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sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Meta enfrenta julgamento nos EUA por supostos danos das redes sociais a crianças e adolescentes
Vatican News
Teve início ontem quarta-feira, na Califórnia o julgamento contra a Meta. O caso, movido por uma coalizão bipartidária de 29 Estados americanos, diz respeito ao impacto do Facebook e do Instagram em crianças e adolescentes.
A acusação alega que a gigante da tecnologia projetou suas plataformas para incentivar comportamentos viciantes entre os jovens, explorando-os para obter lucro e enganando o público sobre os riscos.
Danos a menores e a resposta da Meta
"Vocês ouvirão como a Meta tentou desesperadamente reter essas crianças, o quanto as queria a todo custo, quão jovens as queria", disse ao júri a procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O'Neill. O início do caso também teve repercussões em Wall Street, onde as ações da Meta caíram 4,4%. A empresa de Mark Zuckerberg nega as acusações, afirmando que tomou medidas para lidar com os riscos associados ao uso das redes sociais e proteger os usuários mais jovens.
Segundo os advogados, diversos documentos internos apresentados pela acusação como prova da responsabilidade da empresa demonstram, na verdade, seu compromisso com a segurança. A Meta também contesta as exigências financeiras dos estados, que considera desproporcionais, e argumenta que questões como a verificação de idade afetam todo o setor. No caso de usuários menores de 13 anos, a defesa também argumenta que as restrições de retenção de dados dificultam o desenvolvimento de sistemas capazes de identificá-los e excluí-los das plataformas.
A sombra das sanções
No entanto, o que está em jogo vai muito além de uma possível compensação. Os procuradores-gerais da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey estão ameaçando com multas que, pelo menos em teoria, poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão e exigem mudanças substanciais na forma como o Facebook e o Instagram operam. Em caso de violações das leis federais de privacidade infantil, os estados também pretendem exigir a exclusão dos dados pessoais de usuários menores de 13 anos e dos algoritmos treinados com essas informações.
O julgamento no tribunal federal de Oakland deve durar entre seis e oito semanas. Mark Zuckerberg, outros executivos da empresa e ex-funcionários também estarão entre as testemunhas.
Jogos do Mediterrâneo, Papa: no esporte, a imagem de um mundo fraterno
Giancarlo La Vella – enviado a Taranto
Faltam poucas horas, em Taranto, para o início dos XX Jogos do Mediterrâneo. Ontem, uma emocionante prévia foi marcada pela celebração eucarística presidida pelo arcebispo da “cidade dos dois mares”, dom Ciro Miniero. O esportista — afirmou em sua homilia — tem coragem e não tem medo de errar. Animada pelos cantos de jovens atletas, a Missa na Catedral de São Cataldo, em Taranto, marcou de fato a entrada no clima dos Jogos do Mediterrâneo, dos quais participam 26 países da região do Mare Nostrum e a pequena equipe da Athletica Vaticana, a associação poliesportiva da Santa Sé.
A cidade da região da Puglia vive a expectativa de um evento que a coloca no centro das atenções internacionais, e não apenas do ponto de vista esportivo. Nestes dias, Taranto respira esporte em suas ruas e praças, mas não se esquece das questões sociais, como a crise do emprego no setor siderúrgico, que atingiu a cidade nos últimos anos. Dom Miniero recordou essa realidade com veemência. O desenvolvimento e a retomada da cidade passam pela reconciliação e, como na parábola dos talentos, a conservação e o medo devem dar lugar à criatividade e à capacidade de arriscar.
Os Jogos, uma ponte de solidariedade
Muito terão a contar estes Jogos, de amanhã até 3 de setembro, com a Cruz dos Esportistas acompanhando, na Catedral de São Cataldo, as conquistas dos mais de quatro mil atletas participantes. Ampliando o olhar para o significado deste evento, também os Jogos do Mediterrâneo, assim como outras manifestações, se deparam com conflitos, tensões e injustiças. Mas justamente estes dias de esporte representam uma oportunidade para “construir pontes entre culturas e povos, promovendo a acolhida, a solidariedade e a paz”, segundo o desejo expresso por Leão XIV em um telegrama assinado pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, e lido ontem na abertura da Missa, no dia em que Taranto acolheu na catedral a Cruz dos Esportistas.
