segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Igrejas na Jordânia: “convivência entre cristãos e muçulmanos não está em perigo”
Giovanni Zavatta - Vatican News
“Se o objetivo dessa ação é nos expulsar da Terra Santa e nos obrigar a fugir, o único resultado que vai alcançar será o de fortalecer nosso vínculo com ela e aprofundar ainda mais nossas raízes neste lugar. Tal ato atroz e sangrento não irá abalar a nossa unidade nacional, nem nossa determinação inabalável. Pelo contrário, reforça ainda mais os laços entre cristãos e muçulmanos, unindo-nos em torno de nosso líder hachemita». É firme e inequívoca a declaração com a qual o Patriarca Greco-ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III, condenou sem reservas o atentado terrorista perpetrado na sexta-feira, 23 de outubro, na Jordânia, na Igreja Greco-ortodoxa de São Jorge, na aldeia de Hmoud, província de Al-Karak.
Medidas de segurança foram reforçadas enquanto se procura os agressores
Pelo menos três homens armados invadiram o local durante uma cerimônia fúnebre, abrindo fogo indiscriminadamente contra os fiéis indefesos, matando 8 pessoas e ferindo outras 40. As autoridades jordanianas afirmaram que ainda estão atrás dos agressores, acrescentando que é prematuro determinar se há ligações com grupos conhecidos, dentro ou fora do país. Até o momento, não houve nenhuma reivindicação do ato criminoso. “Esse é o resultado de uma ideologia terrorista e de um extremismo cego; não permitiremos que a sociedade siga esse caminho”, escreveu o primeiro-ministro, Jafar Hassan, em uma postagem no X, enquanto o rei da Jordânia, Abdullah II, dirigiu-se ao local do massacre, declarando que os responsáveis serão punidos “com mão de ferro”. Enquanto isso, as medidas de segurança foram reforçadas em shoppings, embaixadas estrangeiras e outros locais sensíveis em todo o reino hachemita.
A firmeza do Patriarca Greco-ortodoxo Teófilo III
Teófilo III, que na Jordânia é representado por dois vigários patriarcais em Amã e em Irbid, destacou em sua declaração que, “por mais graves que sejam os acontecimentos que estão ocorrendo ao nosso redor e por mais difíceis que sejam as provações que somos chamados a enfrentar, nunca abandonaremos nossa terra. Somos filhos desta terra, nós mesmos somos suas origens e fazemos parte de sua história, de seu presente e de seu futuro. Permaneceremos aqui, testemunhando nossa fé, independentemente da magnitude dos desafios e da gravidade das provações”. O Patriarca Greco-ortodoxo manifestou ainda a convicção de que a sociedade jordaniana “permanecerá imune a qualquer ideologia obscura e extremista” e que esse ato criminoso “é completamente alheio ao islamismo moderado, tal como é promovido e praticado no país de maneira discreta e sensata”.
Solidariedade dos líderes das Igrejas de Jerusalém
Os patriarcas e líderes das Igrejas de Jerusalém expressaram dor e consternação. Em um comunicado divulgado neste sábado (24/10), eles se referem a um “ataque terrorista brutal e desumano” contra civis indefesos, que “constitui uma grave ofensa a Deus e à humanidade”. Atacar pessoas em oração, dentro da casa de Deus, enquanto choram seus entes queridos, viola todos os valores sagrados e humanos”, prosseguem, destacando que “trata-se de uma agressão a toda a comunidade cristã do Reino Hachemita da Jordânia e ao tecido social jordaniano, um modelo exemplar de convivência onde muçulmanos e cristãos vivem unidos, em espírito de fraternidade, há gerações”.
