29 de mar de 2026 às 09:54
O papa Leão XIV condenou hoje (29), na missa do Domingo de Ramos na praça de São Pedro, no Vaticano, o uso da religião para justificar conflitos e afirmou a figura de Jesus Cristo "como Rei da Paz", mesmo "enquanto à Sua volta se prepara a guerra".
“Como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque «Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14)”, disse o papa na missa.
Primeira Semana Santa de Leão XIV
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e comemora a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. É o primeiro grande evento litúrgico deste período, numa Semana Santa especialmente significativa por ser a primeira sob o pontificado do papa Leão XIV.
Nestes dias, ele celebrará a tradicional Via Sacra no Coliseu, em Roma, e retomará a celebração da missa da Quinta-feira Santa na basílica de são João de Latrão, sua catedral como bispo de Roma. O papa está, assim, retomando uma prática diferente da de seu antecessor, Francisco, que preferia celebrá-la em prisões ou abrigos para migrantes.
Leão XIV participou da procissão do obelisco central da praça de São Pedro até o altar, acompanhado por cardeais, bispos e centenas de sacerdotes que concelebraram a missa junto com religiosos e milhares de fiéis, carregando ramos de oliveira e palmas.
Tal como nos anos anteriores, as palmeiras e os ramos de oliveira foram oferecidos ao Vaticano por entidades italianas, enquanto as chamadas "palmeiras fênix", maiores e sem trançado, foram doadas pelo Caminho Neocatecumenal.
A esses juntaram-se os tradicionais palmurelli, pequenos ramos de palmeira trançados à mão, que muitos fiéis carregavam consigo. No início da celebração, o papa procedeu à sua bênção.
Jesus, um carinho para a humanidade
Em sua homilia, o papa falou sobre a jornada de Jesus até a Cruz, dizendo que Deus "se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus".
“Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra”, disse Leão XIV. “Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência”.
O papa também falou sobre o episódio do Evangelho em que Simão Pedro desembainha a espada para defender Jesus e fere o servo do sumo sacerdote, dizendo que "imediatamente Ele o detém, dizendo: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada» (Mt 26, 52)".
Assim, ele falou sobre a incompatibilidade entre fé e violência: “Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15)”, disse Leão XIV, citando o profeta Isaías.
Diante da Cúria Vaticana, o papa falou sobre a imagem de Cristo como servo sofredor que, “enquanto era carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas”, se humilhou. “Ele «não abriu a boca,
como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53, 7)”, disse Leão XIV, citando novamente o profeta Isaías, que predisse a vinda de Jesus Cristo em grande detalhe, centenas de anos antes do Seu nascimento.
“Não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”
“Ele não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”, disse Leão XIV. “Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência, e, em vez de se salvar a si mesmo, deixou-se cravar na cruz, para abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade”.
O papa disse também que, ao contemplarmos Cristo crucificado, "vemos os crucificados da humanidade".
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