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sábado, 11 de julho de 2026
sábado, 27 de junho de 2026
Consistório: concluído o primeiro dia de trabalhos sob o signo da paz
Vatican News
A sessão da tarde do Consistório Extraordinário dos Cardeais, realizada na Sala Paulo VI na sexta-feira (26), foi aberta com o pensamento voltado para a “dolorosa situação da Venezuela” e para as muitas vítimas causadas pelo terremoto. A sessão, que teve como tema “A cultura do poder e a civilização do amor”, foi dedicada à reflexão sobre o capítulo V da Encíclica Magnifica humanitas. Os trabalhos começaram com uma oração comunitária e foram moderados pelo cardeal Pablo Virgilio Siongco David, que em seguida passou a palavra ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, para a sua conferência introdutória. O Papa Leão participou do início da sessão e retornou no momento da plenária.
A guerra não deve ser normalizada
Em seguida começaram os trabalhos com 11 grupos apresentando seus relatos: 8 do primeiro bloco e 3 do segundo. Segundo um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, todos falaram sobre as criticidades do tempo presente, “da força desumanizadora da cultura do poder, de sua universalidade, da tentação de se conformar à lógica dos poderosos, de normalizar a guerra e a polarização, o que leva a uma redução do limiar de tolerância em relação à violência e a uma perigosa simplificação na busca por soluções”. Daí o apelo à responsabilidade para construir a paz e a civilização do amor, ao testemunho convincente, sobretudo na Igreja, da necessidade de uma linguagem que olhe para as pessoas, feita de escuta, perdão, reconciliação, justiça restaurativa e de gestos concretos. Uma linguagem capaz de tocar o coração de quem está em conflito e que compreenda as feridas geradas pela guerra, “uma língua que facilite a busca pela unidade na Igreja”.
A responsabilidade de construir a paz
Unidade na Igreja para ter credibilidade e o diálogo necessário com as outras fés e religiões, particularmente com o Islã: este foi outro ponto destacado no debate dos grupos. “Em um tempo em que a globalização da indiferença torna as pessoas intolerantes ao sofrimento alheio”, cada indivíduo deve assumir a responsabilidade pela construção da paz. Nessa perspectiva, todos os grupos evidenciaram a centralidade da fé em Cristo, do Evangelho que transforma o mundo quando não se aceita que seja apenas teoria, e da vocação originária da Igreja, porque existem situações que, para serem enfrentadas, necessitam da intervenção de Deus. Sob essa ótica, alguns grupos destacaram o trabalho da Igreja na Terra Santa e no Leste Europeu.
Também houve espaço no debate para o papel do poder político, “livre da ligação tóxica com o poder econômico”; falou-se sobre família, educação, a dificuldade de sair da lógica das respostas imediatas e sobre uma audaciosa obra de evangelização. Vários grupos mencionaram o papel da diplomacia da Santa Sé e dos Núncios em fazer ouvir a voz da Igreja.
Ao lado do Papa em seu apelo pela paz
Nesse contexto, surgiu a necessidade de superar a lógica da guerra justa — uma vez que o Evangelho não se impõe pela força — e de falar, em vez disso, sobre o direito a uma defesa proporcionada. Foi expressa uma profunda gratidão ao Papa Leão pela Encíclica, por sua condenação dos conflitos e por seus apelos à paz. Houve também uma reflexão sobre o munus petrino, garantia da independência da Igreja em relação à autoridade política, e sobre a necessidade de gestos que, neste tempo, possam servir como ícones de paz.
Um chamado à responsabilidade
Por fim, houve espaço para alguns pronunciamentos individuais sobre os temas da sessão. Alguns cardeais agradeceram pelo espaço de partilha proporcionado pelo Consistório, reiterando também a necessidade de trabalhar em conjunto com os líderes de outras religiões para consolidar a civilização do amor. Alguns relataram a reação de muitos às palavras severas do Papa na Encíclica sobre o atraso da Igreja em condenar a escravidão; palavras que abriram os corações. A Encíclica, destacaram os purpurados, é também um chamado para o Colégio Cardinalício assumir a responsabilidade pela construção da paz, inclusive por meio de símbolos, como foi o Encontro de Oração pela Paz convocado por João Paulo II em Assis, em 1986. Ao término da sessão, por volta das 19h30, o Papa Leão conduziu a oração de encerramento.
