domingo, 27 de setembro de 2026

Lourdes – Santa Missa e recitação da oração do Angelus, 27 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
A FRANÇA E VISITA À SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO)

25-28 DE SETEMBRO DE 2026

SANTA MISSA

HOMILIA DO SANTO PADRE

Prairie do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
Domingo, 27 de setembro de 2026


Irmãos e irmãs, peregrinos vindos da França e de todo o mundo, ao olhar para vós esta manhã, reunidos na casa da nossa Mãe, vejo o rosto universal da Igreja. Alguns de vós atravessastes continentes, superastes fadigas, trouxestes as vossas alegrias e os vossos fardos até esta Gruta sagrada. Que felicidade estarmos juntos, um só coração, uma única família!

Gostaria de saudar de forma especial os peregrinos vindos de todas as províncias e dioceses da França. Hoje pisais o solo desta terra abençoada que recebeu tantas graças. Que esta peregrinação reavive a chama da fé nos vossos lares e nas vossas paróquias. Levai o consolo de Lourdes aos vossos vizinhos, aos vossos entes queridos e a todo o povo francês.

Os textos que a Liturgia nos propõe neste domingo abordam um aspecto central da mensagem que a Virgem Maria veio confiar a Santa Bernadette: um convite à conversão, ao mesmo tempo terno e urgente. No Evangelho, Jesus lança um olhar de verdade e profunda tristeza sobre os corações fechados: «nem depois de verdes isto, vos arrependestes!» (Mt 21, 32). Porquê esta ferida no coração de Cristo? Porque Deus não quer a perdição dos seus filhos. O profeta Ezequiel recorda-nos isso: «Se o justo se afasta da sua justiça para praticar o mal e morre por causa disto, é por causa do mal que praticou que ele morrerá»; ao passo que, se se converte, «se ele se afasta dos pecados que cometeu, viverá certamente, não morrerá» (Ez 18, 26.28). É por isso que os apelos à penitência ressoam nas Sagradas Escrituras e percorrem toda a pregação do Evangelho ao longo dos séculos. Assumem uma gravidade salutar para manifestar a sua urgência e necessidade: é hoje – não amanhã – que é preciso converter-se; é hoje o momento favorável, o dia da salvação (cf. 2 Cor 6, 2). Sim, Deus deseja que o homem viva, que abra os olhos e volte para Ele. Converter-se é abandonar os caminhos do erro para seguir o Caminho da Vida, abrindo assim o nosso coração à única Alegria que não passa.

O próprio Jesus não mede palavras quando exorta à penitência, como nos relata, por exemplo, São Lucas: «se não vos converterdes, perecereis todos» (Lc 13, 5). Mas Ele alarga o horizonte da vida terrena ao da vida eterna. Enquanto a felicidade aqui na terra é uma realidade efémera, relativa e, por vezes, infelizmente inacessível para alguns, a verdadeira felicidade é prometida a todos, na esperança, e deve ser o principal objeto da nossa busca, dos nossos esforços e das nossas escolhas. Não foi a Virgem Maria que disse a Santa Bernadette: «Não te prometo que serás feliz neste mundo, mas no outro»?

Esta promessa, proclamada precisamente aqui, ressoa com uma força particular nesta terra de França e abala as nossas mentalidades contemporâneas. Neste momento da história, no seio de uma sociedade em busca de progresso e bem-estar material, mas por vezes tentada a esquecer o horizonte da eternidade, Maria vem lembrar-nos a grandeza e a amplitude da nossa vocação para a vida, para a vida eterna. Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a Gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã. Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada. As vossas muletas, as vossas cadeiras de rodas, as vossas lágrimas escondidas não são obstáculos: são o lugar por excelência onde sois plenamente respeitados, acolhidos e transcendidos pelo amor infinito de Deus. Lourdes é o lugar abençoado de uma profissão de fé na beleza e na sacralidade da vida, pois aqui ela é acolhida como um dom precioso de Deus, chamada a desabrochar para a eternidade no amor do Pai.

“Prometo-te”! Sim, a vida eterna é uma promessa sólida e certa que o Senhor nos faz. Ele já a obteve para nós através da sua morte na cruz e da sua ressurreição, e já a realiza todos os dias em nós pela graça do batismo. Está ao nosso alcance, mas cabe-nos acolhê-la livremente, aproveitá-la, não lhe colocar obstáculos; ora, o obstáculo à graça e à vida eterna, o único obstáculo a esse amor, é o pecado, o fechamento em si mesmo, essa recusa de Deus que nos aprisiona nas nossas próprias trevas! Está, portanto, em jogo a nossa responsabilidade pessoal, e ela é grande. Deus quis-nos livres, pois a liberdade é uma condição do amor; não se pode amar por obrigação. Esta liberdade que nos é concedida, devemos empenhá-la num “sim” a Cristo e, com a ajuda da Sua graça, no seguimento dos passos de Maria; um “sim” incessantemente renovado até ao nosso último suspiro: “agora e na hora da nossa morte”, como dizemos na Ave-Maria.

Encontramos o apelo insistente à conversão nas palavras que Maria proferiu aqui mesmo: “Penitência! Penitência! Penitência!”. Ela repete a palavra três vezes! E convida Bernadette a realizar alguns gestos. Por que razão? Será porque somos lentos a compreender? Será porque, com demasiada facilidade, nos consideramos isentos de pecado? Será porque não praticamos suficientemente a penitência? A Virgem pede-nos que a façamos, não só por nós próprios, que precisamos dela, mas também “pelos pecadores”, por um mundo que vai mal. Como não se sentiriam interpelados os nossos corações perante os conflitos cada vez mais generalizados, que destroem tantas vidas inocentes? Ora, o mal que a nossa época conhece provém do coração do homem; Deus não é responsável por ele: «É o meu modo de agir que não é justo? – diz Ele aos filhos de Israel –, Ou é o vosso que o não é?» (Ez 18, 25). São, portanto, os corações dos homens que precisam de ser mudados, a começar pelo nosso.

A penitência é uma obra suscitada pelo amor em solidariedade com a humanidade: amor a Deus, cuja ferida no Coração, causada pelos nossos pecados, queremos reparar; amor por todos os nossos irmãos, os homens que não ouvem este apelo à conversão e cujas faltas os conduzem à morte. Esta exigência de conversão envolve a própria Igreja na sua peregrinação terrena. Ela deve ter a coragem de viver essa conversão em primeiro lugar. Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os dolorosos desvios cometidos no seu seio, devemos submeter-nos humildemente ao olhar purificador do Senhor. Reconhecer os nossos próprios erros é indispensável para o nosso progresso espiritual, como escreveu Santo Agostinho: «Que te desagrade sempre o que és, se queres alcançar o que ainda não és» (Sermo 169, 15.18).

