segunda-feira, 11 de maio de 2026
domingo, 10 de maio de 2026
May 10 2026, Regina Caeli prayer - Pope Leo XIV
PAPA LEÃO XIV
REGINA CAELI
Praça de São Pedro
Domingo, 10 de maio de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, no Evangelho, escutámos algumas palavras que Jesus dirige aos seus discípulos durante a Última Ceia. Ao fazer do pão e do vinho o sinal vivo do seu amor, Cristo diz: «Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos» (Jo 14, 15). Esta afirmação liberta-nos de um equívoco, ou seja, da ideia de sermos amados se observarmos os mandamentos: a nossa justiça seria então condição para o amor de Deus. Pelo contrário, é o amor de Deus a condição para a nossa justiça. Observamos verdadeiramente os mandamentos, segundo a vontade de Deus, se reconhecermos o seu amor por nós, tal como Cristo o revela ao mundo. As palavras de Jesus são, portanto, um convite à relação, não uma chantagem ou uma incerteza.
Eis por que o Senhor manda que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13, 34): é o amor de Jesus que gera em nós o amor. O próprio Cristo é o critério, o paradigma do verdadeiro amor: que é fiel para sempre, puro e incondicional; que não conhece nem “mas” nem “talvez”; que se doa sem querer possuir; que dá vida sem levar nada em troca. Porque Deus nos ama primeiro, também nós podemos amar; e quando amamos de verdade a Deus, amamo-nos de verdade uns aos outros. Acontece como com a vida: só quem a recebeu pode viver, e assim só quem foi amado pode amar. Os mandamentos do Senhor são, por isso, uma regra de vida que nos cura dos falsos amores; são um estilo espiritual, que é caminho para a salvação.
Precisamente porque nos ama, o Senhor não nos deixa sozinhos nas provações da vida: promete-nos o Paráclito, ou seja, o Advogado defensor, o «Espírito da Verdade» (Jo 14, 17). É um dom que «o mundo não pode receber» (ibid.), enquanto se obstinar no mal que oprime o pobre, exclui o fraco, mata o inocente. Quem, pelo contrário, corresponde ao amor que Jesus nutre por todos, encontra no Espírito Santo um aliado que nunca falha: «Vós é que O conheceis – diz Jesus – porque permanece junto de vós, e está em vós» (ibid.). Sempre e em toda a parte podemos, então, testemunhar Deus, que é amor: esta palavra não significa uma ideia da mente humana, mas a realidade da vida divina, pela qual todas as coisas foram criadas do nada e salvas da morte.
Ao oferecer-nos o amor verdadeiro e eterno, Jesus partilha conosco a sua identidade de Filho amado: «Eu estou no meu Pai, e vós em mim, e Eu em vós» (v. 20). Esta envolvente comunhão de vida desmente o Acusador, ou seja, o adversário do Paráclito, o espírito contrário ao nosso defensor. Com efeito, enquanto o Espírito Santo é força de verdade, este Acusador é «pai da mentira» (Jo 8, 44), que quer opor o homem a Deus e os homens entre si: precisamente o contrário do que faz Jesus, salvando-nos do mal e unindo-nos como povo de irmãos e irmãs na Igreja.
Caríssimos, cheios de gratidão por este dom, confiemo-nos à intercessão da Virgem Maria, Mãe do Amor Divino.
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Depois do Regina Caeli:
Queridos irmãos e irmãs,
Recebi com preocupação as notícias relativas ao aumento da violência na região do Sahel, em particular no Chade e no Mali, afetados por recentes ataques terroristas. Asseguro a minha oração pelas vítimas e proximidade a todos aqueles que sofrem. Desejo que cesse qualquer forma de violência e encorajo todos os esforços em prol da paz e do desenvolvimento naquela amada terra.
Todos os anos, no dia 10 de maio, celebra-se o “Dia da Amizade Copto-Católica”. Dirijo uma saudação fraterna a Sua Santidade o Papa Tawadros II e asseguro a minha oração a toda a amada Igreja copta, na esperança de que o nosso caminho de amizade nos conduza à unidade perfeita em Cristo, que nos chamou “amigos” (cf. Jo 15, 15).
Dou, agora, as boas-vindas a todos vós, romanos e peregrinos de vários países!
Em particular, saúdo o grupo “Guardas de Honra do Sagrado Coração de Jesus”, proveniente de várias cidades da Itália, e os “Voluntários para a Evangelização” ligados à família da Rádio Maria; bem como a Associação de voluntariado “Komen Italia”, empenhada na prevenção do cancro da mama.
Gostaria de agradecer a hospitalidade que caracteriza o povo das Ilhas Canárias, por ter permitido a chegada do cruzeiro “Hondius”, com doentes de hantavírus. Estou contente por me poder encontrar convosco no próximo mês, durante a minha visita às Ilhas.
E, hoje, dirijo às mães um pensamento especial! Por intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, rezemos com carinho e gratidão por todas as mães, especialmente por aquelas que vivem em condições mais difíceis. Obrigado! Que Deus vos abençoe!
Desejo a todos um bom domingo.
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Dia das Mães: Uma oração pelas mães que morreram
Por Redação central
10 de mai de 2026 às 05:00
Muitos países do mundo comemoram o Dia das Mães hoje, segundo domingo de maio. Mas, muitas pessoas já não as têm ao seu lado, pois morreram.
A seguir, uma oração pelas mães que já morreram:
Rezamos a Ti continuamente, Senhor, por nossa mãe.
Lembramo-nos
dela com paz e com amor diante de Ti, certos de que ela vive, da mesma
forma como estamos certos de que Tu vives e de que o Teu amor dura para
sempre.
Lembramo-nos de quando ela estava entre nós...
Às vezes,
parece que sentimos o calor e a calma de sua presença protetora como
quando morava aqui, muito mais para nós do que para si mesma.
Dá-lhe Senhor o teu amor, dá-lhe a tua vida.
Dá-lhe a tua paz.
Tem-la muito próxima a Ti.
Que seja feliz e rogue diante de Ti por nós.
Ajuda-nos a viver o que ela nos ensinou, mais com amor do que com palavras.
A rezar a Ti como ela, a amar-Te como ela, a fazer de Ti e dos demais, assim como ela fazia, o sentido de nossa vida.
E,
se por descuido ou por debilidade, em algo te faltou, perdoa-lhe, Tu
que sabes o que é ser Pai e Mãe e conheces como ninguém o amor e o
perdão sem medida nem limites...
Perdoa-lhe suas faltas , pois amou muito a todos.
Obrigado, Senhor, por esta oração que nos enche de paz na lembrança de nossa mãe.
Amém.
Dia das Mães: Dez mães católicas que alcançaram a santidade
Por Redação central
10 de mai de 2026 às 02:42
Por ocasião da celebração do Dias da Mães, apresentamos uma lista de dez mães que chegaram à santidade. Mulheres que são exemplo para as mães católicas de hoje, que mostram que na vida cotidiana do matrimônio e da família é possível alcançar a glória do céu.
Antes de todas as santas, porém, destacamos a Mãe de Deus, a Virgem Maria, aquela que com o seu “sim” concebeu e deu à luz o Salvador. Ela que acompanhou o Senhor em todos os momentos, guardava e meditava tudo em seu coração.
Maria, a mais humilde entre as mulheres, se tornou modelo para toda mulher e mãe, exemplo de amor, fidelidade, confiança em Deus. Além disso, foi à Maria que, na cruz, Jesus entregou toda a humanidade através de são João. Por isso, também nós a chamamos nossa Mãe.