“Profecia de paz e fraternidade”
O Pontífice já havia afirmado no Angelus do último domingo: os Jogos do Mediterrâneo podem ser “profecia de paz e de fraternidade”. Além disso, no telegrama ao arcebispo Miniero, o Papa também convidou a viver as competições “com sentimentos de amizade, de fraternidade e de lealdade”. É justamente do esporte, de fato, que pode soprar um novo vento de esperança que, de imediato, não fará cessar as armas, mas pode indicar a possibilidade de construir uma humanidade mais fraterna. A Cruz dos Esportistas, que desde os Jogos Olímpicos de Londres de 2012 vem reunindo expectativas e esperanças de mulheres e homens, expressa a linguagem do esporte que aponta para uma transformação de uma sociedade na qual o conflito, com demasiada frequência, ocupa o lugar do diálogo.
A fraternidade para além da competição
A Cruz foi entregue a dom Miniero por dois representantes da Athletica Vaticana, juntamente com o bispo Paul Tighe, secretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, e crianças dos oratórios de Taranto. Ela permanecerá na catedral até o término dos Jogos. “Vocês não estão aqui apenas para as competições esportivas, mas para oferecer ao mundo um forte testemunho de paz, de partilha e de fraternidade”, afirmou dom Miniero na homilia.
“Este evento entra para a história por aquilo que será vivido nestes dias, mas sobretudo pelo patrimônio espiritual, social, moral e cultural que deixará e pela mensagem que lançará ao mundo inteiro a partir das margens do Mar Jônico, atravessando todos os mares até alcançar os confins da terra.” Palavras que atribuem um papel social fundamental àquilo que muitos consideram apenas um jogo. Recordando as palavras de São Paulo, o arcebispo afirmou, de fato, que “o esporte, como domínio do próprio corpo e, portanto, de si mesmo, torna-se um caminho rumo a metas mais elevadas, com seu importante papel na formação dos jovens”.
A convivência das diferenças
Retomando a parábola evangélica dos talentos, o arcebispo convidou a considerar o esporte justamente como um dos talentos concedidos pelo Senhor, que “pode ser usado para os próprios interesses, para a própria imagem, para alcançar um recorde nas diferentes modalidades, para ocupar as primeiras páginas dos jornais e dos noticiários, por vanglória, para ser admirado pelos homens, como denuncia Jesus. Pode, ao contrário, ser valorizado para partilhar, doar e contribuir para a construção de um mundo de paz, na solidariedade com os mais fracos e com os pobres”.
Além disso, concluiu o arcebispo, “praticando esporte, vocês têm a possibilidade de viver experiências de encontro com atletas de todas as culturas, religiões e condições sociais; descobrem a beleza da convivência das diferenças, com o objetivo de contribuir para a realização do sonho da família humana que vive na paz e no respeito às liberdades”. De Taranto, portanto, com os Jogos do Mediterrâneo, pode ser lançada ao mundo “uma mensagem concreta de esperança”.
(vaticannews)
Papa Leão: o mundo não precisa de uma inteligência artificial que diminua a humanidade
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta sexta-feira (21/08), na Sala Clementina, no Vaticano, os participantes do 17° encontro anual da Rede Internacional de Legisladores Católicos.
O Pontífice iniciou o seu discurso, agradecendo-lhes pela paciência e se desculpando "pelo pequeno atraso". Devido ao calor em Roma, Leão XIV disse aos seus convidados: "Sinto vontade de dizer: Bem-vindos à sauna do Vaticano!" Todos riram!
