sexta-feira, 6 de março de 2026
"REZAR COM O PAPA"
MARÇO: Pelo desarmamento e pela paz
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Um homem.
Senhor da Vida,
que você moldou cada ser humano à sua imagem e semelhança,
Nós acreditamos que você nos criou para a comunhão, não para a guerra,
para a fraternidade, não para a destruição.
Vós, que saudastes os vossos discípulos, dizendo: “A paz seja convosco”.
Concede-nos o dom da vossa paz
e a força para torná-lo uma realidade na história.
Hoje levantamos nossa súplica pela paz no mundo,
Implorar às nações para abrir mão de armas
e escolher o caminho do diálogo e da diplomacia.
Desarme nossos corações de ódio, rancor e indiferença,
para que possamos ser instrumentos de reconciliação.
Ajude-nos a entender essa verdadeira segurança
não nasce do controle que alimenta o medo,
mas confiança, justiça e solidariedade entre os povos.
Senhor, iluminai os líderes das nações,
para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte,
parando a corrida armamentista,
e colocar a vida dos mais vulneráveis no centro.
Nunca mais a ameaça nuclear condiciona o futuro da humanidade.
Espírito Santo,
Faça-nos construtores fiéis e criativos da paz cotidiana:
em nosso coração, nossas famílias,
nossas comunidades e nossas cidades.
Que toda palavra bondosa, cada gesto de reconciliação
e cada decisão de diálogo são as sementes de um novo mundo.
Um homem.
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Santa Sé denuncia à ONU que cristãos são a comunidade mais perseguida do mundo
5 de mar de 2026 às 12:07
O observador permanente da Santa Sé junto à Organização das Nações Unidas (ONU), arcebispo Ettore Balestrero, denunciou em Genebra, Suíça, que os cristãos são a comunidade mais perseguida do mundo, na conferência Apoio aos Cristãos Perseguidos: Defendendo a Fé e os Valores Cristãos.
Balestrero, que também é representante da Santa Sé junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e à Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse que, no ano passado, “cerca de 5 mil fiéis foram mortos por causa de sua fé”, 13 pessoas por dia.
“Cerca de 400 milhões de cristãos, ou um em cada sete, são vítimas de perseguição ou violência”, disse o arcebispo, segundo o Vatican News, serviço de informações da Santa Sé. “Essa é a comunidade religiosa mais perseguida do mundo”.
Ele disse que as vítimas “são mártires no sentido etimológico do termo”, porque são testemunhas “de sua crença, personificando valores que desafiam a lógica do poder”, disse o arcebispo.
Do ponto de vista do direito internacional, o arcebispo italiano disse que os cristãos também são vítimas de “violações escandalosas dos direitos humanos”.
“O dever do Estado é proteger a liberdade de religião ou crença, o que inclui impedir que terceiros violem esse direito”, disse ele. “Essa proteção deve salvaguardar os fiéis que são alvo de ataques, antes, durante e depois desses ataques”.
Balestrero disse que a impunidade dos que matam cristãos é "um dos problemas mais graves no cenário global da perseguição religiosa".
Depois de expressar sua preocupação com os milhões de cristãos perseguidos, ele disse que esse “flagelo” a que são submetidos “afeta todos os países”, inclusive na Europa. Balestrero citou o recente relatório sobre crimes de ódio do Escritório para as Instituições Democráticas e os Direitos Humanos da Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE), que registrou cerca de 760 crimes de ódio contra cristãos na Europa só em 2024.
Para além dos crimes, o representante da Santa Sé em Genebra denunciou outros modos de perseguição: "Entre elas, há uma espécie de perseguição cortês, que muitas vezes assume o modo de discriminação através da marginalização progressiva e da exclusão da vida política, social e profissional, mesmo em terras tradicionalmente cristãs”.
Ele disse que essa perseguição assume o modo de restrições e limitações mais discretas, "por meio das quais normas legais e práticas administrativas restringem ou, de fato, anulam os direitos legalmente reconhecidos da população predominantemente cristã, mesmo em algumas partes da Europa".
(acidigital)
Asiáticos iniciam preparativos espirituais e logísticos para a JMJ Seul 2027
Por Sumon Corraya
5 de mar de 2026 às 14:35
Católicos de Bangladesh, Índia e Nepal estão se preparando para a Jornada Mundial da Juventude 2027, que acontecerá de 3 a 8 de agosto do ano que vem em Seul, Coreia do Sul.
Bangladesh, país com cerca de 400 mil católicos, espera enviar pelo menos mil jovens e animadores para Seul, segundo o padre Bikash James Rebeiro, CSC, secretário da comissão episcopal para a Juventude e coordenador nacional da juventude da Igreja em Bangladesh.
“Nossos jovens em Bangladesh estão ansiosos para participar da Jornada Mundial da Juventude na Coreia do Sul”, disse Rebeiro à EWTN. “Nesta era das redes sociais, jovens recebem informações com antecedência sobre quando e onde a Jornada da Juventude acontecerá. Eles mesmos nos dizem que querem participar”.
Rebeiro disse que a Jornada Mundial da Juventude oferece aos jovens fiéis uma oportunidade rara de anunciar sua fé e aprender com seus pares de todo o mundo. “A Jornada Mundial da Juventude é uma troca de culturas e valores”, disse ele. “Jovens de todos os países, ricos e pobres, participam, mas aprendem uns com os outros. Eles testemunham sua fé. Além disso, o catecismo é ensinado na Jornada Mundial da Juventude. Isso é muito importante”.
Ele disse que o processo de preparação é rigoroso. “Primeiro, definimos os critérios para quem pode participar da Jornada Mundial da Juventude”, disse ele. “Depois, fazemos a seleção final. Em seguida, eles participam de meditação individual. Depois, recebem uma orientação. Porque participar da Jornada Mundial da Juventude não é um passeio no parque, é uma jornada espiritual”.
Obstáculos financeiros e de visto
Líderes de jovens de Bangladesh enfrentam desafios logísticos significativos, como restrições financeiras e procedimentos de imigração. A comissão da juventude cobre metade das despesas dos participantes, enquanto os custos restantes devem ser arcados pelos próprios peregrinos ou por suas dioceses.
“Muitos participantes não têm condições de arcar com esses 50%”, disse Rebeiro. “Então, precisamos arrecadar doações para ajudá-los a participar da Jornada Mundial da Juventude”.
