domingo, 22 de fevereiro de 2026

How To Make Paper Rose Easy | Beautiful Paper Rose Flower Making Idea | Diy Paper Rose Flower


 

ANGELUS

 

PAPA LEÃO XIV

ANGELUS

Praça de São Pedro
Domingo, 22 de fevereiro de 2026


Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

Hoje, primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho fala-nos de Jesus que, conduzido pelo Espírito, vai para o deserto e é tentado pelo diabo (cf. Mt 4, 1-11). Depois de jejuar durante quarenta dias, sente o peso da sua humanidade: a fome, sob o plano físico, e as tentações do diabo, sob o plano espiritual. Ele experimenta o mesmo cansaço que todos nós vivenciamos no nosso caminho e, resistindo ao demónio, mostra-nos como vencer os seus enganos e insídias.

Com esta Palavra de vida, a liturgia convida-nos a olhar para a Quaresma como um itinerário luminoso no qual, com a oração, o jejum e a esmola, podemos renovar a nossa cooperação com o Senhor ao realizar da obra-prima única da nossa vida. Trata-se de permitir que Ele remova as manchas e cure as feridas que o pecado pode ter causado nela, e de nos comprometermos em fazê-la florescer em toda a sua beleza até à plenitude do amor, fonte exclusiva da verdadeira felicidade.

Trata-se, sem dúvida, de um percurso exigente, e o risco é desanimar ou deixarmo-nos seduzir por formas de gratificação menos árduas, como a riqueza, a fama e o poder (cf. Mt 4, 3-8). Estas, que também foram as tentações que Jesus enfrentou, são, no entanto, apenas míseros substitutos da alegria para a qual fomos criados e, no final, deixam-nos inevitável e eternamente insatisfeitos, inquietos e vazios.

Por isso, São Paulo VI ensinava que a penitência, longe de empobrecer, enriquece a nossa humanidade, purificando-a e fortalecendo-a no seu movimento em direção a um horizonte que tem «como finalidade o amor e o abandono no Senhor» (Const. ap. Paenitemini, 17 de fevereiro de 1966, I). Assim, a penitência, ao mesmo tempo que nos torna conscientes das nossas limitações, dá-nos a força para as superar e, com a ajuda de Deus, viver uma comunhão cada vez mais intensa com Ele e entre nós.

Neste tempo de graça, pratiquemo-la generosamente, a par da oração e das obras de misericórdia. Dêmos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração, e escutemo-nos uns aos outros, nas famílias, nos locais de trabalho, nas comunidades. Dediquemos tempo a quem vive sozinho, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes. Renunciemos ao supérfluo e partilhemos o que pouparmos com quem carece do necessário. Então, como diz Santo Agostinho, «a nossa oração, feita com humildade e caridade, com jejum e esmola, com temperança e perdão, distribuindo coisas boas e não retribuindo na mesma moeda as más, afastando-nos do mal e fazendo o bem» (cf. Sermão 206, 3), alcançará o Céu e nos dará paz.

Confiemos o nosso caminho quaresmal à Virgem Maria, Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações.

_____________

Depois do Angelus:

Queridos irmãos e irmãs,

Passaram-se já quatro anos desde o início da guerra contra a Ucrânia. O meu coração segue voltado para a dramática situação que está diante dos olhos de todos: quantas vítimas, quantas vidas e famílias despedaçadas, quanta destruição, quanto sofrimento indescritível! Toda guerra é realmente uma ferida infligida à inteira família humana: deixa para trás morte, devastação e um rastro de dor que marca gerações.

A paz não pode ser adiada: é uma necessidade urgente, que deve encontrar espaço nos corações e traduzir-se em decisões responsáveis. Por isso, renovo com veemência o meu apelo: que as armas se calem, que cessem os bombardeamentos, que se chegue sem demora a um cessar-fogo e que se reforce o diálogo para abrir caminho à paz.

Convido todos a unirem-se em oração pelo martirizado povo ucraniano e por aqueles que sofrem em razão desta guerra e dos outros conflitos no mundo, para que o tão esperado dom da paz possa brilhar nos nossos dias.

E agora dirijo a minha saudação a todos vós, fiéis de Roma e peregrinos italianos e de vários países.

Abençoo de coração, no centenário da fundação, o Instituto das Irmãs Operárias de Jesus. Saúdo a Escola de São José Calasanz de Prievidza, na Eslováquia, e dirijo o meu encorajamento às Associações que se empenham em enfrentar juntas as doenças raras.

Saúdo o grupo do Apostolado da Oração de Biella, os fiéis de Nicosia, Castelfranco Veneto e do Decanato de Melegnano; os crismandos de Boltiere, os jovens da Comunidade Pastoral Santa Maria Madalena de Milão e os escuteiros de Tarquinia.

Desejo a todos um bom domingo e um bom caminho quaresmal.

Kerigma Kiko Argüello ✟ Camino Neocatecumenal.


 

Missa desde a Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima 22.02.2026


 

Proximidade e caridade: a visita do Papa à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus

 

Leão XIV foi acolhido com grande alegria pela comunidade paroquial da Basílica do Sagrado Coração de Jesus. Em sua homilia, destacou o Batismo como fonte de verdadeira liberdade e fraternidade e encorajou a paróquia a ser sinal de proximidade e esperança para todos que passarem por ali.

Thulio Fonseca – Vatican News

Um dia marcado por proximidade pastoral para o Bispo de Roma em sua segunda visita a uma paróquia da sua nova Diocese por ocasião da Quaresma. Na manhã deste domingo, 22 de fevereiro, o Papa Leão XIV deixou o Vaticano logo cedo e dirigiu-se à Basílica do Sagrado Coração de Jesus, localizada no centro de Roma.

Construída por São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana, a pedido do Papa Leão XIII em 1880, a paróquia integra o complexo onde se encontra a Casa Geral dos Salesianos. Inserida em uma das regiões mais movimentadas da capital italiana, por onde circulam cerca de 500 mil pessoas por dia, a Basílica é marcada por intensa atividade pastoral e social: são celebradas seis Missas diárias, há atendimento constante de confissões e um amplo trabalho de acolhida a imigrantes e pessoas em situação de rua.

