quarta-feira, 3 de março de 2021
Iraque, de Ur dos Caldeus nos passos de Abraão
A Viagem Apostólica de Francisco levará pela primeira vez um papa à terra de Abraão, às origens da nossa fé. Na Planície de Ur, herança das três religiões monoteístas, será realizado o encontro inter-religioso: esperanças de paz e fraternidade expressas na "Fratelli tutti"
Antonella Palermo – Vatican News
A viagem do Papa à planície de Ur para o encontro inter-religioso é altamente sugestiva pelo esplendor do local, pela grande importância simbólica pelas referências aos primórdios da aliança de Deus com o homem. Será realizada entre a visita ao Grão Aiatolá Al Sistani em Najaf e a Santa Missa na Catedral Caldeia de São José em Bagdá no sábado 6 de março.
Ur dos Caldeus é o lugar ligado à figura de Abraão e, em virtude disso, com fortes conotações a respeito do diálogo entre as fés, se considerarmos que também judeus e muçulmanos o veem como um modelo de submissão incondicional à vontade de Deus (cf. Nostra Aetate, 3). O desejo, expresso em 29 de junho de 1999 por João Paulo II em sua "Carta sobre as peregrinações aos lugares ligados à história da salvação", de poder visitar Ur dos Caldeus no Ano Santo de 2000, não se realizou por causa da guerra. Vinte e um anos depois, Francisco visitará um lugar onde nenhum Pontífice foi antes.
Entrevistamos a biblista Irmã Grazia Papola professora de Sagrada Escritura no Instituto de Ciências Religiosas de Verona e perguntamos em que sentido o significado de Ur dos Caldeus é mais ‘teológico’ do que ‘histórico’.
Irmã Grazia Papola pondera que na realidade não temos a possibilidade de reconstruir do ponto de vista do que entendemos como "história" as vicissitudes dos patriarcas. "Idealmente, na ficção narrativa, para uma cronologia que podemos encontrar no texto bíblico, deveríamos colocar os acontecimentos dos patriarcas por volta de 1800 a.C.". "É evidente que seria impossível pretender reconhecer e reconstruir os eventos daquela época também porque não temos testemunhos arqueológicos que possamos atribuir aos personagens dos quais a história bíblica nos fala e também sabemos que os caldeus parecem ter aparecido no evento histórico por volta de 900 a.C., portanto muitos séculos depois".
O significado teológico do lugar
O texto bíblico é preciso quando diz que é o pai de Abraão, Terah, que parte de Ur a caminho de Canaã, depois para em Harã e volta novamente para Canaã. “O narrador não estava interessado em nos informar sobre a viagem de Abraão, em fazer uma crônica dela, em nos dar exatamente todo o seu itinerário", explica a freira, "mas em inserir a história de Abraão em uma estrutura que hoje diríamos ser uma estrutura da história da salvação. A história, em essência, torna-se significativa para a vida dos destinatários da narração. E este é um ponto-chave para qualquer leitura bíblica. Portanto, não é uma narração histórica, com documentação, mas dizemos que é uma história verdadeira e teológica porque entendemos que a referência aos Caldeus se torna importante em uma determinada época da história de Israel".
O nome caldeus geralmente é encontrado como um termo para os babilônios, as pessoas que foram protagonistas da queda do reino de Judá e particularmente da queda de Jerusalém. "Quando Abraão é apresentado como proveniente de Ur dos Caldeus, então, não é tanto um interesse em saber se nosso ancestral deixou aquele lugar em termos exatos e prováveis", afirma a professora. "O importante é a possibilidade de reconstruir a figura do antepassado - o pai do povo, aquele que recebeu a bênção original e que chega também até mim - como um homem que partiu do lugar que idealmente é o ponto de partida dos exilados que voltaram de Babilônia para Jerusalém.
Abraão, paradigma do exilado
Diante disso, Abraão se torna uma figura modelo para os exilados. "É como se eu estivesse colocando na origem da minha história o itinerário de um homem que foi decisivo para minha vida, em relação ao qual posso me reconhecer e compreender o sentido de minha relação de fé com o Senhor", explica a religiosa.