A seguir, a lista das dezsantas mães:
1. Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962)
Esta Santa italiana adoeceu de câncer e decidiu continuar com a gravidez de seu quarto filho, em vez submeter-se a um aborto, como lhe sugeriam os médicos para salvar sua vida.
Gianna estudou medicina e se especializou em pediatria. Seu trabalho com os doentes se resumia na seguinte frase: “Como o sacerdote toca Jesus, assim nós, os médicos, tocamos Jesus nos corpos de nossos pacientes”.
Casou-se com o Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Durante toda sua vida, conseguiu equilibrar seu trabalho com sua missão de mãe de família.
Gianna morreu em 28 de abril de 1962, aos 39 anos, uma semana depois de ter dado à luz. Foi canonizada em 16 de maio de 2004 pelo papa João Paulo II, que a tornou padroeira da defesa da vida.
2. Santa Mônica (332-387), mãe de santo Agostinho
A mãe de santo Agostinho nasceu no Tagaste (África) no ano 332. Seus pais a casaram com um homem chamado Patrício. Embora fosse trabalhador, seu marido era violento, mulherengo, jogador e desprezava a religião.
Durante 30 anos, Mônica sofreu os ataques de ira de seu marido. Santa Mônica orava e oferecia sacrifícios constantemente pela conversão de seu esposo. No ano 371, Deus lhe concedeu este desejo e Patrício se batizou. Ficou viúva um ano depois, quando Agostinho tinha 17 anos.
Durante 15 anos rezou e ofereceu sacrifícios pela conversão de seu filho, que levava uma vida libertina. No ano 386, santo Agostinho lhe anunciou sua conversão ao catolicismo e seu desejo de permanecer celibatário até a morte.
Morreu santamente no ano 387, aos 55 anos. Muitas mães e esposas se pedem a intercessão de santa Mônica pela conversão de seus filhos e maridos.
3. Santa Rita de Cássia (1381-1457)
Embora desde menina quisesse ser religiosa, seus pais a casaram com o Paolo Ferdinando.
Seu marido pertencia a uma família de mercenários e, apesar de beber muito, ser mulherengo e violento, Rita foi fiel durante todo seu matrimônio. O casal teve filhos gêmeos do mesmo temperamento do pai. A Santa encontrou fortaleza em Jesus, a quem oferecia sua dor.
Depois de 20 anos de oração, Paolo se converteu e começou um caminho de santidade junto a Rita. Entretanto, foi assassinado por seus inimigos. Seus filhos juraram vingar a morte de seu pai e Rita pediu ao Senhor que lhes concedesse a morte antes de vê-los cometer um pecado mortal. Antes de morrer, os gêmeos perdoaram os assassinos de seu pai.
No ano 1417, ingressou como religiosa no convento das religiosas Agostinianas. Ali meditou e aprofundou a Paixão de Cristo. Em 1443, recebeu os estigmas. Depois de uma grave enfermidade, faleceu em 1457. Seu corpo está incorrupto até hoje. É conhecida como a “santa das causas impossíveis”.
4. Santa Maria da Cabeça (?- 1175)
Maria Toribia nasceu na Espanha, próximo de Madri. Foi a esposa de São Isidro Lavrador. Realizava seus trabalhos com humildade, paciência, devoção e austeridade. Além disso, sempre foi atenta e serviçal com seu marido. O casal só teve um filho.
Como tanto Isidro como Maria queriam ter uma vida totalmente entregue a Deus, decidiram se separar. Seu marido ficou em Madri e Maria partiu para uma ermida. Ali, entregou-se a profundas meditações e fazia obras de caridade.
Quando Maria da Cabeça morreu, foi enterrada na ermida que com tanto amor visitava. Seus restos foram transladados para Madri e são atribuídos a ela milagres de cura dos males da cabeça.
5. Santa Ana, Mãe da Virgem Maria
Joaquim e Ana eram um rico e piedoso casal que residia no Nazaré. Como não tinham filhos, ele sofria humilhações no Templo. Um dia, o santo não voltou para sua casa, mas foi às montanhas para entregar a Deus sua dor. Quando Ana se inteirou do motivo da ausência de seu marido, pediu ao Senhor que lhe tirasse a esterilidade e lhe prometeu oferecer seus filhos para seu serviço.
Deus escutou suas orações e enviou-lhe um anjo que lhe disse: “Ana, o Senhor olhou suas lágrimas; conceberá e dará à luz e o fruto de seu ventre será bendito por todo mundo”. Este anjo fez a mesma promessa a Joaquim. Ana deu à luz uma filha a quem chamou Miriam (Maria) e que foi a Mãe de Jesus Cristo.
6. Beata Ângela de Foligno (1249-1309)
Ângela viveu apegada às riquezas desde sua juventude até sua vida de casada. Além disso, teve uma vida libertina.
Em 1285, sofreu uma crise existencial. Como vivia perto de Assis, sentiu-se tocada e desafiada pelo exemplo de são Francisco. Um dia, estava tão atormentada pelo remorso que pediu ao Santo que a livrasse. Então foi à igreja de são Feliciano, onde fez uma confissão de vida.
Ali fez uma promessa de castidade perpétua e começou a levar uma vida de penitência, dando de presente seus melhores vestidos e fazendo estritos jejuns. Depois de sua conversão, perdeu sucessivamente sua mãe, seu marido e seus oito filhos. Morreu em 1309.
7. Santa Isabel de Portugal (1274-1336)
Aos 12 anos tornou-se esposa do Diniz, rei de Portugal. Desde que chegou ao país, ganhou a simpatia do povo por seu caráter piedoso e devoto. Embora seu marido fosse mulherengo e tivesse filhos com várias mulheres, Isabel os acolheu na corte e lhes deu uma atenção cristã. Mas, quando o príncipe Afonso advertiu que seu direito ao trono estava em perigo, decidiu rebelar-se e o rei respondeu violentamente.
Esta briga entre Diniz e Afonso causou muita dor a Isabel que interveio muitas vezes nas batalhas entre eles. Um dia, a rainha se interpôs entre ambos exércitos para evitar o derramamento de sangue.
Logo depois da morte do rei em 1324, Isabel se retirou para Coimbra e recebeu o hábito como franciscana clarissa. Em 1336, eclodiu um novo conflito entre o Afonso IV e o rei de Castilla, Afonso XI, que era neto da Isabel.
A rainha foi até o acampamento dos exércitos, onde foi recebida e caiu doente. Antes de morrer, seu filho lhe prometeu que não invadiria Castilla.
8. Santa Clotilde (474-545)
Graças a ela, o fundador da nação francesa se converteu ao catolicismo e a França foi um país católico. A rainha convencei seu marido a converter-se ao cristianismo se ele ganhasse a batalha de Tolbiac, contra os alemães.
O rei Clodoveu obteve a vitória e foi batizado no Natal de 496 pelo bispo são Remígio. Naquela mesma noite, receberam o sacramento a irmã do rei e três mil de seus homens. Desde esse momento, Clotilde foi chamada na França: “Filha primogênita da Igreja”.
Clotilde era amada por todos por causa de sua grande generosidade com os pobres, sua pureza e devoção. Seus súditos estavam acostumados a dizer que parecia mais uma religiosa do que uma rainha.
