O papa Leão XIV disse hoje (11) que a principal ameaça que tanto a religião como a ciência enfrentam atualmente é a negação da verdade objetiva. O papa falava a membros da Fundação Observatório do Vaticano, ligada ao Observatório Vaticano em Castel Gandolfo, Itália.

“Hoje, porém, a ciência e a religião enfrentam uma ameaça diferente e talvez mais insidiosa: a daqueles que negam a própria existência da verdade objetiva”, disse o papa.

Em seu discurso, ele disse que seu antecessor, o papa Leão XIII, restabeleceu o Observatório Vaticano em 1891, num contexto em que a ciência começava a surgir como uma fonte de verdade rival à religião. Diante dessa situação, a Igreja sentiu a “necessidade urgente de combater a crescente percepção de que fé e ciência eram inimigas”.

Exploração de recursos naturais

Leão XIV disse que o desafio hoje é diferente: "Muitos se recusam a reconhecer que tanto a ciência como a Igreja têm a responsabilidade de cuidar do planeta "e de garantir o bem-estar daqueles que nele habitam, especialmente os mais vulneráveis, cuja vida é colocada em risco pela exploração imprudente tanto das pessoas quanto do mundo natural".

O papa disse que "a adesão da Igreja a uma ciência rigorosa e honesta continua sendo não só valiosa, mas também essencial".

Leão XIV falou também sobre o papel singular da astronomia nesse horizonte. "Ela ocupa um lugar especial nessa missão", disse o papa, falando sobre a capacidade dela de inspirar admiração e um senso de proporção na humanidade.

"Ela desperta em nós tanto reverência quanto um senso saudável de proporção", disse o papa.

"Contemplar o céu nos convida a ver os nossos medos e as nossas falhas à luz da imensidão de Deus”, disse também o papa.

Mas ele lamentou que “esse dom esteja ameaçado hoje” pela poluição luminosa.

“Parafraseando o papa Bento XVI, enchemos nossos céus com luz artificial que nos cega para as luzes que Deus colocou neles, uma imagem eloquente — disse ele — do nosso próprio pecado”, disse Leão XIV, citando uma homilia de 2012 do papa alemão.

Agradecimento pelo trabalho científico

O papa agradeceu o trabalho daqueles que apoiam as atividades do Observatório Vaticano. Particularmente, os cientistas e benfeitores associados à Fundação.

“Sua generosidade torna possível que o Observatório Vaticano compartilhe as maravilhas da astronomia com estudantes de todo o mundo e ofereça oficinas e cursos de verão para aqueles que trabalham em escolas e paróquias católicas”, disse ele. “Em última análise, é sua dedicação que mantém os telescópios e laboratórios do Observatório fiéis ao seu propósito original: ser lugares onde a glória da criação de Deus é contemplada com reverência, profundidade e alegria”.

Por fim, Leão XIV exortou a todos a não perderem de vista o fundamento último dessa obra. "Nunca devemos perder de vista a visão teológica que anima tudo isso", disse ele.

“Não é de se surpreender, portanto, que pessoas de fé profunda se sintam impulsionadas a explorar as origens e o funcionamento do universo”, disse o papa. “O forte desejo de compreender a criação mais profundamente nada mais é do que o reflexo daquele desejo inquieto de Deus que habita no íntimo de cada alma humana”.