sábado, 3 de fevereiro de 2018

Reflexão para o V Domingo do Tempo Comum
A leitura do Livro de Jó inspira a reflexão do padre César Augusto dos Santos para este V Domingo do Tempo Comum.

Padre César Augusto dos Santos - Cidade do Vaticano

Por que tantas pessoas sofrem? Por que o justo sofre, enquanto tantas pessoas injustas desfrutam boa saúde, possuem dinheiro, nada de mal lhes acontece?

A 1ª leitura da Missa de hoje, extraída do Livro de Jó, nos leva a refletir sobre o sofrimento, principalmente o do justo. Jó sofre e, no seu sofrimento reflete sobre os limites da vida e reza.

A resposta à nossa pergunta sobre o sofrimento, nos vem com o Evangelho de Marcos, no trecho da cura da sogra de Pedro e de outras pessoas. Ele nos apresenta Jesus diante da realidade da doença e do sofrimento. Jesus não culpa o Pai e nem os doentes por suas desditas, mas se mostra solidário.

O Senhor não foge dos doentes, mas vai até eles, toma-os pela mão e os ajuda a se levantar. Ele não veio para derrubar, mas para dar ânimo. A sogra de Pedro se levanta e começa a servi-los.

O Senhor é a vida que chega!

Com esta atitude, Jesus confirma que sua vinda é para transformar o mundo, eliminar a doença, a dor e a morte. Ele é a vida e, como tal, quer vida plena para todos nós!

O que fazemos quando sabemos que alguém está doente, sofrendo? Vamos até ele, procuramos dar-lhe novo ânimo?

Diante do sofrimento e da doença poderemos ter várias atitudes. Desde tratar do doente, se formos profissionais da medicina, até nos colocarmos à disposição para servi-lo, ajudá-lo de algum modo.

Contudo, existe um gesto que todos poderão e deverão fazer: o gesto da solidariedade, de ser presença, de estar ao lado confortando, animando.



(vaticannews)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018


Violência em nome de Deus difama a religião
Francisco conclamou líderes políticos e religiosos a combaterem a violência em nome de Deus.

Cidade do Vaticano 

A série de audiências do Papa Francisco esta sexta-feira começou com cerca de 50 participantes da Conferência “Combater a violência praticada em nome da religião”.
Em seu discurso, o Pontífice definiu “significativo” um encontro do gênero entre responsáveis políticos e líderes religiosos. De modo especial, recordou suas palavras pronunciadas na viagem ao Egito, quando exortou a excluir toda absolutização que justifique formas de violência.

“ A violência veiculada e praticada em nome da religião só pode atrair descrédito em relação à própria religião; como tal, deve ser condenada por todos e, com convicção especial, pelo homem autenticamente religioso, que sabe que em Deus não pode haver espaço para o ódio, o rancor e a vingança. ”

Francisco afirma que uma das maiores blasfêmias é chamar Deus como garante dos próprios pecados e crimes, de chamá-lo para justificar o homicídio, o massacre, a escravidão, a exploração, a opressão e a perseguição de pessoas e inteiras populações.
“Todo líder religioso é chamado a desmarcar qualquer tentativa de manipular Deus”, insistiu o Papa, acrescentando que a pertença a uma determinada religião não dá nenhuma dignidade ou direitos suplementares.

O Pontífice exorta não só líderes políticos e religiosos, mas também educadores e agentes da comunicação num esforço conjunto para combater a violência em nome da religião.
“Expresso novamente o meu apreço pela vontade de reflexão e de diálogo sobre um tema assim tão dramaticamente importante, e por ter dado uma qualificada contribuição ao crescimento da cultura da paz fundada sempre sobre a verdade e o amor.”

(radiovaticano)




Hoje é celebrada a Apresentação do Senhor
e o Dia da Vida Consagrada




REDAÇÃO CENTRAL, 02 Fev. 18 / 04:00 am (ACI).- Neste dia 2 de fevereiro, a Igreja celebra a Apresentação de Jesus no Templo, quando se realizou o encontro com Simeão e Ana, o qual se entende como o encontro do Senhor com o seu povo, e também aconteceu o ritual de purificação da Virgem Maria.
Naquela época, quando nascia o primogênito, era levado após quarenta dias ao Templo para sua apresentação, como descreve a Lei de Moisés. Assim, desde o nascimento do Verbo encarnado, em 25 de dezembro, até 2 de fevereiro, José e Maria cumpriram o tempo e levaram o menino para se consagrar.

