Caminhando
sábado, 25 de abril de 2026
Seguro discursa pela primeira vez em sessão do 25 de Abril e abre o Palácio de Belém
Sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril no parlamento está marcada para as 10h00.
António José Seguro vai discursar no sábado pela primeira vez como Presidente da República na sessão solene comemorativa do 25 de Abril e terá uma conversa com 25 jovens no Palácio de Belém ao público.
A sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril no parlamento está marcada para as 10:00. O chefe de Estado será o último a discursar, depois dos representantes dos partidos e do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
Esta será a terceira intervenção de António José Seguro na Assembleia da República desde que assumiu a chefia do Estado, depois dos discursos de posse, em 09 de março, e na sessão comemorativa dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, em 02 de abril.
Na cerimónia em que tomou posse, o antigo secretário-geral do PS, que esteve dez anos afastado da política, prometeu ser o "Presidente de Portugal inteiro" e estar "próximo das pessoas", ouvindo as suas preocupações, "atento às desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana".
Em defesa da estabilidade política, António José Seguro dirigiu-se aos partidos com representação parlamentar pedindo-lhes "um compromisso político claro" nesse sentido e afirmou que tudo fará para estancar o "frenesim eleitoral" do passado recente com "ciclos eleitorais de dois em dois anos".
Como "desafios estruturais" do país, apontou "crescimento económico insuficiente, economia baseada em baixos salários, desigualdades persistentes, pobreza constante, envelhecimento demográfico, morosidade na justiça, burocracias publicas, dificuldades no acesso à saúde e à habitação".
Quando voltou ao parlamento, para assinalar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, o Presidente da República defendeu que não é a Lei Fundamental que "impede a resolução dos problemas concretos dos portugueses" e que "a frustração que muitos portugueses sentem não é da Constituição", mas antes "do seu incumprimento" e "da incapacidade de vários poderes em concretizarem de forma efetiva os direitos que ela consagra".
Na sua intervenção nessa sessão solene, António José Seguro prometeu trabalhar com os outros órgãos de soberania "para que os desígnios do Estado social não sejam letra morta e se consubstanciem em melhores condições de vida para os portugueses, a começar pela melhoria do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".
No seu entender, "outros desígnios que muitos portugueses sentem como vazios têm a ver com a desigualdade e a corrupção".
Entre o "muito por fazer" no cumprimento da Constituição, o chefe de Estado apontou também o acesso à habitação e considerou que "o Estado despertou tarde e é lento nas respostas" e que "são urgentes respostas e resultados concretos".
António José Seguro, que integrou os governos de António Guterres entre 1995 e 2002 e liderou o PS entre 2011 e 2014, foi eleito Presidente da República na segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, com cerca de 67% dos votos expressos, contra André Ventura, presidente do Chega.
Esta sexta-feira, para assinalar o Dia da Liberdade, os jardins do Palácio de Belém estarão abertos ao público -- entre as 13:30 e as 19:00, com entrada até às 17:45 -- com atuações culturais. Às 17:00, o Presidente da República vai participar numa conversa com 25 jovens sobre "Liberdade, Democracia e Futuro".
(Lusa)
Papa volta a condenar a pena de morte e se une a quem luta pela abolição da prática no mundo
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV reforçou em mensagem de vídeo nesta sexta-feira (24/04) a condenação à pena de morte, ao assassinato de pessoas e a todas as ações injustas, como enalteceu no dia anterior em coletiva de imprensa no voo de retorno da África. Por ocasião do aniversário de 15 anos da abolição da pena de morte no estado de Illinois, nos Estados Unidos, o Pontífice se dirigiu aos participantes de um evento comemorativo a esse marco realizado pela Universidade DePaul, que contou com a participação da Irmã Helen Prejean, ativista de renome mundial contra essa prática capital. A noite celebrativa no Centro de Estudantes do Lincoln Park, em Chicago, teve transmissão ao vivo.
Em março de 2011, Illinois se transformou no 16° estado do país a abolir a pena de morte, após uma longa e controversa batalha que atestou que o sistema de pena capital carecia de credibilidade, era excessivamente caro e corria o risco de executar pessoas inocentes. Atualmente, de acordo com dados de 2025 do Centro de Informações sobre a Pena de Morte (Death Penalty Information Center), Illinois faz parte do grupo de 23 dos 50 estados dos EUA que não prevêem a pena de morte. No mundo, segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, muitos países que mantêm a pena de morte ocultam dados, dificultando um levantamento exato, mas cerca de 86 nações ainda realizam execuções (relatório de 2024).
