O bispo de Pemba, Moçambique, dom António Juliasse Ferreira Sandramo, expressou seu pesar depois do ataque terrorista que destruiu a histórica paróquia de São Luís de Montfort, na província de Cabo Delgado. Ele disse que a comunidade local “continua em estado de choque” depois do ataque.

Em uma mensagem enviada na sexta-feira (1) à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), dom António Juliasse Ferreira Sandramo disse que a paróquia de Meza, no norte de Moçambique, ficou completamente destruída durante um ataque perpetrado por insurgentes na quinta-feira (30).

“Os terroristas chegaram por volta das 16h e invadiram a paróquia de São Luís de Montfort, símbolo, desde 1946, da presença católica na região”, disse Juliass.

“A paróquia foi atacada e completamente incendiada pelos insurgentes. A cena era de terror: casas e infraestruturas destruídas, a histórica paróquia reduzida a escombros”, lamentou.

Segundo ele, durante o ataque vários civis foram capturados e obrigados a ouvir discursos de incitação ao ódio proferidos pelos assaltantes.

Os missionários camaronenses que prestam serviço na paróquia não estavam presentes no momento do ataque e estão a salvo. “Os missionários estão a salvo, mas a comunidade continua em estado de comoção”, disse o bispo de Pemba.

O líder da Igreja Católica fez um apelo à solidariedade internacional com as vítimas da violência em Cabo Delgado, onde a insurgência islâmica persiste há quase nove anos.

“Pedimos atenção e solidariedade para com as vítimas de Meza. Há quase nove anos, capelas e igrejas são incendiadas na diocese de Pemba”, disse Juliasse.

Apesar da destruição, o bispo destacou a esperança e a resiliência entre os fiéis cristãos. “A fé deste povo de Deus nunca será queimada; ela se reconstrói a cada dia”, disse.

Segundo a ACN, a igreja, que data da época colonial, foi vandalizada e reduzida a cinzas. O ataque é o mais recente de uma série de assaltos atribuídos a militantes ligados ao Estado Islâmico em Moçambique.

Em uma visita a Moçambique em dezembro de 2025 do secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, o bispo Juliasse expôs a extensão da devastação causada pela insurgência em Cabo Delgado.

“Mais de 300 católicos foram assassinados, a maioria por decapitação”, declarou então o bispo, referindo-se a catequistas, animadores paroquiais e fiéis leigos.

Ele também informou que, desde o início da insurgência em outubro de 2017, pelo menos 117 igrejas e capelas foram destruídas na diocese de Pemba, incluindo 23 somente em 2025. A destruição da paróquia de São Luís de Montfort se soma a esse número.

O cardeal Parolin visitou Cabo Delgado durante sua viagem a Moçambique, de 5 a 10 de dezembro. Ele se reuniu com vítimas e ouviu os depoimentos das comunidades afetadas pela violência.

(acidigital)