Papa é acolhido pelos fiéis no Pátio da paróquia
Papa é acolhido pelos fiéis no Pátio da paróquia   (@Vatican Media)

Acolhida e convite à caridade

Recebido por uma grande quantidade de fiéis, o primeiro compromisso do Santo Padre foi um encontro com crianças e jovens no pátio paroquial. O Papa, em sua saudação destacou a alegria do domingo, dia da Ressurreição, e recordou que o tempo da Quaresma é também um caminho de conversão vivido na esperança. Leão XIV elogiou a paróquia como um espaço onde todos são acolhidos e ressaltou o significado do “Coração de Jesus” como símbolo do amor e da misericórdia sem limites, capazes de reunir pessoas de diferentes países em unidade, comunhão e fraternidade. Saudou ainda a comunidade salesiana, recordando a herança de Dom Bosco e a missão de serviço, caridade e dedicação aos jovens.

“É o amor de Jesus, é a sua misericórdia que nos reuniu esta manhã. Obrigado, Senhor, e bem-vindos a esta celebração!”, afirmou o Papa, incentivando as crianças e os jovens a viverem com alegria o dom da vida.

A Quaresma como redescoberta do Batismo

Em seguida, Leão XIV presidiu a celebração eucarística no interior da Basílica. Na homilia, o Papa destacou que a Quaresma é um tempo privilegiado para redescobrir a riqueza do Batismo e viver como criaturas renovadas pela encarnação, morte e ressurreição de Cristo. Referindo-se às leituras bíblicas do dia, sublinhou que o dom do Batismo é uma graça que encontra a liberdade humana.

Comentando o relato do Gênesis, o Pontífice explicou que a provação das origens não se apresenta apenas como um limite, mas como uma possibilidade: a de uma relação com Deus. “O ser humano é livre para reconhecer e acolher a alteridade do Criador”, afirmou, observando que a tentação consiste na ilusão de eliminar a diferença entre criatura e Criador, pretendendo “tornar-se como Deus”.

Leão XIV durante a Missa
Leão XIV durante a Missa   (@Vatican Media)

Cristo revela o homem a si mesmo

Ao refletir sobre o Evangelho das tentações de Jesus no deserto, Leão XIV afirmou que ali se encontra a resposta ao dilema fundamental da liberdade: realizar a própria vida dizendo “sim” a Deus ou tentar alcançá-la afastando-se d’Ele. Citando a Constituição conciliar Gaudium et spes, recordou que “no mistério do Verbo encarnado encontra verdadeira luz o mistério do homem”. Jesus, ao resistir às tentações, manifesta a verdadeira humanidade e revela o homem novo, livre, cuja liberdade se realiza na obediência ao Pai.

O Papa ressaltou que essa nova humanidade nasce da fonte batismal e convidou os fiéis, especialmente no tempo quaresmal, a redescobrirem o Batismo como fonte viva que habita no interior de cada cristão. Segundo Leão XIV, o Sacramento é dinâmico porque a graça recebida não se limita ao momento do rito, mas acompanha toda a vida, sustentando o seguimento de Cristo. Trata-se de uma voz interior que impulsiona a conformar-se a Jesus e a viver a liberdade na lógica do amor a Deus e ao próximo.

Liberdade que se torna fraternidade

O Pontífice destacou ainda a dimensão relacional do Batismo, que introduz na amizade com Cristo e na comunhão com o Pai, tornando possível uma verdadeira proximidade com os outros. “Não é a busca do próprio poder, mas o amor que se doa”, afirmou, citando São Paulo: “Todos vocês são um só em Cristo Jesus”.

Referindo-se ao contexto específico da paróquia, situada junto à Estação Termini, o Papa recordou que Leão XIII confiou a São João Bosco a construção da igreja por reconhecer a centralidade daquele local para a vida da cidade.

Papa na Basílica do Sagrado Coração de Jesus
Papa na Basílica do Sagrado Coração de Jesus   (@Vatican Media)

Uma paróquia chamada a ser sinal de esperança

Leão XIV descreveu a realidade social do território paroquial, marcado pela presença de universitários, trabalhadores pendulares, imigrantes, refugiados e pessoas em situação de rua. “Em poucos metros, encontram-se as contradições do nosso tempo”, observou, mencionando a convivência entre conforto e pobreza, potencialidades de bem e violência, trabalho honesto e atividades ilícitas. Por isso, encorajou a comunidade a ser “fermento do Evangelho” e sinal concreto de proximidade e caridade. Agradeceu aos Salesianos pelo trabalho incansável realizado diariamente e exortou todos a continuarem sendo, naquele lugar, “uma pequena chama de luz e de esperança”.

Ao concluir, o Papa confiou o caminho da comunidade à proteção de Maria Auxiliadora, pedindo que sustente os fiéis nas tentações e provações, para que vivam plenamente a liberdade e a fraternidade dos filhos de Deus.

Leão XIV sauda os fiéis presentes
Leão XIV sauda os fiéis presentes   (@Vatican Media)

Encontro com os salesianos e retorno ao Vaticano

Após a Missa concelebrada pelo cardeal Baldo Reina, vigário para a Diocese de Roma; pelo cardeal titular Giuseppe Versaldi, prefeito emérito da Congregação para a Educação Católica; pelo reitor-mor dos Salesianos, padre Fabio Attard; pelo pároco, padre Javier Ortiz Rodríguez, entre outros, Leão XIV dirigiu-se à capela da Casa Geral para encontrar-se com a comunidade salesiana e com o conselho pastoral.

Antes de deixar a paróquia romana e retornar ao Vaticano, por volta das 11 horas locais, o Papa saudou os fiéis que ainda se encontravam reunidos no pátio da Basílica. Por fim, também cumprimentou alguns paroquianos e recebeu presentes oferecidos pela comunidade.

1° DOMINGO QUARESMAL - A TENTAÇÃO - Dom José Falcão


 

Laudes do 1º Domingo da Quaresma


 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA - 22/02/2026.


 

Sabado, 21 de Fevereiro de 2026 11:00 Missa, na Basílica da Santíssima Trindade


 

Leão XIV se reúne com jovens europeus em Assis em agosto

 


Papa Leão XIV na oração do Ângelus em 8 de fevereiro, no Vaticano ??
Papa Leão XIV na oração do Ângelus em 8 de fevereiro, no Vaticano. | Vatican Media
 

A Santa Sé anunciou que o papa Leão XIV vai participar do GO! Franciscan Youth Meeting, um encontro de jovens da Europa que será realizado em Assis, Itália, terra de são Francisco, de 3 a 6 de agosto.

Em 6 de agosto, o papa vai para a basílica de Santa Maria degli Angeli (Santa Maria dos Anjos), em Assis, onde se encontra com jovens reunidos para as comemorações do jubileu dos 800 anos da morte de são Francisco de Assis e celebra a Santa Missa.

O evento GO! Franciscan Youth Meeting destina-se a jovens europeus com idades entre os 18 e os 33 anos, crentes e não crentes, e busca oferecer uma oportunidade de se encontrarem sob o signo de são Francisco.

Os frades franciscanos dizem que o objetivo é criar “um espaço compartilhado onde os participantes possam viver momentos autênticos de escuta, diálogo e formação”.

O programa tem momentos de oração e espiritualidade, embora também haja espaços para celebração "para que os jovens possam refletir sobre os temas fundamentais da existência num contexto de fraternidade universal".

Em 4 e 5 de agosto, serão feitos workshops temáticos específicos, concebidos para inspirar e envolver os jovens em caminhos de crescimento pessoal. Também haverá um concurso de canto chamado Fra Gospel.

O evento é fruto da colaboração entre várias entidades eclesiais e civis. É promovido pelos ministros gerais da Família Franciscana e organizado pelos frades menores de Assis. Eles também colaboram com a diocese e a cidade de Assis. O evento tem o patrocínio do comitê nacional para o Oitavo Centenário da Morte de São Francisco.

Os frades que organizam o evento anunciaram em comunicado o seu desejo de "reafirmar com veemência o convite que o papa Leão XIV dirigiu aos jovens no Jubileu no verão passado: A nossa esperança é Jesus".

Esse encontro, disseram, “nasce precisamente para dar voz ao profundo desejo, guardado no coração de cada jovem, de encontrar o Senhor”.

“Seguindo os passos de Francisco, queremos ser pontes para que cada jovem possa redescobrir a beleza dessa esperança em seu dia-a-dia, vislumbrando o Rosto de Deus encarnado em cada pessoa, especialmente nos menores e mais vulneráveis ​​entre nós”, concluem.


Papa pede a padres que usem o cérebro, não IA, para preparar homilias

 


Papa Leão XIV discursa para padres da diocese de Roma na Aula Paulo VI, no Vaticano, em 19 de fevereiro de 2026 ??
Papa Leão XIV discursa ontem (19) para padres da diocese de Roma na Aula Paulo VI, no Vaticano. | Vatican Media
 

Numa conversa particular ontem (19) com padres da diocese de Roma, o papa Leão XIV respondeu a quatro perguntas, aconselhando-os sobre oração, estudo e fraternidade sacerdotal.

O momento, que não foi filmado, ocorreu depois que Leão XIV fez um discurso público aos padres, exortando-os a "reacender a chama" de seu ministério.

“O primeiro padre a falar foi um jovem que perguntou ao papa como o Evangelho pode ser vivido no mundo dos jovens”, segundo um padre presente na reunião de ontem na Aula Paulo VI, no Vaticano.

O padre disse à ACI Stampa, agência em italiano da EWTN, que a resposta do papa a essa pergunta foi: “Antes de tudo, o que é necessário é o testemunho do padre; e depois, encontrando jovens, eles devem ampliar seus horizontes para alcançar o maior número possível de jovens. Para isso, é necessário redescobrir o valor da comunhão”.

Respondendo a uma segunda pergunta, Leão XIV recomendou conhecer bem “a comunidade em que se vive e trabalha”.

“É necessário conhecer bem a realidade”, disse ele. “Para amar a sua comunidade, é preciso conhecê-la. Portanto, é necessário um verdadeiro esforço conjunto para compreendê-la melhor e, assim, enfrentar juntos todos os desafios que surgirem”.

“O papa também nos exortou a usar mais o nosso intelecto e não a inteligência artificial [IA] para preparar as homilias, como ele tem visto e ouvido acontecer”, disse o padre. “E aqui o papa fez uma forte recomendação em relação à oração: nós, sacerdotes, devemos rezar — permanecer com o Senhor, ou seja — não reduzir tudo ao breviário ou a alguns breves momentos de oração, mas aprender verdadeiramente a escutar o Senhor novamente”.

A terceira pergunta foi mais reflexiva: Hoje, como sacerdotes, somos incapazes de nos alegrar com o sucesso de outro sacerdote.

Leão XIV disse que “todos somos humanos, mas devemos dar um bom exemplo, especialmente o exemplo da fraternidade sacerdotal”.

Ele falou longamente sobre como cultivar a amizade sacerdotal. O papa também os exortou a continuar estudando. “Deve ser um estudo contínuo; devemos sempre nos manter atualizados”, disse o sacerdote de Roma. “Mas o fundamental é cultivar a amizade sacerdotal, a fraternidade sacerdotal”.

A última pergunta foi sobre aos padres idosos e à sua solidão. Segundo o padre, a resposta de Leão XIV “reafirmou a necessidade de fraternidade, da alegria de estarmos juntos”.

“Devemos dar graças, viver verdadeiramente a gratidão pelo fato de sermos padres, desde o dia da nossa ordenação, todos os dias, e agradecer a Deus por esse grande dom, e viver o sacerdócio com gratidão. E aqui, também se exige muita humildade”.

“Pessoalmente, fiquei feliz”, concluiu o padre. “Agradecemos muito ao papa por um discurso muito, muito concreto”.

EU ERA MISSIONÁRIO PROTESTANTE E DESCOBRI ISSO NA MISSA | TESTEMUNHO DE ANTHONY FEOLA


 

Homilia Diária | Dois corações puríssimos e misericordiosos (Sábado depois das Cinzas - 21/02/2026)


 

SANTO DO DIA - 21 FEVEREIRO: SAO PEDRO DAMIAO


 

Laudes de Sábado depois das Cinzas


 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Shema Israel - Camino Neocatecumenal


 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIV PARA LA QUARESMA 2026



Escutar e jejuar.

Quaresma como tempo de conversão

 

Queridos irmãos e irmãs!

A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso, o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.

Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor» (Ex 3, 7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

É um Deus que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de recetividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que «a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja». [1]

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Na verdade, a abstinência de alimentos é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente aquilo de que temos “fome” e o que consideramos essencial para o nosso sustento. Portanto, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

Com grande sensibilidade espiritual, Santo Agostinho deixa transparecer a tensão entre o tempo presente e a realização futura que atravessa esta salvaguarda do coração, quando observa que: «Ao longo da vida terrena, cabe aos homens ter fome e sede de justiça, mas ser saciados pertence à outra vida. Os anjos saciam-se deste pão, deste alimento. Os homens, pelo contrário, sentem fome dele, estão inclinados ao seu desejo. Esta inclinação ao desejo dilata a alma, aumentando a sua capacidade». [2] Compreendido neste sentido, o jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem.

No entanto, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade. Ele exige um permanente enraizar-se na comunhão com o Senhor, porque «não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus». [3] Como sinal visível do nosso compromisso interior de, com o apoio da graça, nos afastarmos do pecado e do mal, o jejum deve incluir também outras formas de privação destinadas a fazer-nos assumir um estilo de vida mais sóbrio, pois «só a austeridade torna forte e autêntica a vida cristã». [4]

Por isso, gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.

Juntos

Por fim, a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum. A Escritura sublinha também este aspeto de várias maneiras. Por exemplo, ao narrar no livro de Neemias que o povo se reuniu para escutar a leitura pública do livro da Lei e, praticando o jejum, se dispôs à confissão de fé e à adoração, a fim de renovar a aliança com Deus (cf. Ne 9, 1-3).

Do mesmo modo, as nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento. Neste contexto, a conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação.

Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.

De coração, abençoo todos vós e o vosso caminho quaresmal.

 

Vaticano, na Memória de Santa Ágata, virgem e mártir, 5 de fevereiro de 2026

 

LEÃO PP. XIV

________________________________________

 

[1] Exort. ap. Dilexi te (4 de outubro de 2025), 9.

[2] Santo Agostinho, A utilidade do jejum, 1, 1.

[3] Bento XVI, Catequese (9 de março de 2011).

[4] São Paulo VI, Catequese (8 de fevereiro de 1978).

 

 

Copyright © Dicastério para a Comunicação - Libreria Editrice Vaticana


A Santa Sé



 

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026 11:00 Missa, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima


 

A BÍBLIA É RESULTADO DA IGREJA CATÓLICA - Dom José Falcão


 

Pastorinhos de Fátima e Comentário à liturgia do I Domingo da Quaresma


 

greja Militante - 20/02/26 - Mateus 15, 2 (I) – Os fariseus e suas tradições.


 

A Fraternidade São Pio X rejeita o diálogo com a Santa Sé. Ordenações confirmadas

Em uma carta dirigida ao cardeal Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, o superior geral Pagliarani afirma não vislumbrar a possibilidade de iniciar um diálogo “teológico” como proposto pela Santa Sé, visto que “os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada”. Não sendo possível chegar a um acordo sobre a doutrina, confirma-se, portanto, a decisão de consagrar novos bispos em 1º de julho.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Não à proposta de um diálogo “especificamente teológico” apresentada pela Santa Sé, porque, de qualquer forma, nunca se colocariam em dúvida os textos do Concílio nem a legitimidade da reforma litúrgica. Sim às consagrações de novos bispos previstas para o próximo dia 1º de julho. A Fraternidade São Pio X responde com uma carta do superior geral, padre Davide Pagliarani, ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, após o encontro entre os dois ocorrido no dia 12 de fevereiro último, no Vaticano. Encontro que Fernández definiu em um comunicado posterior como “cordial” e “sincero” e após o qual informou ter proposto aos membros da Fraternidade iniciar “um diálogo especificamente teológico” com “uma metodologia bem precisa, sobre temas que ainda não tiveram uma suficiente precisão”. A proposta foi acompanhada pelo pedido de suspensão das ordenações episcopais anunciadas no dia 2 de fevereiro, pois isso “implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo”.

Pagliarani, há uma semana, havia informado que apresentaria a proposta do Vaticano aos membros do Conselho Geral da Fraternidade e confirma que foi “dedicado o tempo necessário para avaliá-la”. Nesta terça-feira, 18 de fevereiro, chegou a resposta ao cardeal assinada pelos cinco membros do Conselho Geral.

A proposta de diálogo

Na carta dirigida ao cardeal Fernández, o superior dos chamados lefebvrianos (do nome do bispo Marcel Lefebvre, que fundou a associação na década de 1970 em oposição às reformas do Concílio Vaticano II) diz alegrar-se, por um lado, com a “nova abertura ao diálogo”, como “resposta positiva” à sugestão de “uma discussão” doutrinária já avançada por ele mesmo em janeiro de 2019, em “um momento sereno e pacífico, sem a pressão ou a ameaça de uma eventual excomunhão”. Por outro lado, Pagliarani rejeita a proposta da Santa Sé porque um caminho de diálogo comum não poderia, de qualquer forma, “chegar a determinar em conjunto o que constituiria ‘o mínimo necessário para a plena comunhão com a Igreja Católica’”, uma vez que “os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada”.

“O Concílio – sublinha Pagliarani – não constitui um conjunto de textos livremente interpretáveis: ele foi recebido, desenvolvido e aplicado ao longo de sessenta anos pelos Papas que se sucederam, segundo orientações doutrinárias e pastorais precisas. Essa leitura oficial se expressa, por exemplo, em textos importantes como Redemptor hominisUt unum sintEvangelii gaudium ou Amoris lætitia. Ela também se manifesta na reforma litúrgica, compreendida à luz dos princípios reafirmados em Traditionis custodes. Todos esses documentos mostram que o quadro doutrinário e pastoral no qual a Santa Sé pretende situar qualquer discussão já está determinado”.

Ordenações confirmadas

“Por estas razões – acrescenta Pagliarani –, na consciência partilhada de que não podemos chegar a um acordo sobre a doutrina, parece-me que o único ponto em que podemos concordar é o da caridade para com as almas e para com a Igreja”.

O responsável da FSSPX - que de fato não admite a legitimidade do rito litúrgico resultante da reforma litúrgica - afirma, portanto, não poder aceitar “a perspectiva e os objetivos em nome dos quais o Dicastério propõe uma retomada do diálogo no momento atual; nem, concomitantemente, o adiamento da data de 1º de julho”. As ordenações de novos bispos são, portanto, confirmadas como “necessidade concreta a curto prazo para a sobrevivência da Tradição”.

O comunicado do cardeal Fernández

Como se recordará, no comunicado do último dia 12 de fevereiro, o cardeal Fernández declarou: “foi reiterado pela Santa Sé que a ordenação de bispos sem o mandato do Santo Padre, que detém um poder ordinário supremo, que é pleno, universal, imediato e direto (cf. CDC, cân. 331; Cost. Dogm. Pastor aeternus, cap. I e III) implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo (João Paulo II, Lett. Ap. Ecclesia Dei, 2 de julho de 1988, nn. 3 e 5c; Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota explicativa, 24 de agosto de 1966, n. 1)”.

 

Jejum: uma prática penitencial que traz inúmeros benefícios

 

Muito além da privação de alimentos, o jejum é uma arma espiritual para vencer os impulsos, curar dependências emocionais e restaurar a verdadeira liberdade em Cristo.

Pe. Rodrigo Rios - Vatican News

A Santa Mãe Igreja, em sua sabedoria milenar, prescreve o jejum aos seus filhos ao menos em dois dias sagrados: a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira da Paixão. No entanto, recordo que ela também nos aconselha a esta prática penitencial em todas as sextas-feiras do ano, unindo-a à abstinência de carne. Gostaria, pois, de partilhar os admiráveis benefícios humano-espirituais que brotam desta disciplina.

1. O fortalecimento da vontade e o governo de si
 

Muitas vezes, encontramo-nos com uma vontade anêmica. Diante de um prazer imediato, não conseguimos resistir; o pecado da gula torna-se o espelho de nossa debilidade interior. O corpo não é uma máquina que se reconfigura com um simples botão; ele exige o hábito das virtudes.

O jejum é uma grande arma que fortalece a vontade. Quando o fiel tem o alimento à disposição, sente o desejo de comê-lo, porém, diz "não" por um bem maior, assim ele está restaurando a ordem correta do seu ser: a razão, iluminada pela fé, volta a guiar os instintos. São Paulo nos ensina: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma” (1 Cor 6,12).

Ao dominar a fome, ganhamos têmpera para vencer as tentações em todas as outras áreas da vida. Cientificamente, há uma explicação: é o fortalecimento do córtex pré-frontal sobre os instintos básicos. Como vencer os impulsos da carne diante das tentações impostas pela vida? Eu indico o jejum, pois gera o autodomínio que faz resistir a estes impulsos.

2. Sobriedade e cura das emoções
 

Vivemos tempos de profundas carências emocionais, muitas vezes mascaradas pelo consumo. Quantos de nós comemos por ansiedade, tédio ou tristeza? O jejum atua como um bálsamo de sobriedade em nossa psiché. Ele nos obriga a encarar o vazio interior sem os subterfúgios do alimento excessivo. Ao interromper o ciclo automático do "sentir e satisfazer", criamos um espaço de liberdade onde as emoções podem ser integradas e oferecidas a Deus, gerando uma paz que o mundo não pode dar.

Estamos também imersos em um consumo frenético de informações e estímulos. O jejum é um ato de resistência; ele interrompe essa ditadura do imediato. Nesse intervalo entre o impulso e a resposta, recuperamos o protagonismo de nossa história.

3. Abertura ao próximo e caridade ativa
 

O jejum que agrada a Deus nunca se fecha em si mesmo. Ao sentirmos o latejar da fome, somos unidos aos milhões de irmãos que não escolheram jejuar, mas que padecem a fome por necessidade. O jejum nos torna sensíveis, move as vísceras da misericórdia. Por isso, a Igreja incentiva que o alimento ou o valor economizado do jejum possa ser entregue aos pobres. "Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? diz o Senhor Deus: é romper as cadeiras injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos e quebrar toda espécie de jugo. É repartir seu alimento com o faminto" (Is 58, 6-7a). Algumas paróquias, de forma articulada, incentivam as pessoas a fazerem comida no dia do jejum e a distribuírem aos que precisam. É uma forma pedagógica de tocar a dor de tantos.

4. Reconhecimento da nossa fragilidade
 

Por fim, o jejum nos redimensiona. Ele nos recorda que somos criaturas frágeis e dependentes. Ao sentir a fraqueza física, a alma reconhece que sua verdadeira sustentação não vem da terra, mas do Alto. O jejum esvazia o vaso para que a Graça possa preenchê-lo. É sempre um tangenciar realidades: vejo as minhas fragilidades e a grandeza de Deus.

Bélgica registra número recorde de batismos de adultos

 


Pia Batismal ??
Pia batismal. Imagem referencial. | Fernando Rayo / Shutterstock.
 

A Conferência Episcopal da Bélgica divulgou um aumento de 30% no número de batismos de adultos em comparação com o ano passado.

No ano passado, foram registrados 534 catecúmenos, e este ano já foram contabilizadas 689 solicitações de batismos a serem celebrados na próxima Páscoa, no dia 4 de abril.

"Estamos testemunhando um aumento de três vezes em comparação com dez anos atrás, o que confirma o crescimento que também temos observado nos últimos anos", disse a Conferência Episcopal da Bélgica em comunicado divulgado ontem (18).

A maioria dos catecúmenos deste ano vem da capital Bruxelas (248), seguida por Tournai (177), área predominantemente francófona no oeste da Bélgica (177) e Liège (79).

A jornada deles rumo à fé católica começará no próximo domingo (22), com o chamado rito da Eleição.

Na cerimônia, bispos os reconhecem oficialmente como elegíveis para receber os sacramentos da iniciação cristã — batismo, primeira comunhão e confirmação (crisma) — na Vigília Pascal.

A partir desse momento, diz a conferência episcopal, a Quaresma torna-se para eles um período intensivo de preparação espiritual.

O segredo para vencer um combate (Mt 9,14-15) Palavra de Deus | Irmã Maria Raquel 20/02


 

Hoje a Igreja celebra são Francisco e santa Jacinta Marto, videntes da Virgem de Fátima

 


São Francisco e santa Jacinta Marto ??
São Francisco e santa Jacinta Marto | ACI Digital
 

“Rezem, rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão ao inferno porque não há quem se sacrifique e peça por elas”, foi o que pediu Nossa Senhora de Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. E, hoje (20), a Igreja recorda a memória de dois desses pastorinhos, os santos Francisco e Jacinta Marto.

Francisco Marto nasceu em 1908 e Jacinta, dois anos depois. Desde pequenos aprenderam a tomar cuidado com as más companhias e, por isso, preferiam estar com sua prima Lúcia, que costumava lhes falar sobre Jesus. Os três cuidavam das ovelhas, brincavam e rezavam juntos.

De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, a Virgem lhes apareceu em várias ocasiões na Cova de Iria (Portugal). Durante estes ocorridos, suportaram com valentia as calúnias, injúrias, más interpretações, perseguições e a prisão. Eles diziam: “Se nos matarem, não importa; vamos ao céu”.

Logo depois das aparições, Jacinta e Francisco seguiram sua vida normal. Lúcia foi para a escola, tal como pediu a Virgem, e era acompanhada por Jacinta e Francisco. No caminho, passavam pela Igreja e saudavam Jesus Eucarístico.

Francisco, sabendo que não viveria muito tempo, dizia a Lúcia: “Vão vocês ao colégio, eu ficarei aqui com o Jesus Escondido”. Ao sair do colégio, as meninas o encontravam o mais perto possível do Tabernáculo e em recolhimento.

O pequeno Francisco era o mais contemplativo e queria consolar Deus, tão ofendido pelos pecados da humanidade. Em uma ocasião, Lúcia lhe perguntou: “Francisco, o que prefere, consolar o Senhor ou converter os pecadores?”. Ele respondeu: “Eu prefiro consolar o Senhor”.

“Não viu que triste estava Nossa Senhora quando nos disse que os homens não devem ofender mais o Senhor, que já está tão ofendido? Eu gostaria de consolar o Senhor e, depois, converter os pecadores para que eles não ofendam mais ao Senhor”. E continuou: “Logo estarei no céu. E quando chegar, vou consolar muito Nosso Senhor e Nossa Senhora”.

Jacinta participava diariamente da missa e tinha grande desejo de receber a Comunhão em reparação dos pobres pecadores. Atraía-lhe muito estar com Jesus Sacramentado. “Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo”, repetia.

Certo dia, pouco depois da quarta aparição, Jacinta encontrou uma corda e concordaram em reparti-la em três e colocá-la na cintura, sobre a carne, como sacrifício. Isto os fazia sofrer muito, contaria Lúcia depois. A Virgem lhes disse que Jesus estava muito contente com seus sacrifícios, mas que não queria que dormissem com a corda. Assim o fizeram.

Concedeu a Jacinta a visão de ver os sofrimentos do papa. “Eu o vi em uma casa muito grande, ajoelhado, com o rosto entre as mãos, e chorava. Fora, havia muita gente; alguns atiravam pedras, outros diziam imprecações e palavrões”, contou ela.

Por isso e outros feitos, as crianças tinham presente o papa e ofereciam três Ave Maria por ele depois de cada Rosário. Do mesmo modo, as famílias iam a eles para que intercedessem por seus problemas.

Em uma ocasião, uma mãe rogou a Jacinta que pedisse por seu filho que se foi como o filho pródigo. Dias depois, o jovem retornou para casa, pediu perdão e contou a sua família que depois de ter gastado tudo o que tinha, roubado e estado no cárcere, fugiu para bosques desconhecidos.

Quando se achou completamente perdido, ajoelhou-se chorando e rezou. Nisso, viu Jacinta que o pegou pela mão e o conduziu até um caminho. Assim, pôde retornar para casa. Logo interrogaram Jacinta se tinha se encontrado com o moço e ela disse que não, mas que tinha rogado muito à Virgem por ele.

Em 23 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram de uma terrível epidemia de broncopneumonia. Francisco foi piorando aos poucos durante os meses posteriores. Pediu para receber a Primeira Comunhão e, para isso, confessou-se e guardou jejum. Recebeu-a com grande lucidez e piedade. Depois, pediu perdão a todos.

“Eu vou ao Paraíso; mas de lá pedirei muito a Jesus e à Virgem para que os leve também logo”, disse para Lúcia e Jacinta. No dia seguinte, em 4 de abril de 1919, partiu para a casa do Pai com um sorriso angelical.

Jacinta sofreu muito pela morte de seu irmão. Mais tarde, sua enfermidade se complicou. Foi levada ao hospital da Vila Nova, mas retornou para casa com uma chaga no peito. Logo confiaria a sua prima: “Sofro muito; mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para desagravar o Coração Imaculado de Maria”.

Antes de ser levada ao hospital de Lisboa, disse para Lúcia: “Já falta pouco para ir ao céu… Diga a todos que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria. Que as peçam a Ela, que o Coração de Jesus quer que ao seu lado se venere o Imaculado Coração de Maria, que peçam a paz ao Imaculado Coração, que Deus a confiou a Ela”.

Operaram Jacinta, tiraram-lhe duas costelas do lado esquerdo e ficou uma grande chaga como de uma mão. As dores eram espantosas, mas ela invocava a Virgem e oferecia suas dores pela conversão dos pecadores.

Em 20 de fevereiro de 1920, pediu os últimos sacramentos, confessou-se e rogou que a levassem o viático porque logo morreria. Pouco depois, partiu para a Casa do Pai com dez anos de idade.

Os corpos do Francisco e Jacinta foram transladados ao Santuário de Fátima. Quando abriram o sepulcro de Francisco, viram que o Rosário que colocaram sobre seu peito estava envolvido entre os dedos de suas mãos. Enquanto o corpo de Jacinta, 15 anos depois de sua morte, estava incorrupto.

“Contemplar como Francisco e amar como Jacinta” foi o lema com o qual esses dois videntes da Virgem de Fátima foram beatificados por são João Paulo II em 13 de maio de 2000.

O papa Francisco os canonizou em 13 de maio de 2017, em Fátima, no marco das celebrações pelo centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima.

Liturgia das Horas: Laudes, sexta-feira de cinzas, 20 Fev 26


 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Minuto (ou mais) com Glorinha #96 - Talheres: Tipos e Usos


 

How to Draw Girl Face: Loomis Method portrait drawing Tips for Beginner


 

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2026 11:00Missa, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima


 

A semana do Papa, Pastoral do Turismo, CNISP, O legado do Papa Francisco nas Migrações


 

O silêncio como vocação: o testemunho de monges e carmelitas em um mundo marcado pelo ruído

 

Na contramão de uma sociedade hiperconectada, religiosos mostram como o silêncio se torna caminho de escuta, liberdade interior e encontro com Deus, especialmente no tempo da Quaresma

Matheus Macedo - Vatican News

O Papa Leão XIV recorda, nesta Quaresma, a importância de cultivar a escuta e moderar as palavras, destacando que “a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”. O convite do Pontífice toca uma dimensão cada vez mais desafiadora na vida contemporânea: o silêncio.

Em uma sociedade marcada pelo excesso de estímulos, notificações constantes e hiperconectividade, permanecer em silêncio tornou-se incomum. No entanto, para comunidades religiosas como os carmelitas e os cistercienses, o silêncio não é apenas uma prática ocasional, mas um verdadeiro estilo de vida: um caminho cotidiano de encontro com Deus e de amadurecimento interior.

O silêncio como caminho de união com Deus no Carmelo


Na espiritualidade carmelitana, o silêncio é parte essencial da vocação. Mais do que ausência de sons, ele é compreendido como uma atitude interior que permite viver continuamente na presença de Deus.

“O silêncio e a oração na vida dos carmelitas não são apenas a ausência de barulho, mas um estilo de vida e um caminho interior de união com Deus”, explica Frei Emerson, da Ordem dos Carmelitas Descalços. Inspirados por santos como Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, os carmelitas buscam cultivar uma vida interior profunda, onde a escuta se torna fundamental.

Essa vivência nasce da oração e da contemplação, que formam o núcleo da espiritualidade do Carmelo. Frei Higor Fernandes de Oliveira, O.Carm, explica que a própria identidade carmelitana está ligada a esse movimento interior: “Somos chamados a subir ao monte da oração, contemplar Jesus e depois descer para testemunhar no mundo aquilo que vimos e ouvimos na intimidade com Ele”.

Em silêncio e recolhimento, Frei Higor testemunha um dos pilares da espiritualidade carmelitana: a escuta interior e a contemplação. (Foto: arquivo pessoal(.
Em silêncio e recolhimento, Frei Higor testemunha um dos pilares da espiritualidade carmelitana: a escuta interior e a contemplação. (Foto: arquivo pessoal(.

Segundo o religioso, o silêncio carmelitano é antes de tudo interior. “Trata-se de fazer silenciar o barulho dentro de nós, para que a realidade possa aparecer como ela é, e para que possamos escutar a voz de Deus”, afirma.

Essa experiência, no entanto, contrasta com o ritmo da sociedade atual. Frei Emerson observa que o excesso de ruído e a necessidade constante de conexão dificultam esse encontro interior. “Se não estou conectado, parece que não existo. Por medo, muitas vezes fugimos da nossa própria interioridade”, diz. Como consequência, surgem ansiedade, vazio e dificuldade de experimentar a presença de Deus.

O silêncio vivido no coração da vida monástica cisterciense


Entre os monges cistercienses, o silêncio também ocupa um lugar central, estruturando a própria rotina do mosteiro.

Na Abadia da Santa Cruz, em Itaporanga (SP), os monges organizam o dia em torno de momentos de oração comunitária, oração pessoal, trabalho e estudo, sempre permeados pelo silêncio. Essa prática encontra suas raízes na Regra de São Bento, que orienta a vida monástica há séculos.

“O silêncio é uma dimensão essencial da nossa vida, pois nos ajuda a dar sentido à oração e àquilo que vivemos. Ele é uma oferta de amor a Deus e aos irmãos”, explica Ir Elredo, monge cisterciense.

Monges da Ordem Cisterciense vivem o silêncio como parte essencial da rotina de oração, trabalho e vida comunitária.
Monges da Ordem Cisterciense vivem o silêncio como parte essencial da rotina de oração, trabalho e vida comunitária.

Nesse contexto, o silêncio não é isolamento, mas uma forma de comunhão. Ao silenciar, o monge se torna mais disponível à escuta de Deus e mais atento à realidade.

“O silêncio permite que acessemos aquilo que é essencial, a voz de Deus que nos chama no hoje da nossa vida”, afirma.

Um testemunho contracultural em meio ao ruído do mundo


A escolha pelo silêncio nas tradições monásticas revela um contraste com a realidade contemporânea, marcada pelo excesso de palavras e pela dificuldade de escutar.

Frei Higor, O. Carm, observa que o barulho exterior reflete um coração inquieto. “Muitas pessoas deixam-se hipnotizar pelo ruído do mundo e pela busca de uma felicidade superficial. Isso impede o encontro consigo mesmas, com o outro e com Deus”, afirma.

Ir Elredo também aponta para uma crise mais profunda. “Vivemos em uma sociedade em que as pessoas estão cada vez mais voltadas para si mesmas. O silêncio e a escuta se tornam desafiadores porque nos obrigam a enfrentar quem realmente somos.”

Essa reflexão ecoa o ensinamento do Papa Bento XVI, que destacou a importância do silêncio como parte essencial da comunicação: “O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos melhor e compreendemos com maior clareza.”

A Quaresma como um convite a redescobrir o silêncio


Neste contexto, a Quaresma surge como um tempo privilegiado para redescobrir o valor do silêncio e da escuta.

Frei Emerson, OCD, descreve esse período como uma oportunidade concreta de recolhimento: “A Quaresma pode ser vivida como um grande retiro, um tempo de conversão e de escuta de Deus no silêncio.”

Também para os monges cistercienses, esse tempo tem um significado especial. “A Quaresma nos convida a reencontrar o Deus que nos chama à comunhão. O silêncio nos ajuda a corresponder a esse chamado com um coração aberto”, explica Ir Elredo.

Mais do que uma prática reservada aos mosteiros, o silêncio pode ser cultivado na vida cotidiana. “Mesmo em meio ao trânsito ou às atividades diárias, é possível viver o silêncio interior quando o coração está em paz”, afirma o monge.

Frei Emerson, OCD, sugere passos concretos: reservar momentos de silêncio, reduzir o uso de redes sociais, cultivar a oração e aprender a escutar antes de falar.

O silêncio que abre espaço para Deus e para o outro


O testemunho das comunidades carmelitas e cistercienses revela que o silêncio não é vazio, mas um espaço de encontro. É nele que o ser humano reencontra a si mesmo, redescobre o outro e se abre à presença de Deus.

Bento XVI sintetiza essa realidade: “Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação e nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora.”

Neste tempo de Quaresma, o convite da Igreja é também um convite à escuta. Em meio ao ruído do mundo, o silêncio permanece como um caminho possível — e necessário — para redescobrir aquilo que é essencial.

 

(vaticannews) 

Nosso pecado e o peso de um mundo em chamas

 


A homilia de Leão XIV na Missa da Quarta-feira de Cinzas e a nossa responsabilidade 

Andrea Tornielli

"Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!" As palavras pronunciadas pelo Papa Leão XIV na homilia da Missa da Quarta-feira de Cinzas fotografam uma realidade do nosso tempo: vivemos circundados por pessoas, empresas e instituições em todos os níveis que raramente admitem que erraram. Temos enormes dificuldades em admitir que cometemos erros e pedir perdão, reconhecendo o nosso erro.