Depois da morte de Clodoveu, houve guerra porque seus dois filhos queriam o trono. Durante 36 anos, Clotilde rezou pela reconciliação de ambos. Um dia, quando os dois exércitos estavam preparados para o combate, surgiu uma forte tormenta que impediu a batalha. Graças à oração da rainha, os irmãos fizeram as pazes.
9. Santa Helena (270-329)
Em meio à pobreza, conheceu o general romano Constâncio Cloro. Apaixonaram-se e se casaram. O filho do casal foi o imperador Constantino. Foi repudiada por seu marido, por ambição ao poder. Santa Helena passou 14 anos de sofrimento e se converteu ao cristianismo.
Em 306, Constantino foi proclamado imperador romano, embora continuasse sendo pagão. Entretanto, converteu-se quando viu uma Cruz, antes da batalha da Saxa Rubra, com uma legenda que dizia: “Com este sinal vencerás”.
Depois da vitória, Constantino decretou a livre profissão da religião católica e expandiu o cristianismo por todo o império. O imperador autorizou sua mãe para que utilizasse o dinheiro do governo para realizar boas obras. A Igreja atribui à santa Helena o descobrimento da Cruz de Cristo. Morreu santamente no ano 329.
10. Santa Zélia Martin, mãe de santa Teresinha de Lisieux (1831-1877)
Embora durante sua juventude também quisesse ser religiosa, a abadessa lhe negou a entrada ao convento. Por isso, decidiu abrir uma fábrica de rendas caseiras. A boa qualidade de seu trabalho fez sua oficina famosa. Sempre teve uma boa relação para com seus trabalhadores.
Em 1858, Zélia passou pelo jovem relojoeiro Luís Martin na rua. Em pouco tempo ambos se apaixonaram e se casaram três meses depois.
Zélia sempre quis ter muitos filhos e que todos fossem educados para o céu. Isso foi exatamente o que fez porque suas cinco filhas Paulina, Leonia, Maria, Celina e Teresa foram religiosas. A última foi santa e doutora da Igreja.
O amor que Zélia sentia por Luís era profundo e elevado. Para ela, sua maior alegria era estar junto a seu marido e compartilhar com ele uma vida santa.
Em 1865, o câncer no seio provocaria muito sofrimento a Zélia. Entretanto, soube assumir sua enfermidade e estava disposta a aceitar a vontade de Deus. Morreu em 1877. Foi beatificada junto com seu marido pelo papa Bento XVI no ano 2008. Em 2015, o casal foi canonizado pelo papa Francisco.
sábado, 9 de maio de 2026
O Papa e as catequeses sobre o Concílio, “estrela-guia” para o caminho da Igreja
Isabella Piro - Vatican News
Dois fatores orientaram a sua escolha: a constatação de que «a geração de bispos, teólogos e fiéis do Concílio Vaticano II hoje já não existe mais» e «o apelo para não extinguir a profecia» do Concílio, mas sim para «continuar buscando caminhos e formas de pôr em prática as intuições». Acima de tudo, explicou o Papa, é importante conhecer o Concílio «não por meio de “boatos” ou das interpretações que foram feitas, mas relendo seus documentos e refletindo sobre o seu conteúdo». Reler os textos de 1965 significa, portanto, oferecer à Igreja a possibilidade de «perceber as mudanças e os desafios da era moderna» e de «colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna», permanecendo com os «braços abertos» para a humanidade, suas esperanças e angústias.
A humanidade integral de Cristo que revela o mistério divino
De 7 de janeiro a 6 de maio — excluindo a pausa para os Exercícios Espirituais da Quaresma e a viagem apostólica à África —, até o momento, foram 14 as reflexões do Pontífice dedicadas a duas Constituições dogmáticas: a Dei Verbum sobre a revelação divina e a Lumen gentium sobre a Igreja.
A primeira, eixo central de cinco catequeses, foi definida por Leão XIV como «um dos documentos mais belos e importantes da assembleia conciliar», pois recorda que Deus fala à humanidade e a convida à amizade com Ele. Cristo, de fato, é o rosto humano de Deus e sua existência histórica, da encarnação à ressurreição, manifesta plenamente o Pai. Não se trata de uma verdade que anula o humano, mas que o realiza: é justamente a humanidade integral de Cristo que torna visível o mistério divino, pois o Senhor «se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós». Daí deriva uma visão dinâmica do cristianismo: ele se baseia na unidade entre Escritura e Tradição, consideradas um único “depósito” confiado à Igreja.
A esse respeito, o Pontífice alertou para dois riscos específicos: por um lado, uma leitura fundamentalista que interpreta os textos sagrados de forma isolada «do contexto histórico em que se desenvolveram e das formas literárias utilizadas». Por outro lado, negligenciar a origem divina da Escritura, acabando por entendê-la como «um mero ensinamento humano», um texto técnico ou já ultrapassado. Pelo contrário — foi a advertência de Leão XIV —, o Evangelho deve ser compreendido como «um espaço privilegiado de encontro, no qual Deus continua a falar aos homens e às mulheres de todos os tempos». Em um mundo saturado de palavras vazias, de fato, a Palavra de Deus se distingue como sempre nova, geradora e saciante para uma humanidade em busca de sentido e verdade.
A Igreja em favor dos pobres, explorados, vítimas, sofredores
Desde 18 de fevereiro, o Bispo de Roma tem centrado suas catequeses na Lumen gentium, à qual dedicou até agora oito reflexões. A partir delas, a Igreja surge como «sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos» e «presença santificadora em meio a uma humanidade ainda fragmentada» por divisões e conflitos. Investida da missão de «pronunciar palavras claras» para rejeitar tudo o que mortifica a vida, a Igreja — destacou ainda o Papa — é chamada a «tomar posição» em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas, dos sofredores. Em sua dimensão escatológica, de fato, ela é guardiã de uma esperança que ilumina o caminho.
Também é fundamental a reflexão que Leão XIV fez sobre duas dimensões eclesiais: a hierárquica e a escatológica. A primeira tem como objetivo perpetuar a missão confiada por Cristo aos Apóstolos, desde que nunca seja absolutizada. Pelo contrário: para corresponder plenamente à sua missão, as instituições eclesiais devem visar «uma conversão contínua, a renovação das formas e a reforma das estruturas». A segunda dimensão — definida como «essencial» — convida, além disso, a considerar a dimensão «comunitária e cósmica da salvação em Cristo», avaliando tudo nessa perspectiva.
Os leigos, cada vez mais testemunhas de justiça e de paz
O Pontífice reservou então uma atenção especial aos leigos, convidados a serem sempre testemunhas de justiça e de paz: seu «vasto campo» de apostolado não deve limitar-se ao espaço eclesial, mas alargar-se ao mundo, de modo a mostrar em toda parte a beleza da vida cristã. Por fim, o Papa retomou o tema da santidade: ela, disse Leão XIV, não é privilégio de poucos, mas compromisso de todos os cristãos na caridade. Em meio às perseguições do mundo, os fiéis são, portanto, exortados a deixar “sinais de fé e de amor”, empenhando-se pela justiça e vivendo a cada dia sua missão de conversão e testemunho.
Papa aos doentes de ELA: “somos o povo da esperança, que não se rende”
Vatican News
Na manhã deste sábado, 9 de maio, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano os membros da Associação Italiana de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), formada pelas pessoas que vivem com a doença, familiares e cuidadores. Unidas, disse o Papa por uma “aliança terapêutica de forte proximidade e presença, que encarna o próprio estilo de Jesus em relação àqueles que sofrem”.