Papa envia ajuda às vítimas do terremoto na Venezuela
Vatican News
O Papa Leão XIV, por meio da Esmolaria Apostólica, destinou 100 mil euros para a Igreja na Venezuela, como uma primeira ajuda emergencial às vítimas do terremoto. A informação foi divulgada na tarde desta quinta-feira. O montante foi definido após conversas com o núncio no país, dom Alberto Ortega Martín, arcebispo titular de Midila, e o arcebispo de Caracas, dom Raúl Biord Castillo. No entanto, será dada atenção constante às necessidades do povo venezuelano, que serão atendidas nos próximos dias, conforme orientação da Igreja local.
Estado de emergência
A presidente interina, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional após dois fortes tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, atingirem o país. Os tremores foram sentidos em diversas áreas, incluindo a capital, Caracas, provocando pânico entre a população e danos significativos à infraestrutura. Os tremores também foram registrados no norte do Brasil: Manaus, Boa Vista, Belém e Macapá.
Até o momento, os balanços preliminares apontam pelo menos 235 mortos e 4.300 feridos, embora os números tendem a aumentar à medida que as equipes de resgate avançam nas buscas. A região de La Guaira, a mais atingida, foi declarada zona de desastre. A área ficou sem energia elétrica e muitas pessoas passaram a noite nas ruas ou procurando sobreviventes sob os escombros. Em sua mensagem à nação, Rodriguez informou que a série de fortes terremotos danificou dezenas de prédios, incluindo residenciais, na capital Caracas e nos estados de Miranda, La Guaira, Aragua, Carabobo e Falcón.
O dado que causa profunda angústia é o número de pessoas desaparecidas, que está em constante crescimento: primeiro 10.000, agora cerca de 40.000 pessoas parecem estar desaparecidas. O medo que toma conta de todos é que eventualmente o número de mortos se aproxime, como um pesadelo, da estimativa feita de improviso pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos: entre 1.000 e 100.000 vítimas.
Após os fortes tremores da noite passada, pelo menos mais dois tremores menores foram sentidos na Venezuela: um de magnitude 4,5 e outro de 4,4. No entanto, de acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, existe a probabilidade de que ocorra um tremor secundário de magnitude 5,0 ou superior nas próximas semanas.
Buscas por desaparecidos e solidariedade internacional
O governo decretou estado de emergência e mobilizou forças de socorro para as áreas mais afetadas, enquanto aeroportos, linhas de metrô e outros serviços públicos tiveram operações interrompidas. Equipes de emergência continuam trabalhando entre os escombros em busca de sobreviventes, enquanto especialistas avaliam a extensão total dos prejuízos causados pelos tremores.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetia, localizado perto de Caracas, foi fechado devido aos “graves danos” causados pelo terremoto. As aulas estão suspensas por vários dias. O Ministério da Educação informou que algumas escolas serão utilizadas como abrigos e centros de coleta de doações. "Pedimos à nossa população que mantenha a calma", disse Rodríguez, solicitando aos profissionais de saúde que se dirijam aos hospitais para prestar assistência aos feridos. A infraestrutura petrolífera da Venezuela, por sua vez, não foi danificada pelo terremoto, segundo a agência de notícias britânica Reuters.
A Cruz Vermelha Venezuelana informou que sua sede foi gravemente danificada, mas que enviou equipes de resgate para as áreas mais afetadas, alertando para os riscos de fortes tremores secundários.