Ouça e compartilhe

O início da Quaresma é uma grande oportunidade para os cristãos se reconhecerem como pecadores, necessitados de ajuda e de perdão, e chama a atenção como o Sucessor de Pedro tenha desejado enfatizar a sua dimensão comunitária: "A Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados". Em vez de buscar sempre o inimigo externo, em vez de olhar para o mundo considerando-nos sempre justos e do lado certo, somos chamados a uma atitude contracorrente e a "um corajoso assumir de responsabilidades", pessoal mas também coletivo.

Porque é verdade que o pecado "é pessoal", como enfatizou o Papa. Mas é igualmente verdade — acrescentou ele, ecoando a Encíclica Sollicitudo rei socialis de São João Paulo II — que isso "ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, nas atitudes com que nos condicionamos mutuamente, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem económica, cultural, política e até religiosas".

Entre estas poder-se-ia incluir, por exemplo, alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro, que produz enormes desequilíbrios e injustiças, definido pelo Papa Francisco em sua primeira exortação apostólica como "uma economia que mata". Ou os enormes interesses econômicos que impulsionam o vasto mercado de armamentos, que precisa ser alimentado por conflitos permanentes.

As cinzas sobre a cabeça de cada indivíduo e da comunidade como um todo nos convidam a sentir, como disse Leão XIV, "o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura".

Ao iniciarmos o caminho quaresmal, torna-se assim importante essa coparticipação, na consciência que o pecado pessoal se amplifica e se cristaliza em "estruturas de pecado".

É por isso que, ao recebermos as cinzas sobre a cabeça, somos chamados a um exame de consciência em relação aos nossos próprios erros, mas também àqueles que reverberam em grande escala. E assim, ao sentirmos o peso de um mundo em chamas, podemos nos perguntar, como comunidade, como país, como Europa, como organizações internacionais: fizemos tudo o que era possível para pôr fim à trágica guerra na Ucrânia, que começou com a agressão russa em 2022? Será que tudo foi feito para buscar soluções negociadas, ou o único objetivo real perseguido hoje é apenas uma corrida armamentista insana? Como foi possível testemunhar, após o ataque desumano perpetrado pelo Hamas contra os israelenses, a destruição total de Gaza com suas mais de setenta mil mortes? Por que nada de concreto foi feito para acabar com o massacre? Como é possível aceitar que existam países onde a livre expressão do protesto popular seja brutalmente reprimida, com milhares de vítimas? E ainda, como é possível aceitar, em nome de uma vida pacífica ou de uma pertença política, a perpetuação da ecatombe que ocorre no Mar Mediterrâneo, com migrantes que ali se afogam?

"Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos - concluiu o Papa - é já um presságio e um testemunho da ressurreição: significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruir".

 

Papa: nas cinzas está o peso de um mundo em chamas. A Quaresma estimula a conversão

 

Pela primeira vez em seu pontificado, Leão XIV presidiu à tradicional procissão da Quarta-feira de Cinzas, que tem início na Igreja de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina , onde foi celebrada a Santa Missa com a imposição das cinzas.

Vatican News - Bianca Fraccalvieri

As cinzas do direito internacional e da justiça, de ecossistemas inteiros, do pensamento crítico e do sentido do sagrado: para os católicos, a Quaresma que hoje se inicia carrega o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra. Esta metáfora está contida na homilia que o Papa Leão XIV pronunciou na Missa de Quarta-feira de Cinzas celebrada na Basílica de Santa Sabina, após a tradicional procissão que partiu da Igreja de Santo Anselmo, no bairro romano do Aventino.

Procissão penitencial
Procissão penitencial   (@VATICAN MEDIA)

Quaresma, tempo forte de comunidade

No início de cada tempo litúrgico, disse o Santo Padre, redescobrimos com alegria sempre renovada a graça de ser Igreja, e também hoje a Quaresma é um forte tempo de comunidade: "Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar".

Na Igreja, ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas está dentro da própria vida e dos próprios corações - pecados que devem ser enfrentados com a assunção de responsabilidades, mesmo que se trate de uma "atitude contracorrente", defendeu o Papa.

Papa Leão XIV durante a Santa Missa
Papa Leão XIV durante a Santa Missa   (@Vatican Media)

Certamente, o pecado é sempre pessoal, afirmou, mas ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem econômica, cultural, política e até religiosa. "Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!", lamentou Leão XIV.

E a Quaresma trata precisamente desta possibilidade e, por isso, atrai sobretudo os jovens. Opor o Deus vivo à idolatria significa ousar a liberdade. São os jovens que percebem nitidamente que é possível um modo de vida mais justo e que existem responsabilidades por tudo o que não funciona na Igreja e no mundo. "É necessário, portanto, começar por onde se pode e com quem está presente", exortou o Santo Padre, reiterando ainda o alcance missionário da Quaresma, de se abrir a pessoas que procuram caminhos para uma autêntica renovação de vida. 

“A Quaresma, com efeito, estimula-nos às mudanças de direção – conversões – que tornam mais crível o nosso anúncio.”

Apologia das Cinzas

Este anúncio passa também pelo Rito das Cinzas, que São Paulo VI desejou celebrar publicamente sessenta anos atrás, poucas semanas após a conclusão do Concílio Vaticano II. Na época, o Papa Montini usou a expressão "apologia das cinzas" para sintetizar o pessimismo que permeava a produção intelectual, em que emergia a imensa tristeza da vida e a metafísica do absurdo e do nada. 

“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura.”

Momento da imposição das cinzas
Momento da imposição das cinzas   (@VATICAN MEDIA)

Eis a necessidade de testemunhar Cristo Ressuscitado. Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos, acrescentou o Papa, é já um presságio e um testemunho da ressurreição: "Significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruirmos. Então, o Tríduo Pascal, que celebraremos ao culminar o caminho quaresmal, desprenderá toda a sua beleza e significado".

Neste percurso rumo à Páscoa, nos inspiram os mártires antigos e contemporâneos, que escolheram o caminho das Bem-aventuranças e levaram até ao fim as suas consequências. A Quaresma então é a oportunidade de restabelecer a profunda sintonia com o Deus da vida. "A Ele redirecionemos, com sobriedade e alegria, todo o nosso ser, todo o nosso coração", concluiu o Santo Padre.