A seguir, disse que o tema do encontro da Rede Internacional de Legisladores Católicos, deste ano, "Dignidade humana e inteligência artificial: desafios, oportunidades e controle", "oferece a oportunidade de refletir sobre uma das questões fundamentais da nossa época". "O extraordinário progresso da inteligência artificial está abrindo horizontes que as gerações anteriores mal poderiam imaginar. No entanto, cada avanço tecnológico também coloca a humanidade diante de uma questão moral: não apenas o que podemos fazer, mas o que devemos fazer?"
"De fato, hoje nossa família humana se encontra diante de uma escolha fundamental. Como escrevi na Carta Encíclica Magnifica humanitas, podemos ser tentados a construir uma nova Torre de Babel, onde o poder, a eficiência e o controle obscurecem o rosto da pessoa humana; ou podemos construir uma civilização na qual a tecnologia sirva ao desenvolvimento integral de cada pessoa", disse o Papa.
De acordo com o Pontífice, "a questão decisiva continua a mesma: a tecnologia ajuda as pessoas a se tornarem mais fraternas e responsáveis para consigo mesmas e umas para com as outras? A esse respeito, os princípios da Doutrina Social da Igreja — a dignidade inviolável de cada pessoa, o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade e a solidariedade — fornecem critérios seguros para o discernimento".
Prezados legisladores, sua vocação os coloca no centro deste desafio. Responsáveis por elaborar políticas para a gestão da tecnologia para o bem comum, sua tarefa não é impedir a inovação, mas guiá-la com sabedoria. Uma boa legislação deve incentivar a criatividade científica e tecnológica, ao mesmo tempo que salvaguarda os direitos humanos e as liberdades. Deve proteger os usuários da exploração, zelar pela privacidade pessoal, garantir a transparência no uso das tecnologias emergentes e assegurar que elas fortaleçam as instituições democráticas.
Para isso, "são necessários quadros jurídicos adequados, vigilância independente, educação dos utilizadores, uma política que não renuncie à sua missão", disse ainda o Papa, citando um trecho da Magnifica humanitas. Segundo ele, "essa vigilância pode atuar em diversos níveis, local, nacional e internacional, facilitando o debate aberto sobre o “código ético a ser utilizado, submetendo-o a critérios de justiça social partilhada” e "garantindo que nenhuma ideologia ou interesse específico dite os valores incorporados nos sistemas de inteligência artificial".
Ao mesmo tempo, o rápido desenvolvimento da inteligência artificial corre o risco de criar novas formas de dependência tecnológica, com as nações mais pobres cada vez mais dependentes das mais ricas. Devemos permanecer vigilantes a este respeito, para evitar que a inovação se torne mais um veículo de colonialismo ideológico ou econômico.
A seguir, o Papa acrescentou:
Infelizmente, nos deparamos com uma forma sutil de domínio quando são os algoritmos que decidem quem é visto e quem permanece invisível, quando plataformas digitais influenciam o debate público sem prestar contas e quando a dignidade dos trabalhadores é subordinada à otimização de sistemas. Esses desenvolvimentos revelam uma nova face da antiga tentação do domínio e do poder sem serviço.
"Contra essa cultura do poder, a Igreja propõe 'a civilização do amor'", disse Leão XIV, usando as palavras do Papa Paulo VI. "Uma civilização que saiba guiar com sabedoria a inteligência artificial, formando corações capazes de caridade, compaixão e responsabilidade", sublinhou. "Numa sociedade assim, a primeira escola da humanidade seria a família. Pois é na família que aprendemos a confiar antes de calcular, a generosidade antes da competição, o diálogo antes da divisão e o amor antes do poder", disse Leão XIV, acrescentando:
Nunca se deve permitir que a inteligência artificial corroa essa célula primária da sociedade, seja reduzindo as pessoas e as relações a dados e simulações, seja inundando as mentes jovens com conteúdos que distorcem o desejo, nem mesmo com modelos econômicos que tornam a vida familiar economicamente precária.
