quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Audiência Geral, 26 de agosto 2026 - Papa Leão XIV
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Basílica de São Pedro
Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II III. Constituição Sacrosanctum Concilium 8. As razões da reforma litúrgica
Locutor:
Nesta catequese, a última sobre a Constituição Sacrosanctum Concilim do Vaticano II, refletimos sobre as razões pelas quais os Padres conciliares reformaram a liturgia. Efetivamente, a Igreja vela para que os cristãos não sejam meros espectadores mudos durante a celebração do mistério da fé, mas sejam introduzidos no evento salvífico de Cristo através dos gestos e das palavras da sagrada liturgia, que comunica a vida de Deus. Portanto, reformam-se os textos e os ritos para que estes «exprimam com mais clareza as coisas santas que significam, e, quanto possível, o povo cristão possa mais facilmente […] participar neles por meio de uma celebração plena, ativa e comunitária» (n. 21), crescer na fé e configurar-se cada vez mais com Cristo.
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Santo Padre:
Saluto di cuore i pellegrini di lingua portoghese, specialmente il gruppo di catechismo di Válega, in Portogallo. Carissimi, gioite nella Chiesa Madre e Maestra, e partecipate sempre più attivamente nelle celebrazioni liturgiche, dove vi arricchite dall’insegnamento divino e vi nutrite del Corpo di Gesù che ci custodisce nell’unità. Dio vi benedica!
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Locutor:
Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em especial o grupo de catequese de Válega, em Portugal. Caríssimos, alegrai-vos na Igreja Mãe e Mestra, e participai cada vez mais ativamente nas celebrações litúrgicas, nas quais vos enriqueceis com o ensinamento divino e vos nutris do Corpo de Jesus, que nos guarda na unidade. Deus vos abençoe!
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Audiência aos Bispos da Igreja Luterana da Noruega
SAUDAÇÃO DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
AOS BISPOS DA IGREJA DA NORUEGA
Quarto adjacente ao Audience Hall
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
Queridos amigos,
É-me grato receber-vos esta manhã em Roma e aqui no Vaticano, e espero que tenhais tempo, ou tenhais tido tempo, para visitar os vários locais sagrados associados aos primeiros cristãos e mártires, cujo testemunho da fé em nosso Senhor continua a ser uma fonte duradoura de inspiração, encorajando-nos igualmente a dar a nossa vida pela glória de Deus e pelo bem dos nossos irmãos e irmãs.
Não há dúvida de que enfrentamos desafios difíceis em nosso próprio tempo, à medida que o mundo passa por um período particularmente turbulento. Parece haver uma crescente animosidade entre os povos, evidente não só em conflitos e disputas internacionais, como você mencionou, mas também dentro de países individuais, como demonstrado pela amargura que freqüentemente caracteriza o discurso político e social.
Dada a nossa condição humana caída, é muito fácil adotar uma atitude de hostilidade em relação àqueles com quem discordamos. Por esta razão, é necessário um esforço concertado para buscar caminhos concretos de reconciliação e de fraternidade. A este respeito, Jesus nos mostra outro caminho, revelando que a bondade e a caridade têm o poder de desarmar. Estou, portanto, sinceramente grato pela vossa presença aqui e pelo vosso desejo comum de procurar formas de construir a comunhão. De fato, mesmo pequenos gestos podem nos inspirar e guiar pelo caminho da reconciliação.
Como bem sabemos, nosso Senhor orou ao Pai celestial pela unidade de seus discípulos: “para que se tornem completamente um só, para que o mundo saiba que me enviaste e os amaste assim como me amaste” (Jo 17,23). Fundamentado em nosso Batismo comum e nossa missão compartilhada no mundo, rezo para que possamos sempre crescer juntos em nosso serviço à promoção da paz e da justiça.
À medida que seguimos neste caminho, podemos olhar para o exemplo dos primeiros mártires e dos santos, como São Olaf e Santa Sunniva, cujas vidas, dedicadas a Deus e ao próximo, ajudaram a unir os povos e a dar testemunho duradouro do poder transformador da caridade.
Por isso, meus queridos amigos, meus queridos irmãos e irmãs, agradeço-vos mais uma vez a vossa vinda esta manhã e a vossa proximidade. Peçamos a bênção de Deus, para que, na infinita bondade e sabedoria de Deus, ele nos ajude a viver cada vez mais verdadeiramente como irmãos e irmãs, e assim dar testemunho comum de nosso Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo.
Obrigado.
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Chanceler da Santa Sé discute guerra na Ucrânia com autoridades na Rússia
Por Ishmael Adibuah
25 de ago de 2026 às 14:56
O arcebispo Paul Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais, reuniu-se hoje (25) com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, na Rússia, para discutir a guerra em curso entre a Rússia e a Ucrânia.
A Secretaria de Estado da Santa Sé anunciou a reunião em sua conta na rede social X no mesmo dia, descrevendo-a como um encontro onde “temas de interesse comum e questões internacionais da atualidade” foram discutidos entre as duas partes.
“No encontro, foram abordados temas de interesse comum e questões internacionais da atualidade, com especial atenção à guerra na Ucrânia e às perspectivas de paz”, disse o comunicado divulgado na rede social X.
O encontro ocorreu no primeiro dia da viagem de Gallagher à Rússia, de 25 a 27 de agosto. O Vatican News, serviço de informações da Santa Sé, descreveu a viagem de Gallagher como “uma missão de diálogo e paz”. Essa é a primeira viagem dele à Rússia desde 2021.
Segundo a agenda publicada na rede social X pela Secretaria de Estado da Santa Sé, o encontro de Gallagher com Lavrov hoje será seguido por uma reunião com o metropolita Anton de Volokolamsk, presidente do Departamento de Relações Externas da Igreja do Patriarcado de Moscou.
Gallagher vai se reunir amanhã (26) com Yuri Ushakov, assessor de política externa do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e na quinta-feira (27), com membros do clero católico, religiosos e bispos. Ele também celebrará uma missa na catedral da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, em Moscou, Rússia.
