O papa Leão XIV encorajou os fiéis hoje (2), na oração do Ângelus, a redescobrirem a bênção da mesa como uma simples expressão de fé e como um modo concreto de transmitir a “beleza” da Eucaristia na vida diária.

“Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar a sua beleza nos nossos gestos cotidianos, a começar pela bênção da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos”, disse o papa da varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano, onde retomou a oração mariana depois de concluir três semanas de repouso de verão em Castel Gandolfo, Itália.

Em sua reflexão, Leão XIV falou sobre o relato evangélico da multiplicação dos pães e peixes, proclamado na liturgia de hoje, e disse que as ações de Jesus Cristo revelam o profundo significado de Sua missão salvífica. O papa disse: "São gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que Ele traz ao mundo”.

Leão XIV disse que Cristo não só fez milagres extraordinários, mas, por meio deles, anunciou a proximidade do Reino de Deus. “O Senhor é recordado como Aquele que dá sentido à vida, libertando-a do mal e do pecado”, disse o papa. “Ao dar vista aos cegos e audição aos surdos, Cristo não apenas realiza atos milagrosos, mas também anuncia a todos que o Reino de Deus está próximo”.

O papa disse que o Evangelho mostra como Jesus Cristo transforma a existência humana de modo integral. Leão XIV disse que o texto bíblico de hoje "testemunha que Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos".

Encontro com Cristo, “uma experiência nutritiva”

O papa disse que a multiplicação dos pães é uma imagem eloquente do encontro com Cristo. “O episódio da multiplicação dos pães significa que o encontro com o Senhor é uma experiência nutritiva”, disse ele. “No deserto, ou seja, no lugar da nossa necessidade, Cristo é o pão da vida”.

Sobre isso, Leão XIV disse que o Senhor responde aos anseios mais profundos do coração humano. “Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida”. O papa disse também que o milagre transmite uma lição fundamental sobre solidariedade e partilha.

Em contraste com a lógica do egoísmo, Leão XIV falou sobre os riscos de uma cultura centrada na acumulação. "Seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado".

Em contrapartida, o papa disse que "a acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância".

Leão XIV definiu-a como uma “doença da alma” que “faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede”.

O papa falou também sobre as contradições de um mundo marcado por profundas desigualdades e conflitos: “E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”.

Falando sobre o contexto atual de guerras e tensões internacionais, Leão XIV convidou a todos a contemplar o milagre da multiplicação dos pães como uma manifestação da caridade divina. “Nesse milagre da caridade, reconhecemos os gestos característicos de Jesus, que encontram na Última Ceia o seu ápice”, disse o papa.

Por fim, Leão XIV disse que até mesmo as férias podem ser uma oportunidade para viver a fraternidade e cuidar dos mais necessitados. “Na companhia de Jesus, também as férias podem tornar-se um tempo de serenidade fraterna, envolvendo aqueles que, ao nosso lado, se encontram em necessidade”, disse ele.

 

(acidigital)