O Papa encorajou os participantes do 17° encontro anual da Rede Internacional de Legisladores Católicos a promoverem "políticas que fortaleçam o matrimônio e as famílias, que apoiem os pais em sua missão educativa e permitam que os jovens olhem para o futuro com confiança”.
Caros amigos, o mundo não precisa de uma inteligência artificial que diminua a humanidade; pelo contrário, precisa de inteligência humana iluminada pela sabedoria, de autoridade política guiada pela consciência e inovação tecnológica impelida pela caridade. Só assim a inteligência artificial deixará de ser uma rival da humanidade e para se tornar uma servidora do bem comum.
Leão XIV concluiu, pedindo a Nossa Senhora do Bom Conselho que os acompanhe sempre.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA LEÃO XIV
PARA O XI DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO
PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO 2026
1º de setembro de 2026
“Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices” (Isaías 2, 4)
Queridos irmãos e irmãs,
Nosso Senhor Jesus Cristo veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância (cf. Jo 10, 10). Este dom da vida está no cerne da nossa missão como discípulos e do chamamento comum para construir uma civilização do amor. Ao celebrarmos este Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, somos mais uma vez convidados a contemplar o dom da vida e a valorizar a terra que a sustenta, pois estas são formas concretas de louvar o nosso Criador.
Hoje, testemunhamos muitas crises e muito sofrimento humano. Parece, ao mesmo tempo, que a perturbação do equilíbrio harmonioso da criação está a acelerar. Estes fenómenos não deixam de estar relacionados: constituem um único apelo à cura e à paz, proveniente dum mundo ferido.
O Deus da vida, revelado em Jesus Cristo, oferece uma paz que o mundo não pode dar: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz» (Jo 14, 27). Esta paz não é superficial nem efémera, mas brota do amor perene de Cristo e do seu cuidado por cada pessoa humana.
No entanto, esta promessa de paz contrasta fortemente com as realidades que observamos em muitas partes do mundo. O profeta Isaías falou de um tempo em que as nações «transformarão as suas espadas em relhas de arados» (Is 2, 4), mudando aquilo que destrói a vida naquilo que a sustenta. Hoje, porém, testemunhamos com demasiada frequência exatamente o contrário, já que os esforços continuam a ser direcionados para a violência e a guerra.
A guerra deixa feridas que vão muito além do campo de batalha. Ela ceifa vidas, separa famílias e obriga milhões de pessoas a fugir para longe dos seus lares, aumentando assim o medo, a injustiça e a divisão (cf. Gaudium et Spes, 77-82). A guerra deixa também para trás uma destruição social e ecológica que perdura por gerações. Além disso, a interação entre os conflitos armados e a degradação ambiental cria frequentemente um ciclo vicioso, que destrói ecossistemas, contamina recursos essenciais, como o ar e a água, e compromete a segurança alimentar. Isto faz crescer a pobreza, a desigualdade e novas tensões sociais que podem contribuir para o surgimento de mais conflitos.
Mais ainda, a guerra cria feridas que danificam todo o tecido da vida, prejudicando não só as pessoas e as comunidades, mas também a sua rede mais ampla de relações com a inteira família humana e a sua harmonia com a criação. Isso revela uma incapacidade ainda maior de viver à imagem e semelhança de Deus, de respeitar a vida e de cuidar da terra que nos foi confiada. Não se trata apenas dum fracasso político, mas também moral e espiritual. Enraizada em desejos distorcidos e no uso indevido da liberdade e do poder humanos, a guerra apresenta-se como um contratestemunho do Evangelho da paz.
