segunda-feira, 14 de março de 2016

Somos como a mulher adúltera

 Somos como a mulher adúltera diante de Deus, Ele nos salva e quer nossa conversão

Por Alvaro de Juana


VATICANO, 13 Mar. 16 / 12:00 pm (ACI).- O Papa Francisco comentou o Evangelho deste domingo, durante a Oração do Ângelus na manhã de hoje, relatou o episódio da mulher adúltera, evidenciando o tema da misericórdia de Deus que nunca quer a morte do pecador, mas que se converta e viva" .

"Ele é a graça que salva do pecado e da morte", sublinhou. "Deus não nos prega ao nosso pecado, não nos identifica com o mal que cometemos. Ele quer nos libertar e quer que também nós queiramos junto com Ele. Quer que a nossa liberdade se converta do mal para o bem, e isso é possível com a sua graça", disse o Pontífice na Praça de São Pedro.

Francisco explicou que "Na verdade, eles não foram ao Mestre para pedir-lhe o seu parecer, mas para fazer-lhe uma armadilha. De fato, se Jesus seguir a severidade da lei, aprovando a lapidação da mulher, perderá a sua fama de mansidão e bondade que tanto fascina o povo; se ao invés for misericordioso, irá contra a lei que Ele mesmo disse não querer abolir, mas cumprir.”

Jesus não responde, se cala e realiza um gesto misterioso: ‘Inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo’. Desta maneira, "convida todos à calma, a não agir de impulso e procurar a justiça de Deus".

Mas aqueles, maus,  "insistem e esperam dele uma resposta", recordou o Papa. Então, Jesus levanta o olhar e diz: ‘Quem de vocês não tiver pecado, atire-lhe a primeira pedra’.”
“Esta resposta abala os acusadores, desarma todos no verdadeiro sentido da palavra: Todos depuseram as armas, ou seja, as pedras prontas para serem lançadas, tanto aquelas visíveis contra a mulher, quanto as pedras escondidas contra Jesus".

“Quanto bem nos fará ser conscientes de que também nós somos pecadores! Quando falamos mal dos outros e todas essas coisas que nós conhecemos! Quanto bem nos fará ter a coragem de fazer cair no chão as pedras que lançamos contra os outros e pensar um pouco em nossos pecados”, acrescentou.

Finalmente, "permaneceram ali a mulher e Jesus: a miséria e a misericórdia, uma diante da outra. Quantas vezes isso nos acontece, quando nos detemos diante do confessionário"
O olhar de Jesus " é cheio de misericórdia, cheio de amor para fazer aquela pessoa sentir, talvez pela primeira vez, que tem uma dignidade, que ela não é o seu pecado, ela tem uma dignidade de pessoa, que pode mudar de vida, pode sair daquelas escravidões e caminhar em uma estrada nova".

Em seguida, o Papa Francisco disse: “aquela mulher representa todos nós que somos pecadores, ou seja, adúlteros diante de Deus, traidores de sua fidelidade" e "a sua experiência representa a vontade de Deus para cada um de nós: não a nossa condenação, mas a nossa salvação através de Jesus".


(acidigital)

domingo, 13 de março de 2016

HOJE É O DIA DO SENHOR



V  DOMINGO DA QUARESMA


A Primeira Pedra
 
A Liturgia de hoje nos lembra 
que a Quaresma não é um tempo para atirar pedras, 
mas para construir a fraternidade.
O problema do mal e do pecado não se resolve 
com o castigo e a intolerância, mas pelo amor e a misericórdia.
 
Na 1ª Leitura, Isaías anuncia a libertação do exílio e o retorno a Israel 
como um novo Êxodo para a Terra Prometida. (Is 43,16-21)
 
* Esse "caminho" é imagem de outra libertação, 
que Deus nos convida a fazer na Quaresma e 
que também nos levará à Terra Prometida, onde corre a vida nova.
- Quais são as escravidões  que impedem, hoje, a liberdade e a vida?
- O que ainda nos mantém alienados, presos e escravos?
 
Na 2ª Leitura, Paulo afirma que a única coisa que lhe interessa
é conhecer Jesus Cristo. Tudo o resto é Lixo. (Fl 3,8-14)
 
* Qual é o lixo que me impede de nascer com Cristo para a vida nova?
 
No Evangelho temos uma comovente cena da vida de Jesus,
diante de uma Mulher PECADORA. (Jo 8,1-11)
 
No domingo passado, com a Parábola do Filho Pródigo,
Jesus nos mostrou o amor misericordioso de Deus.
Hoje, Ele dá o exemplo, passando das palavras aos fatos...
 
- Jesus ensinava no templo. 
- Os escribas fiscalizavam o Mestre, buscando pretextos para acusá-lo.  
 Trouxeram uma mulher surpreendida em pecado de adultério e 
 segundo a lei de Moisés tais pessoas deviam ser apedrejadas. 
 Aproveitaram a situação, para deixar o Cristo numa situação embaraçosa:
"Mestre, que vamos fazer dessa mulher,
perdoá-la ou apedrejá-la, como manda a nossa lei?"
 
- Para os escribas e fariseus, era uma oportunidade 
 para testar a fidelidade de Jesus às exigências da Lei.
- Para Jesus, foi uma oportunidade para revelar 
 a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.
 
- Jesus não aceita uma lei que em nome de Deus gera a morte,
 por isso não respondeu e ficou rabiscando no chão. 
 Diante da insistência dos acusadores, ele se levantou e os desafiou:
"Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra..." 
 
- E, inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Não sabemos o que.
 Segundo uma tradição, Jesus escrevia os pecados de cada um deles...
 E então aqueles "cumpridores" da lei, envergonhados, 
 foram saindo um a um, começando pelos mais velhos... 
 Só ficaram no pátio do templo a mulher, os discípulos e ele, Jesus... 
 
- Então Jesus perguntou: "Mulher, ninguém te condenou?
 Nem eu te condeno...  Vai e não peques mais..."
 
* A mulher não tinha manifestado nenhum sinal de arrependimento. 
  Assim mesmo, Jesus a convida a seguir um caminho novo de liberdade e paz. 
  Jesus não aprova o pecado, mas não condena a pecadora.
  Mostra que o importante é a conversão das pessoas, não sua condenação.
  E ainda hoje, no Sacramento da Reconciliação, Deus continua nos dizendo:  
  "Teus pecados estão perdoados. Vai em paz e não peques mais..."
 
No episódio, Jesus nos oferece:
 
+ Uma imagem de Deus,
  Um Deus que é mais misericórdia, do que justiça.
  Não quer a morte do pecador, mas a sua plena libertação.
  A força de Deus não está no castigo, mas no Amor.
 
