terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A lição de uma avó




Missa do Pontífice em Santa Marta


«Deus perdoa tudo, caso contrário o mundo não existiria»: as palavras que uma idosa disse em 1992 a Jorge Mario Bergoglio são uma verdadeira «lição» no início do ano santo da misericórdia. E admoestam contra a tentação de cair na «rigidez clerical», sugerindo ao contrário que nos enveredemos sem hesitação pelo caminho da esperança e da misericórdia que nos torna «livres». O convite a ter «um olhar penetrante», que sabe ir além para ver e dizer a verdade, foi relançado pelo Papa Francisco na missa celebrada na manhã de segunda-feira, 14 de Dezembro, na capela da Casa de Santa Marta.
«Na primeira leitura – realçou imediatamente o Papa – ouvimos um trecho do livro dos Números» (24, 2-7.15-17) sobre a «história de Balaão: era um profeta, mas era também um homem e tinha os seus defeitos, assim como pecados». Porque, frisou Francisco, «todos temos pecados, todos, todos somos pecadores». Mas «não vos assusteis – tranquilizou Francisco – Deus é maior do que os nossos pecados».
«Balaão – explicou – foi «alugado» por um certo Balaque, general e rei, que queria destruir o povo de Deus. E convidou-o a profetizar contra o povo de Deus». Porém, «no caminho Balaão encontra o anjo do Senhor e transforma o seu coração e vê a verdade». Mas «não muda de partido: hoje sou deste partido político e depois passo para o outro, não. Passa do erro para a verdade e diz o que vê».
«É bonito – acrescentou Francisco – que o livro dos Números narre esta história: “Oráculo de Balaão, oráculo do homem de olhar penetrante”». Com efeito, explicou, «quando ele muda o coração, converte-se, tem o olhar penetrante e vê longe, vê a verdade, com o coração aberto, com o coração – com boa vontade sempre se vê a verdade – e diz a verdade».
E «é uma verdade que dá esperança, porque ele está diante do deserto, está precisamente diante do deserto, e vê a tribo de Israel: “Quão formosas tuas tendas, Jacob, tuas moradas, Israel! Elas se estendem como vales, como jardins à beira do rio, como aloés plantados pelo Senhor, como cedros junto das águas”». Portanto, «além do deserto vê a fecundidade, a beleza, a vitória».
Mas «o que aconteceu no coração de Balaão?». O facto, disse Francisco, é que «ele abriu o coração e o Senhor lhe deu a virtude da esperança». E «a esperança é esta virtude cristã que nós temos como um grande dom do Senhor e que nos faz olhar longe, além dos problemas, das dores, das dificuldades, além dos nossos pecados». Faz-nos «ver a beleza de Deus».
Por conseguinte, «esperança» é a palavra-chave. E «quando me encontro com uma pessoa que tem esta virtude da esperança e está a passar por um mau momento da sua vida – quer seja uma doença, quer a preocupação por um filho ou uma filha ou alguém da família, qualquer coisa – mas tem esta virtude, no meio da dor tem o olhar penetrante, tem a liberdade de ver além, sempre além». E precisamente «esta é a esperança, é a profecia que hoje a Igreja nos doa: deseja que sejamos mulheres e homens de esperança, não obstante os problemas». Porque «a esperança abre horizontes, a esperança é livre, não é escrava, encontra sempre o modo para resolver uma situação».