Ao luto dirigido às famílias das vítimas e à solidariedade fraterna manifestada a Teófilo III, soma-se, no entanto, “o consolo” pelas palavras inequívocas de Abdullah II e pela firme rejeição a tal ato por parte do povo jordaniano: “ações desse tipo não podem, nem jamais conseguirão, abalar a unidade do povo da Jordânia”, concluem os representantes das Igrejas de Jerusalém, convidando todas as paróquias da região a tocar os sinos ao meio-dia (hora da Jordânia), em sinal de solidariedade e oração pelos fiéis falecidos e pelos feridos.
O Patriarcado Latino sobre a importância do papel desempenhado pelo rei Abdullah II
Na sexta-feira (23/10), de forma isolada, o Patriarcado Latino de Jerusalém se pronunciou, expressando condenação e pesar, e destacou o papel desempenhado pela família hachemita, liderada pelo rei Abdullah II, “na consolidação dos valores de moderação e tolerância, na defesa da dignidade humana e na salvaguarda da liberdade de praticar os ritos religiosos”. A coesão nacional do povo jordaniano representa “uma proteção fundamental contra o terrorismo, o extremismo e qualquer tentativa de semear divisão ou discórdia”. Os jordanianos, tanto muçulmanos quanto cristãos, formam uma única família nacional — diz a declaração — unida por uma história compartilhada e um destino comum, ligada por laços de afeto, pertencimento e lealdade à sua terra e à sua liderança”.
Condolências também de Bartolomeu e do CMI
De Roma, onde se encontra em visita, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu ligou para Teófilo III para expressar o mais profundo pesar, condenando sem reservas o atentado. “Todo ato terrorista é, na verdade, dirigido contra a convivência pacífica entre povos, religiões e culturas, que reveste uma importância vital, sobretudo para o Oriente Médio, que há muito tempo sofre”, diz uma nota. O secretário-geral do Conselho Ecumênico das Igrejas, o reverendo Jerry Pillay, também destacou que “os fortes laços de amizade e respeito mútuo entre cristãos e muçulmanos na Jordânia não serão abalados por esse ato de violência”, pedindo a proteção de todos os locais de culto para que todos possam se reunir em oração com paz e segurança.
Apelos do Papa pelos povos do Iêmen e Jordânia: todos têm direito de viver em paz
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV, ao final da oração mariana do Angelus deste domingo (25/10) a cerca de 20 mil pessoas na Praça São Pedro, voltou a exortar "o diálogo e a paz" entre os povos. Os apelos do Pontífice começaram pelo Iêmen, para que "cessem as hostilidades", favorecendo "o direito de viver em paz" sobretudo na cidade de Taiz - a terceira maior do país -, que sofre com o agravamento rápido da emergência humanitária. Segundo as Nações Unidas, o centro urbano local está isolado há 20 dias com os combates entre rebeldes e forças do governo que tomaram as principais rotas de abastecimento, o que dificulta o deslocamento de civis e a entrada de alimentos e combustível. O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que mais de 800 mil pessoas em Taiz continuam sem acesso a ajuda humanitária. Pela grave situação, veio o apelo do Papa:
"Queridos irmãos e irmãs, acompanho com preocupação a grave situação humanitária no Iêmen, especialmente na cidade de Taiz, onde a população sofre com a falta de alimentos, água e cuidados médicos. Dirijo um apelo sincero para que cessem as hostilidades e seja garantido ao povo iemenita e a todos os povos da região o direito de viver na paz."
A oração pelas vítimas na Jordânia
Ainda no Oriente Médio, o Papa direciona o pensamento às vítimas do atentado durante um funeral na Jordânia. Após o ataque armado de 23 de outubro, que causou 8 mortos e 40 feridos, os representantes das comunidades cristãs afirmaram à Greco-ortodoxa que o ocorrido não fará senão fortalecer o vínculo com a Terra Santa e o diálogo inter-religioso. Leão XIV demonstrou proximidade e preocupação:
"Asseguro minhas orações por todos aqueles que foram mortos e feridos na última sexta-feira, no ataque terrorista contra os fiéis da Igreja Ortodoxa de São Jorge, em Hammoud, na Jordânia. Estou próximo àquela comunidade e a todo o país, que se destaca pela convivência pacífica e pelo respeito entre as diferentes religiões."
