segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
Hoje são celebrados os santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno, doutores da Igreja
REDAÇÃO CENTRAL, 02 Jan. 23 / 05:00 am (ACI).- “Basílio santo nasceu entre santos. Basílio pobre viveu entre os pobres. Basílio filho de mártires sofreu como um mártir. Basílio sempre pregou com seus lábios e com seus bons exemplos e seguirá pregando sempre com seus admiráveis escritos”, afirmou certa vez são Gregório Nazianzeno sobre seu grande amigo são Basílio Magno.
Ambos combateram contra os hereges que negavam a divindade de Jesus e sua festa é celebrada hoje, 2 de janeiro.
São Basílio
São Basílio nasceu em Cesareia (Ásia Menor), por volta do ano 330, em uma família de santos. Seus irmãos foram são Gregório de Niceia, santa Macrina a jovem e são Pedro de Sebaste. Seu pai foi são Basílio o velho, sua mãe, santa Emélia, e sua avó, santa Macrina.
Seu companheiro de estudos e inseparável amigo na defesa da fé foi são Gregório Nazianzeno. Quando são Basílio estava no auge de sua carreira profissional, sentiu um grande impulso para abandonar o mundo e foi ajudado por sua irmã santa Macrina, que, junto à sua mãe viúva e outras mulheres, vivia em uma comunidade em um lugar isolado.
Basílio recebeu o batismo, visitou diversos mosteiros e em um local ermo se entregou ao retiro solitário com a oração e o estudo. Uniram-se a ele alguns discípulos e formou o primeiro mosteiro da Ásia Menor. Seus ensinamentos são vividos até hoje pelos monges do oriente e influenciou até mesmo são Bento, que o considerava seu mestre.
Foi ordenado sacerdote e são Gregório Nazianzeno o incentivou a ajudá-lo com a defesa do clero, as igrejas e as verdades de fé. Foi nomeado primeiro auxiliar do arcebispo de Cesareia e usou a herança que sua mãe tinha lhe deixado para ajudar os necessitados. Costumava sair com avental e concha distribuindo alimentos.
Mais tarde, substituiu o falecido arcebispo e defendeu a autonomia da Igreja ante o imperador Valente. Seus fiéis adquiriram o costume de comungar com frequência. Partiu para a Casa do Pai em 1º de janeiro de 379.
São Gregório
São Gregório Nazianzeno nasceu na Capadócia (atual Turquia) no mesmo ano que são Basílio. Seu pai foi são Gregório Maior, bispo de Nazianzo, sua mãe, santa Nona, e seus irmãos, santos Cesáreo e Gorgonia.
Também se uniu a são Basílio na vida solitária, mas foi ordenado sacerdote e demorou um pouco para se render a este serviço. Por volta do ano 372, são Basílio queria consagrá-lo bispo de Sasima, lugar que estava sobre terrenos em disputa pelas duas Capadócias (território dividido). Isso trouxe inimizade entre os amigos.
Com o tempo, os santos voltaram a se reconciliar e, depois de percorrer várias cidades, são Gregório se estabeleceu em Constantinopla. Foi consagrado bispo, mas sofreu por difamações e perseguições dos hereges.
O Concílio de Constantinopla (381) estabeleceu e confirmou as conclusões do Concílio de Niceia contra os hereges que negavam a divindade de Cristo e outras verdades de fé.
São Gregório foi nomeado bispo de Constantinopla, mas seus inimigos colocaram em dúvida a validade de sua eleição. Por isso, para restaurar a paz, o santo voltou a Nazianzo. Ali se tornou bispo deste território, depois foi para o retiro e partiu para a Casa do Pai em 25 de janeiro do ano 389 ou 390.
