sexta-feira, 17 de abril de 2026

Como dobrar guardanapos de papel em forma de flor 🌹 Uma flor de guardanapos.


 

I didn’t expect this 10-year-old boy to be an


 

A Verdade não se negocia: A Linguagem Dura de Cristo


 

Cameroon, Douala, Holy Mass, 17 April 2026 – Pope Leo XIV


 

 

 

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)

SANTA MISSA

HOMILIA DO SANTO PADRE

“Japoma Stadium” (Douala)
Sexta-feira, 17 de abril de 2026


Queridos irmãos e irmãs,

O Evangelho que acabámos de ouvir (Jo 6, 1-15) é palavra de salvação para toda a humanidade. Por toda a parte se proclama hoje esta Boa Nova, que para a Igreja nos Camarões ressoa como um anúncio providencial do amor de Deus e da nossa comunhão.

Com efeito, o testemunho do apóstolo João fala-nos de uma grande multidão (cf. vv. 2-5), tal como nós somos aqui e agora. Para toda essa gente, porém, há muito pouca comida: apenas «cinco pães de cevada e dois peixes» (v. 9). Observando esta desproporção, Jesus pede-nos hoje, tal como pediu então aos seus discípulos: de que forma resolveis este problema? Olhai quanta gente faminta, oprimida pelo cansaço. O que fazeis?

Esta pergunta é dirigida a cada um de nós: é dirigida aos pais e mães que cuidam das suas famílias. É dirigida aos pastores da Igreja, que velam pelo rebanho do Senhor. É dirigida a todos os que têm a responsabilidade social e política de olhar pelo povo e pelo seu bem. Cristo dirige esta pergunta aos poderosos e aos fracos, aos ricos e aos pobres, aos jovens e aos idosos, porque todos sentimos fome da mesma maneira. Esta carência nos lembra que somos criaturas. Precisamos de comer para viver. Não somos Deus: mas, precisamente, onde está Deus perante a fome das pessoas?

Enquanto aguarda as nossas respostas, Jesus dá a sua: «Tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram» (v. 11). Um grave problema é resolvido abençoando a pouca comida que há e repartindo-a por todos os que têm fome. A multiplicação dos pães e dos peixes acontece na partilha: eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa. Observemos bem o gesto de Jesus: quando o Filho de Deus toma o pão e os peixes, antes de mais nada dá graças. Agradece ao Pai por um bem que se torna dom e bênção para todo o povo.

Fazendo assim, a comida torna-se abundante: não é racionada por causa de uma emergência, não é roubada por causa de disputas, não é desperdiçada por quem se banqueteia diante daqueles que não têm nada para comer. Passando das mãos de Cristo para as dos seus discípulos, a comida aumenta para todos; mais ainda, sobra (cf. vv. 12-13). A multidão, admirada com o que Jesus fez, exclama: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» (v. 14), ou seja, aquele que fala em nome de Deus, o Verbo do Omnipotente. E é verdade, mas Jesus não usa estas palavras tendo em vista um sucesso pessoal: não quer tornar-se rei (cf. v. 15), porque veio para servir com amor, não para dominar.

O milagre que Ele realizou é um sinal desse amor: mostra-nos não só como Deus alimenta a humanidade com o pão da vida, mas também como podemos levar esse alimento a todos os homens e mulheres que, tal como nós, têm fome de paz, liberdade e justiça. Cada gesto de solidariedade e perdão, cada iniciativa de bem é um pedaço de pão para a humanidade necessitada de cuidados. E, no entanto, isto não basta. Na verdade, ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma, que nutre a nossa consciência, que nos sustenta na hora sombria do medo, nas trevas do sofrimento. Este alimento é Cristo, que sempre alimenta em abundância a sua Igreja e com o seu Corpo nos fortalece ao longo do caminho.

Irmãs e irmãos, a Eucaristia que estamos a celebrar torna-se, assim, fonte de uma fé renovada, pois Jesus está presente no meio de nós. O Sacramento não reaviva uma memória distante no tempo, mas realiza uma “com-panhia” que nos transforma, porque nos santifica. Felizes os convidados para a ceia do Senhor! Em torno da Eucaristia, esta mesma mesa torna-se anúncio de esperança nas provações da história e nas injustiças que vemos à nossa volta. Torna-se sinal da caridade de Deus, que em Cristo nos convida a partilhar o que temos, para que seja multiplicado na fraternidade eclesial.