O Vatican News disse que a agenda de Gallagher “confirma a determinação da Santa Sé em continuar no caminho do diálogo, mesmo num dos momentos mais difíceis das relações internacionais em nível global”.
França protege objeção de consciência de católicos contra lei da eutanásia
Por Solène Tadié
25 de ago de 2026 às 16:21
A promulgação oficial de uma lei na França sobre o fim da vida no Diário Oficial do país em 19 de agosto foi uma vitória significativa para a liberdade religiosa e de consciência.
Hospitais, casas de repouso e lares de idosos católicos não serão obrigados a permitir a eutanásia ou o suicídio assistido em suas instalações, e os farmacêuticos não poderão ser obrigados a preparar ou ministrar a substância letal.
Essa vitória relativa à cláusula de objeção de consciência, garantida por reservas interpretativas do Conselho Constitucional da França em 14 de agosto, recebeu menos atenção do que a própria lei, aprovada pelo parlamento do país no mês passado, e que o governo progressista do presidente Emmanuel Macron vinha defendendo vigorosamente desde 2023.
Num comunicado à imprensa sobre sua decisão, o conselho — a mais alta autoridade constitucional da França — disse que a isenção se aplica quando a realização de morte assistida for “manifestamente contrária” à missão ou projeto estatutário de uma instituição, e somente se essa oposição estiver formalmente prevista em seus estatutos ou numa carta de ética, e só se outros estabelecimentos forem capazes de atender às necessidades locais.
Para os farmacêuticos, o conselho emitiu uma ressalva separada, fundamentada no artigo décimo da Declaração dos Direitos do Homem de 1789, dizendo que preparar ou dispensar a substância letal "é passível de ofender" convicções pessoais.
Na versão original, o texto dizia que, quando uma pessoa estivesse hospitalizada ou vivendo em determinadas instalações abrangidas, “o diretor do estabelecimento deveria permitir a intervenção dos profissionais que participam do procedimento”, assim como o acesso de qualquer pessoa que acompanhasse a pessoa que solicitava a morte digna — sem exceção para objeções da própria instituição.
O arcebispo de Paris, Laurent Ulrich, acolheu as reservas em sua mensagem de 19 de agosto aos fiéis, por ocasião da promulgação da lei, chamando-as de “uma oportunidade”. Ele disse ter esperança de que as instituições construídas em torno do cuidado aos doentes graves e da especialização em cuidados paliativos “encontrassem nessas reservas um incentivo para manter seu caráter particular e permanecerem lugares onde ninguém será morto”.
A isenção concedida em 14 de agosto ocorreu depois do envio de pareceres formais ao conselho por várias organizações católicas e pró-vida, como a Fundação Jérôme Lejeune e o Centro Europeu de Direito e Justiça (ECLJ), grupo de defesa com sede em Estrasburgo, França, que disseram que obrigar as instituições a acomodar equipes móveis de eutanásia “é uma clara violação de sua liberdade”.
Enquanto o projeto de lei ainda tramitava no parlamento da França, a Irmã Agnès, freira médica da Congregação das Irmãzinhas dos Pobres, discursou em 3 de março em nome das congregações católicas francesas que administram hospitais e casas de repouso, num diálogo interativo com o relator especial do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre liberdade de religião ou crença, em Genebra, Suíça. Ela disse ao relator que o projeto de lei obrigaria essas congregações a aceitar a eutanásia em suas instalações, sob pena de até dois anos de prisão e multa de R$ 30 mil (R$ 180 mil), dizendo que poderiam ser forçadas a “renegar os mandamentos de Deus” para continuarem operando.
Especialistas em direito falam sobre o caráter incomum dessa reviravolta e destacam o peso da atuação das organizações católicas.
Roseline Letteron, professora de direito público e autora do blog Libertés, Libertés chéries (Liberdades, liberdades queridas), escreveu que o conselho fundamentou a isenção das instituições em bases jurídicas diferentes daquelas aplicadas à cláusula dos farmacêuticos: não no direito individual à objeção de consciência, mas no direito de formar uma associação e no direito de administrar um negócio como bem entender, combinados com uma ideia mais antiga, extraída de uma lei de 1959 sobre escolas religiosas, de que uma instituição pode ter um “caráter” distinto que merece ser protegido.
Tribunais da França já haviam rejeitado antes isenções institucionais semelhantes, como no caso de registradores civis que se recusaram a realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo em 2013 e chefes de departamento hospitalar que se opuseram ao aborto em 2001. Letteron perguntou diretamente se o conselho “queria dar uma satisfação simbólica ao lobby católico”, concluindo que “a resposta é sim”.
Mas o diretor da ECLJ, Grégor Puppinck, classificou a decisão de 14 de agosto como "uma grande vitória", dizendo em comunicado que o grupo agora "continuará essa luta em outros países que já legalizaram a eutanásia, a fim de garantir também a liberdade das instituições religiosas nesses locais".
Uma decisão constitucional na França não vincula tribunais estrangeiros, mas o ECLJ — que publicou seu próprio estudo de direito comparado sobre a questão — pretende apresentar o mesmo argumento por meio da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos sobre autonomia institucional, dizendo que a liberdade religiosa protege “comunidades e instituições”, não só indivíduos, e que “o direito de recusar matar deve ser aceito integralmente” para ambas.
A Fundação Jérôme Lejeune, cuja própria petição se concentrou especialmente na falta de proteção da lei para pessoas com deficiência intelectual — preocupação que, segundo a fundação, também levantou repetidamente junto à ONU — classificou a decisão do Conselho como "escandalosamente mínima" num comunicado de 14 de agosto.
“A Fundação Jérôme Lejeune jamais se resignará”, disse seu presidente, Jean-Marie Le Méné. “A luta está longe de terminar”.
