sábado, 4 de abril de 2026
sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
A missa dos Santos Óleos: unidade e sacramento
Pe. Rodrigo Rios – Vatican News
Na manhã da quinta-feira santa, ocorre um dos últimos momentos da quaresma: a Missa dos Santos Óleos. Popularmente conhecida como Missa do Crisma, é uma das celebrações mais ricas em simbolismo deste tempo litúrgico. Embora algumas dioceses a realizem em outra data por questões logísticas e de distância, a maioria mantém a tradição neste dia. Isso ocorre porque a data celebra a Instituição da Eucaristia, permitindo que os padres, intimamente ligados a esse mistério, renovem suas promessas sacerdotais.
Esta celebração possui então dois pontos fundamentais: a manifestação da unidade do presbitério em torno do seu Bispo e a preparação dos óleos que serão utilizados nos sacramentos ao longo do ano.
A bênção e consagração dos óleos
O inicio é composto pelo rito em que o Bispo prepara os três óleos que serão distribuídos para todas as paróquias da diocese:
- Óleo dos catecúmenos: utilizado
no batismo. O revestimento com este óleo prepara o novo filho de Deus
para enfrentar as situações adversas, especialmente a luta contra o
pecado, antes de mergulhar nas águas batismais.
- Óleo dos enfermos:
utilizado no sacramento da Unção dos enfermos. No próprio ritual para a
sua administração, encontra-se a passagem bíblica que corrobora este
uso: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e
estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A
oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá; e, se tiver
cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados" (Tg 5, 14-15).
- Santo Crisma: diferentemente dos outros, que são apenas abençoados, este é o único que é consagrado.
O Bispo sopra sobre a jarra e mistura perfume ao óleo, um gesto que
recorda Deus soprando a vida em Adão ou Jesus soprando sobre os
apóstolos. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), após o
Batismo, na ordenação de padres e bispos, e na consagração de altares e
igrejas.
A renovação das promessas sacerdotais
Além da confecção dos óleos, esta missa marca o encontro de todos os padres da diocese com o seu Pastor. Como na quinta-feira santa celebra-se a Instituição do Sacerdócio, os padres renovam publicamente os compromissos assumidos no dia de sua ordenação. É uma manifestação visual da unidade da Igreja: o Bispo como pastor principal e os padres como seus colaboradores diretos, todos unidos para servir ao povo de Deus.
Importância
A Missa dos Santos Óleos é o "reabastecimento espiritual" da diocese. Sem esses óleos, não haveria batizados, crismas ou ordenações, conforme o rito tradicional. É uma celebração que olha para o futuro, garantindo que a graça de Deus chegue aos fiéis por meio dos sacramentos nos meses seguintes.
Após a missa, cada padre leva uma porção desses óleos para sua paróquia. Assim, quando acontece um batizado na comunidade, o óleo usado veio desta celebração solene, simbolizando a união de cada paróquia com o Bispo.
A celebração seguinte, que ocorre nas vésperas, dará início ao Tríduo Pascal. Por isso, esta missa da manhã simboliza o fechamento da quaresma para que a Igreja entre profundamente no mistério da Redenção. Mesmo aberta a todos, muitos fiéis não participam por falta de conhecimento. Se tiver a oportunidade, não deixe de ir: é uma chance única de presenciar a beleza dos ritos mais profundos da nossa liturgia.
MISSA CRISMAL HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Queridos irmãos e irmãs,
Estamos já às portas do Tríduo Pascal. O Senhor conduzir-nos-á, mais uma vez, ao ápice da sua missão, para que a sua paixão, morte e ressurreição se tornem o centro da nossa missão. Efetivamente, o que estamos prestes a reviver tem em si a força de transformar aquilo que o orgulho humano tende geralmente a endurecer: a nossa identidade, o nosso lugar no mundo. A liberdade de Jesus muda o coração, cura as feridas, perfuma e faz brilhar os nossos rostos, reconcilia e reúne, perdoa e ressuscita.
Neste primeiro ano em que presido à Missa Crismal como Bispo de Roma, desejo refletir convosco sobre a missão à qual Deus nos consagra como seu povo. É a missão cristã, a mesma de Jesus, e não outra. Cada um participa nela de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão! Bispos e presbíteros, ao renovarmos as nossas promessas, estamos ao serviço de um povo missionário. Somos, com todos os batizados, o Corpo de Cristo, ungidos pelo seu Espírito de liberdade e consolação, Espírito de profecia e unidade.
O que Jesus vive nos momentos culminantes da sua missão é antecipado pelo oráculo de Isaías, por Ele referido na sinagoga de Nazaré como a Palavra que «hoje» se cumpre (cf. Lc 4, 21). Com efeito, na hora da Páscoa, torna-se definitivamente claro que Deus consagra para enviar: «Enviou-me» (Lc 4, 18), diz Jesus, descrevendo aquele movimento que une o seu Corpo aos pobres, aos prisioneiros, àqueles que caminham às cegas na escuridão e àqueles que se encontram oprimidos. E nós, membros do seu Corpo, chamamos “apostólica” a uma Igreja que foi enviada, impulsionada para além de si mesma, consagrada a Deus no serviço das suas criaturas: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21).