Valor da vida é maior que a doença
Leão iniciou seu discurso destacando que a primeira contribuição deste “pacto”, “é daqueles que sofrem de E.L.A. e que todos os dias, com empenho, fé e coragem, testemunham que a bondade e o valor da vida são maiores que a doença e que, inclusive, os próprios desafios que a doença traz podem ser enfrentados juntos, transformando-os em ocasiões especiais e privilegiadas para dar e receber amor”. “Obrigado por isso!”, disse o Papa, “vocês, como profetas, ensinam a todos o verdadeiro valor da vida, e o nosso mundo tem tanta necessidade da sua mensagem!"
Proximidade e apoio institucional
Recordando os compromissos da Associação, “pesquisa científica, formação, informação e assistência, sensibilização nas comunidades”, Leão destacou também o outro aspecto do estilo de trabalho do grupo, ou seja, a proximidade. Com isso estão presentes nas casas dos pacientes. “Isso também é muito importante, pois o cuidado com a saúde, além de organização e competência, exige presença, inclusive física, para o bem da pessoa em suas diversas dimensões: biológica, psíquica e espiritual”.
Igreja e voluntariado
A Igreja, disse o Papa, “valoriza profundamente este 'estar próximo': o de acompanhar as pessoas onde quer que estejam, [...] para oferecer um acompanhamento que, além de assistencial, seja também espiritual”. Disse também que nas diversas situações da vida, ninguém deve jamais ser deixado sozinho, e o voluntariado, destacou, “ao uni-los na gratuidade, realiza poderosamente este valor, colocando em circulação a solidariedade e o respeito, e respondendo com gestos de cuidado à cultura do descarte e da morte”.
Continuar a caminhar, sem se render, jamais
Por fim o Santo Padre recordou que Jesus, o Filho de Deus feito homem, quis viver, a paixão, a sua Via-Sacra, como tempo de provação, de dor física e de sofrimento espiritual. “Ele foi solidário conosco até o fim” disse, “mostrando-nos, porém, com a sua cruz e ressurreição, que a dor e o sofrimento não podem deter o amor nem anular o poder de Deus”. Por isso, concluiu o Papa, “todos nós, filhos da sua Páscoa, somos o povo da esperança, que não se rende diante das dificuldades, mas unido e solidário, com a ajuda de Deus, continua a caminhar, sem se render, jamais”.
O Papa aos muçulmanos do Senegal: “diálogo inter-religioso e diplomacia para a paz”
Vatican News
Na manhã deste sábado (09) o Papa Leão XIV recebeu uma delegação de Representantes das Comunidades muçulmanas do Senegal. Ao iniciar seu discurso observou que o Senegal é chamado o país da “Teranga”, uma expressão que representa hospitalidade, respeito e solidariedade, sendo considerada um pilar da cultura senegalesa. “Terra de laços familiares vivos, de convivialidade e de coexistência pacífica entre cristãos, muçulmanos e fiéis de outras tradições”, destacou. “Esta realidade”, continuou o Papa, “constitui o fundamento de um diálogo entre povos diversos por sua pertença religiosa e sua origem étnica. Esse tesouro de fraternidade, que deve ser guardado com cuidado, é um bem precioso não só para a nação de vocês, mas também para toda a humanidade”.
Diálogo inter-religioso e diplomacia
Em seguida o Papa recordou que infelizmente, o contexto africano atual com conflitos armados, que geram graves carências humanitárias e profundas desigualdades que todos os dias “colocam à prova populações inteiras, sem esquecer o preocupante aumento do extremismo violento”. E que neste contexto, “os valores incorporados pelo espírito da 'Teranga' e o diálogo inter-religioso são um instrumento precioso para aliviar as tensões e construir uma paz duradoura”. Prosseguindo seu pensamento afirmou ainda que ao favorecer o diálogo inter-religioso e ao envolver os líderes religiosos nas iniciativas de mediação e reconciliação, a política e a diplomacia podem valer-se de forças morais capazes de apaziguar as tensões, prevenir as radicalizações e promover uma cultura de estima e respeito mútuo. Concluindo este ponto disse: “Hoje, o mundo precisa de uma diplomacia e de um diálogo religioso fundamentados na paz, na justiça e na verdade”.
Dignidade que nenhuma lei pode confiscar
“Cristãos e muçulmanos”, continuou o Papa, “acreditamos juntos que cada ser humano é moldado pelas mãos de Deus e, portanto, revestido de uma dignidade que nenhuma lei, nem qualquer poder humano, tem o direito de confiscar”. As nações do mundo assim o proclamaram: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. É sobre este fundamento de fraternidade, na origem da humanidade e na fé, que assumimos juntos a nossa responsabilidade comum: “condenar toda forma de discriminação e de perseguição fundada na raça, na religião ou na origem; rejeitar qualquer instrumentalização do nome de Deus para fins militares, econômicos ou políticos; levantar a nossa voz em favor de toda minoria que sofre”.
Viver juntos no respeito e na fraternidade
Concluindo seu discurso o Santo Padre disse: “Rezo para que Deus, o Onipotente, faça renascer o desejo de nos compreendermos melhor reciprocamente, de ouvirmos uns aos outros e de vivermos juntos no respeito e na fraternidade”. Desejando ainda a todos que Deus dê “a coragem de percorrer o caminho do diálogo, de responder aos conflitos com gestos de fraternidade e de abrir o vosso coração aos outros, sem temer as diferenças”.
À festa de anos de David Attenborough, nem a Casa Real faltou
A vida e a carreira do apresentador e ambientalista foram celebradas com um concerto especial no Royal Albert Hall, em Londres. A realeza não faltou
Coordenadora digital
Durante 90 minutos, o Royal Albert Hall acolheu as celebrações do 100.º aniversário de Sir David Attenborough, numa noite emotiva, acompanhada de música ao vivo e com muitos convidados especiais.
“Mais do que um marco notável de 100 anos, celebramos uma vida inteira de serviço extraordinário. Uma vida que aproximou o mundo natural da humanidade e a humanidade da sua responsabilidade para com o mundo natural”, afirmou o príncipe William, presente na cerimónia. O pai, o rei Carlos III, manteve-se no castelo, mas não quebrou a longa tradição monárquica de enviar cartas de felicitação aos cidadãos do Reino Unido e dos reinos da Commonwealth que celebram o seu 100.º aniversário. Só que esta foi uma entrega especial.
Num vídeo criado pelo Palácio de Buckingham e pela BBC Studios Natural History Unit, o rei é visto a escrever a carta, na qual lhe endereça os parabéns, recorda que o conheceu em 1958, quando tinha nove anos, e agradece o facto de Attenborough “ter revelado a beleza e as maravilhas da natureza a públicos de todo o mundo, de formas novas e maravilhosas”. “Ao fazê-lo, partilhou a minha determinação em destacar a necessidade urgente de proteger e preservar este nosso precioso planeta — e toda a vida na Terra — para as gerações futuras”, acrescentou.
Mas, do Castelo de Balmoral até às mãos de David Attenborough, no Royal Albert Hall, a carta encontra obstáculos, e são animais de várias espécies que acabam por entregar a missiva. Na sala de espetáculos, o naturalista ergueu-a e o público aplaudiu.
