O papa Leão XIV disse à EWTN News que “não pode comentar” sobre Jimmy Lai, fundador e editor católico do jornal pró-democracia Apple Daily, que foi condenado em 9 de fevereiro sob acusações que, segundo autoridades chinesas, violam leis de segurança nacional.

Lai recebeu uma pena de 20 anos de prisão pela condenação, em dezembro do ano passado, em um julgamento que seus apoiadores denunciaram como um teatro político.

O papa Leão XIV se encontrou com a esposa e a filha de Lai em outubro do ano passado. O papa não falou diretamente sobre Lai, mas falou sobre jornalistas presos e sobre a importância da liberdade de imprensa.

“A Igreja reconhece nesses testemunhos - penso naqueles que narram a guerra mesmo à custa da própria vida - a coragem de quem defende a dignidade, a justiça e o direito dos povos a serem informados, porque só os povos informados podem fazer escolhas livres”, disse ele. “O sofrimento desses jornalistas presos interpela a consciência das nações e da comunidade internacional, chamando-nos a todos a salvaguardar o bem precioso da liberdade de expressão e de imprensa”.

A Santa Sé mantém uma relação delicada com o governo da República Popular da China desde o acordo provisório, renovado a cada dois anos desde 2018, sobre a nomeação de bispos cujos termos continuam secretos.

Apelo pela paz

O papa reafirmou ontem (3) o apelo à paz e ao desarmamento em frente à vila papal de Castel Gandolfo, a 24 km a sudeste de Roma, antes de voltar ao Vaticano.

“Vamos orar por menos ódio e mais paz”, disse ele a repórteres. “E trabalhar por um diálogo autêntico”.

O papa não respondeu a nenhuma pergunta além da referente à prisão de Lai.

Leão XIV tem o costume de passar as terças-feiras na residência de campo e, ocasionalmente, responde a perguntas de repórteres ao fim de sua estadia. Esse foi o primeiro contato dele com a imprensa desde 23 de dezembro do ano passado.