+ Um "NÃO" à Hipocrisia fiscalizadora dos escribas, de ontem e de hoje...
  Ainda hoje a intransigência fala mais forte do que o amor.   
  Mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus.
  Todos somos pecadores e não temos o direito de condenar,
  de nos tornar fiscais dos outros...
 
- Quando os acusadores ouviram as palavras de Jesus,
  largaram as pedras e foram embora.
  Nós, pelo contrário, ouvimos a Palavra do Evangelho,
 mas não soltamos as pedras, nem recolhemos a nossa língua.  
 
+ Um Apelo:
  Não devemos discriminar e condenar a gente caída à beira do caminho.
  Eles não precisam de juizes... mas de salvadores...
 
* Qual é a nossa atitude, diante dessas pessoas?
 
   - A de Cristo? Ele teve "compaixão e compreensão..." 
     Ele não aprovou o pecado... mas não condenou a pessoa.... 
"Eu também não te condeno... Vai e não peques mais...”
    - Ou a dos escribas? (com Pedras nas mãos... ou melhor na língua...)
 
* Em Nossas comunidades, há ainda hoje pessoas,
  que continuam atirando pedras?
 
- Quais seriam as pedras, que ainda hoje continuamos atirando,
    machucando... e às vezes até destruindo o bom nome delas?
 
- E o que Cristo poderia estar rabiscando hoje, de nós, no chão?

 Poderíamos enfrentar o desafio de Cristo:
  "Quem não tiver pecado pode atirar a primeira pedra?"

 
  Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 13.03.2016

sexta-feira, 11 de março de 2016

Papa de regresso ao Vaticano após retiro de Quaresma

    


Concluidos exercícios espirituais de Quaresma do Papa e da Cúria Romana



Francisco desafiou colaboradores a redescobrir capacidade de sonhar


Cidade do Vaticano, 11 mar 2016 (Ecclesia) - O Papa e os seus colaboradores da Cúria Romana regressaram hoje ao Vaticano após a conclusão do retiro de Quaresma que se tinha iniciado este domingo na Casa ‘Divino Mestre’, dos Paulistas, em Ariccia, arredores de Roma.

Francisco disse no final destes dias de oração e reflexão que é preciso voltar a descobrir"«a coragem de sonhar", a coragem testemunhada pelos santos como Francisco Xavier, que acalentou durante toda a sua vida o "sonho" de chegar à China.

O Papa, refere o jornal 'L'Osservatore Romano', proferiu palavras de gratidão ao pregador, agradecendo-lhe sobretudo pela sua "paixão".

A meditação conclusiva dos exercícios espirituais, orientados pelo padre Ermes Ronchi propôs uma reflexão sobre Anunciação, “evento que se realiza no quotidiano, sem testemunhas, longe das luzes e emoções do templo”.

“O primeiro anúncio de graça do Evangelho foi entregue à normalidade de uma casa”, ou seja, “ao lugar onde cada um é si mesmo”, referiu o sacerdote, citado pela Rádio Vaticano.

O pregador evocou a figura de Maria para sublinhar que “a fé é alegria ou não é fé”.
“Maria entra em cena como uma profecia de felicidade para a nossa vida, como uma bênção de esperança, consoladora”, precisou.

O Papa Francisco saudou o padre Ermes Ronchi com um abraço, no final desta semana de retiro, durante a qual não houve compromissos públicos.

Depois, antes de deixar o instituto, saudou o pessoal da casa e os superiores dos Paulistas.


OC
Agência Ecclesia 11 de Março de 2016, às 14:13 

Pregação de Quaresma- Sexualidade incompreendida



Devemos recuperar «o projeto originário de Deus» sobre a relação entre homem e mulher. «Uma das maiores ofensas que fazemos a Deus», com efeito, é a de tornar tudo o que se refere ao amor e à sexualidade «um âmbito saturado de malícia» onde «Deus não deve entrar», quase como se fosse «demais».

Segundo esta visão, é como se fosse «Satanás e não Deus» o criador dos sexos e «o especialista do amor». 

Na quarta pregação de Quaresma, pronunciada na sexta-feira 11 de março na capela Redemptoris Mater, o padre Raniero Cantalamessa, analisando a constituição pastoral Gaudium et spes, centrou a reflexão sobre matrimónio, sexualidade e família. 
Analisando os textos bíblicos da criação, o religioso, antes de tudo frisou que as duas narrações que encontramos no Génesis contribuem para dar uma visão total do projeto divino porque uma evidencia «a finalidade procriativa» e a outra o «fator unitivo» entre homem e mulher.

 A respeito da «distinção dos sexos», o capuchinho citou uma fascinante explicação literária de Paul Claudel: «O homem é um ser orgulhoso e não havia outro modo de lhe fazer compreender o próximo senão fazê-lo vir da sua carne». Isto é, comentou o pregador, «abrir-se ao outro sexo é o primeiro passo para se abrir ao outro que é o próximo, até ao Outro que é Deus».

 Portanto, o matrimónio «nasce no sinal da humildade; é reconhecimento de dependência e por conseguinte da própria condição de criatura», e «apaixonar-se por uma mulher ou por um homem é fazer o mais radical ato de humildade». Por isso se a essência da religião, como pensava Schleiermacher, consiste no sentimento de dependência diante de Deus, podemos concluir que «a sexualidade humana é a primeira escola de religião».


2016-03-11 L’Osservatore Romano
(News.va)

Ainda o retiro do Papa e da Cúria Romana


Exercícios espirituais: compaixão é ver, parar e tocar

10 de março: na manhã do quinto dia dos Exercícios Espirituais para o Papa e a Curia Romana o padre Ermes Ronchi propôs uma meditação partindo da pergunta do texto de S. João: “Mulher porque choras? Que procuras?” (Jo 20, 15)

Perante as lágrimas dos outros devemos ver como “o samaritano viu e teve compaixão. Viu as feridas daquele homem e sentiu-se ferir” – afirmou o padre Ronchi que sublinhou que a compaixão não é um pensamento abstrato mas algo de concreto que induz a não fingir que não se vê. 

Por seu lado, a atitude de parar revela como a verdadeira diferença entre cristãos, muçulmanos e judeus não é entre quem acredita ou quem diz não acreditar – referiu o padre Ronchi – mas sim entre quem pára ou quem não pára diante das feridas.

Tocar é a terceira atitude da compaixão – disse o padre Ermes Ronchi – pois “todas as vezes que Jesus se comove, toca”. Toca o filho da viúva de Naim e “viola a lei, faz aquilo que não se pode: pega num menino morto, levanta-o e entrega-o à sua mãe”. A misericórdia não é um documento mas um toque, uma carícia.


