17 de abr de 2026 às 16:12
O alimento físico não basta, a alma precisa do alimento da Eucaristia, que sustenta os fiéis em tempos de medo e sofrimento, disse hoje (17) o papa Leão XIV numa missa em Douala, Camarões.
Celebrando missa para cerca de 120 mil pessoas do lado de fora do estádio Japoma, na capital econômica de Camarões, o papa disse em sua homilia que o milagre da multiplicação dos pães e peixes por Jesus Cristo é um sinal de que Ele veio para servir com amor, não para dominar.
O milagre “mostra-nos não só como Deus alimenta a humanidade com o pão da vida, mas também como podemos levar esse alimento a todos os homens e mulheres que, tal como nós, têm fome de paz, liberdade e justiça", disse Leão XIV.
“Cada gesto de solidariedade e perdão, cada iniciativa de bem é um pedaço de pão para a humanidade necessitada de cuidados”, disse o papa.
“E, no entanto, isto não basta”, disse ele. “Na verdade, ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma, que nutre a nossa consciência, que nos sustenta na hora sombria do medo, nas trevas do sofrimento. Esse alimento é Cristo, que sempre alimenta em abundância a sua Igreja e com o seu Corpo nos fortalece ao longo do caminho”.
Leão XIV celebrou missa em francês em Douala, no seu terceiro dia nos Camarões. Amanhã (18), ele celebrará missa na capital do país, Iaundê, antes de partir para o terceiro país da sua viagem apostólica na África — Angola.
Em sua homilia, proferida principalmente em francês, o papa falou sobre o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, comparando a multidão do Evangelho às pessoas presentes na missa.
“O Evangelho que acabamos de ouvir (Jo 6, 1-15) é palavra de salvação para toda a humanidade”, disse ele. “Por toda a parte se proclama hoje essa Boa Nova, que para a Igreja nos Camarões ressoa como um anúncio providencial do amor de Deus e da nossa comunhão”.
Descrevendo a cena do Evangelho, o papa Leão XIV focou na multidão e na falta de comida: “Jesus pede-nos hoje, tal como pediu então aos seus discípulos: de que modo resolveis esse problema? Olhai quanta gente faminta, oprimida pelo cansaço. O que fazeis?”
O papa disse que essa questão diz respeito a todos: “Essa pergunta é dirigida a cada um de nós: é dirigida aos pais e mães que cuidam das suas famílias. É dirigida aos pastores da Igreja, que velam pelo rebanho do Senhor. É dirigida a todos os que têm a responsabilidade social e política de olhar pelo povo e pelo seu bem. Cristo dirige essa pergunta aos poderosos e aos fracos, aos ricos e aos pobres, aos jovens e aos idosos, porque todos sentimos fome da mesma maneira”.
“Essa carência nos lembra que somos criaturas”, disse ele. “Precisamos de comer para viver. Não somos Deus: mas, precisamente, onde está Deus perante a fome das pessoas?”
Falando sobre a resposta de Cristo, Leão XIV sublinhou o significado da gratidão e da partilha: “Enquanto aguarda as nossas respostas, Jesus dá a sua: «Tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram» (v. 11). Um grave problema é resolvido abençoando a pouca comida que há e repartindo-a por todos os que têm fome”.
Ele disse que o milagre é que “há pão para todos se for dado a todos”.
“Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa”, disse o papa.
Referindo-se à missa que estava sendo celebrada, Leão XIV falou sobre seu poder transformador como “uma fonte de uma fé renovada, pois Jesus está presente no meio de nós".
“O Sacramento não reaviva uma memória distante no tempo, mas realiza uma companhia que nos transforma, porque nos santifica”, disse ele.
“Em torno da Eucaristia, esta mesma mesa torna-se anúncio de esperança nas provações da história e nas injustiças que vemos à nossa volta”, disse Leão XIV. “Torna-se sinal da caridade de Deus, que em Cristo nos convida a partilhar o que temos, para que seja multiplicado na fraternidade eclesial”.
Em inglês, o papa Leão XIV falou aos jovens, pedindo-lhes que “sejam em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida: alimento de sabedoria e de libertação de tudo aquilo que não nos nutre, mas que, pelo contrário, confunde os nossos bons desejos e nos rouba a dignidade”.
Falando sobre a realidade da pobreza, ele fez um alerta contra a violência e a corrupção, exortando as pessoas a "não cederem à desconfiança e ao desânimo" e a "rejeitarem toda forma de abuso ou violência, que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e tornam-no insensível".
“Não vos esqueçais de que o vosso povo é ainda mais rico do que esta terra, pois o seu tesouro são os seus valores: a fé, a família, a hospitalidade, o trabalho”, disse o papa.