6 de fev de 2026 às 15:43
O papa Leão XIV publicou uma carta sobre o valor do esporte intitulada A vida em abundância, por ocasião da Olimpíada de Inverno 2026, aberta oficialmente hoje em Milão e Cortina d'Ampezzo, Itália.
No início da carta, o papa fala sobre o esporte como uma atividade comum, aberta a todos, "saudável para o corpo e para o espírito, a ponto de constituir uma expressão universal do ser humano".
Ele exorta por uma trégua na próxima olimpíada de inverno
O papa fala sobre o esporte como um meio de alcançar a paz e evoca a trégua olímpica da Grécia antiga, “acordo destinado a suspender as hostilidades antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos”.
Ao contrário dos valores promovidos pelo esporte, como a coesão comunitária e o bem comum, o papa Leão XIV diz que a guerra “nasce de uma radicalização do desacordo e da recusa em cooperar uns com os outros”.
“O adversário é então considerado um inimigo mortal, a ser isolado e, se possível, eliminado”, diz o papa.
Assim, ele propõe uma trégua olímpica na próxima olimpíada e paralimpíada de inverno, exortando todos os países a redescobrir e respeitar "esse instrumento de esperança".
União entre corpo e espírito
O papa fala sobre o valor formativo do esporte, dizendo que a pessoa “deve sempre permanecer no centro”. Ele também fala sobre a história, destacando a tradição paulina, por meio da qual muitos autores cristãos usaram imagens esportivas como metáforas para descrever a dinâmica da vida espiritual.
“Isso, até hoje, faz-nos refletir sobre a profunda unidade entre as diferentes dimensões do ser humano”, diz o papa. Leão XIV fala sobre o desenvolvimento de uma cultura em que o corpo, unido ao espírito, está plenamente envolvido em práticas religiosas, como peregrinações e procissões.
O valor educativo do esporte também é destacado, graças às contribuições de figuras como Hugo de São Vítor e São Tomás de Aquino.
A consciência da Igreja sobre a importância do esporte
Falando sobre o esporte como uma “escola de vida”, o papa cita grandes educadores como são Filipe Néri e são João Bosco, e a encíclica Rerum novarum publicada por Leão XIII em 1891, “que estimulou o surgimento de inúmeras associações esportivas católicas, respondendo assim, no plano pastoral, às novas exigências da vida moderna”.
Leão XIV diz que que a primeira olimpíada, em 1896, “propôs uma visão do esporte centrada na dignidade da pessoa humana, no seu desenvolvimento integral, na educação e na relação com os outros, destacando o seu valor universal como instrumento de promoção de valores como a fraternidade, a solidariedade e a paz”.
O Concílio Vaticano II, diz ele, “colocou a sua avaliação positiva do esporte no âmbito mais amplo da cultura”. Ele também cita os Jubileus do Esporte promovidos pelo papa são João Paulo II.
“Graças à leitura dos sinais dos tempos, cresceu, portanto, a consciência eclesial da importância da prática esportiva”, diz o papa.
O papa Leão XIV, ávido jogador de tênis, cita o esporte em sua carta. Ele diz que o tênis consiste “numa troca prolongada”, na qual cada jogador “leva o outro ao limite do seu nível de habilidade”.
“A experiência é emocionante e os dois jogadores incentivam-se mutuamente a melhorar”, diz Leão XIV.
(acidigital)
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