(RS)
(Radio Vaticana)

quinta-feira, 10 de março de 2016

“A Igreja seja transparente sobre bens”



Meditação de Quaresma: Igreja seja transparente sobre bens


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana entraram no quarto dia de reflexões propostas pelo Padre Ermes Ronchi durante os exercícios espirituais de Quaresma, em Ariccia.
“Aquilo que mais fere o povo cristão – observou Padre Ronchi – é o apego do clero ao dinheiro”, enquanto “o que faz o povo cristão feliz é o pão compartilhado”.
Neste contexto, a transparência dos bens da Igreja, a luta contra à fome e contra o desperdício de alimentos foram os principais temas que conduziram a sexta meditação na manhã desta quarta-feira (09/03).

“Existem pessoas tão famintas que para elas Deus não pode não ter outra forma a não ser a de um pão”. Estas foram as palavras iniciais da meditação de Padre Ronchi. A vida tem início com a fome, disse, “estar vivo é ter fome”. E se a visão se amplia, vê-se uma fome das massas, “o assédio dos pobres”, milhões de punhos cerrados que pedem algo para comer, não pedem “uma definição religiosa”. 
- E a Igreja, como responde?

Não às cortinas de fumaça

As palavras do Evangelho com as quais Padre Ronchi intercala as suas são aquelas da multiplicação dos pães e dos peixes e da pergunta de Jesus aos discípulos: “Quantos pães vocês têm? Vejam!”. Jesus, observa Padre Ronchi, “é muito prático”, pede “para fazer as contas”.
“Isso é pedido a todos os discípulos também hoje, e a mim: quanto tens? Quanto dinheiro, quantas casas? Que padrão de vida? Vejam, verifiquem. Quantos carros ou quantas joias em forma de cruz e de anéis? A Igreja não deve temer a transparência, não deve ter nenhum medo da clareza sobre os seus pães e peixes, seus bens. Cinco pães e dois peixes”.

Compartilhar é multiplicar

“Com a transparência se é verdadeiro. E quando se é verdadeiro se é também livre”, afirma o pregador dos exercícios. Como Jesus, que “não se fez comprar por ninguém”, e “jamais entrou nos palácios dos potentes, somente quando prisioneiro”.
 
Quando não se tem, nota Padre Ronchi, procura-se reter, como aquelas Ordens religiosas que tentam administrar os bens como se isso pudesse produzir aquela segurança corroída pela crise das vocações. Ao invés, a lógica de Jesus é aquela do dom. “Amar” no Evangelho se traduz em um verbo seco: “dar”. O milagre da multiplicação diz isto, que Jesus 
“não se preocupa com a quantidade” do pão, aquilo que quer é que o pão seja compartilhado: 
“De acordo com uma misteriosa regra divina: quando o meu pão passa a ser o nosso pão, também o pouco passa a ser suficiente. E, ao contrário, a fome começa quando restrinjo o meu pão a mim, quando o Ocidente saciado restringe seu pão, seus peixes, os seus bens para si (...) Alimentar a terra, toda a terra, é possível, há pão em abundância. Não é preciso multiplicá-lo, basta distribuí-lo, começando por nós. Não são necessárias multiplicações prodigiosas, mas derrotar a Gula do egoísmo, do desperdício de alimento e do acúmulo de poucos”.

“A fome dos outros tem direitos sobre mim”

“Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste...”. Nesta promessa de Jesus está contida, reitera Padre Ronchi, “a misteriosa, imensa economia do dom e do cêntuplo, que é o diferencial de todas as balanças. Isto “me conforta – disse – porque mostra que a verdade última segue a lógica do dom, não aquela da observância”. E a “pergunta última será: doaste pouco ou doaste muito à vida”. “Disto depende a vida, não dos bens”, conclui Padre Ronchi. E são suficientes cinco pães doados para mudar o mundo: 
“O milagre são os cinco pães e os dois peixes que a Igreja nascente coloca nas mãos de Cristo confiando-se, sem calcular e sem reter qualquer coisa para si e para o próprio jantar. É pouco mas é tudo aquilo que tem, é pouco mas é o jantar completo dos discípulos, é uma gota no mar, mas é aquela gota que pode dar sentido e pode dar esperança à vida”. (rb)  
(from Vatican Radio) 



quarta-feira, 9 de março de 2016

“Quem diz o povo que eu sou?”



Exercícios espirituais da Cúria romana em Ariccia – IV Encontro


«Quem diz o povo que eu sou?». Num tempo em que não existiam ainda os meios de comunicação Jesus quis lançar esta espécie de «pesquisa de opinião» entre os seus apóstolos. E sobre esta pergunta crucial baseou-se a quarta meditação pronunciada pelo padre Ermes Ronchi na manhã de terça-feira, 8 de março, durante os exercícios espirituais quaresmais pregados ao Papa e à Cúria Romana. 

Na capela da Casa do Divino Mestre de Ariccia o religioso dos servos de Maria relançou a pergunta de Jesus, recordando que a opinião das pessoas sobre ele era incompleta embora fosse boa. 
Consideravam-no um profeta, como Elias ou João Batista, mas esta resposta tem um limite: Jesus não é um homem do passado, um profeta de outrora. Eis então a pergunta direta aos seus discípulos: «Mas vós, quem dizeis que eu sou?».

 O padre Ronchi observou que no interior desta questão existe um adversativo, aquele «mas» quase em oposição ao que as pessoas pensam e dizem. Parece até que o Mestre queira solicitar os apóstolos a refletir e convida-os a não se contentarem, porque a fé não progride somente por ouvir dizer. Jesus solicita os apóstolos a rever a sua relação com ele. Não quer definições abstratas, mas o envolvimento pessoal. 

A pergunta «Quem sou eu para ti?» é o coração pulsante da fé, explicou o religioso. Jesus formula a pergunta em sinal de amizade: não dá lições, não impõe respostas, mas convida a procurar dentro. Então e só então se pode responder como fez o pregador: «Encontrar-te foi a melhor coisa da minha vida!». 



2016-03-08 L’Osservatore Romano
(News.va)

terça-feira, 8 de março de 2016

Deter-nos à escuta de um Deus de perguntas


Exercícios espirituais: Deus é alegria, não deixamos que morra nas igrejas

Ariccia (RV) – Segundo dia de exercícios espirituais para o Papa e a Cúria Romana. O retiro quaresmal teve início na tarde de domingo (06/03), na Casa do Divino Mestre de Ariccia. Este ano, as meditações são guiadas pelo sacerdote Ermes Ronchi, da Ordem dos Servos de Maria.