O Senhor abraça o céu e a terra, conhece o nosso coração e todas as situações, felizes ou tristes, que atravessamos. Fazendo-se homem para nos salvar, Ele quis partilhar as necessidades da humanidade, a começar pelas mais simples e quotidianas. A fome revela, então, não só a nossa carência, mas sobretudo o seu amor: lembremo-nos disso sempre que o nosso olhar se cruzar com o do irmão e da irmã a quem falta o necessário. Com efeito, aqueles olhos repetem-nos a pergunta que Jesus fez aos seus discípulos: «O que fazeis por toda esta gente?» É certo que ser testemunhas de Cristo, imitando os seus gestos de amor, implica frequentemente dificuldades e obstáculos, tanto fora como dentro de nós, onde o orgulho pode corromper o coração. Nestes momentos, porém, repitamos com o salmista: «O Senhor é minha luz e salvação: de quem terei medo?» (Sl 27, 1). Se por vezes vacilarmos, Deus encoraja-nos sempre: «Confia no Senhor! Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!» (v. 14).

Caríssimos jovens, dirijo-vos especialmente este convite, porque sois os filhos amados da terra africana! Como irmãos e irmãs de Jesus, multiplicai os vossos talentos com a fé, a tenacidade e a amizade que vos animam. Sede vós, em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida: alimento de sabedoria e de libertação de tudo aquilo que não nos nutre, mas que, pelo contrário, confunde os nossos bons desejos e nos rouba a dignidade.

Mesmo no vosso país tão fértil, Camarões, muitos experimentam a pobreza, tanto a material como a espiritual. Não cedais à desconfiança e ao desânimo; rejeitai toda a forma de abuso e de violência, que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e tornam-no insensível. Não vos esqueçais de que o vosso povo é ainda mais rico do que esta terra, pois o seu tesouro são os seus valores: a fé, a família, a hospitalidade, o trabalho. Sede, pois, protagonistas do futuro, seguindo a vocação que Deus concede a cada um, sem vos deixardes comprar por tentações que desperdiçam as energias e não servem ao progresso da sociedade.

Para que o vosso espírito corajoso se torne uma profecia do mundo novo, tomai como exemplo o que ouvimos nos Atos dos Apóstolos. Os primeiros cristãos dão, com efeito, um testemunho corajoso do Senhor Jesus perante dificuldades e ameaças, e perseveram mesmo entre os ultrajes (cf. Act 5, 40-41). Estes discípulos «todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Boa-Nova de Jesus, o Messias» (v. 42), isto é, o Libertador do mundo. Sim, o Senhor liberta do pecado e da morte. Anunciar com constância este Evangelho é a missão de todo o cristão: é a missão que vos confio especialmente a vós, jovens, e a toda a Igreja que vive nos Camarões. Tornai-vos Boa Nova para o vosso país, tal como o é, por exemplo, o Beato Floribert Bwana Chui para o povo congolês.

Irmãos e irmãs, ensinar significa deixar uma marca, tal como o agricultor faz com o arado no campo, para que o que semeia dê fruto. É assim que o anúncio cristão muda a nossa história, transformando as mentes e os corações. Anunciar Jesus Ressuscitado significa traçar sinais de justiça numa terra sofredora e oprimida, sinais de paz entre rivalidades e corrupções, sinais de fé que nos libertam da superstição e da indiferença. Com este Evangelho no coração, dentro de pouco partilharemos o Pão eucarístico, que nos sacia para a vida eterna. Com fé alegre, peçamos ao Senhor que multiplique entre nós o seu dom, para o bem de todos.

Em um minuto, o quarto dia da visita do Papa à África

 


Os momentos marcantes da etapa em Bamenda, Camarões: da oração pela paz à missa no aeroporto.

Vatican News

O momento em que o Papa e alguns membros da comunidade de Bamenda soltaram algumas pombas no final do Encontro pela Paz, foi um dos acontecimentos marcantes de, 16 de abril, dia em que o Papa passou pela cidade, situada a uma hora de voo da capital, na região ocidental de Camarões, devastada pela violência entre separatistas anglófonos e as forças do governo central. Ali, na catedral de São José, o Pontífice advertiu para que as religiões não fossem instrumentalizadas para objetivos militares, econômicos e políticos. Líderes tradicionais, religiosas e famílias de deslocados deram seu testemunho de sofrimento e coragem. Em seguida, a celebração da missa numa área montada no aeroporto da cidade, com cerca de vinte mil fiéis exultantes de alegria pela presença de um hóspede tão esperado. Leão deu ao povo um impulso de energia espiritual, incitando-o a recompor, agora, e não no futuro, “o mosaico da unidade, unindo as diversidades”.