O apelo da nossa Mãe ao nosso dever de oração e conversão enche-nos de grande esperança, pois ela indica-nos o meio de mudar o curso das coisas, meio esse que não é outro senão o de nos associarmos à paixão de Cristo. Queridos doentes que conheceis o sofrimento, tão numerosos em Lourdes, é-vos possível viver as vossas dores e aflições neste espírito de oferta, para entrar neste caminho redentor de que o mundo tanto necessita. Neste sentido, estais verdadeiramente no coração da Igreja, e o vosso papel é insubstituível.

Peregrinos, irmãos e irmãs, não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança. Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz. Sede testemunhas ativas desta força e desta ternura divinas, que nos permitem continuar o caminho e alcançar a meta, nos vossos países, dioceses e famílias. Apoiados pela oração dos doentes e pelo amor da nossa Mãe, caminhai com confiança rumo ao futuro. Não temais as tempestades do mundo: a Santa Mãe de Deus vigia sobre o vosso caminho, envolve a Igreja no seu manto de ternura e, como Estrela radiosa da manhã, guia os vossos passos para vos gerar, com alegria, na própria vida do seu Filho Jesus.

Ámen.


 

 

 

Lourdes – Holy Mass and recitation of the Angelus Prayer, 27 September 2026 – Pope Leo XIV


 

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
A FRANÇA E VISITA À SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO)

25-28 DE SETEMBRO DE 2026

PAPA LEÃO XIV

ANGELUS

Prairie do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
Domingo, 27 de setembro de 2026


Queridos irmãos e irmãs,

Saúdo com carinho todos vós que participastes nesta celebração eucarística. Obrigado pela vossa presença! Estendo também a minha saudação a quem se juntou a nós através dos meios de comunicação social, em especial os enfermos.

Neste momento, rezaremos juntos o Angelus, esta oração simples e maravilhosa que nos ajuda a viver cada dia em conformidade com a vontade de Deus, a exemplo da Virgem Maria.

Antes disso, uma vez que me encontro neste local, gostaria de fazer um apelo que sinto ser especialmente importante. Foi aqui que a Imaculada Conceição apareceu a Santa Bernadette com o terço e, por assim dizer, guiou a sua oração. Por isso, hoje convido todos os fiéis e todas as comunidades cristãs a rezar o santo Rosário durante o próximo mês de outubro, com a intenção especial de que cessem as guerras e que a paz se estabeleça entre os povos em conflito. Acompanhemos esta oração com ações concretas de penitência e misericórdia, com o compromisso de promover sempre o diálogo e a reconciliação.

Que nossa Santíssima Mãe interceda por nós!

SANTO DO DIA - 27 DE SETEMBRO: SÃO VICENTE DE PAULO


 

Hora Sexta do 26º Domingo do Tempo Comum


 

sábado, 26 de setembro de 2026

Paris – Santa Missa, 26 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV


 

 

Queridos irmãos e irmãs,

Agradeço a Deus a graça que me foi concedida de estar aqui, nesta Praça da Concórdia, a celebrar a Eucaristia. Sim, como é bom e agradável encontrarem-se os irmãos e irmãs (cf. Sl 133, 1), para glorificar a grandeza de Deus! Que a minha presença entre vós fortaleça a vossa fé, encorajando-vos a irradiar e a transmitir incessantemente a vida, a paz e o amor do nosso amado Senhor Jesus Cristo.

«Se alguém tem sede, venha a mim» (Jo 7, 37). Irmãos e irmãs, a nossa comunidade sedenta volta-se para Cristo, fonte de água viva; a água que sacia e faz florescer a vida, a água do amor de Deus «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5).

O desejo de Deus habita no mais profundo do nosso coração, e nós clamamos com o salmista: «A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!» (Sl 42, 3). É o clamor de um homem, humilde e apaixonado, cuja sede mais íntima e existencial não cessa de crescer. Ora, é Jesus Cristo que, através da sua encarnação, vai ao encontro de cada homem na sua história e se lhe revela como a verdadeira fonte de água viva, capaz de aplacar a sua sede. Não se trata tanto de uma sede material, mas antes de uma sede de sentido, de verdade e de realização que habita no coração de cada um. Jesus responde a este profundo desejo de relação, de comunhão com Deus, no qual reside a plenitude da vida para sempre.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel vê a água sair do Templo e, espalhando-se pelo deserto, purificar e fecundar tudo (cf. Ez 47, 1-2.8-9.12). São João, mais tarde, verá a água brotar do lado traspassado de Jesus, que entrega o Espírito (cf. Jo 19, 30-34). Então, todos podem saciar-se nesta fonte para renascer e receber o dom do Espírito, tornando-se filhos de Deus, novas criaturas.

Irmãos e irmãs, é preciso reconhecer que nada, neste mundo, consegue satisfazer-nos em plenitude. Quando pensamos que conseguimos concluir, finalmente, o nosso trabalho e ver recompensados os nossos esforços, reaparece muitas vezes um vazio interior ainda mais profundo. Então, pode acontecer que, para o preencher, busquemos novos prazeres, queiramos possuir novas coisas e façamos de tudo para nos “divertirmos”, simplesmente para não sentir aquele mal-estar interior!

A Liturgia da Palavra de hoje convida-nos a examinar o nosso coração: qual é a nossa sede mais profunda? O que procuramos realmente na vida? Todos aspiramos à felicidade, ao amor, à realização. Mas em que fonte procuramos saciar a nossa sede? Contentamo-nos com os bens materiais, com satisfações imediatas, com tantos pequenos ídolos que prometem mundos e fundos, deixando o nosso coração vazio? Com o Batismo, recebemos a água viva de que fala o Evangelho, mas será que na verdade encontrámos pessoalmente Cristo? Na sua essência, o ser humano é um ser que “deseja” e só Deus pode preencher este vazio interior.

Sim, irmãos e irmãs, Jesus Cristo, o Bom Pastor, guia-nos, tal como o pastor conduz as suas ovelhas à fonte da felicidade e da paz. Conhece pelo nome cada um e cada uma. Nada Lhe escapa dos nossos segredos, intenções e fraquezas. Ele sonda as profundezas do nosso coração, entregou a sua vida por nós e continua a doá-la através dos Sacramentos. Carrega aos ombros as ovelhas cansadas ou feridas e, com delicadeza, traz de volta as que se perderam. Jesus revela o amor incondicional de Deus por nós. Para Ele, nenhum de nós é um simples número no bilhete de identidade ou um código de identificação, mas uma pessoa, única e insubstituível.