 O Evangelho de São Lucas relata: “Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2,22).
Ao chegar ao Templo, eles encontraram Simeão, a quem o Espírito Santo havia prometido que não morreria antes de ver o Salvador do mundo, e foi o Espírito que disse ao profeta que aquele menino era o Redentor e Salvador da humanidade.
Após tomar o menino nos braços e bendizer ao Senhor, o profeta disse à Maria: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” (Lc 2,34-35).
Também neste dia, encontrava-se no Templo a filha de Fanuel, da tribo de Aser, chamada Ana, de idade já avançada. Ana ficou viúva sete anos depois de ter se casado e assim permaneceu até 84 anos de idade. Ficava dia e noite no Templo servindo a Deus e oferecia jejum e oração. Ao ver a criança, Ana louvou a Deus e faloudo menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.
Neste dia, a Igreja recorda também o Dia Mundial da Vida Consagrada. Ao celebrar esta festa em 2014, o Papa Francisco convidou, “à luz desta cena evangélica, a considerar a vida consagrada como um encontro com Cristo: é Ele que vem até nós, trazido por Maria e José, e somos nós que vamos até Ele, guiados pelo Espírito Santo. Mas no centro está Ele. É Ele que move tudo, é Ele que atrai ao Templo, à Igreja, onde podemos encontrá-lo, reconhecê-lo, recebê-lo e também abraçá-lo”.


(acidigital)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O momento e a eternidade