Papa: cada gesto de solidariedade e perdão é um pedaço de pão para a humanidade

 


No terceiro dia de sua viagem a Camarões, Leão XIV celebrou a Missa no Japoma Stadium, em Douala, e destacou a partilha como caminho de justiça e esperança. “A multiplicação dos pães acontece na partilha: eis o milagre!”, afirmou.

Thulio Fonseca - Vatican News

Na manhã desta sexta-feira, 17 de abril, terceiro dia da viagem apostólica a Camarões, o Papa Leão XIV deixou Yaoundé em direção a Douala. No Japoma Stadium, construído no alto de uma colina, presidiu à Santa Missa diante de numerosos fiéis que o acolheram com entusiasmo, saudando-o com alegria à sua chegada a bordo do papamóvel.

O milagre que nasce da partilha

Na homilia, proferida em francês e inglês, o Santo Padre partiu do Evangelho da multiplicação dos pães para refletir sobre a realidade humana marcada pela necessidade e pela responsabilidade comum. Recordando a multidão faminta, afirmou que a pergunta de Jesus continua atual e dirigida a todos: “Olhai quanta gente faminta, oprimida pelo cansaço. O que fazeis?” O Papa sublinhou que essa interrogação envolve cada pessoa, independentemente de sua condição, pois todos experimentam a mesma fome e fragilidade. Diante disso, destacou que a resposta de Cristo não é teórica, mas concreta: a partilha.

“A multiplicação dos pães e dos peixes acontece na partilha: eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa. Observemos bem o gesto de Jesus: quando o Filho de Deus toma o pão e os peixes, antes de mais nada dá graças. Agradece ao Pai por um bem que se torna dom e bênção para todo o povo.”

Papa Leão XIV durante a Santa Missa
Papa Leão XIV durante a Santa Missa   (@Vatican Media)

Um pão que alimenta corpo e alma

Leão XIV recordou ainda que, além do alimento material, a humanidade necessita de um alimento mais profundo: “Ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma.” Esse alimento, afirmou, é o próprio Cristo, presente na Eucaristia, que fortalece e sustenta o caminho dos fiéis. A celebração eucarística torna-se, assim, fonte de esperança e sinal concreto da caridade de Deus, capaz de transformar a história.

Dirigindo-se especialmente aos jovens, o Papa fez um forte convite à responsabilidade e ao protagonismo: “Sede vós, em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida.” Exortou-os a não cederem ao desânimo nem às ilusões de ganhos fáceis, mas a valorizarem os dons do seu povo, a fé, a família, a hospitalidade e o trabalho, tornando-se construtores do futuro:

“Mesmo no vosso país tão fértil, Camarões, muitos experimentam a pobreza, tanto a material como a espiritual. Não cedais à desconfiança e ao desânimo; rejeitai toda a forma de abuso e de violência, que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e tornam-no insensível.”

Fiéis durante a celebração
Fiéis durante a celebração   (@Vatican Media)

Testemunhas de esperança

O Santo Padre concluiu encorajando todos a viverem o Evangelho com coragem, mesmo em meio às dificuldades, recordando que anunciar Cristo significa transformar a realidade com sinais concretos de justiça, paz e fé, e concluiu: 

"Anunciar Jesus Ressuscitado significa traçar sinais de justiça numa terra sofredora e oprimida, sinais de paz entre rivalidades e corrupções, sinais de fé que nos libertam da superstição e da indiferença."

Ao término da celebração, o arcebispo de Douala, dom Samuel Kledal, dirigiu palavras de agradecimento ao Pontífice. Em seguida, o Papa seguiu para uma visita privada ao Hospital Católico Saint Paul de Douala. Posteriormente, retornou a Yaoundé, onde prossegue sua agenda. Ainda nesta sexta-feira, está previsto um encontro com jovens universitários no final da tarde.

Papa encontra um grupo de líderes muçulmanos em Camarões: comunicar a paz

 


No seu canal no Telegram, a Sala de Imprensa da Santa Sé informa sobre o encontro realizado na noite desta quinta-feira, 16 de abril, na Nunciatura, entre o Papa Leão XIV e 12 representantes de grupos islâmicos locais, com os quais estão em andamento projetos de cooperação e justiça social em conjunto com a Igreja. O Pontífice também já havia se reunido com os bispos do país, enfatizando o valor da comunhão e da vida espiritual dos pastores.