Ao ver-vos aqui reunidos, queridos irmãos e irmãs, herdeiros de uma longa e bela história sacra em França, digo-vos: saciai-vos, também vós, desta fonte que é o Coração traspassado de Jesus. Sim, tendes sede de Deus, de vida, de verdade, de unidade, de paz, de comunhão, de felicidade. Aspirai a redescobrir um horizonte cheio de luz, a construir uma nação renovada a partir das suas raízes regadas pela fé. Não guardeis a fé em Jesus Cristo só para vós mesmos, mas deixai-a transbordar para saciar e preencher as pessoas que encontrardes. A vós cabe levar a esperança onde reinam o desânimo e a aridez espiritual.

Com efeito, só aceitando viver na verdade, sob o olhar de Jesus, é possível ser autênticos e olhar para as nossas vidas com lucidez: certamente frágeis, vulneráveis e destinadas a passar pela morte, mas também maravilhosas, milagrosas, capazes de se renovarem nas relações e de se abrirem ao verdadeiro amor.

«Quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão de correr do seu coração rios de água viva» (Jo 7, 37-38). Quando nos saciamos na fonte que é o coração de Cristo – escreveu Orígenes – tornamo-nos nós próprios poços, nascentes e rios para os outros (cf. Homilia 12, 1, 2-3). Na verdade, o fiel que dela bebe torna-se, por sua vez, fonte de vida graças à sua ligação existencial com Cristo e transmite esta mesma vida ao próximo.

Queridos irmãos e irmãs, a água viva do Espírito Santo foi derramada em abundância e continua a dar frutos na Igreja através de missionários e testemunhas em todas as culturas e povos. Fecunda tudo o que se deixa tocar e transformar por ela para dar o seu fruto, ou seja, a santidade daqueles que adoram o verdadeiro Deus e servem os irmãos e as irmãs com generosa caridade. Ao longo dos séculos, neste esplêndido país que é a França, muitos se saciaram desta água viva e consagraram totalmente a sua vida ao bem: os primeiros mártires, como Blandina, Potino e Irineu; santos e santas que fundaram ordens religiosas; santos bispos, como Martinho de Tours e Francisco de Sales; homens e mulheres com um coração sensível às necessidades do próximo, como Vicente de Paulo, Federico Ozanam, Joana Jugan e tantos outros. Ainda hoje, na nossa sociedade, nas nossas paróquias e nas nossas diversas atividades, são inúmeros aqueles que continuam a empenhar-se em prol da vida, da família, da verdade, da paz, da fraternidade e da justiça.

A partir desta bela cidade de Paris, rezo com fervor para que a água viva do Espírito Santo se espalhe em toda a França. Penso em vós, queridas famílias, que, apesar das múltiplas dificuldades que enfrentais diariamente, perseverais corajosamente na vossa missão. Agradeço-vos do fundo do coração por todo o bem que se realiza através de vós. Que nunca se esgote em vós a presença concreta de Jesus! Penso em vós, queridos jovens: sois a Igreja de hoje! Como é lindo ver o vosso entusiasmo, o vosso dinamismo, o vosso empenho e a vossa alegria dentro das comunidades cristãs. Penso também em vós, queridos catecúmenos e neófitos, que empreendeis o caminho da fé, da conversão e da iniciação cristã. Que o dom do Espírito Santo vos faça testemunhas, prontas a difundir à vossa volta a civilização do amor.

Irmãos e irmãs, recorramos à Mãe de Deus, Fonte de salvação, aquela que guia as nossas vidas para o seu Filho, autor de toda a graça. Com o seu “sim” livre e confiante, tornou-se a arca, humilde e desejada por Deus, na qual o amor do Pai encarnou para se doar ao mundo. Invoquemo-la com confiança, para que, pela sua intercessão, jorrem fontes de água viva no seio do Povo de Deus, fazendo florescer em toda a França os rebentos da fé, da esperança e da caridade. Ámen!

El Papa León XIV se emociona al cantar la Salve en Notre-Dame


 

Leão XIV reza na catedral de Notre-Dame: 'onde o céu e a terra se encontram'

 


Papa Leão XIV profere uma homilia na celebração das Vésperas na catedral de Notre-Dame, em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN ??
Papa Leão XIV profere uma homilia na celebração das Vésperas na catedral de Notre-Dame, em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN 
 

O papa Leão XIV rezou hoje (25) as vésperas na catedral de Notre-Dame, tornando-se o primeiro papa a pisar na monumental igreja desde que ela foi reconstruída devido ao incêndio em 2019 que devastou seu telhado, nave e torre.

Menos de dois anos depois da reabertura da catedral, Leão XIV falou sobre a icônica catedral, que, “há séculos (...), convida Paris a erguer os olhos para o céu”.

“Passaram-se sete anos desde que o mundo inteiro, com a respiração suspensa, viu a Catedral ser consumida por um incêndio terrível”, disse na homilia. “Essa dor não era só dos católicos, nem só dos crentes”.

“Naquela hora dramática, percebemos que Notre-Dame é mais do que um monumento”, disse o papa. “A participação coletiva na reconstrução e, hoje, o esplendor do resultado, revelam que neste lugar bate o coração de um povo, que estamos no centro vital de uma civilização, que o passado e o futuro se abraçam, que o céu e a terra se encontram”.

A cerimônia religiosa na famosa catedral gótica foi o primeiro encontro do papa Leão XIV com a Igreja em Paris em sua visita à França, entre 25 e 28 de setembro.

Na catedral, o papa discursou para o clero e para religiosos católicos do país — a igreja reconstruída proporcionando um cenário apropriado para sua mensagem de que “essa Catedral renasceu para que possais renascer com ela num impulso de santidade e de missão cotidiana”.

Leão XIV se dirige aos católicos franceses num momento crucial da sua história, em que acolhem um número crescente de conversões. Na Páscoa deste ano, a França registou cerca de 20 mil batismos de adultos e adolescentes, um aumento de 20% em relação ao número já recorde do ano passado, que registrou um aumento de 45% em relação aos números de 2024.

Apesar da tendência encorajadora, o país continua a se tornar mais secular. Os dados mais recentes sobre identidade religiosa na França, referentes a 2019-2020, mostram que 51% dos adultos franceses dizem não ter nenhuma afiliação religiosa, um aumento de 8% em relação à década anterior. Embora 29% da população se identifique como católica, a pesquisa constatou que só 8% frequentam a Igreja regularmente, segundo o Instituto Nacional de Estudos Demográficos do país (INDE).

A catedral de Notre-Dame de Paris reabriu em dezembro de 2024, pouco mais de cinco anos depois de pessoas ao redor do mundo terem assistido horrorizadas ao incêndio que destruiu a igreja. Os trabalhos de restauração da catedral gótica continuaram até este ano.

