5 de mai de 2026 às 12:19
O padre Larry Holland, de Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, que se recuperava de uma fratura no quadril no Hospital Geral de Vancouver (VGH, na sigla em inglês), disse que lhe ofereceram duas vezes morte assistida por parte de funcionários da área da saúde que sabiam que ele era padre e se opunha à eutanásia — prática que, segundo críticos, está se tornando cada vez mais comum, visto que os profissionais de saúde são incentivados a iniciar esse tipo de conversa.
“Há certas coisas sobre as quais simplesmente não se fala com algumas pessoas”, disse o padre Larry Holland, que concluiu estudos em capelania na área da saúde e atuou em várias paróquias na arquidiocese de Vancouver.
Ele falou sobre sua reação quando um médico mencionou a opção de assistência médica para morrer caso seu estado de saúde se deteriorasse. "Acho que fiquei muito chocado", disse. "É um assunto muito delicado”.
Holland, de 79 anos, está se recuperando no VGH depois de sofrer uma fratura no quadril numa queda no banheiro no Natal passado. Ele falou ao jornal católico canadense The BC Catholic sobre as ofertas de eutanásia feitas por dois profissionais de saúde, mesmo sabendo que ele era um padre católico.
Holland disse que não estava morrendo naquele momento, nem agora, e que a menção do médico à morte assistida o deixou "meio sem palavras" por um instante. O médico então voltou a abordar o assunto, dizendo que é "algo que eles precisam discutir com alguém que recebeu um diagnóstico terminal".
Holland citou ter dito ao médico que era moralmente contra a eutanásia. O médico disse que "só queria ter certeza de que, se surgisse ou não um diagnóstico [terminal]... eu soubesse dos diferentes serviços aos quais teria acesso".
Semanas depois, uma segunda oferta morte assistida veio de uma enfermeira que, segundo o padre, parecia desconfortável em abordar o assunto e provavelmente fazia isso por compaixão, devido à dor que ele estava sentindo.
“Na verdade, é uma falsa compaixão”, disse.
Um porta-voz da rede de serviços de saúde Vancouver Coastal Health, que administra o VGH, disse a The BC Catholic por e-mail que "a equipe pode considerar a possibilidade de abordar o tema da morte assistida com base em seu julgamento clínico, desde que tenha o conhecimento e as habilidades necessárias para fazê-lo".
O porta-voz disse que os funcionários são “responsáveis por responder às perguntas quando os pacientes mencionam o tema da morte assistida”.
Os dois incidentes ocorrem num momento em que o Canadá se aproxima da marca de 100 mil mortes assistidas.
O padre Larry Lynn, capelão pró-vida da arquidiocese, disse estar chocado ao saber do caso de Holland.
“Esse deve ser, sem dúvida, um dos exemplos mais terríveis do regime coercitivo e insensível de eutanásia do Canadá”, diz Lynn.
Ele disse ser perturbador que um profissional de saúde sugira a eutanásia a qualquer paciente, especialmente quando se trata de um religioso consagrado, conhecido por sua oposição moral. "Isso coloca o profissional médico no papel do diabo, tentando uma pessoa vulnerável a cometer um pecado mortal", diz Lynn
Ele está igualmente preocupado com o fato de que os provedores de eutanásia canadenses não estejam descartando iniciar discussões com católicos romanos sobre a Assistência Médica para Morrer (MAID). Num documento intitulado Abordando a Assistência Médica para Morrer (MAID) como uma Opção de Cuidado Clínico, a Associação Canadense de Avaliadores e Provedores de MAID recomenda que não se presuma que pacientes se opõem à MAID por causa de sua fé.
O documento diz: “Os profissionais de saúde podem tirar conclusões errôneas sobre a opinião de uma pessoa em relação à morte assistida; por exemplo, podem presumir que uma paciente se opõe à morte assistida por ser freira católica, quando, na verdade, freiras católicas e outras pessoas dedicadas a um estilo de vida religioso já solicitaram a morte assistida.” O folheto não indica a fonte da informação.
Uma versão atualizada, publicada em março, remove a referência católica, mas mantém o mesmo conselho em relação a pessoas de uma “comunidade religiosa” e até mesmo àquelas de “fé intensa”.
Lynn considerou "diabólico" usar uma freira como exemplo para passar por cima de objeções morais de um paciente.
O folheto mostra uma tendência recente de incentivar profissionais de saúde a iniciar discussões sobre morte assistida com os pacientes. Em novembro do ano passado, o jornal The BC Catholic noticiou um documento pouco conhecido do Ministério da Saúde do Canadá, de 2023, que instava autoridades de saúde e órgãos profissionais a adotarem "padrões de prática" que exigem que médicos e enfermeiros de prática avançada abordassem o tema da morte assistida com determinados pacientes.
O documento de avaliação e prestação de serviços de morte assistida diz, de modo semelhante, que médicos e enfermeiros envolvidos no planejamento de cuidados e nos processos de consentimento “têm a obrigação profissional de iniciar uma discussão sobre MAID se um paciente puder ser elegível para tal”. Mas, o Ministério da Saúde do Canadá não tem autoridade para exigir que as províncias ou autoridades de saúde adotem tais diretrizes, e o jornal The BC Catholic não encontrou evidências de que qualquer agência pública ou órgão profissional na Colúmbia Britânica tenha feito isso.
Amanda Achtman, criadora do projeto anti-eutanásia Dying to Meet You e diretora de ética da organização Canadian Physicians for Life (Médicos Canadenses pela Vida), disse que iniciar discussões sobre morte assistida em um ambiente médico é um modo de coerção que ataca as convicções mais profundas dos pacientes num momento de vulnerabilidade. "Torturar" alguém com crenças profundamente arraigadas com a oferta de morte assistida é "um ataque à sua identidade", disse Achtman.
Holland disse que estava com tanta dor que podia "sentir a tentação" de aceitar a eutanásia. "É uma reação humana”, disse. “Sempre procuramos o caminho mais fácil”.
O deputado Garnett Genuis, do Partido Conservador do Canadá, apresentou o Projeto de Lei C-260, intitulado Lei para Prevenir a Coerção de Pessoas que Não Buscam Assistência Médica para Morrer, que proibiria funcionários federais de oferecer ou recomendar proativamente a morte assistida. O projeto de lei surgiu em resposta a incidentes envolvendo funcionários públicos, como conselheiros de veteranos, que tentaram direcionar pessoas vulneráveis para o suicídio assistido.
Em março, o governo do Estado de Alberta apresentou um projeto de lei que restringiria a atuação de profissionais de saúde regulamentados, impedindo-os de fornecer informações sobre o suicídio assistido a seus pacientes, a menos que o próprio paciente mencione o assunto. A Lei de Salvaguardas para o Suicídio Assistido como Último Recurso também restringiria a exibição pública de informações sobre o MAID, como cartazes, em instalações de saúde.
Sem comentários:
Enviar um comentário