As crises mencionadas acima exigem não só responsabilidade, mas também uma conversão do coração que dê fruto numa maior fidelidade a Deus, no amor mútuo e no respeito pelo dom da criação. Realmente, as discórdias que vemos no mundo, como a violência, a injustiça e a degradação ecológica, não são simplesmente o resultado de sistemas ou estruturas insuficientes, mas estão ligadas «com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem» (Gaudium et Spes, 10). Na verdade, o coração humano é o lugar onde acontecem as lutas fundamentais e onde a nossa condição decaída se revela. Não é meramente a sede das emoções, mas o centro da pessoa: o lugar onde convergem razão, desejo, vontade e consciência. É aqui que lutamos com desejos contraditórios que existem dentro de nós entre amor e indiferença, verdade e ilusão, justiça e injustiça (cf. Tg 1, 14–15). As feridas da guerra e a degradação da terra estão, portanto, intimamente ligadas à condição do coração humano. Os conflitos que atormentam a humanidade são, em muitos aspectos, a expressão exterior da discórdia e da divisão interiores. Quando o coração está deformado, as relações sofrem e as estruturas que construímos começam a refletir essa desordem.
O Papa Bento XVI recordou-nos que «os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos» (Homilia na Santa Missa para o início do ministério petrino do Bispo de Roma, 24 de abril de 2005). Isto convida-nos a reconhecer que, de certa forma, o que está quebrado à nossa volta também está quebrado dentro de nós. Portanto, para construir uma sociedade pacífica não devemos apenas reformar as estruturas, mas também renovar os nossos corações. As causas profundas dos conflitos e da exploração da criação têm origem numa crise ética e cultural, que inclui a perda do sentido dos limites, a vontade de domínio, a busca do lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade, concedida por Deus a cada pessoa humana.
O apelo profético a «transformar as espadas em relhas de arados» (Is 2, 4) não é simplesmente um ideal para as nações, mas um chamamento individual, que nos convida a transformar o mal em vida. Esta transformação, todavia, não pode ser alcançada por meio de mudanças apenas exteriores. Ela exige, em colaboração com a graça de Deus, uma conversão pessoal e coletiva mais radical: um regresso a Deus, que reordenará os nossos desejos, curará as nossas feridas e nos ajudará a crescer na virtude.
Sem esta transformação interior, a paz continuará a ser frágil e de curta duração. Mas, onde os corações se renovam, começam a abrir-se novas possibilidades. O que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida, para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para a salvaguarda da criação. Este é o caminho da autêntica conversão ecológica, onde os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia (cf. Francisco, Laudato Si’, 217). A paz, então, começa no coração e flui para as nossas relações, comunidades e para o mundo inteiro.
Embora os desafios que temos pela frente sejam enormes, Deus não nos deixa sem os meios para a cura e a transformação. Em vez das armas de guerra, o Deus da paz concede-nos a força para curar, reconciliar e construir uma civilização do amor. Desta forma, somos chamados a salvaguardar os muitos “ecossistemas” que nos foram confiados: os ecossistemas da criação, das relações humanas e do próprio coração humano.
Imaginemos um mundo em que as energias atualmente investidas na guerra fossem canalizadas para o desenvolvimento humano integral, a superação da pobreza, a proteção da dignidade humana e a reconciliação entre os povos. Tal visão reflete a fé na vinda do Reino de Deus.
As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor. Estas qualidades brotam de corações moldados pelo Evangelho e sustentados pela graça de Deus. Só estas qualidades possuem o poder de transformar os indivíduos, renovar as comunidades e curar as feridas do nosso mundo.
Queridos irmãos e irmãs, o caminho que temos pela frente é claro, embora não seja fácil. Somos chamados a deixar que os nossos corações sejam renovados, para que possamos procurar a paz e cuidar da criação. A Escritura diz-nos para guardarmos os nossos corações, pois tudo o que fazemos brota deles (cf. Pr 4, 23).
Se assumirmos esta tarefa com humildade e fé, tornar-nos-emos colaboradores na obra divina de renovação. Lenta, mas certamente, passaremos do deserto ao jardim, da divisão à comunhão e da violência à paz.
