segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Papa nas catacumbas: bem-aventuranças são a identidade do cristão, não há outra



Na celebração no dia de Finados, Santo Padre também chamou a atenção mais uma vez de que as Bem-Aventuranças e o Grande Protocolo (Mateus 25) são nossa identidade de cristãos, "sem isso, não há identidade", e que "o lugar do cristão está nas mãos de Deus, chagadas de amor."
Cidade do Vaticano

Em 2018, a escolha do Santo Padre para a celebração dos Fiéis Defuntos recaiu sobre o Cemitério Laurentino, uma área de 27 hectares na zona rural de Roma, onde se deteve diante dos túmulos de crianças falecidas prematuramente por doenças, acidentes ou nunca nascidas, o chamado “Jardim dos Anjos”.

Desta vez, o Papa quis presidir a celebração Eucarística nas Catacumbas de Priscila, a “regina catacumbarum” como era denominado por todos os documentos topográficos e litúrgicos antigos o  cemitério dos mártires localizado na Vila Salária, em Roma.
Capela onde Papa celebrou a Missa no Dia de Finados

O Papa Francisco não levou consigo nenhum texto preparado, tendo pronunciado sua homilia de forma espontânea:

“A celebração da festa de todos os falecidos em uma catacumba - para mim é a primeira vez na vida que entro em uma catacumba - é uma surpresa; e também nos diz muitas coisas. Podemos pensar na vida dessas pessoas, que tinham que se esconder, que tinham essa cultura de sepultar os mortos e celebrar a Eucaristia aqui ... é um momento da história difícil, mas que não foi superado: também hoje existem. Existem tantas. Tantas catacumbas em outros países onde até mesmo devem fingir fazer festa ou um aniversário para celebrar a Eucaristia, porque naquele lugar é proibido fazê-lo: também hoje existem cristãos perseguidos, mais do que nos primeiros séculos. Mais! Isso - as catacumbas, a perseguição, os cristãos - e essas leituras me fazem pensar em três palavras: a identidade, o lugar e a esperança.

A identidade dessas pessoas que se reuniam aqui para celebrar a Eucaristia e para louvar ao Senhor é a mesma de nossos irmãos hoje em tantos, tantos países onde ser cristão é um crime, é proibido: eles não têm o direito. A mesma coisa. Esta é a identidade que ouvimos: são as Bem-Aventuranças. A identidade do cristão é esta: as Bem-Aventuranças. Não há outra. Se você faz isso, se você vive assim, você é um cristão. "Não, mas, veja, eu pertenço a essa associação, àquela outra ... e pertenço a esse movimento ...": sim, sim, sim, todas coisas belas. Mas essas são fantasias diante dessa realidade. A sua carteira de identidade é essa e, se você não a tiver, serão inúteis os movimentos ou outras pertenças. Ou você vive assim ou não é cristão.

Simplesmente: o Senhor disse isso. "Sim, mas não é fácil, não sei como viver assim ...": mas há outra passagem do Evangelho que nos ajuda a entender melhor isso, e também essa passagem do Evangelho será o "Grande Protocolo" com [segundo] o qual seremos julgados. É Mateus 25. Com essas duas passagens do Evangelho, as Bem-Aventuranças e o Grande Protocolo, nós mostraremos, vivendo isso, nossa identidade de cristãos. Sem isso, não há identidade. Há uma pretensão de ser cristão, mas não uma identidade.

Essa é a identidade do cristão. A segunda palavra: o lugar. Essas pessoas que vinham aqui para se esconder, para estarem seguras, também para sepultar os mortos, aqui; aquelas pessoas que celebram hoje a Eucaristia em segredo, naqueles países onde é proibido - penso naquela freira da Albânia que estava em um campo de reeducação, na época do comunismo, e era proibido aos sacerdotes darem os Sacramentos, e esta freira, ali, batizava em segredo. As pessoas, os cristãos, sabiam que essa freira batizava e as mães se aproximavam com a criança; mas ela não tinha um copo, algo para colocar água ... Com os sapatos, tirava água do rio e batizava com sapatos. O lugar do cristão está em todo lugar: nós não temos um lugar privilegiado na vida.

