O papa Leão XIV expressou sua “profunda preocupação” com a escalada da violência entre Israel, os EUA e o Irã, e pediu “um diálogo razoável, autêntico e responsável”.

“Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas”, disse o papa na oração do Ângelus ontem (1).

“A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas só por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável”, disse ele.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, a ofensiva conjunta EUA-Israel matou pelo menos 200 pessoas e feriu 700 em várias partes do país desde o último sábado (28).

Entre as vítimas está o líder supremo do pais, Ali Khamenei.

Uma tragédia de "proporções enormes"

Em resposta, forças iranianas lançaram mísseis e drones contra bases americanas em vários países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Qatar, e contra território israelense, intensificando uma troca de ataques que aumenta o risco de um conflito regional.

Diante desse cenário de guerra, o papa alertou para “a possibilidade de uma tragédia de proporções enormes” e fez “um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”.

Ele também pediu que "a diplomacia recupere seu papel" e que "o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça" seja promovido.

Por fim, ele exortou os fiéis a continuarem rezando pela paz na região.

Em meio aos ataques, o arcebispo latino de Teerã-Isfahan, cardeal Dominique Mathieu, que está na capital iraniana neste período de tensão, fez um breve apelo pela paz em vista da situação na região.

O cardeal disse em italiano à ACI MENA, agência de notícias em árabe da EWTN: “Que as armas cessem. Que os corações experimentem serenamente a paz e a justiça, como Deus deseja para seus filhos.”

O cardeal belga — que completou 62 anos em 13 de junho do ano passado, quando Israel começou a bombardear o Irã e teve início o conflito há 8 meses — foi nomeado cardeal pelo papa Francisco em dezembro de 2024.

Confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão

Leão XIV expressou sua preocupação com os recentes confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão e pediu uma volta urgente ao diálogo para conter a violência.

“Nestes dias, chegam notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão”, disse o papa, exortando os fiéis a rezar para que “a concórdia prevaleça em todos os conflitos do mundo”.

Leão XIV disse que “só a paz, um dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos”, falando sobre a necessidade de priorizar a diplomacia e o entendimento mútuo em detrimento do confronto.

As tensões entre os dois países, que dividem uma fronteira entre si e com o Irã, aumentaram nos últimos dias desde que o Paquistão, uma potência nuclear, lançou ataques aéreos contra alvos militantes no Afeganistão. Antes, autoridades de segurança paquistanesas disseram ter provas irrefutáveis ​​de que o Afeganistão estava por trás de uma recente onda de ataques e atentados suicidas contra o exército e a polícia paquistaneses.

Em sua mensagem, o papa também expressou sua solidariedade com o povo do Estado de Minas Gerais, no Brasil, afetado por violentas enchentes nos últimos dias.

“Estou próximo da população do Estado brasileiro de Minas Gerais, atingida por violentas inundações”, disse ele. “Rezo pelas vítimas, pelas famílias que perderam as suas casas e por todos aqueles que estão a trabalhar nas operações de socorro”.

(acidigital)