Que o Senhor nos conceda a coragem de percorrer este caminho, para que, no nosso tempo, as espadas sejam verdadeiramente transformadas em relhas de arados, a promessa do Evangelho se enraíze mais profundamente no nosso mundo e a paz de Cristo reine sobre toda a criação.
Vaticano, 15 de agosto de 2026, Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria.
LEÃO PP. XIV
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Santuário português inaugura trilha em homenagem a são Pier Giorgio Frassati
Santuário de Nossa Senhora da Peneda, em Portugal | ShutterstockPor Natalia Zimbrão
19 de ago de 2026 às 12:49
O santuário de Nossa Senhora da Peneda, Portugal, vai inaugurar uma trilha de 10 km em homenagem a são Pier Giorgio Frassati. A inauguração será em 7 de setembro, quando se recorda um ano da canonização do santo italiano.
Para o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, o cardeal português José Tolentino Mendonça, esse percurso, em Arcos Valdevez, diocese de Viana do Castelo, “permite que um maior número de pessoas — inspiradas pela história de vida de são Pier Giorgio Frassati — se aproxime do transcendente através do alpinismo e do senderismo”, diz comunicado do santuário da Peneda enviado à Agência Ecclesia, da Conferência Episcopal Portuguesa. O cardeal Tolentino, também poeta e escritor, esteve na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em Paraty (RJ), no mês passado.
São Pier Giorgio Frassati foi esportista, esquiador e montanhista. Ele escalava os Alpes, na Itália. Esses passeios com os amigos combinavam esporte e fé. Para ele era ocasião de apostolado. Costumava dizer a frase “Verso l'alto!” (“Para o alto!”).
A trilha em “homenagem” a Pier Giorgio Frassati em Portugal terá “um desnível de 560 metros, que percorre um circuito de 10 km”, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, segundo o santuário da Peneda.
A inauguração em 7 de setembro vai começar às 9h30, com a oração das Laudes e a missa, no santuário de Nossa Senhora da Peneda. A partir das 13h30, começará a caminhada na trilha de 10 km.
A trilha em Portugal conta com a organização do Clube Alpino de Portugal (CNM – Clube Nacional de Montanhismo), que, segundo o santuário da Peneda, “foi o primeiro no mundo a aceitar” o convite que o Clube Alpino Italiano lançou no Grande Jubileu do Ano 2000, ao inaugurar o Percurso Internacional Frassati da Itália (Sentiero Frassati internazionale dell’Italia), em Pollone (Piemonte/Biella).
O clube italiano desafiou à criação de uma rede internacional de percursos, sendo um por país, de particular interesse natural, histórico e religioso, dedicados a Pier Giorgio Frassati.
São Pier Giorgio Frassati
Pior Giorgio nasceu em Turim, Itália, em 6 de abril de 1901. Cresceu no seio de uma família muito rica. Seu pai foi o fundador e diretor do jornal ‘La Stampa’ e sua mãe, uma notável pintora que lhe transmitiu a fé. Na adolescência, cultivou uma profunda vida espiritual, tornou-se membro ativo da Ação Católica, do Apostolado da Oração, da Liga Eucarística e da Associação de jovens adoradores universitários.
Decidiu estudar Engenharia Industrial Mecânica para trabalhar perto dos operários pobres e ingressou no Politécnico de Turim, onde fundou um círculo de jovens que buscavam fazer Cristo o centro de sua amizade. Teve uma vida austera e destinava à obra de caridade boa parte do dinheiro que seus pais lhe davam para gastos pessoais. Sua força estava na comunhão diária e na frequente adoração ao Santíssimo.
Frassati morreu aos 24 anos de poliomielite, em 4 de julho de 1925. Acredita-se que tenha contraído a doença de uma das pessoas a quem servia.
Foi canonizado pelo papa Leão XIV em 7 de setembro de 2025, em uma cerimônia em que também foi declarado santo Carlo Acutis.