Ele falou sobre as dificuldades enfrentadas em peregrinações internacionais anteriores, como as repetidas perguntas por parte de agentes de imigração. “No ano passado, quando levei 27 pessoas numa peregrinação comemorativa do jubileu a Roma, na Itália, o agente de imigração abriu um processo contra mim”, disse ele. “Depois disso, ele nos deixou embarcar no avião”.
Um processo, ou Diário Geral, é um registro oficial da polícia ou da imigração utilizado em Bangladesh.
Apesar dos obstáculos, Rebeiro está esperançoso de que Bangladesh envie uma grande delegação a Seul. Reuniões preparatórias com potenciais peregrinos estão planejadas para setembro deste ano.
Planejamento em andamento na Índia
Preparativos semelhantes estão em andamento na Índia. O padre Chetan Machado, secretário executivo da comissão para a Juventude da Conferência dos Bispos Católicos da Índia (CBCI, na sigla em inglês), disse que o planejamento nacional e regional já começou.
“Fizemos uma série de reuniões”, disse Machado à EWTN News. “Planejamos a jornada da Cruz da JMJ, mas por vários motivos não pudemos convidar a Cruz da JMJ”.
A Índia traduziu a oração oficial da Jornada Mundial da Juventude para 12 idiomas locais e iniciou iniciativas regulares de oração. Regiões começaram preparativos espirituais e um retiro nacional para potenciais participantes está sendo planejado para o fim deste ano. Jovens indianos participaram do concurso de canções-tema da JMJ.
“O maior desafio será a obtenção de vistos para um grande número de peregrinos”, disse Machado. “Levando em conta a experiência da última JMJ em Lisboa, delegados indianos enfrentaram muitos problemas para obter vistos. O segundo desafio será o dos recursos financeiros. Até o momento, não sabemos o custo total da viagem etc. Muitos jovens querem participar da peregrinação da JMJ, mas, devido à situação financeira, muitos desistem”.
No Nepal, líderes de jovens dizem que um pequeno, mas motivado grupo está se preparando para participar do evento. Jovens fiéis locais estão empenhados em sua preparação espiritual e entusiasmados com a participação.
A visita da Cruz na JMJ inspira entusiasmo.
A Jornada Mundial da Juventude, instituída pelo papa são João Paulo II em 1985, tem suas raízes no Ano Santo da Redenção de 1984, quando o papa polonês confiou aos jovens uma grande cruz de madeira que depois se tornou a Cruz da Jornada Mundial da Juventude. Desde então, a cruz percorreu o mundo como símbolo do amor de Cristo e como um chamado à evangelização.
A Cruz da JMJ visitou Bangladesh em março e abril do ano passado, passando pelas dioceses de Dinajpur, Rajshahi e Dhaka, e pela arquidiocese de Chattogram, onde milhares de fiéis a veneraram. A visita ajudou a inspirar um entusiasmo renovado para o encontro em Seul.
Países como Tailândia, Indonésia, Coreia do Sul, Filipinas e Bangladesh já receberam a Cruz da JMJ como parte dos preparativos espirituais que antecedem o evento.
Hoje é dia de santo Olegário, o santo que teve que governar três dioceses ao mesmo tempo
Santo Olegário, 6 de março. | ACI Digital.Por Redação central
6 de mar de 2026 às 00:01
Hoje (6), a Igreja celebra santo Olegário (1060-1137), que foi ao mesmo tempo bispo de Barcelona, arcebispo de Tarragona e administrador dos territórios de uma terceira diocese. Orador ilustre, estimado pelos seus contemporâneos, atuou como organizador eclesiástico e administrador prudente. Trabalhou incansavelmente para fortalecer a religiosidade do seu povo e a presença da Igreja na vida cotidiana dos fiéis.
Olegário nasceu em 1060, numa família importante de Barcelona, ligada à nobreza. Seu pai era mordomo e secretário de Ramón Berenguer I, conde de Barcelona. Sua mãe, Guilia, era descendente da nobreza goda. Com apenas dez anos, foi confiado pelos pais à catedral de Santa Cruz, em Barcelona, para receber educação.
Anos mais tarde - já como sacerdote - fez parte do grêmio dos cônegos da catedral, depois de San Adrián de Besós e mais tarde de Sant Rufo de Avignon.
Pastor destemido
Santo Olegário foi nomeado bispo de Barcelona em 1116, numa época em que governava Ramón Berenguer III, conde de Barcelona. Estes foram também os tempos do pontificado de Pascual II. Em 1117 visitou a cidade de Roma com o propósito de conhecer o recém-nomeado papa Gelásio II e prestar-lhe as devidas honras.
Durante a reconquista de Tarragona, zona em poder dos árabes desde o início do século VIII, foi investido como arcebispo daquela região, sem deixar de ocupar a sé de Barcelona. Foram longos dias de provação em que um peso imenso caiu sobre seus ombros e nos quais ele se agarrou piedosamente ao Senhor. Sem descanso – era metropolita de direito pleno – foi também nomeado administrador eclesiástico dos territórios da diocese de Tortosa, jurisdição atingida pela ocupação árabe.
Estas missões concretas eram uma pesada cruz, que nem Olegário nem ninguém poderia se atrever a carregar sem se colocar nas mãos da Virgem Maria e na assistência do Espírito.
Santidade e política? Vocação de serviço
O arcebispo de Tarragona foi um homem de Deus e um bom filho do seu tempo. Para onde Deus o enviou, lá foi ele, sempre confiando no seu Amor infinito. Pela sua nobreza de carácter conquistou o apreço de figuras importantes e influentes, incluindo, claro, figuras políticas. Ramón Berenguer III e Ramón Berenguer IV o tiveram como conselheiro e colaborador.
Soube reconhecer e cuidar sabiamente dos importantes limites entre o poder civil e o eclesiástico; sem cair nas armadilhas da exclusão mútua ou no erro da confusão entre jurisdições. A partir da sua sede, Olegário contribuiu, neste sentido, para a renovação da Igreja local e para o fortalecimento da sua independência. Isso fez dele uma figura proeminente no mundo medieval em geral, quando a transposição ou invasão de jurisdições era moeda comum em muitos lugares.
Santo Olegário também atuou como mediador quando necessário. Em dezembro de 1134, juntamente com outras figuras civis e eclesiásticas, chegou a Saragoça e conseguiu um acordo de paz entre o rei Ramiro II de Aragão e Afonso VII de Castela, à beira de um confronto.