Encontro pela paz e de união espiritual em Assis
Enfim, o Papa Leão XIV citou o encontro "Paz desarmada e desarmante" que começa neste domingo (25/10), em Assis, para reforçar o apelo apartir da Itália:
“Continuemos juntos a rezar pela paz. Depois de amanhã, 27 de outubro, vamos nos unir espiritualmente aos Chefes das Igrejas e aos líderes religiosos que irão se reunir em Assis por ocasião do aniversário de 40 anos do encontro convocado por São João Paulo II. Nunca como hoje ficou tão evidente que as guerras, além de semear morte e destruição, empobrecem e prejudicam o mundo. Que o Senhor inspire escolhas de diálogo e de paz!”
O Pontífice deve enviar uma mensagem manifestando "proximidade aos organizadores, aos líderes e representantes das confissões cristãs e das religiões, assim como aos convidados que estarão presentes, na convicção de que o Espírito de Assis, o diálogo e a busca de palavras e gestos de paz são recursos preciosos em uma época de conflitos”. Isso porque, ainda segundo um comunicado da Santa Sé divulgado na última sexta-feira (23/10), o Papa "não poderá estar presente em Assis no dia 27 de outubro, como estava previsto”, para "favorecer a recuperação após a cirurgia torácica" realizada em 13 de outubro, no Hospital Gemelli, de Roma, para a remoção de um adenocarcinoma pulmonar.
A natureza da doença foi confirmada em boletim médico de 21 de outubro, que apresentou os resultados definitivos dos exames histológicos e das análises de biologia molecular: com base em uma avaliação oncológica posterior, “não é necessária nenhuma terapia adicional” para o Papa. Nessa última semana, após alta do hospital em 17 de outubro, Leão XIV manteve os compromissos previstos na agenda, enquanto prossegue o período de recuperação no Vaticano.
O Papa: numa sociedade como a nossa, a dimensão da caridade é fundamental
Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira (26/10), na Sala do Consistório, no Vaticano, as participantes do Capítulo Geral eletivo das Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret, religiosa francesa, fundadora da Congregação das Irmãs da Caridade.
O Capítulo Geral de uma família religiosa é sempre um contexto privilegiado para a ação do Espírito Santo em favor do Povo de Deus. Nos dias de graça que vocês vivenciaram, em atitude de docilidade às suas inspirações, vocês exerceram o discernimento comunitário, que é em si mesmo uma experiência edificante.
Leão XIV prosseguiu o seu discurso, ressaltando que "Santa Joana Antida Thouret compreendeu muito bem a importância dessa 'doação conjunta' na Igreja, demonstrando, ao longo de sua vida, grande amor e respeito pelo Sucessor de Pedro, mesmo ao custo de enfrentar dolorosos mal-entendidos e sacrifícios pelo bem e pela unidade das pessoas que lhe foram confiadas".
A seguir, recordou o tema escolhido pelas Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret para os trabalhos do capítulo, "Raízes em Cristo, missão no mundo", afirmando que "ele descreve com muita propriedade a essência de sua consagração e do seu apostolado".
Ter raízes em Cristo significa, de fato, seguindo o exemplo de Santa Joana Antida, colocar somente Ele no centro de nossa existência e de nossos pensamentos, acostumando-nos a sentir e celebrar Sua presença a cada instante, confiantes de que, unidos a Ele, estaremos cada vez mais próximos uns dos outros e mais capazes de ajudar os outros de acordo com seus desígnios.
O Papa recordou um aspecto importante do legado carismático que santa Fundadora deixou para as suas religiosas: "Prestar atenção ao bem integral, espiritual e temporal dos outros".