Equipes de resgate especializadas, coordenadas pelas Nações Unidas, estão a caminho da Venezuela para participar das buscas por pessoas presas sob os escombros após o duplo terremoto que atingiu o país, anunciou a presidente interina Delcy Rodríguez. Governos de diversos países ofereceram ajuda, dos Estados Unidos à Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, El Salvador, México, Panamá e Uruguai, além de Portugal, Itália, Catar, Espanha e Índia. O Catar já enviou equipes de ajuda humanitária, que devem chegar à Venezuela amanhã, juntamente com equipes do México e de El Salvador.
O Ministério da Defesa espanhol, por exemplo, está se preparando para enviar 54 socorristas da USAR, uma unidade de elite da Unidade Militar de Emergência (UME), altamente especializada na busca e resgate de pessoas presas em ambientes urbanos. Sua principal tarefa é localizar, estabilizar e resgatar vítimas presas sob estruturas desabadas, em espaços confinados ou em cenários de grandes desastres.
A França enviará imediatamente "uma equipe de 85 socorristas franceses especializados em operações de resgate e limpeza", informou no X o presidente francês, Emmanuel Macron, enquanto os Países Baixos anunciaram o envio de uma equipe de resgate. O governo holandês informou que destinará cerca de 2 milhões de euros para o envio da equipe, que contará com socorristas, cães e equipamentos.
A Suíça, por sua vez, enviará 80 socorristas, 8 cães farejadores e 18 toneladas de suprimentos de emergência para a Venezuela para auxiliar nas operações de busca e resgate, anunciou o Ministério das Relações Exteriores suíço.
Já a Alemanha está pronta para disponibilizar até seis aeronaves de transporte A400M, que poderiam ser usadas para transportar pessoal e suprimentos para a Venezuela, mas também para facilitar operações de transporte aéreo dentro do país, explicou Boris Pistorius por meio do canal do Ministério da Defesa no WhatsApp.
Prédios desabados e incêndios em Catia la Mar
Catia La Mar, no estado de La Guaira, pode ser o epicentro do desastre causado pelo terremoto que devastou Caracas e a região centro-norte do país. Numerosos relatos nas redes sociais descrevem a devastação generalizada nessa cidade litorânea, com prédios completamente destruídos ao longo da Avenida El Ejército, além de outras estruturas totalmente desabadas e veículos soterrados sob os escombros. Entre os prédios mais danificados estão a Escola Naval, edifícios residenciais em Playa Grande e vários quarteirões do complexo residencial Hugo Chávez, onde também ocorreram incêndios, provavelmente causados pela explosão de botijões de gás.
Testemunhas: "Durou dois minutos, foi como um filme de terror"
Muitos venezuelanos estavam em casa quando os terremotos atingiram o país durante a tarde, em um feriado. "Tudo estava caindo sobre nós. Os televisores estavam no chão. Parecia um filme de terror. Além disso, durou cerca de dois minutos, ou pelo menos foi o que me pareceu", contou à imprensa local uma moradora da Avenida Bolívar, em Catia, a oeste de Caracas. A mulher descreveu a confusão inicial antes de perceber a magnitude do evento. "A princípio, pensamos que estivesse chovendo muito, mas depois descobrimos que as caixas d'água no telhado haviam se rompido devido ao impacto do abalo", disse ela.
Terremoto mais forte em 126 anos
Além dos danos materiais e das vítimas, os terremotos geraram preocupação internacional devido à possibilidade de fortes réplicas e ao elevado potencial destrutivo do evento.
Um relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou este terremoto como o mais forte registrado na parte norte do país nos últimos 126 anos. O evento sísmico é comparável em intensidade apenas ao terremoto histórico de magnitude 7,7 registrado em outubro de 1900.