Alguns querem tê-lo -  são cristãos qualificados. Mas eles correm o risco de permanecer com o "qualificados" e abandonar o "cristão". Os cristãos, qual é o lugar deles? "As almas dos justos estão nas mãos de Deus": o lugar do cristão está nas mãos de Deus, onde Ele quer. As mãos de Deus que são chagadas, que são as mãos de seu Filho que quis levar consigo as feridas para mostrá-las ao Pai e interceder por nós. O lugar do cristão é na intercessão de Jesus diante do Pai: nas mãos de Deus, e ali estamos seguros. Aconteça o que acontecer, mesmo a Cruz: mesmo, a nossa identidade diz que daremos graças se nos perseguirem, tudo o que disserem contra nós; mas se estivermos nas mãos de Deus chagadas de amor, estaremos seguros. Este é o nosso lugar.

E hoje podemos nos perguntar: mas eu, onde me sinto mais seguro? Nas mãos de Deus ou com outras coisas, com outras seguranças que nós "alugamos", mas que no final caem, que não têm consistência? Esses cristãos com essa carteira de identidade que viviam e vivem nas mãos de Deus, são homens e mulheres de esperança: e esta é a terceira palavra que me ocorre hoje: esperança.

Ouvimos na segunda leitura: aquela visão final onde tudo é feito novamente, tudo é recriado, aquela Pátria para onde todos nós iremos. E para entrar lá, não servem coisas estranhas, não servem atitudes sofisticadas: somente é necessário mostrar a carteira de identidade. Está tudo certo, vá em frente. A nossa esperança está no céu, a nossa esperança está ancorada lá e nós, com a corda em mãos, nos sustentamos olhando aquela margem do rio que devemos atravessar.

Identidade: das Bem-Aventuranças e Mateus 25; lugar, o lugar mais seguro: nas mãos de Deus, chagadas de amor; esperança, o futuro: a âncora, ali, na outra margem, mas eu bem seguro à corda: isso é importante. Sempre agarrado à corda. Tantas vezes veremos apenas a corda, nem mesmo a âncora, nem mesmo a outra margem. Mas você, segure a corda que chegará em segurança.”

Ao final da celebração, o Papa Francisco retorna ao Vaticano, onde irá às Grutas da Basílica de São Pedro onde estão sepultados diversos Pontífices, para um momento de oração silenciosa.

Testemunha da fé primitiva



As Catacumbas de Priscila são o testemunho da fé primitiva, com toda a sua beleza de decorações e símbolos. Escavada na rocha já entre o segundo e o quinto séculos - em ambientes preexistentes ocupados pelos túmulos da família dos Acili Glabrioni, à qual pertencia a nobre senhora Priscila, doadora do terreno -  a catacumba veio à luz no século XVI.

Estendendo-se por cerca de 13 km de galerias, tem vários níveis de profundidade, dos quais o mais antigo é o primeiro. Nele encontramos nichos e cubículos, isto é, túmulos de famílias ricas ou de mártires, e outro tipo nobre de túmulo, frequentemente decorado com pinturas com temas religiosos.

De fato, são muitas as representações valiosas inspiradas nas histórias bíblicas do Antigo e do Novo Testamento, que expressam a fé na salvação e na ressurreição prometida por Jesus.

Sobre as lápides dos túmulos, são frequentes os símbolos de grande importância para os cristãos dentre os quais, o mais conhecido é o peixe, que encerra em si as cinco palavras "Jesus Cristo, filho de Deus Salvador", por meio das iniciais das cinco letras gregas que compõem a palavra "ICTUS", peixe.

De particular valor artístico é a "Capela Grega" e o nicho que contém a mais antiga imagem da Virgem Maria, com o Menino nos joelhos, e ao lado um profeta, que segura um pergaminho na mão esquerda e aponta para uma estrela com a mão direita, provavelmente representando a profecia de Balaão: "uma estrela nasce de Jacó e um cetro nasce de Israel" (Nm 24,15-17). A presença do profeta indica no Menino o Messias esperado por séculos.

(vaticannews)

sábado, 2 de novembro de 2019

Hoje a Igreja recorda os Fiéis Defuntos




(acidigital)

Papa celebra missa de Finados nas Catacumbas de Priscila, em Roma



Neste dia de Finados, o Papa Francisco irá rezar pelos falecidos nas Catacumbas de Priscila, ao presidir a Santa Missa com transmissão ao vivo do Vatican News.