Em sua homilia, o papa Leão XIV falou sobre o simbolismo da arquitetura da catedral, sé do arcebispo de Paris.

“A planta em cruz da Catedral, onde as pedras e a luz se fundem, evoca o encontro entre a terra e o céu. Ela reúne e ordena os acontecimentos da história, feita de alegrias e sofrimentos humanos. Junta-os numa dinâmica simbólica que constrói uma linguagem viva a partir de diferentes expressões, agrupando-as em unidade”, disse ele.

Antes das vésperas, o papa Leão XIV se aproximou da catedral a pé para saudar os que estavam reunidos do lado de fora.

Mariana González, de 31 anos, foi uma das centenas de pessoas que conseguiram ver o papa Leão XIV quando ele chegou para as vésperas.

González, que esperou cerca de quatro horas com o marido e com a filha de 7 meses para ver o papa, disse à EWTN News que “é muito especial [o papa Leão XIV] estar aqui, não só para vê-lo, mas também para ouvir a mensagem que ele tem para todos os franceses, para nós que vivemos na França e para o mundo inteiro”. González, que é colombiana-americana e mora em Paris, disse acreditar que “a visita dele também tocará muitos corações aqui” e que “está ansiosa para ver todos os frutos que ela trará”.

Autoridades locais estimaram que 300 mil pessoas formaram fila para saudar Leão XIV do lado de fora da Notre-Dame e ao longo dos 4 km de estrada que ligavam seu evento anterior na sede da UNESCO à catedral, disse a Santa Sé.

Entrando na catedral, o papa visitou uma capela para rezar diante do Santíssimo Sacramento e depois venerou uma relíquia da Coroa de Espinhos de Cristo. A catedral, que momentos antes irrompeu em aplausos e gritos de “Papa Leão”, ficou em silêncio.

Depois de vestir vestes litúrgicas para a oração, Leão XIV se aproximou do altar ao som do órgão da catedral, o maior órgão de tubos da França.

“Não devemos esquecer que, tal como todas as outras igrejas, o objetivo para o qual este templo foi erguido é a oração e o louvor a Deus”, disse o papa em sua homilia. “A catedral não é um embrulho de pedra para admirar: ela vive dentro do mistério sagrado que nela é celebrado”.

Ele encorajou sacerdotes e consagrados a nunca negligenciarem sua amizade com Cristo, a cultivarem sua vida interior e a dedicarem tempo à oração pessoal e silenciosa.

“A vossa missão parte, acima de tudo, desta relação íntima com o Senhor, que ali vos espera”, disse ele.

Falando sobre o propósito da catedral na oração e na adoração a Deus, Leão XIV disse: “Hoje, mais do que nunca, vivemos numa época que parece desprovida de plenitude, profundidade e promessas. A nobre simplicidade do canto, da palavra e do gesto litúrgico pode representar, para muitos, uma fresta de esperança, um oásis de paz numa sociedade hiperconectada e barulhenta, onde se pode experimentar a presença do Autor do amor maior”.

Em sua mensagem de boas-vindas a Leão XIV, o arcebispo de Paris, Laurent Ulrich, disse: “Há pouco mais de um ano, quando tomei a liberdade de convidá-lo a Paris, você me disse que queria ver Notre-Dame! … Você veio como um peregrino entre todos esses visitantes”.

Leão XIV fala sobre 'corrupção da cultura' na era da IA

 


Papa Leão XIV discursa perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News ??
Papa Leão XIV discursa perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News 
 

PARIS — O papa Leão XIV disse hoje (25) que a inteligência artificial fomentou uma “corrupção da cultura” que pode afetar o significado de ser humano, em discurso na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Paris, França.

O papa visitou a sede da UNESCO — agência especializada da ONU que preserva sítios de patrimônio cultural e promove a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos — no primeiro dia de sua viagem à França, que ocorre entre 25 e 28 de setembro.

“Há uma questão fundamental que merece ser explorada, e que nos interpela com urgência: o que significa ser humanos?”, disse Leão XIV num discurso proferido metade em francês e metade em inglês.

“Todas as culturas são envolvidas nesta reflexão, que está no cerne de cada conhecimento, arte e religião. Afinal, mesmo no século XXI, não podemos dar por garantido que sabemos quem é a pessoa humana ou o que significa viver como ser humano”, disse o papa.

Ele contrastou a dominação e a confusão da Torre de Babel, à qual já havia comparado a IA, com a paz e a unidade encontradas no Pentecostes.

“A corrupção da cultura de que estamos a falar é resgatada na praça de Pentecostes”, disse ele. “Ali, uma mensagem de paz é acolhida por todos os povos como boa nova. Esse anúncio proclama a ressurreição de Jesus, ou seja, a vitória da vida sobre a morte, a salvação que dá esperança ao mundo”.

Leão XIV também falou sobre o desenvolvimento das comunicações e o risco de disseminação de informações falsas e de “palavras sem significado”, que “dificultando o diálogo em vez de o promover”.

“A inteligência artificial acentua esse problema”, disse ele. “Embora estes sistemas sejam capazes de estabelecer correlações entre dados, não conseguem responder a perguntas sobre o sentido da existência humana, que tem as suas raízes na experiência vivida”.

O papa condenou o poder opressor, o orgulho, a injustiça e o conflito.

“A própria ciência, quando reduzida a uma técnica de poder, já não serve para elevar a pessoa humana, mas, pelo contrário, corre o risco de degradar os frutos desse esforço”, disse.

O papa dedicou partes significativas de seu discurso a sublinhar o cuidado devido a toda vida humana, especialmente às mais vulneráveis, como “crianças no ventre materno e nos diversos cenários de guerra, pessoas com deficiências físicas e intelectuais, idosos, migrantes, refugiados e todos os que a soberba exclui como improdutivos”.

“São eles a prova definitiva das nossas afirmações de respeito à dignidade humana, cuja proteção e promoção se estendem também à criação”, disse ele.

Sobre os avanços tecnológicos, o Leão XIV disse: “paradoxo tornou-se cada vez mais evidente: enquanto a “inteligência” é atribuída aos sistemas computacionais, temos dificuldade em reconhecer a dignidade inalienável da pessoa humana, cuja vida é avaliada com base no critério da eficiência e, quando considerada já não produtiva, é rejeitada e descartada”.

Na chegada à UNESCO, o papa Leão XIV foi recebido com aplausos da plateia.

Antes de seu discurso, o papa fez uma breve visita guiada à sede, inclusive a biblioteca, que abriga os arquivos diplomáticos da UNESCO. Leão XIV foi também calorosamente aplaudido ao regar uma oliveira como sinal de promoção da paz.