Especialistas atribuem a violência do evento à pouca profundidade do epicentro, estimada entre 10 e 13 quilômetros. De acordo com a análise técnica, "a liberação de energia ocorreu superficialmente no sistema de falhas que forma o limite sul da placa do Caribe com a placa sul-americana (o eixo de deformação que conecta os sistemas de falhas de Bocona e San Sebastián)". Essa combinação de alta magnitude e pouca profundidade desencadeou um movimento sísmico excepcional, cujas ondas se propagaram por uma grande distância. O tremor foi relatado a mais de 160 quilômetros de distância, atingindo a capital venezuelana e também afetando distintamente as regiões vizinhas da Colômbia e região norte do Brasil.
Em 1967, um terremoto matou 200 pessoas na Venezuela
Os terremotos que atingiram a Venezuela trouxeram à memória, entre os venezuelanos, o terremoto de 1967 que devastou a capital, Caracas. Naquela época, um terremoto de magnitude 6,6 destruiu vários prédios na cidade e matou mais de 200 pessoas. Áreas residenciais de Caracas, como Altamira e Los Palos Grandes, também foram severamente afetadas.
Hoje é celebrada Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro | ACI DigitalPor Redação central
27 de jun de 2026 às 00:01
Hoje (27) é celebrada a festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira dos Padres Redentoristas e cujo ícone original está no altar principal da igreja de Santo Afonso, em Roma.
Esta imagem recorda o cuidado da Virgem por Jesus, desde a concepção até a morte, e que hoje continua a proteger os seus filhos que recorrem a Ela.
Diz-se que no século XV, um comerciante rico do Mar Mediterrâneo tinha a pintura do Perpétuo Socorro, embora se desconheça como chegou a suas mãos. Para proteger o quadro de ser destruído, decidiu levá-lo para a Itália e na travessia aconteceu uma terrível tempestade.
O comerciante pegou o quadro, pediu socorro e o mar se acalmou. Estando já em Roma, ele tinha um amigo, a quem mostrou o quadro e lhe disse que um dia todo o mundo renderia homenagem a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Depois de um tempo, o comerciante ficou doente e, antes de morrer, fez seu amigo prometer que colocaria a pintura em uma igreja ilustre. No entanto, a esposa do amigo se encantou com a imagem e ele não concretizou a promessa.
Nossa Senhora apareceu ao homem em várias ocasiões pedindo-lhe que cumprisse a promessa, mas por não querer desagradar sua esposa, ficou doente e morreu. Mais tarde, a Virgem falou com a filha de seis anos e lhe deu a mesma mensagem de que desejava que o quadro fosse colocado em uma igreja. A pequena foi e contou à sua mãe.
A mãe se assustou e a uma vizinha que zombou do ocorrido surgiram dores tão fortes que só aliviaram quando invocou arrependida a ajuda da Virgem e tocou o quadro.
Nossa Senhora apareceu novamente para a menina e lhe disse que a pintura devia ser colocada na igreja de São Mateus, que estava entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João de Latrão. Finalmente, assim foi feito e se realizaram grandes milagres.
Séculos depois, Napoleão destruiu muitas igrejas, incluindo a de São Mateus, mas um padre agostiniano conseguiu secretamente tirar o quadro e, mais tarde, a pintura foi colocada em uma capela agostiniana em Posterula.
Os Redentoristas construíram a Igreja de santo Afonso sobre as ruínas da Igreja de São Mateus e, em suas investigações, descobriram que antes havia ali o milagroso quadro do Perpétuo Socorro e que estava com os Agostinianos, graças a um sacerdote jesuíta que conhecia o desejo da Virgem de ser honrada nesse lugar.
Assim, o superior dos Redentoristas solicitou ao beato Pio IX, que ordenou que a pintura fosse devolvida à Igreja entre Santa Maria Maior e São João de Latrão. Do mesmo modo, encarregou os Redentoristas de fazer com que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro fosse conhecida.
Os Agostinianos, uma vez que souberam da história e do desejo do papa, de bom grado devolveram a imagem mariana para agradar a Virgem.
Hoje em dia, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tem se expandido por vários lugares, construindo-se igrejas e santuários em sua honra. Seu retrato é conhecido e reverenciado em todo o mundo.