Sem dicotomias entre povo e hierarquia
Assim como santo Olegário tratava corretamente dos assuntos terrenos e espirituais, também foi servo do papa nos assuntos pertinentes à hierarquia eclesiástica, amparador e protetor da vida dos fiéis. Participou de vários concílios: Toulouse, Reims, Primeiro de Latrão (nono dos concílios ecumênicos). Posteriormente, foi enviado pelo papa Inocêncio II ao segundo Concílio de Latrão, do qual também participou são Bernardo de Claraval.
Durante as sessões, ele foi o responsável pela apresentação dos argumentos contra o antipapa Anacleto. Diz-se que a sua eloquência foi tal em cada uma das suas intervenções que o voto de condenação (excomunhão) de Anacleto foi unânime.
Veneração
O arcebispo morreu em Barcelona em 6 de março de 1137 e foi canonizado cinco séculos depois pelo papa Clemente X, em 1675.
Seu corpo, em estado incorrupto, repousa até hoje em uma câmara da catedral de Barcelona, dentro da capela de Cristo de Lepanto. Todo dia 6 de março, esta câmara é aberta ao público e o corpo do santo pode ser visto através da urna de vidro
Santo Olegário, rogai pela fidelidade dos sacerdotes, dos bispos e do papa, servidores do Povo de Deus.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Papa diz não poder comentar sobre condenação de ativista católico de Hong Kong
4 de mar de 2026 às 11:39
O papa Leão XIV disse à EWTN News que “não pode comentar” sobre Jimmy Lai, fundador e editor católico do jornal pró-democracia Apple Daily, que foi condenado em 9 de fevereiro sob acusações que, segundo autoridades chinesas, violam leis de segurança nacional.
Lai recebeu uma pena de 20 anos de prisão pela condenação, em dezembro do ano passado, em um julgamento que seus apoiadores denunciaram como um teatro político.
O papa Leão XIV se encontrou com a esposa e a filha de Lai em outubro do ano passado. O papa não falou diretamente sobre Lai, mas falou sobre jornalistas presos e sobre a importância da liberdade de imprensa.
“A Igreja reconhece nesses testemunhos - penso naqueles que narram a guerra mesmo à custa da própria vida - a coragem de quem defende a dignidade, a justiça e o direito dos povos a serem informados, porque só os povos informados podem fazer escolhas livres”, disse ele. “O sofrimento desses jornalistas presos interpela a consciência das nações e da comunidade internacional, chamando-nos a todos a salvaguardar o bem precioso da liberdade de expressão e de imprensa”.
A Santa Sé mantém uma relação delicada com o governo da República Popular da China desde o acordo provisório, renovado a cada dois anos desde 2018, sobre a nomeação de bispos cujos termos continuam secretos.
Apelo pela paz
O papa reafirmou ontem (3) o apelo à paz e ao desarmamento em frente à vila papal de Castel Gandolfo, a 24 km a sudeste de Roma, antes de voltar ao Vaticano.
“Vamos orar por menos ódio e mais paz”, disse ele a repórteres. “E trabalhar por um diálogo autêntico”.
O papa não respondeu a nenhuma pergunta além da referente à prisão de Lai.
Leão XIV tem o costume de passar as terças-feiras na residência de campo e, ocasionalmente, responde a perguntas de repórteres ao fim de sua estadia. Esse foi o primeiro contato dele com a imprensa desde 23 de dezembro do ano passado.
quarta-feira, 4 de março de 2026
AUDIENCIA GERAL
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 4 de março de 2026
Os Documentos do Concílio Vaticano II II. Constituição dogmática Lumen Gentium 2. A Igreja, realidade visível e espiritual
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje damos continuidade ao nosso aprofundamento sobre a Constituição conciliar Lumen Gentium, Constituição dogmática sobre a Igreja.
No primeiro capítulo, onde se tenciona responder sobretudo à pergunta sobre o que é a Igreja, ela é descrita como «uma realidade complexa» (n. 8). Agora perguntemo-nos: em que consiste tal complexidade? Alguém poderia responder que a Igreja é complexa porque “complicada” e, portanto, difícil de explicar; outros poderiam pensar que a sua complexidade deriva da constatação de ser uma instituição com dois mil anos de história, com caraterísticas diferentes em relação a qualquer outra agregação social ou religiosa. Mas na língua latina a palavra “complexa” indica sobretudo a união ordenada de diferentes aspetos ou dimensões, no seio de uma única realidade. Por isso, a Lumen gentium pode afirmar que a Igreja é um organismo bem articulado, no qual coexistem a dimensão humana e a dimensão divina, sem separação nem confusão.
A primeira dimensão é imediatamente percetível, pois a Igreja é uma comunidade de homens e mulheres que partilham a alegria e o esforço de ser cristãos, com as suas qualidades e os seus defeitos, anunciando o Evangelho e tornando-se sinal da presença de Cristo que nos acompanha ao longo do caminho da vida. No entanto, este aspeto – que se manifesta inclusive na organização institucional – não é suficiente para descrever a verdadeira natureza da Igreja, dado que ela possui também uma dimensão divina. Esta última não consiste numa perfeição ideal, nem numa superioridade espiritual dos seus membros, mas na constatação de que a Igreja é gerada pelo desígnio de amor de Deus para a humanidade, realizado em Cristo. Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu (LG, 8; CIC, 771).
A dimensão humana e a dimensão divina integram-se harmoniosamente, sem que uma se sobreponha à outra; assim, a Igreja vive neste paradoxo: é uma realidade humana e ao mesmo tempo divina que acolhe o homem pecador, conduzindo-o a Deus.
Para iluminar esta condição eclesial, a Lumen Gentium refere-se à vida de Cristo. Com efeito, quem encontrava Jesus ao longo das estradas da Palestina, experimentava a sua humanidade, os seus olhos, as suas mãos, o som da sua voz. Quem decidia segui-lo era impelido precisamente pela experiência do seu olhar acolhedor, pelo toque das suas mãos abençoadoras, pelas suas palavras de libertação e de cura. Mas ao mesmo tempo, seguindo aquele Homem, os discípulos abriam-se ao encontro com Deus. Sim, a carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam de modo visível o Deus invisível.
À luz da realidade de Jesus, agora podemos voltar à Igreja: quando olhamos de perto para ela, descobrimos uma dimensão humana feita de pessoas concretas, que às vezes manifestam a beleza do Evangelho, e outras esforçam-se e erram como todos. No entanto, precisamente através dos seus membros e dos seus limitados aspetos terrenos, manifestam-se a presença de Cristo e a sua ação salvífica. Como dizia Bento XVI, não há oposição entre Evangelho e instituição; aliás, as estruturas da Igreja servem precisamente para «a realização e a concretização do Evangelho no nosso tempo» (Discurso aos bispos da Suíça, 9 de novembro de 2006). Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história.