Recordo isso porque, numa sociedade como a nossa, que tende a fragmentar o ser humano, dividindo as pessoas não apenas entre si, mas também — e de forma mais grave — dentro de si mesmas, essa dimensão da caridade é fundamental para a recuperação, a promoção e o autêntico respeito pela dignidade de cada um, especialmente dos mais pobres e necessitados. Valorizem-na, cultivem-na e difundam-na.
Leão XIV disse ainda que "neste ano bicentenário do nascimento para o Céu da Santa Madre Thouret, é reconfortante notar o quanto o Senhor abençoou e acompanhou a sua caminhada ao longo do tempo". "Isso é testemunhado na riqueza e diversidade de sua expansão apostólica, agora presente em trinta e dois países, onde vocês mantêm vivo o 'carisma da Caridade' graças ao trabalho de religiosas, leigos, jovens, voluntários e colaboradores de todas as idades e origens", sublinhou.
O Papa concluiu, incentivando as religiosas a continuarem "seu trabalho generosamente", pois "ele é precioso aos olhos de Deus e da Igreja. Obrigado por tudo o que vocês fazem".
Dez salmos que podem animar em tempos difíceis
Por Redação central
26 de out de 2026 às 04:00
Na sociedade de hoje, é cada vez mais comum sentir-se sobrecarregado pelos problemas e, por isso, temeroso e desanimado. Permanecer com esse sentimento de angústia por muito tempo pode fazer com que a preocupação tome conta de nós e nos deixe adormecidos e impotentes, a ponto de fazer com que nossa vida de oração decline. Embora possa ser difícil, é nestes momentos que devemos rezar mais e os salmos podem nos ajudar nesta tarefa, diz Marge Fenelon, jornalista católica e autora de vários livros sobre a devoção mariana e a vida familiar.
Em artigo publicado no jornal National Catholic Register, Fenelon disse que são Francisco de Sales encorajou os católicos a confiar em Deus, como resposta ao medo e à preocupação humanos.
“Não se preocupe com o que pode acontecer amanhã; o mesmo Pai eterno que cuida de você hoje, se encarrega de você amanhã e todos os dias. Ou Ele protegerá você do sofrimento, ou lhe dará a força infalível para suportá-lo. Esteja em paz, pois, e afaste todos os pensamentos de angústia”, disse o santo.
Como as palavras dos santos, que geralmente se baseiam em mensagens bíblicas, "os salmos são um tesouro espiritual e literário de poesia, louvor a Deus, conselho, conforto e, às vezes, arrependimento", disse Fenelon. Hoje, continuam sendo proclamados na missa e também são úteis para os fiéis que recorrem a eles em sua oração.
"O salmista clama a Deus com sinceridade, e podemos nos ver refletidos em suas expressões muito humanas de petição e amor", disse. Quando a preocupação torna nossa oração difícil, "rezar por meio dos salmos pode nos ajudar a sair de nós mesmos e alcançar Deus". Sempre que lutamos para encontrar nossas próprias palavras, os salmos "têm as palavras certas", disse Fenelon.
A escritora recomendou que, embora se possa rezar através da leitura de todos os salmos em um único momento de oração, você também pode rezar apenas um ou dois salmos por dia.
“Você os achará especialmente úteis quando se sentir angustiado. Rezo para que sejam uma fonte de ânimo para vocês, enquanto meditam no Pai amoroso que os protegerá do sofrimento ou dará a força inesgotável para suportá-lo”, concluiu.
A seguir, 10 salmos que podem ajudar a aliviar as preocupações destes tempos:
1. Não temerá notícias funestas, porque seu coração está firme e confiante no Senhor (Salmo 111, 7).
2. Confia ao Senhor a tua sorte, espera nele, e ele agirá (Salmo 36, 5).
3. Fazei-me sentir, logo, vossa bondade, porque ponho em vós a minha confiança. Mostrai-me o caminho que devo seguir, porque é para vós que se eleva a minha alma (Salmo 142, 8).