Sabemos que ser enviado implica, em primeiro lugar, um desapego, ou seja, o risco de deixar o que é seguro e familiar para se aventurar no novo. É interessante que Jesus, «impelido pelo Espírito» (Lc 4, 14) que desceu sobre Ele após o batismo no Jordão, regresse à Galileia e vá «a Nazaré, onde tinha sido criado» (Lc 4, 16). É o lugar que agora deve deixar. Ele move-se «segundo o seu costume» (v. 16), mas para inaugurar um tempo novo. Terá agora de partir definitivamente daquela aldeia, para que amadureça o que ali germinou, sábado após sábado, na escuta fiel da Palavra de Deus. Da mesma forma, chamará outros a partir, a arriscar, para que nenhum lugar se torne um recinto; nenhuma identidade, um esconderijo.
Caríssimos, seguimos Jesus, que «não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo» (Fl 2, 6-7): toda missão começa por esse tipo de esvaziamento, no qual tudo renasce. A nossa dignidade de filhos e filhas de Deus não nos pode ser tirada, nem se perder, e nem mesmo os afetos, os lugares e as experiências que estão na origem da nossa vida podem ser apagados. Somos herdeiros de tanto bem e, simultaneamente, das limitações de uma história na qual o Evangelho deve ser portador de luz e salvação, perdão e cura. Assim, não há missão sem reconciliação com as nossas origens, com os dons e as limitações da formação recebida; mas, ao mesmo tempo, não há paz sem partidas, não há consciência sem desapego, não há alegria sem correr riscos. Somos Corpo de Cristo se seguirmos em frente, acertando as contas com o passado sem ficarmos prisioneiros dele: tudo se reencontra e se multiplica se antes se deixar ir, sem medo. É um primeiro segredo da missão. É algo que não se experimenta uma vez só, mas em cada recomeço, em cada novo envio.
O caminho de Jesus revela-nos que a disponibilidade para perder, para se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas condição para o encontro e para a intimidade. O amor só é verdadeiro se estiver desarmado – desprovido de muitos empecilhos e sem nenhuma ostentação –, se guarda delicadamente a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em lançar-nos numa missão tão exposta e, no entanto, não há «Boa-nova aos pobres» ( Lc 4, 18) se formos ao seu encontro com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos do possuir. Tocamos aqui um segundo segredo da missão cristã. Depois da lei do desapego, vem a lei do encontro. Sabemos que, ao longo da história, a missão foi não poucas vezes pervertida por lógicas de domínio, totalmente estranhas ao caminho de Jesus Cristo. São João Paulo II teve a lucidez e a coragem de reconhecer que «por causa daquele vínculo que nos une uns aos outros dentro do Corpo místico, todos nós, embora não tendo responsabilidade pessoal por isso e sem nos substituirmos ao juízo de Deus – o único que conhece os corações –, carregamos o peso dos erros e culpas de quem nos precedeu». [1]
Consequentemente, é portanto prioritário recordar que o bem não pode advir da prevaricação, nem no âmbito pastoral, nem no âmbito sócio-político. Os grandes missionários são testemunhas de aproximações feitas com delicadeza, cujo método consiste na partilha da vida, no serviço desinteressado, na renúncia a qualquer estratégia calculista, no diálogo, no respeito. É o caminho da encarnação, que assume sempre de novo a forma da inculturação. A salvação, realmente, só pode ser acolhida por cada um na sua língua própria materna: «Que se passa, então, para que cada um de nós os ouça falar na nossa língua materna?» ( Act 2, 8). A surpresa de Pentecostes repete-se quando não pretendemos dominar os tempos de Deus, mas confiamos no Espírito Santo, que «como no tempo de Jesus e dos Apóstolos, está presente também hoje: está presente e está a agir, chega antes de nós, trabalha mais e melhor do que nós; não nos cabe nem semeá-lo nem despertá-lo, mas, antes de mais, reconhecê-lo, acolhê-lo, cooperar com ele, abrir-lhe caminho, seguir-lhe os passos. Ele está presente e nunca desanimou em relação ao nosso tempo; pelo contrário, sorri, dança, penetra, investe, envolve, chega mesmo onde nunca teríamos imaginado». [2]
Para estabelecer esta sintonia com o invisível, é necessário chegar ao lugar para onde somos enviados com simplicidade, honrando o mistério que cada pessoa e comunidade traz consigo. Somos hóspedes: somo-lo enquanto bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, enquanto cristãos. Na verdade, para acolher temos de aprender a deixar-nos acolher. Mesmo os lugares onde a secularização parece estar mais avançada não são terra de conquista ou reconquista: «Novas culturas continuam a nascer nestas enormes geografias humanas onde o cristão já não costuma ser promotor ou gerador de sentido, mas recebe delas outras linguagens, símbolos, mensagens e paradigmas que oferecem novas orientações de vida, muitas vezes em contraste com o Evangelho de Jesus. […] É necessário chegar onde se formam as novas narrativas e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades». [3] Isto só acontece se, na Igreja, caminhamos juntos, se a missão não for uma aventura heroica de alguém, mas o testemunho vivo de um Corpo com muitos membros.
Existe ainda uma terceira dimensão – talvez a mais radical – da missão cristã. A dramática possibilidade de incompreensão e de rejeição que se manifesta já na reação violenta dos habitantes de Nazaré à palavra de Jesus: «Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo» (Lc 4, 28-29). Embora a leitura litúrgica tenha omitido esta parte, o que nos preparamos para celebrar a partir desta noite compromete-nos a não fugir, mas a “passar pelo meio” da provação, como Jesus, que, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho (cf. Lc 4, 30). A cruz é parte da missão: o envio torna-se mais amargo e assustador, mas também mais gratuito e perturbador. A ocupação imperialista do mundo é então interrompida a partir de dentro, a violência que até hoje se faz lei é desmascarada. O Messias pobre, prisioneiro, rejeitado, precipita-se na escuridão da morte, mas assim traz à luz uma nova criação.
