Portugal: tempestades deixam rastro de destruição
Rui Saraiva – Portugal
Portugal tem sido assolado nas últimas semanas por muitas tempestades que trouxeram um rasto de destruição. O Papa Leão XIV no Angelus do passado domingo 8 de fevereiro dirigiu-se às populações afetadas: “Encorajo as comunidades a permanecerem unidas e solidárias”, disse o Santo Padre.
As tempestades sucedem-se, em modo rio atmosférico e os seus nomes não deixam boa memória: Kristin, Leonardo e Marta provocaram devastação em várias regiões e muito sofrimento a quem tudo perdeu.
Morreram já quinze pessoas em Portugal na sequência das tempestades. Há centenas de feridos e desalojados.
A tempestade Kristin, por exemplo, passou por Portugal trazendo rajadas de vento com mais de 200 km por hora. Fez estragos incalculáveis em empresas, habitações, instituições e floresta, sobretudo na região centro do país, com especial rasto de destruição nos distritos de Leiria e Coimbra.
Como revela a Rádio Renascença, as tempestades trouxeram inundações e cheias com a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações.
Todo o país está a sofrer as consequências da intempérie, sendo que o centro de Portugal, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo são as regiões mais afetadas. Em 68 concelhos vigora até ao próximo domingo 15 de fevereiro a situação de calamidade.
Em entrevista à Rádio Renascença e à Agência Ecclesia, a presidente da Cáritas Diocesana de Leiria, Ana Monteiro Mota, alerta para o isolamento das populações, afirmando que há pessoas sem eletricidade, sem água e sem comunicação. A Cáritas de Leiria tem todos os dias cinco equipas na rua que descobrem situações muito difíceis.
“Todos os dias temos equipas na rua. Portanto, todos os dias estamos a descobrir novas realidades e muito difíceis. Temos cinco equipas diárias, com vários técnicos, desde psicólogos, assistentes sociais, inclusivamente enfermeiras, que vão ao local e todos os dias trazem situações muito, muito difíceis. (…) As pessoas estão isoladas, deslocam-se 10, 15 quilómetros para comunicar com familiares, muitas vezes até connosco, mandam-nos emails com urgência: ‘venham a ajudar porque eu não tenho comida, não tenho agasalhos’. Porque as casas estão muito desprotegidas. Temos tido muitos pedidos espontâneos das dificuldades que as pessoas estão a sentir. Por exemplo, casas que não têm telhados, não têm cobertura. Fazemos visitas e deparamo-nos com situações em que não há absolutamente proteção nenhuma, pessoas que não têm eletricidade, não têm água, não têm comunicação”, revelou Ana Monteiro Mota.
A Caritas Diocesana de Leiria já distribuiu 55 toneladas de alimentos e produtos de higiene e conseguiu angariar mais de 1,3 milhões de euros para as vítimas da tempestade Kristin.
O governo português, através do primeiro-ministro Luís Montenegro, anunciou 2,5 milhões de euros para ajudar a população e as empresas afetadas pelo mau tempo.
A situação meteorológica em Portugal continua crítica e estão previstas mais tempestades para os próximos dias.
Sem comentários:
Enviar um comentário