Ele também recebeu uma cópia do Livro de Memorandos da Paz, documento de arquivo apresentado à 4ª sessão da Conferência Geral da UNESCO em 1949 para apoiar sua missão de prevenir conflitos globais depois da Segunda Guerra Mundial.

O papa disse que estava visitando a UNESCO “na qualidade de pastor, transmito-vos a palavra da Igreja, que se torna incessantemente «mensagem» e «diálogo», destinada a todos os povos, mulheres e homens de boa vontade (cf. Paulo VI, Carta EncíclicaEcclesiam suam, 38)”, e elogiou a missão da agência de construir um mundo justo e favorecer o desenvolvimento humano autêntico.

Citando sua própria encíclica Magnifica humanitas, ele disse que a Santa Sé considera “essa Organização um interlocutor privilegiado ao serviço do bem comum, que é a «forma social da dignidade» que todos partilhamos de forma originária e igual (cf. Carta Enc.Magnifica humanitas, 59)”.

O papa falou sobre a importância da verdade, sem a qual a linguagem se torna sujeita à violência e ao poder, e disse que “a corrupção da lei tem a sua origem na corrupção do coração”.

Leão XIV ouve migrantes em Paris: Deus abriu “um novo caminho para mim”

 


O papa Leão XIV reza ao lado dos funcionários e voluntários do centro de apoio social e integração Maison Bakhita, em Paris, na França, durante sua visita em 26 de setembro de 2026 | Crédito: Vatican... ??
O papa Leão XIV reza ao lado dos funcionários e voluntários do centro de apoio social e integração Maison Bakhita, em Paris, na França, durante sua visita em 26 de setembro de 2026 | Crédito: Vatican Media 
 

O papa Leão XIV ouviu hoje (26) os relatos de fé e esperança de dois migrantes na França, durante sua visita a um centro de integração da arquidiocese de Paris.

A França é um dos países europeus que recebe o maior fluxo de imigrantes. A imigração é uma questão política profundamente polêmica, que também está ligada às eleições presidenciais do próximo ano, nas quais a política anti-imigração Marine Le Pen figura atualmente como favorita.

Cerca de oito milhões de imigrantes vivem na França, o que representava 11,6% da população total do país em 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística da França.

Leão XIV visitou a Maison Bakhita, um centro que oferece apoio e integração a imigrantes na arquidiocese de Paris. A visita do papa coincide com o quinto aniversário do centro, que oferece oficinas de costura, culinária, artes visuais e informática.

O centro, que leva o nome de santa Josefina Bakhita — sequestrada e escravizada quando era criança no Sudão —, já acolheu 2,5 mil pessoas de 84 nacionalidades desde que abriu suas portas no final de setembro de 2021. Conta com cinco funcionários permanentes e 100 voluntários.

“O nome do vosso Centro de Acompanhamento e Integração Social, ao fazer referência a Santa Bakhita, incentiva-nos a reconhecer o papel fundamental das mulheres na construção de uma civilização do amor, alternativa à cultura que desagrega as comunidades e torna as cidades doentes de solidão”, disse o papa.

Leão XIV ouviu o testemunho de Blessing, uma mulher nigeriana de 31 anos que descreveu como sua vida mudou após receber a ajuda e a amizade da Aux Captifs, la Libération, uma organização católica de caridade que ajuda pessoas em situação de rua e em situação de prostituição.

Blessing descreveu uma vida difícil na qual foi “obrigada a fazer coisas que não queria fazer”. No entanto, graças à ajuda que recebeu, conseguiu deixar essa vida para trás e começou a trabalhar em um restaurante.

“Deus ocupa um lugar importante na minha vida. Sem Deus, nada é possível”, disse. “Mesmo em meio às dificuldades que vivi, nunca duvidei de sua presença e sabia que, algum dia, Ele abriria um novo caminho para mim. Às vezes, gostaria que Deus pudesse apagar tudo como um mágico, mas sei que Ele fará tudo no tempo certo”.

O papa também ouviu Meysam, um refugiado afegão de 35 anos. Na Maison Bakhita, ele conseguiu melhorar seu francês e suas habilidades em costura. Agora, ele é voluntário do centro: “Saio duas vezes por semana às ruas para encontrar pessoas exiladas e refugiadas sem documentos. É uma forma de retribuir o que eu mesmo recebi”.

Leão XIV agradeceu a todos os que trabalham no centro, “bem como a todas as pessoas que, em toda a França, prestam este serviço em instituições semelhantes”.

“Continuai a dar testemunho do cuidado mútuo que, por meio do acolhimento fraterno, dos percursos formativos e do diálogo com a cidade, eleva o espírito e humaniza o mundo”, disse.

“Que Santa Bakhita e os grandes testemunhos da caridade que moldaram a presença da Igreja na França, especialmente em épocas de mudanças conturbadas, intercedam por vós”, concluiu.

Milhares de jovens franceses rezam com Leão XIV em estádio de futebol

 


Papa Leão XIV celebrou a vigília de oração com 80 mil jovens em Paris, França / Crédito: Vatican Media ??
Papa Leão XIV celebrou a vigília de oração com 80 mil jovens em Paris, França / Crédito: Vatican Media 
 

Pelo menos 80 mil jovens católicos compareceram na noite de ontem (25) ao estádio nacional de futebol da França, norte de Paris, para rezar com o papa Leão XIV e ouvir sua mensagem para a Igreja.

Seja levantando os braços em atitude de louvor e adoração, seja venerando em silêncio as relíquias dos santos e a Santa Túnica de Cristo, todo o Stade de France permaneceu unido em oração antes da chegada de Leão XIV e ao longo de um programa com duração de uma hora e meia.

Pessoas vindas de subúrbios da classe trabalhadora dividiam o espaço com famílias do meio católico mais tradicional associado à cidade de Versalhes. Nas filas na entrada do estádio, bandeiras da Bretanha e da Vandea — regiões com forte tradição católica — tremulavam ao lado de grupos de estilo mais popular e carismático.

Uma jovem de 29 anos, Romance Bono, enxugava as lágrimas enquanto o papa entrava no estádio em meio a aplausos ensurdecedores.

“As lágrimas caíram porque é um momento muito emocionante”, declarou ela à EWTN News. “Ver todos esses jovens aclamando o papa como se fosse uma estrela do rock... essa é a força da Igreja e seu futuro aqui. Foi muito comovente”.

Logo depois da chegada do papa ao estádio, centenas de jovens católicos franceses apresentaram uma encenação artística que recriava a vida dos santos franceses e a história da Igreja na França; o espetáculo incluiu cavalos de verdade e culminou com fogos de artifício sobre o estádio.