No trecho do Evangelho de Mateus (21, 23-27) proposto pela liturgia, prosseguiu, «vemos, ao contrário, homens que não têm esta liberdade, não têm horizontes, homens fechados nos seus cálculos». A ponto que os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo perguntam ao Senhor: «Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade?». À pergunta sucessiva de Jesus, antes de responder «não sabemos», fazem os seus cálculos: «Mas se respondermos isto corremos este perigo, e se dissermos outra coisa...». Contudo, frisou o Papa, «os cálculos humanos fecham o coração, fecham a liberdade». É «a esperança» que «nos torna ligeiros». Eis que «esta hipocrisia dos doutores da lei, que está no Evangelho e que fecha o coração, nos torna escravos: eles eram escravos».
Por sua vez, «Balaão teve a liberdade de dizer àquele que o tinha “alugado”: “eu vejo isto, se não gostares, é um problema teu; mas digo-te o que vejo”». Ao contrário, «eles não têm a liberdade, são escravos da própria rigidez» E «podemos dizer – afirmou Francisco – que ambos, não tecnicamente, estão próximos da Igreja, são homens de Igreja: Balaão, profeta; e aqueles, doutores da lei».
Como é bela a liberdade, a magnanimidade, a esperança de um homem e de uma mulher de Igreja», garantiu o Papa. E «ao contrário, como é feia e quanto faz mal a rigidez de uma mulher e de um homem de Igreja: a rigidez clerical, que não tem esperança».
«Neste ano da misericórdia – disse o Pontífice – há estes dois caminhos». Por um lado, há «quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai», que «Deus perdoa sempre e tudo», e que «além do deserto existe o abraço do Pai, o perdão». Mas, por outro, «há também aqueles que se refugiam na sua escravidão, na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus». Aqueles sobre os quais fala o Evangelho de Mateus «eram doutores, tinham estudado, mas a sua ciência não os salvou».
«Gostaria de terminar – narrou na conclusão – com uma anedota que aconteceu comigo, no ano de 1992. Chegara à diocese a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Durante uma solene missa para os doentes – mas grande, num campo enorme, com muita gente – eu fui ali confessar. E ouvi confissões a partir de quase meio-dia até às seis, quando terminou a missa. Havia muitos confessores».
Precisamente «no momento em que me levantava para ir celebrar uma crisma noutro lugar – recordou – aproximou-se uma idosa, de oitenta anos, com os olhos que viam além, com olhos cheios de esperança». E eu disse-lhe: “Avó, a senhora vem para se confessar? Mas não tem pecados!”». À resposta da senhora – «Padre, todos temos!» – Bergoglio retorquiu: «Mas talvez o Senhor não os perdoe?». E a senhora, forte na sua esperança: «Deus perdoa tudo, porque se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria!».
E assim «diante destas duas pessoas» ­– o «livre» com a sua «esperança, aquele que te traz a misericórdia de Deus; e «o fechado, o legalista, precisamente o egoísta, o escravo da própria rigidez» ­– Francisco sugeriu que façamos nossa «a lição que esta idosa de oitenta anos – era portuguesa – me deu: Deus perdoa tudo, espera só que te aproximes».


