O papa Leão XIV exortou as autoridades da Guiné Equatorial a priorizarem questões fundamentais que afetam a vida social e política dos fiéis no país da África Central, dizendo que o Céu não é político.

Em seu encontro hoje (21) com autoridades, membros da sociedade civil e do corpo diplomático no palácio presidencial da Guiné Equatorial, o papa Leão XIV falou sobre o modelo de santo Agostinho da “Cidade de Deus” e da “cidade terrena”.

O papa condenou a busca por riquezas injustas e domínio político. Ele disse que os cristãos não são estranhos à vida política, mas são chamados, guiados pelas Escrituras, a contribuir construtivamente para o bem comum, mantendo o olhar fixo na cidade celestial.

“A Cidade de Deus não propõe um programa político, mas fornece reflexões valiosas sobre questões fundamentais da vida social e política»”, disse o papa no primeiro dia de sua visita ao país, que vai até depois de amanhã (23).

“Hoje, a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar as coisas novas que desestabilizam o planeta e a convivência humana, buscando, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça”, disse Leão XIV.

Para o papa, a dimensão fundamental da missão da Igreja é “contribuir para a formação das consciências, através do anúncio do Evangelho, da oferta de critérios morais e de princípios éticos autênticos, no respeito pela liberdade de cada indivíduo e pela autonomia dos povos e seus governos”.

O papa Leão XIV disse que a doutrina social da Igreja visa ajudar as pessoas a enfrentar as realidades em constante mudança, dizendo que ela “tem como objetivo final educar para enfrentar os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova, com renovados desafios, sonhos e interrogações”.

Falando sobre os desafios contemporâneos, ele disse que o mundo de hoje se depara com questões que “abalam os alicerces da experiência humana”.

Ele falou também sobre a encíclica Rerum novarum, de 1891, do papa Leão XIII, sobre o capital e o trabalho, e disse: “A exclusão é a nova face da injustiça social. O fosso entre uma pequena minoria – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática”.

Leão XIV disse que “a falta de terra, comida, casa e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados”.

Ele disse que “é dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral”, fundamentado na solidariedade e na destinação universal dos bens.

“Senhor Presidente, Senhoras e Senhores, caminhemos juntos, com sabedoria e esperança, rumo à Cidade de Deus, que é a cidade da paz”, disse o papa Leão XIV.

Ainda hoje (21), o papa se reunirá com acadêmicos e artistas num encontro com representantes do mundo da cultura no Campus Leão XIV da Universidade Nacional. O dia também terá uma visita pastoral a pacientes e funcionários do hospital psiquiátrico Jean Pierre Olie.

Amanhã (22), o papa vai a Mongomo para celebrar a missa na basílica da Imaculada Conceição antes de visitar a Escola de Tecnologia Papa Francisco.

Depois, ele vai para Bata, onde visita uma prisão, reza num memorial dedicado às vítimas da explosão de 7 de março de 2021, que atingiu a cidade, e se encontra com jovens e famílias no estádio de Bata.

A viagem apostólica à África será concluída na próxima quinta-feira, com uma missa final celebrada pelo papa no estádio de Malabo.

Depois da cerimônia de despedida no aeroporto internacional de Malabo, o papa partirá para Roma, Itália, chegando no fim da tarde ao aeroporto internacional de Fiumicino, na capital italiana.

(acidigital)