Jacques-Henri de Livron, um voluntário de 28 anos, contou à EWTN News que, assim que soube que o papa visitaria a França, decidiu pedir um dia de folga no trabalho para vê-lo. Ele temia tanto perder os eventos que se ofereceu como voluntário para garantir que pudesse participar.

De Livron cresceu em um ambiente católico, mas retomou a fé ao chegar aos vinte anos, depois da dolorosa perda de alguns irmãos e amigos próximos. Segundo ele, essas experiências o levaram a redescobrir o valor da fé.

“O cristianismo é, na verdade, a religião da pessoa humana”, afirmou. “Nesta era de narcisismo, ele nos ajuda a sair de nós mesmos, a nos voltarmos para os outros e a nos preocuparmos com eles, em vez de pensar apenas em nós. Muitas vezes é chamado de ‘religião do livro’ ou ‘religião da revelação’. Mas é muito mais do que isso: é a religião da pessoa humana”.

De Livron também quis divulgar seu sobrenome, algo pouco comum na França — onde existe uma cultura anticlerical arraigada e os crentes costumam pedir para serem identificados na imprensa apenas pelo nome de batismo, a fim de evitar problemas no trabalho. “Quero fazer parte de uma geração que deixe de ter medo de dar testemunho, que revele seu nome e que não tema nada”, declarou.

Pierre-Alain Belaube, de 34 anos, descreveu o esforço de chegar com horas de antecedência, após um longo dia de trabalho, e de abrir caminho entre a multidão para entrar no estádio lotado como algo que “valeu a pena 200%. É um privilégio estar aqui”.

Belaube se descreveu como um católico que antes era pouco praticante, cuja vida se transformou ao ler a autobiografia de santo Inácio de Loyola.

“Tenho esperança de que muito mais jovens abram seus corações a Deus e permitam que Ele transforme suas vidas”, disse. “Acredito que um evento como este possa ser, para muitos, o primeiro marco de uma experiência que mude suas vidas. Espero que possamos inspirar muito mais jovens a conhecer Jesus”.

Thibault, um religioso que preferiu não revelar seu sobrenome por não ter permissão de seus superiores para falar com a imprensa, acompanhou ao evento 400 membros do movimento juvenil de sua comunidade religiosa, os Missionários da Divina Misericórdia.

Ele comentou à EWTN News que é muito comovente ver-se cercado por jovens que “querem dizer: ‘Aqui estou, sou católico e tenho orgulho de demonstrar isso’”.

O jovem religioso, que também se prepara para o sacerdócio, expressou sua esperança de que a visita de Leão XIV à França “contribua para o despertar missionário que precisa ocorrer no país”.

Embora esse país, em sua maioria secular, esteja passando por um aumento surpreendente no número de batismos, ele considera que “os católicos ainda têm dificuldade em sair ao encontro dos outros e serem missionários em sua vida cotidiana”.

“Acredito que este possa se tornar um momento significativo para a vida da Igreja na França”.

Em sua mensagem durante a oração, que incluiu hinos religiosos e a ladainha dos santos, Leão XIV convidou os jovens a rejeitar o mal e a se empenhar em praticar o bem.


Papa Leão XIV discursa perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Paris, em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Daniel Ibáñez/EWTN News

“Deus é o Senhor da história e, aconteça o que acontecer, leva-a para a salvação: em Cristo, todo mal tem um fim, precisamente porque o fim se torna início de uma vida nova e eterna”, disse.

“A obra bem feita, aquela que é boa, é a redenção que Jesus realiza por nós”, disse o papa. “Na sua luta contra o pecado e a morte, a vitória de Cristo liberta-nos: salva-nos de todo o mal e convida-nos a todo o bem”.

Leão XIV também respondeu às perguntas de dois jovens franceses como parte da programação da noite.

Chloé, de 25 anos, falou sobre sua participação na paróquia e em um grupo de jovens católicos “ansiosos por viver e compartilhar sua fé com os outros”. No entanto, lamentou que a sociedade “se baseie em princípios diferentes” e, às vezes, “não leve em conta a questão de Deus”.

O papa Leão XIV respondeu: “Como disseste, é verdade que a sociedade em que vivemos parece ser indiferente a Deus. Mas o Senhor não é indiferente para conosco! É o que importa e nos dá sempre esperança”.

Chloé, natural de Saint-Denis, descreveu a vitalidade da vida católica naquela região. Saint-Denis costuma ser descrita como um “quartier sensible” (bairro vulnerável). Seu testemunho ecoou o que a EWTN News ouviu da boca de católicos locais presentes na multidão — incluindo pessoas de origem imigrante — sobre a vida da Igreja em seus bairros, caracterizados por uma forte presença muçulmana.

Um jovem da Borgonha chamado François também se dirigiu ao papa e perguntou como os jovens podem discernir o chamado do Senhor ao serviço.

O conselho de Leão XIV aos jovens foi manter o coração aberto ao sofrimento de seus semelhantes, seguir Jesus e inspirar-se nos exemplos dos santos.

“Mesmo na perseguição, estes nossos irmãos e irmãs abriram caminhos de paz. Olhai para os sacerdotes apaixonados por Cristo, como santo Eugênio de Mazenod e são João Maria Vianney; olhai para a beleza mística de santa Teresa de Lisieux; para a beata Pauline Jaricot, fervorosa na caridade e na missão; para a coragem dos cinquenta mártires do apostolado do período da Segunda Guerra Mundial, que serviram os seus irmãos até ao sacrifício da vida”, disse.

“Estes santos mudaram a história, tendo levado muitos do sofrimento à esperança, porque, acima de tudo, mudaram o seu próprio coração, transformando-o à luz da fé”, destacou.

A vigília juvenil foi o último evento do papa em um primeiro dia intenso na França. A viagem, que ocorre de 25 a 28 de setembro, o levará também a Lourdes e Metz.

Homilia Diária | O poder de Deus no aparente fracasso (Sábado da 25ª Sem. do Tempo Comum - 26/09/26)


 

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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Paris – Encontro com as autoridades e o Corpo Diplomático, 25 de setembro de 2026 – Papa Leão XIV

  

Papa na França: proteger a vida e promover a paz, que não é equilíbrio de forças

Leão XIV, no primeiro discurso no Palácio do Eliseu em Paris, recordou uma França iluminada pelo patrimônio cultural e religioso, mas também exortou as consciências sobre o respeito à dignidade humana, aos direitos e às liberdades das pessoas, independentemente das origens. Insistiu no tema da proteção à vida, diante dos desvios atuais da sociedade, e exortou o país a continuar sendo "artífice incansável da paz", especialmente "no interior da nossa querida Europa" para que o mundo tenha vida.

