A Santa Sé informou oficialmente ao bispo de Peoria, Illinois, EUA, Louis Tylka, que a causa de beatificação do venerável servo de Deus arcebispo Fulton J. Sheen pode prosseguir, segundo um comunicado da diocese.

“O próximo passo no processo é a celebração da beatificação, na qual Fulton Sheen será declarado beato”, disse Tylka. “O arcebispo Fulton Sheen foi uma das maiores vozes da evangelização na Igreja e no mundo no século XX. Há muito admiro seu compromisso de vida em servir à Igreja como sacerdote, enraizado em sua profunda devoção à Virgem Maria e à Eucaristia”.

“Ao longo de sua jornada pelas diferentes fases da vida, sua capacidade de compartilhar o Evangelho e se conectar verdadeiramente com as pessoas atraiu inúmeras almas para um encontro com Jesus — um encontro que transformou não só a sua vida, mas, mais importante ainda, a vida daqueles que ele tocou”.

“Em seus últimos anos, particularmente por meio de seu trabalho em prol das missões, o arcebispo Sheen nos ajudou a reconhecer que a Igreja é para todas as pessoas”, disse o bispo. “Ele nos lembrou que, como membros da Igreja, somos chamados a servir a todos, especialmente aos mais necessitados e àqueles que anseiam ouvir e vivenciar o Evangelho, onde quer que estejam no mundo”.

Tylka agradeceu à Santa Sé, aos seus irmãos bispos, ao clero e aos leigos pela colaboração e pelas orações que levaram à beatificação de Sheen, que será “uma bênção especial para a Igreja nos EUA, onde ele foi um poderoso evangelizador no rádio, na televisão e em aparições pessoais”.

A diocese de Peoria está trabalhando com o Dicastério para as Causas dos Santos para definir os detalhes da beatificação.

Fulton Sheen

Peter John Sheen nasceu em El Paso, Illinois, em 8 de maio de 1895, e recebeu o nome de Fulton do sobrenome de solteira de sua mãe. Sheen foi ordenado sacerdote da diocese de Peoria em 20 de setembro de 1919. Em 11 de junho de 1951, foi consagrado bispo auxiliar da arquidiocese de Nova York, cargo que ocupou até 1966. Em seguida, foi nomeado bispo de Rochester, Nova York, função que exerceu até sua aposentadoria em 1969, aos 74 anos.

Tylka já havia chamado Sheen de "pioneiro" por seu programa de televisão vencedor do prêmio Emmy, Life Is Worth Living (A Vida Vale a Pena ser Vivida). O programa foi ao ar de 1952 a 1957, abordando temas como moralidade e catolicismo.

Sheen “alcançou milhões de pessoas por causa” do programa, disse Tylka. “Ele estava muito à frente de seu tempo naquela realidade que hoje damos como certa”.

Sheen morreu de uma doença cardíaca em 9 de dezembro de 1979, dia da festa de são Juan Diego, indígena vidente de Nossa Senhora de Guadalupe, no atual México, no século XVI.

Caminho para a beatificação

Embora Sheen deva ser beatificado, o processo que levou a esse marco foi marcado por muitos desafios e atrasos.

O processo de canonização do televangelista foi aberto em 2002 sob a liderança da diocese de Peoria, e a partir de então ele passou a ser chamado de servo de Deus. O papa Bento XVI o declarou venerável em junho de 2012.

Em 6 de março de 2014, o conselho de especialistas médicos que assessorava a então Congregação para as Causas dos Santos, atual Dicastério para as Causas dos Santos, aprovou por unanimidade um suposto milagre atribuído à sua intercessão. Os pais de um bebê natimorto, James Fulton, rezaram pela intercessão de Sheen e seu filho se recuperou milagrosamente.

Em 17 de junho de 2014, a comissão teológica de sete membros que assessora a congregação concordou unanimemente com a conclusão da equipe médica.

Em setembro de 2014, a causa de Sheen foi suspensa devido a uma disputa sobre a propriedade de seus restos mortais. A suspensão foi anunciada “com tristeza” numa declaração do então bispo de Peoria, Daniel R. Jenky, presidente da Fundação Arcebispo Fulton J. Sheen.

Falando sobre como a Santa Sé “esperava que os restos mortais do Venerável Sheen fossem transferidos para Peoria, onde uma inspeção oficial seria feita e relíquias de primeira classe seriam levadas”, o comunicado disse que a arquidiocese de Nova York havia negado o pedido de Jenky para transferir o corpo para Peoria.

Por fim, em março de 2019, um tribunal de apelações de Nova York decidiu por unanimidade que os restos mortais de Sheen poderiam ser transferidos para a catedral de Santa Maria, em Peoria. Em junho do ano seguinte, depois de três anos de litígio, seu corpo foi transferido para a catedral de Santa Maria, abrindo caminho para que o processo de canonização do arcebispo prosseguisse.

O papa Francisco aprovou o milagre atribuído à intercessão de Sheen em 5 de julho de 2019. A beatificação de Sheen estava marcada para 21 de dezembro de 2019, mas foi adiada.