Quantas ressurreições nos são dadas experimentar quando, livres de uma atitude defensiva, descemos ao serviço como a semente à terra! Na vida, podemos passar por situações em que tudo parece ter chegado ao fim. Perguntamo-nos, então, se a missão terá sido inútil. É verdade: ao contrário de Jesus, vivemos também fracassos que dependem da nossa insuficiência ou da dos outros, muitas vezes de um emaranhado de responsabilidades, luzes e sombras. Mas podemos fazer nossa a esperança de muitos testemunhos. Recordo-me de um, que me é particularmente querido. Um mês antes da sua morte, no caderno dos Exercícios Espirituais, o santo Bispo Óscar Romero anotava assim: «O núncio da Costa Rica alertou-me para um perigo iminente precisamente nesta semana… As circunstâncias imprevistas serão enfrentadas com a graça de Deus. Jesus Cristo ajudou os mártires e, se for necessário, sentirei a sua presença muito próxima quando lhe entregar o meu último suspiro. Todavia, mais do que o último instante de vida, o que conta é entregar-lhe toda a vida e viver para Ele… Basta-me, para ser feliz e confiante, saber com certeza que n’Ele está a minha vida e a minha morte; que, apesar dos meus pecados, n’Ele depositei a minha confiança e não ficarei decepcionado, e outros prosseguirão, com mais sabedoria e santidade, o trabalho pela Igreja e pela pátria».
Queridos irmãos e irmãs, os santos escrevem a história. Esta é a mensagem do Apocalipse: «Graça e paz […] da parte de Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primeiro vencedor da morte e o Soberano dos reis da terra» (Ap 1, 4-5). Esta saudação resume o caminho de Jesus num mundo dividido entre potências que o devastam. No seu seio surge um povo novo, não de vítimas, mas de testemunhas. Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso “sim” a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz. Sim, aqui estamos! Superemos o sentimento de impotência e de medo! Anunciamos a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!
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[1] São João Paulo II, Bula de proclamação do Grande Jubileu do ano 2000 “Incarnationis mysterium” (29 de novembro de 1998), 11.
[2]C. M. Martini, Tre racconti dello Spirito, Milano 1997, 11.
[3] Francisco, Exort. Ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 73-74.
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quarta-feira, 1 de abril de 2026
AUDIENCIA GERAL Praça de São Pedro Quarta-feira, 1 de abril de 2026
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Quarta-feira, 1 de abril de 2026
Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II II. Constituição dogmática Lumen Gentium 6. Pedras vivas na Igreja e testemunhas no mundo: os leigos no povo de Deus
Irmãos e irmãs, bom dia!
Continuemos o nosso caminho de reflexão sobre a Igreja, como nos é apresentada na Constituição conciliar Lumen Gentium (LG). Hoje vamos abordar o quarto capítulo, que trata dos leigos. Recordemos todos o que o Papa Francisco gostava de repetir: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 102).
Esta parte do Documento preocupa-se em explicar in positivo a natureza e a missão dos leigos, após séculos em que eles eram definidos simplesmente como aqueles que não fazem parte dos clérigos ou dos consagrados. Por isso, apraz-me reler convosco um trecho muito bonito, que manifesta a grandeza da condição cristã: «Um só é, pois, o Povo de Deus: “Um só Senhor, uma só fé, um só Batismo” (Ef 4, 5); comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo; comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa» (LG, 32).
Antes de qualquer diferença de ministério ou de estado de vida, o Concílio afirma a igualdade entre todos os batizados. A Constituição não quer que se esqueça o que já tinha afirmado no capítulo sobre o povo de Deus, ou seja, que a condição do povo messiânico é a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus (cf. LG, 9).
Naturalmente, quanto maior é o dom, tanto maior é também o compromisso. Por isso, o Concílio, além da dignidade, realça inclusive a missão dos leigos na Igreja e no mundo. Mas onde se fundamenta esta missão e em que consiste? É a própria descrição dos leigos, proposta pelo Concílio, que nos dá a resposta: «Por leigos entendem-se aqui todos os fiéis cristãos [...] que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes a seu modo da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo» (LG, 31).
Portanto, o santo povo de Deus nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou, como dizia Santo Agostinho, o Christus totus: é a comunidade organicamente estruturada, em virtude da fecunda relação entre as duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: sacerdócio comum dos fiéis e sacerdócio ministerial (cf. LG, 10). Em virtude do Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. Com efeito, «o supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo seu Espírito e, sem cessar, os incita a toda a obra boa e perfeita» (LG, 34).
Como deixar de recordar, a tal propósito, São João Paulo II e a sua Exortação apostólica Christifideles laici (30 de dezembro de 1988)? Nela, ele frisava que «o Concílio, com o seu riquíssimo património doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, fazendo eco ao chamamento de Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar na sua vinha» (n. 2). Deste modo, o meu venerado Predecessor relançava o apostolado dos leigos, ao qual o Concílio dedicara um Documento específico, de que falaremos mais adiante. [1]
O vasto campo do apostolado dos leigos não se limita ao espaço da Igreja, mas dilata-se ao mundo. Com efeito, a Igreja está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: nos ambientes de trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, mostram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus. É necessário que o mundo «seja penetrado do espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim» (LG, 36). E isto só é possível com a contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos!