Cerca de sessenta membros da Cúria Romana, entre responsáveis de dicastérios, bispos e cardeais, estão refletindo sobre as “Perguntas abertas do Evangelho”, eixo central das meditações. A primeira pergunta foi extraída do Evangelho de João “Jesus voltou-se para trás e, vendo que eles o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?”  (Jo, 1, 38) 

"A proposta para esses dias juntos – disse o padre servita - é deter-nos à escuta de um Deus de perguntas: não mais interrogar o Senhor, mas deixar-se interrogar por Ele. E ao invés de correr logo em busca da resposta, parar para viver bem as perguntas, as abertas perguntas do Evangelho. Amar as perguntas, estas já são revelação". "As perguntas são (...) o outro nome da conversão", afirmou. 

Mais questionamentos, menos afirmações

"Jesus – disse padre Ronchi – educa à fé mais por meio de questionamentos do que de afirmações". Os quatro evangelhos – prosseguiu – trazem mais de 220 perguntas do Senhor: “A pergunta é a comunicação não violenta, que não emudece o outro, mas propõe o diálogo, o envolve e, ao mesmo tempo, o deixa livre. O próprio Jesus é uma interrogação. A sua vida e a sua morte nos interpelam sobre o sentido último das coisas, nos interrogam sobre aquilo que faz feliz a vida. E a resposta ainda é Ele”.

Padre Ronchi prosseguiu recordando que Jesus não nos pede renúncias ou sacrifícios, mas pede em primeiro lugar para entrar em nosso coração, para compreender aquilo que mais desejo, aquilo que me faz feliz. Buscar a felicidade é buscar Deus e “a paixão por Deus nasce da descoberta da beleza de Cristo. Deus me atrai não porque é onipotente, não me seduz porque é eterno ou perfeito”, mas “me seduz com a face e a história de Cristo, o homem da vida bela e beata, amor e livre como ninguém. Ele é a boa nova que diz: é possível viver melhor, para todos. E o Evangelho possui a chave para isso”. 

O nome de Deus é alegria

A fé é buscar “um Deus sensível ao coração, que faz feliz o coração, cujo nome é alegria, liberdade e plenitude. Deus é belo. Cabe a nós anunciar um Deus belo, desejável e interessante”. Talvez – acrescentou - “tenhamos empobrecido a face de Deus, às vezes o reduzimos em miséria, relegado a revistar no passado e no pecado do homem. Talvez um Deus que se venera e se adora, mas não aquele envolvido e envolvente, que ri e brinca com os seus filhos”. 

Deus pode morrer de tédio em nossas igrejas

“Todo homem – concluiu Padre Ermes Ronchi – busca um Deus envolvente. Deus pode morrer de tédio nas nossas igrejas. É preciso restituir sua face solar, um Deus a ser saboreado, desejável. Será como beber nas fontes da luz, na beira do infinito. O que buscam? Por quem vocês caminham? Busco um Deus desejável, caminho por alguém que faz feliz o coração”. 

Y
(BF)
(News.va)
2016-03-07 Rádio Vaticana




domingo, 6 de março de 2016

HOJE É O DIA DO SENHOR



IV DOMINGO DA QUARESMA

 Sede misericordiosos

A Liturgia é um convite à RECONCILIAÇÃO.
 
As leituras mostram os caminhos da Reconciliação:
O Amor de Deus Pai se manifesta dando uma pátria ao povo de Israel, 
uma casa paterna ao filho que volta e uma personalidade nova em Cristo. 
Como resposta, o homem celebra o dom de Deus, reconhece seu pecado 
e volta arrependido aos braços do Pai e reconhece que a iniciativa 
da reconciliação vem de Deus por meio de Cristo reconciliador.
 
Na 1ª Leitura Deus se reconcilia com o seu Povo. (Jos 5,9a.10-12)
 
Israel celebra pela 1ª vez a Páscoa na Terra Prometida. 
Antes, os nascidos no deserto, ainda não circuncidados, devem passar 
pela circuncisão, como sinal da Aliança e de pertença ao Povo eleito.
Assim TODOS poderiam celebrar a Páscoa, como início de uma vida nova.
 
* A Quaresma é tempo de retificar os caminhos e nos reconciliar com Deus. 
O Povo de Israel caminhou pelo deserto, buscou a liberdade e, 
no final, chegou à terra prometida. Nela celebrou a Páscoa.
E nós, novo povo de Deus, que páscoa, que terra, que libertação procuramos?
 
A 2ª Leitura é um Hino que enaltece a Misericórdia de Deus,
que nos deu a vida em Cristo e recomenda: 
"DEIXAI-VOS RECONCILIAR com Deus". (2Cor 5,17-21)
* Ser cristão é aceitar essa Reconciliação com Deus, em Cristo.
A comunhão com Deus exige a reconciliação com os outros irmãos. 
 
No Evangelho, o PAI se reconciliou com o filho e
convidou os filhos se reconciliarem entre eles. (Lc 15,1-3.11-32)
 
Um grupo de fariseus e escribas criticava Jesus,
pela atenção especial que dava aos marginalizados, 
muitas vezes tidos como "pecadores pela sociedade de então.
- Jesus responde com três parábolas (Ovelha, Moeda e Filho Pródigo),
que revelam a grande bondade e MISERICÓRDIA de Deus, 
que sai à procura do perdido
 
A Parábola do PAI MISERICORDIOSO (ou do Filho Pródigo) 
narra 2 cenas: o Filho mais novo e o Filho mais velho, 
unidas pela ação do PAI, que é o centro do relato:
 
+ O Filho mais novo, numa atitude de orgulho e de desprezo... 
  afastou-se do Pai, da família e da comunidade... 
  renunciou à sua posição de filho e foi "para longe"...
- Sonhou sua felicidade com uma vida de independência e de liberdade,
 e voltou espoliado, esfarrapado, faminto e sem dignidade...
- "Longe" da casa do Pai, não encontrou a felicidade desejada. 
 A fome fez ter saudades da casa do Pai e 
 a lembrança da bondade do Pai o animou a voltar...
+ O Filho mais velho é um "bom filho", sóbrio, obediente e trabalhador... 
   mas não é um bom irmão. Não aceita a volta do irmão, 
   nem mesmo o amor do Pai, que o acolheu...
 
