domingo, 2 de agosto de 2026
São Francisco e a Porciúncula: Saiba como obter a indulgência plenária hoje e amanhã
Igreja da Porciúncula em Assis | São Francisco de AssisPor Redação central
1 de ago de 2026 às 00:15
Todos os anos, os fiéis que visitarem uma igreja franciscana em qualquer lugar do mundo entre o meio-dia de hoje (1º) e o fim do dia 2 de agosto podem obter a indulgência plenária da Porciúncula.
Para isso, além da visita à igreja, é necessário cumprir as condições habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do papa.
O irmão Gonzalo Cateriano, ex-provincial dos franciscanos capuchinhos no Peru, disse à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN News, que o Perdão de Assis expressa o "grande desejo de são Francisco de Assis de que todas as almas se salvem" e de que os fiéis recebam "com piedade e devoção" a indulgência, cumprindo as disposições da Igreja.
O frade disse que "antigamente era muito difícil que a Igreja concedesse indulgências" já que só se obtinham em peregrinação a alguns lugares como Terra Santa e, portanto, foi um grande presente que são Francisco obteve por seu amor às almas.
"Agora o Perdão de Assis pode ser obtido em todas as igrejas franciscanas do mundo desde a véspera da festa central", disse.
A concessão da Indulgência da Porciúncula se deu em 1216, quando são Francisco partiu para Perusa junto de outro frade para ver o papa Honório III, depois de uma aparição do próprio Cristo e de Nossa Senhora rodeados de anjos na capela de Santa Maria dos Anjos, em Assis.
Nesta aparição, o santo pediu ao Senhor que concedesse uma indulgência a quantos visitassem a Igreja dedicada à Virgem sob a devoção de Nossa Senhora dos Anjos. Segundo o relato, Cristo acolheu o pedido e orientou Francisco a procurar o papa para obter a aprovação da indulgência. Honório III concedeu o pedido.
Em 1966, por ocasião dos 750 anos da concessão da indulgência da Porciúncula, o papa Paulo VI publicou a carta apostólica Sacrosancta Portiunculae ecclesia. Na carta, ele pede que "a instituição desta indulgência seja celebrada de maneira que verdadeiramente a Porciúncula seja aquele lugar santo onde se consegue o perdão total e se faz estável a paz com Deus".
Referindo-se às peregrinações que os fiéis realizam para o lugar, disse: "Queira Deus que a peregrinação, transmitida durante séculos, à igreja da Porciúncula, que Nosso mesmo Predecessor João XXIII empreendeu com ânimo piedoso, não termine mas que cresça continuamente a multidão de fiéis que acodem ali ao encontro com Cristo rico em misericórdia e com sua Mãe, que intercede sempre perante ele".
A pequena igreja conhecida como Porciúncula que são Francisco de Assis dedicou a Santa Maria dos Anjos, encontra-se dentro da grande Basílica que leva o mesmo nome desta devoção mariana. A basílica data dos séculos XVI e XVII.
Esta igreja foi a segunda morada do santo e de seus primeiros irmãos, assim como o lugar onde na tarde de 3 de outubro de 1226, são Francisco morreu. Este também foi o lugar, onde no domingo de Ramos de 1211 São Francisco recebeu a consagração da santa Clara, dando origem à ordem das clarissas.
(acidigital)
Por que a Porciúncula é importante na vida de são Francisco e da Igreja
Quadro “São Francisco na Porciúncula” | Cortesia: Museu São Francisco, Santiago, ChilePor Redação central
1 de ago de 2026 às 02:00
Todos os anos, em 2 de agosto, os fiéis do mundo podem receber a indulgência plenária da Porciúncula, também conhecida como “Perdão de Assis”, concedida pela Igreja em 1216 a pedido de são Francisco de Assis.
A Porciúncula é uma pequena capela dentro da Basílica de Nossa Senhora dos Anjos, em Assis, na Itália, e integra o conjunto “Assis, Basílica de São Francisco e outros sítios franciscanos”, inscrito pela Unesco como Patrimônio Mundial. O lugar tem grande importância para a história e a espiritualidade franciscanas.
1. Deu origem à Ordem Franciscana
São Francisco descobriu sua vocação e viveu parte de sua vida na pequena capela, que estava deteriorada e havia sido cedida pelos beneditinos.
O bispo de Iquique, no Chile, dom Isauro Covili, franciscano, disse à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN News, que são Francisco considerava o lugar “uma pequena porção do céu na terra”. Por isso, decidiu reconstruir a capela com a ajuda de outras pessoas e de leprosos.
“Esse lugar constitui o início da ordem franciscana, da vida evangélica de São Francisco e de Santa Clara”, disse dom Isauro Covili.
“São Francisco sempre se preocupou para que os irmãos que habitavam no local fossem os mais virtuosos”, pois considerava a Porciúncula “um lugarzinho onde o céu se fazia presente”, disse o bispo.
2. As almas encontram o perdão
Segundo a tradição franciscana, em 1216, enquanto são Francisco rezava na Porciúncula pelos pecadores e pela salvação das almas, Cristo e a Virgem Maria apareceram a ele rodeados por anjos.
O santo pediu a indulgência para todos os que visitassem a capela. Depois, procurou o papa Honório III, que concedeu a autorização eclesial.
“Esta indulgência representa a vida penitencial que é um retorno permanente a Deus, é voltar-se a Deus desde as entranhas, desde o amor de Deus, do próprio Jesus que fala e ama muito”, disse dom Isauro Covili.
“Uma indulgência é uma experiência profunda de espiritualidade e de perdão. E esta foi pedida por São Francisco para a Igreja e todos os que quisessem reparar situações pessoais e comunitárias, e experimentar o amor de Deus que repara e que purifica o coração”.
3. Convida a renovar a missão
A Porciúncula é uma reivindicação à vida e à dignidade humana. É um lugar onde são Francisco viveu o Evangelho de Jesus. E, estando ali, enviou os primeiros irmãos em missão”, disse dom Isauro Covili.
“Esta é uma festa que nos remete a voltar a Jesus Cristo, ao Evangelho, ao essencial, abraçar o pobre, o excluído, é uma festa que tem relação com a fraternidade, a comunhão e o diálogo”.
“É uma oportunidade para que a Igreja se renove a partir do encontro com a Palavra e a partir do anúncio missionário”, disse o bispo.
4. Dá valor à mulher
Santa Clara, incentivada por são Francisco em sua vida espiritual, foi à Porciúncula em 1212 para consagrar sua vida a Deus.
Naquele mesmo ano, surgiu a segunda ordem franciscana, conhecida como Ordem de Santa Clara ou ordem das clarissas.
A amizade, a fraternidade e a orientação de são Francisco na vida de santa Clara são uma expressão do “valor do feminino que hoje nos desafia a reconhecê-lo e incorporá-lo como expressão real na vida da Igreja”, disse dom Isauro Covili.