A fundação disse que acompanhará de perto a elaboração dos decretos de implementação pelo governo, continuando a pressionar por proteções para pessoas com deficiência intelectual.
Hoje é dia de santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars, padroeira dos idosos
Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars | ACI Digital
Por Redação central
26 de ago de 2026 às 00:15
A Igreja celebra hoje (26) santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars, freira espanhola que se santificou no serviço aos idosos em estado de abandono. Em 1873 fundou - junto com o padre Saturnino López Novoa - a congregação religiosa das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, na cidade de Barbastro, Huesca, Espanha. No Brasil, a congregação cuida de quatro lares de idosos no Estado de São Paulo.
O trabalho se espalhou rapidamente, floresceu e deu frutos abundantes, a tal ponto que, com a morte de madre Teresa, a congregação era responsável por 103 lares de idosos, distribuídos entre a Espanha e a América.
O bem é contagioso
Teresa Jornet nasceu em Aitona, Lérida, Espanha, no dia 9 de janeiro de 1843, numa família profundamente católica. Prova disso são as muitas vocações que floresceram no seio da família. Duas de suas irmãs também foram religiosas: uma delas, Josefa, entrou para as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e serviu por muitos anos num hospital em Havana, Cuba; a outra ingressou na Congregação fundada por Teresa. Finalmente, três filhas de seu irmão também fizeram parte de sua comunidade.
Inicialmente Teresa estudou para ser professora na cidade de Lérida. Ao se formar, foi convidada por um tio seu, o beato padre Francisco Palau y Quer - carmelita descalço exclaustrado - para trabalhar no Instituto das Irmãs Terciárias Carmelitas, por ele fundado. Teresa trabalhou ali com dedicação, mas ainda sem considerar a vida religiosa como opção para a sua vida.
“Que queres que te faça? (Mc 10, 51-52)
O chamado vocacional veio depois. Teresa descobriu-se chamada à vida contemplativa e pediu para entrar no mosteiro das Clarissas de Briviesca, em Burgos, Espanha, em 1872. No entanto, não fez os votos e voltou à casa da família. Depois desses acontecimentos, ela reconsiderou seu caminho e decidiu tornar-se carmelita terciária para se dedicar ao ensino.
Em junho do mesmo ano, Teresa fez uma viagem com a mãe às águas termais de Estadilla, Huesca. Durante a viagem de volta, Teresa parou em Barbastro, localidade onde conheceu o beato Saturnino López Novoa que, com um grupo de amigos sacerdotes, se dedicava a cuidar de idosos abandonados.
Teresa viu naquela nobre obra um sinal, algo que lhe indicava o caminho que procurava. Talvez, pela primeira vez, o futuro parecia mais claro e brilhante. Ela percebeu que era o próprio Cristo quem lhe pedia para se doar assim aos outros.
A caridade assistencial e o seu sentido
Pouco depois, em 11 de outubro de 1872, Teresa voltaria a Barbastro, desta vez para ficar. Ela chegou acompanhada de sua irmã Maria e da amiga Mercedes Calzada. Seu propósito era integrar o grupo das primeiras aspirantes, liderado pelo padre Saturnino. Teresa seria nomeada superiora daquela primeira comunidade feminina.
Depois, a santa recebeu oficialmente, das mãos do beato Saturnino, as constituições que regeriam a vida daquelas mulheres. Poucos meses depois, em 27 de janeiro de 1873, ocorreu a fundação da Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados.
Em maio de 1873, as irmãzinhas chegaram a Valência, sempre acompanhadas pelo padre Saturnino, a pedido da Associação dos Católicos da cidade. A ideia era começar o trabalho de ajuda aos idosos abandonados.
A espiritualidade desta congregação, concebida e forjada pelos seus santos fundadores, consiste em acolher os idosos mais pobres e integrá-los no ambiente familiar, atendendo às suas necessidades materiais e espirituais. Nas palavras de Teresa, trata-se de: “Cuidar dos corpos para salvar as almas”.
Teresa de Jesus Jornet e Ibars foi superiora-geral de sua congregação até o dia de sua morte, ocorrida em Liria, Valência, em 26 de agosto de 1897. Tinha 54 anos.
O caminho do amor aos mais frágeis
Teresa de Jesus Jornet e Ibars foi beatificada em 27 de abril de 1958 pelo papa Pio XII, apenas 50 anos depois da sua morte.
O papa são Paulo VI a canonizou em 27 de janeiro de 1974. Na homilia da missa de canonização, o papa disse: “Teresa Jornet tinha algo, misterioso por assim dizer, que nos atrai. Ao seu lado sente-se essa presença inefável da Vida que a sustentou e a encorajou em seus esforços de consagração a Deus e ao próximo, guiando-a no caminho concreto da assistência caritativa. O fruto do enorme trabalho realizado por tão humilde freira se concretizou de forma admirável, mas sem clamor externo. A obra da graça sempre será algo misterioso.”
Atualmente, as Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados contam com 204 lares distribuídos em 19 países, incluindo Alemanha, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Filipinas, Guatemala, México, Moçambique, Peru e Paraguai.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Padre Romanelli: Gaza está devastada, e desapareceu da mídia
Vatican News
“A realidade deste pedaço da Terra Santa que é a Faixa de Gaza é terrível. Nem sequer se pode dizer que seja uma situação pós-catástrofe, porque a catástrofe desapareceu da mídia, mas aqui ela não desapareceu de forma alguma.” O padre Gabriel Romanelli, pároco da cidade de Gaza, relata a situação por videoconferência com o Meeting de Rimini, na Itália.
A ajuda não chega e a emergência piora
“A situação — explica ele — continua dramática. Os bombardeios não são mais tão intensos como antes, mas há ataques até mesmo no centro da cidade. E a maioria dos cidadãos, todos, 2 milhões e 300 mil pessoas, precisam absolutamente de tudo. Gaza está devastada. É como um tsunami que destrói tudo e, depois, ninguém vai em socorro das populações atingidas. Em Gaza, a ajuda não chegou e a emergência continua piorando a cada dia. Quando se está em situação de emergência, é preciso uma resposta imediata. A cada dia que essa resposta demora, a emergência se agrava. É isso que estamos vivendo”.
