domingo, 22 de fevereiro de 2026

Proximidade e caridade: a visita do Papa à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus

 

Leão XIV foi acolhido com grande alegria pela comunidade paroquial da Basílica do Sagrado Coração de Jesus. Em sua homilia, destacou o Batismo como fonte de verdadeira liberdade e fraternidade e encorajou a paróquia a ser sinal de proximidade e esperança para todos que passarem por ali.

Thulio Fonseca – Vatican News

Um dia marcado por proximidade pastoral para o Bispo de Roma em sua segunda visita a uma paróquia da sua nova Diocese por ocasião da Quaresma. Na manhã deste domingo, 22 de fevereiro, o Papa Leão XIV deixou o Vaticano logo cedo e dirigiu-se à Basílica do Sagrado Coração de Jesus, localizada no centro de Roma.

Construída por São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana, a pedido do Papa Leão XIII em 1880, a paróquia integra o complexo onde se encontra a Casa Geral dos Salesianos. Inserida em uma das regiões mais movimentadas da capital italiana, por onde circulam cerca de 500 mil pessoas por dia, a Basílica é marcada por intensa atividade pastoral e social: são celebradas seis Missas diárias, há atendimento constante de confissões e um amplo trabalho de acolhida a imigrantes e pessoas em situação de rua.

Papa é acolhido pelos fiéis no Pátio da paróquia
Papa é acolhido pelos fiéis no Pátio da paróquia   (@Vatican Media)

Acolhida e convite à caridade

Recebido por uma grande quantidade de fiéis, o primeiro compromisso do Santo Padre foi um encontro com crianças e jovens no pátio paroquial. O Papa, em sua saudação destacou a alegria do domingo, dia da Ressurreição, e recordou que o tempo da Quaresma é também um caminho de conversão vivido na esperança. Leão XIV elogiou a paróquia como um espaço onde todos são acolhidos e ressaltou o significado do “Coração de Jesus” como símbolo do amor e da misericórdia sem limites, capazes de reunir pessoas de diferentes países em unidade, comunhão e fraternidade. Saudou ainda a comunidade salesiana, recordando a herança de Dom Bosco e a missão de serviço, caridade e dedicação aos jovens.

“É o amor de Jesus, é a sua misericórdia que nos reuniu esta manhã. Obrigado, Senhor, e bem-vindos a esta celebração!”, afirmou o Papa, incentivando as crianças e os jovens a viverem com alegria o dom da vida.

A Quaresma como redescoberta do Batismo

Em seguida, Leão XIV presidiu a celebração eucarística no interior da Basílica. Na homilia, o Papa destacou que a Quaresma é um tempo privilegiado para redescobrir a riqueza do Batismo e viver como criaturas renovadas pela encarnação, morte e ressurreição de Cristo. Referindo-se às leituras bíblicas do dia, sublinhou que o dom do Batismo é uma graça que encontra a liberdade humana.

Comentando o relato do Gênesis, o Pontífice explicou que a provação das origens não se apresenta apenas como um limite, mas como uma possibilidade: a de uma relação com Deus. “O ser humano é livre para reconhecer e acolher a alteridade do Criador”, afirmou, observando que a tentação consiste na ilusão de eliminar a diferença entre criatura e Criador, pretendendo “tornar-se como Deus”.

Leão XIV durante a Missa
Leão XIV durante a Missa   (@Vatican Media)

Cristo revela o homem a si mesmo

Ao refletir sobre o Evangelho das tentações de Jesus no deserto, Leão XIV afirmou que ali se encontra a resposta ao dilema fundamental da liberdade: realizar a própria vida dizendo “sim” a Deus ou tentar alcançá-la afastando-se d’Ele. Citando a Constituição conciliar Gaudium et spes, recordou que “no mistério do Verbo encarnado encontra verdadeira luz o mistério do homem”. Jesus, ao resistir às tentações, manifesta a verdadeira humanidade e revela o homem novo, livre, cuja liberdade se realiza na obediência ao Pai.