Mas a noite não se fez apenas de simbolismo. O concerto, concebido como um percurso pela vida e pelo legado de Attenborough, combinou imagens de arquivo, excertos dos seus documentários mais emblemáticos e uma banda sonora interpretada ao vivo por uma orquestra, acompanhando imagens de espécies e ecossistemas que o naturalista ajudou a dar a conhecer ao mundo.
Entre os momentos mais marcantes estiveram as referências aos primeiros anos da carreira, na BBC, e o papel pioneiro na popularização dos documentários de natureza, bem como o regresso aos temas que têm marcado o seu trabalho nas últimas décadas: a perda de biodiversidade, as alterações climáticas e a urgência de proteger os habitats naturais.
Ao longo do espetáculo, várias personalidades do mundo da ciência, da televisão e da cultura juntaram-se às homenagens, sublinhando a influência duradoura de Attenborough. Em mensagens gravadas, destacaram o impacto do seu trabalho na forma como diferentes gerações passaram a olhar para o planeta e para a necessidade de o preservar.
No fim, o público aplaudiu de pé o naturalista britânico, que, visivelmente emocionado, agradeceu e reafirmou a importância de continuar a agir. “Ainda temos tempo para fazer a diferença, mas não podemos desperdiçá-lo”, disse, numa breve intervenção.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE LEÃO XIV A POMPEIA E A NÁPOLES 8 DE MAIO DE 2026
8h00: Descolagem do heliporto do Vaticano
8h50: Aterragem na zona de encontro do Santuário de Pompeia
O Santo Padre é recebido por:
1. S.E. Mons. Tommaso Caputo, Arcebispo Prelado de Pompeia, Delegado Pontifício para o Santuário
2. Ex.mo Sr. Roberto Fico, Presidente da Região da Campânia
3. Dr. Michele Di Bari, Representante do Governo em Nápoles
4. Dr. Gaetano Manfredi, Presidente da Câmara Municipal da Cidade Metropolitana de Nápoles
5. Dra. Andreina Esposito, Presidente da Câmara Municipal de Pompeia em exercício
9h00: O Santo Padre caminha até à Sala Luisa Trapani, onde encontra o “Templo da Caridade”: pessoas em situação de vulnerabilidade, acolhidas nos diversos centros do Santuário de Pompeia
- Saudações de S.E. Mons. Tommaso Caputo
- Saudações de três convidados
9h30: O Santo Padre sai da Sala Luisa Trapani e percorre de carro as ruas adjacentes e a praça em frente ao Santuário.
9h45: À entrada do Santuário, o Santo Padre é recebido pelo Reitor, Mons. Pasquale Mocerino, que apresenta o Crucifixo para veneração e a água para aspersão.
No Santuário estão presentes doentes e pessoas com deficiência (que acompanharão a Missa nos ecrãs).
* Bênção e saudação do Santo Padre
10h00: Capela de São Bartolo Longo: veneração dos restos mortais do Santo Fundador do Santuário; saudação aos Bispos presentes
Capela da Reconciliação: saudação aos Sacerdotes do Santuário
O Santo Padre veste os paramentos na sacristia
10h30: Piazza Bartolo Longo: Concelebração eucarística
* homilia * Súplica à Nossa Senhora de Pompeia
Antes da Bênção final, palavras de agradecimento de S.E. o Arcebispo Tommaso Caputo e troca de presentes
12h30: Depois de depor os paramentos, o Santo Padre saúda os colaboradores da Delegação Pontifícia
13h00: Sala Marianna De Fusco: almoço
15h00: Descolagem do ponto de encontro do Santuário de Pompeia.
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15h15: Aterragem na Rotonda Diaz em Nápoles
O Santo Padre é recebido por:
1. Cardeal Domenico Battaglia, Arcebispo de Nápoles
2. Ex.mo Sr. Roberto Fico, Presidente da Região da Campânia
3. Dr. Michele Di Bari, Representante do Governo em Nápoles
4. Dr. Gaetano Manfredi, Presidente da Câmara de Nápoles
Deslocamento imediato de carro para a Catedral de Nápoles
15h45: Catedral: Encontro com o clero e os consagrados
- adoração ao Santíssimo Sacramento
- saudação do Cardeal Domenico Battaglia
- oração e leitura de uma passagem do Evangelho
No final, na sacristia, o Santo Padre cumprimenta alguns colaboradores da Cúria Diocesana.
16h30: O Santo Padre deixa a Catedral e segue de carro até à Piazza del Plebiscito.
17h00: Piazza del Plebiscito: Encontro com a população
O Santo Padre entra na Basílica de San Francesco de Paola e cumprimenta a Comunidade dos Padres Mínimos e algumas autoridades.
O Santo Padre toma o seu lugar nos degraus da Basílica:
- saudação do Cardeal Domenico Battaglia
- saudação do Presidente da Câmara de Nápoles, Dr. Gaetano Manfredi
- animação da pastoral juvenil
- ato de confissão à Virgem Maria e Bênção
18h30: Deslocamento de carro para a Rotonda Diaz
O Santo Padre despede-se das autoridades que o receberam à chegada
19h30: Aterragem no heliporto do Vaticano
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quinta-feira, 7 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O Papa: a Igreja anuncia o Evangelho. Se alguém me criticar, que o faça com sinceridade
Vatican News
“A missão da Igreja é anunciar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém quiser me criticar por anunciar o Evangelho, que o faça com a verdade”. Depois do cardeal Pietro Parolin, nesta manhã, foi o próprio Papa Leão XIV a comentar as declarações de hoje do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a criticar o Pontífice.
Na saída da Villa Barberini, sua residência em Castel Gandolfo, Leão se deteve com o grupo de jornalistas e respondeu às perguntas: “Há anos a Igreja se pronuncia contra todas as armas nucleares, portanto, não há dúvida alguma a esse respeito”, disse o Papa, respondendo às afirmações de Trump, segundo as quais o Pontífice consideraria aceitável que o Irã possua armas nucleares, colocando em risco todos os católicos.
“Espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”, destacou Leão XIV, reiterando que “já falei desde o primeiro momento em que fui eleito e agora estamos próximos do aniversário. Eu disse: que a paz esteja convosco”.
Sobre o encontro com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, marcado para a manhã de quinta-feira, 7 de maio, o Papa expressou a esperança de que seja “um bom diálogo” para que “com confiança” e “com abertura” seja possível “nos entender bem”. “Acho que os temas pelos quais ele vem não são os de hoje. Vejamos...”, acrescentou Leão, referindo-se mais uma vez às declarações do presidente dos Estados Unidos.
May 06 2026, General Audience - Pope Leo XIV
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 6 de maio de 2026
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Refletindo hoje acerca de uma parte do cap. VII da Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, meditamos sobre uma das suas caraterísticas fundamentais: a dimensão escatológica. Com efeito, a Igreja caminha nesta história terrena sempre orientada para a meta final, que é a pátria celeste. Trata-se de uma dimensão essencial que, no entanto, muitas vezes negligenciamos ou minimizamos, porque estamos demasiado concentrados no que é imediatamente visível e nas dinâmicas mais concretas da vida da comunidade cristã.
A Igreja é o povo de Deus a caminho na história, que tem o Reino de Deus como finalidade de todo o seu agir (cf. LG, 9). Jesus deu início à Igreja precisamente anunciando este Reino de amor, de justiça e de paz (cf. LG, 5). Portanto, somos chamados a considerar a dimensão comunitária e cósmica da salvação em Cristo, dirigindo o olhar para este horizonte final, a fim de medir e avaliar tudo nesta perspetiva.