É o convite a ser aquela Igreja “em saída” de que nos falava o Papa Francisco: uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos!
Irmãos e irmãs, a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de ser, como Maria de Magdala, Pedro e João, testemunhas do Ressuscitado!
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Saudações:
Un cordiale saluto a tutti i pellegrini di lingua portoghese! Per rimanere sempre come pietre vive nell’edificio spirituale della Chiesa, dobbiamo offrire al mondo una testimonianza coerente con la nostra fede. Non dimentichiamo che siamo tutti discepoli missionari di Cristo! Dio vi benedica!
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Resumo da catequese do Santo Padre:
Continuando o ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, olhamos hoje para os leigos, pedras vivas do edifício espiritual da Igreja e testemunhas de Cristo no mundo. Antes de sinalizar qualquer diferença de ministério ou de estado de vida no seio do Povo de Deus, o Concílio afirma a igualdade entre os batizados, pois todos são chamados à santidade. A missão dos fiéis leigos na Igreja e no mundo está fundada na comum dignidade batismal: participam da missão sacerdotal, profética e real de Cristo e são chamados a dar testemunho d’Ele na sociedade. O amplo campo do apostolado laical não se restringe aos ambientes eclesiais, mas estende-se a todo o mundo. Para uma Igreja encarnada na história, é fundamental a missão dos leigos.
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[1] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Apostolicam actuositatem (18 de novembro de 1965).
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terça-feira, 31 de março de 2026
segunda-feira, 30 de março de 2026
Deus “rejeita a oração de quem faz a guerra”, diz Leão XIV
Por Victoria Cardiel
29 de mar de 2026 às 09:54
O papa Leão XIV condenou hoje (29), na missa do Domingo de Ramos na praça de São Pedro, no Vaticano, o uso da religião para justificar conflitos e afirmou a figura de Jesus Cristo "como Rei da Paz", mesmo "enquanto à Sua volta se prepara a guerra".
“Como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque «Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14)”, disse o papa na missa.
Primeira Semana Santa de Leão XIV
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e comemora a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. É o primeiro grande evento litúrgico deste período, numa Semana Santa especialmente significativa por ser a primeira sob o pontificado do papa Leão XIV.
Nestes dias, ele celebrará a tradicional Via Sacra no Coliseu, em Roma, e retomará a celebração da missa da Quinta-feira Santa na basílica de são João de Latrão, sua catedral como bispo de Roma. O papa está, assim, retomando uma prática diferente da de seu antecessor, Francisco, que preferia celebrá-la em prisões ou abrigos para migrantes.
Leão XIV participou da procissão do obelisco central da praça de São Pedro até o altar, acompanhado por cardeais, bispos e centenas de sacerdotes que concelebraram a missa junto com religiosos e milhares de fiéis, carregando ramos de oliveira e palmas.
Tal como nos anos anteriores, as palmeiras e os ramos de oliveira foram oferecidos ao Vaticano por entidades italianas, enquanto as chamadas "palmeiras fênix", maiores e sem trançado, foram doadas pelo Caminho Neocatecumenal.
A esses juntaram-se os tradicionais palmurelli, pequenos ramos de palmeira trançados à mão, que muitos fiéis carregavam consigo. No início da celebração, o papa procedeu à sua bênção.
Jesus, um carinho para a humanidade
Em sua homilia, o papa falou sobre a jornada de Jesus até a Cruz, dizendo que Deus "se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus".
“Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra”, disse Leão XIV. “Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência”.
O papa também falou sobre o episódio do Evangelho em que Simão Pedro desembainha a espada para defender Jesus e fere o servo do sumo sacerdote, dizendo que "imediatamente Ele o detém, dizendo: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada» (Mt 26, 52)".
Assim, ele falou sobre a incompatibilidade entre fé e violência: “Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15)”, disse Leão XIV, citando o profeta Isaías.
Diante da Cúria Vaticana, o papa falou sobre a imagem de Cristo como servo sofredor que, “enquanto era carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas”, se humilhou. “Ele «não abriu a boca,
como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53, 7)”, disse Leão XIV, citando novamente o profeta Isaías, que predisse a vinda de Jesus Cristo em grande detalhe, centenas de anos antes do Seu nascimento.
“Não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”
“Ele não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”, disse Leão XIV. “Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência, e, em vez de se salvar a si mesmo, deixou-se cravar na cruz, para abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade”.
O papa disse também que, ao contemplarmos Cristo crucificado, "vemos os crucificados da humanidade".
As reações do mundo após acesso negado à Basílica do Santo Sepulcro
Benedetta Capelli – Vatican News
A notícia da manhã deste domingo, 29 de março, sobre a impossibilidade do cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e do Custódio da Terra Santa, Pe. Francesco Ielpo, de entrarem na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, para celebrar a Missa do Domingo de Ramos causou alvoroço. Uma decisão implementada pela polícia israelense.
