23 de mar de 2026 às 15:24
“Não devemos permitir que as crianças acabem acreditando que podem encontrar nos chatbots da
inteligência artificial seus melhores amigos ou o oráculo de todo o
conhecimento, entorpecendo seu intelecto e sua capacidade de
relacionamento, adormecendo sua criatividade e seus pensamentos”, disse o
papa Leão XIV em mensagem publicada ontem (22) no Popotus, suplemento semanal dedicado às crianças do jornal italiano Avvenire, propriedade da Conferência Episcopal Italiana, que celebra seu 30º aniversário.
Ele exortou as pessoas a "zelar"
pela infância e a guiarem o "crescimento das crianças para que sejam
protagonistas de um mundo renovado".
O interesse do papa pela
inteligência artificial tem sido constante desde o início de seu
pontificado. Em 10 de maio do ano passado, falando aos
cardeais na Sala Nova do Sínodo, ele falou sobre a necessidade de
"responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da
inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da
dignidade humana, da justiça e do trabalho".
A revista Time citou Leão XIV em 29 de agosto do ano passado em sua lista das 100 pessoas mais influentes na área de inteligência artificial.
Leão XIV encorajou as crianças, falando aos leitores do Popotus,
a redescobrir a beleza do mundo: “Quero dizer a vocês que restaurar a
beleza do mundo é possível, e que vocês podem ajudar os adultos a vê-la —
precisamente por meio desse jornal feito para vocês — com renovado
encantamento, a pensar nela com confiança e a construí-la sem
preconceitos”.
A linguagem universal do amor
O papa também falou sobre os valores fundamentais que deveriam preservar "desde esses primeiros anos" de suas vidas.
“Confie naqueles que te amam,
na linguagem universal do amor, no poder desarmante de um sorriso, na
coragem de pedir perdão, na beleza de fazer as pazes”, disse ele.
Leão XIV também expressou sua
“grande preocupação” com guerras que ameaçam o futuro da humanidade e
falou sobre a necessidade de recuperar uma perspectiva clara da
realidade.
Citando as palavras de Jesus Cristo
— “Em verdade vos digo que, se não se converterem e não se tornarem
como crianças, não entrarão no reino dos Céus” —, o papa disse que ser
como crianças não significa voltar atrás, mas “guardar uma chave para
ver o essencial de cada coisa, para encontrar respostas surpreendentes
mesmo para as perguntas mais difíceis”.
Ver o mundo novamente com olhos puros
“Talvez só olhando para os olhos
perdidos das crianças diante da barbárie da guerra possamos nos
converter”, disse Leão XIV. “Reaprender a olhar-nos nos olhos e a olhar o
mundo com olhos puros”.
Dirigindo-se também
a pais e educadores, Leão XIV expressou sua gratidão pelo “carinho e
amor com que educam a infância”, ajudando-as “a revelar a beleza que
existe dentro delas e a expressá-la de maneiras sempre novas”.
“Todos nós, especialmente hoje, na
era digital e da inteligência artificial, precisamos de uma educação
permanente”, concluiu ele. “E, para continuarmos sendo humanos,
precisamos preservar um olhar infantil sobre a realidade”.
(acidigital)