Depois de partir de Ur dos Caldeus, parou em Harã, e continuou para Canaã, assim também nós do exílio podemos enfrentar este caminho em resposta a um chamado de fé e aceitando o dom da terra que nos foi destinada neste pai. Se omitíssemos as referências iniciais da história de Abraão, poderíamos pensar que estamos ligados com um dos muitos povos nômades que viveram na terra de Canaã. É este início da história - que o apresenta como vindo de outra terra - que é o elemento decisivo. "Abraão representa o ideal de quem opta por deixar a Babilônia - na qual também houve oportunidades do ponto de vista econômico e na qual as cidades eram extraordinariamente belas - e com coragem se dirige para a terra que o Senhor indicará para habitá-la de uma forma absolutamente singular".
O percurso de Abraão
Abraão, o migrante
Olhando o texto hebraico, Abraão é um gher, um "estrangeiro", que se identifica com o migrante de hoje. Esta condição - assinala a estudiosa biblista - é vivida em virtude de um apelo não simples: deixar o vínculo com seu pai e sua casa o expõe a um espaço vazio, que no seu caso será preenchido pela presença do Senhor e pelo cumprimento da promessa. Para Abraão, deixar sua própria terra significava a perda de direitos, de proteção legal, do apoio de seu parentesco, de garantias de segurança, estabilidade e certeza de subsistência. "Abraão não só assume este status mas o manterá, porque na terra de Canaã ele será sempre um estrangeiro", sublinha a professora. O valor precioso e simbólico que Abraão carrega consigo é a capacidade de estabelecer laços positivos com os que habitam a terra sem exercer qualquer tipo de opressão, mas mantendo sempre uma dignidade muito alta.
O valor "ecológico" do habitar: sentir-se hóspedes
"Viver na terra sem tomar posse dela, sem usá-la para seu próprio interesse, mas sempre mantendo-a como uma promessa, como um presente", é isto que Abraão nos ensina com sua história. No final de sua vida ele comprará um terreno, negociando-o com os habitantes locais, e será o local da sepultura de Sara e depois da sua: como se dissesse - explica Irmã Grazia - que se possui a terra somente depois da morte. Por trás do respeito pela terra há um importante princípio ecológico: Abraão é vulnerável e exposto à violência dos outros, mas não toma posse da terra. Ele vive esta dimensão a tal profundidade que encarna ambos os papéis: daquele que se permite ser hospedado e daquele que hospeda. Aqui a Irmã Graça cita a bela história do capítulo 18, na qual Abraão hospeda três figuras misteriosas que - ela diz - poderíamos ler como estrangeiros que vieram de outros lugares e que Abraão acolhe com uma extraordinária generosidade, com uma incrível excelência, recebendo a promessa de um futuro.
Chagall, Abraão e os três anjos
A auto-apresentação de Deus
Na terceira ocorrência de Ur dos Caldeus no livro do Gênesis, a formulação é encontrada em uma expressão na qual o Senhor se apresenta a Abraão (no capítulo 15).
“Eu sou o Senhor teu Deus
que te fez sair de Ur dos Caldeus
e eu te dou a posse desta terra”
Para o leitor bíblico aqui é evocada outra história, a do êxodo, do Egito, da casa da escravidão. Em resumo, "Abraão é também a antecipação de um novo êxodo e Deus aquele que liberta, que dá à luz um nascimento, uma nova vida, uma vida plena marcada pela liberdade".
(vaticannews)
AUDIÊNCIA GERAL Quarta-feira, 3 de março de 2021 (Texto)
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Francisco Audiências 2021
PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Biblioteca do Palácio Apostólico
Quarta-feira, 3 de março de 2021
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Catequese - 25. A oração e a Trindade. 1
Amados irmãos e irmãs, bom dia!
No nosso caminho de catequeses sobre a oração, hoje e na próxima semana queremos ver como, graças a Jesus Cristo, a oração nos abre à Trindade – ao Pai, ao Filho e ao Espírito - ao imenso mar de Deus que é Amor. Foi Jesus que nos abriu o Céu e nos projetou para uma relação com Deus. Foi ele que fez isto: abriu-nos para aquela relação com o Deus Trino: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É isto que o apóstolo João afirma na conclusão do prólogo do seu Evangelho: «Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer» (1, 18). Jesus revelou-nos a identidade, a identidade de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Realmente não sabíamos como se pudesse rezar: quais palavras, quais sentimentos e que linguagem eram apropriados para Deus. Naquele pedido dirigido pelos discípulos ao Mestre, que temos recordado frequentemente no decurso destas catequeses, há toda a hesitação do homem, as suas repetidas tentativas, muitas vezes infrutíferas, de se dirigir ao Criador: «Senhor, ensina-nos a rezar» (Lc 11, 1).