A festa da Porciúncula “faz muito bem à Igreja” por ser uma “oportunidade de se renovar a partir do essencial, é um retorno para Jesus Cristo, para uma vida mais profunda, uma Igreja mais da comunhão, do anúncio missionário”, concluiu
Papa exorta fiéis a abençoar a mesa como testemunho de fé no dia a dia
Por Victoria Cardiel
2 de ago de 2026 às 13:14
O papa Leão XIV encorajou os fiéis hoje (2), na oração do Ângelus, a redescobrirem a bênção da mesa como uma simples expressão de fé e como um modo concreto de transmitir a “beleza” da Eucaristia na vida diária.
“Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar a sua beleza nos nossos gestos cotidianos, a começar pela bênção da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos”, disse o papa da varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano, onde retomou a oração mariana depois de concluir três semanas de repouso de verão em Castel Gandolfo, Itália.
Em sua reflexão, Leão XIV falou sobre o relato evangélico da multiplicação dos pães e peixes, proclamado na liturgia de hoje, e disse que as ações de Jesus Cristo revelam o profundo significado de Sua missão salvífica. O papa disse: "São gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que Ele traz ao mundo”.
Leão XIV disse que Cristo não só fez milagres extraordinários, mas, por meio deles, anunciou a proximidade do Reino de Deus. “O Senhor é recordado como Aquele que dá sentido à vida, libertando-a do mal e do pecado”, disse o papa. “Ao dar vista aos cegos e audição aos surdos, Cristo não apenas realiza atos milagrosos, mas também anuncia a todos que o Reino de Deus está próximo”.
O papa disse que o Evangelho mostra como Jesus Cristo transforma a existência humana de modo integral. Leão XIV disse que o texto bíblico de hoje "testemunha que Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos".
Encontro com Cristo, “uma experiência nutritiva”
O papa disse que a multiplicação dos pães é uma imagem eloquente do encontro com Cristo. “O episódio da multiplicação dos pães significa que o encontro com o Senhor é uma experiência nutritiva”, disse ele. “No deserto, ou seja, no lugar da nossa necessidade, Cristo é o pão da vida”.
Sobre isso, Leão XIV disse que o Senhor responde aos anseios mais profundos do coração humano. “Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida”. O papa disse também que o milagre transmite uma lição fundamental sobre solidariedade e partilha.
Em contraste com a lógica do egoísmo, Leão XIV falou sobre os riscos de uma cultura centrada na acumulação. "Seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado".
Em contrapartida, o papa disse que "a acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância".
Leão XIV definiu-a como uma “doença da alma” que “faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede”.
O papa falou também sobre as contradições de um mundo marcado por profundas desigualdades e conflitos: “E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”.
Falando sobre o contexto atual de guerras e tensões internacionais, Leão XIV convidou a todos a contemplar o milagre da multiplicação dos pães como uma manifestação da caridade divina. “Nesse milagre da caridade, reconhecemos os gestos característicos de Jesus, que encontram na Última Ceia o seu ápice”, disse o papa.
Por fim, Leão XIV disse que até mesmo as férias podem ser uma oportunidade para viver a fraternidade e cuidar dos mais necessitados. “Na companhia de Jesus, também as férias podem tornar-se um tempo de serenidade fraterna, envolvendo aqueles que, ao nosso lado, se encontram em necessidade”, disse ele.
(acidigital)
Angelus, 2 de agosto de 2026 - Papa Leão XIV
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 2 de agosto de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Quando ouvimos o Evangelho, frequentemente escutamos falar dos sinais realizados por Jesus: são gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que Ele traz ao mundo. O Senhor é recordado como Aquele que dá sentido à vida, libertando-a do mal e do pecado.
Ao dar a visão aos cegos e a audição aos surdos, Cristo não se limita a realizar milagres, mas anuncia a todos que o Reino de Deus está próximo. Por isso, o Evangelho de hoje (Mt 14,13-21) testemunha que Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos. A quem era surdo e passa a ouvir, o Senhor dirige a Boa Nova para ser ouvida; a quem era cego e passa a ver, mostra a esplêndida obra da redenção que é realizada por Ele. Da mesma forma, Jesus dá aos que têm fome o alimento para comer: o episódio da multiplicação dos pães significa que o encontro com o Senhor é uma experiência nutritiva. No deserto, ou seja, no lugar da nossa necessidade, Cristo é o pão da vida. Com Ele, o essencial é abundante: «Todos comeram e ficaram saciados»; e, com o que sobrou, «encheram doze cestos» (v. 20). Este número realça que a dádiva do Senhor é universal e que a sua providência para conosco nunca falha.
Caríssimos, Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida. Ao mesmo tempo, o seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado. A acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância. Esta doença da alma faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede. E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz.
No deserto da guerra e da arrogância, observemos com que benevolência o Senhor «ergueu os olhos ao céu», «pronunciou a bênção», «partiu os pães e deu-os» aos seus discípulos, para que os distribuíssem à multidão (cf. v. 19). Neste milagre da caridade, reconhecemos os gestos característicos de Jesus, que encontram na Última Ceia o seu ápice. Com efeito, nessa ocasião o Filho de Deus entrega-nos a sua própria vida, como nosso irmão na humanidade. Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar a sua beleza nos nossos gestos quotidianos, a começar pela bênção da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos. Na companhia de Jesus, também as férias podem tornar-se um tempo de serenidade fraterna, envolvendo aqueles que, ao nosso lado, se encontram em necessidade.
Peçamos, portanto, à Virgem Maria, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade, para que a ninguém falte o pão de cada dia.
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Depois do Angelus:
Queridos irmãos e irmãs,
Acompanho com preocupação a situação alarmante em Ceuta, pedindo a Deus, por intercessão de Nossa Senhora de África, que se possam encontrar soluções de paz, estabilidade e justiça.
Continuemos a rezar pela paz, para que cessem as guerras no mundo e se encontrem soluções diplomáticas para os conflitos. Recordemos todas as vítimas das hostilidades, sobretudo os mais fracos e indefesos: crianças, idosos, doentes. Que o Senhor conforte os que sofrem e abençoe a obra de quem presta ajuda e consolo.
Nestes dias celebra-se o “Perdão de Assis”. São Francisco obteve esta Indulgência do Papa Honório III, em 1216, inspirado por uma visão de Jesus e de Maria, rodeados pelos Anjos, enquanto orava na Porciúncula. Demos graças ao Senhor por este grande dom e valorizemo-lo, especialmente no oitavo centenário do “Trânsito” do Poverello de Assis, que faleceu precisamente na Porciúncula, a 3 de outubro de 1226.
Saúdo-vos a todos, romanos e peregrinos vindos de vários países: em particular os “jovenzinhos” das paróquias de Saccolongo e Creola (Pádua), os jovens da paróquia de São João Bosco em Altamura e os rapazes da Colaboração Pastoral de Castelfranco Veneto, acompanhados pelos seus sacerdotes e animadores.
Desejo a todos um bom domingo!
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sábado, 1 de agosto de 2026
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Migrantes continuam a chegar a Ceuta vindos a nado do Marrocos
Stefano Leszczynski, Silvonei José – Vatican News
O enclave espanhol de Ceuta, na costa norte do Marrocos, volta a ser o centro da pressão migratória. Após alguns dias de chegadas contínuas, somente nesta quinta-feira (30/07), centenas de pessoas cruzaram a fronteira, somando-se aos cerca de 1.500 a 2.000 migrantes que já haviam chegado nos dias anteriores. Trata-se do maior afluxo registrado na cidade autônoma desde maio de 2021, quando mais de 10.000 pessoas chegaram ao território espanhol em apenas dois dias. Entretanto, a Guarda Civil informou que o número de corpos de migrantes mortos na tentativa de alcançar a nado o território espanhol e recuperados no mar subiu para 18.
