domingo, 1 de março de 2026
Papa: a paz não se constrói com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam morte
Vatican News
"Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça". Poucos dias depois do quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, as atenções nestas horas se voltam em particular para o Irã, onde um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel atingiu desde a manhã de sábado diversas cidades iranianas, matando o líder supremo Ali Khamenei. O Irã reagiu, atingindo alvos civis e bases estadunidenses nos países do Golfo e em Israel.
Logo após rezar a oração mariana do Angelus, a preocupação de Leão XIV e o apelo ao diálogo:
Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável.
Diante dos desdobramentos imprevisíveis do conflito, o Santo Padre pediu ainda que a diplomacia recupere o seu papel, reiterando que os povos anseiam pela paz fundada na justiça:
Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, dirijo um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça. E continuemos a rezar pela paz.
E o pedido a continuar a rezar pela paz não se refere apenas ao Oriente Médio. A atenção do Pontífice se voltou também para a "guerra aberta" entre Paquistão, que possui armas nucleares, e o Afeganistão, onde o Talibã é especialista em guerra de guerrilha:
Além disso, nestes dias, chegam notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão. Elevo a minha súplica por um retorno urgente ao diálogo.
E mais uma vez o pedido:
Rezemos juntos para que a harmonia prevaleça em todos os conflitos do mundo. Somente a paz, um dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos.
Confirmada morte de Khamenei, enquanto continuam ataques EUA-Israel
Vatican News
A mídia estatal iraniana confirmou a notícia horas depois de os Estados Unidos e Israel a terem divulgado: o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, no poder desde 1989, foi morto em ataques coordenados entre EUA e Israel que atingiram várias cidades iranianas desde a manhã de sábado e destruíram o bunker de Khamenei. Sua filha, genro e neto também foram mortos.
A operação, denominada Rugido do Leão pelos israelenses e Fúria Épica por Washington, preparada com antecedência e percebida pelo movimento de caças e navios de guerra, foi confirmada às 3h da manhã do dia 28 de fevereiro, horário de Washington, por uma mensagem em vídeo do presidente Trump, que anunciou sua intenção de "arrasar e aniquilar" a indústria de mísseis iraniana, com o objetivo principal de derrubar o regime, eliminando Khamenei.
Mais de 200 vítimas
O bombardeio de diversas cidades, além da capital Teerã, Tabriz, Isfahan, Qom, Bushehr, Kermanshah, Zanjan e Karaj, resultou na morte de aproximadamente 200 pessoas, incluindo mais de 100 meninas, estudantes de uma escola primária feminina em Minab, no sul do país.
A retaliação iraniana foi desencadeada com mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, incluindo Catar, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, atingindo bases militares estadunidenses, bem como estruturas civis, como ocorreu em Dubai. Sirenes soam incessantemente em Jerusalém, onde baterias antiaéreas foram posicionadas, e em Tel Aviv, cidade que foi atingida pelos iranianos, com uma vítima fatal confirmada.
Estreito de Ormuz fechado
O Irã anunciou um período de luto de 40 dias, seguido por sete dias de celebração, após a morte de Khamenei, enquanto a Guarda Revolucionária fechou o Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o transporte de petróleo, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo bruto mundial.
Neste domingo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se reunirá com os líderes dos países do G7. No sábado, na abertura da reunião extraordinária do Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o risco de uma reação em cadeia incontrolável, condenando a escalada da violência no Oriente Médio.
Angelus, 1 de março de 2026 - Papa Leão XIV
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 1 de março
de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho da liturgia de hoje compõe para todos nós uma imagem cheia de luz, narrando a Transfiguração do Senhor (cf. Mt 17, 1-9). Para a representar, o evangelista mergulha o seu pincel na memória dos Apóstolos, pintando Cristo entre Moisés e Elias. O Verbo feito homem está entre a Lei e a Profecia: ele é a Sabedoria viva, que leva a cumprimento toda a palavra divina. Tudo o que Deus ordenou e inspirou aos homens encontra em Jesus a sua manifestação plena e definitiva.
Como no dia do batismo no Jordão, também hoje ouvimos a voz do Pai, que proclama no monte: «Este é o meu Filho muito amado», enquanto o Espírito Santo envolve Jesus numa «nuvem luminosa» (Mt 17, 5). Com esta expressão, verdadeiramente singular, o Evangelho descreve o estilo da revelação de Deus. Quando se manifesta, o Senhor revela a sua excelência aos nossos olhos: diante de Jesus, cujo rosto resplandece «como o sol» e cujas vestes se tornam «brancas como a luz» (cf. v. 2), os discípulos admiram o esplendor humano de Deus. Pedro, Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se exibe como um espetáculo para as multidões, mas como uma solene confidência.