A Igreja vive na história, ao serviço da vinda do Reino de Deus no mundo. Ela anuncia a todos e sempre as palavras desta promessa, recebe dela uma garantia na celebração dos Sacramentos, em particular da Eucaristia, concretizando e experimentando a sua lógica nas relações de amor e serviço. Além disso, ela sabe que é lugar e meio onde a união com Cristo se realiza «mais estreitamente» (LG, 48), reconhecendo ao mesmo tempo que a salvação pode ser concedida por Deus no Espírito Santo até fora dos seus confins visíveis.
A este propósito, a Constituição Lumen gentium faz uma afirmação importante: a Igreja é «sacramento universal de salvação» (LG, 48), ou seja, sinal e instrumento daquela plenitude de vida e de paz prometida por Deus. Isto significa que ela não se identifica perfeitamente com o Reino de Deus, mas é o seu germe e início, pois o cumprimento só será concedido à humanidade e ao cosmos no fim. Por isso, os crentes em Cristo caminham nesta história terrena, marcada pelo amadurecimento do bem, mas também por injustiças e sofrimentos, sem se deixar iludir nem desesperar; eles vivem orientados pela promessa recebida d’Aquele «que renova todas as coisas» (Ap 21, 5). Por isso, a Igreja cumpre a sua missão entre o “já” do início do Reino de Deus em Jesus e o “ainda não” do cumprimento prometido e esperado. Guardiã de uma esperança que ilumina o caminho, ela está investida também da missão de pronunciar palavras claras para rejeitar tudo o que mortifica a vida e impede o seu desenvolvimento, e de tomar posição a favor dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra e de quantos sofrem no corpo e no espírito (cf. Compêndio da doutrina social da Igreja, n. 159).
Sinal e sacramento do Reino, a Igreja é o povo de Deus peregrino na terra que, precisamente a partir da promessa final, partindo do Evangelho lê e interpreta as dinâmicas da história, denunciando o mal em todas as suas formas e anunciando com palavras e obras a salvação que Cristo deseja realizar para toda a humanidade e o seu Reino de justiça, amor e paz. Assim, a Igreja não se anuncia a si própria; pelo contrário, nela tudo deve remeter para a salvação em Cristo.
Nesta perspetiva, a Igreja é chamada a reconhecer humildemente a fragilidade e caducidade humanas das próprias instituições que, embora estejam ao serviço do Reino de Deus, assumem a figura fugaz deste mundo (cf. LG, 48). Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada; aliás, uma vez que vivem na história e no tempo, são chamadas a uma conversão contínua, à renovação das formas e à reforma das estruturas, à regeneração contínua das relações, de modo a poder realmente corresponder à sua missão.
No horizonte do Reino de Deus deve ser compreendida também a relação entre os cristãos que hoje cumprem a sua missão e quantos já terminaram a existência terrena e estão numa fase de purificação ou de bem-aventurança. Com efeito, a Lumen gentium afirma que todos os cristãos formam uma única Igreja, que existe uma comunhão e uma partilha dos bens espirituais fundamentada na união com Cristo de todos os crentes, uma sollicitudo fraterna entre Igreja terrena e Igreja celeste: aquela comunhão dos santos que se experimenta em particular na liturgia (cf. LG, 49-51). Orando pelos falecidos e seguindo as pegadas de quantos já viveram como discípulos de Jesus, também nós somos amparados no caminho e fortalecidos na adoração a Deus: marcados pelo único Espírito e unidos na única liturgia, com aqueles que nos precederam na fé, louvemos e demos glória à Santíssima Trindade.
Agradeçamos aos Padres conciliares por nos terem recordado esta dimensão tão importante e tão bela de ser cristão, e procuremos cultivá-la na nossa vida!
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Saudações:
Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa! A nossa pátria definitiva é o Céu! Enquanto caminhamos neste mundo, não esqueçamos de rezar pelos nossos irmãos e irmãs defuntos e de recorrer à intercessão dos santos: unidos a estes e àqueles formamos uma única Igreja. Deus vos abençoe!
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Resumo da catequese do Santo Padre:
Continuando o ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, olhamos hoje para a dimensão escatológica da Igreja, com frequência esquecida. Povo de Deus que caminha na história, a Igreja tem o Reino de Deus como fim de todo o seu agir. Isto significa que ela não se identifica perfeitamente com o Reino de Deus, pois o cumprimento definitivo deste somente ocorrerá no fim dos tempos. Portanto, a Igreja é deve reconhecer com humildade a fragilidade e a caducidade das próprias instituições, que são chamadas a uma contínua conversão. A Lumen Gentium afirma que, pela comunhão dos santos, todos os cristãos – os que peregrinam na terra, e os que estão num estado de purificação ou de bem-aventurança eterna – formamos uma única Igreja.
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Padre recomenda seguir ensinamentos de Nossa Senhora para se preparar para Pentecostes
5 de mai de 2026 às 16:08
O padre e teólogo Eduardo Toraño, da Universidade Eclesiástica de San Dámaso (UESD), em Madri, Espanha, incentivou as pessoas a seguirem os ensinamentos de Nossa Senhora para se prepararem para a solenidade de Pentecostes, que será celebrada no dia 24 de maio.
O diretor do Instituto Superior de Ciências da Religião da UESD disse à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN, que Pentecostes é “a renovação e a reencenação da experiência dos primeiros discípulos que receberam o Espírito Santo”. Isso foi “uma mudança transcendental, de estar confinado ao Cenáculo para sair para o mundo inteiro”.
Assim como o mistério da encarnação de Cristo, a vinda do Espírito Santo sobre o colégio apostólico e Nossa Senhora é um "antes e um depois" na história, "porque é o momento em que a mensagem do Evangelho se espalha".
Também, “é um momento privilegiado para receber uma nova efusão do Espírito Santo”, que os cristãos recebem nos sacramentos do Batismo e da Confirmação.
O padre Toraño disse que, graças à efusão do Espírito Santo na consagração na Eucaristia, os fiéis podem receber Jesus Cristo através do Pão transformado em Seu Corpo.
“Docilidade, abertura, obediência e confiança”
Para uma melhor preparação, duas semanas antes da celebração da festa, o Padre Toraño propõe imitar as atitudes de Nossa Senhora diante do mistério da Encarnação: “Docilidade, abertura, obediência e confiança”.
Com esse objetivo, ele exortou as pessoas a invocar o Espírito Santo, "sabendo que a promessa de Jesus se cumpriu".
“Peçam e receberão. Se pedirem ao Espírito Santo, lhes será concedido”, disse o padre.
“Outros pedidos não têm garantia de serem atendidos; não há promessa de que serão cumpridos. Mas pedir o Espírito Santo é uma promessa que será atendida”, disse Toraño.
Ligado a esse pedido, o padre Toraño disse que "a oração é fundamental", tanto pessoal quanto comunitariamente, buscando "espaços e lugares onde possamos nos reunir para rezar" ou onde as invocações ao Paráclito já sejam feitas regularmente.
Em terceiro lugar, outra maneira de imitar as atitudes de Nossa Senhora para melhor receber o Espírito Santo no Pentecostes é “cuidar mais dos sacramentos”. O padre Toraño recomendou, especialmente, participar da “missa diária”, porque “é uma ótima preparação”.