A condenação das instituições
Muitos líderes políticos se manifestaram para condenar o ocorrido. O Ministério das Relações Exteriores palestino, na rede social X, definiu o caso como “um crime que atinge tanto o mundo cristão quanto o islâmico” e que “exige uma intervenção internacional urgente”; “uma clara violação dos direitos fundamentais do povo palestino, em primeiro lugar, a liberdade de culto”, uma ofensa à sensibilidade de quem compartilha a sacralidade de Jerusalém e seu status religioso. Palavras de condenação à decisão da polícia israelense também vieram do presidente francês, Emmanuel Macron, no X. Na postagem, ele garantiu total apoio aos representantes cristãos e lembrou “o preocupante aumento das violações do status dos locais sagrados em Jerusalém”.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, falou nas redes sociais de “ingerência excessiva”, lembrou do limite de 50 pessoas dentro dos locais sagrados – medida do governo israelense para garantir a segurança – e que a delegação do cardeal Pizzaballa e do custódio Ielpo era composta por 4 pessoas, “bem abaixo desse limite”. “É difícil compreender ou justificar”, explicou o diplomata.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Bundestag, Armin Laschet, destacou nas redes sociais que “negar ao cardeal o acesso ao local mais sagrado do cristianismo é inaceitável”. “Trata-se”, acrescentou, “de pura intimidação, desprovida de qualquer sensibilidade ou compreensão”. “A recusa – pode-se ler no perfil X do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal – merece a mais firme condenação” e convida as autoridades israelenses “a garantir e a proteger a liberdade de religião e de culto”.
Grande repercussão na Itália
Na Itália, o que aconteceu teve grande repercussão. A primeira-ministra, Giorgia Meloni, expressou a solidariedade do governo italiano ao cardeal Pizzaballa e ao Pe. Ielpo. “O Santo Sepulcro de Jerusalém é um local sagrado para o cristianismo e, como tal, deve ser preservado e protegido para a celebração dos ritos sagrados. Impedir a entrada constitui uma ofensa não apenas aos fiéis, mas a todas as comunidades que reconhecem a liberdade religiosa”. Fazendo eco a ela, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, decidiu convocar o embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peled. Nas redes sociais, ele expressou sua solidariedade aos religiosos e definiu como “inaceitável” a proibição de entrar na Basílica do Santo Sepulcro. Palavras de condenação também vieram dos líderes da oposição, que expressaram solidariedade ao Patriarca Pizzaballa e ao Custódio Ielpo.
A voz da Igreja italiana
Lamento pelo ocorrido e total solidariedade às comunidades cristãs da Terra Santa. Foi o que expressou também por telefone o cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), ao cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, em relação ao que aconteceu. “Em nome dos bispos italianos – afirma o cardeal –, manifesto minha indignação por ‘uma medida grave e irracional’, compartilhando o que foi declarado no comunicado conjunto do Patriarcado e da Custódia. Trata-se de um fato doloroso para os muitos cristãos que, vivendo nessas terras, representam um testemunho essencial de esperança para todos os povos em contextos de divisão e conflitos”.
O presidente da CEI garante suas orações pelos cristãos da Terra Santa e ressalta que “as autoridades locais e as organizações internacionais têm o dever inalienável de garantir a liberdade religiosa na Terra Santa, condição imprescindível para qualquer processo de paz autêntico”. O apelo é para que se abram espaços de diálogo e se chegue logo a soluções razoáveis. “Ao Senhor da paz — conclui o cardeal Zuppi — confiamos os sofrimentos de todos aqueles que vivem o drama dos conflitos e das guerras. A todos os governantes pedimos um gesto de reconciliação e uma trégua para a próxima Páscoa”.
A reação de Israel
Após o comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, no qual se destacava a gravidade do ocorrido, considerando a decisão “uma medida claramente irracional e gravemente desproporcional”, o presidente israelense, Isaac Herzog, publicou um post no X expressando “profundo pesar pelo desagradável incidente”. Ele esclareceu ter ligado para o cardeal Pierbattista Pizzaballa, ressaltando que a decisão foi motivada por razões de segurança e pela ameaça de ataques com mísseis por parte do Irã. As palavras do presidente seguem as do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com a promessa de elaborar um plano para permitir as celebrações na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, mas sempre no pleno respeito às medidas de segurança. Eles garantem que “não houve qualquer intenção maliciosa”, mas a proibição de acesso por parte da polícia israelense, reiterou o gabinete do primeiro-ministro no X, foi motivada “apenas pela preocupação com a segurança dele e de sua comitiva”.
domingo, 29 de março de 2026
DOMINGO DE RAMOS: PAIXÃO DO SENHOR – HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV (Missa)
DOMINGO DE RAMOS: PAIXÃO DO SENHOR –
COMEMORAÇÃO DA ENTRADA DO SENHOR EM JERUSALÉM E SANTA MISSA
CAPELA PAPAL
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Praça de São Pedro
Domingo, 29 de marzo de 2026
Queridos irmãos e irmãs,
Enquanto Jesus percorre o caminho da cruz, coloquemo-nos atrás d’Ele, sigamos os seus passos. E, caminhando com Ele, contemplemos a sua paixão pela humanidade, o seu coração que se parte, a sua vida que se torna dom de amor.
Olhemos para Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra. Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência. Ele, que se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus. Ele, que é a luz do mundo, enquanto as trevas estão prestes a cobrir a terra. Ele, que veio trazer a vida, enquanto se cumpre o plano para o condenar à morte.
Como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque «Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14).
Como Rei da paz, entra em Jerusalém montado num jumento, não num cavalo, cumprindo a antiga profecia que convidava a exultar pela chegada do Messias: «Eis que o teu rei vem a ti; / Ele é justo e vitorioso; / vem, humilde, montado num jumento, / sobre um jumentinho, filho de uma jumenta. / Ele exterminará os carros de guerra da terra de Efraim / e os cavalos de Jerusalém; / o arco de guerra será quebrado. / Proclamará a paz para as nações» (Zc 9, 9-10).