Centenas de jovens migrantes, muitos deles menores de idade, passaram a noite em parques da cidade, em gramados ou na entrada de estacionamentos públicos, transformando a cidade autônoma em um dormitório a céu aberto, com o sistema de acolhimento à beira do colapso.
Também no amanhecer desta sexta-feira (31/07), dezenas de pessoas continuaram a se lançar ao mar para chegar a nado ao enclave, enquanto por terra colunas de migrantes tentam cruzar a fronteira na zona industrial do Tarajal, segundo as imagens transmitidas ao vivo pela emissora TVE.
Depois de mobilizar unidades do Exército para lidar com a emergência, O primeiro-ministro Pedro Sánchez, estará nesta sexta-feira na cidade autônoma, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Do Marrocos a nado
Muitos migrantes chegaram a Ceuta a nado ou usando colchões infláveis, enquanto outros passaram pelo posto de fronteira. Muitos comemoraram a chegada com manifestações de alegria, saudando a Espanha como destino de uma longa jornada na esperança de um futuro melhor.
A nova onda de chegadas colocou rapidamente sob pressão as estruturas de acolhimento. O presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, falou de uma situação de “absoluta emergência humanitária e social”, explicando que os centros destinados aos migrantes já estão superlotados. Segundo as autoridades locais, nos últimos dias mais de 1.500 pessoas desembarcaram por via marítima, com uma média de cerca de 200 chegadas diárias. Entre elas, há também vários menores. Enquanto isso, centenas de outras pessoas se reuniram na vizinha cidade marroquina de Fnideq, tentando chegar a Ceuta por mar ou escalando a barreira da fronteira. De acordo com alguns depoimentos coletados no local, a concentração de migrantes teria sido favorecida pela disseminação de boatos sobre a abertura da fronteira.
Madri prepara os repatriamentos
O governo espanhol anunciou ter chegado a um acordo com as autoridades marroquinas para proceder “o mais rápido possível” ao repatriamento das pessoas que entraram irregularmente no enclave. O primeiro-ministro Pedro Sánchez garantiu o total empenho do governo na gestão da emergência, mobilizando todos os recursos disponíveis e reforçando a coordenação com Rabat e com os organismos internacionais. O Ministério do Interior atribuiu, além disso, as entradas em massa à ação das redes de traficantes de pessoas, reiterando que a cooperação entre a Espanha e o Marrocos em matéria de migração permanece sólida.
Uma fronteira estratégica entre a Europa e a África
Ceuta, juntamente com Melilla, representa a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. É justamente essa localização que a torna um dos principais pontos de tensão ao longo das rotas migratórias rumo à Europa. A última grande crise remonta a 2021, em pleno período de tensões diplomáticas entre a Espanha e o Marrocos sobre a questão do Saara Ocidental. Desde então, as relações bilaterais foram progressivamente restabelecidas, mas as novas chegadas mostram o quanto a gestão dos fluxos migratórios continua sendo um desafio em aberto, no qual se entrelaçam as necessidades de segurança, cooperação internacional e proteção das pessoas mais vulneráveis.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Tráfico Humano, Rede Talitha Kum: restaurar a esperança das vítimas
Poliana Ferreira – Vatican News
Atualmente, mais de 50 milhões de pessoas mundialmente estão vivendo em situações de escravidão moderna. Além disso, aproximadamente 236 bilhões de dólares são gerados ilegalmente por conta de tráfico de pessoas e exploração.
Para contrastar essa realidade, nasceu a Rede Talitha Kum, criada pela União Internacional das Superiores Gerais (USG) e liderada por freiras e consagradas em todo mundo.
A Rede Talitha Kum, em 2025, teve um aumento de operação internacional, sendo 68 redes nacionais atuando em 113 países. Também, no mesmo ano, a Talitha Kum ajudou 1,2 milhão de pessoas no mundo todo, tendo assim um aumento significativo de 29,6% em relação a 2024, através de atividades preventivas, proteção e cuidado dos sobreviventes, iniciativas de acesso à justiça, esforços de defesa de direitos e parcerias internacionais
A prevenção é a maior área de atividade da Talitha Kum. Somente no ano passado, ajudou 928.972 pessoas, um aumento de 34,6% em comparação a 2024: 303.359 mulheres e meninas e 262.621 menores de 18 anos. Através de esforços para divulgar o assunto em diversos lugares, como por exemplo escolas, eventos comunitários, igrejas e clínicas, Irmãs e parceiros possibilitaram dados e ferramentas para reconhecer e evitar as ameaças do tráfico de pessoas.
Ademais, a iniciativa cuida também de proteção e cuidados para 27.329 sobreviventes através de abrigos seguros, auxílio médico e psicológico, parte jurídica, educação e capacitação profissional.
Para compreender melhor o projeto, a Irmã Neide Lamperti, brasileira, missionária Scalabriniana e coordenadora do Departamento de Migrantes, Refugiados e Tráfico Humano da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC) e intregrante da iniciativa Rede Talitha Kum, concedeu uma entrevista ao Vatican News por ocasião do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas.
Como a senhora descobriu a sua vocação, e como chegou até esse projeto?
Desde muito jovem senti o chamado de Deus para ser missionária e dedicar a minha vida ao serviço dos mais necessitados. Cresci em uma família que vivia fortemente os valores cristãos de solidariedade, respeito e compromisso com o próximo. Com o tempo, esse chamado foi amadurecendo, passou por um acompanhamento, discernimento e o ingresso na Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas. Há mais de três décadas vivo a minha vocação religiosa, procurando testemunhar o Evangelho através da missão junto aos migrantes, refugiados e pessoas em situação de vulberabilidade.
A minha missão levou-me a diferentes realidades do Brasil e 17 anos no continente africano, sobretudo em Angola e África do Sul, trabalhando nas respectivas Conferências Episcopais, coordenando os Departamentos de Migrantes, Refugiados e prevenção do Tráfico Humano. O contato com migrantes, refugiados, pessoas deslocadas à força nestes países, fez-me compreender a urgência de defender a dignidade humana e promover os direitos daqueles que são forçados a deixar as suas terras, casas, famílias em busca de segurança e uma vida melhor.
Foi precisamente o trabalho nas Conferências Episcopais que me levou a integrar a Rede Talitha Kum. Vi neste trabalho uma oportunidade concreta de trabalho em rede e de fortalecer a proteção, a integração e a esperança de milhares de pessoas em mobilidade. Participar deste projecto é uma das formas de responder ao chamado vocacional, colocando a fé em ação por meio do serviço, da defesa dos direitos humanos e do acompanhametno pastoral das pessoas mais vulneráveis e vitimas do trafico humano.
Como é a realidade do tráfico humano na área em que a senhora está presente?