É possível garantir justiça sem recorrer às execuções
Apesar da pena de morte seguir sendo uma realidade nos Estados Unidos, onde a legislação criminal permite que cada estado decida de forma autônoma sobre esse tipo de punição, é grande o movimento em defesa de uma ética da vida. O evento na universidade, por exemplo, uniu histórias pessoais, música, reflexões e a própria mensagem em vídeo do Papa Leão XIV. Logo no início, ele recordou o discurso feito em janeiro deste ano aos membros do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé:
"A Igreja Católica sempre ensinou que toda vida humana, desde o momento da concepção até a morte natural, é sagrada e merece ser protegida. De fato, o direito à vida é o próprio fundamento de todos os outros direitos humanos. Por isso, somente quando uma sociedade tutela a sacralidade da vida humana pode florescer e prosperar."
A esse respeito, continuou o Papa em vídeo, "afirmamos que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo após a prática de crimes gravíssimos". O Pontífice abordou, assim, sobre os sistemas de detenção que podem ser "eficazes" para proteger os cidadãos e, ao mesmo tempo, "não privam completamente aos criminosos a possibilidade de se redimirem". Por isso tanto Papa Francisco como os outros recentes predecessores, disse Leão XIV, "reiteraram repetidamente que é possível proteger o bem comum e salvaguardar os requisitos da justiça sem recorrer à pena capital":
“A Igreja ensina que 'a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa'. Assim, eu me uno a vocês para celebrar a decisão tomada em 2011 pelo governador de Illinois e ofereço o meu apoio àqueles que lutam pela abolição da pena de morte nos Estados Unidos da América e em todo o mundo. Rezo para que os seus esforços levem a um maior reconhecimento da dignidade de cada pessoa e inspirem outros a trabalhar pela mesma causa justa.”
sexta-feira, 24 de abril de 2026
‘Vocês não estão sozinhos’, diz Leão XIV a detentos de prisão da Guiné Equatorial
Por Sabrine Amboka
22 de abr de 2026 às 15:43
O papa Leão XIV exortou hoje (22) os detentos da prisão de Bata, na Guiné Equatorial, a manter o otimismo apesar dos desafios da vida na prisão.
Em sua mensagem hoje, na penitenciária, o papa falou sobre o significado mais profundo da esperança e da transformação pessoal, falando sobre os desafios enfrentados pelos detentos e incentivando-os a usar a prisão como um espaço de reflexão, reconciliação e crescimento.
“Embora a prisão possa parecer um lugar solitário e desolado… ela também pode se tornar um espaço de reflexão, reconciliação e crescimento pessoal”, disse Leão XIV.
“A vida não se define só pelos erros, que muitas vezes são resultado de circunstâncias difíceis e complexas”, disse ele. “Há sempre a possibilidade de recomeçar, aprender e se tornar uma nova pessoa”.
“Vocês não estão sozinhos”, disse o papa. “As suas famílias os amam e esperam por vocês, e muitos, fora destas paredes, rezam por vocês. E mesmo se alguém temesse ter sido abandonado por todos, Deus nunca os abandonará e a Igreja estará ao seu lado”.
Leão XIV falou aos detentos sobre o amor incondicional de Deus, apesar dos erros passados.
“Ninguém está excluído do amor de Deus”, disse ele. “Cada um com a sua história, com erros e sofrimentos, continua a ser precioso aos olhos dos Senhor. Podemos afirmar isso com certeza porque Jesus nos revelou isso em cada encontro, cada gesto e cada palavra”.
“Mesmo quando foi preso, condenado e morto sem ter culpa alguma, Ele nos amou até o fim”, disse o papa. “Ao fazer isso, Ele mostrou-nos que acreditava no poder do amor para transformar até os corações mais endurecidos”.
O papa Leão XIV exortou os detentos a se verem como parte da comunidade nacional da Guiné Equatorial, capazes de inspirar outros por meio da perseverança, da responsabilidade e da fé.
“Cada esforço de reconciliação, cada gesto de bondade, pode tornar-se uma centelha de esperança para os outros”, disse o papa.
Ele disse que todos os esforços devem ser feitos para garantir que os detentos tenham a oportunidade de estudar e trabalhar com dignidade enquanto estiverem na prisão.
O papa descreveu a Guiné Equatorial como uma “terra rica em culturas, línguas e tradições”, instando por sistemas que priorizem a verdadeira justiça e a dignidade de cada pessoa humana, inclusive os presos.
(acidigital)
Hoje comemora-se a conversão de santo Agostinho, padre e doutor da Igreja
Por Redação central
24 de abr de 2026 às 00:15
Hoje (24) celebrada a conversão de santo Agostinho, bispo, doutor e padre da Igreja, padroeiro dos que buscam a Deus.
Num dia 24 de abril de 387, Agostinho de Hipona foi batizado em Milão, Itália, por santo Ambrósio, bispo da cidade. O santo vindo do norte da África tinha então trinta e três anos, por isso sempre descreveu sua conversão como "tardia".
