Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta sexta-feira (05/06) um grupo de mais de mil pessoas das Associações Católicas de Estudantes Alemães que estão reunidos em Roma para uma conferência, "a Cartellversammlung, pela primeira vez fora da Alemanha", como recordou o Pontífice logo no início do discurso. Uma decisão, continuou o Papa, motivada pela fé católica, pela comunhão e atividades culturais que realizam. "Queridos irmãos e irmãs, sejam bem-vindos! Herzlich willkommen!" foram então as palavras acolhedoras de Leão XIV, que refletiu sobre três aspectos para fortalecer ainda mais os laços de fraternidade e a dedicação comum à Igreja, começando justamente pelo compromisso com a identidade católica:
"Perante o despotismo e as ideologias do passado, a fé católica nunca foi meramente uma fachada ou um rótulo, mas sim um modo de vida a ser partilhado nos ambientes universitários e de trabalho. Como fermento evangélico, a fraternidade de vocês continua a crescer nos contextos científico e político, bem como em vários círculos acadêmicos, profissionais e sociais. Essa dimensão comunitária das suas atividades beneficia não só o país de vocês, mas também toda a Europa, da qual a Alemanha é o centro."
Na Sala Paulo VI, o Papa convidou os estudantes a estudar e a promover a "humanidade comum", sobretudo diante dos desafios da revolução tecnológica. A pessoa humana, "sempre relacional e limitada" é chamada "a se tornar uma tarefa para si mesma e um dom para o outro", dando o "melhor de si para ajudar a construir uma sociedade justa e pacífica", acrescentou o Pontífice.
A mesma fé que une é comum e não individual
Leão XIV, então, abordou o espírito de comunhão que anima os estudantes, enaltecido pelo lema que fala de unidade, liberdade e caridade. O Papa recordou a importância da relação das associações não se "limitar à partilha de conhecimento", mas amadurecer em estima recíproca:
"Como todos vocês seguem Cristo, o único Senhor e Mestre da vida, vocês representam os valores católicos na sociedade não como portadores de bandeiras partidárias, mas como representantes do bem comum da humanidade. Na Alemanha, na Itália e em todo o mundo, a mesma fé católica fortalece nossa cooperação, sem ceder às tendências do momento, sem colocar as preferências individualistas à frente da Tradição comum da Igreja."
Ser testemunha da verdade e do humanismo cristão
Junto ao testemunho da "autêntica amizade cristã", o Papa também abordou sobre a busca pela verdade percorrida pelas associações através das atividades culturais em vários campos de estudo e trabalho. Uma vocação, disse ele, que "exige autodisciplina e conversão: uma transformação da mente, que cultivamos como solo fértil, aprimorando nossas ferramentas de trabalho".
A esse respeito Leão XIV recordou em discurso dois dos seus predecessores que trataram sobre o tema. Um deles, Bento XIV, inclusive um "ilustre ex-membro da associação", exortou a desenvolver uma “ecologia do homem” coerente. Já o Papa Francisco, ao conceituar a ecologia integral, "nos mostra que o mundo está repleto de sentido e não é uma entidade inerte a ser moldada arbitrariamente ou pela sede de poder". Ao "orientar nossa sede de vida e justiça, de sabedoria e amor, descobrimos juntos a verdade no conhecer, no fazer e no crer", disse Leão XIV, ao finalizar:
"Não é apesar de nossas atividades, portanto, mas precisamente por meio do que fazemos que desenvolvemos uma relação com Deus, que se torna um caminho para a santidade. Sim, a missão cultural dos cristãos é orientar a sociedade e a história para esse ápice de uma vida centrada em Deus."