África do Sul compreende uma realidade de Tráfico Humano muito complexa e preocupante. O país é considerado um dos países de origem, trânsito e destino para pessoas traficadas na África Austral, devido à sua economia relativamente mais forte, às extensas fronteiras terrestres e elevados fluxos migratórios provenientes dos países vizinhos.
Os traficantes exploram não somente os estrangeiros, mas igualmente, os cidadãos sul africanos em situação de vulnerabilidade, somando o número maior para mulheres, crianças e jovens, embora em menor número, os homens. Estes últimos são vítimas da exploração laboral.
Na África do Sul, as formas mais encontradas de tráfico humano são para a exploração sexual, especialmente mulheres e meninas, o trabalho forçado em setores agrícolas, construção, trabalho doméstico, pesca, restauração e mineração. Há a mendicidade forçada, onde a exploração maior afeta as crianças. É possível encontrar casamentos forçados e outras formas de exploração associadas a práticas culturais ou criminosas para atividades ilícitas.
Para ter uma idéia, dados do
Ministério da Justiça de 2024/2025 apresentam um total de 234 vítimas de
tráfico humano que foram resgatadas e assistidas durante este período
do ano financeiro, pelo governo sul africano. Destes, houve 23 processos
de tráfico humano concluídos com decisão judicial e 11 processos com
condenações, abrangendo um total de 146 acusações de tráfico de pessoas.
Estas condenações resultaram em 34 penas de prisão perpétua, 8
condenados com 20 anos de prisão e 2 condenados com 10 anos de prisao.
Já no ano financeiro 2025/2026 foram instaurados 32 novos processos
envolvendo 57 acusados. Continuam em andamento 67 processos envolvendo
156 acusados e 428 acusações. (Fonte: https://www.gov.za/sites/default/files/gcis_document/202606/54758gon7540.pdf?utm_source=chatgpt.com )
Embora parece que o número é alto, organizações internacionais afirmam que são apenas uma fração da realidade, porque o crime é oculto, alimentado pela pobreza, migração irregular, desigualdade e redes criminosas organizadas. Há ainda muito por fazer em termos de prevenção. Identificação e proteção das vítimas.
Por acaso, a senhora poderia contar alguma situação que já aconteceu?
Há um caso de uma menina de seis anos que levou à condenação três pessoas por tráfico humano, para fins de exploração e rapto. Todos receberam prisão perpétua.
Em setembro de 2025, sete cidadãos chineses foram condenados a 20 anos de prisão cada um, por tráfico de pessoas, trabalho forçado e exploração de 91 trabalhadores malawianos, incluindo crianças, numa fábrica em Johannesburgo.
A polícia sul-africana desmantelou uma rede internacional que recrutava mulheres da Tailândia com falsas promessas de empregos. Ao chegarem aqui, os passaportes eram confiscados e elas eram obrigadas a prostituir-se para pagar as suas dívidas de viagens. Eu conheci algumas delas em um abrigo bem seguro, para pessoas traficadas. Nosso departamento ofereceu ajuda financeira para apoios necessarios de recuperacao e traumas vivenciados, enquanto aguardam os processos da corte serem finalizados e por fim poderem regressar aos seus paises de origem.
Quais são os principais desafios enfrentados pela Talitha Kum no combate ao tráfico de pessoas em diferentes contextos culturais, econômicos e políticos?
Em cada região as formas de exploração assumem características diferentes, devido aos contextos culturais, políticos e econômicos. Em alguns países predomina a exploração sexual, outros o trabalho forçado, outros o tráfico de crianças ou casamento forçado e assim por diante. Isto torna-se um desafio porque a prevenção, a proteção e a incidência política precisa acontecer de forma segura, em redes de solidariedade para que se consiga resultados mais eficazes e duradouros.
Outro desafio que a Rede Talitha Kum enfrenta é a prevenção, ou seja, é preciso enfrentar as causas estruturais que favorecem o tráfico de pessoas: ajudar a combater a pobreza, a desiguladade, discriminação de gênero, migração insegura e irregular, corrupção, impunidade e sistemas de proteção frágeis. A prevenção e a educação acerca da problemática do tráfico humano junto aos jovens, nas escolas, comunidades, especialmente as mais vulneráveis é a melhor forma de impedir que o tráfico aconteça.
Há o desafio de ter mais recursos financeiros para fortalecer continuamente a formação dos membros e parceiros da Rede, adaptar os programas às necessidades da comunidade onde atua, trabalhar em estreita colaboração com dioceses, congregações religiosas, organizações da sociedade civil, autoridades públicas, organismos internacionais e outras tradições religiosas.
E como a organização adapta suas estratégias para responder a essas realidades?
O Departamento Migrantes, Refugiados e Trafico Humano da SACBC procurou adotar uma estratégia baseada na ação local e na colaboração interinstitucional. Há uma equipe central de apoio ao departamento composto por um grupo de pessoas de diferentes organizações e membros da Rede Talitha Kum, para a prevenção do Tráfico Humano em escolas, dioceses, vida consagrada, lideranças multi-religiosas, diocesanas, etc. A equipe tambem conta com apoio de Organizações Internacionais, governamentais e ONGs para as formações intensivas de líderes diocesanos e religiosos nas temáticas de prevencão e proteção das vítimas.
A prevencão é uma das principais prioridades. Da mesma forma acompanha casos e ajuda nas denúncias. O departamento investe fortemente na prevenção de campanhas de sensibilização, educação e formação. Especialmente junto de jovens, mulheres, migrantes e comunidades vulneráveis. Produzimos e distribuimos materiais informativos. Acreditamos que informar as pessoas sobre os métodos utilizados pelos traficantes é uma das formas mais eficazes de reduzir a vulnerabilidade e prevenir novos casos. O objectivo não é apenas conscientizar, mas transformar as comunidades em espaços de proteção e prevenção do tráfico de pessoas.
Através do Departamento, fortalecemos o trabalho da Rede Talitha Kum South Africa, envolvendo a rede nas diferentes atividades programadas e envolvendo a Vida Consagrada e os jovens embaixadores seja nos cursos de capacitação, tanto nas atividades de prevenção.
Procuramos trabalhar em redes, em parcerias com uma abordagem que procura colocar a dignidade da pessoa humana no centro. Não trabalhamos apenas para combater o crime, mas para restaurar a esperança das vítimas, promover a sua reintegração e enfrentar as profundas causas que tornam tantas pessoas vulneráveis ao tráfico humano.
Considerando os avanços tecnológicos e o uso das redes sociais por organizações criminosas, quais estratégias inovadores a Talitha Kum pode adotar para identificar riscos, prevenir o aliciamento e ampliar a proteção das populações mais vulneráveis?
Uma das estratégias é investir na prevenção digital. Uma espécie de alfabetização digital pode tornar-se uma das formas de proteção. Não basta dizer que o tráfico existe, é necessário ensinar as crianças, jovens, migrantes e famílias a reconhecer sinais de riscos nos ambientes digitais.
A rede Talitha Kum precisa trabalhar a prevenção onde estão os jovens: nas redes sociais, em pequenos vídeos, podcasts, campanhas digitais e conteúdos produzidos numa linguagem acessível e adaptadas às diferentes culturas e faixas etárias.