+ O Pai é o personagem central:
  Sai ao encontro dos DOIS FILHOS:
 
  - CORRE "movido de compaixão" ao encontro do Filho mais novo... 
    abraça-o... beija-o... Manda buscar roupa, calçado, o anel, 
    para que o filho seja restituído em sua dignidade de filho.
    E faz uma FESTA para celebrar na alegria a sua volta...
 
  - VAI também ao encontro do Filho mais velho... 
    Suplica-lhe que entre... convida-o para a festa... para a alegria... 
 
* Podemos abandonar a nossa dignidade de filhos. 
  Deus não abandona a sua missão de Pai.
  Deus sai à procura dos perdidos e festeja porque são resgatados...
  A ação do Pai reflete a atitude de Jesus e deve ser também a nossa.
 
- Quem é esse jovem, que num desejo de liberdade e felicidade,
 vai longe do pai, da família, da comunidade e de Deus...
 e quando sente o vazio em que se encontra, 
 começa a sentir saudades da casa do pai?
 
- Quem é esse irmão mais velho, "bom praticante", mas mau irmão,
 que não se alegra com o retorno do irmão arrependido,
 e até tenta impedir a volta de quem se desgarrou na vida?
 Quantos filhos pródigos (Jovens) continuam ainda hoje pródigos,
 perdidos, longe da casa do Pai... 
 porque não há quem acredite neles e vá ao seu encontro,
 ajudando-os a descobrirem os valores da vida e da fé...
 
 * Talvez sejamos um pouco dos dois:
    Todos temos um pouco do pecado do mais novo e 
    da intransigência do mais velho. 
 
+ O Evangelho de hoje nos convida a imitar o gesto do Pai:
  - que respeita a liberdade e as decisões dos seus filhos...
  - que continua a amar e a esperar o regresso dos filhos rebeldes.     
 - que está sempre preparado para abraçar os filhos que retornam.. 
  - que os acolhe com amor e os reintegra na sua família. 
  - que festeja com alegria a sua volta...
 
Acolhendo os apelos de conversão da Quaresma e da Palavra de Deus,
a nossa celebração será sempre um verdadeiro banquete
para celebrar na alegria a volta ao Pai e à comunidade 
dos filhos pródigos que estavam perdidos, mas que voltaram à vida 
pela Bondade de Deus e pela Acolhida dos irmãos.
 

    Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 06.03.2016

( buscandonovasaguas)

sábado, 5 de março de 2016

24 horas para o Senhor


Homilia do Papa na celebração penitencial 
Basílica Vaticana

Sexta-feira, 4 de março de 2016

Boletim da Santa Sé

«Que eu veja de novo» (Mc 10, 51): este é o pedido que queremos fazer hoje ao Senhor. Ver de novo, depois de os nossos pecados nos terem feito perder de vista o bem e desviar da beleza da nossa vocação, levando-nos a vagar longe da meta.

Este trecho do Evangelho possui um grande valor simbólico e existencial, porque cada um de nós se encontra na situação de Bartimeu. A sua cegueira levara-o à pobreza e a viver na periferia da cidade, dependendo em tudo dos outros. Também o pecado tem este efeito: empobrece-nos e isola-nos. É uma cegueira do espírito que impede de ver o essencial, fixar o olhar no amor que dá a vida; e, aos poucos, leva a deter-se no que é superficial até deixar insensíveis aos outros e ao bem. Quantas tentações têm a força de anuviar a vista do coração e torná-lo míope! Como é fácil e errado crer que a vida dependa do que se possui, do sucesso ou do aplauso que se recebe; que a economia seja feita apenas de lucro e consumo; que as pretensões próprias devam prevalecer sobre a responsabilidade social! Olhando apenas para o nosso eu, tornamo-nos cegos, amortecidos e fechados em nós mesmos, sem alegria nem verdadeira liberdade.

Mas Jesus passa; passa, mas detém o passo: «parou», diz o Evangelho (v. 49). Então um frémito atravessa o coração, porque nos damos conta de ser contemplados pela Luz, por aquela Luz gentil que nos convida a não ficar fechados nas nossas cegueiras tenebrosas. A presença de Jesus perto de nós faz sentir que, longe d’Ele, falta-nos qualquer coisa importante: faz-nos sentir necessitados de salvação; e isto é o princípio da cura do coração. Depois, quando o desejo de ser curado ganha audácia, leva a rezar, a gritar, com força e insistência, por ajuda, como faz Bartimeu: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!» (v. 47).

Infelizmente, há sempre alguém (o Evangelho fala de «muitos») que não quer parar, não quer ser incomodado por quem grita a sua aflição, preferindo mandar calar e repreender o pobre que chateia (cf. v. 48). É a tentação de prosseguir como se nada tivesse acontecido; mas, assim, afastamo-nos do Senhor e deixamos afastados de Jesus também os outros. Reconheçamos todos que somos mendigos do amor de Deus, e não deixemos escapar o Senhor que passa. «Timeo transeuntem Dominum – temo que o Senhor passe» (Santo Agostinho). Demos voz ao nosso desejo mais verdadeiro: «[Jesus], que eu veja de novo!» (v. 51). Este Jubileu da Misericórdia é tempo favorável para acolher a presença de Deus, experimentar o seu amor e voltar a Ele de todo o coração. Como Bartimeu, joguemos fora a capa e ponhamo-nos de pé (cf. v 50), ou seja, joguemos fora aquilo que nos impede de caminhar rapidamente para Ele, sem medo de deixar aquilo que nos dá segurança e a que estamos presos; não fiquemos sentados, ergamo-nos, recuperemos a nossa estatura espiritual, a dignidade de filhos amados que estão diante do Senhor para que Ele nos fixe nos olhos, nos perdoe e recrie. A palavra que, talvez, hoje chega ao nosso coração é a mesma da criação do homem: levante-te, Deus te criou em pé. Levanta-te!

Hoje mais do que nunca, sobretudo nós, pastores, somos chamados também a escutar o grito, talvez abafado, de quantos desejam encontrar o Senhor. Somos obrigados a rever comportamentos que, às vezes, não ajudam os outros a aproximar-se de Jesus; horários e programas que não atendem às reais necessidades daqueles que poderiam aproximar-se do confessionário; regras humanas, quando valem mais do que o desejo de perdão; nossa rigidez que poderia manter longe da ternura de Deus. Certamente não devemos diminuir as exigências do Evangelho, mas não podemos correr o risco de frustrar o desejo que tem o pecador de reconciliar-se com o Pai, porque o regresso do filho a casa é o que acima de tudo anseia o Pai (cf. Lc 15, 20-32).