Eutanásia é oferecida duas vezes a padre canadense que se recuperava de fratura no quadril
Por Terry O'Neill
5 de mai de 2026 às 12:19
O padre Larry Holland, de Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, que se recuperava de uma fratura no quadril no Hospital Geral de Vancouver (VGH, na sigla em inglês), disse que lhe ofereceram duas vezes morte assistida por parte de funcionários da área da saúde que sabiam que ele era padre e se opunha à eutanásia — prática que, segundo críticos, está se tornando cada vez mais comum, visto que os profissionais de saúde são incentivados a iniciar esse tipo de conversa.
“Há certas coisas sobre as quais simplesmente não se fala com algumas pessoas”, disse o padre Larry Holland, que concluiu estudos em capelania na área da saúde e atuou em várias paróquias na arquidiocese de Vancouver.
Ele falou sobre sua reação quando um médico mencionou a opção de assistência médica para morrer caso seu estado de saúde se deteriorasse. "Acho que fiquei muito chocado", disse. "É um assunto muito delicado”.
Holland, de 79 anos, está se recuperando no VGH depois de sofrer uma fratura no quadril numa queda no banheiro no Natal passado. Ele falou ao jornal católico canadense The BC Catholic sobre as ofertas de eutanásia feitas por dois profissionais de saúde, mesmo sabendo que ele era um padre católico.
Holland disse que não estava morrendo naquele momento, nem agora, e que a menção do médico à morte assistida o deixou "meio sem palavras" por um instante. O médico então voltou a abordar o assunto, dizendo que é "algo que eles precisam discutir com alguém que recebeu um diagnóstico terminal".
Holland citou ter dito ao médico que era moralmente contra a eutanásia. O médico disse que "só queria ter certeza de que, se surgisse ou não um diagnóstico [terminal]... eu soubesse dos diferentes serviços aos quais teria acesso".
Semanas depois, uma segunda oferta morte assistida veio de uma enfermeira que, segundo o padre, parecia desconfortável em abordar o assunto e provavelmente fazia isso por compaixão, devido à dor que ele estava sentindo.
“Na verdade, é uma falsa compaixão”, disse.
Um porta-voz da rede de serviços de saúde Vancouver Coastal Health, que administra o VGH, disse a The BC Catholic por e-mail que "a equipe pode considerar a possibilidade de abordar o tema da morte assistida com base em seu julgamento clínico, desde que tenha o conhecimento e as habilidades necessárias para fazê-lo".
O porta-voz disse que os funcionários são “responsáveis por responder às perguntas quando os pacientes mencionam o tema da morte assistida”.
Os dois incidentes ocorrem num momento em que o Canadá se aproxima da marca de 100 mil mortes assistidas.
O padre Larry Lynn, capelão pró-vida da arquidiocese, disse estar chocado ao saber do caso de Holland.
“Esse deve ser, sem dúvida, um dos exemplos mais terríveis do regime coercitivo e insensível de eutanásia do Canadá”, diz Lynn.
Ele disse ser perturbador que um profissional de saúde sugira a eutanásia a qualquer paciente, especialmente quando se trata de um religioso consagrado, conhecido por sua oposição moral. "Isso coloca o profissional médico no papel do diabo, tentando uma pessoa vulnerável a cometer um pecado mortal", diz Lynn
Ele está igualmente preocupado com o fato de que os provedores de eutanásia canadenses não estejam descartando iniciar discussões com católicos romanos sobre a Assistência Médica para Morrer (MAID). Num documento intitulado Abordando a Assistência Médica para Morrer (MAID) como uma Opção de Cuidado Clínico, a Associação Canadense de Avaliadores e Provedores de MAID recomenda que não se presuma que pacientes se opõem à MAID por causa de sua fé.
O documento diz: “Os profissionais de saúde podem tirar conclusões errôneas sobre a opinião de uma pessoa em relação à morte assistida; por exemplo, podem presumir que uma paciente se opõe à morte assistida por ser freira católica, quando, na verdade, freiras católicas e outras pessoas dedicadas a um estilo de vida religioso já solicitaram a morte assistida.” O folheto não indica a fonte da informação.
Uma versão atualizada, publicada em março, remove a referência católica, mas mantém o mesmo conselho em relação a pessoas de uma “comunidade religiosa” e até mesmo àquelas de “fé intensa”.
Lynn considerou "diabólico" usar uma freira como exemplo para passar por cima de objeções morais de um paciente.
O folheto mostra uma tendência recente de incentivar profissionais de saúde a iniciar discussões sobre morte assistida com os pacientes. Em novembro do ano passado, o jornal The BC Catholic noticiou um documento pouco conhecido do Ministério da Saúde do Canadá, de 2023, que instava autoridades de saúde e órgãos profissionais a adotarem "padrões de prática" que exigem que médicos e enfermeiros de prática avançada abordassem o tema da morte assistida com determinados pacientes.
O documento de avaliação e prestação de serviços de morte assistida diz, de modo semelhante, que médicos e enfermeiros envolvidos no planejamento de cuidados e nos processos de consentimento “têm a obrigação profissional de iniciar uma discussão sobre MAID se um paciente puder ser elegível para tal”. Mas, o Ministério da Saúde do Canadá não tem autoridade para exigir que as províncias ou autoridades de saúde adotem tais diretrizes, e o jornal The BC Catholic não encontrou evidências de que qualquer agência pública ou órgão profissional na Colúmbia Britânica tenha feito isso.
Amanda Achtman, criadora do projeto anti-eutanásia Dying to Meet You e diretora de ética da organização Canadian Physicians for Life (Médicos Canadenses pela Vida), disse que iniciar discussões sobre morte assistida em um ambiente médico é um modo de coerção que ataca as convicções mais profundas dos pacientes num momento de vulnerabilidade. "Torturar" alguém com crenças profundamente arraigadas com a oferta de morte assistida é "um ataque à sua identidade", disse Achtman.
Holland disse que estava com tanta dor que podia "sentir a tentação" de aceitar a eutanásia. "É uma reação humana”, disse. “Sempre procuramos o caminho mais fácil”.
O deputado Garnett Genuis, do Partido Conservador do Canadá, apresentou o Projeto de Lei C-260, intitulado Lei para Prevenir a Coerção de Pessoas que Não Buscam Assistência Médica para Morrer, que proibiria funcionários federais de oferecer ou recomendar proativamente a morte assistida. O projeto de lei surgiu em resposta a incidentes envolvendo funcionários públicos, como conselheiros de veteranos, que tentaram direcionar pessoas vulneráveis para o suicídio assistido.
Em março, o governo do Estado de Alberta apresentou um projeto de lei que restringiria a atuação de profissionais de saúde regulamentados, impedindo-os de fornecer informações sobre o suicídio assistido a seus pacientes, a menos que o próprio paciente mencione o assunto. A Lei de Salvaguardas para o Suicídio Assistido como Último Recurso também restringiria a exibição pública de informações sobre o MAID, como cartazes, em instalações de saúde.
(acidigital)
terça-feira, 5 de maio de 2026
Fiéis ao passado ou fiéis ao futuro? Um texto de 2010 de Robert Prevost
Vatican News
Livres sob a Graça. Na escola de Santo Agostinho diante dos desafios da história (Livraria Editora Vaticana), uma coletânea de discursos e pronunciamentos de Robert Francis Prevost quando era Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho, será lançado esta segunda-feira nas livrarias.