É nisto que consiste a santidade da Igreja: na constatação de que Cristo habita nela e continua a doar-se através da pequenez e fragilidade dos seus membros. Contemplando este milagre perene que acontece nela, compreendemos o “método de Deus”: Ele torna-se visível através da debilidade das criaturas, continuando a manifestar-se e a agir. Por isso na Evangelii gaudium, o Papa Francisco exorta que todos aprendam «a tirar sempre as sandálias diante da terra sagrada do outro (cf. Ex 3, 5)» (n. 169). Isto torna-nos ainda hoje capazes de edificar a Igreja: não só organizando as suas formas visíveis, mas construindo aquele edifício espiritual que é o corpo de Cristo, através da comunhão e da caridade entre nós.
Com efeito, a caridade gera constantemente a presença do Ressuscitado. «Queira o céu — afirmava Santo Agostinho — que todos prestem atenção unicamente à caridade: sim, só ela vence tudo, e sem ela, todas as coisas não valem nada; onde quer que ela esteja, atrai tudo a si» (Serm. 354, 6, 6).
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Saudações:
Uma cordial saudação aos fiéis de língua portuguesa, de modo especial ao grupo de jovens de Meixomil, em Portugal! Feita de homens e mulheres, a Igreja é divina: mesmo com a nossa pequenez e limitação, podemos sempre ser instrumentos nas mãos de Deus para a edificação da Sua Igreja. Deus vos abençoe!
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Resumo da catequese do Santo Padre:
A Constituição Dogmática Lumen Gentium, no seu primeiro capítulo, descreve a Igreja «como uma realidade complexa» (n. 8), não porque a Igreja seja “complicada” ou difícil de explicar, mas porque, na sua unidade, coexistem aspectos ou dimensões diversas: na Igreja convivem de forma harmônica a dimensão humana e a divina, sem separação nem confusão. Para ajudar a compreender esta condição eclesial, o documento faz referência à vida de Jesus, em quem se unem a humanidade e a divindade. Cristo torna visível a dimensão divina do seu Corpo Místico, continuando a agir através da pequenez e da fragilidade dos seus membros, que evidenciam a dimensão humana da Igreja.
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Parolin: as guerras preventivas correm o risco de incendiar o mundo
Andrea Tornielli
"Este declínio do direito internacional é realmente preocupante: a justiça foi substituída pela força." O secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, falou à imprensa vaticana sobre a guerra em andamento no Oriente Médio e observou com preocupação que "um multipolarismo marcado pela primazia do poder e pela autorreferencialidade está se afirmando perigosamente."
Eminência, como está vivendo esses momentos dramáticos?
Com grande pesar, pois os povos do Oriente Médio, incluindo as já frágeis comunidades cristãs, mergulharam novamente no horror da guerra, que brutalmente destrói vidas humanas, produz destruição e arrasta nações inteiras em espirais de violência com resultados incertos. No domingo passado, durante o Angelus, o Papa falou de uma “tragédia de proporções enormes” e do risco de um “abismo irreparável”. São palavras mais do que eloquentes para descrever o momento que estamos atravessando.
O que você acha do ataque dos EUA e de Israel ao Irã?
Acredito que a paz e a segurança devem ser cultivadas e buscadas por meio das possibilidades oferecidas pela diplomacia, especialmente aquela exercida nos organismos multilaterais, onde os Estados têm a possibilidade de resolver os conflitos de maneira pacífica e mais justa. Após a Segunda Guerra Mundial, que causou aproximadamente 60 milhões de mortes, os pais fundadores, com a criação da Organização das Nações Unidas, quiseram poupar seus filhos dos horrores que eles tinham vivido. Por isso, na Carta da ONU, buscaram fornecer diretrizes precisas sobre a gestão de conflitos. Hoje, esses esforços parecem ter sido em vão. Não só isso, mas, como o Papa lembrou ao Corpo Diplomático no início do ano, "uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todos está sendo substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou grupos de aliados", e acredita-se que a paz pode ser buscada "pelas armas".
Quando se fala das causas de uma guerra, é complexo determinar quem está certo e quem está errado. O que é certo, porém, é que ela sempre produzirá vítimas e destruição, bem como efeitos devastadores sobre os civis. Por essa razão, a Santa Sé prefere enfatizar a necessidade de utilizar todos os instrumentos oferecidos pela diplomacia para resolver disputas entre Estados. A história já nos ensinou que somente a política, com o esforço da negociação e a atenção ao equilíbrio de interesses, pode aumentar a confiança entre os povos, promover o desenvolvimento e preservar a paz.
A justificativa para o ataque foi impedir a realização de novos mísseis — em suma, uma "guerra preventiva"...
Como enfatiza a Carta da ONU, o uso da força deve ser considerado apenas como último recurso, após o esgotamento de todos os instrumentos de diálogo político e diplomático, após cuidadosa avaliação dos limites da necessidade e da proporcionalidade, com base em avaliações rigorosas e razões bem fundamentadas, e sempre no âmbito de uma governança multilateral. Se aos Estados fosse reconhecido o direito à “guerra preventiva”, segundo critérios próprios e sem um quadro jurídico supranacional, o mundo inteiro correria o risco de se encontrar em chamas. É realmente preocupante este declínio do direito internacional: a justiça foi substituída pela força, a força do direito foi substituída pelo direito da força, com a convicção de que a paz só pode nascer depois de o inimigo ter sido aniquilado.
Que peso têm as enormes manifestações de rua das últimas semanas, brutalmente reprimidas no Irã? Podem ser esquecidas?
Certamente que não; isso também foi motivo de profunda preocupação. As aspirações dos povos devem ser levadas em consideração e garantidas dentro de um quadro jurídico de uma sociedade que assegura a todos a liberdade e a expressão pública de suas ideias, e isso também se aplica ao querido povo iraniano. Ao mesmo tempo, podemos nos perguntar se realmente se acredita que a solução possa vir através do lançamento de mísseis e bombas.
Por que o direito internacional e a diplomacia estão passando por esse declínio hoje?
A consciência de que o bem comum realmente beneficia a todos — isto é, o bem do outro também é um bem para mim — se dissipou, e a justiça, a prosperidade e a segurança se realizam na medida em que todos podem se beneficiar delas. Esse princípio fundamenta a criação do sistema multilateral ou de um projeto ambicioso, como o da União Europeia. Essa consciência se dissipou, alimentando a busca pelo interesse próprio.