(acidigital)
domingo, 1 de janeiro de 2023
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO (Texto)
SANTA MISSA NA SOLENIDADE DE MARIA SANTÍSSIMA MÃE DE DEUS
LVI DIA MUNDIAL DA PAZ
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica de São Pedro
Domingo, 1° de janeiro de 2023
Santa Mãe de Deus! Era a aclamação jubilosa do Povo santo de Deus, que ressoava pelas ruas de Éfeso no ano quatrocentos e trinta e um, quando os Padres do Concílio proclamaram Maria, Mãe de Deus. Trata-se dum dado essencial da fé, mas sobretudo duma notícia maravilhosa: Deus tem uma Mãe e, por conseguinte, está ligado para sempre à nossa humanidade, como um filho à mãe, a ponto de a nossa humanidade ser a sua humanidade. É uma verdade tão clamorosa e consoladora que o último Concílio, aqui celebrado, afirmou: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22). Eis o que fez Deus com o seu nascimento de Maria: mostrou o seu amor concreto pela nossa humanidade, abraçando-a real e plenamente. Irmãos, irmãs, Deus não nos ama só com palavras, mas com factos; não nos ama lá «do alto», de longe, mas «de perto», precisamente de dentro da nossa carne, porque em Maria o Verbo Se fez carne e, no peito de Cristo, continua a bater um coração de carne, que palpita de amor por cada um de nós!
Santa Mãe de Deus! Muitos livros e grandes tratados se escreveram sobre este título; mas estas palavras entraram no coração do santo Povo de Deus sobretudo com a oração mais familiar e doméstica que acompanha o ritmo dos dias, os momentos mais duros e as esperanças mais ousadas, ou seja, a Ave Maria. De facto, depois dalgumas frases tiradas da Palavra de Deus, começa assim a segunda parte desta oração: «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores…». Esta invocação marcou muitas vezes os nossos dias e permitiu que, através de Maria, Deus Se aproximasse das nossas vidas e da nossa história: rezada nas mais diversas línguas, desfiando as contas do terço e nos momentos de necessidade, diante duma Imagem sacra ou caminhando pela estrada. A esta invocação – Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores –, a Mãe de Deus sempre responde! Escuta os nossos pedidos, abençoa-nos com o seu Filho nos braços, traz-nos a ternura de Deus feito carne; numa palavra, dá-nos esperança. E, no início deste ano, precisamos de esperança, como a terra precisa de chuva. O ano, que se abre sob o signo da Mãe de Deus e nossa, diz-nos que a chave da esperança é Maria, e a antífona da esperança é a invocação Santa Mãe de Deus. E hoje confiamos à nossa Mãe Santíssima o amado Papa emérito Bento XVI para que o acompanhe na sua passagem deste mundo para Deus.
Rezemos à Mãe de modo especial pelos filhos que sofrem e já não têm a força de rezar, por tantos irmãos e irmãs atingidos pela guerra em tantas partes do mundo, que vivem estes dias de festa na escuridão e ao frio, na miséria e no medo, submersos na violência e na indiferença! Por quantos não têm paz, aclamemos Maria, a mulher que trouxe ao mundo o Príncipe da paz (cf. Is 9, 5; Gal 4, 4). N’Ela, Rainha da paz, realiza-se a bênção que ouvimos na primeira Leitura: «O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 26). Pelas mãos duma Mãe, a paz de Deus quer entrar nas nossas casas, nos nossos corações, no nosso mundo. Mas como fazer para a acolher?
Deixemo-nos aconselhar pelos protagonistas do Evangelho de hoje, os primeiros que viram a Mãe com o Menino: os pastores de Belém. Eram pessoas pobres, talvez até bastante rudes e, naquela noite, estavam de serviço. Foram precisamente eles, não os sábios nem mesmo os poderosos, os primeiros a reconhecer o Deus próximo, o Deus que veio pobre e gosta de estar com os pobres. Dos pastores, o Evangelho começa por destacar dois gestos muito simples, mas que não são sempre fáceis: os pastores foram e viram. Dois gestos: ir e ver.