Nem todas as orações são iguais, nem todas são convenientes: a própria Bíblia atesta o mau resultado de muitas orações, que são rejeitadas. Talvez por vezes Deus não esteja satisfeito com as nossas orações e nós nem sequer nos apercebemos disso. Deus olha para as mãos daqueles que rezam: para as purificar não é necessário lavá-las, quando muito é preciso abster-se de ações malignas. São Francisco rezava: «Nullu homo ène dignu te mentovare», ou seja, “homem algum é digno de te nomear” (Cântico do Irmão Sol).
Mas talvez o reconhecimento mais tocante da pobreza da nossa oração tenha vindo dos lábios do centurião romano que um dia implorou Jesus que curasse o seu servo doente (cf. Mt 8, 5-13). Sentia-se totalmente inadequado: não era judeu, era um oficial do odiado exército de ocupação. Mas a preocupação pelo servo fá-lo ousar, e diz: «Senhor... eu não sou digno que entres debaixo do meu teto, mas diz uma só palavra e o meu servo será curado» (v. 8). É a frase que também repetimos em todas as liturgias eucarísticas. Dialogar com Deus é uma graça: não somos dignos dela, não temos o direito de a reivindicar, “coxeamos” com cada palavra e pensamento... Mas Jesus é a porta que nos abre para este diálogo com Deus.
Porque deveria o homem ser amado por Deus? Não há razões óbvias, não há proporção... A ponto que em grande parte das mitologias não se contempla o caso de um deus que se preocupe com as vicissitudes humanas; pelo contrário, elas são incómodas e tediosas, completamente insignificantes. Recordemos a frase de Deus ao seu povo, repetida no Deuteronómio: “Pensa, que povo tem os seus deuses tão próximos dele, como vós tendes a mim próximo de vós”. Esta proximidade de Deus é a revelação! Alguns filósofos dizem que Deus só pode pensar em si mesmo. No máximo, somos nós, humanos, que procuramos conquistar a divindade e ser agradáveis aos seus olhos. Disto brota o dever de “religião”, com o corolário de sacrifícios e devoções a oferecer continuamente para ter como aliado um Deus mudo, um Deus indiferente. Não há diálogo. Jesus estava sozinho, só havia a revelação de Deus a Moisés antes de Jesus, quando Deus se apresentou; só a Bíblia que nos abriu o caminho do diálogo com Deus. Recordemos: “Que povo tem os seus deuses tão próximos dele, como tu tens a mim próximo de ti?”. Esta proximidade de Deus abre-nos ao diálogo com Ele.
Um Deus que ama o homem, nunca teríamos tido a coragem de acreditar nisto se não tivéssemos conhecido Jesus. O conhecimento de Jesus fez-nos compreender isto, no-lo revelou. É o escândalo que encontramos esculpido na parábola do pai misericordioso, ou na do pastor que vai em busca da ovelha perdida (cf. Lc 15). Histórias como estas não poderiam ter sido concebidas, nem sequer compreendidas, se não tivéssemos encontrado Jesus. Qual Deus está disposto a morrer pelas pessoas? Qual Deus ama sempre e pacientemente, sem pretender por sua vez ser amado? Qual Deus aceita a tremenda falta de gratidão de um filho que pede antecipadamente a sua herança e sai de casa a esbanjar tudo? (cf. Lc 15, 12-13).
É Jesus quem revela o coração de Deus. Assim Jesus diz-nos com a sua vida até que ponto Deus é Pai. Tam Pater nemo: ninguém é pai como ele. A paternidade que é proximidade, compaixão e ternura. Não esqueçamos estas três palavras que são o estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura. É o modo de manifestar a sua paternidade para connosco. É difícil para nós imaginar de longe o amor com que a Santíssima Trindade está repleta, e que abismo de benevolência recíproca existe entre Pai, Filho e Espírito Santo. Os ícones orientais deixam-nos intuir algo deste mistério que é a origem e a alegria de todo o universo.
Acima de tudo, tínhamos dificuldade de acreditar que este amor divino se dilatasse, chegando até ao humano: somos o termo de um amor que não encontra igual na terra. O Catecismo explica: «A santa humanidade de Jesus é, pois, o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai» (n. 2664). Esta é a graça da nossa fé. Verdadeiramente não podíamos esperar uma vocação mais excelsa: a humanidade de Jesus – Deus fez-se próximo em Jesus – pôs à nossa disposição a própria vida da Trindade, abriu, escancarou esta porta do mistério do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
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Saudações:
Queridos ouvintes de língua portuguesa, a todos vos saúdo e animo a venerar São José, o homem da presença quotidiana discreta e escondida, tomando-O como intercessor, amparo e guia nos momentos de dificuldade, vossos e dos vossos familiares, para que nunca se acabe o óleo da fé e da alegria, que brota da vida em comunhão com Deus!