Que as nossas palavras sejam as dos discípulos que, repetindo as próprias expressões de Jesus, dizem a Bartimeu: «Coragem, levanta-te que Ele chama-te» (v. 49). Somos enviados para dar coragem, amparar e levar a Jesus. O nosso ministério é o ministério do acompanhamento, de modo que o encontro com o Senhor seja pessoal, íntimo, e o coração possa, com sinceridade e sem medo, abrir-se ao Salvador. Não esqueçamos jamais: o único que age em cada pessoa é Deus. No Evangelho, é Ele que pára e pergunta pelo cego; é Ele que ordena que Lho tragam; é Ele que o escuta e cura. Fomos escolhidos para suscitar o desejo da conversão, ser instrumentos que facilitam o encontro, estender a mão e absolver, tornando visível e operante a sua misericórdia. Que cada homem e mulher que se aproxime do confessionário encontre um pai, encontre um pai que lhe espera, que encontre o Pai que perdoa.

A conclusão do episódio evangélico é densa de significado: Bartimeu «logo recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho» (v. 52). Também nós, quando nos abeiramos de Jesus, vemos de novo a luz para olhar o futuro com confiança, encontramos a força e a coragem para nos pormos a caminho. Com efeito, «quem acredita, vê» (Enc. Lumen fidei, 1) e avança com esperança, porque sabe que o Senhor está presente, ampara e guia. Sigamo-Lo, como discípulos fiéis, para tornar participantes da alegria do seu amor misericordioso a quantos encontrarmos no nosso caminho. E depois do perdão do Pai, façamos festa no nosso coração, porque Ele faz festa.

(papa.cancaonova)


sexta-feira, 4 de março de 2016

Nascer da Lua



O australiano Mark Gee capturou o nascimento de uma enorme lua cheia na Nova Zelândia
e apresenta una belíssima imagem dela, pairando sobre o mirante de Mount Victoria, 
em Wellington.

Logo que a veja, vai entender porque, em poucos dias, o vídeo atingiu as 110 mil visualizações
As pessoas reuniram-se ali em cima, esta noite, para ter a melhor visão possível do
 nascimento da lua.
 Capturei o vídeo a 2.1 kilómetros de distância, no outro lado da cidade", explicou Gee na
 descrição do seu trabalho. Segundo o seu autor, o material está exactamente como foi filmado,
 sem nenhum tipo de manipulação.
São 3 minutos e meio para desfrutar essa beleza incrível, no hemisfério sul.”
 
http://player.vimeo.com/video/58385453?autoplay=1

 
(Enviado, via e-mail, por Heriberto Brasil)

JOÃO BAPTISTA

Diminuir, diminuir, diminuir


João Baptista «o maior dos profetas», ensina-nos uma regra fundamental da vida cristã: tornar-nos pequenos com humildade para que seja o Senhor a cresecer. Este é o «estilo de Deus», diferente do «estilo dos homens», que o Papa recordou durante a missa celebrada na sexta-feira 5 de Fevereiro, na capela da Casa de Santa Marta.

Marcos, no trecho evangélico hodierno (6, 14-29), escreve «que as pessoas falavam de Jesus porque “o seu nome se tinha tornado famoso”». Resumindo «todos falavam» e perguntavam-se quem ele fosse realmente. E um dizia: «É um dos profetas que voltou». E outro: «É João Baptista que ressuscitou». O facto é que diante de Jesus «as pessoas permaneciam curiosas». Enquanto o rei Herodes, escreve Marcos, estava «temoroso e angustiado» porque «era perseguido pelo fantasma de João» que ele tinha mandado assassinar.


Além disso, observou Francisco, há «outros personagens presentes neste trecho do Evangelho: uma mulher má, que odiava e procurava vingança; uma jovem que nada entendia e interessava-se só da sua vaidade». A ponto que «parecia um romance»: é a história de Herodíades e de sua filha. 
Precisamente «nesta moldura – explicou o Papa – o evangelista narra o final de João Baptista, “o maior homem nascido de mulher” como dizia a fórmula de canonização». E «esta fórmula não foi pronunciada pelo Papa mas por Jesus!». Deveras João «é o maior homem nascido de mulher, o maior santo: assim Jesus canonizou-o».

Mas João «acaba na prisão, degolado». E «a última frase» da passagem evangélica de hoje parece ter inclusive uma nota de «resignação»: «Os discípulos de João, ao saberem do facto, vieram, pegaram no cadáver e sepultaram-no». Acaba assim «o maior homem nascido de mulher: um grande profeta, o último dos profetas, o único ao qual foi concedido ver a esperança de Israel». Sim, «o grande João que chamou à conversão: todo o povo o seguia e lhe perguntava “o que devemos fazer?”». Seguiam-no, acrescentou o Pontífice «também os soldados, para se fazer baptizar, pedir perdão, a tal ponto que os doutores da lei foram ter com ele e perguntaram: “és tu aquele que esperamos?”». A resposta de João é clara: «Não, não sou eu. Virá outro depois de mim: é ele. Sou só a voz que clama no deserto». 

A tal propósito, explicou o Papa «santo Agostinho faz-nos pensar bem quando afirma: «Sim, João diz de si mesmo que é a voz, porque depois dele vem a palavra». E «Cristo é a palavra de Deus, o verbo de Deus». Deveras «é grande, João» reafirmou Francisco. Grande quando diz que não é aquele esperado: precisamente «aquela frase é o seu destino, o seu programa de vida: “Ele, aquele que virá depois de mim, deve crescer; eu, pelo contrário, devo diminuir”». Assim «foi a vida de João: diminuir, diminuir, diminuir e acabar desta maneira tão prosaica, no anonimato». Eis que João foi «um grande que não procurou a própria glória, mas a de Deus». 

E não termina aqui. O Pontífice quis frisar o facto de que João «sofreu na prisão também – digamos a palavra – a tortura interior da dúvida». A ponto de se perguntar: «Mas será que errei? Este messias não é como imaginava que deveria ser o messias!». E «convidou os seus discípulos a perguntar a Jesus: “Diz a verdade: és tu que deves vir?”».

Evidentemente «aquela dúvida fazia-o sofrer» e perguntava-se: «Errei ao anunciar alguém que não é?» Enganei o povo?». Foi grande «o sofrimento, a solidão interior deste homem». E voltam com toda a força, as suas palavras: « Ao contrário, devo diminuir, mas diminuir assim: na alma, no corpo, tudo». À dúvida de João, «Jesus responde: “Olha para o que acontece». E confiando, não diz: “Sou eu”. Diz: “Ide e dizei a João o que vistes”. Ele dá também sinais, e deixa-o sozinho com a dúvida e a interpretação dos sinais».