Andressa Collet - Cidade do Vaticano

O Papa Francisco, ao saudar os peregrinos provenientes da Polônia na Audiência Geral a última quarta-feira (30), havia recordado a proximidade da Solenidade de Todos os Santos e o Dia de Finados, em memória aos fiéis defuntos. O Pontífice usou as palavras do Papa polonês para indicar como devemos viver este período.

“ Como dizia São João Paulo II, estes dias ‘nos convidam a dirigir o olhar ao Céu, destino da nossa peregrinação terrena. Lá nos espera a festiva comunidade dos Santos. Lá nos reencontraremos com os nossos queridos defuntos’, pelos quais agora se eleva a nossa oração. Vivemos o mistério da comunhão dos santos com a esperança que brota da ressureição do Senhor, nosso Jesus Cristo. ”
Transmissões ao vivo do Vatican News

No sábado (2), Dia de Finados, haverá transmissão ao vivo será direto das Catacumbas de Priscila, no bairro Trieste, em Roma, onde estão enterrados dois Pontífices: o Papa Marcelino e o Papa Marcelo I. A celebração da Santa Missa em comemoração aos fiéis defuntos será presidida pelo Papa Francisco a partir das 16h, hora italiana, 12h no horário de Brasília.

Já na segunda-feira, dia 4 de novembro, o Pontífice vai celebrar a missa pelos cardeais e bispos falecidos no decorrer do último ano. A transmissão ao vivo, com comentários em português, direito da Basílica de São Pedro, começa às 11h30, hora italiana, 7h30 no horário de Brasília.

(vaticannews)

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Hoje é celebrada a Solenidade de Todos os Santos





REDAÇÃO CENTRAL, 01 Nov. 19 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 1° de novembro, a Igreja Católica se enche de alegria ao celebrar a Solenidade de Todos os Santos, os que foram e os que não foram canonizados, mas que, com sua vida, são exemplo de que a santidade é possível.
Diz o Catecismo da Igreja Católica: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ (Mt 5,48)”.
Cada cristão carrega dentro de si o dom da santidade dado por Deus, como diz a Carta de São Paulo aos Efésios: “Deus nos escolheu em Cristo, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos” (Ef 1,4).
O culto aos santos por parte dos cristãos remonta aos primeiros séculos, começando pelos mártires. Ao viver essa tradição, a Igreja convida cada um a contemplar essas pessoas, exemplos de fé, esperança e caridade, e lançar o olhar ao Alto.
“Hoje estamos imersos com o nosso espírito entre esta grande multidão de santos, de salvos, os quais, a partir do ‘justo Abel’, até a quem neste momento talvez esteja a morrer em qualquer parte do mundo, nos fazem coroa, nos dão coragem, e cantam todos juntos um poderoso coro de glória Aquele a quem os Salmistas chamam justamente ‘o Deus meu Salvador’ e ‘o Deus que é a minha alegria e o meu júbilo’”, afirmou São João Paulo II em uma data como esta de 1980.
A Solenidade de Todos os Santos foi instaurada como consequência da Grande Perseguição do Imperador Diocleciano, no princípio do século IV, pela grande quantidade de mártires causados pelo poder romano.
O Papa Gregório III a fixou para 1º de novembro no século VIII, como resposta à celebração pagã do “Samhain” ou ano novo celta, celebrada na noite de 31 de outubro. Mais tarde, Gregório IV estenderia esta festividade a toda a Igreja.
A Solenidade de Todos os Santos antecede o Dia de Finados, 2 de novembro, data que recorda aqueles que já estão salvos, mas que ainda precisam ser purificados.
Ao celebrar esta data em 2014, o Papa Francisco indicou como devem ser vividos esses dois dias: com esperança, seguindo os exemplos dos santos.
“Esta é a esperança que não cria desilusão. Hoje e amanhã são dias de esperança. A esperança é como o fermento que faz ampliar a alma. Mas também existem momentos difíceis na vida, mas com a esperança, a alma vai adiante. Olha o que te espera”, disse.