A luta diária pela água potável
“A maior parte da população — continua o padre Gabriel — vive em barracas ou nas ruas. O solo é arenoso e está misturado com água de esgoto. A maioria das pessoas nem sequer tem uma pequena fonte de energia. E ainda é preciso lutar pela água; é uma luta diária. Continuamos tentando fazer o nosso melhor. Distribuímos água potável para mais de 400 famílias. Nossa igreja foi construída sobre uma fonte ou uma cisterna de água; bombeamos essa água a um preço altíssimo, pois cada litro de diesel para o gerador custa 10 euros. E isso não se deve ao problema do Estreito de Ormuz, mas sim à guerra”.
A última palavra não é a cruz
O padre Gabriel conta que, apesar de tudo, eles também brincam com a água não potável “e todos riem; até os adultos, e até eu e as freiras aproveitamos para tomar um banho. Parece uma loucura, mas a tristeza se vence com a alegria, e a alegria do Evangelho nos é dada por Jesus. A última palavra não é a Cruz. A Cruz é uma palavra necessária, mas a palavra definitiva é a Ressurreição. E nós devemos vivenciar esse mistério pascal na vida cotidiana”.
Vamos ficar aqui, não vamos abandonar nosso povo
Quanto à decisão de permanecer em Gaza, apesar da guerra, o pároco disse: “ficar era a resposta natural, tanto espiritual quanto humanamente. Não é um desafio político. O pastor deve permanecer com seu rebanho. Assim, eu, como pároco, sacerdote e missionário, e da mesma forma os outros padres e as outras religiosas, percebemos que a resposta era permanecer próximos das pessoas; não podíamos abandonar as pessoas com deficiência, as crianças, as famílias e tantos outros que continuam a depender da nossa presença. Além disso, estamos aqui por Jesus Cristo, para preservar a presença eucarística, Jesus Cristo fisicamente presente na Eucaristia e espiritualmente presente em cada fiel. Engolir as lágrimas é o dever de quem ama; assim é a vida neste vale de lágrimas”.
Chega de guerra! A paz é possível
O padre Gabriel tem palavras de esperança, apesar de tudo. Diante das crescentes polarizações e da espiral, não apenas de fatos, mas também de palavras e princípios violentos em toda a região, ele ressalta que “a presença cristã, que é a presença de Cristo, deve ser diferente. Estamos convencidos de que a paz é possível e que a paz justa é necessária. Portanto, uma das maneiras de ajudar a comunidade palestina e a israelense é semear a paz, falar de justiça e convencer o mundo de que ‘Chega! Chega!’, porque é terrível ver vítimas inocentes de um lado e do outro. E tudo isso na Terra Santa, onde viveu Deus encarnado”.
Papa a militares: zelar pela segurança dos concidadãos, protegendo-os das injustiças
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira (24/08), na Sala do Consistório, no Vaticano, uma delegação do Ordinariato Castrense de Portugal.
A delegação do Ordinariato Militar de Portugal, cerca de 70 pessoas, está em Roma para o sexagésimo aniversário da fundação do Vicariato, que passou a designar-se, em 1981, Ordinariato Castrense e que há vinte e cinco anos "teve o seu primeiro bispo".
O Pontífice deu as boas-vindas aos militares e saudou todos os membros, "cristãos e não cristãos, do Exército, da Força Aérea, da Marinha, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública em Portugal".
A recordação dos jovens soldados portugueses mortos
A seguir, Leão XIV recordou "à luz de Cristo Ressuscitado os dois jovens militares do Exército", de 21 e 22 anos, que "generosamente, como o bom samaritano, pararam no caminho para prestar socorro", na última sexta-feira (21/08), a um motorista de caminhão com um pneu furado na rodovia do distrito de Coimbra e foram atropelados por outro carro. "Confio-os ao Senhor, junto com as suas famílias", disse o Papa.
"Possa o Ordinariato, dando sua inestimável contribuição para o bem espiritual e para o conhecimento dos valores cristãos, continuar sendo um espaço de colaboração construtiva com as autoridades estatais, governamentais e militares", disse o Papa em seu discurso, acrescentando:
“Para quem acredita em Cristo, peregrinar a esta cidade representa uma singular ocasião para a renovação de si mesmo, reconhecendo a centralidade de Deus na própria vida e fortalecendo a fé através da oração junto ao túmulo do Apóstolo São Pedro. Todos os dias, cabe a cada um de vocês a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos concidadãos e protegendo-os das injustiças.”
A força para reconhecer os próprios limites
Como sugere a carta de São Paulo aos Efésios, o Bispo de Roma os encorajou a serem "fortes no Senhor". Essa força possui uma qualidade especial, que Leão XIV encontrou na figura do centurião de Cafarnaum, narrado nos Evangelhos de Mateus e Lucas.
“Sejam fortes no Senhor como o centurião que, em Cafarnaum, se aproximou de Jesus. Ele conhecia bem os valores pelos quais vocês pautam sua vida: a obediência, a disciplina, a renúncia, a lealdade, o companheirismo, a dedicação, a responsabilidade e a coragem. Ao mesmo tempo, aquele militar sentia necessidade de Deus, sabia que o ser humano não se basta a si mesmo, mas aspira a algo mais, a algo que o transcende.”
O centurião tinha "um servo que sofria horrivelmente, isto o fez aproximar-se de Jesus, que lhe assegurou ir curá-lo. Ele, porém, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Pois eu também obedeço a ordens e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: vá, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e digo ao meu servo: faça isso, e ele faz»".