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Apelos
Do Myanmar continuam a chegar notícias tristes de confrontos sangrentos com perda de vidas humanas. Gostaria de chamar a atenção das autoridades envolvidas para o facto de que o diálogo deve prevalecer sobre a repressão e a harmonia sobre a discórdia. Apelo também à comunidade internacional a trabalhar para assegurar que as aspirações do povo de Myanmar não sejam sufocadas pela violência. Que aos jovens daquela amada terra seja concedida a esperança de um futuro onde o ódio e a injustiça abram caminho ao encontro e à reconciliação. Repito, por fim, o desejo expresso há um mês: que o caminho para a democracia, empreendido nos últimos anos pelo Myanmar, possa ser retomado através do gesto concreto da libertação dos vários líderes políticos presos (cf. Discurso ao Corpo Diplomático, 8 de fevereiro de 2021).
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Depois de amanhã, se Deus quiser, irei ao Iraque para uma peregrinação de três dias. Durante muito tempo desejei conhecer aquele povo que tanto sofreu; conhecer aquela Igreja mártir na terra de Abraão. Juntamente com os outros líderes religiosos, daremos também mais um passo em frente na fraternidade entre os crentes. Peço-vos que acompanheis esta viagem apostólica com a oração, para que ela se realize da melhor maneira possível e dê os frutos esperados. O povo iraquiano está à nossa espera; esperava São João Paulo II, que foi proibido de ir. Não podemos desiludir um povo pela segunda vez. Oremos para que esta seja uma boa viagem.
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Resumo da catequese do Santo Padre:
A oração abre os nossos corações à Santíssima Trindade, àquele mar imenso que é Deus amor: um amor que se dilatou até chegar à nossa praia humana. Somos o recetáculo dum amor sem igual sobre a terra. E quem nos abriu o Céu e introduziu na relação com Deus, foi Jesus. Graças à sua humanidade, tornou-se manifesta e acessível aos homens a própria vida da Trindade. Vendo-O rezar a seu Pai, os discípulos pediram-Lhe: «Senhor, ensina-nos a rezar». É que não sabíamos sequer como rezar, ou seja, quais palavras, sentimentos e atitudes nossas poderiam ser apropriadas para Deus. O reconhecimento mais comovente desta pobreza da nossa oração encontra-se nos lábios daquele centurião romano que suplicou a Jesus a cura do servo gravemente doente. Não sendo judeu, antes fazendo parte do odiado exército de ocupação, o centurião sentia-se totalmente indigno de apresentar o pedido, mas a preocupação pelo servo fê-lo ousar: «Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu teto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado» (Mt 8, 8). Fazemos idêntica oração em cada Eucaristia. Dialogar com Deus é uma graça: nós não somos dignos, não temos qualquer direito para o reivindicar… Jesus é uma porta que se nos abre! Com o exemplo da sua vida, Jesus fez-nos intuir um pouco do mistério da Trindade divina que é a origem e a alegria de todo o universo, convidou-nos a entrar naquele abismo de benevolência entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Verdadeiramente não podíamos esperar vocação mais alta: a humanidade de Jesus pôs à nossa disposição a vida da Santíssima Trindade.
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terça-feira, 2 de março de 2021
Cardeal Filoni: Cristãos iraquianos têm o direito humano fundamental de permanecer nos lugares históricos
Roma, 01 mar. 21 / 03:00 pm (ACI).- Em uma recente entrevista ao jornal National Catholic Register, do grupo EWTN, o atual grão-mestre da Ordem do Santo Sepulcro, Cardeal Fernando Filoni, falou das altas expectativas sobre a próxima viagem papal ao Iraque e insistiu que os cristãos têm o direito humano fundamental de permanecer nos lugares históricos do cristianismo neste país de maioria muçulmana.