Como Rei da paz, quando um dos seus discípulos desembainha a espada para o defender e fere o servo do sumo sacerdote, imediatamente Ele o detém, dizendo: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada» (Mt 26, 52).
Como Rei da paz, enquanto era carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas, Ele «não abriu a boca,
como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is
53, 7). Não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra.
Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência, e, em
vez de se salvar a si mesmo, deixou-se cravar na cruz, para abraçar
todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da
humanidade.
Irmãos, irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da paz. Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15).
Olhando para Ele, que foi crucificado por nós, vemos os crucificados da humanidade. Nas suas chagas vemos as feridas de tantas mulheres e homens de hoje. No seu último grito dirigido ao Pai ouvimos o choro de quem se encontra abatido, sem esperança, doente, sozinho. E, sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra.
Da sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!
Com as palavras do Servo de Deus, o bispo Tonino Bello, gostaria de confiar este clamor à Maria Santíssima, que está ao pé da cruz do Filho e chora também aos pés dos crucificados de hoje:
«Santa Maria, mulher do terceiro dia, dá-nos a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós. Que os dias das injustiças dos povos estão contados. Que os clarões das guerras se estão a reduzir a luzes crepusculares. Que os sofrimentos dos pobres chegaram aos seus últimos suspiros. […] E que, finalmente, as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor em breve secarão, como a geada ao sol da primavera» (Maria, mulher de nossos dias).
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Celebração do Domingo de Ramos, Missa e Oração do Angelus, 29 de Março de 2026
LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo de Ramos, 29 de março de 2026
Queridos irmãos e irmãs,
No início da Semana Santa, estamos mais do que nunca unidos em oração aos cristãos do Médio Oriente, que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem viver plenamente os Ritos destes dias santos. Precisamente enquanto a Igreja contempla o mistério da Paixão do Senhor, não podemos esquecer quantos hoje participam de forma real no seu sofrimento. A sua provação interpela a consciência de todos. Elevemos a nossa súplica ao Príncipe da Paz, para que sustente os povos feridos pela guerra e abra caminhos concretos de reconciliação e de paz.
Desejo também confiar ao Senhor os marinheiros que são vítimas da guerra: rezo pelos falecidos, pelos feridos e pelos seus familiares. Terra, céu e mar foram criados para a vida e para a paz!
E rezemos por todos os migrantes que morreram no mar, em particular por aqueles que perderam a vida nos últimos dias ao largo da ilha de Creta.
Saúdo e agradeço a todos vós, romanos e peregrinos que participaram nesta celebração! Juntos, dirigimo-nos agora à Virgem Maria, confiando à sua intercessão todas as nossas súplicas. Deixemo-nos guiar por ela nestes dias santos, para seguirmos com fé e amor Jesus, nosso Salvador.
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sábado, 28 de março de 2026
O que se celebra no Domingo de Ramos
Palmas no Domingo de Ramos
Por Redação central
28 de mar de 2026 às 04:06
Com o Domingo de Ramos começa a Semana Santa. Neste dia é recordada a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém em meio a uma multidão que o aclamou como o Messias.
Este acontecimento pode ser lido no evangelho de são Mateus, onde é anunciada a Paixão.
A primeira tradição litúrgica deste dia corresponde à de Jerusalém. Nela, recordamos o gesto profético de Jesus que ingressa como Rei da paz, e o Messias que foi aclamado e depois condenado para o comprimento das profecias.
No evangelho de são Mateus, narra-se que as pessoas cobriam o caminho por onde Cristo passaria e gritavam: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”.
As cerimônias principais do dia são a bênção dos ramos, a procissão, a missa e, durante a missa, o relato da Paixão.
Os fiéis que participam da procissão, que data do século IV em Jerusalém, devem levar nas mãos ramos de palmas, oliveiras ou outras árvores e entoar cantos adequados. Os sacerdotes e os ministros, levando também ramos, devem ir à frente do povo.
Não se pode esquecer que a bênção dos ramos acontece antes da procissão e que se deve instruir os fiéis cristãos a guardarem os ramos abençoados em suas casas junto com as cruzes ou quadros religiosos que tenham em seus lares, como recordação da vitória pascal do Senhor Jesus.
A segunda tradição litúrgica é a de Roma, a qual nos convida a entrar conscientemente na Semana Santa da Paixão gloriosa e amorosa de Cristo, antecipando a proclamação do mistério no evangelho de Mateus.
Para o bem espiritual dos fiéis, convém que se leia por inteiro a narração da Paixão e que não se omitam as leituras que a precedem. Terminada a narração da Paixão, não se deve omitir a homilia.
(acidigital)
Papa na saudação ao Principado de Mônaco
Papa na saudação ao Principado de Mônaco: com Jesus, elaborar boas práticas de fraternidade
Andressa Collet - Vatican News
“Estou feliz por passar este dia com vocês e por ser, assim, o primeiro dos Sucessores do Apóstolo Pedro nos tempos modernos a visitar o Principado de Mônaco, uma Cidade-Estado que se distingue pelo profundo vínculo que a une à Igreja de Roma e à fé católica.”
Assim o Papa Leão XIV se dirigiu ao Príncipe Alberto II e à população no primeiro discurso da primeira viagem internacional de 2026 para o Pontífice. A visita "relâmpago" de 13 horas ao Principado de Mônaco neste sábado (28/03) começou oficialmente com a chegada no heliporto da Cidade-Estado, quando foi recebido por autoridades civis e eclesiásticas, e a cerimônia de boas-vindas no Palácio do Príncipe com a visita de cortesia a Alberto II.