4. Meus inimigos continuamente me espezinham, são numerosos os que me fazem guerra. Ó Altíssimo, quando o terror me assalta, é em vós que eu ponho a minha confiança (Salmo 55, 3-4).
5. Ele não permitirá que teus pés resvalem; não dormirá aquele que te guarda (Salmo 120, 3).
6. Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, eternamente firme (Salmo 124, 1).
7. O Senhor se aproxima dos que o invocam, daqueles que o invocam com sinceridade (Salmo 144, 18).
8. São muitos os sofrimentos do ímpio. Mas quem espera no Senhor, sua misericórdia o envolve (Salmo 31, 10).
9. Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o que eu espero. Só ele é meu rochedo e minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei (Salmo 61, 6-7).
10. O Senhor torna-se refúgio para o oprimido, uma defesa oportuna para os tempos de perigo (Salmo 9, 10).
(acidigital)
domingo, 25 de outubro de 2026
Angelus 25 de outubro de 2026 - Papa Leão XIV
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo 25 de outubro de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
No Evangelho de hoje (cf. Mt 22, 34-40), o Senhor nos conduz, mais uma vez, ao centro da nossa fé. Querendo pôr Jesus à prova, um doutor da Lei pergunta-lhe: «Qual é o maior mandamento da Lei?» (v. 36). O Mestre responde citando uma passagem do Deuteronómio: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente» (v. 37; cf. Dt 6, 5). Cristo coloca a dimensão do amor como o ponto fundamental da relação com Deus. Realmente, não basta saber que Deus existe, que é único ou que é o Todo-Poderoso; o Senhor espera de nós uma relação pessoal: o único Deus verdadeiro quer tornar-se o nosso Deus.
No encontro com Ele, o mandamento do amor não é uma obrigação nem uma imposição. Na verdade, não se pode amar “por ordem de alguém”. O amor a Deus é uma exigência que faz parte do desejo do homem, que encontra a sua plena realização na comunhão com Ele. Por isso, o nosso amor só pode ser autêntico quando é uma resposta ao seu amor, que sempre nos precede. Daí a necessidade de uma totalidade que envolva integralmente a pessoa: coração, alma e mente.
Ao primeiro mandamento, o Senhor acrescenta um segundo: «Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22, 39). Esta regra de vida surge de uma mesma fonte e, por isso, Jesus diz ser semelhante à primeira. A partir da relação íntima com Deus, tornamo-nos capazes de olhar para nós próprios e para o próximo com o mesmo olhar de Cristo, segundo a sua perspectiva. Desta forma, o egoísmo é superado e até o amor a si mesmo se transforma em caridade: a nossa existência volta-se para o outro e torna-se um dom para quem está ao nosso lado.
Santa Teresa do Menino Jesus compreendeu-o bem: «Só o amor – escrevia ela – impele os membros da Igreja à ação; se esse amor se extinguisse, a Igreja já não anunciaria o Evangelho» (cf. Obras completas, Manuscrito B, 3v°, Roma 1997, 223). Com efeito, sem o amor, a nossa fé ficaria desprovida do seu conteúdo, as nossas boas obras reduzir-se-iam a moralismo e a nossa esperança seria vã.
Caríssimos, não podemos amar a Deus de verdade sem que esse amor transborde em amor pelos nossos irmãos e irmãs. E não podemos amar verdadeiramente o nosso próximo senão como filhos do mesmo Pai, que em seu Filho Jesus nos amou primeiro.
Peçamos ao Senhor a graça de um coração novo, capaz de acolher e viver o grande mandamento. Que interceda por nós a Virgem Maria, em cujo coração imaculado nada mais há senão amor.
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Depois do Angelus:
Queridos irmãos e irmãs,
Acompanho com preocupação a grave situação humanitária no Iémen, em particular na cidade de Taiz, onde a população sofre com a falta de alimentos, água e cuidados médicos. Faço um apelo veemente para que cessem as hostilidades e seja garantido aos iemenitas e a todos os povos da região o direito de viver em paz.