osservatoreromano.va
14 de Dezembro de 2015

sábado, 12 de dezembro de 2015

A celebração do jubileu tem origem judaica




Reflexões de Dom Alberto Taveira Corrêa, 
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará


Ressoa no mundo inteiro a convocação do Jubileu da Misericórdia, inspiração dada por Deus ao Papa Francisco. Na Solenidade da Imaculada Conceição, aquela que foi preservada do pecado original, em previsão dos méritos de Cristo, seu Filho, abriram-se portas de reconciliação e de paz para todas as pessoas de boa vontade que desejarem declarar umas às outras um propósito de perdão, cancelamento das dívidas, descanso para a terra martirizada pelos conflitos existentes em toda parte. "Misericordiosos como o Pai" é o convite que se espalha, para que as pessoas busquem o abraço do perdão, oferecido largamente a todos!
A celebração do jubileu tem origem judaica. Seis dias de trabalho, um sábado de repouso; seis anos de trabalho, um ano sabático; sete vezes sete anos, um ano inteiro, no qual os escravos eram libertados, restituíam-se as propriedades às pessoas que as haviam perdido, perdoavam-se as dívidas, as terras deviam permanecer sem cultivar e se descansava. "Contarás sete semanas de anos, ou seja, sete vezes sete anos, o que dará quarenta e nove anos. Então farás soar a trombeta no dia dez do sétimo mês. No dia do Grande Perdão fareis soar a trombeta por todo o país. Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação para todos os habitantes do país. Será para vós um jubileu. Cada um de vós poderá retornar à sua propriedade e voltar para sua família. O quinquagésimo ano será para vós um ano de jubileu: não semeareis, nem colhereis o que a terra produzir espontaneamente, nem fareis a colheita da videira não podada. Porque é o ano de jubileu, sagrado para vós" (Lv 25, 8-12). A palavra jubileu se inspira no termo hebraico "yobel", que faz alusão ao chifre do cordeiro que servia como instrumento. Jubileu também remete ao latim "jubilum" que representa um grito de alegria.
O Jubileu foi proclamado como convocação para que as pessoas se convertam em seu interior e se reconciliem com Deus, por meio da penitência, da oração, da caridade, dos sacramentos e da peregrinação, “porque a vida é uma peregrinação e o homem é um peregrino” (Misericordiae vultus 14). "Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado (Misericordiae vultus 2). É a convicção clara do Papa Francisco, que nos quer respondendo à maldade e à violência com a escolha da bondade e da misericórdia. É o princípio evangélico posto em prática: "Ouvistes que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Ora, eu vos digo: não ofereçais resistência ao malvado! Pelo contrário, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a acompanhá-lo por um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir, e não vires as costas a quem te pede emprestado" (Mt 5, 38-42). Diante de guerras, vinganças, retaliações, violência e corrupção de todo tipo, nossa resposta de cristãos será diferente! Perdoar, reconciliar-se, derramar o unguento da misericórdia!
Todas as Catedrais e Santuários espalhados pelo mundo inteiro abrirão nos próximos dias a "Porta da Misericórdia", para expressar a peregrinação, saída de nós mesmos, rumo à casa do Senhor. Na Arquidiocese de Belém, a Porta da Misericórdia será aberta na Catedral da Sé às 9 horas do dia 13 de dezembro e na Basílica de Nazaré às 18 horas do dia 20 de dezembro. Ao passar pela Porta Santa, cada pessoa deve levar consigo as disposições necessárias à recepção da Indulgência Plenária, a saber: a Confissão Sacramental, rejeitando todos os pecados, receber a Sagrada Eucaristia, rezar pelo Papa o Credo, o Pai-nosso e a Ave-Maria. Além da Catedral e da Basílica, todos os enfermos e idosos poderão receber a indulgência, quando cumpridas as condições, em sua própria casa. Para os presos, a porta da misericórdia é a porta da própria cela. E na Arquidiocese de Belém, quem visitar a "Fazenda da Esperança" durante o Ano Santo também poderá receber os benefícios do Ano Santo da Misericórdia.
"Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos" (Manual das Indulgências, norma 1). O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: “pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados” (Catecismo da Igreja Católica, 1498). O pecado tem duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é perdoada na Confissão; a pena, que é a desordem que o pecado provoca no pecador e nos outros, e que precisa ser reparada e é eliminada pela indulgência que pode ser plenária ou parcial.
O Papa recomenda ainda a prática das obras de misericórdia, como sinal concreto do acolhimento da Misericórdia de Deus. Para a Arquidiocese de Belém, propomos a prática das Obras de Misericórdia durante o Ano Santo, assim distribuídas: Janeiro, Obras de misericórdia corporais "Dar de comer a quem tem fome e dar de beber a quem tem sede; Fevereiro, Obras de Misericórdia espirituais "Dar bom conselho e ensinar os que precisam; Março, Obra de Misericórdia Corporal "Vestir os nus"; Abril, Obra de Misericórdia espiritual "Corrigir os que erram"; Maio, Obra de Misericórdia Corporal "Dar acolhida aos peregrinos e emigrantes"; Junho, Obra de Misericórdia Espiritual "Consolar os aflitos"; Julho, Obra de Misericórdia corporal "Assistir e visitar os doentes"; Agosto, Obra de Misericórdia Espiritual "Perdoar os que nos ofenderam"; Setembro, Obra de Misericórdia Corporal "Visitar os presos"; Outubro, Obra de Misericórdia Espiritual "Suportar com paciência as fraquezas do próximo" e Obra de Misericórdia Corporal "Dar acolhida aos peregrinos e romeiros do Círio"; Novembro, Obra de Misericórdia Corporal "Enterrar os mortos, visitar os Cemitérios e rezar pelos falecidos"; Dezembro, Obra de Misericórdia Espiritual "Rogar a Deus pelos vivos e falecidos".