(acidigital)

Papa Francisco - Oracão do Angelus 2019-11-01

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O Papa na Capela Santa Marta: o amor de Cristo não é amor de telenovela



Na Missa da manhã desta quinta-feira (31) o Papa convida a entender a ternura do amor de Deus em Jesus por cada um de nós: somente assim podemos compreender realmente o amor de Cristo

Giada Aquilino - Cidade do Vaticano

Que o Espírito Santo nos faça compreender "o amor de Cristo por nós" e prepare os nossos corações para "nos deixarmos amar" pelo Senhor. Esta é a recomendação do Papa Francisco na Missa da manhã desta quinta-feira, na Casa Santa Marta, detendo-se na primeira leitura de hoje, tirada da Carta de São Paulo aos Romanos (8,31+). Na sua homilia, o Pontífice explica como o Apóstolo dos gentios poderia até parecer "um pouco orgulhoso", "demasiado confiante" ao afirmar que nem "a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada" conseguirão separar-nos "do amor de Cristo".

O amor de uma mãe
No entanto, o Papa afirma, lendo São Paulo, "somos mais do que vencedores" com o amor do Senhor. São Paulo foi um deles porque, explica Francisco, desde o momento em que "o Senhor o chamou na estrada de Damasco, começou a compreender o mistério de Cristo": "tinha-se apaixonado por Cristo", tomado - observa o Papa - de "um amor forte", "grande", não uma "trama" de "telenovela". Um amor "sincero", a ponto de "sentir que o Senhor sempre o acompanhava em coisas belas e feias".

“Ele sentia isto com amor. E eu me pergunto: eu amo o Senhor assim? Quando chegam os maus momentos, quantas vezes se sente o desejo de dizer: "O Senhor abandonou-me, já não me ama mais" e gostaria de deixar o Senhor. Mas Paulo estava certo de que o Senhor nunca abandona. Compreendera o amor de Cristo em sua própria vida. Este é o caminho que Paulo nos mostra: o caminho do amor, sempre, no bom e no mau, sempre e avante. Esta é a grandeza de Paulo”.

Dar a vida pelo outro
O amor de Cristo, acrescenta o Pontífice, “não se pode descrever”, é algo muito grande.

Foi Ele quem foi enviado pelo Pai para nos salvar e o fez com amor, deu a vida por mim: não há amor maior do que dar a vida por outra pessoa. Pensemos em uma mãe, o amor de uma mãe, por exemplo, que dá a vida pelo filho, acompanha-o sempre, a vida toda, nos momentos difíceis, mas ainda é pouco… É um amor próximo de nós, o amor de Jesus não é um amor abstrato, é um amor eu-tu, eu-tu, cada um de nós, com nome e sobrenome.

O pranto de cada um de nós
No Evangelho de Lucas, o Papa nota “algo do amor concreto de Jesus”. Falando de Jerusalém, Jesus recordou quando tentou recolher seus filhos “como a galinha com seus pintinhos debaixo das asas”, e lhe foi impedido. Então “chorou”.

O amor de Cristo o leva ao pranto, ao pranto por cada um de nós. Que ternura há nesta expressão. Jesus podia condenar Jerusalém, dizer coisas negativas… E se lamenta porque não se deixa amar como os pintinhos da galinha. A ternura do amor de Deus em Jesus. E Paulo tinha entendido isso. Se não formos capaz de sentir, de entender a ternura do amor de Deus em Jesus por cada um de nós, jamais poderemos entender o que é o amor de Cristo. É um amor assim, espera sempre, paciente, o amor que joga a última carta com Judas: “Amigo”, desobriga-o, até o fim. Também com os nossos grandes pecados, até o fim Ele ama com esta ternura. Não sei se pensamos em Jesus tão terno, em Jesus que chora, como chorou diante do túmulo de Lázaro, como chorou aqui, olhando Jerusalém.

Um amor que se faz lágrima
Portanto Francisco exorta a nos perguntar se Jesus chora por nós, ele que nos deu “tantas coisas” enquanto nós muitas vezes decidimos “tomar outro caminho”. O amor de Deus “se faz lágrima, se faz pranto, pranto de ternura em Jesus”, reitera. Por isso, conclui o Pontífice, São Paulo “tinha se apaixonado por Cristo e nada podia separá-lo d’Ele”.

(vaticannews)