Asseguro as minhas orações por todos os mortos e feridos do atentado terrorista contra os fiéis da igreja ortodoxa de São Jorge, em Hammoud, na Jordânia, na sexta-feira passada. Estou próximo dessa comunidade e do país inteiro, que se distingue pela convivência pacífica e pelo respeito entre as diferentes religiões.
Continuemos juntos a rezar pela paz. Depois de amanhã, 27 de outubro, unamo-nos espiritualmente aos Hierarcas das Igrejas e aos Líderes religiosos que se reunirão em Assis, por ocasião do 40º aniversário do Encontro convocado por São João Paulo II. Hoje, mais do que nunca, torna-se evidente que as guerras, além de semearem morte e destruição, empobrecem e prejudicam o mundo. Que o Senhor inspire escolhas de diálogo e de paz!
Saúdo todos vós, queridos fiéis de Roma e peregrinos provenientes de vários países!
Dou as boas-vindas aos membros do Centro Académico Romano Fundación, da Espanha; ao grupo do St. Ciaran’s College, de Ballygawley, na Irlanda; e ao grupo das Escolas “São João Paulo II”, da Diocese de Opole, na Polónia.
É com alegria que acolho os responsáveis pelo Cerimonial de alguns ministérios e organismos governamentais italianos.
Saúdo os membros da Associação “Solidariedade em Boas Mãos”, de Castiglion Fiorentino; e o grupo de coetâneos de Concorezzo, que vieram em peregrinação por ocasião dos 70 anos do grupo.
Desejo a todos um bom domingo.
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Cardeal Parolin: Santa Sé condena o antissemitismo em todas as suas formas
Prezado Rabino Marans,
Distintos membros do Comitê Judaico Americano,
tenho o prazer de lhes dar as boas-vindas ao Palácio Apostólico, no Vaticano. A sua visita enriquece uma amizade construída sobre os alicerces de esforços pacientes e confiança mútua. Agradeço ao senhor, Rabino Marans, por seu empenho no diálogo com a Santa Sé e com as comunidades católicas nos Estados Unidos. É também graças à sua determinação que hoje este encontro pode ocorrer.
Nossa relação remonta a mais de um século. Já em 30 de dezembro de 1915, Louis Marschall, presidente do Comitê Judaico Americano, enviou uma carta ao Papa Bento XV, pedindo-lhe que usasse sua autoridade moral para pôr fim à violenta perseguição sofrida pelos judeus na Europa.
Respondendo em nome de Sua Santidade, em 9 de fevereiro de 1916, o meu predecessor, o cardeal Pietro Gasparri, secretário de Estado, afirmou:
“O Sumo Pontífice […] considera todos os homens como irmãos e os ensina a amar-se uns aos outros; ele não deixará de inculcar a observância, tanto entre os indivíduos quanto entre as nações, dos princípios do direito natural e de reprovar toda violação dos mesmos. Esse direito deveria ser observado e respeitado pelos filhos de Israel, assim como deveria sê-lo por todos os homens, pois não seria conforme à justiça e à própria religião derrogar-se a ele apenas por motivo de uma diferença de fé religiosa”.
Sessenta e um anos após a promulgação da Declaração do Concílio Vaticano II Nostra Aetate, considerada, com razão, um marco no diálogo entre judeus e cristãos, a visita de vocês hoje ao Vaticano é uma demonstração tangível de que o que a Igreja proclamou naquela época pode, de fato, ser colocado em prática:
“Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos."