"Nesta atitude é possível constatar como o centurião valorizava a hierarquia e como esta dimensão da sua vida quotidiana lhe fez interpretar a relação com Jesus de Nazaré, que confessa seu Senhor, seu Deus. Maravilhado com tais palavras, Jesus disse: «Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé!». Se, por um lado, este militar estava consciente da sua autoridade, por outro lado mostrou diante do Filho de Deus a força da fé e a coragem da humildade", disse o Papa.
“Na verdade, o ser humano, por mais responsabilidade que tenha, por mais poder que exerça, por mais irrepreensível que seja, é sempre faminto de infinito e sedento de eternidade. Ora, o infinito e a eternidade estão ao nosso alcance em Jesus Cristo: são dom do Senhor.”
Iluminar-se com a Palavra de Deus
"Excelência reverendíssima, caríssimos capelães, a Igreja confia a vocês o crescimento espiritual dos militares e dos policiais da sua Nação", disse o Papa, ressaltando que "deste específico ministério se colherão os frutos do crescimento pessoal na prática da vida cristã e do revigoramento do espírito de corpo das Forças Militares e de Segurança".
Leão XIV agradeceu aos militares pela "proximidade que, como bons pastores", eles "proporcionam a quantos desempenham um serviço tão importante, especial e exigente para o bem de Portugal e não só". "O seu testemunho de amor à Igreja e ao País é bálsamo, que conforta e dá esperança", concluiu o Papa, pedindo a Nossa Senhora de Fátima que os acompanhe nas diversas missões, tanto em Portugal quanto no exterior.
Hoje é dia de são Luís IX, rei da França sábio e piedoso
São Luís IX | ACI DigitalPor Redação central
25 de ago de 2026 às 00:01
A Igreja celebra hoje (25) são Luís IX, que se distinguiu por seu espírito de penitência e oração e seu amor pelos pobres. Foi um governante justo e sábio.
São Luís nasceu em Poissy, perto de Paris, em 25 de abril de 1214. Era filho de Luís VIII da França e de Branca de Castela. É contemporâneo a santo Tomás e são Boaventura.
Foi coroado aos 22 anos.
Casou-se com Margarida de Provença em 1227 e com ela teve onze filhos, aos quais deu pessoalmente uma excelente educação. Foi um esposo e pai exemplar.
A primeira das muitas abadias que fundou foi inaugurada em 1239.
Balduíno II, o imperador latino, presenteou o soberano com a “Coroa de Espinhos” para agradecer pela generosidade com que tinha ajudado os cristãos da Palestina e de outros países do Oriente.
O santo mandou derrubar sua capela de São Nicolau e construiu a “Saint Chapelle” em Paris para depositar ali a Coroa de Espinhos e outras relíquias.
O rei pertenceu à Ordem Terceira Franciscana. Fundou vários mosteiros, entre eles o de Royaumont, o convento de Maubuisson (com a ajuda de sua mãe) e o hospital de cegos Quinze-Vingts, mais conhecida como Os Trezentos.
Participou de duas cruzadas, cujo objetivo era recuperar o Santo Sepulcro e frear as invasões muçulmanas na região, mas estas não tiveram êxito. No entanto, foi considerado um dos cavaleiros mais valentes da época.
Na primeira cruzada, foi feito prisioneiro no Egito e durante a segunda ficou doente com disenteria, próximo de Cartago (Norte da África). Recebeu os últimos sacramentos em 24 de agosto de 1270 e expirou no dia seguinte. Tinha 55 anos.
Foi transladado para a França e depositado na Igreja de Saint-Denis, onde seus restos mortais ficaram até que foram profanados durante a Revolução Francesa. Foi canonizado em 1297.
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Mozart volta ao Vaticano
Gudrun Sailer - Vatican News
Para a orquestra "Ensemble Bella Musica", programa pré-universitário da Universidade Mozarteum, este não será um concerto qualquer, como afirma o diretor artístico, Stefan David Hummel: "Tivemos a honra de executar nossas músicas, diversas vezes, durante a Missa na Basílica de São Pedro. Agora, estamos ansiosos para fazer um concerto nos Jardins do Vaticano. Este será, sem dúvida, o ponto alto da nossa viagem".
Entre os jovens da orquestra — que apresentarão um concerto na Sala Assunta da Rádio Vaticano, em 2 de setembro — a expectativa já é palpável, enquanto manterão um breve encontro com o Papa Leão XIV, durante a Audiência Geral.
Hummel veio de Salzburgo, na última quinta-feira, especialmente para inspecionar a Sala Assunta, sede de gravações históricas da Rádio Vaticano, situada na Palazzina Leone XIII, na parte alta dos Jardins, onde será gravado o concerto. Através da União Europeia de Radiodifusão (UER), as emissoras de rádio interessadas poderão filmar a gravação. Isso permitirá que a música da jovem orquestra chegue a milhões de ouvintes.
Uma menina chinesa usará o violino de Mozart
A "estrela" do concerto será um instrumento bastante pequeno: o violino que Mozart usava quando criança. A Fundação Mozarteum de Salzburgo o levará a Roma, junto com o violino Costa de Mozart, construído em 1764, em Treviso, pelo artesão italiano, Pietro Antonio dalla Costa, que Mozart usou durante seus concertos em Viena. Com este pequeno instrumento, o jovem Wolfgang deu seus primeiros passos como músico. Ele será utilizado, no Vaticano, por Shuxuan Jin, uma menina de 10 anos de Xangai, que vive na Áustria desde a infância e estuda no curso preparatório da Universidade Mozarteum, uma das instituições musicais mais renomadas do mundo. A jovem solista obteve inúmeros sucessos em competições internacionais. Mas, o violino usado por Mozart, quando criança, representa certamente uma das etapas mais extraordinárias de sua jovem carreira.