O volume, promovido pela Ordem de Santo Agostinho por ocasião do primeiro aniversário da eleição do Papa Leão XIV, será apresentado na quarta-feira, 6 de maio, em Roma (17h, Pontifício Instituto Patrístico Augustinianum), em um encontro que contará com a presença do Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, do Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho, Padre Joseph Farrell, do Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, da escritora Maria Grazia Calandrone e do Diretor da Mídia Vaticana, Andrea Tornielli.
O texto, editado pelos agostinianos Rocco Ronzani, Miguel Ángel Martín Juárez e Michael Di Gregorio, está sendo traduzido para 30 países em todo o mundo.
Apresentamos aqui o texto da homilia do então Prior Geral Robert Francis Prevost para a inauguração do Capítulo Geral Intermediário da Província de Santo Niño de Cebu, realizada na Igreja de San Augustín de Intramuros, Manila, em 19 de setembro de 2010.
Robert Francis Prevost
Em 2008, os agostinianos celebraram aqui o 500º aniversário do nascimento de Andrés de Urdaneta, um famoso e talentoso navegador que, após anos de lutas, descobriu nos ensinamentos de Santo Agostinho um convite para mudar sua vida: aprendeu que a única resposta verdadeira para o anseio do coração humano pode ser encontrada em Deus e em Seu amor. Essa verdade mudou sua vida: de um marinheiro e navegador bem-sucedido, tornou-se membro da Ordem de Santo Agostinho. Urdaneta ficou famoso por descobrir o que é conhecido como tornaviaje, uma rota marítima segura e rápida de retorno das Filipinas para o México. Esse tornaviaje tornou-se uma importante rota de transporte e comércio entre a Ásia e a América. Mas Urdaneta vivenciou um tornaviaje muito mais significativo em sua própria vida. Sua conversão e entrada na vida religiosa simbolizam um tipo muito diferente de retorno: o retorno ou conversão a Deus.
A figura do tornaviaje, ou "viagem de retorno", pode ser uma imagem muito apropriada para nós, Agostinianos, que estamos reunidos aqui no início de nosso Capítulo Geral Intermediário. Nós também somos chamados a fazer uma viagem e a descobrir que a única viagem verdadeira e significativa é aquela que nos leva a Cristo. Todos nós empreendemos essa viagem, que começa, é claro, com o nascimento e, para aqueles que são cristãos, com o primeiro encontro com Cristo, no batismo. Para alguns, no entanto, isso ocorre no momento em que ouvem a Palavra, como foi o caso de Agostinho, cuja viagem para Cristo ocorreu durante os anos de sua longa experiência de conversão, muito antes de sua decisão de receber o batismo. E continuou, de diferentes maneiras, após o batismo, na busca por Deus como monge, sacerdote e Bispo. Para nós, religiosos consagrados, a viagem é uma vida a serviço de Cristo, especialmente como uma comunidade de discípulos. Como Agostinianos, é uma viagem vivida na e através da vida comunitária e do serviço apostólico. Mas podemos, em algum ponto do caminho, diminuir o ritmo, tornando-nos autossatisfeitos e distraídos, ou mesmo estagnados em nossa vida espiritual e trabalho pastoral. O mesmo pode acontecer conosco em comunidade, e a vida de nossas comunidades locais e nossas Circunscrições pode perder a força de inspirar e atrair outros. O entusiasmo enérgico típico dos jovens pode desaparecer gradualmente, e facilmente caímos na mesma velha rotina diária imutável.
A coragem e o espírito aventureiro de Urdaneta, que descobriu o tornaviaje, podem ser recuperados aqui, neste lugar histórico onde viemos celebrar a liturgia de abertura do nosso Capítulo. Talvez a mudança, ou o novo caminho que buscamos, possa surgir de algumas perguntas: queremos manter o que temos, permanecer onde estamos, ou queremos ouvir nossos corações inquietos, ouvir em oração, prestar atenção à Palavra de Deus e também ouvir aqueles entre nós que buscam e leem os sinais dos tempos? Estamos abertos à possibilidade de escolher algo diferente, para um novo e renovado senso de missão em nossas vidas?
"Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza" (Lucas 16,13). Impressiona-me que a frase lida no Evangelho de hoje poderia ser traduzida nestes termos: estamos divididos entre o nosso desejo de seguir a Cristo, custe o que custar, e o nosso desejo de permanecer onde estamos, satisfeitos e com pouca vontade ou capacidade de mudar o caminho que trilhamos? Aqui, neste lugar, é apropriado perguntarmos-nos se também nós precisamos de descobrir uma nova direção, um tornaviaje, uma nova conversão.
Tem havido muita reflexão, em diferentes contextos da vida religiosa, sobre a questão "conservação ou missão?". Quero partilhar isto convosco esta manhã, convicto de que também nos pode ajudar durante as próximas duas semanas. Estaremos simplesmente a manter as coisas como estão, ou o espírito missionário está vivo nos nossos corações? Para nos ajudar a refletir sobre estas questões, apresento algumas comparações.
Ao considerar a compreensão do ministério, um grupo focado apenas na preservação dirá: "Devemos permanecer fiéis ao nosso passado", enquanto uma comunidade com espírito missionário dirá: "Devemos ser fiéis ao nosso futuro".
Ao avaliar sua eficácia, uma comunidade voltada para a preservação perguntará: "Como este apostolado é financeiramente sustentável?", enquanto uma comunidade voltada para a missão fará uma pergunta diferente: "Como podemos formar muitos discípulos?".
Ao considerar a mudança e se queremos ou podemos fazer algo diferente, aqueles focados em manter o status quo argumentam: "Se isso criar problemas para alguns de nós, não queremos". A principal questão, no entanto, para aqueles focados na missão será: "Se isso nos ajudar a alcançar alguns daqueles que estão longe, aceitamos o risco de fazê-lo".
O estilo de liderança, na mentalidade daqueles que favorecem a preservação, é principalmente gerencial, bem organizado e eficiente: neste caso, os líderes buscam manter tudo em ordem e garantir que tudo funcione sem problemas. Uma comunidade, porém, se dotada com uma visão profética e uma vida dedicada à missão, buscará um tipo diferente de liderança: o estilo do líder será, antes de tudo, transformador, capaz de oferecer uma visão do que pode ser, com a disposição de ir longe e enfrentar muitos riscos para tornar essa visão realidade.
Uma comunidade comprometida com a manutenção pensará, antes de tudo, em como salvar sua própria Congregação. Uma comunidade dedicada à missão pensará, antes de tudo, em como alcançar o mundo. "Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza" (Lucas 16,13). Em seu comentário sobre o Sermão da Montanha, Livro II, Agostinho, explicando a impossibilidade de servir a dois senhores, enfatiza que a pessoa não acaba "odiando a Deus" quando se torna servo de outro senhor. Em vez disso, a indiferença ou o comprometimento tomam conta, dando Deus e sua graça como garantidos. Esta pode muito bem ser a nossa situação: tendo perdido o entusiasmo inicial, estamos satisfeitos com o que já fazemos. O Evangelho de hoje nos lembra da necessidade de fazermos uma escolha radical, uma dedicação total de nossas vidas a Deus e à missão do Evangelho. Hoje, mais uma vez é colocada diante dos nossos olhos a escolha que fizemos, e somos convidados a renovar nosso compromisso de viver a missão evangelizadora. Que o Espírito Santo nos guie e ilumine!
© Ordem de Santo Agostinho
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