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV pronunciou o primeiro discurso da viagem apostólica à França na manhã desta sexta-feira (25/09), primeiro dos quatro dias no país, que além de Paris, ainda terá etapas em Lourdes e Metz. No Palácio do Eliseu, sede da Presidência da República, o Pontífice encontrou autoridades políticas e religiosas, representantes da sociedade civil, da cultura e do corpo diplomático. Leão se pronunciou logo após o presidente do país, Emmanuel Macron, na Salle des fêtes.


O Papa Leão XIV durante discurso na "Salla des fêtes", no Palácio do Eliseu
O Papa Leão XIV durante discurso na "Salla des fêtes", no Palácio do Eliseu   (@Vatican Media)
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A França e os brilhos da Cidade-Luz

Logo no início do discurso, o Papa agradeceu o convite feito pelo presidente Macron para visitar o país, feito em audiência no Vaticano, quando foi recebido em 10 de abril deste ano. Junto às saudações oficiais, também recordou o povo francês, formado por uma "diversidade de origens" que ajuda a "enriquecer a convivência e a vida democrática" em um país que é "patrimônio cultural e religioso". Um povo que também faz parte das origens familiares do Papa, bem recordadas por Leão, ao citar as raízes nas regiões francesas da Normandia e de Béarn.

Ao se direcionar à sua quinta viagem apostólica, o Papa salientou que parte da própria capital da França, Paris, "frequentemente designada como a Cidade-Luz" de um país que "brilha como um farol cultural, artístico e espiritual, não só na Europa, mas em todo o mundo". O país "contribuiu para formar a inteligência dos povos, muito além das suas fronteiras", para "o bem da humanidade, desde que estejam orientadas para a busca do belo, do bem e do verdadeiro, para que o mundo tenha vida". O savoir-faire, disse o Papa, o "saber fazer", é sinônimo de excelência em muitas áreas, como aconteceu com a grande obra de restauro da Catedral de Notre-Dame de Paris. A recente reabertura "não é apenas o coroamento de uma proeza técnica", mas testemunho "de unidade alcançada por meio do esforço comum", que serve de inspiração, disse o Papa, para agentes da vida política, social e religiosa do país.

O respeito à dignidade humana, aos direitos e liberdades

A França é também uma terra com ricas raízes cristãs, continuou o Papa em discurso, do humanismo, dos pensadores do Renascimento e do Iluminismo que, a partir do país, proporcionaram ao mundo várias conquistas como "o reconhecimento dos direitos humanos inscritos na natureza da própria pessoa, em particular a liberdade religiosa. Esta atenção permanente à dignidade inerente a toda a pessoa humana encontra eco no vosso lema nacional: liberdade, igualdade e fraternidade". Em Paris, por exemplo, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos do Homem para "criar uma consciência geral da dignidade inalienável da pessoa humana". 

A questão do respeito da dignidade humana e dos direitos e liberdades fundamentais "deve acompanhar a evolução da sociedade e o progresso técnico". O Papa justificou assim a razão pela qual tratou da Inteligênia Artificial na sua primeira Carta Encíclica, a Magnifica humanitas, já que o progresso, sem responsabilidade e "quando não orientado para o bem é capaz de causar danos":

"Para não perdermos a nossa humanidade no meio do 'paraíso das máquinas', que invade e condiciona o nosso quotidiano, é urgente formar os espíritos para um discernimento ético, capaz de distinguir o que é moralmente bom. Esta exigência é fundamental para reconhecer o verdadeiro bem que faz o homem crescer de acordo com a sua vocação primordial, no respeito incondicional pela sua liberdade interior e pela sua dignidade sagrada."

O encontro reuniu autoridades civis e eclesiásticas, sociedade civil e corpo diplomático
O encontro reuniu autoridades civis e eclesiásticas, sociedade civil e corpo diplomático   (@Vatican Media)

Diálogo urgente na França para proteger a diversidade

Uma sociedade livre, continuou o Papa, "não impõe a uniformidade, mas protege a diversidade de consciências". Esse diálogo "é ainda mais urgente no contexto da França de hoje, onde pessoas de diferentes origens culturais e religiosas são chamadas a viver juntas e a dar o seu contributo para a construção da sociedade". Pela atenção à riqueza do tecido social e à solidariedade, a própria Igreja no país "nunca deixou de agir em prol dos mais desfavorecidos, tornando-se o rosto vivo da ternura e da compaixão de Deus. São testemunhos de "uma autêntica escola de humanidade sobre a grandeza do cuidado e um apelo comovente para o valor único e insubstituível de cada ser humano":

"São também um convite a uma fraternidade renovada, pois exige que aprendamos a acolher a vida incondicionalmente, a amparar a fragilidade com ternura, a acompanhar com respeito e confiança mútua cada etapa da existência e a defender com coragem e compaixão aqueles que não têm voz ou que não se sentem suficientemente apoiados. É por isso que reafirmo «com veemência que a salvaguarda do direito à vida constitui o fundamento imprescindível de todos os outros direitos humanos»"

A proteção à vida é responsabilidade de todos

O Papa insistiu sobre a proteção à vida no discurso às autoridades, alertando sobre "a tentação de esperar da ciência solução e conforto para todos os nossos sofrimentos". As soluções imediatas são um risco enorme para se desviar do bem, afirmou Leão XIV, ao acrescentar:

“Por vezes, constato com preocupação os desvios atuais das sociedades, que correm o risco de deturpar a ciência e a tecnologia, transformando-as em empreendimentos lucrativos que favorecem as manipulações genéticas, a maternidade de substituição, o tráfico de órgãos ou a oferta de uma morte programada. Não esqueçamos que o respeito mútuo e a proteção da vida de uma só pessoa são uma responsabilidade de todos e de cada um, que começa com uma conversão da inteligência e do coração e que exige um compromisso real e desinteressado para com os nossos irmãos e irmãs.”

A laicidade não é ameaça 

O discurso do Pontífice, então, também seguiu para a importância de se respeitar também a laicidade, que "não exclui a dimensão religiosa, mas, pelo contrário, sabe valorizá-la como um recurso educativo". Leão XIV citou o exemplo das escolas católicas presentes na França, que ajudam a dialogar e a respeitar dentro da sociedade:

"Uma correta laicidade não consiste, portanto, em excluir a religião do espaço público ou do ensino, mas em trabalhar em prol do diálogo entre o Estado e as instituições religiosas, para que unam forças ao serviço do bem comum, para que o mundo tenha vida."