Isso tem outra consequência: o sistema da diplomacia multilateral nas relações entre os Estados atravessa uma profunda crise, devido, entre outros fatores, pela desconfiança dos Estados em relação aos vínculos legais que limitam sua ação. Esse comportamento representa a outra face da vontade de poder: o desejo de agir livremente, de impor a própria ordem aos outros, evitando o árduo, porém nobre, trabalho da política, composto de discussões, negociações, de vantagens pessoais e concessões aos outros. Um multipolarismo marcado pela primazia do poder e pela autorreferencialidade está se afirmando de forma perigosa. Infelizmente, princípios como a autodeterminação dos povos, a soberania territorial e as normas que regem a própria guerra (jus in bello) estão sendo questionados. Todo o aparato construído pelo direito internacional em áreas como desarmamento, cooperação para o desenvolvimento, respeito aos direitos fundamentais, propriedade intelectual, trocas e trânsitos comerciais está sendo questionado e gradualmente arquivado. E, acima de tudo, parece ter tido uma perda de consciência do que Immanuel Kant escreveu em 1795: "Uma violação do direito que ocorre numa parte da Terra é sentida em todos os lugares". Ainda mais grave, em alguns aspectos, é invocar o direito internacional para atender às próprias conveniências.
A que se refere?
Refiro-me ao fato de haver casos em que a Comunidade internacional se indigna e toma medidas, e casos em que não o faz, ou o faz muito menos, dando a impressão de que há violações do direito que devem ser punidas e outras que devem ser toleradas, vítimas civis que devem ser deploradas e outras que devem ser consideradas "danos colaterais". Não há mortes de primeira e segunda classe, nem há pessoas que tenham um direito maior de viver do que outras simplesmente por terem nascido num continente em vez de outro ou num determinado país. Gostaria de sublinhar a importância do direito internacional humanitário, cujo respeito não pode depender das circunstâncias ou de interesses militares e estratégicos. A Santa Sé reitera com veemência a sua condenação de toda forma de envolvimento de civis e estruturas civis, como residências, escolas, hospitais e locais de culto, em operações militares, e pede para que o princípio da inviolabilidade da dignidade humana e da sacralidade da vida seja sempre protegido.
Quais as perspectivas de curto prazo o senhor vê para esta nova crise?
Espero e rezo para que o apelo à responsabilidade feito pelo Papa Leão XIV no último domingo seja ouvido e possa tocar os corações de quem está tomando decisões. Espero que o barulho das armas cesse em breve e que se retorne às negociações. Não se deve esvaziar o sentido das negociações: é essencial conceder o tempo necessário para que se alcancem resultados concretos, trabalhando com paciência e determinação. Além disso, devemos reconhecer que a ordem internacional mudou profundamente em relação àquela concebida oitenta anos atrás, com a criação da ONU. Sem nostalgia do passado, é necessário combater toda deslegitimação das instituições internacionais e promover a consolidação de normas supranacionais que ajudem os Estados a resolver disputas pacificamente, por meio da diplomacia e da política.
Que esperança há diante de tudo isso?
Os cristãos têm esperança porque confiam no Deus que se fez Homem, que no Getsêmani ordenou a Pedro que embainhasse a espada e que na Cruz experimentou em primeira mão o horror da violência cega e insensata. Eles também têm esperança porque, apesar das guerras, das destruições, das incertezas e de um sentimento generalizado de desorientação, de muitas partes do mundo continuam se levantando vozes que clamam por paz e justiça. Os nossos povos pedem paz! Esse apelo deveria impactar governos e todos aqueles que trabalham no contexto das relações internacionais, levando-os a multiplicar os esforços pela paz.
terça-feira, 3 de março de 2026
Roma segue os passos de São Francisco: proposta de roteiro espiritual nos 800 anos de sua páscoa
Pe. Rodrigo Rios – Vatican News
Roma não é apenas a cidade dos apóstolos Pedro e Paulo, é também, profundamente, a cidade de São Francisco. No marco das celebrações do oitavo centenário da aprovação da Regra Bulada (1223–2023) e da sua morte (2026), a capital italiana mostra um novo roteiro de fé chamado a "Via di Francesco a Roma". O caminho, que liga o complexo de Latrão ao bairro do Trastevere, convida peregrinos e turistas a redescobrirem as pegadas do santo de Assis em solo romano.
O Lazareto e o refúgio no Trastevere
O ponto de chegada deste caminho, a Igreja de San Francesco a Ripa, é um dos lugares mais significativos da presença do santo na cidade. No século XIII, o local abrigava o antigo hospital de San Biagio. Conhecido como Lazareto, este foi um espaço de isolamento destinado a pessoas com doenças infectocontagiosas, especialmente a lepra (hoje chamada de hanseníase) e, mais tarde, a peste.
Era ali que o poverello se hospedava durante suas frequentes visitas a Roma para se encontrar com os Pontífices. No interior da igreja, ainda é possível visitar a cela onde o santo repousava, conservando como relíquia a pedra que ele utilizava como travesseiro. Foi neste local que Francisco cuidou de leprosos, reafirmando o carisma da pobreza e do serviço aos marginalizados.
O encontro com o Papado e a Regra
A jornada proposta atravessa marcos históricos como o Circo Máximo e a
Colina Célio, conectando o Trastevere à Basílica de São João de Latrão,
a Catedral de Roma. A escolha desse trajeto não é estética, mas
histórica:
- Em 1209, Francisco veio a Roma com seus primeiros
companheiros para obter do Papa Inocêncio III a aprovação oral de sua
forma de vida.
- Em 1223, o vínculo com Roma se consolidou definitivamente quando o Papa Honório III aprovou a Regio Bullata (Regra Bulada), o documento que até hoje rege a Ordem dos Frades Menores.
Para saber mais sobre o Ano de São Franscico e o significado da celebração do 8º centenário de sua morte, veja o vídeo abaixo do Frei Gilson Miguel Nunes, OFMConv, assistente internacional da Mílicia da Imaculada, residente em Roma.
Um caminho de luz e história
Sob o título "Le strade di Roma, una via alla luce della Regola" (As estradas de Roma, um caminho à luz da Regra), o projeto, apoiado por instituições como a Enel e a PwC, busca não apenas recordar o passado, mas atualizar a mensagem do carisma franciscano. O mapa guia o fiel por uma Roma, destacando a Isola Tiberina e as margens do Rio Tibre, por onde Francisco transitava em suas missões de paz e caridade.
O roteiro proposto pode ser feito à pé e é bem mais que um simples passeio turístico; é uma imersão física na geografia da humildade. Ao caminhar os cerca de 4 quilômetros que separam a imponência da Basílica de São João de Latrão até o ambiente acolhedor de San Francesco a Ripa, o peregrino refaz o percurso vivido pelo próprio santo. O trajeto exige que se atravesse o Circo Máximo e se cruze o Rio Tibre pela Ponte Palatino, permitindo que o ritmo lento dos passos revele uma Roma silenciosa e medieval que sobrevive em meio ao caos urbano.
Destaques do Roteiro
San Giovanni in Laterano (São João de Latrão)
Foi aqui que, em 1209, o Papa Inocêncio III teve o famoso sonho com um homem pequeno e pobre sustentando a Basílica que estava prestes a desabar. No dia seguinte, ele recebeu Francisco e seus 11 companheiros. Logo em frente à basílica, há um imponente conjunto de estátuas de bronze de São Francisco e seus frades olhando para a igreja, rememorando esse encontro histórico.
Ponte Palatino
Ao cruzar esta ponte, o caminhante estará deixando a Roma Imperial, dita assim por conta do Fórum Romano e do Circo Máximo, para entrar na Roma Popular, ou seja, em Trastevere. De cima da ponte, é possível ver a Isola Tiberina à direita. Francisco certamente cruzou o rio por esta região, que na Idade Média era o centro do comércio e da circulação de pessoas simples.
San Francesco a Ripa
Ao entrar na Igreja, o peregrino deve procurar pela cela de São Francisco. Lá, onde há o bloco de pedra que ele usava como travesseiro, retrata a humildade e a busca pela penitência constante do santo.
Papa pede ‘responsabilidade moral’, diplomacia e diálogo no Irã
Por Victoria Cardiel
2 de mar de 2026 às 10:13
O papa Leão XIV expressou sua “profunda preocupação” com a escalada da violência entre Israel, os EUA e o Irã, e pediu “um diálogo razoável, autêntico e responsável”.
“Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas”, disse o papa na oração do Ângelus ontem (1).
“A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas só por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável”, disse ele.
Segundo o Crescente Vermelho iraniano, a ofensiva conjunta EUA-Israel matou pelo menos 200 pessoas e feriu 700 em várias partes do país desde o último sábado (28).
Entre as vítimas está o líder supremo do pais, Ali Khamenei.
Uma tragédia de "proporções enormes"
Em resposta, forças iranianas lançaram mísseis e drones contra bases americanas em vários países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Qatar, e contra território israelense, intensificando uma troca de ataques que aumenta o risco de um conflito regional.
Diante desse cenário de guerra, o papa alertou para “a possibilidade de uma tragédia de proporções enormes” e fez “um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”.
Ele também pediu que "a diplomacia recupere seu papel" e que "o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça" seja promovido.
Por fim, ele exortou os fiéis a continuarem rezando pela paz na região.
Em meio aos ataques, o arcebispo latino de Teerã-Isfahan, cardeal Dominique Mathieu, que está na capital iraniana neste período de tensão, fez um breve apelo pela paz em vista da situação na região.
O cardeal disse em italiano à ACI MENA, agência de notícias em árabe da EWTN: “Que as armas cessem. Que os corações experimentem serenamente a paz e a justiça, como Deus deseja para seus filhos.”
O cardeal belga — que completou 62 anos em 13 de junho do ano passado, quando Israel começou a bombardear o Irã e teve início o conflito há 8 meses — foi nomeado cardeal pelo papa Francisco em dezembro de 2024.
Confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão
Leão XIV expressou sua preocupação com os recentes confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão e pediu uma volta urgente ao diálogo para conter a violência.
“Nestes dias, chegam notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão”, disse o papa, exortando os fiéis a rezar para que “a concórdia prevaleça em todos os conflitos do mundo”.
Leão XIV disse que “só a paz, um dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos”, falando sobre a necessidade de priorizar a diplomacia e o entendimento mútuo em detrimento do confronto.
As tensões entre os dois países, que dividem uma fronteira entre si e com o Irã, aumentaram nos últimos dias desde que o Paquistão, uma potência nuclear, lançou ataques aéreos contra alvos militantes no Afeganistão. Antes, autoridades de segurança paquistanesas disseram ter provas irrefutáveis de que o Afeganistão estava por trás de uma recente onda de ataques e atentados suicidas contra o exército e a polícia paquistaneses.
Em sua mensagem, o papa também expressou sua solidariedade com o povo do Estado de Minas Gerais, no Brasil, afetado por violentas enchentes nos últimos dias.
“Estou próximo da população do Estado brasileiro de Minas Gerais, atingida por violentas inundações”, disse ele. “Rezo pelas vítimas, pelas famílias que perderam as suas casas e por todos aqueles que estão a trabalhar nas operações de socorro”.
(acidigital)
Hoje é celebrada santa Catarina Drexel, apóstola dos índios americanos e dos negros
Santa Catarina DrexelPor Redação central
3 de mar de 2026 às 00:01
Santa Catarina Drexel é a fundadora das Irmãs do Santíssimo Sacramento para índios e negros em Santa Fé, Novo México, Estados Unidos. Dedicou sua vida ao serviço a estas pessoas e deixou toda a sua fortuna obtida em herança para o apoio de sua missão evangelizadora.
Nasceu em 26 de novembro de 1858 na Pensilvânia (Estados Unidos) no seio de uma família rica, que a ensinou desde menina a ser generosa com os necessitados. Exemplo disso foram duas de suas irmãs, uma que fundou uma escola para órfãos e outra que fez o mesmo para pessoas negras em situação de pobreza.
Após a morte de seus pais, depois de ter cuidado deles, a jovem Catarina seguiu o exemplo de suas irmãs e começou a se preocupar pela situação dos índios em seu país. Por isso, pediu ao papa Leão XIII, durante uma audiência em 1887, que enviasse mais missionários ao estado de Wyoming para o seu amigo, o Bispo James O’Connor.
Diante disso, o papa lhe respondeu: “Por que você não se torna missionária?”.
Tempos depois, quando visitou os estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, conheceu o chefe índio da tribo Sioux e iniciou uma ajuda continua nas missões com os índios americanos.
Depois, entrou no noviciado das Irmãs da Misericórdia e, em 1891, fundou a ordem das Irmãs do Santíssimo Sacramento, que seria aprovada em Roma em 1913.
Em 1942, santa Catarina Drexel contava com um sistema de escolas católicas para índios americanos e negros em 13 estados e, por isso, sofreu perseguição.
Morreu em 3 de março de 1955 em Bensalem, Pensilvânia, depois de passar 20 anos de sua vida concentrada na oração e meditação.
Foi beatificada em 20 de novembro de 1988 por são João Paulo II e canonizada por ele em 1º de outubro de 2000. É considerada apóstola dos índios americanos e negros. Sua memória litúrgica é recordada hoje, 3 de março.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Em Portugal há uma “narrativa hostil” contra os migrantes
Rui Saraiva - Portugal
Acolher, proteger, promover e integrar são verbos recordados como parte do legado deixado pelo Papa Francisco no âmbito do tema das migrações.
Em entrevista à Agência Ecclesia, Eugénia Quaresma afirma que estes mesmos verbos passaram a ser usados em toda a pastoral da Igreja.
“Foram verbos que estão associados às migrações e que depois foram alargados a toda a pastoral da Igreja”, diz Eugénia Quaresma salientando a conjugação prática destes verbos a situações de vulnerabilidade e de fragilidade.
Migrações: um tema da periferia para o centro
A Diretora do Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) afirma que com o Papa Francisco o tema das migrações foi trazido “da periferia para o centro, para a agenda. Não só a agenda da Igreja, mas para a agenda do mundo e mediática”, salienta.
A responsável católica declara que aquilo que a preocupa e espanta, atualmente na sociedade portuguesa, é a existência de uma “narrativa hostil” contra os migrantes.
“Aquilo que nos espanta atualmente, nomeadamente na sociedade portuguesa, é esta narrativa hostil. Porque nós, pelo menos desde que eu estou a trabalhar na OCPM, na sociedade civil havia uma narrativa de hospitalidade, de acolhimento, que podia haver dúvidas, mas era possível conversar e agora há uma narrativa hostil para a qual importa procurar respostas”, afirma.
E acrescenta: “E o tema das migrações […] se teve algum progresso no passado foi porque conseguiu sentar à mesma mesa todas as forças políticas e perceberem o que era melhor para o país”.
Acolhimento, integração e não ceder a populismos
Recordemos que em setembro de 2025 os bispos lusófonos pediram mais atenção ao acolhimento dos migrantes. O comunicado final do XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, que decorreu em Portugal, pedia respeito pela “diversidade cultural e a dignidade de cada pessoa e de cada família” migrante ou refugiada.
No comunicado final, os bispos dos países lusófonos apelaram para uma “maior atenção ao acolhimento, proteção, promoção e integração dos migrantes e refugiados por parte das comunidades na diáspora, respeitando a sua diversidade cultural e a dignidade de cada pessoa e de cada família que migra, e lutando contra a legislação que atenta a esses princípios”.
Na abertura dos trabalhos, D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa alertou para o perigo dos populismos no âmbito do tema das migrações e do seu debate público. Sobre este assunto pediu que haja colaboração entre as igrejas lusófonas.
“Este quadro de sermos irmãos em Igreja deve marcar também o nosso contributo para uma cultura que leve os nossos governantes a não cederem a populismos manipuladores, a serem verdadeiramente responsáveis no acolhimento e a saberem integrar os que chegam, na dignidade e na justiça, para fazer um mundo melhor”, disse D. José Ornelas.
Na ocasião, D. José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo (Angola) e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), assinalou que as igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes para acolher e partilhar.
“Queremos dizer que as Igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes que unem, Igrejas que acolhem e partilham as riquezas infinitas que brotam do amor divino, para que a ninguém falte o alimento necessário para viver na dignidade dos filhos de Deus, afirmou o arcebispo.
O Fórum das Organizações Católicas para a Imigração e Asilo (FORCIM) promoveu a 20 de fevereiro, Dia Mundial da Justiça Social, um encontro sobre o legado do Papa Francisco e as migrações, que se realizou na paróquia da Damaia em Lisboa.
Nesta iniciativa foram recordados gestos simbólicos do Papa Francisco, mas carregados de significado, como a sua visita a Lampedusa logo no início do seu pontificado.
Deste encontro do FORCIM ressalta a ideia de que as migrações são um fenómeno estrutural e que a partir dessa constatação será possível avançar com reformas estruturais na sociedade portuguesa que contemplem os movimentos migratórios e a sua importância para o desenvolvimento do país.
O FORCIM nasceu em 2001 e integra as seguintes organizações: Cáritas Portuguesa, CAVITP – Comissão de Apoio à Vítima de Tráfico de Pessoas, CEPAC – Centro Padre Alves Correia, CNJP – Comissão Nacional Justiça e Paz, CJPE – Comissão Justiça, Paz e Ecologia; CNCGCU – Coordenação Nacional da Capelania Greco-Católica Ucraniana de Rito Bizantino, FAIS – Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, FEC – Fundação Fé e Cooperação, JRS Portugal – Serviço Jesuíta aos Refugiados. LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, Adoradoras – Rede Hispano Lusa de Mulheres Vítimas de Tráfico, OCPM – Obra Católica Portuguesa de Migrações.
Laudetur Iesus Christus
domingo, 1 de março de 2026
Papa: a paz não se constrói com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam morte
Vatican News
"Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça". Poucos dias depois do quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, as atenções nestas horas se voltam em particular para o Irã, onde um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel atingiu desde a manhã de sábado diversas cidades iranianas, matando o líder supremo Ali Khamenei. O Irã reagiu, atingindo alvos civis e bases estadunidenses nos países do Golfo e em Israel.
Logo após rezar a oração mariana do Angelus, a preocupação de Leão XIV e o apelo ao diálogo:
Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável.
Diante dos desdobramentos imprevisíveis do conflito, o Santo Padre pediu ainda que a diplomacia recupere o seu papel, reiterando que os povos anseiam pela paz fundada na justiça:
Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, dirijo um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça. E continuemos a rezar pela paz.
E o pedido a continuar a rezar pela paz não se refere apenas ao Oriente Médio. A atenção do Pontífice se voltou também para a "guerra aberta" entre Paquistão, que possui armas nucleares, e o Afeganistão, onde o Talibã é especialista em guerra de guerrilha:
Além disso, nestes dias, chegam notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão. Elevo a minha súplica por um retorno urgente ao diálogo.
E mais uma vez o pedido:
Rezemos juntos para que a harmonia prevaleça em todos os conflitos do mundo. Somente a paz, um dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos.
Confirmada morte de Khamenei, enquanto continuam ataques EUA-Israel
Vatican News
A mídia estatal iraniana confirmou a notícia horas depois de os Estados Unidos e Israel a terem divulgado: o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, no poder desde 1989, foi morto em ataques coordenados entre EUA e Israel que atingiram várias cidades iranianas desde a manhã de sábado e destruíram o bunker de Khamenei. Sua filha, genro e neto também foram mortos.
A operação, denominada Rugido do Leão pelos israelenses e Fúria Épica por Washington, preparada com antecedência e percebida pelo movimento de caças e navios de guerra, foi confirmada às 3h da manhã do dia 28 de fevereiro, horário de Washington, por uma mensagem em vídeo do presidente Trump, que anunciou sua intenção de "arrasar e aniquilar" a indústria de mísseis iraniana, com o objetivo principal de derrubar o regime, eliminando Khamenei.
Mais de 200 vítimas
O bombardeio de diversas cidades, além da capital Teerã, Tabriz, Isfahan, Qom, Bushehr, Kermanshah, Zanjan e Karaj, resultou na morte de aproximadamente 200 pessoas, incluindo mais de 100 meninas, estudantes de uma escola primária feminina em Minab, no sul do país.
A retaliação iraniana foi desencadeada com mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, incluindo Catar, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, atingindo bases militares estadunidenses, bem como estruturas civis, como ocorreu em Dubai. Sirenes soam incessantemente em Jerusalém, onde baterias antiaéreas foram posicionadas, e em Tel Aviv, cidade que foi atingida pelos iranianos, com uma vítima fatal confirmada.
Estreito de Ormuz fechado
O Irã anunciou um período de luto de 40 dias, seguido por sete dias de celebração, após a morte de Khamenei, enquanto a Guarda Revolucionária fechou o Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o transporte de petróleo, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo bruto mundial.
Neste domingo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se reunirá com os líderes dos países do G7. No sábado, na abertura da reunião extraordinária do Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o risco de uma reação em cadeia incontrolável, condenando a escalada da violência no Oriente Médio.
Angelus, 1 de março de 2026 - Papa Leão XIV
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 1 de março
de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho da liturgia de hoje compõe para todos nós uma imagem cheia de luz, narrando a Transfiguração do Senhor (cf. Mt 17, 1-9). Para a representar, o evangelista mergulha o seu pincel na memória dos Apóstolos, pintando Cristo entre Moisés e Elias. O Verbo feito homem está entre a Lei e a Profecia: ele é a Sabedoria viva, que leva a cumprimento toda a palavra divina. Tudo o que Deus ordenou e inspirou aos homens encontra em Jesus a sua manifestação plena e definitiva.
Como no dia do batismo no Jordão, também hoje ouvimos a voz do Pai, que proclama no monte: «Este é o meu Filho muito amado», enquanto o Espírito Santo envolve Jesus numa «nuvem luminosa» (Mt 17, 5). Com esta expressão, verdadeiramente singular, o Evangelho descreve o estilo da revelação de Deus. Quando se manifesta, o Senhor revela a sua excelência aos nossos olhos: diante de Jesus, cujo rosto resplandece «como o sol» e cujas vestes se tornam «brancas como a luz» (cf. v. 2), os discípulos admiram o esplendor humano de Deus. Pedro, Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se exibe como um espetáculo para as multidões, mas como uma solene confidência.
A Transfiguração antecipa a luz da Páscoa, evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria. Com efeito, enquanto o mal reduz a nossa carne a uma mercadoria de troca ou a uma massa anónima, precisamente esta mesma carne resplandece da glória de Deus. O Redentor transfigura assim as chagas da história, iluminando a nossa mente e o nosso coração: a sua revelação é uma surpresa de salvação! Deixamo-nos fascinar por ela? O verdadeiro rosto de Deus encontra em nós um olhar de admiração e amor?
Ao desespero do ateísmo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador; o Espírito Santo resgata-nos da solidão agnóstica, oferecendo uma comunhão eterna de vida e graça; diante da nossa fé fraca, está o anúncio da ressurreição futura: eis o que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas para compreendê-lo é preciso tempo (cf. Mt 17, 9). Tempo de silêncio para ouvir a Palavra, tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor.
Enquanto experimentamos tudo isto durante a Quaresma, peçamos a Maria, Mestra de oração e Estrela da manhã, que guarde os nossos passos na fé.
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Depois do Angelus:
Queridos irmãos e irmãs!
Acompanho com profunda preocupação o que está a acontecer no Médio Oriente e no Irão, nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças mútuas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente através de um diálogo razoável, autêntico e responsável.
Perante a possibilidade de uma tragédia de enormes proporções, dirijo às partes envolvidas um veemente apelo para que assumam a responsabilidade moral de pôr um fim a espiral de violência antes que se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere o seu papel e que seja promovido o bem dos povos, que anseiam por uma convivência pacífica, baseada na justiça. E que continuemos a rezar pela paz!
Nestes dias, chegam também notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão. Elevo a minha súplica para que se regresse urgentemente ao diálogo. Rezemos juntos, para que prevaleça a concórdia em todos os conflitos do mundo. Só a paz, dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos.
Estou próximo da população do Estado brasileiro de Minas Gerais, atingida por violentas inundações. Rezo pelas vítimas, pelas famílias que perderam as suas casas e por todos aqueles que estão a trabalhar nas operações de socorro.
Saúdo com carinho todos vós, romanos e peregrinos de vários países, em particular o grupo de camaronenses que vivem em Roma, acompanhados pelo Presidente da Conferência Episcopal daquele país, que, se Deus quiser, terei a alegria de visitar no mês de abril.
Dou as boas-vindas aos fiéis da Diocese de Iaşi, na Roménia, aos de Budimir-Košice, na Eslováquia, aos de Massachusetts, nos Estados Unidos, e à Confraria do Santisimo Cristo de la Buena Muerte, de Jaén, em Espanha.
Saúdo os fiéis de Nápoles, Torre del Greco e Afragola, de Caraglio e Valle Grana, de Comitini, Crotone, Silvi Marina e da paróquia de São Luís Gonzaga, em Roma; bem como os chefes escuteiros do grupo «Val d'Illasi», perto de Verona, e os jovens de Faenza que receberam a Confirmação.
A todos desejo um bom domingo!
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