A música é sinal de união além-fronteiras
O "Ensemble Bella Musica" não é simplesmente uma orquestra de jovens talentos, mas uma pequena Europa musical. Os músicos, com idades entre dez e vinte e dois anos, são provenientes da Áustria, Alemanha, Itália, Espanha, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina e Hungria, como também da China, Tailândia, Coreia e Irã. Os "Jovens embaixadores das Rotas Europeias de Mozart", repercorrerão os passos de Mozart pela Europa, de 30 de agosto a 10 de setembro, com o objetivo de encurtar as fronteiras, pelo menos durante seus concertos, como explica Hummel: "Sobretudo, nestes tempos difíceis, estes concertos poderão ser um sinal de paz. A música pode unir pessoas para além das fronteiras, línguas e crenças. Somos gratos por poder levar juntos esta mensagem ao mundo".
Homenagem especial ao Papa Leão XIV
O programa do concerto no Vaticano consiste, sobretudo, em representar Mozart, desde abertura com “Così fan tutte alla Sinfonia Júpiter”. Antes do final, com Ave Verum, a orquestra preparou uma pequena despedida musical: no Vaticano e somente no Vaticano, será possível ouvir um trecho de “Tutti insieme appassionatamente” (“A Noviça Rebelde”). Esta não será uma mera coincidência, mas uma homenagem a Leão XIV, pois este filme musical americano de 1965, ambientado em Salzburgo, é um dos filmes mais favoritos pelo Papa norte-americano. Assim, pelo menos em forma musical, no dia 2 de setembro, Mozart encontrará no Vaticano "a família von Trapp". Haverá também outro detalhe histórico interessante: o próprio Mozart visitou o Vaticano quando adolescente. Em 1770, durante sua primeira viagem à Itália com seu pai, Leopold, o então jovem de 14 anos se apresentou ao Papa. Clemente XIV ficou profundamente impressionado pela extraordinária habilidade do jovem de Salzburgo, tanto que o condecorou com a “Ordem da Espora de Ouro”, nomeando-o formalmente cavaleiro.
Agora, após 250 anos, Mozart retorna ao Vaticano com dois de seus violinos, uma orquestra juvenil internacional e um músico chinês de dez anos, que usará o mesmo instrumento tocado pelo jovem Amadeus, que começava a revelar seu gênio pela primeira vez.
A gravação do concerto no Vaticano não será aberta ao público. No entanto, a orquestra “Bella Musica Ensemble” realizará mais três concertos em Roma, sempre com os violinos de Mozart: um, na tarde do dia 2 de setembro, na Igreja de Santa Maria dell'Anima, e outro, também na tarde do dia 4 de setembro, no Conservatório de Santa Cecília.
Arcebispo Gallagher inicia visita à Rússia
Vatican News
Dias intensos, entre encontros com autoridades russas, representantes do Patriarcado de Moscou e a comunidade católica. Este é o programa da visita à Federação Russa de arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, divulgado em uma publicação no X da Terza Loggia, a conta da Secretaria de Estado. O prelado chega nesta segunda-feira a Moscou e retornará a Roma no dia 28 de agosto.
Amanhã, terça-feira, 25 de agosto, o arcebispo se encontrará com Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, seguido de uma conversa com o metropolita Antonij de Volokolamsk, presidente do Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscou.
No dia seguinte, quarta-feira, 26 de agosto, o arcebispo Gallagher se reunirá com Yuri Ushakov, conselheiro do presidente da Federação Russa para a política externa. A agenda confirma o desejo da Santa Sé de continuar percorrendo o caminho do diálogo, mesmo em uma das fases mais difíceis das relações internacionais em nível global.
A viagem do secretário vaticano para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, também será uma oportunidade para encontrar a comunidade católica, com a qual se reunirá na quinta-feira, 27 de agosto. Antes, está previsto um encontro com o clero, os religiosos e as religiosas, seguido da celebração da Missa na Catedral da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, em Moscou. Em seguida, o secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais se encontrará com os bispos. A Igreja Católica na Rússia representa uma realidade numericamente minoritária e está geograficamente dispersa por um território muito vasto. Sua organização territorial compreende a Arquidiocese da Mãe de Deus, em Moscou, e as dioceses de São Clemente, em Saratov; da Transfiguração, em Novosibirsk; e de São José, em Irkutsk.
Não é a primeira vez que o arcebispo Gallagher se dirige à capital russa. Sua última visita foi em novembro de 2021. Naquela ocasião, o prelado encontrou-se com o primeiro-ministro Mikhail Mishustin, o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov e o então responsável pelo Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscou, o metropolita Ilarion.
domingo, 23 de agosto de 2026
Cidade de Rimini: Encontro com os participantes do Meeting, 22 de agosto de 2026 – Papa Leão XIV
Papa em Rimini: opor a misericórdia ao falso realismo que rearma mentes e nações
Salvatore Cernuzio - Vatican News
“Sim, queridos amigos, é hora da responsabilidade, especialmente para quem muito recebeu de uma tradição milenar de fé que se faz cultura.”
Havia a guerra, a Guerra Fria, em 29 de agosto de 1982, quando São João Paulo II subiu ao palco da Feira de Rimini para participar da terceira edição do Encontro pela Amizade entre os Povos. Uma intuição do fundador da Comunhão e Libertação, Pe. Luigi Giussani, que não permaneceu como um “enclave” do movimento, mas se tornou, com o tempo, um “cruzamento para a Igreja e para a sociedade”, um “encontro que multiplica os encontros e inspira novos caminhos”.
E há a guerra, ou melhor, há muitas guerras — pequenas, grandes, “fragmentadas” —, juntamente com as crises, as divisões, as ideologias, as desigualdades, os desastres ambientais e os “negócios da morte”, agora que um Pontífice, Leão XIV, volta a se dirigir ao público diversificado do evento de Rimini. Políticos, artistas, líderes religiosos, representantes de instituições ou da sociedade civil, jovens, voluntários, testemunhas, todos estão reunidos no Grande Auditório em nome dessa “amizade”, justamente, que, neste tempo de divisões, é um valor que não se pode dar como garantido. São cerca de 20 mil (outras 55 mil pessoas estão dentro da Feira) e recebem o Papa com um longo aplauso que, em seguida, dá lugar a um silêncio profundo que permeia todos os pavilhões, assim que ele pega o microfone.