Padre Alejandro Moral Antón OSA, prior geral da Ordem de Santo Agostinho, falou sobre o significado desta data há alguns anos: “Neste dia, em que celebramos a conversão e o batismo de nosso pai santo Agostinho, de quem todos nos sentimos como discípulos e filhos, queremos partilhar ainda mais fortemente a sua própria experiência: um grande e precioso dom que nos leva à verdade, nos fortalece no amor e nos ajuda a viver na liberdade” (Mensagem a todos os irmãos, irmãs e leigos da Família Agostiniana, 24 de abril de 2021).
Santo Agostinho foi um brilhante orador, filósofo e teólogo, autor de muitos textos de suma importância para a história do cristianismo e da cultura ocidental como as "Confissões" e "A Cidade de Deus".
Uma conversão chama outras conversões
O prior dos agostinianos, na mesma mensagem, fala com insistência da necessidade do acompanhamento da Igreja, comunidade dos batizados, para alcançar a meta que santo Agostinho tanto ansiava e que mantinha o seu coração sempre "inquieto": " Ajudemo-nos uns aos outros para que, quando chegarmos ao ápice de nosso caminho de conversão e descoberta do imenso amor de Deus, também nós possamos exclamar, com a mesma alegria e persuasão de nosso pai Agostinho: 'Agora eu só amo a Ti, só busco a Ti, só estou disposto a servir-Te' (Sol, 1005.5)”.
Uma conversão autêntica é uma mudança radical, uma transformação do coração e da mente segundo a medida de Cristo. É um processo exigente, deixar o que nos impede de chegar a Deu, que requer a Graça, por um lado, e a colaboração da própria liberdade, por outro. Sábio é Deus que conhece e atrai o coração humano:
"Na esperança de que todos nós possamos reconhecer em nossa vida cotidiana a beleza 'tão antiga e tão nova' de Deus e de suas obras, eu os abençoo invocando a intercessão de santo Agostinho sobre a nossa ordem e a amável proteção de Maria, a quem celebramos estes dias com o belo título agostiniano de Mãe do Bom Conselho”, conclui o padre Moral Antón.
“Este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado" (Lc 15,32)
Santo Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354, em Tagaste, ao norte da África, atual Argélia. Deus usou de sua mãe, santa Mônica, para que Agostinho conhecesse a Cristo; ela foi a mãe dedicada que nunca deixou de orar por seu filho.
Em sua juventude, Agostinho entregou-se a uma vida libertina e imoral, entregue aos prazeres mundanos e à busca de prestígio. Durante catorze anos conviveu com uma escrava, com quem teve um filho chamado Adeodato, que morreu ainda jovem.
Segundo o próprio Agostinho conta, estava no jardim imerso em profunda melancolia, preso em suas divagações, quando ouviu uma voz parecida com a de uma criança -ou talvez de uma mulher- vinda da casa vizinha e que repetia: " Tolle lege; tolle lege” (pegue e leia; pegue e leia). O santo interpretou isso como um chamado de Deus para abrir a Sagrada Escritura que tinha nas mãos e lê-la. Ele o fez, aleatoriamente, e se deparou com o capítulo 13 da Carta de São Paulo aos Romanos:
"Nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções... Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites" (Rm 13, 13-14). Desde aquele momento até o dia em que foi batizado, tudo ficou mais claro e tranquilo por dentro: a partir daquele momento ele resolveu deixar sua vida passada, cheia de correntes e frustrações, para ir atrás da pureza perdida e entregar sua vida ao Senhor.
O batismo e seu impacto na vida do cristão
No ano de 387, Agostinho foi batizado, já maduro, junto com Adeodato, seu filho, que morreria pouco depois. O santo sabia muito bem que se convertia com a mesma idade em que Cristo terminou sua obra na terra. Ele sabia que suas idas e vindas na vida não passavam de desperdício, cegado por aparências e miragens.
Deus o chamou para o sacerdócio e episcopado. Agostinho governou a diocese de Hipona por 34 anos. Graças aos seus dons intelectuais e espirituais, ele foi uma luz em meio a um mundo que estava quebrado em todos os sentidos. Pela sua lucidez, coragem e sabedoria era respeitado pelos próprios e estrangeiros, dentro e fora da Igreja.
Combateu heresias, lutou contra correntes contrárias à fé e à verdade, convocou e celebrou concílios e viajou anunciando o Evangelho.
Em agosto de 430, santo Agostinho adoeceu e morreu no dia 28 daquele mês com 75 anos, razão pela qual a Igreja celebra nessa data a sua festa universal.
Papa: como pastor, não posso ser a favor da guerra; há muitos mortos inocentes
Vatican News
“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.
“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé."
Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?
Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia "Bem-vindo, Papa Leão". Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.
Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?
O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.
E as próximas viagens?
Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.
Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?
Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.
Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?
Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.
Anneliese Taggart (Newsmax TV - USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?
Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas — desde a concepção até a morte natural — deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado.