sábado, 28 de fevereiro de 2026
Mães de presos recebem Leão XIV em bairro romano assolado pelo tráfico de drogas
27 de fev de 2026 às 13:14
Como parte de suas visitas pastorais a várias paróquias de Roma nesta Quaresma, o papa Leão XIV vai no próximo domingo, 1º de março, ao bairro periférico de Quarticciolo, uma das maiores áreas de tráfico de drogas em Roma.
O papa chegará no domingo à tarde à paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, confiada aos padres dehonianos.
Primeiro, segundo o vicariato de Roma, ele se encontrará no pátio do oratório com um grupo de crianças, jovens e suas famílias. Depois, o papa vai ao salão paroquial para saudar quatro mães de dependentes químicos presos.
Segundo o pároco, padre Daniele Canali, uma delas é catequista e outra é voluntária da Cáritas. Junto com elas estará também um grupo de pessoas com deficiência, idosos, doentes, pobres e voluntários que vão receber o papa.
Leão XIV se reunirá então com o conselho pastoral numa sala paroquial e, às 17h, horário de Roma, vai celebrar a missa na igreja paroquial. Por fim, ele se encontrará com a comunidade de sacerdotes.
Segundo o padre Canali, será a terceira visita de um papa ao bairro. "São João XXIII visitou o local em 3 de março de 1963, e são João Paulo II em 3 de março de 1980", disse ele.
“Estamos nos preparando não só do ponto de vista prático, com a organização de todos os espaços, mas sobretudo do ponto de vista espiritual, com a lectio divina semanal”, disse o padre. “Em todos os grupos, houve reflexão sobre a figura de Pedro”.
Para o pároco, a presença do papa é um sinal de esperança: "Essa comunidade paroquial é pequena e passou por momentos muito difíceis, mas devo testemunhar que ninguém jamais desistiu, a comunidade sempre se manteve firme”.
(acidigital)
Reflexão para o II Domingo da Quaresma
Vatican News
Neste domingo a liturgia se ocupa em nos mostrar que nossa vida deve ser um eterno caminhar com Jesus, tendo como exemplo Abraão que tudo deixa para seguir sua vida com Deus e deverá estar preparado para enfrentar, com ânimo, as dificuldades que encontrará na caminhada.
O chamado feito a Abraão - sua vocação - pode ser visto como o início do Povo de Deus. Nosso Patriarca vive bem em sua terra, possui mulher, família e muitos bens. Deus, ao convidá-lo para estar com Ele, solicita que deixe tudo e vá para onde Ele lhe indicar. Abraão obedece e parte com sua mulher e com seu sobrinho, empregados e bens. Ele confia na promessa do Senhor de que terá descendência e terra, de que será a origem de um grande povo.
O que aconteceu com Abraão? Como ele deixa a segurança conquistada pelos seus e empreende uma aventura? Qual a segurança que ele possui? Como tem certeza de que foi Deus quem lhe falou e lhe pediu essa aparente loucura?
Deus não apareceu a Abraão de um modo físico, palpável, e pronunciou palavras dirigidas a ele, mas Abraão possuía uma visão espiritual da realidade em que vivia. Ele sabia ler nos acontecimentos da vida a ação de Deus e entendia, refletindo na oração, o que Deus lhe pedia.
Abraão teve coragem de deixar o modelo de vida que lhe dava segurança e desacomodando-se seguiu em frente naquilo que o Senhor lhe pedia através de sinais entendidos na oração.
Todo aquele que presta atenção nos acontecimentos da vida – que sabemos por jornal, rádio, televisão, internet, e principalmente naqueles que se referem diretamente à nossa vida particular – e apresenta tudo isso ao Senhor, para que à luz do Espírito Santo, possa refletir, saberá quais os apelos de Deus para sua vida e poderá se considerar filho de Abraão, membro desse Povo que é guiado pelo Senhor e não tem medo de desafios e de viver na insegurança deste mundo. Sua proteção está no Senhor, que fez o céu e a terra. Por isso sente-se livre para deixar o conforto, a segurança e, com sua família, após um discernimento, partir para o desconhecido, mas indicado pelo Senhor.
No Evangelho, Mateus, como sempre, quer mostrar a todos que Jesus é o verdadeiro Messias. Ele, desde o início do trecho de hoje, usa terminologias conhecidas já no Antigo Testamento, quando vamos ler o relato da Criação: “Seis dias depois”. Seis dias depois de quê? Da Criação do Mundo, da Criação do Homem? Quando lemos o Êxodo: “uma alta montanha”. Qual? A do Sinai? Em seguida, ele vai falar de uma “nuvem luminosa”. Também lemos sobre ela no Êxodo.
Como poderemos interpretar o recado de Mateus?
Em seu Evangelho, sempre que Jesus vai fazer algo muito importante, Ele sobe a montanha. Jesus repete várias vezes o que Moisés fez. Moisés é envovido por uma luz, Cristo também.
Após o sexto dia Deus descansou, temos a conclusão da Criação. No Evangelho, o sexto dia quer apresentar a plenificação daquilo que Deus preparou para o homem.
Mateus nos apresenta Jesus como o verdadeiro Moisés, aquele que dá ao novo Povo de Deus, a nova lei, aquele que revela Deus definitivamente! Jesus nos revela o projeto do Pai.
Todo aquele que possui uma afinidade, uma intimidade com Jesus Cristo, leva adiante essa atenção reflexiva para perceber se, no seu dia a dia, o Senhor não lhe está pedindo alguma coisa. Para essas pessoas, nada é por “acaso”. Para elas essa palavra não existe. O que aparentemente surgiu sem muito haver, de modo espontâneo, gratuito, mas interferindo em minha vida, deve ser olhado, refletido como uma mensagem de Deus para mim.
Para o três apóstolos: Pedro, Tiago e João, a trasfiguração de Jesus foi ocasião para crescerem na atenção dada ao Mestre. Jesus não era mais um, mais um Profeta, mas o Filho amado do Pai, no qual Ele colocou todo o Seu agrado e ao qual deveremos sempre escutar.
Exercícios espirituais, o Papa: experiência profunda, senti-me convidado a refletir
Salvatore Cernuzio – Vatican News
“Devo reconhecer que, pessoalmente, em alguns momentos, senti-me particularmente convidado a refletir. Por exemplo, esta manhã, quando falava da eleição do Papa Eugênio III e São Bernardo, ele disse: ‘O que vocês fizeram? Que Deus tenha piedade de vocês’”. Com uma breve intervenção improvisada – e uma piada que provocou o sorriso dos membros da Cúria Romana presentes na Capela Paulina –, Leão XIV concluiu esta noite, 27 de fevereiro, a semana de Exercícios Espirituais da Quaresma, iniciada na tarde do último domingo. O Pontífice interveio à noite, após a décima primeira e última meditação do pregador dom Erik Varden, bispo de Trondheim, na Noruega, a quem Leão expressou profunda gratidão por ter acompanhado ele e a Cúria nestes dias de oração e reflexão.
Experiência profunda
“Uma experiência profunda, espiritual, muito importante em nosso caminho quaresmal”, assim definiu Leão XIV os Exercícios, realizados em um local simbólico: a Capela Paulina. Ou seja, a capela onde todos os cardeais se reuniram em 8 de maio de 2025 – dia da eleição de Robert Francis Prevost – para a celebração eucarística. O que impressionou o Papa, hoje como então, foi a inscrição do versículo da Carta de São Paulo aos Filipenses: “para mim, viver é Cristo e morrer é lucro”. Uma leitura bíblica que Leão disse ter retomado durante os Exercícios Espirituais como “reflexão sobre a esperança e sobre a verdadeira fonte da esperança que é Cristo”. Do escrito paulino, o Papa citou também outra passagem, aquela em que o apóstolo exorta: “Comportem-se, portanto, de maneira digna do Evangelho de Cristo”. É precisamente este o convite que Leão XIV dirigiu a todos no final destes dias de oração: “Comportem-se, portanto, de maneira digna do Evangelho de Cristo”.
Liberdade, verdade, esperança
“Com esse espírito de comunhão, todos nós reunidos trabalhamos juntos”, disse ainda o Papa. Às vezes estamos “separados”, portanto, “encontrar-nos em oração” é “um momento muito importante da nossa vida, refletindo sobre tantas questões que são importantes para a nossa vida e para a Igreja”. Recordando rapidamente os dias que acabaram de passar, o Papa Leão retomou alguns dos temas que surgiram durante as onze meditações, começando pela referência a John Henry Newman, o cardeal inglês que ele proclamou Doutor da Igreja, e o poema “O sonho de Geronzio”, onde o teólogo leva o leitor a “contemplar seu próprio medo da morte e seu próprio sentimento de indignidade diante de Deus”. Depois, outros elementos como “a liberdade” e “a verdade” que, sublinhou, são “tão importantes na nossa vida”.
O agradecimento à música que eleva o espírito a Deus
Ao concluir seu discurso improvisado, o Pontífice agradeceu novamente a dom Varden por ter compartilhado a “sabedoria” e o “testemunho” dele e da vida monástica de São Bernardo, pela “riqueza de suas reflexões” que continuarão por muito tempo a ser “fonte de bênção” e “de graça”. Agradecimento também aos colaboradores do Escritório de Celebrações Litúrgicas pela preparação do material e ao coro por ter acompanhado a oração com música, que, como destacou o Papa, “nos ajuda de uma maneira que as palavras não podem fazer, elevando nosso espírito ao Senhor”.
DISCURSO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
DISCURSO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
ÀS COMUNIDADES DE QUATRO SEMINÁRIOS DE ESPANHOL:
ALCALÁ DE HENARES, TOLEDO, INTERDIOCESANO DA CATALUNHA E CARTAGENA
Sala Clementina
Sábado, 28 de fevereiro de 2026
Queridos irmãos no episcopado, Eminência, sacerdotes, seminaristas e parentes:
O seminário é sempre um sinal de esperança para a Igreja; portanto, encontrar-se com você – tanto aqueles que estão em turnê neste palco quanto aqueles que têm a responsabilidade de acompanhá-lo – é para mim uma causa de verdadeira alegria.
Eu poderia falar sobre muitos aspectos importantes para a sua formação, sobre o qual já tive a oportunidade de escrever na carta que enviei para o Seminário de San Carlos e San Marcelo em Trujillo, Peru – instituição da qual eu fiz parte há vários anos – e que eu encorajaria você a ler quando tiver ocasião. Mas hoje eu gostaria de focar em algo que silenciosamente sustenta todo o resto e que, precisamente por essa razão, corre o risco de se dar é claro sem ser cultivado: ter um olhar sobrenatural sobre a realidade.
Há uma frase do autor Chesterton que pode servir de chave para ler tudo o que gostaria de compartilhar com você: “Tire o sobrenatural e você não encontrará o natural, mas o não natural” (cf. Hereges, VI). O homem não é feito para viver fechado em si mesmo, mas em relação viva com Deus. Quando esse relacionamento é obscurecido ou enfraquecido, a vida começa a estragar de dentro. O antinatural não é apenas o escandaloso, basta viver sem Deus no cotidiano, deixando-o à parte dos critérios e decisões com que a existência é enfrentada.
E, se isso é verdade para cada cristão, é particularmente grave no caminho da formação para o sacerdócio. O que poderia ser mais antinatural do que um seminarista ou um sacerdote que fala de Deus com familiaridade, mas vive interiormente como se sua presença existisse apenas no plano das palavras, e não na espessura da vida? Nada seria mais perigoso do que se acostumar com as coisas não vividas de Deus. É por isso que, no fundo, tudo começa – e sempre retorna – à relação viva e concreta com Aquele que nos escolheu sem o nosso mérito.
Ter uma visão sobrenatural não significa fugir da realidade, mas aprender a reconhecer a ação de Deus na concretude de cada dia; um olhar que não é improvisado ou delegado, mas que é aprendido e exercido no comum da vida. É precisamente por isso que, se a visão sobrenatural é tão decisiva para a vida cristã pela maior razão é para aqueles que agirão em persona Christi, e já do estágio formativo merece ser guardada com especial atenção, porque é o princípio que dá unidade a tudo o resto.
Esse olhar crente para a realidade precisa ser traduzido todos os dias em escolhas concretas de vida; caso contrário, mesmo intrinsecamente boas práticas – como estudo, oração, vida comunitária – podem ser esvaziadas interiormente e desnaturalizadas, tornando-se mera realização. Uma maneira simples e comprovada de guardar esse olhar é se exercitar na prática da presença de Deus, que mantém o coração acordado e a vida constantemente referida a Ele.
A Sagrada Escritura expressa esta verdade com uma imagem simples no primeiro salmo, quando descreve o justo como “uma árvore plantada na beira das águas, que dá frutos no devido tempo e cujas folhas não murcham” (vv. 3). Não é frutífera por causa da ausência de dificuldades, mas pelo lugar onde criou raízes. O vento, o inverno, a seca ou a poda fazem parte de seu crescimento, mas nem a tempestade nem a aridez a destroem quando suas raízes são profundas e próximas da fonte. A própria Escritura sabe, porém, o paradoxo da figueira que não dá frutos apesar do cuidado recebido (cf. Lc 13,6-9).
Diz-se que as árvores “morrem de pé”: permanecem eretas, retêm a aparência, mas dentro já estão secas. Algo semelhante pode acontecer na vida do seminário ou de um seminarista – e mais tarde na vida de um sacerdote – quando a fertilidade é confundida com a intensidade das atividades ou com o cuidado meramente externo das formas. A vida espiritual não dá fruto para o que é visto, mas para o que está profundamente enraizado em Deus. Quando essa raiz é negligenciada, tudo acaba secando dentro, até que, silenciosamente, acaba “em pé”.
No final, o olhar sobrenatural nasce da mais simples e decisiva da vocação: estar com o Mestre. Jesus chamou aqueles que Ele “estaria com Ele” (Mc 3,14). Esse é o fundamento de toda a formação sacerdotal, permanecer com Ele e deixar-Se formar a partir de dentro; ver Deus agir e reconhecer como Ele opera na vida de alguém e na de Seu povo. Portanto, embora os meios humanos, a psicologia e as ferramentas de treinamento são valiosas e necessárias, elas não podem substituir essa relação. O verdadeiro protagonista deste caminho é o Espírito Santo, que molda o coração, ensina a corresponder à graça e prepara uma vida fecundo a serviço da Igreja. Tudo começa agora, no comum de todos os dias, onde cada um decide se permanece com o Senhor ou tenta sustentar-se apenas em sua própria força.
Queridos filhos, agradeço-vos, em nome da Igreja, a generosidade de ter decidido seguir o Senhor. Fazei-o sempre com a certeza de que não andais sozinhos: Cristo vos precede, Maria Santíssima acompanha-vos e toda a Igreja vos sustenta com a sua oração.
Por fim, quero agradecer de forma especial a todas as famílias aqui.
Confiando então nesta certeza, faça avançar com paz e fidelidade. Que o Senhor te abençoe. Muito obrigado.
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Hoje é dia da beata Antônia de Florença, a viúva que se tornou religiosa
Beata Antônia de FlorençaPor Redação central
28 de fev de 2026 às 00:01
Hoje (28), é celebrada a beata Antônia de Florença, freira italiana do século XV, que ficou viúva duas vezes e depois foi chamada por Deus para ser freira, tornando-se protagonista de uma reforma em sua família espiritual.
Esposa e mãe
Antônia nasceu em Florença em 1401, casou-se aos 15 anos e teve um filho, mas logo ficou viúva.
Esse segundo golpe a levou a considerar seriamente se o Senhor tinha um plano diferente para ela, longe do casamento ou da vida mundana. Quando seu filho se tornou independente, ela decidiu ser freira.
Antônia foi uma das primeiras mulheres a se consagrar no convento das Irmãs Terciárias Regulares de São Francisco de Assis, em Florença, apesar da oposição de sua família que queria que ela se casasse de novo.
Mãe espiritual
Em 1430, um ano depois de entrar para o claustro, foi nomeada superiora do convento de Santa Ana em Foligno e, depois de três anos ali, foi enviada para o convento de Santa Isabel em Áquila. Lá teve como diretor espiritual são João de Capistrano, que, junto com são Bernardino de Sena, promoveu a chamada "Observância", a reforma da Ordem de São Francisco de Assis.
Por conta própria, Antônia já havia descoberto a necessidade e a urgência de uma regra mais rígida em torno da pobreza e da caridade. Por isso, são João de Capistrano a incluiu em seu projeto e, com a aprovação do papa Nicolau V, doou a ela o mosteiro de Corpus Christi, que havia sido construído para outra Ordem.
Nesse mosteiro a beata retirou-se com onze das suas irmãs em 1447 com o propósito de praticar a regra originária de santa Clara de Assis com todo o seu rigor. São João de Capistrano confiou-lhe a direção do mosteiro e pediu-lhe expressamente que fosse modelo do novo espírito “observante”.
Legado
A beata Antônia foi uma superiora modelo, uma reformadora de costumes, um exemplo de virtudes e obediência. Durante os últimos 15 anos de sua vida, ela teve que suportar uma doença dolorosa, além de outras provações espirituais.
Ela morreu com 71 anos, em 28 de fevereiro de 1472. A cidade de Áquila a venerou como santa desde sua morte e seu culto foi confirmado em 1847.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Hoje é celebrado são Gabriel das Dores, copadroeiro da juventude católica italiana
São Gabriel das DoresPor Redação central
27 de fev de 2026 às 00:01
“Jesus, José e Maria, expire em paz, entre vós, a alma”, foram as últimas palavras de são Gabriel de Nossa Senhora das Dores, copadroeiro da juventude católica italiana, cuja festa é celebrada hoje (27). Ele abandonou toda uma série de “vaidades” para seguir o conselho da Virgem Maria.
Seu nome original era Francisco, assim como são Francisco de Assis. Inclusive, nasceu em Assis (Itália), em 1838, e foi batizado na mesma pia batismal que são Francisco e santa Clara. Era o décimo primeiro de treze irmãos e ficou órfão de mãe quando tinha quatro anos.
Desde criança, destacou-se por seu grande amor aos pobres, mas tinha o defeito de explodir rapidamente de raiva. Na adolescência, sua vaidade cresceu. Gostava de se vestir na moda, com roupas elegantes. Ia frequentemente ao teatro, gostava de ler romances e sentia paixão por bailes.
Entretanto, Francisco cumpria fielmente suas práticas religiosas e tinha uma grande devoção pela Virgem Maria, sob a advocação de Nossa Senhora das Dores. Em casa, conservava uma imagem da Pietá que enfeitava com flores.
Era um líder entre os jovens. Frequentou o colégio dos irmãos das Escolas Cristãs e o liceu clássico com os jesuítas. Certo dia, um conhecido lhe fez uma proposta imoral e Francisco puxou um canivete que ocultava entre suas roupas para afastá-lo.
O chamado
Aos 17 anos, a vocação sacerdotal começou a inquietá-lo. Ficou gravemente doente e, acreditando que estava morrendo, prometeu se tornar religioso se sua vida fosse salva. Uma vez recuperado, esqueceu-se de sua promessa. Mais tarde, ficou novamente doente e se encomendou ao então Beato jesuíta (hoje santo) Andrés Bobola.
Quando recuperou a saúde, prometeu igualmente se tornar religioso, mas as diversões o atraiam mais. Em um dia de caça, Francisco tropeçou e disparou um tiro que passou de raspão em seu rosto. Viu nisso um aviso do céu e renovou sua promessa. Tempos depois, comunicou sua inquietação vocacional ao seu pai, que o distraiu com teatro e reuniões.
Um 22 de agosto de 1856, na procissão de “Santa Ícone” (imagem mariana venerada em Spoleto), Francisco fixou seus olhos nos da imagem da Virgem e escutou a voz da Mãe de Deus em seu coração que lhe disse: “Tu não és chamado a seguir no mundo. O que fazes, então, nele? Entra na vida religiosa”.
Mais tarde, despediu-se de sua suposta “noiva” chamada Maria, que esteve presente em sua beatificação, e ingressou no noviciado passionista. Quando recebeu o hábito, adotou o nome “Gabriel de Nossa Senhora das Dores”. “A alegria e o gozo que disfruto dentro dessas paredes são indescritíveis”, escreveu uma vez.
Teve que aprender a controlar seu gênio e, em 1857, emitiu a profissão religiosa. No jardim, são Gabriel tinha reservado um espaço para semear e cuidar das flores especificamente para o altar. Posteriormente foi enviado ao convento passionista de Isola del Gran Sasso.
Aos 23 anos, são Gabriel se sentiu cansado, sem forças e vomitou sangue pela primeira vez, por causa da tuberculose. A comunidade se alarmou, o santo permaneceu sereno, mas piorou.
Em 27 de fevereiro de 1862, pediu a absolvição várias vezes e, com os olhos voltados para o céu, disse: “Pronto, minha Mãe. Maria, Mãe de graça, Mãe de misericórdia, defende-me do inimigo e acolhe-me na hora da morte”. Neste dia, partiu para a Casa do Pai.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
O Papa: mesmo quem não tem fé pode ser alguém que procura Deus
Vatican News
“Não pode ser ateu quem ama a Deus, quem O busca com coração sincero”. Assim responde o Papa Leão, citando Santo Agostinho, a Rocco de Reggio Calabria - sul da Itália -, que enviou uma carta à revista “Piazza San Pietro”, editada pela Basílica Vaticana. Na edição de fevereiro, o Pontífice agradece pela poesia de Rocco, que pede ajuda e questiona se é possível definir-se ateu e, ao mesmo tempo, amar a Deus.
Encontrar Deus dentro de si mesmo
“Acredito que não acredito, absolutamente certo do nada, continuo a ansiar por Deus. O meu drama – acrescenta Rocco na sua poesia – é Deus! A minha inquietação é Deus!”. “O que você afirma – responde o Papa – me fez lembrar imediatamente o que meu amado pai Santo Agostinho escreve nas Confissões: ‘Tu estavas dentro de mim, e eu fora. E lá eu te procurava’”. Uma citação que bem destaca como a busca por Deus é desejo.
Na busca de seu rosto reside a dignidade da vida humana
Exercícios Espirituais da Quaresma, 8ª meditação: os anjos de Deus
Dom Erik Varden, OCSO*
Somente Deus pode nos convidar a saltar de um pináculo. Sua chamada, porém, será: “Salta para os meus braços”, e não: “Lança-te para baixo”.
As intervenções angélicas nem sempre são tranquilizadoras. Os anjos não estão ali para satisfazer nossos caprichos. Numa oração popular atribuída a Reginaldo de Canterbury, contemporâneo de Bernardo, pedimos ao nosso anjo da guarda que nos “rege, nos guarde, nos governe e nos ilumine”. São verbos fortes: um anjo é antes de tudo um guardião da santidade.
A vida monástica foi logo compreendida e apresentada como angélica por sua finalidade de louvor, mas também porque o monge é chamado a ser inflamado pelo amor de Deus e a tornar-se seu emissário para os outros.
O único “canto de louvor” de Cristo, de que fala a Sacrosanctum Concilium em uma belíssima passagem, ressoa das extremidades da terra até os cumes do céu por meio de uma cadeia pulsante de mediação. Os anjos são parte essencial dessa cadeia, como afirmamos em cada Prefácio dentro do cânon da Missa.
Nos sermões sobre o Qui habitat, Bernardo sublinha o papel dos anjos como mediadores da providência de Deus. A mediação nem sempre é necessária: Deus pode tocar-nos sem mediadores. Contudo, ele se compraz em deixar que suas criaturas sejam canais de graça umas para as outras.
Bernardo nos exorta a olhar o que faz um anjo e a fazer o mesmo: “Desce e mostra misericórdia ao teu próximo; e de novo, elevando com o mesmo anjo os teus desejos, esforça-te por subir com toda a cupiditas da tua alma à suma e eterna verdade”. Raramente, hoje em dia, se faz referência a Cupido no mesmo contexto da “suma e eterna verdade”. A escolha lexical de Bernardo é provocadora: ela nos diz que todos os desejos humanos naturais, inclusive os carnais, são atraídos para seu cumprimento em Deus e, portanto, devem ser orientados para Ele.
O último e mais decisivo ato de caridade dos anjos acontecerá na hora da nossa morte, quando nos conduzirão através do véu deste mundo para a eternidade. Então manifestarão suas características: “Não podem ser vencidos nem seduzidos, e muito menos podem nos seduzir”. Toda ficção cairá nessa hora: a retórica desaparecerá, apenas a verdade permanecerá, em plena consonância com a misericórdia.
Bernardo pregou com precisão sobre esses temas em 1139. Setecentos e vinte e seis anos depois, um homem de temperamento diverso, mas de inteligência semelhante, tornaria explícitas suas intuições numa poesia primorosa sobre a morte.
John Henry Newman refletia muito sobre os anjos. Concebia o ministério sacerdotal como angélico. O sacerdote está em casa neste mundo, não tem medo de entrar nos bosques escuros à procura dos perdidos. Ao mesmo tempo, mantém os olhos da mente erguidos para o rosto do Pai, deixando que seu esplendor ilumine toda a realidade presente. A iluminação é sempre dupla: intelectual e essencial, sacramental e pedagógica.
Newman, hoje Doutor da Igreja, também nos pede que redescubramos o professor como iluminador angélico. É um desafio profético e belo, se pensarmos em quanto a chamada “instrução” está hoje confiada aos meios digitais, inclusive artificiais, enquanto jovens adultos, adolescentes e crianças desejam encontrar mestres dignos de confiança, capazes de transmitir não apenas habilidades, mas sabedoria.
Um encontro angélico é pessoal. Não pode ser substituído por um download ou por um chatbot.
* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/life-illumined/gods-angels/
Hoje a Igreja comemora dois santos mártires salesianos assassinados na China
Santos Calisto Caravario e Luís VersigliaPor Redação central
25 de fev de 2026 às 00:01
Hoje (25) é celebrada a festa dos santos Luís Versiglia e Calisto Caravario, mártires salesianos assassinados por comunistas na China. Eles defenderam a honra e a dignidade de três jovens que escaparam de ser violadas e escravizadas.
“O missionário que reza muito alcança muito”, costumava dizer o bispo são Versiglia, enquanto o presbítero são Caravario, dias antes de morrer, escreveu à sua mãe: “Passará a vida e acabarão as dores: no paraíso seremos felizes. Nada te perturbe, minha boa mãe; se levas tua cruz na companhia de Jesus, será muito mais leve e agradável...”,
Luís Versiglia nasceu na Itália em 1873. Aos 12 anos ficou fascinado por dom Bosco. Depois da morte do santo, decidiu se tornar salesiano para sair em missão.
Em 1895, foi ordenado sacerdote. Foi nomeado diretor de noviços em Roma pelo beato Miguel Rua e, posteriormente, liderou um grupo de salesianos que chegaram à China em 1906. Instalaram-se com uma obra em Macau e com uma frente missionária em Heungchow.
São Luís Versiglia abriu orfanatos e oratórios salesianos e, em 1921, foi consagrado bispo do vicariato apostólico de Shiuchow. Sob seu impulso, multiplicaram-se as casas missionárias, institutos, asilos, orfanatos e teve início o seminário de nativos.
São Calisto Caravario, por sua vez, nasceu em Turim (Itália), em 1903. Quando o jovem salesiano se encontrou com Luís Versiglia em 1921, disse-lhe: “Encontrarei vocês na China”. Anos depois, cumpriu sua promessa, recebendo a ordenação sacerdotal das mãos do bispo são Versiglia. Em seguida, foi enviado à missão de Lin-chow.
Nessa época, a situação política na China havia se tornado tensa, especialmente contra os cristãos e os missionários estrangeiros. Até as Igrejas eram incendiadas. Dessa forma, começaram as perseguições.
O bispo Versiglia realizou uma visita pastoral a Lin-Chow e o padre Caravario saiu para recebê-lo no caminho.
Em 25 de fevereiro, os dois celebraram a missa em Ling Kong-how e, em seguida, pegaram uma barca junto com dois professores e três jovens da missão (Maria, de 21 anos, Paula, de 16, e Clara, de 22). Na viagem, juntaram-se a eles uma catequista idosa e um menino.
Um grupo de piratas comunistas mandou que parassem a barca e, com fuzis e pistolas, pediram que os missionários pagassem 500 dólares para que pudessem passar. O bispo disse a Caravario: “Diga-lhes que somos missionários e, portanto, não levamos dinheiro conosco”.
Os bandidos revistaram a barca, encontraram as meninas, que se escondiam rezando, e gritaram que iriam levá-las. Queriam violá-las e escravizá-las.
Os santos tentaram detê-los e foram muito agredidos. Os dois acabaram ensanguentados e presos com as jovens. Os piratas ordenaram aos outros que estavam na barca que regressassem para Lin-Kong-How, os quais alertaram as autoridades.
Sobre os missionários, a jovem Maria testemunhou: “Vi dom Caravario, com a cabeça inclinada, falava em voz baixa com o bispo”. Estavam se confessando mutuamente. “O bispo e dom Caravario nos olhavam, mostravam-nos o céu com os olhos e rezavam. Seu aspecto era amável e sorridente e rezavam em voz alta”.
Enquanto as meninas era transladadas, ouviram-se cinco disparos. Mais adiante, os bandidos comentavam: “Todos têm medo da morte. Pelo contrário, esses dois morreram felizes”.
Dias depois, os soldados regulares chegaram ao esconderijo dos bandidos, os quais fugiram abandonando as jovens. Em seguida, elas, de joelhos, rezaram diante dos corpos dos dois santos, que tinham dado sua vida para defendê-las.
São João Bosco sempre teve o desejo de ser missionário e, em um de seus sonhos, viu um cálice cheio de sangue que fervia e se derramava. Assim, compreendeu que os salesianos também teriam mártires. Por isso, são Versiglia e são Caravario, primeiros mártires salesianos, são representados com um cálice que derrama sangue.
São Paulo VI os declarou mártires em 1976. Foram beatificados em 1983 e canonizados em 2000, por são João Paulo II.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
África, Espanha e Principado de Mônaco: Leão XIV retoma Viagens Apostólicas
Vatican News
Uma viagem de dez dias à África, duas viagens à Europa, uma viagem de um único dia ao Principado de Mônaco e uma viagem de seis dias à Espanha e às Ilhas Canárias. Após a significativa viagem à Turquia e ao Líbano no final de 2025 e o anúncio das viagens pela Itália - que o levarão, entre outros, a Lampedusa -, o Papa Leão XIV retoma suas peregrinações ao redor do mundo, conforme anunciado nesta quarta-feira (25/10) pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
A mais longa delas — de 13 a 23 de abril — o levará a seguir os passos de Santo Agostinho na Argélia (Argel e Annaba); depois à África Central, na República dos Camarões (Yaoundé, Bamenda e Douala); Angola (Luanda, Muxima e Saurimo); e por fim Guiné Equatorial (Malabo, Mongomo e Bata).
Uma viagem complexa, que é contemporaneamente uma viagem em memória do Santo de Hipona, a quem o Sucessor de Pedro é ligado, para então visitar outros dois países, com particular atenção aos mais vulneráveis, aos pobres e àqueles que cuidam deles.
A paz também será um dos objetivos: Leão XIV viajará para a região de língua inglesa ao norte dos Camarões. A última parada será a Guiné Equatorial, único país de língua espanhola na África.
Uma peregrinação que, por sua duração, se assemelha àquela realizada na África por São João Paulo II em 1985, com sete países visitados em 11 dias.
A viagem de um dia ao Principado de Mônaco, em 28 de março - véspera da Semana Santa - será a primeira de sua série de Viagens Apostólicas no primeiro semestre de 2026. Leão XIV responde assim positivamente aos reiterados convites feitos pelas autoridades monegascas, primeiro ao Papa Francisco e depois a ele próprio.
O Principado representa uma realidade europeia onde o catolicismo é a religião oficial e onde o diálogo entre as instituições civis e a Igreja mantém uma importância concreta, inclusive no debate público. O compromisso do Principado com a paz também é significativo, visto que pela primeira vez na época moderna receberá um Pontífice.
Por fim, de 6 a 12 de junho, Leão XIV visitará a Espanha - a capital Madri e depois Barcelona - para inaugurar a nova e mais alta torre da Sagrada Família, a basílica monumental que remodelou o horizonte da cidade catalã. A visita coincide com o centenário da morte do brilhante arquiteto que "sonhou" a Basílica e iniciou sua construção, Antoni Gaudí, declarado Venerável Servo de Deus no ano passado.
O Pontífice, permanecendo na Espanha, se deslocará de Barcelona para as Ilhas Canárias, para realizar uma viagem que já estava no coração de Francisco, como destacou o cardeal arcebispo de Madri, José Cobo Cano, em janeiro passado. Nesta etapa, os destinos serão Tenerife e Gran Canaria.
Por meio dessas três viagens, o Bispo de Roma terá a oportunidade de encontrar uma grande variedade de países e situações, desde uma nação muçulmana como a Argélia, onde os cristãos são uma pequena minoria e uma semente de fraternidade, até países de maioria cristã localizados no coração do continente africano, com seus desafios e seu alegre testemunho de fé.
O Papa fará uma breve visita ao segundo menor país do mundo - depois da Cidade do Estado do Vaticano -, localizado na Riviera Francesa, e em seguida viajará para uma nação europeia, a Espanha, cuja identidade foi moldada pela fé cristã, mas que sofre com a secularização. E concluirá a viagem com as Ilhas Canárias, uma das principais rotas migratórias da África para a Europa, com dezenas de milhares de desembarques a cada ano.
Exercícios Espirituais da Quaresma, 6ª meditação: mil cairão
Dom Erik Varden, OCSO*
As quedas podem nos tornar humildes quando estamos inchados de orgulho. Podem revelar o poder salvífico de Deus. Podem tornar-se marcos de um caminho pessoal de salvação, a serem lembrados com gratidão.
Entretanto, não podemos ser ingênuos. Nem todas as quedas terminam em júbilo. Há quedas que cheiram a inferno e arrastam o culpado por um rastro de destruição e ruína. Esse rastro é frequentemente amplo e longo, e acaba por atingir muitos inocentes. Precisaremos de coragem para nos aproximar, com Bernardo, do versículo do Salmo 90 que começa: “Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita”.
Nada prejudicou de modo mais trágico a Igreja, nada comprometeu mais o nosso testemunho do que a corrupção que cresceu dentro da própria casa. A crise mais terrível da Igreja não foi provocada pela oposição do mundo, mas pela corrupção eclesiástica. As feridas infligidas exigirão tempo para cicatrizar. Pedem justiça e lágrimas.
Diante da corrupção, sobretudo quando se trata de abusos, somos tentados a buscar uma raiz doente. Esperamos encontrar sinais de alerta precoces que foram ignorados: algum erro de discernimento, um padrão inicial de desvio. Às vezes esses indícios existem, e temos razão em nos censurar por não tê-los reconhecido a tempo. Mas nem sempre os encontramos.
Podemos reconhecer o bem grande e jubiloso que frequentemente se manifestava nos primórdios de comunidades hoje associadas ao escândalo. Não podemos presumir que tenha havido desde o início uma hipocrisia estrutural, e que os fundadores tenham se apresentado cinicamente como sepulcros caiados. Às vezes encontramos sinais de verdadeira inspiração, até mesmo vestígios de santidade. Como explicar a coexistência de desenvolvimentos bons e de desenvolvimentos deformados?
Uma mentalidade secular, em geral, se rende: diante de uma calamidade, designa monstros e vítimas.
Felizmente, a Igreja possui — quando se lembra de usá-los — instrumentos mais refinados e mais eficazes.
Onde os homens se empenham em esforços nobres, recorda-nos Bernardo, os ataques do inimigo serão ferozes. Ele observa: “os membros espirituais da própria Igreja são atacados com muito mais aspereza do que os carnais”. Pensa que é precisamente isso que o Salmo Qui habitat quer dizer com sua linguagem de “esquerda” e “direita”: a esquerda representa nossa natureza carnal, a direita nossa natureza espiritual. As vítimas são mais numerosas à direita porque é ali que, no campo de batalha espiritual, são empregadas as armas mais letais.
Mesmo levando a sério o reino demoníaco, Bernardo não atribui todas as doenças espirituais a seres malignos com chifres e forquilhas. Ele considera homens e mulheres responsáveis pelo uso que fazem de sua liberdade soberana. Seu ponto é que a natureza humana é una. Se começamos a descer às profundezas de nossa natureza espiritual, outras profundezas também se desvelam. Teremos de enfrentar a fome existencial, a vulnerabilidade, o desejo de conforto: experiências que podem assumir a forma de um assalto.
O progresso na vida espiritual exige uma configuração do nosso eu físico e afetivo em sintonia com a maturação contemplativa; caso contrário, há o risco de que a exposição espiritual busque válvulas de escape físicas ou afetivas, e que tais escapes sejam racionalizados como se fossem, de algum modo, eles próprios “espirituais”, de uma ordem superior aos delitos dos mortais comuns.
A integridade de um mestre espiritual se manifestará em sua conversa e em seu ensinamento, mas não apenas nisso; será evidenciada também em seus hábitos online, em seu comportamento à mesa e no bar, em sua liberdade em relação à adulação dos outros.
A vida espiritual não é um acréscimo ao resto da existência. Ela é sua alma. Devemos guardar-nos de todo dualismo, lembrando sempre que o Verbo se fez carne para que nossa carne fosse impregnada do Logos. É necessário vigiar tanto a esquerda quanto a direita e prestar atenção — insiste Bernardo nesse ponto — para não confundir uma com a outra. Devemos aprender a estar igualmente à vontade em nossa natureza carnal e espiritual, para que Cristo, nosso Mestre, possa reinar pacificamente em ambas.
* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/life-illumined/the-fall-of-thousands/
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Exercícios Espirituais da Quaresma, 4ª meditação: amar o mundo como Cristo
Vatican News
O conceito de "liberdade" tornou-se controverso no debate público. A liberdade é um bem precioso; rebelamo-nos contra tudo o que ameace limitá-la ou restringi-la. Consequentemente, o vocabulário da liberdade é um instrumento retórico altamente eficaz.
Qualquer sugestão de que a liberdade de um determinado grupo esteja em risco provoca imediatamente indignação na internet. Pode até mobilizar as ruas.
É impressionante como hoje, na Europa, diversas causas políticas exploram o jargão da liberdade, provocando tensões. O que um segmento da sociedade percebe como "libertador" é considerado opressivo por outros. Surgem frentes opostas, com a bandeira da "liberdade" hasteada em todos os lados. Conflitos acirrados emergem de agendas incompatíveis de suposta libertação.
Essa situação representa um desafio para os cristãos.
É importante esclarecer o que queremos dizer quando, no contexto da fé, falamos em nos tornar livres. É o que São Bernardo faz ao comentar o versículo: "Ele me libertou do laço dos caçadores e da palavra amarga".
Para Bernardo, é evidente que a verdadeira liberdade não é natural para o homem caído.
O que nos parece natural é fazer o que bem entendemos, satisfazer nossos desejos e realizar nossos planos sem interferência, ostentar e vangloriar-nos de nossas ideias. Bernardo, dirigindo-se ao homem nesse estado de ilusão, é extremamente sarcástico. Ele pergunta: "Sabidão, quem você pensa que é? Reconheça que você se tornou uma besta para quem os caçadores armaram suas armadilhas."
O fato de sermos tão facilmente enganados e cairmos nas mesmas armadilhas de sempre, mesmo sabendo bem delas, é para ele prova suficiente de que não somos livres — isto é, de que somos incapazes de progredir firmemente rumo ao verdadeiro objetivo de nossa vida. Permanecemos sujeitos a todo tipo de obstáculos e distrações.
Ao fundamentar sua explicação da liberdade no "Sim!" incondicional do Filho à vontade do Pai, Bernardo revoluciona nossa compreensão do que significa ser livre. A liberdade cristã não consiste em conquistar o mundo pela força, mas em amá-lo com um amor crucificado, tão magnânimo que desejamos dar a vida por ele para que, em Cristo, ele seja libertado.
Devemos ter cuidado quando a liberdade, mantida como refém pela força, é manipulada como meio de legitimar as ações de sujeitos impessoais como "o Partido", "a Economia" ou mesmo "a História". Em uma visão cristã, nenhuma política opressiva pode ser redimida invocando a "liberdade" ideológica. A única liberdade significativa é a pessoal; e a liberdade de uma pessoa não pode anular a de outra.
Aderir a uma ideia cristã de liberdade implica sofrimento. Quando Cristo nos diz para não nos opormos ao mal, ele não está nos pedindo para tolerarmos a injustiça, mas nos faz entender que, às vezes, a causa da justiça é melhor servida pelo sofrimento, quando nos recusamos a responder à força com a força.
O emblema da liberdade permanece o Filho de Deus que "se esvaziou".
Há exatos 818 anos, são Francisco de Assis decidiu levar uma vida de pobreza
São Francisco de Assis, pintado por Cigoli.Por Redação central
24 de fev de 2026 às 01:00
Há exatos 818 anos, são Francisco de Assis tomou a decisão de levar uma vida de pobreza, o que com o tempo causaria a fundação das ordens franciscanas.
Em 24 de fevereiro de 1208, como recorda a Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, são Francisco, durante uma missa naquela que hoje é a basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis, Itália, “escutou as palavras do Evangelho sobre o envio dos apóstolos e as tomou como uma mensagem enviada pessoalmente a ele”.
Tratava-se do capítulo 10 do Evangelho de Mateus, no qual o Senhor envia seus apóstolos e os instrui a não carregar “nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão".
Segundo o site franciscano, são Francisco começou assim "uma vida de extrema pobreza, dedicada aos anúncios itinerantes do Evangelho, especialmente o apelo à penitência".
"Ele vivia do que os habitantes de Assis lhe ofereciam, aos quais começou a pedir indo de porta em porta”.
Giovanni Bernardone, nome de nascimento de são Francisco, já havia começado sua conversão alguns anos antes.
“Ele não tinha a intenção de fundar nenhuma nova estrutura na Igreja e não estava procurando seguidores ou companheiros. Porém, depois de alguns meses, começaram a chegar a ele”, diz o site franciscano.
São Francisco morreu em 3 de outubro de 1226. Dois anos depois, o papa Gregório IX o proclamou santo.
Hoje é celebrado santo Etelberto de Kent, o primeiro rei católico da Inglaterra
Santo Etelberto de KentPor Redação central
24 de fev de 2026 às 00:01
Santo Etelberto (c. 560 - 616) foi o primeiro rei inglês a se converter ao cristianismo. Em tempos em que a Inglaterra era um conjunto de reinos que compartilhavam raízes anglo-saxônicas, Etelberto governava a região de Kent, que fica a sudeste da Inglaterra medieval. Seu reinado foi entre o final do século VI e o início do século VII.
O rei era casado com Berta, uma princesa cristã de origem franca, cuja piedade e boas virtudes contribuíram para sua conversão. Berta e Etelberto se tornaram santos. Quando se conheceram, Etelberto ficou deslumbrado.
Porém, sua conversão não se daria apenas pela influência de sua esposa, mas também pelo testemunho e proximidade espiritual de santo Agostinho de Cantuária. Ele havia chegado à ilha acompanhado por um grupo de monges missionários, enviados pelo papa são Gregório Magno para evangelizar os povos ingleses.
Os inícios da evangelização da Inglaterra
Os missionários chegaram a terras inglesas com a permissão de Etelberto, quando ele ainda era pagão, embora já acolhesse os cristãos graças a santa Berta. O grupo de missionários estava a cargo de santo Agostinho. Eles chegaram à cidade de Thanet, onde foram recebidos cordialmente pelos membros da coroa.
Nesse primeiro encontro, Agostinho deu explicações sobre o motivo de sua presença, comunicando qual era o desejo do papa Gregório para aquelas terras. O rei então concedeu permissão a santo Agostinho para pregar em seu reino e confiou aos missionários o cuidado da igreja de São Martinho, em cujo lado eles estabeleceram sua residência.
As conversões começaram a se multiplicar a partir daquele dia entre os habitantes de Kent, e não demoraria muito para que o rei e sua corte pedissem o batismo. Etelberto foi batizado em Pentecostes do ano 597. Em questão de meses, seguindo o exemplo do rei, cerca de 10 mil pessoas se converteram.
Inglaterra católica
Santo Etelberto, a quem o papa reconheceu como rei cristão, promoveu a difusão do Evangelho autorizando a chegada de mais missionários. Todos, exceto um de seus filhos, se tornaram cristãos. O rei rezou até o fim de seus dias por seu filho pagão, porém ele nunca se interessou pela fé e morreu pagão.
Durante o seu reinado, Etelberto dispôs os recursos necessários para a construção de novas igrejas e a reconstrução de antigos templos e mosteiros. Algumas dioceses de Kent, como Rochester, floresceram em santidade e se tornaram eixos da cristianização da Inglaterra.
Após 56 anos no trono, santo Etelberto morreu no ano de 616. Foi sepultado na igreja de São Pedro e São Paulo, onde também repousam os restos mortais de sua esposa, a rainha santa Berta.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
A liberdade se realiza na obediência ao Pai, diz Leão XIV em missa do primeiro domingo da Quaresma
Por Victoria Cardiel
22 de fev de 2026 às 12:26
O papa Leão XIV visitou hoje (22) a comunidade paroquial da basílica do Sagrado Coração de Jesus, no bairro central de Castro Pretorio, em Roma. Essa é a segunda visita pastoral das cinco paróquias que Leão XIV visitará durante a Quaresma.
Esta região da capital italiana é um espaço de grande contraste social. Em suas ruas convivem estudantes, trabalhadores, imigrantes, jovens refugiados e pessoas em situação de rua, que a Igreja apoia com vários projetos. A pobreza e a exclusão, muitas vezes, geram casos de violência, mostrando os desafios sociais do nosso tempo.
O papa baseou a sua homilia na redescoberta do Batismo como fonte de verdadeira liberdade e fraternidade, destacando que a Quaresma "é um tempo privilegiado para redescobrir a riqueza do Batismo e viver como criaturas renovadas pela encarnação, morte e ressurreição de Cristo".
Leão XIV disse que a primeira leitura e o Evangelho de hoje iluminam “o dom do Batismo” que “é uma graça que encontra a liberdade humana”.
O relato do Gênesis, segundo o papa, "nos remete à nossa condição de criaturas, postas à prova não tanto por uma proibição, como se costuma acreditar, mas por uma possibilidade: a possibilidade de uma relação" com Deus porque “o ser humano é livre para reconhecer e acolher a alteridade do Criador”.
'A ilusão de tornar-se como Deus'
Segundo o papa, com o intuito de eliminar a diferença entre criatura e Criador, "a serpente insinua a presunção de poder apagar todas as diferenças entre as criaturas e o Criador", e seduz o homem e a mulher com "a ilusão de tornar-se como Deus".
Para o papa, o Evangelho sobre as tentações de Jesus no deserto responde ao dilema fundamental da liberdade: “Posso realizar a minha própria vida dizendo "sim' a Deus? Ou, para ser livre e feliz, devo libertar-me Dele?”.
"A cena das tentações de Cristo", segundo o papa, "nos leva a descobrir a verdadeira humanidade de Jesus”, que revela “o homem a si mesmo: “No mistério do Verbo encarnado encontra verdadeira luz o mistério do homem”, disse Leão XIV citando a Constituição conciliar Gaudium et spes, uma das quatro constituições principais do Concílio Vaticano II, promulgada pelo papa Paulo VI, em 7 de dezembro de 1965.
"Jesus, ao resistir às tentações, manifesta a verdadeira humanidade e revela o homem novo, livre, cuja liberdade se realiza na obediência ao Pai", destacou.
Leão XIV destacou que "essa nova humanidade nasce da fonte batismal", porque o Batismo "trata-se de uma voz interior que impulsiona a conformar-se a Jesus e a viver a liberdade na lógica do amor a Deus e ao próximo”.
Sobre uma concepção da liberdade vista como poder individual, Leão XIV propôs uma liberdade que se expressa na entrega: “Não é a busca do próprio poder, mas o amor que se doa e que nos torna todos irmãos e irmãs".
O papa também falou sobre a realidade social do território paroquial da basílica do Sagrado Coração de Jesus, marcado por contrastes sociais.
“Em poucos metros, encontram-se as contradições do nosso tempo: em poucos metros, é possível perceber as contradições desta época: a despreocupação daqueles que partem e chegam com todo o conforto e aqueles que não têm um teto; o grande potencial para o bem e a violência que se espalha; a vontade de trabalhar honestamente e o comércio ilegal de drogas e prostituição”, reconheceu o papa.
Bem-vindo, papa Leão XIV
O papa chegou à igreja depois das 8h15 (hora local da Itália). Quando entrou no pátio da paróquia, foi recebido com aplausos e o toque dos sinos por fiéis que esperavam por ele.
Leão XIV saudou com carinho os representantes dos diferentes grupos paroquiais: jovens, crianças da catequese, voluntários, famílias e pessoas assistidas pela comunidade.
Estavam presentes para lhe dar as boas-vindas o vigário para a diocese de Roma, cardeal Baldassare Reina; o titular da paróquia, cardeal Giuseppe Versaldi, prefeito emérito da antiga Congregação para a Educação Católica; o pároco, padre Javier Ortiz Rodríguez, e o reitor-mor dos Salesianos, padre Fabio Attard. Também estiveram presentes representantes de várias comunidades religiosas ligadas à paróquia, entre elas as Filhas de Maria Auxiliadora, as Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento e as Missionárias de Cristo Ressuscitado.
Na fachada do templo estava uma faixa com o lema "Bem-vindo, papa Leão XIV", enquanto no pátio se destacava um retrato do papa com a imagem de são João Bosco ao fundo. Na pedra da basílica permanece esculpido o escudo de Leão XIII, evocando o vínculo histórico entre o santo dos jovens e o papa da Rerum novarum, uma tradição de serviço e compromisso social que Leão XIV quis destacar.
Antes de ir para a sacristia para se preparar para a missa, Leão XIV conversou um pouco com os fiéis e com a imprensa. "Vamos rezar pela paz", disse o papa ao passar pelos jornalistas. Em seguida, agradeceu a todos pela recepção.
“Obrigado por esta alegria”, disse o papa. “Que maravilha estar em um lugar onde todos são bem-vindos!”.