Desmascarar as injustiças
Há meses se aguardavam as palavras do Sucessor de Pedro, ponte e ponto de referência para a Igreja e para o mundo. Ele, Leão, propõe ao Meeting de Rimini um discurso/apelo de amplo alcance que aborda a atualidade desta humanidade chamada a uma “inversão de rota”, que se tornou “convincente e verosímil” pela obra de “pioneiros corajosos”.
Libertemos a convivência da suspeita, a cultura da prepotência, a educação da ideologia, o trabalho da idolatria do lucro, a tecnologia e as finanças dos negócios de morte. A partir das organizações que criamos e nas quais atuamos, desmascaremos as injustas relações de poder, que estão na origem da pobreza e das desigualdades, da guerra e dos desastres ambientais. Desarmemos o desenvolvimento tecnológico quando este se torna invasivo e destrutivo.
O amor que move o mundo
“Que não haja apenas quem atice o fogo do cansaço e do desespero; que haja também quem reacenda sonhos e visões!”, diz o Papa do palco, deixando aos que o ouvem uma orientação: o Amor, aquele que “move o sol e as outras estrelas”, como escreveu Dante no último verso da Divina Comédia, que dá título à 47ª edição do evento.
Várias vezes, o Pontífice faz referência ao Grande Poeta no seu discurso, no qual cita o Concílio, Pe. Giussani e os predecessores Francisco, Bento XVI e, naturalmente, João Paulo II, que já há 44 anos havia compreendido “a profecia” de um encontro como este: “já só pronunciar estas palavras alegra o coração: 'Encontro'! 'Encontro de amizade'! 'Amizade entre os povos'! Palavras que adquirem um significado nestas horas, muitas vezes dramáticas, da história do mundo”.
As pessoas antes das fronteiras e das instituições
Leão faz suas as palavras do Papa polonês: “também hoje a paz é preservada e difundida por pessoas que gostam de se encontrar e não têm medo de dialogar”, ressalta ele, exortando — na esteira da Fratelli tutti — a “cultivar a amizade social” para que possamos nos reconhecer “na dignidade de filhos de Deus” que une todos os seres humanos, “além de qualquer diversidade, separação ou conflito”.
Podemos nos identificar uns com os outros, nos ouvir e nos tornar amigos, entre pessoas e, portanto, também entre povos. Antes das fronteiras, das definições e das instituições, estão sempre as pessoas.
O realismo da misericórdia
É a força do amor, o amor que “move” e que, desde os tempos de Dante, “não desapareceu, nem perdeu vigor nem intensidade”, embora permaneça “silencioso de bom grado, ao contrário das forças ruidosas que abalam a terra, o céu e todas as criaturas”, destaca o Papa, evocando o ensinamento dos Papas sobre a “Misericórdia”. “O mal não se combate com o mal – acrescenta ele. Assim na terra como no céu, o amor é a lei da vida, o método da redenção, do Messias crucificado”.
Ao falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações, a cultura católica tem hoje de opor o realismo da misericórdia, segundo o qual não podem existir inimigos e todos, mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem ser olhados nos olhos e encontrados na verdade. O pecado existe, sem dúvida, mas mais forte do que ele é o amor redentor de Cristo, que nos empenha a purificar pensamentos, interesses, hábitos, companhias, projetos, investimentos – todos os aspectos da vida – de tudo o que a cultura do poder contaminou.
É, portanto, “uma autêntica conversão do povo” que o Papa pede. Quantos estão sentados no Auditório, com suas competências, responsabilidades e recursos, podem realmente colocar-se a serviço e acompanhar a humanidade no caminho certo: não aquele que “explora a divisão, a alienação e o desespero”, mas aquele que “serve o Reino de Deus e a sua justiça”.
Um desígnio que atravessa a história
“Num mundo marcado por tantas estratégias que visam conquistar mercados e espaços de influência, muitas vezes revestidas de retóricas apaziguadoras e construções ideológicas sedutoras, o nosso coração sente a necessidade de descobrir um desígnio diferente, sábio e benevolente, semelhante ao que Maria contempla no Magnificat”, afirma o Papa Leão. Esse desígnio de misericórdia atravessa a história também hoje, em meio às “mudanças rápidas e inquietantes marcadas por algoritmos e redes globais” e se torna “a bússola para uma existência evangélica na era digital”.
Apelo aos jovens
O Papa invoca também uma “responsabilidade” para o vasto mundo educacional, hoje cada vez mais em “risco”. E dirige uma palavra aos jovens, presentes em grande número como voluntários: “vocês são o sinal de que o futuro é uma promessa, não uma ameaça!”, enfatiza Leão. “Deixem-se envolver! Abram-se a uma verdadeira catolicidade, alargando os vínculos de vocês para além de qualquer pertença demasiado restrita”, exorta o Bispo de Roma.
Contrastem o que pretende os afastar dos irmãos e irmãs com culturas, sensibilidades e origens diferentes, especialmente dos mais pobres. Em vez disso, saiam ao encontro de todos! Em todas as latitudes, especialmente nas margens e entre aqueles que sofrem, vocês irão encontrar quem já está pronto para construir a civilização do amor.
Despertar da fé
Ninguém deve se permitir menosprezar a palavra “amor”, que, como ressalta o Papa, “é o próprio nome de Deus: Deus é amor”. E “no amor nunca há coação, doutrinação; nunca há sedução, engano ou recrutamento. O amor só existe na liberdade, no diálogo vivo, no dom generoso de si mesmo”.