O tráfico humano é transnacional e a resposta também precisa estar ao mesmo nível. Ou seja, a Rede Talitha Kum poderia criar uma rede transnacional de monitorização e alerta, e através dela, as redes nacionais podem partilhar informações sobre as novas modalidades de recrutamento, rotas, perfis utilizados pelos traficantes. Seria uma ferramenta da inteligencia artificial que ajuda a antecipar riscos e adotar campanhas de prevenção. Esta mesma rede pode ter uma plataforma para analisar dados, identificar na rede anúncios suspeitos e redes organizadas que atuam no espaço digital. É evidente que estas tecnologias devem ser utilizadas em parcerias com universidades, especialistas e empresas tecnológicas que repeitem a privacidade, os direitos humanos e a proteção de dados.
Ajudar os jovens, sobretudo os Jovens Embaixadores a não serem apenas utilizadores das redes sociais, mas tornarem-se os agentes de prevenção. Eles usam a mesma linguagem dos demais jovens e comunicam-se de uma maneira em que a mensagem chega de maneira mais eficaz.
Por fim, a Rede Talitha Kum pode responder aos desafios da era digital combinando inovação tecnológica, cooperação internacional, educação digital, protagonismo juvenil e presença comunitária. Mas não se pode esquecer que a tecnologia pode oferecer novas ferramentas, mas a missão permanece a mesma, que é proteger a dignidade humana, prevenir a exploração e construir uma cultura em que nenhuma pessoa seja tratada como uma mercadoria.
Ir. Neide Lamperti - Missionária Scalabriniana
Coordenadora do Departamento de Migrantes, Refugiados e Trafico Humano da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral – SACBC
Leão XIV: amo dos EUA a liberdade e o acolhimento de pessoas do mundo inteiro
Edoardo Giribaldi – Vatican News
O sentido de liberdade, das oportunidades e o fato de, ao longo das gerações, ter acolhido pessoas vindas de todas as partes do mundo para fazerem parte de uma única nação. Esse é o aspecto mais profundo dos Estados Unidos da América que mais toca o coração do Papa Leão XIV, como emerge da entrevista concedida às emissoras NBC e Telemundo ao término do encontro de oração Cântico de Paz, realizado nesta quarta-feira, 29 de julho, no Borgo Laudato si', nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo, acompanhado pelas vozes de Andrea Bocelli e do coro ABF Voices. O Pontífice também manifestou o desejo de visitar seu país natal e voltou a abordar a questão dos migrantes, exortando-os a não perderem a esperança e a viverem “de maneira ordenada”.
As crianças podem ensinar muito
Crianças provenientes de diferentes partes do mundo e pertencentes a diversas religiões, unidas pela beleza do canto e da música. O cenário proporcionado pelo Cântico de Paz representou, na visão do Papa, um convite a “olhar além” e a reconhecer a beleza que nasce — e da qual todos podem participar — “quando deixamos de lado algumas diferenças e reconhecemos a riqueza representada por cada ser humano, todos criados à imagem de Deus”. Leão XIV recordou ainda alguns trechos das orações recitadas pelas crianças, que dirigiam aos adultos uma pergunta tão simples quanto desarmante: “Por que existe a guerra e não a paz? Por que existe o ódio e não o amor?”.
“Acredito que as crianças podem nos ensinar muito e que precisamos redescobrir os valores, o tesouro que existe no ser humano, no fato de sermos todos irmãos e irmãs, percebendo que todos podemos realmente participar de uma sociedade que ama a paz, que busca a paz, que acolhe uns aos outros apesar das diferenças. Se todos trabalharmos para construir a paz, poderemos superar tantas situações que geram conflito e ódio.”
Primeiro Papa americano
A entrevista volta-se, em seguida, para a importância de Robert Francis Prevost ser o primeiro Pontífice proveniente dos Estados Unidos. Diante dessa consideração, o Bispo de Roma faz uma ressalva: “Penso em mim antes de tudo como o Papa que, apenas por circunstância, é americano.” Não se trata de diminuir o valor de sua pátria, pela qual o Pontífice afirma nutrir “um grande amor”, mas de reafirmar sua missão como “pastor da Igreja universal”, com uma voz e uma oportunidade de diálogo voltadas ao mundo inteiro.
“Por isso coloco as coisas nessa ordem e, ao mesmo tempo, reconheço que, tanto para mim quanto para o povo dos Estados Unidos, a julgar pela reação que vimos desde 8 de maio do ano passado, ser o primeiro Papa americano tem um grande significado.”
O sentido de liberdade e de oportunidade
Questionado sobre aquilo de que mais ama nos Estados Unidos, Leão XIV revela apreciar sobretudo os princípios que o país representa.
“Aquilo que a América representa: o sentido de liberdade, o sentido de oportunidade, o fato de, por gerações, ter convidado pessoas de todas as partes do mundo a fazerem parte da América.”
A riqueza dos Estados Unidos
O próprio Prevost recorda que, por parte dos avós, descende de uma família de imigrantes, enquanto, pelo lado materno, “há pessoas que foram tanto escravizadas quanto proprietárias de escravos”.
“Existe uma história, por assim dizer, de crescimento, e esse tipo de experiência me ajuda a reconhecer uma das maiores riquezas dos Estados Unidos. E continuo a defender os princípios que, durante tantos anos, fizeram parte da identidade americana, e isso continuará.”
“Vocês me verão lá”
Durante seu pontificado, Leão XIV dirigiu numerosas mensagens a diferentes realidades de seu país. Questionado sobre uma possível visita aos Estados Unidos, o Papa não escondeu o desejo de ir pessoalmente, para testemunhar com ainda “maior força” seu compromisso em favor da paz, do amor e do esforço comum para construir a harmonia.
“Vocês me verão lá. Por coincidência, justamente hoje estávamos olhando o calendário para os próximos dois anos. Ainda não há nada definitivo, mas espero sinceramente poder ir em breve.”
Que os migrantes tenham esperança
O pensamento conclusivo do Pontífice foi dirigido aos migrantes.
“Tenham esperança. Procurem, certamente, viver de maneira ordenada. É preciso reconhecer que, se alguém cometeu delitos ou crimes, não se pode construir uma sociedade dessa forma. Portanto, devemos aprender a viver em paz, mas também precisamos ter coragem e esperança, que sempre nos sustentem.”
Arcebispo defende mesquita nos EUA e critica ‘sentimento anti-muçulmano’
Por Tyler Arnold
29 de jul de 2026 às 16:05
O arcebispo de Santa Fé, Novo México, EUA, John Charles Wester, manifestou apoio ao plano de um grupo muçulmano para construir uma mesquita nos arredores de Albuquerque, que enfrenta alguma resistência da comunidade.
O Centro Islâmico de Albuquerque recebeu aprovação para a mesquita em North Valley numa votação de cinco a um pela comissão de planejamento do Condado de Bernalillo em 1º de julho. A audiência durou cerca de cinco horas, com comentários da comunidade, e a comissão acabou aprovando a mesquita, mas não a escola proposta, para manter o projeto menor e o tráfego previsto mais leve.
Na última segunda-feira (27), Wester divulgou uma declaração de seis parágrafos em apoio ao projeto, dizendo que os muçulmanos têm o direito de ter acesso a serviços religiosos e que a liberdade religiosa vai além dos cristãos.