O segudo menor país com viva herança espiritual
Na saudação, o Papa descreveu em detalhes a Cidade-Estado "voltada para o Mediterrâneo e situada entre os países fundadores da unidade europeia", com "vocação para o encontro e o cuidado da amizade social, hoje ameaçados por um clima generalizado de fechamento e autossuficiência". Num momento histórico em que "a ostentação da força e a lógica da prevaricação prejudicam o mundo e comprometem a paz", continuou ele recordando que na Bíblia são os pequenos que escrevem a história, "o dom da pequenez e uma viva herança espiritual empenham a riqueza de vocês ao serviço do direito e da justiça".
Das dimensões reduzidas – é o segundo menor país do mundo, depois do Estado da Cidade do Vaticano – à grande composição plural da população, formada por "um microcosmo", disse o Papa, formada por uma minoria ativa de nativos locais e uma maioria de cidadãos provenientes de outras nações, que "ocupam cargos de considerável influência nos setores econômico e financeiro", por exemplo:
"Para alguns, morar aqui representa um privilégio e, para todos, um apelo específico a perguntar-se sobre o seu lugar no mundo. Aos olhos de Deus, nada se recebe em vão!", aprofundou Leão XIV, encorajando a aproveitar as oportunidades locais não para criar abismos "entre ricos e pobres, entre privilegiados e marginalizados, entre amigos e inimigos", mas dar "um destino universal" para que a vida de todos seja melhor, colocando em prática a "lógica de liberdade e partilha".
A fé católica no Principado de Mônaco
O Principado de Mônaco é um dos últimos países da Europa a manter o catolicismo como religião oficial e o diálogo entre as instituições civis e a Igreja mantém uma importância concreta. O Papa, então, abordou sobre o papel da Cidade-Estado e as escolhas feitas através de "um coração livre e uma inteligência iluminada" que emana do Evangelho, sobretudo em tempos de "cultura pouco religiosa e muito secularizada":
"A fé católica, que o país de vocês é dos poucos a ter como religião de Estado, coloca-nos perante a soberania de Jesus, que interpela os cristãos a tornarem-se, no mundo, um reino de irmãos e irmãs, uma presença que não oprime, mas eleva; que não separa, mas une; pronta a sempre proteger com amor toda a vida humana, em qualquer momento e condição, para que ninguém seja jamais excluído da mesa da fraternidade. É a perspectiva da ecologia integral, que sei que é muito cara a vocês. Confio ao Principado do Mônaco, pelo vínculo tão profundo que o une à Igreja de Roma, um compromisso de todo especial no aprofundamento da Doutrina Social da Igreja e na elaboração de boas práticas locais e internacionais que manifestem a sua força transformadora."
Pax vobis! Que la paix soit avec vous !
sexta-feira, 27 de março de 2026
quarta-feira, 25 de março de 2026
Hoje o mundo celebra o Dia do Nascituro
Imagem ilustrativa | PexelsPor Redação central
25 de mar de 2026 às 03:00
O Dia do Nascituro é celebrado internacionalmente a cada 25 de março para comemorar, promover e defender a vida humana desde o momento em que foi concebida no ventre materno até a morte natural. Embora, no Brasil, o Dia do Nascituro seja celebrado em 8 de outubro, no marco da Semana Nacional da Vida.
A data foi instituída na Argentina em dezembro de 1998 pelo então presidente Carlos Saúl Menem. O presidente, poucos dias antes desta festa ser celebrada em 1999, incentivou os presidentes de toda a América Latina a aderirem à iniciativa.
São João Paulo II enviou uma carta ao presidente argentino em dizia: "que a celebração do Dia do Nascituro favoreça uma opção positiva em favor da vida e do desenvolvimento de uma cultura orientada nessa direção, que garanta a promoção da dignidade em todas as situações”.
Em 1999, a celebração do Dia do Nascituro foi instituída por lei na Guatemala e na Costa Rica. No ano seguinte, na Nicarágua. Também em 2000 a Bolívia aderiu. A República Dominicana aderiu em 2001, o Peru, em 2002, e o Paraguai em 2003.
A festa também é comemorada em 25 de março em El Salvador, Uruguai, Espanha, México, Áustria, Eslováquia, Cuba, Filipinas, Equador, Chile e Porto Rico.
A data coincide com a Solenidade da Anunciação, celebrada no dia 25 de março. Neste dia a Igreja Católica recorda o anúncio do Anjo Gabriel à Virgem Maria e o corajoso "Sim" a Deus que a faz conceber o Menino que salvou a humanidade.
terça-feira, 24 de março de 2026
Crianças não podem achar seus melhores amigos ‘em chatbots’, diz o papa
Por Victoria Cardiel
23 de mar de 2026 às 15:24
“Não devemos permitir que as crianças acabem acreditando que podem encontrar nos chatbots da inteligência artificial seus melhores amigos ou o oráculo de todo o conhecimento, entorpecendo seu intelecto e sua capacidade de relacionamento, adormecendo sua criatividade e seus pensamentos”, disse o papa Leão XIV em mensagem publicada ontem (22) no Popotus, suplemento semanal dedicado às crianças do jornal italiano Avvenire, propriedade da Conferência Episcopal Italiana, que celebra seu 30º aniversário.
Ele exortou as pessoas a "zelar" pela infância e a guiarem o "crescimento das crianças para que sejam protagonistas de um mundo renovado".