O diálogo fraterno previsto pela Declaração reflete-se na qualidade dos canais de comunicação estabelecidos entre a Santa Sé e o Comitê Judaico Americano, que não se limitam apenas à troca de cartas, mas consistem sobretudo nas muitas relações pessoais que se desenvolveram ao longo dos anos. Gostaria de mencionar, em particular, a relação fraterna entre o cardeal Augustin Bea e Abraham Joshua Heschel, da qual surgiram valiosas contribuições teológicas, inspiradas no Concílio Vaticano II. É belo constatar que a teologia pode emergir do florescimento das relações humanas.
No espírito dessa amizade, portanto, permitam-me reiterar mais uma vez, sem ambiguidades, a firme rejeição da Santa Sé ao antissemitismo em todas as suas formas. Os judeus devem poder viver, prestar culto e educar os próprios filhos sem medo. A memória do Holocausto impõe a todos nós a responsabilidade duradoura de combater o preconceito, a distorção dos fatos e a indiferença.
A própria Declaração Nostra aetate contém a definição que a Igreja Católica dá do antissemitismo:
“Além disso, a Igreja, que reprova quaisquer perseguições contra quaisquer homens, lembrada do seu comum patrimônio com os judeus, e levada não por razões políticas mas pela religiosa caridade evangélica, deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de antissemitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus."
Esse compromisso também encontra uma expressão diplomática precisa. O artigo 2º do Acordo Fundamental entre a Santa Sé e o Estado de Israel compromete as duas partes nos seguintes termos:
“§1. A Santa Sé e o Estado de Israel comprometem-se a prestar a colaboração necessária na luta contra todas as formas de antissemitismo e todos os tipos de racismo e intolerância religiosa, bem como na promoção da compreensão mútua entre as nações, da tolerância entre as comunidades e do respeito pela vida e pela dignidade humana.
§ 2. A Santa Sé aproveita a ocasião para reiterar a condenação do ódio, da perseguição e de qualquer outra manifestação de antissemitismo, em qualquer lugar, em qualquer momento e por parte de quem quer que seja, dirigida contra o povo judeu e os judeus individualmente. Em particular, a Santa Sé lamenta os ataques a judeus e a profanação de sinagogas e cemitérios judaicos, atos que ofendem a memória das vítimas do Holocausto, especialmente quando ocorrem nos mesmos locais que foram testemunhas desses eventos”.
Essa é a definição de antissemitismo que a Santa Sé adotou e que considera adequada para promover as relações com as comunidades judaicas em todo o mundo, pois faz a devida distinção entre três níveis de reflexão e diálogo: o político, o religioso e o étnico. A identidade judaica, a fé religiosa e as políticas de um governo são questões interligadas, mas a Santa Sé considera que não são intercambiáveis e que não devem ser confundidas. O debate diplomático e uma crítica fundamentada às políticas de governo constituem a base da política internacional e devem continuar a ser possíveis sem serem confundidos com hostilidade em relação a um grupo específico ou, precisamente, a uma fé religiosa.
Nesse sentido, será importante continuar a promover o diálogo religioso por meio da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, que já obteve resultados importantes ao favorecer uma compreensão teológica, bíblica, cultural e social mais profunda, mantendo, ao mesmo tempo, uma distinção clara entre esse diálogo e a relação entre Estados que a Santa Sé pretende manter com o Estado de Israel e com outros Estados.
Um caminho de esperança, a Nota publicada recentemente por três Dicastérios da Santa Sé nos convida a dar continuidade ao legado da Nostra Aetate. Ela oferece um forte apelo que promete dar muitos frutos: nossas comunidades são chamadas a ajudar as gerações mais jovens a reconhecer o preconceito, a compreender as tradições uns dos outros e a defender a dignidade de seus vizinhos.
Queridos amigos, obrigado por manterem vivo esse diálogo, mesmo quando isso exige grande empenho de nossa parte. Que nosso trabalho aprofunde a confiança e ofereça ajuda concreta àqueles que sofrem. Que Deus Todo-Poderoso abençoe nossas comunidades e conceda a paz ao povo judeu e a toda a família humana.
Obrigado.
(vaticannews)