Vatican News

Na noite desta quinta-feira, 16 de abril, às 19h30, após seu retorno à Nunciatura, o Papa Leão XIV se reuniu com um grupo de 12 representantes de algumas comunidades islâmicas camaronenses, alguns dos quais haviam sido recebidos em Roma pelo Papa em dezembro. Com eles e com suas respectivas comunidades, estão em andamento projetos de cooperação e justiça social com a Igreja, para o apoio às camadas mais pobres da população do país. A informação foi divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé através do seu canal no Telegram.

A saudação aos representantes das comunidades islâmicas

O Papa, segundo o comunicado, saudou cada um individualmente e ouviu as palavras de boas-vindas e agradecimento dirigidas a ele pelos presentes, especialmente pelo trabalho conjunto com a Igreja, pela visita papal e pelas palavras sobre o diálogo e a paz proferidas em Bamenda. Leão XIV dirigiu então algumas palavras aos representantes muçulmanos, expressando felicidade por viver o encontro com eles e gratidão por ter sido acolhido com tanta alegria por todos em Camarões: cristãos, católicos e não católicos, muçulmanos, pessoas de religiões tradicionais, todos celebrando este dom compartilhado.

Paz que nasce do reconhecimento de que somos irmãos e irmãs

O Pontífice, prossegue o comunicado, citou também as críticas e as divisões que às vezes se insinuam entre as crenças e as religiões, o que torna ainda mais grave a responsabilidade que decorre do encontro, para todos: a de “continuar a comunicar o desejo de todos de encontrar a paz, não uma paz de indiferença, não uma paz que retira a riqueza das diferenças, mas uma paz que nasce quando reconhecemos que todos somos irmãos e irmãs, todos criaturas de Um só, todos chamados a respeitar a dignidade de todos”. Em Camarões, explicou o Papa, há uma grande possibilidade de realizar esse sonho, como um desejo que se torna compromisso. Leão XIV encorajou os presentes a continuarem nesse belo caminho, a levar a mesma mensagem, o mesmo sonho, a outros, aos muçulmanos e a todos aqueles que não compreendem, mas podem aprender a ver a beleza da fraternidade, trazendo grande benefício a todo Camarões.

O encontro com os bispos de Camarões

Na noite desta terça-feira, por sua vez, ao final da primeira tarde em Camarões, o Papa teve um encontro com os bispos do país. O Pontífice destacou o grande valor da comunhão, dom a ser feito seu na Igreja e compartilhado em um mundo dividido, dilacerado por conflitos e polarizações, e o da vida espiritual dos pastores, que os torna testemunhas autênticas; e citou a bênção que provém das muitas vocações em Camarões, e o desafio que daí decorre, de formar os jovens com responsabilidade, nos planos espiritual, intelectual e emocional, sacerdotes cuja única autoridade seja o serviço, seguindo o modelo de Lavar os Pés realizada por Jesus e repetida na Quinta-feira Santa. Em resposta às perguntas de alguns dos bispos presentes, Leão XIV abordou vários temas de grande atualidade para o país.


Homilia Diária | A missão da Igreja e o modo de agir de Deus (Sexta-feira da 2ª Semana da Páscoa)


 

SANTO DO DIA - 17 DE ABRIL: SANTO ANICETO


 

Misericórdia minha, misericórdia - Salmo 51 (50)


 

Liturgia das Horas: Laudes, 2ss.6ª, 17 abr 26


 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A Dream Come True: Meeting the "Pope" on Set!


 

SAIBA DIFERENCIAR UM ATAQUE DO MAL DE UMA SUPERSTIÇÃO! | Pe. Gabriel Vila Verde


 

Camarões, Bamenda, Santa Missa, 16 de abril de 2026 - Papa Leão XIV


 

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)

SANTA MISSA

HOMILIA DO SANTO PADRE

Aeroporto de Bamenda
Quinta-feira, 16 de abril de 2026


Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Venho até vós como peregrino da paz e da unidade, expressando a minha alegria por estar aqui a visitar a vossa terra e, sobretudo, por partilhar o vosso caminho, os vossos esforços e as vossas esperanças.

