sábado, 25 de julho de 2026

Terceira idade: não um peso a ser gerido, mas um dom a ser valorizado

 

Entrevista com Vittorio Scelzo, responsável pela Pastoral dos Idosos no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, a poucos dias do VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que este ano é celebrado no domingo, 26 de julho, festa de São Joaquim e Sant’Ana, “os avós de Jesus”: “Não basta organizar serviços, é preciso construir relações”.

Lorena Leonardi - Vatican News

“Não basta organizar serviços, é preciso construir relações”: só assim “a certeza de não ser esquecido por Deus” se traduz “na experiência cotidiana de não ser esquecido pela própria paróquia e pela própria família”. Palavras de Vittorio Scelzo, oficial do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, responsável pela pastoral dos idosos, que em uma entrevista faz um balanço a seis anos da instituição do Dia Mundial dedicado à Terceira Idade, que este ano é celebrado no domingo, 26 de julho, na festa de São Joaquim e Sant'Ana, pais da Bem-Aventurada Virgem Maria, ou seja, “os avós de Jesus”.

O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos chegou à sua sexta edição. Qual balanço se pode fazer do caminho percorrido até agora?

Nesses anos, o Dia começou a se consolidar como um compromisso estável na vida da Igreja. Criado para responder ao isolamento imposto pela pandemia da Covid-19, deu à reflexão sobre a terceira idade um fôlego mais orgânico. O objetivo nunca se limitou à celebração de um dia especial, mas buscou o desenvolvimento de uma verdadeira pastoral dos idosos, capaz de superar uma ideia da velhice reduzida à assistência: o idoso, não mais apenas destinatário de serviços caritativos, torna-se sujeito ativo da pastoral. Os idosos são uma parcela consistente do povo de Deus, e é necessário oferecer-lhes a atenção pastoral que merecem. O desafio, a longo prazo, é transformar essa sensibilidade em prática ordinária, enraizando-a nos caminhos formativos das comunidades eclesiais.

O tema escolhido por Leão XIV, “Eu jamais te esquecerei” (Is 49, 15), recorda a proximidade de Deus e o compromisso da comunidade para com os idosos, especialmente os mais sós. Quais perspectivas concretas essa mensagem abre?

As palavras de Isaías abrem perspectivas muito interessantes. Antes de tudo, a superação daquilo que o Papa Francisco chamava de “cultura do descarte”, que pede às comunidades que saiam e vão ao encontro dos idosos: em um tempo que mede o valor das pessoas com base em sua eficiência, quem perde as forças ou a memória arrisca-se a se sentir esquecido. Leão XIV acrescenta que “o amor de Deus, que não esquece ninguém, é a resposta ao anonimato no qual a vida humana acaba por se perder”. A mensagem recorda que a missão da Igreja é tornar visível e tangível este “não esquecer” divino, fazendo eco à encíclica Magnifica humanitas. Não basta afirmar com palavras a dignidade dos idosos: é preciso ir ao encontro deles, fazer-se próximo com uma visita, com um abraço. Na prática, o Papa pede para ir visitar os idosos: um convite que pesa de modo particular neste tempo, marcado pelo calor do verão e por uma solidão muitas vezes mais aguda do que em outros períodos do ano. Pode parecer, e também é, um pedido de atenção social; mas a experiência ensina que essa proximidade deixará de ser um gesto isolado apenas quando os idosos forem realmente colocados no centro da vida eclesial, e então ficará claro para todos o quanto a sua presença é preciosa: não um peso a ser gerido, mas um dom a ser guardado. No plano operacional, isso significa que a comunidade deve se encarregar da solidão, verdadeira pobreza da terceira idade: não basta organizar serviços, é preciso construir relações. Como repetimos no Dicastério, o desafio é passar “da assistência à existência”, com projetos de vida nos quais o idoso se sinta parte de um “nós” comunitário. A certeza de não ser esquecido por Deus deve se traduzir na experiência cotidiana de não ser esquecido pela própria paróquia e pela própria família.

Nesses anos, vocês recolheram experiências significativas nas dioceses e nas paróquias. Há boas práticas ou iniciativas particularmente bem-sucedidas que relatam uma crescente sensibilidade em relação aos idosos?

Sim, o monitoramento constante do Dicastério mostra uma criatividade pastoral muito viva, com respostas diferentes dependendo dos contextos geográficos. Em muitas dioceses latino-americanas, a celebração se entrelaça com a devoção a Sant’Ana. Na Venezuela, a pastoral dos idosos está particularmente empenhada para que a mensagem “Eu jamais te esquecerei” chegue a todos os idosos atingidos pelo terremoto. Também na Ásia e na África não faltam iniciativas que, a partir deste Dia, recolocam os idosos no centro da vida eclesial: a diocese de Campala, em Uganda, é provavelmente aquela com as atividades mais numerosas e capilares. Na Índia, por sua vez, foram os jovens que, ao longo dos anos, criaram campanhas nas redes sociais para promover este Dia. Uma prática que está se espalhando por toda parte, e que apoiamos com convicção, é a visita aos idosos sós: muitas paróquias organizaram verdadeiros turnos de companhia. Na Europa, destacam-se os projetos de “aliança intergeracional”, onde jovens e idosos compartilham momentos de oração ou de lazer, superando uma separação geracional que acaba por empobrecer a ambos. Quando o idoso volta ao centro, toda a comunidade se beneficia.

O Pontífice convida a fazer da proximidade aos idosos um estilo ordinário da vida eclesial, não limitado a um único dia. Quais são hoje os principais desafios para que isso aconteça?

É necessário, antes de tudo, uma mudança de mentalidade, por parte da sociedade, mas também dos próprios idosos. Não se pode aceitar viver, e deixar viver, vinte ou trinta anos sem motivações e sem missão: a velhice é uma estação da vida que deve encontrar a sua própria espiritualidade, não um tempo vazio a ser preenchido ou gerido à espera do fim. Tampouco se pode fingir que não existe e continuar a viver como se o tempo não tivesse passado. O próprio Leão XIV, dirigindo-se diretamente aos idosos em sua mensagem, encoraja-os com um apelo claro: “Não tenham medo da fragilidade!”, explicando que esta fraqueza, se acolhida, abre o coração à invocação e torna-se ela mesma vocação. Um sinal concreto disso é a missão que o Papa confia justamente aos idosos: unir-se a ele na oração insistente para que a paz chegue logo ao mundo. Uma vocação, não uma aposentadoria espiritual.

Para acompanhar o Dia dos Idosos, foram preparados subsídios pastorais, a oração oficial e outros materiais. A quem são direcionados e como podem ajudar as comunidades a viver esta data de modo concreto?

Os materiais preparados — o chamado “kit pastoral” disponível no site do Dicastério — são instrumentos pensados para facilitar o trabalho das comunidades eclesiais. A proposta é propositalmente simples: celebrar uma missa com os idosos, possivelmente na igreja catedral, e visitar os idosos sós da própria comunidade. São indicações muito concretas: coerentemente com o tema escolhido para este ano, pede-se para não esquecer ninguém e, portanto, visitar também os idosos acamados ou sem condições de participar das atividades comuns. Também para eles o Dia dos Idosos é um chamado a se renovarem e a levarem a sério o pedido de Leão XIV de interceder pela paz.


(vaticannews)

Cardeal Kikuchi: a Igreja na Ásia, comunidade de realidades diversas unidas por uma só fé

 

Em uma entrevista, o cardeal Tarcisius Isao Kikuchi, de Tóquio, Japão, secretário-geral da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, aprofunda os temas da Assembleia Plenária da FABC (que se encerra em 26 de julho), detendo-se no valor da fé, na tutela da dignidade humana e na necessidade de uma urgente resposta pastoral à migração por parte da Igreja em toda a Ásia.

Deborah Castellano Lubov - Vatican News

“Tivemos a oportunidade de aprofundar a nossa compreensão da realidade na Ásia e a conscientização de que, embora vivendo em contextos muito diferentes, estamos unidos em uma única fé, em um único Corpo de Cristo”. Quem explica é o cardeal Tarcisius Isao Kikuchi, arcebispo de Tóquio e Secretário-geral da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), em conversa com a mídia do Vaticano sobre a XII Assembleia Plenária aberta na segunda-feira (20/07) em Jacarta, na Indonésia, e que se encerra no domingo, 26 de julho. Mais de 120 cardeais e bispos reuniram-se para rezar e refletir sobre a missão da Igreja no continente asiático. O cardeal Kikuchi presidiu a celebração eucarística que deu início à Assembleia, marcada por dias ricos em partilha e pela apresentação das reflexões surgidas nas discussões em grupo.

Eminência, quais os principais frutos da Assembleia Plenária até agora? Quais foram os temas e as prioridades principais das suas discussões?

A Igreja na Ásia existe nas diversas realidades culturais, linguísticas, políticas e econômicas, mas uma coisa é comum à maioria de nós: somos uma minoria absoluta na sociedade, com exceção das Filipinas. No primeiro dia, os participantes apresentaram breves vídeos de três minutos; na quarta-feira, tivemos um dia de oração e conversação no Espírito, guiado pelo cardeal Luis Antonio Tagle; e, na quinta-feira, nos dedicamos ao aprofundamento do mutável panorama sociopolítico da Ásia e à partilha da realidade das nossas Igrejas locais. Tivemos a oportunidade de aprofundar a nossa compreensão da realidade na Ásia e de aumentar a conscientização de que vivemos em realidades muito diferentes, mas unidos em uma única fé, em um único Corpo de Cristo. Compartilhamos os desafios e as oportunidades para a missão, baseados nas realidades locais, e encontramos alguns elementos comuns, em particular a importância do diálogo. Estamos buscando o melhor modo de sermos nós mesmos pontes, mas também construtores de pontes entre as pessoas, junto com as pessoas através do diálogo: com culturas diferentes, com as pessoas, especialmente os pobres, na variada realidade das numerosas religiões e na resposta à crise ecológica.

Eminência, a Ásia é um continente extraordinariamente diversificado. O que o senhor aprendeu com os seus confrades bispos durante esta assembleia?

As grandes ondas migratórias na Ásia exigem uma atenção pastoral imediata em muitos países. A tutela da dignidade humana também é uma prioridade em muitos Estados. Embora cada Nação tenha a sua própria situação e os seus próprios problemas, podemos buscar caminhos de cooperação entre as comunidades eclesiais na Ásia. O que as respectivas comunidades eclesiais na Ásia precisam é da compreensão recíproca de suas realidades e de cooperação mútua. Todos os meus confrades bispos, apesar de suas diferentes realidades, pedem o reconhecimento das circunstâncias em que atuam e o apoio, sobretudo espiritual, recíproco.

Os católicos no Japão representam uma porcentagem relativamente pequena da população. Como arcebispo de Tóquio, de que modo o senhor considera que as deliberações destes dias possam ajudar a sua Igreja a testemunhar melhor ou até mesmo a difundir a fé neste contexto?

Segundo as estatísticas oficiais da Igreja, no Japão há menos de meio milhão de católicos. No entanto, na realidade, no país reside pelo menos outro meio milhão de católicos migrantes. O sistema de registro oficial da Igreja no Japão não leva totalmente em conta essas pessoas. Por exemplo, estima-se que cerca de 40 mil filipinos residam na arquidiocese de Tóquio, e muitos jovens vietnamitas que trabalham no Japão com vistos temporários também são católicos. Através dos nossos encontros com os bispos de outros países asiáticos, iniciamos discussões profícuas sobre a realidade dos católicos migrantes e trocamos perspectivas significativas sobre a sua pastoral. Todos concordamos com o fato de que a presença dos católicos migrantes representa uma contribuição significativa para a comunidade eclesial local, enriquecendo a sua diversidade e permitindo à Igreja ser testemunha de unidade na diversidade, em particular em uma sociedade que frequentemente tende à exclusão e ao nacionalismo, como a japonesa. Sendo um exemplo de “unidade na diversidade”, a Igreja no Japão pode proclamar os valores do Evangelho através da sua própria existência, sendo uma comunidade de pessoas de diferentes nacionalidades que caminham e rezam juntas. A sinodalidade é fundamental para este testemunho.

Como foi recebida no Japão a encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV? Dada a liderança do Japão na inovação tecnológica, o senhor considera que o documento teve repercussão na sociedade japonesa? Em sua opinião, quais aspectos podem ser particularmente valiosos no contexto japonês?

A nova encíclica Magnifica humanitas foi objeto de numerosos artigos na imprensa no Japão. De fato, desde a eleição, as palavras e as ações do Papa Leão têm sido amplamente acompanhadas pelos meios de comunicação japoneses. Há um interesse notável pela nova encíclica porque ela aborda o tema da inteligência artificial — que também é uma questão de interesse nacional neste momento —, mas a tradução oficial em japonês ainda está em andamento e aguardamos com expectativa a sua publicação. Somente então poderemos avaliar a reação da opinião pública.

Papa: Igreja na Ásia, fortalecer a unidade para construir pontes no continente

 


Leão XIV enviou uma mensagem de vídeo aos participantes da assembleia plenária da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC) que se realiza, em Jacarta, na Indonésia, de 21 a 26 de julho, para discutir e desenvolver novas linhas de compromisso missionário. Citando a Magnifica Humanitas, o Pontífice exorta continuar promovendo uma "espiritualidade eucarística" para uma "unidade eclesial fundada na caridade que britado dom do Senhor na Eucaristia".

Vatican News

Neste sábado (25/07), o Papa Leão XIV falou através de uma mensagem de vídeo aos participantes da Assembleia Plenária da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC) que se realiza em Jacarta, na Indonésia, de 20 a 26 de julho.

Cerca de 150 bispos provenientes de 29 países asiáticos se reúnem "para debater as importantes questões relativas à vida e ao futuro da Igreja Católica na Ásia", recordou o Santo Padre, asseguro-lhes sua "proximidade espiritual" e pedindo "ao Espírito Santo que inspire e guie este tempo que passam juntos".

Leão XIV recordou que o tema escolhido para assembleia plenária se inspira nas palavras de Jesus dirigidas a Natanael: “Você verá coisas maiores do que estas!”. "Ao chamar Filipe e Natanael para segui-lo e se tornarem seus discípulos, o Senhor se refere a si mesmo como o único mediador entre Deus e a humanidade", disse o Papa.


"Como seus discípulos hoje, sabemos que Jesus não é apenas a fonte da nossa comunhão com Deus, mas também da nossa comunhão uns com os outros", sublinhou. A seguir, recordou sua Carta Encíclica Magnifica Humanitas, publicada recentemente, onde escreve "que a solidariedade cristã encontra sua origem no mistério de Cristo e nasce de nossa comunhão nos sacramentos, particularmente na Eucaristia".

“Por esse motivo, desejo encorajá-los a continuar promovendo uma espiritualidade eucarística em suas Igrejas locais, ou seja, uma espiritualidade de unidade eclesial fundada na caridade que brota do dom do Senhor na Eucaristia.”

O Papa espera "que os laços de comunhão dentro e entre as Igrejas locais se fortaleçam e se tornem um sinal cada vez maior da presença de Deus em seus diferentes países, ajudando-os assim a serem construtores de pontes em toda a Ásia".

Por fim, confiou os participantes da assembleia plenária "à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja", invocando sobre eles "os dons da sabedoria e força do Senhor".

Rejoice e comentário à liturgia do 17º Domingo do Tempo Comum - Ano A


 

Sábado, 25 de Julho de 2026 -11h00 Missa, na Basílica da Santíssima Trindade


 

O que pedir a Deus (Mt 20,20-28) Palavra de Deus | Irmã Maria Raquel 25/07


 

A catedral que é símbolo dos peregrinos na Espanha.


 

SANTO DO DIA - 25 DE JULHO: SÃO THIAGO, O MAIOR


 

Laudes da Festa de São Tiago, Apóstolo