A Transfiguração antecipa a luz da Páscoa, evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria. Com efeito, enquanto o mal reduz a nossa carne a uma mercadoria de troca ou a uma massa anónima, precisamente esta mesma carne resplandece da glória de Deus. O Redentor transfigura assim as chagas da história, iluminando a nossa mente e o nosso coração: a sua revelação é uma surpresa de salvação! Deixamo-nos fascinar por ela? O verdadeiro rosto de Deus encontra em nós um olhar de admiração e amor?
Ao desespero do ateísmo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador; o Espírito Santo resgata-nos da solidão agnóstica, oferecendo uma comunhão eterna de vida e graça; diante da nossa fé fraca, está o anúncio da ressurreição futura: eis o que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas para compreendê-lo é preciso tempo (cf. Mt 17, 9). Tempo de silêncio para ouvir a Palavra, tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor.
Enquanto experimentamos tudo isto durante a Quaresma, peçamos a Maria, Mestra de oração e Estrela da manhã, que guarde os nossos passos na fé.
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Depois do Angelus:
Queridos irmãos e irmãs!
Acompanho com profunda preocupação o que está a acontecer no Médio Oriente e no Irão, nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças mútuas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente através de um diálogo razoável, autêntico e responsável.
Perante a possibilidade de uma tragédia de enormes proporções, dirijo às partes envolvidas um veemente apelo para que assumam a responsabilidade moral de pôr um fim a espiral de violência antes que se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere o seu papel e que seja promovido o bem dos povos, que anseiam por uma convivência pacífica, baseada na justiça. E que continuemos a rezar pela paz!
Nestes dias, chegam também notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão. Elevo a minha súplica para que se regresse urgentemente ao diálogo. Rezemos juntos, para que prevaleça a concórdia em todos os conflitos do mundo. Só a paz, dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos.
Estou próximo da população do Estado brasileiro de Minas Gerais, atingida por violentas inundações. Rezo pelas vítimas, pelas famílias que perderam as suas casas e por todos aqueles que estão a trabalhar nas operações de socorro.
Saúdo com carinho todos vós, romanos e peregrinos de vários países, em particular o grupo de camaronenses que vivem em Roma, acompanhados pelo Presidente da Conferência Episcopal daquele país, que, se Deus quiser, terei a alegria de visitar no mês de abril.
Dou as boas-vindas aos fiéis da Diocese de Iaşi, na Roménia, aos de Budimir-Košice, na Eslováquia, aos de Massachusetts, nos Estados Unidos, e à Confraria do Santisimo Cristo de la Buena Muerte, de Jaén, em Espanha.
Saúdo os fiéis de Nápoles, Torre del Greco e Afragola, de Caraglio e Valle Grana, de Comitini, Crotone, Silvi Marina e da paróquia de São Luís Gonzaga, em Roma; bem como os chefes escuteiros do grupo «Val d'Illasi», perto de Verona, e os jovens de Faenza que receberam a Confirmação.
A todos desejo um bom domingo!
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Hoje começa o mês de são José
São José | Daniel Íbañez (ACI Digital)Por Redação central
1 de mar de 2026 às 00:15
A tradição da Igreja atribuiu uma devoção especial a cada mês do ano, e o mês de março é dedicado em particular a são José, casto esposo da Virgem Maria e padroeiro da Igreja Universal.
São José é conhecido como o “santo do silêncio” porque não se conhece uma palavra pronunciada por ele, mas sim as suas obras, sua fé e amor que influenciaram em Jesus e em seu santo matrimônio.
Uma das pessoas que mais difundiu a devoção a são José foi santa Teresa d’Ávila, que através da intercessão do santo foi curada de uma doença que a deixou quase paralisada e que era considerada incurável.
Santa Teresa costumava repetir que “outros santos parecem ter um poder especial para resolver certos problemas. Mas Deus concedeu a são José um grande poder para ajudar em tudo”.
Até o final de sua vida, a santa carmelita disse que “durante 40 anos, todos os anos, na festa de são José, pedi-lhe alguma graça ou favor especial, e não falhou comigo nem uma vez. Eu digo àqueles que me escutam que façam o ensaio de rezar com fé a este grande santo, e verão os grandes frutos que conseguirão”.
O papa Francisco dedicou reflexões a são José. Através de um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, decidiu fazer uma pequena modificação nas orações da missa para incentivar a devoção a este santo.
Com esta modificação, são José é mencionado nas Orações Eucarísticas II, III e IV da terceira edição típica do Missal Romano, colocando-se após o nome da Virgem Maria.
Francisco convocou um Ano de São José de 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021, para comemorar os 150 anos do decreto Quemadmodum Deus, por meio do qual o beato Pio IX declarou são José como patrono da Igreja.
Para isso, escreveu a carta apostólica Patris corde para que “todos os fiéis, seguindo o seu exemplo (de são José), possam fortalecer diariamente a sua vida de fé em plena realização da vontade de Deus”.
“Todos podem encontrar em são José – o homem que passa despercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade”, escreveu.