· ​Missa em Santa Marta ·

1 de Fevereiro de 2018

A morte é «um facto, uma herança e uma memória» e recorda-nos que não somos «donos do tempo», nem «efémeros», nem «eternos», salvando-nos do risco de permanecer «presos no labirinto egoísta do momento presente». Mas é precisamente o olhar sobre a morte que ajuda a viver bem: eis a mensagem que o Papa propôs na missa celebrada na manhã de 1 de fevereiro em Santa Marta.
«A primeira leitura fala-nos da morte: a morte do rei David», observou o Pontífice, referindo-se ao trecho tirado do primeiro livro dos Reis (2, 1-4.10-12). «Os dias de David aproximaram-se da morte» porque, afirmou Francisco, também «ele, o grande rei, o homem que tinha consolidado o reino, deve morrer, não é dono do tempo: o tempo prossegue e ele continua noutro estilo de tempo, mas continua. Está a caminho».
De resto, explicou o Papa, «não somos nem eternos nem efémeros: somos homens e mulheres a caminho no tempo, tempo que começa e tempo que termina». E «isto faz-nos pensar que é bom rezar e pedir a graça do sentido do tempo, para não nos tornarmos prisioneiros do momento que está sempre fechado em si mesmo». Assim, afirmou, «diante deste trecho do primeiro livro dos Reis», que narra «a morte de David, gostaria de propor três ideias: a morte é um facto, a morte é uma herança, a morte é uma memória».
Antes de tudo, explicou, «a morte é um facto: podemos pensar em muitas coisas, até imaginando que somos eternos, mas o facto acontece». Mais cedo ou mais tarde a morte chega e «é um facto que cabe a todos nós». Porque «estamos a caminho, não somos itinerantes, nem homens e mulheres num labirinto». Não, estamos «a caminho, devemos fazer assim». Mas, avisou o Papa, «há a tentação do momento que se apodera da vida e te leva a ir errando no momento, neste labirinto egoísta do momento sem futuro, sempre ida e volta, ida e volta». E «o caminho acaba na morte, como todos sabemos».
Por este motivo, observou o Pontífice, «a Igreja procurou sempre fazer refletir sobre este nosso fim: a morte». A tal propósito, o Papa sugeriu uma sua recordação pessoal: «Quando estávamos no seminário, mandavam-nos fazer o exercício da boa morte: assustava um pouco, porque parecia um necrotério». Mas «há um exercício da boa morte que cada um pode fazer dentro de si mesmo: não sou o dono do tempo; há um facto: morrerei. Quando? Deus sabe». Mas certamente «morrerei».
«Repetir isto ajuda», disse o Papa, porque é um dado «puramente realista» que «nos salva da ilusão do momento, de levar a vida como uma corrente de momentos sem sentido». Ao contrário, a realidade é que «eu estou a caminho e devo olhar em frente».
Sempre dando espaço à confidência, Francisco compartilhou a «recordação» de quando, «ainda criança, aprendia a ler: eu tinha quatro anos. Uma das primeiras coisas que aprendi a ler, porque a avó me fez ler, foi um cartaz que ela conservava debaixo do cristal da mesa de cabeceira, e rezava assim: “Pensa que Deus te vê. Pensa que te vê. Pensa que morrerás e não sabes quando”». Aquela frase, revelou o Papa, «ainda hoje me recordo dela, e fez-me muito bem, nos momentos de suficiência, de fechamento, onde o momento era o rei». Portanto, «o tempo, o facto: todos nós morreremos». Quando a morte se aproxima, David diz ao seu filho: «Vou-me pelo caminho de cada homem sobre a terra». E assim aconteceu.
A segunda ideia é «a herança». Muitas vezes acontece que quando, ao morrer, alguém tem a ver com «uma herança, chegam imediatamente os netos, para saber quanto dinheiro o tio deixou para este e aquele». E «esta história é tanto antiga quanto a história do mundo». Na realidade, o que conta é «a herança do testemunho: que herança deixo eu?».
Voltando ao trecho bíblico de hoje, «que herança deixa David?». Francisco recordou que David foi «um grande pecador, cometeu tantos erros!». Mas foi também «um grande arrependido» até ser «um santo», apesar «dos grandes erros cometidos». E David é santo, explicou o Papa, «porque a herança é a atitude de se arrepender, de adorar a Deus antes de si mesmo, de voltar para Deus: a herança do testemunho». Eis que é sempre oportuno interrogar-se sobre «qual herança deixarei aos meus entes queridos?». Certamente, «a herança material, boa porque é o fruto do trabalho». Mas, insistiu o Papa, «que herança pessoal, de testemunho? Como a de David, ou vazia?». Por isso, à pergunta «o que deixou?» não se deve responder só indicando «as propriedades», mas antes de tudo «o testemunho de vida».
«É verdade que se vamos a um velório — prosseguiu o Pontífice — o morto era sempre santo», a ponto que «existem dois lugares onde canonizar as pessoas: a praça de São Pedro e os velórios, porque é sempre um santo e porque já não te ameaça».
Portanto, «a verdadeira herança» é o testemunho de vida. Assim, é oportuno «interrogar-nos que herança» deixaria «se Deus me chamasse hoje? Que herança deixarei como testemunho de vida?». Esta «é uma boa pergunta a fazer», afirmou o Papa, e assim «preparar-nos porque nenhum de nós ficará “como relíquia”: não, todos nós iremos por esse caminho». Com a questão fundamental: «Qual será a herança que deixarei como testemunho de vida?».
A terceira ideia — além do «facto» e da «herança» — que o Papa sugeriu a respeito da morte é a «memória» porque, explicou, «até o pensamento da morte é memória, mas memória antecipada, memória do passado». Portanto, «memória» e «também luz neste momento da vida». Mas a pergunta que devemos fazer é: «Quando eu morrer, o que gostaria de fazer hoje, nesta decisão que devo tomar hoje, no modo de viver hoje?». Esta «é uma memória antecipada que ilumina o momento de hoje». Substancialmente, trata-se de «iluminar com o facto da morte as decisões que devo tomar cada dia».
«É bonito este trecho do capítulo 2 do primeiro livro dos Reis», concluiu o Pontífice. «Se hoje tiverdes tempo, lede-o, é muito bonito, far-vos-á bem», sugeriu. E convidou «também a pensar: estou a caminho, é um facto, “morrerei”; qual será a herança que deixarei e como me ajuda a luz, a memória antecipada da morte, sobre as decisões que devo tomar hoje». Uma meditação, garantiu, que «fará bem a todos nós».

(osservatoreromano)