As tensões entre cristãos e muçulmanos no Iraque não é um tema alheio ao Cardeal Filoni, que serviu como núncio apostólico em Bagdá entre 2001 e 2006. Ele viveu de perto as tensões entre estes dois grupos e até hoje é lembrado pela decisão de não abandonar sua nunciatura durante a Batalha de Bagdá em 2003, quando forças dos Estados Unidos bombardearam o território iraquiano. O fato lhe rendeu o apelido de "Núncio Coragem" no país. Devido ao seu conhecimento e proximidade aos cristãos deste lugar, o Papa Francisco, o convidou para participar de sua viagem apostólica de 5 a 8 de março ao Iraque.
Nascido em 1946 em Mandura, Itália, o Cardeal Filoni também atuou como prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos (2012-2019) tendo sido encarregado de assuntos gerais da Secretaria de Estado por um breve período (2007-2012).
Vale recordar que o Santo Padre já o havia enviado ao Iraque duas vezes como seu representante especial em 2014 e 2015, após a captura das Planícies de Nínive pelo Estado Islâmico. Agora, o Papa irá pessoalmente visitar a comunidade cristã desta nação do Oriente Médio, onde a presença do cristianismo se remonta ao século I.
Falando sobre as suas expectativas desta viagem, Dom Filoni afirmou ao Register: “Esta viagem é um desejo que o Papa já havia expresso a mim quando voltei do Iraque pela primeira vez em 2014, e o repetiu ao final da minha segunda viagem pela Semana Santa de 2015. Esta viagem não é apenas sobre o Papa fazer um gesto bonito - toda a Igreja está indo com ele para essas terras. É uma visita eclesial e pastoral, em apoio aos cristãos e minorias, um incentivo para fortalecer o diálogo entre cristãos e muçulmanos. E eu pessoalmente acrescentaria que é também uma ocasião para encorajar o diálogo entre os próprios muçulmanos”.
Falando sobre o êxodo de cristãos e a necessidade de ajudá-los a permanecer em suas terras, ou retornar para aquelas de onde tiveram que fugir, o National Catholic Register perguntou ao Cardeal como isso poderia tornar-se uma realidade em um país cuja constituição é (desde 2005) baseada no Alcorão.
Dom Filoni, respondeu que “durante minhas duas últimas visitas lá, ouvi palavras fortes das autoridades locais - especialmente no norte, onde há a maior comunidade cristã - que disseram que os cristãos tinham o direito fundamental de permanecer em suas terras”.
“Portanto, não é apenas uma concessão, nem uma tolerância, mas um direito humano fundamental. Não se trata de vingança, mas de dizer: Se basearmos a convivência nos direitos humanos, então todos temos os mesmos direitos”, asseverou.
“O Oriente Médio pertence a todos por causa de sua antiga cultura e civilização. Estamos em dívida neste aspecto. Além disso, do ponto de vista cristão, aqui ocorreu a vida de Jesus, a dos profetas, da Igreja primitiva que tinha grande vitalidade por séculos. A presença cristã, mesmo em suas expressões multiformes, é importante. A lógica de fazer essas comunidades desaparecerem é como fazer a vida desaparecer e preparar um deserto, um ambiente empobrecido”, destacou o purpurado.
“Há milênios, a presença de tantas expressões religiosas, étnicas e culturais enriquece esta região”, afirmou o ex-núncio que recordou que a perseguição não é novidade para os cristãos destes lugares, e indagou: “Será que não aprendemos nada com a história e com o sofrimento de milhões de pessoas? Ainda é preciso recorrer à lógica da opressão? Por que deveriam as riquezas daquela região fazer prevalecer a inveja, o ciúme, a opressão em vez do desenvolvimento, da partilha e da convivência pacífica? (...).
A tarefa de “promover a presença cristã nessas terras é de todos”, recordou.
“Certamente, a presença cristã não é favorecida quando se impõe a todos os habitantes uma visão de vida e uma lei, ou constituições, baseadas em princípios islâmicos ou a sharia. Embora isso seja compreensível dentro das comunidades muçulmanas, não pode ser para todos os que habitam ali”, frisou.
“O denominador comum é uma lei que favoreça e respeite os direitos humanos, sem discriminação, bem como o desenvolvimento de uma visão de paz”, concluiu o Cardeal Filoni.
Traduzido e adaptado por Rafael Tavares. Entrevista completa originalmente publicada no National Catholic Register.
(acidigital)
Começa o mês de São José... em pleno Ano de São José
REDAÇÃO CENTRAL, 01 mar. 21 / 04:00 pm (ACI).- A tradição da Igreja atribuiu uma devoção especial a cada mês do ano, e março é dedicado em particular a São José, casto esposo da Virgem Maria e padroeiro da Igreja universal.
São José é conhecido como o “Santo do Silêncio” porque não se conhece uma palavra pronunciada por ele, mas sim as suas obras, sua fé e amor que influenciaram em Jesus e em seu santo matrimônio.
Uma das pessoas que mais difundiu a devoção a São José foi Santa Teresa d’Ávila, que através da intercessão do santo foi curada de uma doença que a deixou quase paralisada e que era considerada incurável.
Santa Teresa costumava repetir que “outros santos parecem ter um poder especial para resolver certos problemas. Mas Deus concedeu a São José um grande poder para ajudar em tudo”.
Até o final de sua vida, a santa carmelita destacou que “durante 40 anos, todos os anos, na festa de São José, pedi-lhe alguma graça ou favor especial, e não falhou comigo nem uma vez. Eu digo àqueles que me escutam que façam o ensaio de rezar com fé a este grande santo, e verão os grandes frutos que conseguirão”.
O Papa Francisco também dedicou várias reflexões a São José. Da mesma forma, foi o Pontífice que, por decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, decidiu fazer uma pequena modificação nas orações da Missa para incentivar a devoção a este santo.
Especificamente, com esta modificação, São José é mencionado nas Orações Eucarísticas II, III e IV da terceira edição típica do Missal Romano, colocando-se após o nome da Virgem Maria.
Em dezembro de 2017, na homilia da Missa que presidiu na Casa Santa Marta, o Papa disse sobre São José que “deste homem que assumiu a paternidade e o mistério afirma-se que era a sombra do Pai, a sombra de Deus Pai. E Jesus homem aprendeu da vida, do testemunho de José, a chamar ‘papá’, ‘pai’, ao seu Pai que conhecia como Deus: o homem que preserva, que faz crescer, o homem que leva em frente qualquer paternidade e qualquer mistério, mas nada conserva para si. Nada”.
Além disso, o Pontífice convocou um Ano de São José de 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021, para comemorar os 150 anos do decreto Quemadmodum Deus, por meio do qual o Beato Pio IX declarou São José como padroeiro da Igreja.
Para isso, o Papa Francisco escreveu a Carta Apostólica Patris corde para que “todos os fiéis, seguindo o seu exemplo (de São José), possam fortalecer diariamente a sua vida de fé em plena realização da vontade de Deus”.
“Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade”, escreveu o Papa em Patris corde.
Além disso, o Santo Padre indicou que deseja destacar o papel de São José como um pai que serviu sua família com caridade e humildade, acrescentando que “a Igreja de hoje precisa de pais”.
Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.
(acidigital)
segunda-feira, 1 de março de 2021
Ratzinger repete: "Não há dois Papas"
Entrevista do Pontífice Emérito Bento XVI ao jornal italiano Corriere della Sera: a renúncia foi uma "escolha difícil", mas feita "em plena consciência e acredito que fiz muito bem"
Vatican News
A renúncia ao pontificado, feita oito anos atrás, foi uma "escolha difícil", mas feita "em plena consciência", da qual ele não se arrependeu de forma alguma. Mais uma vez o Papa emérito Bento XVI, embora em voz baixa, repete o que já disse várias vezes para desmentir os "amigos um tanto fanáticos" que continuam a ver "teorias conspiratórias" por trás da decisão de deixar a Cátedra de Pedro, retirando-se por razões de velhice. Isto foi reiterado por Joseph Ratzinger em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera.
"Foi uma decisão difícil", explicou o Papa emérito, "mas tomei-a em plena consciência, e acredito que fiz muito bem". Alguns de meus amigos um tanto "fanáticos" ainda estão irritados, eles não quiseram aceitar minha escolha. Acreditam nas teorias de conspiração: alguns disseram que foi por causa do escândalo Vatileaks, outros por causa de um complô da lobby gay, outros ainda por causa do caso do teólogo conservador Lefebvrian Richard Williamson. Eles não querem acreditar em uma escolha feita conscientemente. Mas minha consciência está limpa".
Bento XVI também falou sobre a iminente viagem do Papa ao Iraque: "Creio que seja uma viagem muito importante". "Infelizmente estamos em um momento muito difícil que torna a viagem perigosa: por razões de segurança e por causa da Covid. E também pela situação instável do Iraque. Acompanharei Francisco com minha oração".
(vaticannews)






