O papa Leão XIV nomeou mais um bispo chinês no âmbito de um acordo assinado no pontificado do papa Francisco com o governo comunista de Pequim. O padre Giuseppe Chang Yanfeng foi ordenado hoje (22) bispo de Chifeng, na região da Mongólia Interior, na China, segundo a Santa Sé, depois de o papa ter aprovado a sua nomeação em 15 de junho.

Segundo a Santa Sé, o papa aprovou a candidatura apresentada para esta diocese pelo governo chinês.

Chang Yanfeng ficará responsável por uma igreja local que está sob sua administração desde outubro de 2021, quando foi nomeado administrador diocesano.

O acordo entre a Santa Sé e a China cujos termos permanecem secretos foi assinado em 2018. O acordo foi renovado a cada dois anos até 2024, quando ambas as partes decidiram prorrogá-lo por mais quatro anos, até 2028.

Vaticano e China não mantêm relações diplomáticas desde 1951, depois da tomada do poder pelos comunistas chefiados por Mao Tsé-Tung. Desde então, os católicos chineses estão divididos entre a Igreja Patriótica, controlada pelo governo de Pequim, e a Igreja clandestina, leal a Roma.

Segundo os termos do acordo que são conhecidos, o papa teria a palavra final nas nomeações episcopais na China, o que significa que ele teria poder de veto sobre os candidatos propostos por Pequim. A Santa Sé se comprometeu a não fazer nenhuma nomeação episcopal sem a aprovação prévia do governo chinês.

Tensões no período de sé vacante

No período de sé vacante entre a morte do papa Francisco e a eleição de Leão XIV, as autoridades chinesas escolheram unilateralmente dois bispos, inclusive um para uma diocese já liderada por um bispo reconhecido pela Santa Sé.

Em 28 de abril, o padre Wu Jianlin foi eleito bispo-auxiliar de Xangai pelas autoridades eclesiásticas controladas pelo Estado chinês. No dia seguinte, o padre Li Jianlin foi nomeado bispo de Xinxiang, na província de Henan.

Essa última nomeação causou controvérsia porque a Santa Sé já reconhecia Joseph Zhang Weizhu como o bispo legítimo daquela diocese.

Embora essas eleições possam ter sido planejadas antes da morte de Francisco, o momento em que ocorreram chamou a atenção de vários observadores. Segundo a agência de notícias AsiaNews, as decisões transmitiram uma mensagem clara do Partido Comunista Chinês: o papado vago não afeta o funcionamento da Igreja na China.

Com a nomeação de Giuseppe Chang Yanfeng e sua ordenação episcopal hoje, agora são quinze os bispos católicos chineses escolhidos pelo governo comunista ordenados sob o acordo provisório assinado entre a China e a Santa Sé.

Nomeações de bispos chineses no pontificado de Leão XIV

O processo que levou à nomeação e consagração episcopal de Chang Yanfeng ocorreu inteiramente sob o pontificado de Leão XIV, o que confirma a disposição do papa atual em manter o acordo secreto.

Desde o início de seu pontificado, Leão XIV promoveu várias nomeações episcopais na China e confiou novas responsabilidades a alguns bispos que já haviam recebido a ordenação episcopal.

Em 11 de junho do ano passado, a Santa Sé anunciou o reconhecimento civil e a posse de Giuseppe Lin Yuntuan como bispo-auxiliar de Fuzhou, na província de Fujian. Sua nomeação foi feita pelo papa Leão XIV em 5 de junho do ano passado.

Em 8 de julho do ano passado, Leão XIV suprimiu as dioceses de Xuanhua e Xiwanzi, erigidas pelo papa venerável Pio XII em 1946, para criar a diocese de Zhangjiakou, diocese sufragânea de Pequim. Dois meses depois, em 10 de setembro, o padre Giuseppe Wang Zhengui recebeu a ordenação episcopal.

Em 15 de outubro do ano passado, o padre Inácio Wu Jianlin foi consagrado bispo-auxiliar de Xangai, nomeado por Leão XIV em 11 de agosto do mesmo ano.

Além disso, em 5 de dezembro do ano passado, ocorreu a ordenação episcopal de Francis Li Jianlin como bispo da prefeitura apostólica de Xinxiang, na província de Henan, depois de sua nomeação pelo papa em 11 de agosto do ano passado.