras da Quaresma também são de abstinência obrigatória. Às sextas-feiras do ano também são dias de abstinência. O gesto, dependendo da determinação da Conferência Episcopal de cada país, pode ser substituído por outro tipo de mortificação ou oferecimento como a oração do terço.
(acidigital)