O interesse do papa pela inteligência artificial tem sido constante desde o início de seu pontificado. Em 10 de maio do ano passado, falando aos cardeais na Sala Nova do Sínodo, ele falou sobre a necessidade de "responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho".
A revista Time citou Leão XIV em 29 de agosto do ano passado em sua lista das 100 pessoas mais influentes na área de inteligência artificial.
Leão XIV encorajou as crianças, falando aos leitores do Popotus, a redescobrir a beleza do mundo: “Quero dizer a vocês que restaurar a beleza do mundo é possível, e que vocês podem ajudar os adultos a vê-la — precisamente por meio desse jornal feito para vocês — com renovado encantamento, a pensar nela com confiança e a construí-la sem preconceitos”.
A linguagem universal do amor
O papa também falou sobre os valores fundamentais que deveriam preservar "desde esses primeiros anos" de suas vidas.
“Confie naqueles que te amam, na linguagem universal do amor, no poder desarmante de um sorriso, na coragem de pedir perdão, na beleza de fazer as pazes”, disse ele.
Leão XIV também expressou sua “grande preocupação” com guerras que ameaçam o futuro da humanidade e falou sobre a necessidade de recuperar uma perspectiva clara da realidade.
Citando as palavras de Jesus Cristo — “Em verdade vos digo que, se não se converterem e não se tornarem como crianças, não entrarão no reino dos Céus” —, o papa disse que ser como crianças não significa voltar atrás, mas “guardar uma chave para ver o essencial de cada coisa, para encontrar respostas surpreendentes mesmo para as perguntas mais difíceis”.
Ver o mundo novamente com olhos puros
“Talvez só olhando para os olhos perdidos das crianças diante da barbárie da guerra possamos nos converter”, disse Leão XIV. “Reaprender a olhar-nos nos olhos e a olhar o mundo com olhos puros”.
Dirigindo-se também a pais e educadores, Leão XIV expressou sua gratidão pelo “carinho e amor com que educam a infância”, ajudando-as “a revelar a beleza que existe dentro delas e a expressá-la de maneiras sempre novas”.
“Todos nós, especialmente hoje, na era digital e da inteligência artificial, precisamos de uma educação permanente”, concluiu ele. “E, para continuarmos sendo humanos, precisamos preservar um olhar infantil sobre a realidade”.
(acidigital)
Cada dia da Semana Santa tem uma cor litúrgica
Bispos durante as celebrações da Semana Santa. | Crédito: Vatican Media.24 de mar de 2026 às 05:16
Durante a Semana Santa na Igreja Católica são usadas cores litúrgicas com significados especiais.
1. Cor branca na Semana Santa
A Instrução Geral do Missal Romano indica que o branco deve ser usado nos ofícios e nas missas do Tempo Pascal. Também é usado em celebrações do Senhor que não sejam de sua Paixão.
O padre William Saunders, da diocese de Arlington, EUA, explicou certa vez que as cores branca e dourada “simbolizam a alegria e a pureza da alma” e são sempre usadas no Natal e na Páscoa.
2. Cor vermelha na Semana Santa
A Igreja determina que vermelho seja usado no Domingo de Ramos, na Sexta-Feira Santa e em todas as demais comemorações da Paixão do Senhor.
O padre Saunders disse que esta cor significa “o derramamento de sangue”, mas também “simboliza o fogo ardente do amor de Deus”.
3. Cor roxa na Semana Santa
O roxo é usado pela Igreja no tempo da Quaresma, em preparação para a Semana Santa.
O padre Saunders disse que esta cor representa um “sinal de penitência, sacrifício, preparação” para o tempo da Quaresma.
Segundo a Instrução Geral do Missal Romano, “nos dias mais solenes podem ser usadas vestes sagradas festivas ou mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia”.
(acidigital)
segunda-feira, 23 de março de 2026
Por que a Semana Santa muda de data
O Sábado Santo é uma das celebrações mais evocativas da Semana Santa | Zofia Czubak/EWNT NewsPor Redação central
23 de mar de 2026 às 04:13
As datas do Tríduo Pascal mudam a cada ano porque são as fases da Lua que guiam o calendário da Igreja para as celebrações dos mistérios da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Na Semana Santa, os cristãos celebram a paixão, morte e a ressurreição de Jesus, a festa mais importante do calendário litúrgico. Nos primeiros séculos da fé, era a única festa que se celebrava. Não havia outros tempos litúrgicos nem outras solenidades.
A origem desta data se deve ao fato de que a morte de Cristo ocorreu ao redor da festa de pesach, a páscoa judaica. Os evangelhos se referem a esta celebração na passagem bíblica da última ceia, quando Jesus se reuniu com seus discípulos para celebrar esta festa na que os judeus recordavam a saída do Egito.
Os judeus celebravam o pesach o dia 15 do mês de Nisan, que começa com a primeira lua nova da primavera. Assim, ficou estabelecido no primeiro concilio ecumênico de Niceia, em 325, que a Páscoa se celebra no domingo seguinte à primeira lua cheia depois do equinócio da primavera do hemisfério norte, outono do hemisfério sul. Algumas igrejas ortodoxas não seguem essa determinação e celebram a Páscoa em datas diferentes.
O domingo de Páscoa pode cair entre 22 de março e 25 de abril.
As datas de Páscoa se repetem em um período de 5,7 milhões de anos. Nesse intervalo de tempo a data mais frequente para a Páscoa é 19 de abril. Na maioria das vezes, a Semana Santa cai durante a primeira ou segunda semana de abril.