Em primeiro lugar, ir. O texto diz que os pastores «foram apressadamente» (Lc 2, 16). Não ficaram parados. Era noite, tinham os seus rebanhos para cuidar e estavam certamente cansados: poderiam aguardar a aurora, esperar pelo nascer do sol para ir ver um Menino deitado numa manjedoura. Mas não; foram apressadamente, porque, em presença de coisas importantes, é preciso reagir prontamente, não adiar, pois «a graça do Espírito não tolera a lentidão» (Santo Ambrósio, Comentário sobre São Lucas, 2). E assim encontraram o Messias, o esperado que há séculos muitos procuravam.
Irmãos, irmãs, para acolher Deus e a sua paz, não se pode ficar comodamente parado à espera que as coisas melhorem. É preciso levantar-se, aproveitar as oportunidades da graça, ir, arriscar. É preciso arriscar. Hoje, no início do ano, em vez de ficarmos a pensar e esperar que as coisas mudem, será bom interrogar-nos: «Eu, neste ano, aonde quero ir? A quem vou fazer bem?» Muitos, na Igreja e na sociedade, esperam o bem que tu, e só tu, podes proporcionar, o teu serviço. E hoje, face à preguiça que anestesia e à indiferença que paralisa, frente ao risco de nos limitarmos a ficar sentados diante dum ecrã com as mãos no teclado, os pastores desafiam-nos a ir, a comover-nos com o que acontece no mundo, a sujar as mãos na realização do bem, a renunciar a toda uma série de hábitos e comodidades para nos abrirmos às novidades de Deus, que se encontram na humildade do serviço, na coragem de prestar cuidados. Irmãos e irmãs, imitemos os pastores: vamos!
Diz o Evangelho que, tendo chegado, os pastores «encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura» (2, 16). E observa em seguida que, só «depois de [O] terem visto» (2, 17), começaram, cheios de maravilha, a contar aos outros o que lhes tinham dito de Jesus e a glorificar e louvar a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto (cf. 2, 17-18.20). O ponto de viragem deu-se ao tê-Lo visto. É importante ver, abraçar com o olhar, permanecer ali, como os pastores, diante do Menino nos braços da Mãe. Sem dizer nada, sem perguntar nada, sem fazer nada. Olhar em silêncio, adorar, regalar os olhos com a ternura consoladora de Deus humanado e da sua e nossa Mãe. No início do ano, entre tantas novidades que quereríamos experimentar e as inúmeras coisas que quereríamos fazer, incluamos a de dedicar tempo a ver, ou seja, a abrir os olhos e mantê-los abertos diante daquilo que conta: Deus e os outros. Tenhamos a coragem de nos abrir à maravilha do encontro, que é o estilo de Deus; uma coisa muito diferente da sedução do mundo, que te tranquiliza. A maravilha de Deus, o encontro dá-te paz; o mundo consegue apenas anestesiar-te e pôr-te tranquilo.
Quantas vezes, levados pela pressa, não temos tempo sequer de parar um minuto na companhia do Senhor para ouvir a sua Palavra, rezar, adorar, louvar! E o mesmo acontece em relação aos outros: levados pela pressa ou pelo protagonismo, não temos tempo para escutar a esposa, o marido, para conversar com os filhos, para lhes perguntar como se sentem dentro, e não só como vão os estudos e a saúde. Faz muito bem deter-se a escutar os idosos, o avô e a avó, para ver a profundidade da vida e redescobrir as raízes. Sendo assim, perguntemo-nos se somos capazes de ver quem vive ao nosso lado, quem mora no nosso prédio, quem encontramos diariamente pela estrada. Irmãos e irmãs, imitemos os pastores: aprendamos a ver! A compreender com o coração, vendo. Aprendamos a ver.
Ir e ver. Hoje o Senhor veio para o meio de nós e a Santa Mãe de Deus coloca-O diante dos nossos olhos. Redescubramos, no ímpeto de ir e na maravilha de ver, os segredos para fazer verdadeiramente novo este ano, e vencer o cansaço que te faz instalar ou a paz falsa da sedução.
E agora, irmãos e irmãs, convido-vos todos a olhar para Nossa Senhora. Aclamemo-la três vezes «Santa Mãe de Deus!», como fazia o povo de Éfeso: Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus!
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