Em sua declaração, o arcebispo disse ter ouvido “preocupações dos moradores” sobre a mesquita planejada e sentiu-se “compelido a falar de forma clara e pastoral” sobre a tensão.
“Nossos vizinhos muçulmanos têm o mesmo direito, dado por Deus e protegido constitucionalmente, de praticar sua religião livremente, assim como todas as outras comunidades religiosas, inclusive a nossa”, disse ele, citando a declaração do Concílio Vaticano II sobre a liberdade religiosa, Dignitatis Humanae.
O concílio “disse que toda pessoa deve estar livre de coerção em matéria de fé”, disse ele. “Esse princípio se aplica universalmente. Não se limita a católicos ou cristãos; estende-se plenamente a muçulmanos, judeus e a todas as pessoas que buscam praticar sua fé segundo sua consciência. Apoiar a construção de uma mesquita é, assim, totalmente coerente com nossa própria tradição e compromissos morais”.
“O medo do outro não é uma virtude cristã”, disse. “A hospitalidade, sim. Nossos irmãos e irmãs muçulmanos têm enfrentado discriminação e hostilidade em muitas partes do país. Quando esse preconceito surge, os católicos são chamados a estar ao lado deles, não à parte. Apoiar o direito deles de construir uma mesquita é um modo concreto de afirmar sua dignidade e rejeitar as forças que buscam marginalizá-los”.
Ibrahim Hooper, diretor nacional de comunicações do Conselho de Relações Americano-Islâmicas, recebeu com satisfação o apoio do arcebispo em comunicado.
“Recebemos com satisfação a declaração de princípios do arcebispo Wester em defesa da liberdade religiosa e agradecemos-lhe por se manifestar”, disse Hooper. “A liberdade de culto é um direito fundamental e inalienável de todos os americanos e de todos os seres humanos”.
Wester incentivou o “respeito, o diálogo e a coexistência pacífica” entre pessoas de diferentes crenças religiosas. Ele disse: “Não precisamos compartilhar as mesmas crenças para compartilhar a mesma vizinhança. O que precisamos é da disposição para ouvir, aprender e reconhecer o rosto de um vizinho, e não de um estranho”.
O arcebispo disse que as relações inter-religiosas “enriquecem nossa vida cívica e fortalecem o tecido social do qual todos dependemos” e criticou o “sentimento anti-muçulmano”.
“Qualquer hostilidade contra os muçulmanos — seja expressa por meio de retórica, suspeita ou oposição aos seus locais de culto — é incompatível com o Evangelho de Jesus Cristo, que nos ordena a amar o nosso próximo sem exceção”, disse Wester.
(acidigital)
quarta-feira, 29 de julho de 2026
terça-feira, 28 de julho de 2026
Hoje é celebrado são Pedro Poveda, padre fiel, mártir da guerra civil espanhola
São Pedro Poveda | ACI DigitalPor Redação central
28 de jul de 2026 às 00:01
Hoje (28), a Igreja Católica celebra são Pedro Poveda Castroverde, padre, educador, escritor e fundador da Instituição Teresiana. O padre Poveda foi assassinado por ódio à fé durante a guerra civil espanhola.
Pedro José Luis Francisco Javier Poveda Castroverde nasceu em Linares, Jaén, Espanha, em 3 de dezembro de 1874. Ingressou no seminário em sua cidade natal e concluiu seus estudos em Guadix, onde foi ordenado sacerdote em 1897.
A vida sacerdotal de são Pedro Poveda se caracterizou por seu intenso trabalho humanístico e pedagógico, tanto dedicado à educação dos mais necessitados quanto à formação de leigos comprometidos com os valores cristãos. Participou também na assistência aos peregrinos da Igreja Colegial de Covadonga, Astúrias, enquanto exercia ali o cargo de cônego, em 1906..
Estendendo a cultura cristã
A partir de 1911, padre Poveda dedicou-se à fundação de academias e centros pedagógicos que mais tarde formariam o que é conhecido como Instituição Teresiana.
A Instituição Teresiana é uma associação internacional de profissionais leigos católicos dedicados à promoção de centros educativos de diferentes níveis (escolas e universidades), centros culturais, centros de assistência social e editoras. A Instituição Teresiana tem a aprovação pontifícia concedida pelo papa Pio XI, em 11 de janeiro de 1924.
Sacerdote prudente e audacioso, pacífico e aberto ao diálogo com todas as posições, padre Poveda teve de enfrentar os tempos sombrios da guerra civil espanhola, no contexto do qual ocorreu uma terrível perseguição contra os católicos.
Em primeiro lugar: padre
O padre Poveda foi preso em 27 de julho de 1936 em sua casa em Madri, situada na rua Alameda nº 8. Horas depois, na madrugada de 28 de julho, entregou sua vida por causa fé. Ele foi fuzilado no Cemitério da Almudena.
“Eu sou um sacerdote de Cristo”, disse o santo em voz alta, repetidas vezes, para aqueles que o detiveram e o conduziram ao sacrifício.
São Pedro Poveda Castroverde foi canonizado pelo papa são João Paulo II em 4 de maio de 2003, durante a visita do papa polonês à Espanha.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
domingo, 26 de julho de 2026
Angelus 26 de julho de 2026 - Papa Leão XIV
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 26 de julho de 2026
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Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
No centro do ensinamento de Jesus está o mistério do Reino de Deus, que o Evangelho de hoje compara a uma pérola e a um tesouro (cf. Mt 13, 44-52). As parábolas dão a entender a surpresa de quem encontra algo que nem sequer podia esperar, a tal ponto que vender ou deixar tudo já não aparece como uma renúncia, mas sim como um ganho. Na verdade, os evangelistas, desde as primeiras páginas, descrevem como irresistível o chamamento de Jesus a segui-l’O: livre, certamente, mas urgente e capaz de suscitar uma resposta imediata e movida pelo desejo. Este é um primeiro e importante aspeto do modo como Deus está próximo e se deixa encontrar: o encontro com o Seu Reino é uma reviravolta que não restringe, mas alarga a vida. Se algo tem agora de mudar, é para trazer mais possibilidades, não menos.
Há um segundo aspeto ao qual Jesus parece dar muita importância: quem encontra o tesouro escondido no campo é provavelmente um agricultor; a pérola, por sua vez, é reconhecida como sendo de grande valor por um negociante, talvez um viajante. Seguem-se outras duas parábolas, nas quais os protagonistas são pescadores e um escriba entendido em coisas velhas e novas. Existem outras, ainda, em que o Reino se deixa vislumbrar numa mulher que amassa a farinha, noutra que arruma a casa, num rei que prepara a guerra, num homem que projeta construir uma torre, em administradores que gerem pagamentos ou investimentos, em pastores e agricultores. O Reino de Deus, em suma, revela a sua beleza inestimável de diversas formas, mas chama todos – homens e mulheres, jovens e idosos, pobres e ricos – a uma profunda renovação. Todos podem compreendê-lo e são atraídos por ele.