Eis, afirmou Francisco, «este é o grande profeta». Mas sempre em relação a João «há um último aspecto sobre o qual reflectir: com esta atitude de «diminuir» para que Cristo possa «crescer», preparou o caminho a Jesus. E Jesus morreu na angústia, sozinho, sem os discípulos». Portanto, a «grande glória» de João foi ser «profeta não só de palavras mas com a sua carne: com a sua vida preparou o caminho a Jesus. É um grande!». 

Na conclusão, o Papa sugeriu – «far-nos-á bem» – «ler hoje este trecho do Evangelho de Marcos, capítulo seis». Sim, insistiu, «ler aquele trecho» para «ver como Deus vence: o estilo de Deus não é o mesmo do homem». E precisamente à luz da passagem evangélica, «pedir ao Senhor a graça da humildade que tinha João sem nos revestirmos de méritos ou glórias de outros».
 E «sobretudo a graça de que na nossa vida sempre haja um lugar para que Jesus cresça e nós diminuamos, até ao fim».

(L'osservatoreromano)

quinta-feira, 3 de março de 2016

Se o coração está fechado, a misericórdia não entra”



Papa Francisco na Missa em Santa Marta 

Cidade do Vaticano (RV) – Somente se o nosso coração está aberto, é possível acolher a misericórdia de Deus. Esta é a exortação que o Papa Francisco fez na manhã de quinta-feira (03/03), na Missa celebrada na Casa Santa Marta.

Na homilia, Francisco comentou a fidelidade de Deus e a fidelidade do seu povo. Na Primeira Leitura extraída do Livro de Jeremias, o Papa destacou que “Deus é sempre fiel, porque não pode renegar a si mesmo, enquanto o povo não presta atenção à sua Palavra. Jeremias narra de “tantas coisas que Deus fez para chamar à atenção os corações do povo”, mas o povo permanece na sua infidelidade.

Se o coração está fechado, a misericórdia de Deus não entra

“Esta infidelidade do povo de Deus – advertiu – e também a nossa própria infidelidade, endurece o coração: fecha o coração!”:
“Não deixa entrar a voz do Senhor que, como pai amoroso, sempre nos pede para abrir-nos à sua misericórdia e ao seu amor. Rezamos no Salmo, todos juntos: ‘Escutem hoje a voz do Senhor. Não endureçam o seu coração!’. O Senhor sempre nos fala assim, inclusive com ternura de pai nos diz: ‘Voltem a mim com todo o coração, porque sou misericordioso e piedoso. Mas quando o coração é duro, não se entende isso. A misericordia de Deus só é compreensível se você é capaz de abrir o seu coração para que possa entrar”.

“O coração se endurece – retomou o Papa – e vemos a mesma história” no trecho do Evangelho de Lucas, onde Jesus é enfrentado por aqueles que tinham estudado as Escrituras, “os doutores da lei que conheciam a teologia, mas eram tão, tão fechados”. 

A multidão, ao invés, “estava impressionada”, “tinha fé em Jesus! Tinha o coração aberto: imperfeito, pecador, mas o coração aberto”. 

Pedir perdão

“Este teólogos”, acrescentou o Papa, “tinham um comportamento fechado! Sempre buscavam uma explicação para não entender a mensagem de Jesus”, pediam-lhe um sinal do céu. Sempre fechados! Era Jesus que tinha de justificar aquilo que fazia”: 
“Esta é a história, a história daquela fidelidade falida. 

A história dos corações fechados, dos corações que não deixam a misericórdia de Deus entrar, que se esqueceram da palavra ‘perdão’, perdoa-me Senhor, simplesmente porque não se sentem pecadores: se sentem juízes dos outros. Uma longa história de séculos. Esta fidelidade falida Jesus a explica com duas palavras chaves, para por fim, para terminar o discurso desses hipócritas: Quem não está comigo, está contra mim. Ou você é fiel, com o seu coração aberto, ao Deus que é fiel a você ou você está contra Ele: ‘Quem não está comigo, está contra mim’.”

Fidelidade a Deus

“Mas é possível um meio termo, uma negociação”, se pergunta o Papa. “Sim”, é a sua resposta. “Existe uma saída: se reconheça pecador! Se você diz: sou pecador, o coração se abre e entra a misericórdia de Deus e você começa a ser fiel: 
“Peçamos ao Senhor a graça da fidelidade. O primeiro passo para caminhar nesta estrada da fidelidade é sentir-se pecador. Se você não se sente pecador, você começou mal. Peçamos a graça para que o nosso coração não se endureça, que seja aberto à misericórdia de Deus e à graça da fidelidade. Peçamos, nós, infiéis a graça de pedir perdão.” (BF/MJ)

(br.Radiovaticana)

quarta-feira, 2 de março de 2016

DIOCESE DE ANGRA



Vigário Geral da Diocese diz que agora cabe à igreja fazer o trabalho “de manutenção da graça”
Fev 28, 2016 | Entrevista
 

Interlocutor diocesano junto do Santuário de Fátima faz balanço positivo da visita da Virgem Peregrina


Sítio Igreja Açores- Que balanço faz da visita da Imagem Peregrina?
Cónego Hélder Fonseca Mendes
 -O balanço, de um modo geral, ao terminar a visita, é bastante positivo, pela elevada e surpreendente participação de gente de todas as idades, condições sociais e níveis de afetação e pertença à Igreja bastante diferenciados. É uma exceção à regra da indiferença generalizada que se vive na Igreja e na sociedade açoriana dos nossos dias. É uma visita onde todas as boas vontades se conjugam, de dentro e de fora da Igreja. Transbordam a fé e alegria, onde o sofrimento e a confiança estão presentes. O mais denso e profundo em cada pessoa, independentemente da cronologia dos acontecimentos, vem fora nestes dias em cada encontro. As lágrimas de cada rosto são disso expressão emotiva e comovida. Sem co – moção não há conversão.

 
Sítio Igreja Açores- Em muitos lugares houve, porventura, algum desrespeito pelas orientações iniciais que apontavam para um momento de encontro e de permanência nas Igrejas jubilares o que provocou, aqui e ali, algum contratempo e incompreensão das populações onde essas orientações foram respeitadas. O que é que falhou na comunicação?
Cónego Hélder Fonseca Mendes
 -As orientações diocesanas de pastoral deste ano indicam que «a visita da imagem peregrina poderá coincidir com a igreja jubilar ou com outra, na ilha ou ouvidoria». O «discurso» global e unitário da visita nas 16 ouvidorias passa pelas 14 obras de misericórdia próprias deste ano. De um modo geral, as oito ilhas que coincidem com uma Ouvidoria respeitaram a visita da imagem à igreja jubilar própria, bem como quatro ouvidorias em São Miguel, e isso foi muito positivo. As restantes não resistiram a pressões populares, de dentro e fora, para que a imagem «corresse todas as freguesias» e entrasse em todas as igrejas. É sinal que temos de trabalhar mais pela ilha como «unidade pastoral», mesmo nas decisões mais difíceis e firmes ou menos populares e simpáticas.