O Papa ressaltou que essa nova humanidade nasce da fonte batismal e convidou os fiéis, especialmente no tempo quaresmal, a redescobrirem o Batismo como fonte viva que habita no interior de cada cristão. Segundo Leão XIV, o Sacramento é dinâmico porque a graça recebida não se limita ao momento do rito, mas acompanha toda a vida, sustentando o seguimento de Cristo. Trata-se de uma voz interior que impulsiona a conformar-se a Jesus e a viver a liberdade na lógica do amor a Deus e ao próximo.

Liberdade que se torna fraternidade

O Pontífice destacou ainda a dimensão relacional do Batismo, que introduz na amizade com Cristo e na comunhão com o Pai, tornando possível uma verdadeira proximidade com os outros. “Não é a busca do próprio poder, mas o amor que se doa”, afirmou, citando São Paulo: “Todos vocês são um só em Cristo Jesus”.

Referindo-se ao contexto específico da paróquia, situada junto à Estação Termini, o Papa recordou que Leão XIII confiou a São João Bosco a construção da igreja por reconhecer a centralidade daquele local para a vida da cidade.

Papa na Basílica do Sagrado Coração de Jesus
Papa na Basílica do Sagrado Coração de Jesus   (@Vatican Media)

Uma paróquia chamada a ser sinal de esperança

Leão XIV descreveu a realidade social do território paroquial, marcado pela presença de universitários, trabalhadores pendulares, imigrantes, refugiados e pessoas em situação de rua. “Em poucos metros, encontram-se as contradições do nosso tempo”, observou, mencionando a convivência entre conforto e pobreza, potencialidades de bem e violência, trabalho honesto e atividades ilícitas. Por isso, encorajou a comunidade a ser “fermento do Evangelho” e sinal concreto de proximidade e caridade. Agradeceu aos Salesianos pelo trabalho incansável realizado diariamente e exortou todos a continuarem sendo, naquele lugar, “uma pequena chama de luz e de esperança”.

Ao concluir, o Papa confiou o caminho da comunidade à proteção de Maria Auxiliadora, pedindo que sustente os fiéis nas tentações e provações, para que vivam plenamente a liberdade e a fraternidade dos filhos de Deus.

Leão XIV sauda os fiéis presentes
Leão XIV sauda os fiéis presentes   (@Vatican Media)

Encontro com os salesianos e retorno ao Vaticano

Após a Missa concelebrada pelo cardeal Baldo Reina, vigário para a Diocese de Roma; pelo cardeal titular Giuseppe Versaldi, prefeito emérito da Congregação para a Educação Católica; pelo reitor-mor dos Salesianos, padre Fabio Attard; pelo pároco, padre Javier Ortiz Rodríguez, entre outros, Leão XIV dirigiu-se à capela da Casa Geral para encontrar-se com a comunidade salesiana e com o conselho pastoral.

Antes de deixar a paróquia romana e retornar ao Vaticano, por volta das 11 horas locais, o Papa saudou os fiéis que ainda se encontravam reunidos no pátio da Basílica. Por fim, também cumprimentou alguns paroquianos e recebeu presentes oferecidos pela comunidade.

1° DOMINGO QUARESMAL - A TENTAÇÃO - Dom José Falcão


 

Laudes do 1º Domingo da Quaresma


 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA - 22/02/2026.


 

Sabado, 21 de Fevereiro de 2026 11:00 Missa, na Basílica da Santíssima Trindade


 

Leão XIV se reúne com jovens europeus em Assis em agosto

 


Papa Leão XIV na oração do Ângelus em 8 de fevereiro, no Vaticano ??
Papa Leão XIV na oração do Ângelus em 8 de fevereiro, no Vaticano. | Vatican Media
 

A Santa Sé anunciou que o papa Leão XIV vai participar do GO! Franciscan Youth Meeting, um encontro de jovens da Europa que será realizado em Assis, Itália, terra de são Francisco, de 3 a 6 de agosto.

Em 6 de agosto, o papa vai para a basílica de Santa Maria degli Angeli (Santa Maria dos Anjos), em Assis, onde se encontra com jovens reunidos para as comemorações do jubileu dos 800 anos da morte de são Francisco de Assis e celebra a Santa Missa.