Também hoje a Igreja é uma comunhão de pessoas diferentes quanto à sua origem, à cultura, às competências e ao nível de responsabilidade, mas todas chamadas a reconhecerem-se como “um” em Jesus Cristo: é Ele o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede que recolhe os dispersos. Com efeito, desde o princípio, Jesus chamou e reuniu em torno de si pessoas que, de outro modo, nunca se teriam relacionado. Precisamente assim demonstrou que Deus não faz distinção de pessoas e que a sua eleição é predileção, especialmente por quem é pequeno e rejeitado.
Irmãos e irmãs, só nos resta pedir um dom, o mesmo que o jovem rei Salomão invocou (cf. 1 Reis 3, 5.7-12). É o dom de distinguir a pérola de grande valor, de saber reconhecer o tesouro pelo qual vale a pena vender tudo. Enquanto a indústria do consumo nos altera o paladar, suscitando sempre novas necessidades para depois nos vender respostas que não saciam e, por vezes, envenenam o coração, temos de aprender a perceber o que realmente importa, o tesouro da relação com Deus, que nos abre à alegria e ajuda a viver da melhor maneira as relações entre nós.
Que a intercessão de Maria, Sede da Sabedoria, oriente para Jesus o nosso desejo de vida, para que se realize em plenitude.
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Depois do Angelus:
Queridos irmãos e irmãs,
Ontem, no Líbano, foi beatificado Elia Hoayek, Patriarca de Antioquia dos Maronitas de 1899 a 1931 e Fundador da Congregação das Irmãs Maronitas da Sagrada Família. Com grande dedicação e sensibilidade pastoral, ele guiou a Igreja Maronita por mais de trinta anos. Homem de diálogo e de esperança, foi uma luminosa referência eclesial, social e política, a ponto de ser chamado “Pai do Grande Líbano”. Que a oração e a intercessão do novo Beato acompanhem sempre os fiéis maronitas em todo o mundo e alcancem o dom da paz para o povo inteiro do Líbano, que me é tão querido.
Acompanho com apreensão o prolongamento e o agravamento da violência na Terra Santa, da qual ultimamente foram vítimas também muitos civis, na Cisjordânia e em Gaza. Dirijo um sentido apelo para que se volte a negociar uma equitativa solução política, baseada na mesma dignidade e nos iguais direitos de toda a pessoa humana, e a rejeitar novas ações militares e decisões unilaterais, em particular aquelas que violam o respeito e o status quo dos lugares sagrados de cada religião.
Renovo também o meu apelo relativo à situação em todo o Médio Oriente, onde a intensificação das operações militares trouxe de volta a violência e a destruição, colocando gravemente em risco a vida de numerosos civis e agravando a escassez de água potável e de eletricidade. Do fundo do coração, exorto as partes envolvidas a suspender os ataques e a reabrir, com urgência, espaços de diálogo e diplomacia, para alcançar o mais rapidamente possível a paz, tão desejada pela inteira região.
Continuemos a rezar por todos os povos que, no mundo, sofrem por causa da guerra. O Senhor toque os corações e ilumine as mentes dos responsáveis, para que se chegue em breve à reconciliação e à paz.
Manifesto a minha proximidade diante dos devastadores incêndios que, nestes dias, afetaram várias localidades em França e na Espanha, e convido todos a rezarem pelas pessoas atingidas e pelo trabalho dos socorristas.
Hoje celebra-se o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que tem como tema as palavras do Profeta Isaías: «Eu nunca te esquecerei» (Is 49, 15). Agradeçamos juntos ao Senhor pelo dom que os idosos são para a Igreja e a sociedade, e comprometamo-nos a respeitar e valorizar a sua preciosa função, garantindo-lhes sempre a devida atenção e assistência.
Saúdo afetuosamente todos aqui presentes, residentes e vindos de várias partes da Itália e do mundo!
Dirijo uma saudação especial de boas-vindas aos peregrinos pertencentes à Obra da Igreja e aos bispos que os acompanham. As boas-vindas e a minha saudação às crianças provenientes da “Casa da Misericórdia” de Chortkiv, na Ucrânia, hóspedes na Paróquia de São Miguel Arcanjo de Nocera Superiore; aos adolescentes da Paróquia de Manerbio; aos participantes no Encontro Internacional de Jovens organizado por ocasião do bicentenário da morte de Santa Joana Antida Thouret; aos jovens peregrinos do movimento de estudantes católicos Önze-Lieve-Vrouw Ster-Der-Zee, de Maldegem, na Bélgica, bem como aos alunos da Scuola Allievi Carabinieri de Velletri, acompanhados pelo capelão e pelos seus oficiais.
Saúdo os membros da Catholic Men Association of Cameroon.
Dirijo-me em particular aos participantes na Festa dos Pêssegos de Castel Gandolfo, que vieram com os seus frutos para receberem a bênção.
Esta tarde, em Roma, no rio Tibre, terá lugar a procissão da Nossa Senhora “fiumarola”: que Maria, Mãe de Jesus, conceda aos participantes nesta bonita tradição e a todos nós a graça de viver cada dia segundo os ensinamentos do Evangelho!
E, de coração, desejo a todos vós um bom domingo!
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Dia dos Avós: transmitir a ternura de Deus a cada idoso
Sebastián Sansón Ferrari - Vatican News
Em uma sociedade marcada pela pressa, pela tecnologia e pelo culto à juventude, os idosos podem frequentemente sentir solidão ou a sensação de terem sido deixados de lado. Diante dessa realidade, a Irmã Rosa Parra, das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, convida a resgatar o valor da presença, da escuta e dos pequenos gestos de proximidade.
No âmbito do VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que este ano será celebrado neste domingo, 26 de julho, a religiosa destaca que a atenção aos idosos não pode se limitar ao atendimento de suas necessidades físicas. Implica também acompanhá-los em sua dimensão espiritual, reconhecer a dignidade e ajudá-los a viver essa etapa com fé e esperança.
Para a religiosa, este Dia Mundial, instituído pelo Papa Francisco em 2021 e confirmada pelo Papa Leão XIV, representa uma oportunidade para voltar o olhar para aqueles que podem ser esquecidos. As celebrações, as visitas aos doentes e as iniciativas promovidas pelas comunidades são, em sua opinião, uma forma concreta de lembrar que os idosos continuam fazendo parte da grande família da Igreja. “É sempre como uma lembrança”, observa ela. Para a religiosa, essa data permite “tirar a poeira” de realidades que, durante o resto do ano, podem ficar mais esquecidas.
Visitar, ouvir e acompanhar
Nesse contexto, a partir da Santa Sé, o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida convida as comunidades paroquiais e diocesanas a se dedicarem de maneira especial àqueles que vivem sozinhos, àqueles que passam os dias em centros de assistência e àqueles que não recebem visitas. Em comunicado, o prefeito e o próprio secretário, cardeal Kevin Farrell e Dario Gervasi, desejam que a data “seja para todos — e, em particular, para os mais jovens — uma ocasião concreta para ir ao encontro de seus próprios avós, dos idosos de sua família e, sobretudo, daqueles que não têm ninguém ao seu lado”.