Essa mesma liberdade é o motor do despertar da fé de tantos jovens: “hoje o mundo parece se surpreender com a adesão de vocês a Cristo, com a atração que sentem por Ele e pela sua Palavra, com a sua pertença à Igreja”, observa Leão. Mas não é “uma questão de números, embora seja comovente ver milhares dos seus coetâneos pedindo o Batismo em sociedades consideradas entre as mais secularizadas do mundo”. “É uma questão de liberdade: a verdade só se encontra na liberdade”, afirma Leão XIV. E a própria Igreja, como dizia Bento XIV, “não faz proselitismo”, mas “desenvolve-se, antes, por atração”.
“Amem sempre a Igreja!”
“Amem sempre a Igreja!”, acrescenta ainda o Papa, repetindo mais uma vez: “amem sempre a Igreja!”.
“Amem e preservem a unidade da 'companhia' através da qual Cristo alcançou vocês e os atrai a Si”, diz ele, desta vez dirigindo-se aos membros da Comunhão e Libertação. “Até os momentos difíceis podem ser momentos de graça, momentos de renascimento”. O convite é para “aprender a ouvir uns aos outros”, pois o dom da escuta “muitas vezes se perdeu em alguns setores da Igreja”. Escuta da Palavra de Deus, escuta recíproca, escuta da sabedoria presente em homens e mulheres, membros da Igreja e todos aqueles que buscam a verdade, indica o Papa.
Sinodalidade
O caminho é, portanto, o da “sinodalidade”, que “não é o nome de um processo, mas a natureza de um povo que, na amizade e no encontro com o outro, reconhece a sua pertença exclusiva a Deus”.
Então, a autoridade se transforma em serviço, que honra as diversidades e facilita a harmonia entre elas.
“Nesta época conturbada, este estilo constitui um verdadeiro sinal dos tempos”, observa o Papa. “Testemunhamos que cada carisma é útil para todos, que cada riqueza se multiplica quando é partilhada, que cada medo pode ser superado: devemos tornar este testemunho tangível, confiável, desejável”.
Angelus, 23 de agosto de 2026 - Papa Leão XIV
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 23 de agosto de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho deste domingo (Mt 16, 13-20) coloca-nos diante de uma pergunta que interpela cada um de nós no caminho da fé: para mim, quem é realmente Jesus?
A partir da narração evangélica, percebe-se o quanto esta pergunta é decisiva para a experiência do discipulado. Na verdade, ainda que os doze apóstolos já tivessem compartilhado muito da vida e do ministério do Mestre, Jesus não quis pressupor que eles O conheciam realmente e que tinham compreendido o mistério do Reino de Deus. Então, depois de perguntar quais eram as opiniões das pessoas sobre Ele, dirige-se-lhes diretamente: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (Mt 16, 15).
Irmãos e irmãs, este é um passo fundamental para os discípulos de todos os tempos, para cada um de nós. Com efeito, a fé não nos é dada de uma vez para sempre; pelo contrário, precisamos constantemente de redescobrir o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as escolhas da nossa vida, para que sejam coerentes com o que professamos, vencendo a tentação de pensar que já sabemos tudo e de transformar a fé num costume.
A pergunta que diariamente nos é colocada – quem é Jesus para mim e qual o significado da sua presença na minha vida – surge especialmente na oração e quando meditamos sobre o Evangelho; mas também quando nos deparamos com as feridas e as necessidades dos irmãos, ou nas relações e situações que mais interpelam a nossa consciência. Enfim, no âmbito da nossa vida, podemos avaliar se, para nós, o Senhor Jesus é apenas uma grande figura da história que disse e fez coisas importantes, ou se é o Cristo de Deus, Aquele que foi enviado para nos introduzir no amor do Pai e transformar a nossa vida e o mundo em que vivemos.
Caríssimos, aprendamos a não nos fecharmos nas nossas convicções e certezas religiosas, para nos mantermos abertos a uma relação autêntica com Cristo. Por vezes, no que diz respeito à fé cristã, contentamo-nos com o que “ouvimos dizer”, com os lugares-comuns, com aquilo que nos foi transmitido, talvez até com boas intenções; mas Jesus chama-nos a uma resposta pessoal, a conhecê-Lo de perto, a deixarmo-nos escrutinar a partir da amizade com Ele, num encontro sempre novo que pode exigir-nos percorrer caminhos inéditos e fazer escolhas diferentes das que imaginávamos. Isto é válido tanto para o nosso percurso pessoal, como para o caminho da Igreja e para as escolhas pastorais, onde, por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos. É importante, pelo contrário, perguntarmo-nos frequentemente: para mim, quem é o Senhor? Conheço-O realmente? O que me pede hoje o seu Evangelho? Que passos e que escolhas deveria tomar?
Invoquemos a Virgem Maria, que no seu coração procurava a vontade de Deus através do seu Filho, para que nos guie sempre no caminho da fé.
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Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs,
Na minha oração, recordo com frequência a República Democrática do Congo, devido – em particular – à propagação da epidemia de Ébola, que está infelizmente a causar muitas vítimas. A fim de salvar tantas vidas humana, encorajo uma resposta por parte da Comunidade Internacional, que envolva também as comunidades locais no trabalho de prevenção.
Estou igualmente próximo à população da República Centro-Africana, que chora as vítimas do deslizamento de terras ocorrido numa mina em Zamboyé. Que o Senhor acolha aqueles que perderam a vida e sustente o empenho colocado para garantir a segurança e a legalidade nas zonas mineiras.
Amanhã assinala-se o décimo aniversário do terramoto que atingiu o centro de Itália, entre Lácio, Úmbria e Marcas. Rezo pelos falecidos e suas famílias, bem como por todas as comunidades afetadas. Que a fé e a solidariedade continuem a amparar a obra de reconstrução.
Saúdo com afeto todos vós, romanos e peregrinos de vários países. Em particular, dou as boas-vindas ao Coro Primacial da Catedral de Gniezno, na Polónia; bem como aos seminaristas e aos superiores do Pontifical North American College; e aos jovens de Bormio e de Valfurva.
Desejo a todos um bom domingo!
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