21 de jul de 2026 às 13:55
O Parlamento Europeu adotou, em 9 de julho, duas resoluções expressando sua preocupação com a situação dos cristãos na Nigéria e no Paquistão, denunciando ataques, sequestros, conversões forçadas e outras violações da liberdade religiosa que afetam essas comunidades.
O primeiro, sobre perseguição dos cristãos na Nigéria, em particular sobre o massacre da aldeia de Kawel (2026/2800(RSP)); o segundo, sobre o rapto, conversão forçada e casamento infantil de Maria Shahbaz e à proteção das garotas no Paquistão (2026/2801(RSP)).
Em ambos os textos, o Parlamento Europeu insta os governos da Nigéria e do Paquistão a tomarem medidas urgentes para proteger as minorias religiosas, combater a impunidade e garantir o respeito pela liberdade religiosa e pelos direitos humanos.
A primeira resolução responde ao massacre ocorrido no mês passado na aldeia de Kawel, no Estado de Plateau, Nigéria, onde um ataque armado matou dezenas de cristãos, feriu várias outras pessoas e causou graves danos materiais.
O segundo caso centra-se em Maria Shahbaz, jovem cristã de Lahore que foi raptada aos 13 anos, forçada a converter-se ao islã e obrigada a casar com o homem que a raptou.
Embora os contextos sejam diferentes, o Parlamento Europeu diz que ambos os casos demonstram a mesma realidade: a vulnerabilidade das comunidades cristãs e de outras minorias religiosas em diferentes partes do mundo quando os Estados não garantem a proteção efetiva da liberdade religiosa.
Nigéria: fim da impunidade
No caso da Nigéria, os eurodeputados condenaram o ataque perpetrado na cidade de Kawel, no estado de Plateau, e expressaram seu apoio à comunidade cristã da região numa resolução aprovada por 510 votos a favor, um contra e 86 abstenções.
O Parlamento Europeu também expressou as suas condolências às famílias das vítimas e reafirmou seu compromisso com a defesa da liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Os deputados alertaram também sobre o aumento dos raptos no país e sublinharam que as mulheres e as garotas estão entre os grupos mais vulneráveis.
O Parlamento Europeu apelou às autoridades nigerianas para que intensifiquem a luta contra grupos terroristas como o Boko Haram, garantindo simultaneamente investigações independentes que levem os responsáveis à justiça e ponham fim à impunidade.
Ele também pediu maior proteção para a população civil e solicitou ao enviado especial da União Europeia para a promoção da liberdade de religião ou crença fora da UE que preste atenção especial à situação cada vez mais precária dos cristãos e de outras comunidades religiosas perseguidas na Nigéria.
A resolução diz que a violência na região central da Nigéria não tem uma única causa, mas sim uma combinação de extremismo armado, conflitos por terra e água, tensões étnicas e religiosas, crime organizado e os efeitos das mudanças climáticas sobre os recursos naturais.
Paquistão: Menina cristã é forçada a se converter ao islã
Numa segunda resolução, o Parlamento Europeu denunciou o caso de Maria Shahbaz, menina cristã paquistanesa de 13 anos que, segundo a denúncia aprovada pela Câmara, foi sequestrada, convertida ao islã e forçada a casar-se com seu captor em março deste ano.
Os eurodeputados exigiram que a menor tivesse acesso a assistência jurídica, contato com sua família e apoio psicológico, e destacaram que a sua situação reflete um problema mais amplo que afeta as minorias religiosas no país.
O caso dela gerou grande preocupação internacional devido à decisão do Tribunal Constitucional Federal do Paquistão de validar seu casamento com o sequestrador.
A resolução destaca que, segundo dados da Organização das Nações Unidas para o ano passado, entre as mulheres e meninas afetadas por conversões forçadas ligadas a casamentos, cerca de 25% eram cristãs, enquanto as restantes 75% pertenciam à comunidade hindu.
Membros do Parlamento Europeu dizem que o caso reflete um padrão documentado de sequestros e conversões forçadas que afeta particularmente meninas de minorias cristãs e hindus. Eles também instam o Paquistão a implementar efetivamente a legislação contra o casamento infantil, fortalecer a proteção de menores e rever o uso das leis de blasfêmia, que vêm sendo denunciadas há anos por organizações de direitos humanos.
A resolução foi adotada por aclamação e faz parte de uma série de iniciativas através das quais o Parlamento Europeu busca chamar a atenção para as violações da liberdade religiosa e dos direitos humanos sofridas pelas comunidades cristãs e outras minorias vulneráveis em diferentes regiões do mundo.
(acidigital)
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