 
Sítio Igreja Açores- Esta visita foi muito participada. O que espera que possa ficar?
Cónego Hélder Fonseca Mendes
- A visita, de si, é provisória e ocasional, na sua materialidade. Mas há visitas curtas que nos marcam para o resto da vida. Como aconteceu em Angra em 1948 e em 1988. A visita é passageira. A mensagem não: «as Minhas palavras não passarão». A fé desponta como confiança e relação possíveis. As pessoas vêm à igreja como a sua casa, a mesma casa de Maria. Como não podemos ir todos a Fátima, Fátima vem a todos. Dos conteúdos das celebrações de 53 dias nos Açores, multiplicadas por uma média de 16 horas diárias, para além das madrugadas em que algumas igrejas ficaram sempre abertas, podemos imaginar o que isso significa. O programa, de hora a hora, da visita é muito rico do ponto de vista dos conteúdos espirituais e de destinatários tão diferenciados. Isso ficará certamente como a memória das mediações religiosas que tivemos mais explícitas nestes dois meses em todos os recantos da nossa diocese.

 
Sítio Igreja Açores-  Alguns ouvidores disseram que foi um momento onde pessoas que estão afastadas da igreja se reaproximaram. O que deve ser feito para manter esse apego e esse compromisso?
Cónego Hélder Fonseca Mendes
- A imagem peregrina de Nª. Sª. de Fátima tem um poder de atração e de convocação extraordinário, difícil de igualar. Esta condição excecional associada ao fato da religiosidade popular não ser regular, no sentido de manifestações semanais, quanto muito anuais, leva a que esta manifestação tenha um efeito de onda. As ondas, que vão e vêm, também deixam as suas marcas. «O lixo vem ao de cima» e a restituição da beleza original torna-se possível. Depois é necessário fazer o trabalho de manutenção «da graça». Para isso, temos a oração e os sacramentos da Igreja, como a Reconciliação e a Eucaristia, que são os sacramentos que podem manter o nível espiritual que esta visita nos trouxe.

 
Sítio Igreja Açores-  O que mais destacaria desta viagem e desta peregrinação?
Cónego Hélder Fonseca Mendes
- Para além do que está dito, julgo ser uma manifestação que contraria a atitude de apatia, indiferença ou afastamento das «coisas» de Deus (piedade) que temos assistido entre nós como expressão do secularismo num mundo virtual. Por outro lado, o fato de todos participarmos do mesmo Espírito Santo que plenificou a Virgem Maria, ouvirmos o mesmo Evangelho, terminando sempre com a Eucaristia e a adoração do Santíssimo, visita acompanhada sempre pelo Bispo como sucessor dos apóstolos, garantia da comunhão com as outras Igrejas irmãs, percorrendo por terra, mar e ar, todos as nossas comunidades, é um sinal extraordinário de comunhão no mesmo Senhor, na mesma fé e no mesmo Batismo. Um sinal de unidade reforçado na Igreja nos Açores.

 
Sítio Igreja Açores- Os senhores bispos têm apresentado esta peregrinação como um momento de aproximação  da diocese ao Santuário de Fátima, numa verdadeira comunhão com o espirito de celebração do centenário das aparições. Vai a diocese de Angra fazer alguma peregrinação jubilar?
Cónego Hélder Fonseca Mendes
- O espírito desta visita, em que a imagem não foi a todas as igrejas, não «andou a correr freguesias», foi já de si o espírito da peregrinação jubilar à porta santa da misericórdia. A visita em si é o resultado de duas vontades, como Maria e Isabel. Nós fizemos como Isabel, recebemos a visita de Maria, mas também fomos ao seu encontro. Isso já é decisão de «subirmos a Jerusalém». Neste sentido, temos uma peregrinação jubilar diocesana agendada para o encerramento do ano Santo à Terra Santa, presidida pelo nosso Bispo. Temos anualmente peregrinações diocesanas organizadas ao Santuário de Fátima com os «mensageiros de Fátima», os doentes e as crianças. Certamente não faltarão ocasiões para, ao longo do ano centenário, irmos a Fátima, agradecer e retribuir esta visita, para que não se perca o Senhor Jesus da vista, da escuta e do coração na alegria do Seu encontro. 


(Igreja Açores)

terça-feira, 1 de março de 2016

Novo Livro do Papa

“El vocabulario del Papa”, nuevo libro para no perder detalle de cómo habla Francisco


"Balconear”, "primerear”, "descarte” o "misericordia” son algunas de las palabras más populares utilizadas por el Papa Francisco. 

FRANCISCO
28 de julio 2013

"Queridos jóvenes, por favor, ¡no balconeen la vida, métanse en ella. Jesús no se quedó en el balcón. Se metió. No balconeen la vida, métanse en ella como hizo Jesús.”

Con su particular estilo, ha dado un significado  nuevo a otras ya conocidas como sucede con "ternura” o "periferias”.

FRANCISCO
7 de julio 2013

"No tengáis miedo, no tengáis miedo. El Señor es el Señor de la consolación, de la ternura”.

27 de marzo 2013

"Vivir la Semana Santa siguiendo a Jesús quiere decir aprender a salir de nosotros mismos para ir al encuentro de los demás, para ir hacia las periferias de la existencia”.

Este nuevo libro presentado en Roma permite adentrarse en el lenguaje que ha puesto de moda el Papa. Se llama "El vocabulario de Francisco” y es una completa guía para no perder detalle de todo lo que dice.

ANTONIO CARRIERO
Autor

"La revolución del lenguaje de Francisco está en lo siguiente: Hace un tiempo, hablando en una Iglesia luterana en Roma, respondió a la pregunta de un niño dijo que le gustaría ser párroco. Esta es la clave. El Papa Francisco es un Papa con el estilo de un párroco y su lenguaje es tan sencillo que lo convierte en accesible para todos, pequeños y mayores y, en particular, a los ancianos”.


50 expertos y periodistas han analizado 50 palabras muy usadas por el Papa desde el inicio de su pontificado hasta hoy. Se trata de un minucioso análisis que ayuda para que las palabras del primer Papa latinoamericano no se las lleve el viento. 


2016-03-01
(romereports.com)