(Zenit)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A noite dos prémios Nobel em Estocolmo e Oslo





Um prémio Nobel em honra de todas as vítimas do “laboratório marxista” soviético.
Foi assim que a escritora bielorrussa Svetlana Alexiévich agradeceu a distinção durante o tradicional banquete oferecido pela Câmara de Estocolomo aos vencedores do Prémio Nobel.
Alexiévich discursou durante o jantar, assim como as restantes personalidades distinguidas este ano nas áreas da Química, Física, Medicina e Economia.
Uma cerimónia que assinalou igualmente o aniversário da morte de Alfred Nobel, reunindo cerca de 1.350 convidados em torno da família real sueca.
Em Oslo, a Tunísia foi a convidade de honra da cerimónia local da atribuição do prémio Nobel da Paz.
Os quatro galardoados, representantes do chamado Quarteto para o Diálogo Nacional Tunisino saudaram a multidão reunida frente ao grande hotel de Oslo.
Uma forma de homenagear o papel das quatro organizações tunisinas – Sindicato de trabalhadores, Confederação Patronal, Liga de Direitos Humanos e Ordem de Advogados – na transição pacífica no país que foi palco de uma das primeiras revoluções árabes.

(pt.euronews.com)

Chega ao Canadá primeiro avião com refugiados sírios




Um primeiro grupo de 163 refugiados sírios foi recebido pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, à chegada ao aeroporto de Toronto, onde aterrou esta madrugada o avião militar que os transportou.

O avião aterrou no aeroporto de Toronto às 23:30 locais (04:30 de sexta-feira em Lisboa) procedente de Beirute, após uma escala técnica na Alemanha.
O Governo canadiano espera acolher 10 mil refugiados sírios até ao final do ano.


Diário Digital / Lusa

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

EUA ajudam grupo Estado Islâmico a lucrar com venda de antiguidades




Entre as várias formas de financiamento do grupo estado islâmico está a venda de obras de arte, antiguidades e muitas peças de arqueologia. E, neste setor, o mercado negro nos EUA está a ajudar este coletivo terrorista a financiar-se ao negociar as peças que este coloca à venda. Uma situação complexa em termos legais.
“Qualquer funcionário da alfândega sabe, quando vê um quilo de cocaína, que é ilegal. Mas quando vê um pote antigo, não sabe, em alguns casos, se é uma réplica ou uma urna com três mil anos”, adianta Deborah Lehr, fundadora e presidente da Antiquities Coalition.
Mas qual é a melhor forma de resolver a questão? Comprar as peças, para as recuperar, tendo em consideração o que isso significa?
“Há alguns colecionadores que dizem que uma forma de proteger este material é comprá-lo. Claro que isso é uma falácia, porque significa incentivar o grupo estado islâmico a continuar as pilhagens, a vender mais e a fazer mais dinheiro”, explica Richard Kurin do Instituto Smithsonian.
Para o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, é necessário um controlo mais rigoroso para evitar que os jihadistas lucrem com o comércio ilícito de antiguidades, resultado de saques a locais como Palmira, na Síria, destruído pelos terroristas.


10/12 08:17 CET
(pt.euronews)