Além disso, o Dicastério propõe algumas orientações pastorais para as visitas a pessoas que estão sozinhas: por exemplo, quem fizer essas visitas não permaneça apenas nas áreas comuns, mas se aproxime dos quartos; pedir aos ministros extraordinários da Eucaristia que prolonguem as visitas habituais aos idosos e dediquem um tempo mais tranquilo à escuta; convidar as famílias a visitar os idosos solitários que moram em seu próprio prédio ou bairro, entre outras orientações.
Por sua vez, afirmam que seria desejável que, a partir da data, começassem a ser organizados momentos de reflexão sobre a mensagem do Pontífice, que pode ser distribuída a todos os participantes. Consideram que “pode-se pedir aos idosos uma oração especial pelos jovens e pela paz” e incentivam a promover a participação do maior número possível de idosos na missa dominical celebrada por ocasião da Jornada.
Cuidar do corpo e acompanhar a alma
A Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados surgiu em 1873, a partir da preocupação do Pe. Saturnino López Novoa com a situação de muitos idosos que ficavam sozinhos e desamparados. Seu carisma, explica Parra, consiste em acompanhar os idosos, atendendo tanto às suas necessidades materiais quanto espirituais. Elas contam com uma ampla rede de cerca de 197 lares em aproximadamente 21 países.
“Nossa missão concreta é essa assistência, não apenas material”, afirma. O cuidado integral se expressa nas tarefas mais simples da vida cotidiana: alimentar, higienizar, acompanhar, ouvir ou simplesmente segurar a mão. Mas também em levar o idoso à Eucaristia, rezar o terço e criar um ambiente no qual ele possa viver essa etapa a partir da fé. “Cada irmãzinha, cada voluntário, nosso objetivo é transmitir essa ternura de Deus”, explica.
Para a religiosa, essa missão pode ser comparada à casa de Betânia. Da mesma forma, as residências devem ser locais onde os idosos possam se sentir acompanhados e acolhidos, mesmo quando a doença ou a dependência limitam suas capacidades. O carisma da congregação, lembra ela, então, resume-se a uma expressão que tem orientado a missão: “cuidar dos corpos para salvar as almas”.
Uma sabedoria de que as novas gerações precisam
A Ir. Rosa também alerta para o risco de reduzir a velhice à fragilidade física e à deterioração. Diante dessa visão, ela convida a descobrir a riqueza da experiência e da sabedoria que os idosos podem transmitir. Em seu trabalho com jovens voluntários, ela procura que sejam justamente os idosos a ocupar o centro. “Nós, jovens, gostamos de ser protagonistas, os melhores, os líderes, os mais rápidos, mas aqui viemos para que os protagonistas sejam os idosos”, relata.
As histórias daqueles que trabalharam durante décadas, formaram uma família, enfrentaram dificuldades ou aprenderam um ofício podem se tornar uma escola para as novas gerações. “Todo idoso, por mais limitado que seja, nos dá uma lição”, afirma. Pode ser um ensinamento de paciência, de aceitação da dor ou de capacidade de enfrentar o sofrimento.
Para a religiosa, o encontro entre jovens e idosos permite, além disso, superar uma visão superficial sobre a fragilidade. “Eu não cuido de um idoso por causa de seus títulos, porque ele seja mais ou menos bonito, porque tenha conquistado mais ou menos na vida, mas porque ele é Filho de Deus”, comenta.
Nessa perspectiva, a dignidade de uma pessoa não depende de suas capacidades nem do que tenha conquistado ao longo da vida. Mesmo quando já não consegue falar ou manter uma conversa, ela continua merecendo cuidado, respeito e amor. “O fato de eu poder apenas dar a mão a ele e que ele sinta minha força, que ele sinta meu calor, já é uma bênção de Deus”, explica.
Diante da cultura do descarte
A religiosa também chama a atenção para a tendência da sociedade contemporânea de marginalizar aqueles que já não conseguem acompanhar o ritmo acelerado da vida. “O idoso, o jeito do idoso não é a rapidez, é antes de tudo a calma”, observa. As novas tecnologias e as mudanças nas formas de comunicação podem fazer com que alguns idosos se sintam deslocados ou até mesmo como um fardo, mesmo que suas famílias os amem.
Diante dessa realidade, a Ir. Rosa considera fundamental cultivar a empatia e buscar novas formas de aproximação. A resposta, afirma ela, nem sempre requer grandes ações. Pode começar com gestos cotidianos: ajudar um idoso a atravessar a rua, acompanhá-lo com as sacolas de compras ou simplesmente parar para cumprimentá-lo.
“Que gestos tão bonitos e tão simples”, afirma ela. Pois por trás de uma ação aparentemente pequena pode haver uma experiência profunda: a certeza de que “alguém se lembra de mim”. Nessa tarefa, a religiosa considera que os cristãos têm uma responsabilidade especial. “Quando fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes”, lembra ela, evocando as palavras do Evangelho.
A Pastoral dos Idosos, portanto, não é apenas uma tarefa daqueles que trabalham em lares ou instituições. É uma responsabilidade que envolve as famílias, as paróquias, os voluntários e toda a comunidade.
“Eu não vou te esquecer”
O lema do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos deste ano, “Eu nunca te esquecerei”, escolhido pelo Papa Leão XIV, ganha um significado especial nas palavras da Ir. Rosa. Para a religiosa, essa expressão lembra que Deus permanece próximo de cada pessoa e que a Igreja é chamada a tornar visível essa proximidade, especialmente entre aqueles que passam por momentos de fragilidade.
“Deus não se esquece de nós e Deus ama cada um de nós”, afirma ela. Por isso, a missão daqueles que acompanham os idosos consiste também em ajudá-los a descobrir que continuam sendo importantes, que suas vidas têm valor e que ainda têm um lugar dentro da comunidade. A Ir. Rosa também convida os jovens a se aproximarem, sem medo, dos idosos. Não se trata de realizar grandes ações, mas de dedicar tempo a eles. Sentar-se ao lado de um idoso, deixar de lado, por um momento, o celular e o relógio e simplesmente estar presente, sem pressa.
“Meu tempo é para você”, propõe ela como uma atitude concreta de acompanhamento. A religiosa afirma que os idosos sabem reconhecer quando uma pessoa está verdadeiramente presente e quando a visita é feita com pressa. Por isso, ela considera que recuperar o valor da presença constitui uma das respostas mais importantes diante da solidão.
“Dediquemos tempo aos outros, dediquemos tempo à terceira idade”, insiste ela. Aos idosos, por outro lado, ela os incentiva a confiar na misericórdia de Deus e a viver com paz essa etapa da vida. A partir da sua experiência acompanhando idosos doentes e nos últimos momentos de vida, ela relembra o testemunho de um deles que, apesar de suas limitações físicas, falava com serenidade sobre sua família, sobre o bem que havia podido realizar e sobre a esperança de se encontrar em breve com Deus.
Para a Ir. Rosa, essa experiência expressa o sentido profundo da pastoral dos idosos: acompanhar até o fim, cuidar com ternura e lembrar que nenhuma pessoa, por mais frágil que seja, deve se sentir esquecida. “Deus é amor”, lembra a religiosa. E, a partir dessa certeza, ela convida a encarar os idosos não como um fardo, mas como filhos de Deus, portadores de uma história e de uma sabedoria que ainda têm muito a oferecer à Igreja e à sociedade.