sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Palavra de Vida – fevereiro 2026

  


«Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21, 5)

O livro do Apocalipse – do qual foi tirada esta Palavra de vida – conclui o conjunto dos escritos do Novo Testamento. O título significa revelação e a intenção do autor é ajudar a compreender as realidades últimas, o regresso de Cristo, a derrota definitiva do mal e o aparecimento de um novo Céu e uma nova Terra.

Trata-se de um texto de difícil compreensão, escrito entre os anos 81 e 96 dC. As perseguições aos cristãos eram ferozes. Nas comunidades cristãs o clima era de medo: o que será de nós e da mensagem que nos foi confiada? Porque será que Deus não intervém?

Nestas circunstâncias, o autor deste livro foi enviado pelos Romanos para o exílio, para a ilha de Patmos. Foi aqui que começou a ter uma série de visões, juntamente com a ordem de as escrever.

«Eis que faço novas todas as coisas»

O livro do Apocalipse queria transmitir esperança às comunidades perseguidas: apesar de aquele momento ser difícil e cheio de violência, e mesmo se o futuro era incerto, o bem acabará por triunfar e Deus fará novas todas as coisas.

Também hoje, vendo «o telejornal ou as manchetes dos jornais, há muitas tragédias, e descrevem-se notícias tristes, às quais todos nós corremos o risco de nos habituarmos. […] Mas há um Pai que chora connosco; um Pai que se comove e chora lágrimas de piedade infinita pelos seus filhos. Temos um Pai que sabe chorar, que chora connosco. Um Pai que está à nossa espera para nos consolar, porque conhece os nossos sofrimentos e preparou para nós um futuro diferente. Esta é a grandiosa visão da esperança cristã, que se expande por todos os dias da nossa existência e que nos quer reerguer»[1].

«Eis que faço novas todas as coisas»

Não podemos saber quando e como é que isto vai acontecer e é inútil querer indagar. Mas o certo é que vai acontecer.

«As páginas finais da Bíblia mostram-nos o derradeiro horizonte do caminho do crente: a Jerusalém do Céu, a Jerusalém celeste. Ela é imaginada antes de tudo como uma imensa tenda, onde Deus irá acolher todos os homens para habitar definitivamente com eles (cf. Ap 21, 3). Esta é a nossa esperança. E o que fará Deus quando, finalmente, estivermos com Ele? Terá uma ternura infinita por nós, como um pai ao receber os seus filhos que estão cansados e sofreram intensamente. No Apocalipse, João profetiza: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens! […Ele] enxugará todas as lágrimas dos seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição […] Eis que eu faço novas todas as coisas!” (21, 3-5). O Deus na novidade!»[2].

«Eis que faço novas todas as coisas»

Como viver a Palavra de vida deste mês?

«Ela garante-nos que nos encaminhamos para um mundo novo, que se prepara e se constrói desde já. Portanto, não é de modo nenhum um convite ao descompromisso ou à fuga do mundo. De facto, Deus quer renovar todas as coisas: a nossa vida pessoal, a amizade, o amor conjugal, a família; quer renovar a vida social, o mundo do trabalho, da escola, da cultura, do lazer, da saúde, da economia, da política…, numa palavra, todos os setores da atividade humana. E, para fazer isso, Ele precisa de nós. Precisa de pessoas que deixem viver em si mesmas a sua Palavra, que sejam a sua Palavra viva, outros Jesus nos ambientes onde vivem»[3].

Alice, uma jovem cristã, compreendeu que para seguir a sua vocação era necessária uma mudança profunda, de modo a permitir que Deus agisse plenamente na sua vida e a tornasse nova. Como uma “dádiva enorme”, teve a oportunidade de viver uma experiência na India. Ali, experimentou uma alegria autêntica e sentiu-se imersa na graça de Deus, até nos momentos difíceis. Dedicou os seus dias à oração, à vida comunitária e ao serviço de voluntariado. As crianças do orfanato tocaram-na profundamente: apesar de não possuírem nada, mostravam um entusiasmo incrível e ensinaram-lhe muito sobre a vida. Não foi apenas uma viagem, foi uma peregrinação, um caminho feito de “subidas e descidas”, onde teve que “esvaziar a mochila”, encontrando enriquecimento e libertação.

Texto preparado por Augusto Parody Reyes e pela equipa da Palavra de Vida

[1] Cf., Papa Francisco, Audiência Geral de 23 agosto de 2017. Catequese sobre a Esperança cristã. [2] Ibid. [3] Cfr. C. Lubich, Palavra de Vida de abril de 1989, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi, (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma, 2017, p. 429.



(focolares – fevereiro 26)

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