As manifestações festivas que acompanham as vossas liturgias e a alegria que brota da oração que elevais a Deus são o sinal do vosso abandono confiante n’Ele, da vossa esperança inquebrantável, do vosso agarrar-vos, com todas as forças, ao amor do Pai que se faz próximo e olha com compaixão para os sofrimentos dos seus filhos. No Salmo que rezámos juntos, é cantada esta confiança n’Ele, que somos hoje chamados a renovar: «O Senhor está perto dos corações contritos e salva os espíritos abatidos» (Sl 34, 19).

Irmãos e irmãs, são muitos os motivos e as situações que nos partem o coração e nos lançam na aflição. As esperanças num futuro de paz e reconciliação, em que cada um seja respeitado na sua dignidade e a cada um sejam garantidos os direitos necessários, são continuamente desvanecidas pelos muitos problemas que marcam esta belíssima terra: as numerosas formas de pobreza, que continuam a afetar inúmeras pessoas com uma crise alimentar em curso; a corrupção moral, social e política, ligada sobretudo à gestão da riqueza, que impede o desenvolvimento das instituições e das estruturas; os graves e consequentes problemas que atingem o sistema educativo e o sanitário, bem como a grande migração para o estrangeiro, em particular dos jovens. E às problemáticas internas, frequentemente alimentadas pelo ódio e pela violência, junta-se ainda o mal causado pelo exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a pôr as mãos no continente africano para o explorar e saquear.

Tudo isto corre o risco de nos fazer sentir impotentes e de enfraquecer a nossa confiança. No entanto, este é o momento para mudar, transformar a história deste país. Hoje, não amanhã; agora, não no futuro! Chegou o momento de reconstruir, de recompor o mosaico da unidade, combinando as diversidades e as riquezas do país e do continente, de edificar uma sociedade onde reinem a paz e a reconciliação.

É verdade que, quando uma situação se consolida há muito tempo, o risco é o da resignação e da impotência, porque não esperamos nenhuma novidade; no entanto, a Palavra do Senhor abre espaços novos e gera transformação e cura, porque é capaz de colocar o coração em movimento, de pôr em crise o curso normal das coisas a que facilmente corremos o risco de nos habituar, e de nos tornar protagonistas ativos da mudança. Lembremo-nos disto: Deus é novidade, Deus cria coisas novas, Deus torna-nos pessoas corajosas que, desafiando o mal, constroem o bem.

Vemo-lo no testemunho dos Apóstolos, tal como ouvimos na Primeira Leitura: enquanto as autoridades do sinédrio interrogam os Apóstolos, os repreendem e ameaçam por estarem a anunciar publicamente Cristo, eles respondem: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem matastes, suspendendo-o num madeiro» (Act 5, 29-30).

A coragem dos Apóstolos torna-se consciência crítica, profecia, denúncia do mal, e este é o primeiro passo para mudar as coisas. Na verdade, obedecer a Deus não é um ato de submissão que nos oprime ou anula a nossa liberdade; pelo contrário, a obediência a Deus torna-nos livres, porque significa confiar-lhe a nossa vida e deixar que seja a sua Palavra a inspirar a nossa maneira de pensar e de agir. Assim, como ouvimos no Evangelho, que nos apresenta a última parte do diálogo entre Jesus e Nicodemos: «Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo» (Jo 3, 31). Quem obedece a Deus antes do que aos homens e ao modo humano e terreno de pensar, reencontra a própria liberdade interior, consegue descobrir o valor do bem e não se resignar ao mal, redescobre o caminho da vida e torna-se construtor de paz e fraternidade.

Irmãos e irmãs, o consolo para os corações despedaçados e a esperança na transformação da sociedade são possíveis se nos confiarmos a Deus e à sua Palavra. Devemos, porém, guardar sempre no coração e recordar o apelo do apóstolo Pedro: obedecer a Deus, mais que aos homens. Obedecer-lhe, porque só Ele é Deus. E isto convida-nos a promover a inculturação do Evangelho e a vigiar com atenção, também sobre a nossa religiosidade, para não cairmos no engano de seguir aqueles caminhos que misturam a fé católica com outras crenças e tradições de caráter esotérico ou gnóstico, que, na realidade, têm frequentemente objetivos políticos e económicos. Só Deus liberta, só a sua Palavra abre caminhos de liberdade, só o seu Espírito nos torna pessoas novas, que podem mudar este país.

Acompanho-vos com a minha incessante oração e abençoo, em particular, a Igreja aqui presente: tantos sacerdotes, missionários, religiosos e leigos que trabalham para ser fonte de consolação e esperança. Encorajo-vos a prosseguir por este caminho e confio-vos à intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja.

Viagem do Papa Leão XIV a Áfri