O evento GO! Franciscan Youth Meeting destina-se a jovens europeus com idades entre os 18 e os 33 anos, crentes e não crentes, e busca oferecer uma oportunidade de se encontrarem sob o signo de são Francisco.

Os frades franciscanos dizem que o objetivo é criar “um espaço compartilhado onde os participantes possam viver momentos autênticos de escuta, diálogo e formação”.

O programa tem momentos de oração e espiritualidade, embora também haja espaços para celebração "para que os jovens possam refletir sobre os temas fundamentais da existência num contexto de fraternidade universal".

Em 4 e 5 de agosto, serão feitos workshops temáticos específicos, concebidos para inspirar e envolver os jovens em caminhos de crescimento pessoal. Também haverá um concurso de canto chamado Fra Gospel.

O evento é fruto da colaboração entre várias entidades eclesiais e civis. É promovido pelos ministros gerais da Família Franciscana e organizado pelos frades menores de Assis. Eles também colaboram com a diocese e a cidade de Assis. O evento tem o patrocínio do comitê nacional para o Oitavo Centenário da Morte de São Francisco.

Os frades que organizam o evento anunciaram em comunicado o seu desejo de "reafirmar com veemência o convite que o papa Leão XIV dirigiu aos jovens no Jubileu no verão passado: A nossa esperança é Jesus".

Esse encontro, disseram, “nasce precisamente para dar voz ao profundo desejo, guardado no coração de cada jovem, de encontrar o Senhor”.

“Seguindo os passos de Francisco, queremos ser pontes para que cada jovem possa redescobrir a beleza dessa esperança em seu dia-a-dia, vislumbrando o Rosto de Deus encarnado em cada pessoa, especialmente nos menores e mais vulneráveis ​​entre nós”, concluem.


Papa pede a padres que usem o cérebro, não IA, para preparar homilias

 


Papa Leão XIV discursa para padres da diocese de Roma na Aula Paulo VI, no Vaticano, em 19 de fevereiro de 2026 ??
Papa Leão XIV discursa ontem (19) para padres da diocese de Roma na Aula Paulo VI, no Vaticano. | Vatican Media
 

Numa conversa particular ontem (19) com padres da diocese de Roma, o papa Leão XIV respondeu a quatro perguntas, aconselhando-os sobre oração, estudo e fraternidade sacerdotal.

O momento, que não foi filmado, ocorreu depois que Leão XIV fez um discurso público aos padres, exortando-os a "reacender a chama" de seu ministério.

“O primeiro padre a falar foi um jovem que perguntou ao papa como o Evangelho pode ser vivido no mundo dos jovens”, segundo um padre presente na reunião de ontem na Aula Paulo VI, no Vaticano.

O padre disse à ACI Stampa, agência em italiano da EWTN, que a resposta do papa a essa pergunta foi: “Antes de tudo, o que é necessário é o testemunho do padre; e depois, encontrando jovens, eles devem ampliar seus horizontes para alcançar o maior número possível de jovens. Para isso, é necessário redescobrir o valor da comunhão”.

Respondendo a uma segunda pergunta, Leão XIV recomendou conhecer bem “a comunidade em que se vive e trabalha”.

“É necessário conhecer bem a realidade”, disse ele. “Para amar a sua comunidade, é preciso conhecê-la. Portanto, é necessário um verdadeiro esforço conjunto para compreendê-la melhor e, assim, enfrentar juntos todos os desafios que surgirem”.

“O papa também nos exortou a usar mais o nosso intelecto e não a inteligência artificial [IA] para preparar as homilias, como ele tem visto e ouvido acontecer”, disse o padre. “E aqui o papa fez uma forte recomendação em relação à oração: nós, sacerdotes, devemos rezar — permanecer com o Senhor, ou seja — não reduzir tudo ao breviário ou a alguns breves momentos de oração, mas aprender verdadeiramente a escutar o Senhor novamente”.

A terceira pergunta foi mais reflexiva: Hoje, como sacerdotes, somos incapazes de nos alegrar com o sucesso de outro sacerdote.

Leão XIV disse que “todos somos humanos, mas devemos dar um bom exemplo, especialmente o exemplo da fraternidade sacerdotal”.

Ele falou longamente sobre como cultivar a amizade sacerdotal. O papa também os exortou a continuar estudando. “Deve ser um estudo contínuo; devemos sempre nos manter atualizados”, disse o sacerdote de Roma. “Mas o fundamental é cultivar a amizade sacerdotal, a fraternidade sacerdotal”.

A última pergunta foi sobre aos padres idosos e à sua solidão. Segundo o padre, a resposta de Leão XIV “reafirmou a necessidade de fraternidade, da alegria de estarmos juntos”.

“Devemos dar graças, viver verdadeiramente a gratidão pelo fato de sermos padres, desde o dia da nossa ordenação, todos os dias, e agradecer a Deus por esse grande dom, e viver o sacerdócio com gratidão. E aqui, também se exige muita humildade”.

“Pessoalmente, fiquei feliz”, concluiu o padre. “Agradecemos muito ao papa por um discurso muito, muito concreto”.

EU ERA MISSIONÁRIO PROTESTANTE E DESCOBRI ISSO NA MISSA | TESTEMUNHO DE ANTHONY FEOLA


 

Homilia Diária | Dois corações puríssimos e misericordiosos (Sábado depois das Cinzas - 21/02/2026)


 

SANTO DO DIA - 21 FEVEREIRO: SAO PEDRO DAMIAO


 

Laudes de Sábado depois das Cinzas


 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Shema Israel - Camino Neocatecumenal


 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIV PARA LA QUARESMA 2026



Escutar e jejuar.

Quaresma como tempo de conversão

 

Queridos irmãos e irmãs!

A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso, o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.

Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor» (Ex 3, 7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

É um Deus que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de recetividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que «a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja». [1]

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Na verdade, a abstinência de alimentos é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente aquilo de que temos “fome” e o que consideramos essencial para o nosso sustento. Portanto, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

Com grande sensibilidade espiritual, Santo Agostinho deixa transparecer a tensão entre o tempo presente e a realização futura que atravessa esta salvaguarda do coração, quando observa que: «Ao longo da vida terrena, cabe aos homens ter fome e sede de justiça, mas ser saciados pertence à outra vida. Os anjos saciam-se deste pão, deste alimento. Os homens, pelo contrário, sentem fome dele, estão inclinados ao seu desejo. Esta inclinação ao desejo dilata a alma, aumentando a sua capacidade». [2] Compreendido neste sentido, o jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem.

No entanto, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade. Ele exige um permanente enraizar-se na comunhão com o Senhor, porque «não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus». [3] Como sinal visível do nosso compromisso interior de, com o apoio da graça, nos afastarmos do pecado e do mal, o jejum deve incluir também outras formas de privação destinadas a fazer-nos assumir um estilo de vida mais sóbrio, pois «só a austeridade torna forte e autêntica a vida cristã». [4]

Por isso, gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.

Juntos

Por fim, a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum. A Escritura sublinha também este aspeto de várias maneiras. Por exemplo, ao narrar no livro de Neemias que o povo se reuniu para escutar a leitura pública do livro da Lei e, praticando o jejum, se dispôs à confissão de fé e à adoração, a fim de renovar a aliança com Deus (cf. Ne 9, 1-3).

Do mesmo modo, as nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento. Neste contexto, a conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação.

Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.

De coração, abençoo todos vós e o vosso caminho quaresmal.

 

Vaticano, na Memória de Santa Ágata, virgem e mártir, 5 de fevereiro de 2026

 

LEÃO PP. XIV

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[1] Exort. ap. Dilexi te (4 de outubro de 2025), 9.

[2] Santo Agostinho, A utilidade do jejum, 1, 1.

[3] Bento XVI, Catequese (9 de março de 2011).

[4] São Paulo VI, Catequese (8 de fevereiro de 1978).

 

 

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A Santa Sé



 

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026 11:00 Missa, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima


 

A BÍBLIA É RESULTADO DA IGREJA CATÓLICA - Dom José Falcão