O presidente da França, Emmanuel Macron, no encontro no Palácio do Eliseu
O presidente da França, Emmanuel Macron, no encontro no Palácio do Eliseu   (@Vatican Media)

Uma paz desarmada e desarmante também pela França

O Papa, ao citar o lema da viagem ao país, "Para que o mundo tenha vida", insistiu sobre o respeito ao próximo e a serví-lo com dignidade, "independentemente da sua origem", constitui um contributo valioso para o diálogo entre os povos, para a defesa dos direitos das pessoas, bem como ao serviço da paz. E mesmo à distância, já que Leão citou diferentes colaborações a partir da França e da sua Igreja que prestam apoio às populações mais vulneráveis do Oriente Médio. Ao falar daquela região de conflitos, o Pontífice lembrou dos "atormentados pelo flagelo da guerra":

"Não podemos permanecer indiferentes perante tais sofrimentos, que ferem a dignidade humana e clamam justiça a Deus. A gravidade destas situações deve interpelar-nos, convidando cada um, onde quer que se encontre, a uma verdadeira conversão do coração e a uma mudança de atitude. É reconhecendo humildemente a necessidade que temos uns dos outros que juntos poderemos empenhar-nos ainda mais na construção da civilização do amor no meio do mundo, que se tornou tão complexo e interdependente."

A saudação entre Leão XIV e Emmanuel Macron na "Salle des fêtes"
A saudação entre Leão XIV e Emmanuel Macron na "Salle des fêtes"   (@Vatican Media)

Ao citar o pensamento do seu predecessor João XXIII, Leão XIV exortou novamente que "se pare com essa corrida ao poderio militar", que "sejam banidas as armas atômicas; e, finalmente, que se chegue a um acordo para a gradual diminuição dos armamentos, na base de garantias mútuas e eficazes". A posse de armas nucleares, observou o Pontífice, não é garantia de segurança: "na verdade, a paz não é um equilíbrio de forças, mas constrói-se dia a dia com o diálogo e a justiça". Não é para se resignar à perspectiva de uma guerra, considerando-a “inevitável”, disse o Papa, mas a promover incansavelmente o diálogo e a diplomacia:

“Perante os rumores de guerra e as crises multifacetadas que abalam o nosso mundo, a França tem a vocação de continuar a ser uma artífice incansável da paz e do multilateralismo, especialmente no interior da nossa querida Europa. Possa a França, fiel aos seus valores, abrir caminho para uma paz desarmada e desarmante, e oferecer, com responsabilidade, o seu contributo insubstituível em prol da paz; que a sua liberdade cresça incessantemente no cuidado pelo bem comum; que a sua fraternidade abrace toda a humanidade; e que a igualdade a que aspiram se baseie sempre nos alicerces da justiça e da caridade, sem suprimir as diferenças entre as pessoas, mas fazendo-as frutificar harmoniosamente em benefício de toda a sociedade.”

No Palácio do Eliseu, Leão XIV pronunciou o primeiro discurso da viagem de 4 dias à França
No Palácio do Eliseu, Leão XIV pronunciou o primeiro discurso da viagem de 4 dias à França   (@Vatican Media)

Leão XIV viaja para Paris

 

  

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
A FRANÇA E VISITA À SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO)

25-28 DE SETEMBRO DE 2026

PALAVRAS DO SANTO PADRE
AOS JORNALISTAS DURANTE O VOO COM DESTINO A PARIS

Sexta-feira, 25 de setembro de 2026


Obrigado! Bom dia a todos!

Como se costuma dizer em inglês: welcome on board! Estou feliz por vos ver todos nesta manhã e poder saudar-vos brevemente nesta etapa da viagem. Gostaria de fazer uma menção especial àqueles que viajaram comigo quando regressámos a Roma a partir da Espanha. Quero pedir pessoalmente desculpas por um incidente do qual não tive qualquer responsabilidade, mas sei que deixou alguns de vós descontentes por não termos podido fazer juntos o voo de regresso a Roma.

Quero saudar sinceramente todos vós e agradecer-vos pela cobertura desta viagem a França, relativamente à qual, como sabeis pelas informações já recebidas, há uma série de temas muito importantes. Acima de tudo, viajo para França, tal como para qualquer outro lugar do mundo, como seguidor de Jesus Cristo, com o desejo de proclamar a paz de Cristo por todo o mundo. Neste momento, como sabeis, é uma mensagem particularmente importante.

Obrigado, pois, por estardes aqui e pelo trabalho que estais a fazer. Espero ver-vos durante a viagem e teremos oportunidade de conversar um pouco quando regressarmos. Muito obrigado.

 



Leão XIV chega a Paris para início de visita de quatro dias à França

Papa Leão XIV acena ao embarcar no avião A321 da ITA Airways, partindo de Roma para iniciar sua viagem apostólica à França em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Vatican Media ??
Papa Leão XIV acena ao embarcar no avião A321 da ITA Airways, partindo de Roma para iniciar sua viagem apostólica à França em 25 de setembro de 2026. | Crédito: Vatican Media 
 

PARIS — O papa Leão XIV chegou hoje (25) à França para uma visita de quatro dias ao país, que começa com um primeiro dia repleto de compromissos, com paradas na sede da UNESCO, na catedral de Notre-Dame de Paris e no estádio nacional, onde participou de uma vigília de oração com 80 mil jovens. Leão XIV é o primeiro papa a visitar Paris desde o papa Bento XVI, em 2008.

O papa foi recebido no aeroporto de Orly, em Paris, pelo presidente da França, Emmanuel Macron. Duas crianças da região entregaram flores enquanto o papa recebia honras militares — uma homenagem cerimonial formal — antes de entrar numa sala do aeroporto com o presidente da França para uma conversa privada.

No voo de Roma, Itália, o papa disse aos jornalistas que abordaria “vários temas muito importantes” em sua visita. “Estou viajando para a França, acima de tudo, como para qualquer outro lugar do mundo, como um seguidor de Jesus Cristo que deseja levar a paz de Cristo ao mundo todo”, disse.

A primeira parada do papa na capital francesa é o palácio do Eliseu, residência oficial do presidente da França, mansão do século XVIII cercada por elaborados jardins paisagísticos.

Lá, Leão XIV terá novamente tempo para conversar com Macron, antes de proferir o primeiro discurso oficial da viagem, dirigido às autoridades políticas e a membros da sociedade civil, do mundo empresarial e do corpo diplomático.

Entre os temas mais sensíveis que o papa está previsto para abordar estão as questões relativas ao fim da vida. A França legalizou o suicídio assistido e a eutanásia neste verão, tornando-se o quinto país europeu a fazer isso, depois da Bélgica, da Holanda, de Luxemburgo e da Espanha.

Depois de uma pausa para o almoço, Leão XIV visita a sede da UNESCO — a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — agência especializada da Organização das Nações Unidas que preserva sítios de patrimônio cultural e promove a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos.