Em vez de fantasias de monstros ou
personagens sombrios da ficção, muitas famílias estão escolhendo
substituir o Halloween por Holywins, que pode ser traduzido como “a
santidade vence”.
Holywins é uma celebração católica
que convida as pessoas, especialmente as crianças, a vestirem-se de
santos católicos na véspera da celebração de Todos os Santos.
Esta festa é uma oportunidade
excepcional não só para aprender mais sobre a vida destes santos, mas
também para imitar os seus exemplos de devoção e serviço. Essas ideias
foram destacadas pelo bispo-auxiliar de Sydney, Austrália, Richard
Umbers, em 2022.
O bispo
australiano disse que o ato de “vestir-se de santos amados” na véspera
da festa de Todos os Santos (31 de outubro), é “uma expressão alegre de
piedade popular, que recupera as raízes cristãs do Halloween e cultiva a tradição da Igreja de observar as festas litúrgicas”.
Com a chegada do Holywins,
as paróquias de todo o mundo incentivam as crianças e os jovens a
participarem na prática de vestir-se de santos, de forma a reforçar a
identidade cristã desta festa. Além das fantasias, são organizadas
diversas atividades devocionais e recreativas.
O padre Andrew Benton, pároco
da Igreja de St Michael's de Belfield, Austrália, templo que em anos
anteriores acolheu a celebração dos Holywins, diz que para ele “é muito importante” que os pequenos “apreciem os santos no céu, e desejem ser como eles”.
O padre não vê isso só como uma
missão pessoal, mas como uma oportunidade excepcional para todas as
paróquias. Para ele, esta abordagem é “uma grande oportunidade para as
crianças pensarem mais profundamente sobre alguns dos aspectos católicos
que foram absorvidos por nossa cultura e descristianizados”.
A coordenadora de educação religiosa no colégio St Michael's, Micheline Elías, tem a mesma visão entusiasta. Ela considera que Holywins “poderia ser uma oportunidade para evangelizar e celebrar as devoções católicas”.
Na sua opinião,
este evento oferece uma valiosa oportunidade para ensinar às crianças e
às comunidades sobre a fé católica e incentiva o desenvolvimento das
virtudes e a busca da santidade na vida cotidiana.
A Igreja celebra hoje (30) santo
Alonso Rodríguez, irmão coadjutor jesuíta que viveu entre os séculos XVI
e XVII, exemplo de humildade e vocação ao serviço.
Antes de se tornar religioso,
Alonso era um homem de família: era casado e tinha três filhos. Quando
tinha cerca de 40 anos, diversas circunstâncias fizeram com que a sua
vida tomasse um rumo completamente diferente – que o levaria a fazer
parte da Companhia de Jesus. Nesse sentido, Alonso é um modelo de escuta
do Espírito e de confiança no Senhor.
A maior dor: quando tudo parece perdido
Santo Alonso
Rodríguez nasceu na Espanha, em 1531, em uma família de comerciantes.
Aos 26 anos, casou-se com a senhora María Suárez, com quem teve três
filhos.
Alguns anos antes, ele havia
assumido o negócio da família, quando seu pai, comerciante de lã, o
herdou. Alonso fez o possível para cumprir a tarefa, mas sem muito
sucesso. Neste contexto já difícil, perdeu primeiro os dois filhos mais
velhos e depois a mulher, que morreu ao dar à luz o terceiro filho.
Infelizmente, aquela criança também não sobreviveria: depois de ser
colocada aos cuidados de duas tias, a criança adoeceu e morreu.
Renascimento
Alonso, então, ficou sozinho, sem
aquela que tinha sido a força motriz de sua vida: sua família.
Providencialmente, nos dias de solidão e de silêncio forçado, começou a
recordar a sua infância e como os seus pais, naqueles tempos, tinham
recebido em sua casa padres e membros da recém-fundada Companhia de
Jesus.
O agora viúvo se sentiu impelido a
voltar àquilo que, como uma semente, parecia reviver com o tempo: a fé
que nunca abandonou, mas da qual se esquivava um pouco.
Essa fé parecia
brotar novamente e apontava horizontes renovados. Alonso decidiu então
se aproximar de Deus, animado pelo consolo que encontrou no Senhor para
uma dor tão indescritível. Começou a frequentar regularmente os
sacramentos e a ter uma vida de penitência e oração, voltando
completamente à piedade que o marcou quando criança e que agora era
fonte de fortaleza.
São Pedro Fabro e as sementes de Deus
Alonso se lembrava constantemente
de Pedro Fabro, cofundador dos jesuítas e que conheceu aos 12 anos,
quando esteve por algum tempo hospedado na casa dos seus pais. Fabro era
um homem que irradiava afabilidade e fortaleza. Ele também havia
sofrido, mas nunca se mostrou desanimado.
Assim, a imagem do jesuíta o
moveu a se envolver cada vez menos com a dor e a viver mais diante da fé
que o marcou. De repente, participando do trabalho dos jesuítas, Alonso
começou a ver sua vida de forma diferente, pouco a pouco, com
esperança. Descobriu que o Senhor ainda esperava muito dele e que
poderia ser completamente renovado. Assim, começou a pensar em
colocar-se ao serviço de Deus e da Igreja como religioso.
O coração importa, não a idade, nem o trabalho
Alonso então pediu para ser
admitido na Companhia de Jesus. Contudo, os jesuítas, em primeira
instância, não o aceitaram por diversos motivos. Entre eles, a idade –
tinha mais de quarenta anos –, a saúde precária e a falta de estudos
avançados – requisito para o sacerdócio jesuíta. Apesar disso, o santo
não desistiu. Manteve a esperança de ser admitido, lembrando a todos
como santo Inácio de Loyola não deixou de se tornar religioso por causa
da idade.
Finalmente, o provincial dos
jesuítas o aceitou como irmão leigo em 1571. Depois de terminar o
noviciado, foi enviado ao colégio de Nossa Senhora de Monte-Sión, em
Palma de Maiorca, onde lhe foi atribuído o cargo de porteiro, cargo que
ocuparia por 32 anos.
O porteiro e um jovem missionário
Santo Alonso Rodríguez fez do seu cargo de porteiro um verdadeiro serviço aos outros e uma ocasião permanente de santificação.
Da portaria do convento estabeleceu
diálogo com muitas pessoas, entre as quais estava ninguém menos que são
Pedro Claver, na época aluno do colégio Monte-Sión. Diz-se que santo
Alonso entusiasmou e encorajou Pedro a viajar algum dia para a América.
Como se sabe, Pedro foi o santo protetor dos escravos em Cartagena das
Índias, na América. Por causa dessas coisas de Deus, os dois jesuítas
seriam canonizados no mesmo ano, 1888.
A oração é capaz de abrir todas as portas
Alonso aproveitava as horas de
trabalho na portaria para rezar. Na verdade, uma de suas orações
favoritas era o santo terço, que ele rezava várias vezes ao dia. Alonso
teve até visões do Céu e da Virgem Maria, que lhe aparecia – a Ela se
confiava sempre para o proteger do mal – para ouvi-lo e dar-lhe consolo.
Se em alguma ocasião caísse em tentação, Alonso passava pela imagem da
Virgem e lhe dizia: “Sancta Maria, Mater Dei, memento mei” [Santa Maria, Mãe de Deus, lembra-te de mim].
Certa vez,
perguntaram a santo Alonso por que ele não era mais duro e áspero com as
pessoas chatas que frequentavam a escola. Ele respondeu: “Jamais
poderemos tratar Jesus, que se disfarça de próximo, com aspereza ou
grosseria”.
Santo Alonso Rodríguez morreu em 31 de outubro de 1617.
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Catequese por ocasião do 60º aniversário da Declaração conciliar Nostra aetate
Estimados irmãos e irmãs, peregrinos na fé e representantes das diferentes tradições religiosas! Bom dia, bem-vindos!
No centro da reflexão de hoje, nesta Audiência geral dedicada ao
diálogo inter-religioso, desejo colocar as palavras do Senhor Jesus à
samaritana: «Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em
espírito e verdade» (Jo 4, 24). No Evangelho, este encontro
revela a essência do autêntico diálogo religioso: um intercâmbio que se
estabelece quando as pessoas se abrem umas às outras com sinceridade,
escuta atenta e enriquecimento recíproco. É um diálogo que nasce da
sede: a sede de Deus pelo coração humano e a sede humana de Deus. No
poço de Sicar, Jesus supera as barreiras de cultura, género e religião.
Convida a samaritana a uma nova compreensão do culto, que não se limita a
um lugar em particular – “nem nesta montanha, nem em Jerusalém” – mas
que se realiza em Espírito e verdade. Este momento capta o núcleo
do diálogo inter-religioso: a descoberta da presença de Deus, além de
todas as fronteiras, e o convite a procurá-lo juntos com reverência e
humildade.
Há sessenta anos, no dia 28 de outubro de 1965, o Concílio Vaticano II, com a promulgação da Declaração Nostra aetate,
abriu um novo horizonte de encontro, respeito e hospitalidade
espiritual. Este Documento luminoso ensina-nos a encontrar os seguidores
de outras religiões não como estranhos, mas como companheiros de viagem
no caminho da verdade; a honrar as diferenças, afirmando a nossa
humanidade comum; e a discernir, em qualquer busca religiosa sincera, um
reflexo do único Mistério divino que abraça toda a criação.
Em particular, não devemos esquecer que a primeira orientação da Nostra aetate foi para o mundo judaico, com o qual São João XXIII tencionava
restabelecer a relação original. Assim, pela primeira vez na história
da Igreja, devia adquirir forma um tratado doutrinal sobre as raízes
judaicas do cristianismo que, nos planos bíblico e teológico,
representasse um ponto de não retorno. «O povo do Novo Testamento está
espiritualmente ligado à descendência de Abraão. Com efeito, a Igreja de
Cristo reconhece que os primórdios da sua fé e eleição já se encontram,
segundo o mistério divino da salvação, nos patriarcas, em Moisés e nos
profetas» (NA,
4). Assim a Igreja, «lembrada do seu comum património com os judeus, e
levada não por razões políticas, mas pela religiosa caridade evangélica,
deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de antissemitismo,
seja qual for o tempo em que isto sucedeu e seja quem for a pessoa que
isto promoveu contra os judeus» (ibid.). Desde então, todos os
meus predecessores condenaram o antissemitismo com palavras claras. E
assim também eu confirmo que a Igreja não tolera o antissemitismo e o
combate, por causa do próprio Evangelho.
Hoje podemos olhar com gratidão para tudo o que foi realizado no
diálogo judaico-católico nestas seis décadas. Isto não se deve apenas ao
esforço humano, mas à assistência do nosso Deus que, segundo a
convicção cristã, é em si mesmo diálogo. Não podemos negar que neste
período houve também desentendimentos, dificuldades e conflitos que, no
entanto, nunca impediram a continuação do diálogo. Também hoje não
devemos permitir que as circunstâncias políticas e as injustiças de
alguns nos desviem da amizade, sobretudo porque até agora conseguimos
realizar muito.
O espírito da Nostra aetate continua
a iluminar o caminho da Igreja. Ela reconhece que todas as religiões
podem refletir «um raio da verdade que ilumina todos os homens» (n. 2) e
procuram respostas para os grandes mistérios da existência humana, de
tal modo que o diálogo deve ser não apenas intelectual, mas
profundamente espiritual. A Declaração convida todos os católicos –
bispos, clero, pessoas consagradas e fiéis leigos – a participar
sinceramente no diálogo e na colaboração com os seguidores de outras
religiões, reconhecendo e promovendo tudo o que é bom, verdadeiro e
santo nas suas tradições (cf. ibid.). Hoje isto é necessário em
praticamente todas as cidades do mundo onde, devido à mobilidade humana,
as nossas diversidades espirituais e de pertença são chamadas a
encontrar-se e a conviver fraternalmente. A Nostra aetate recorda-nos
que o verdadeiro diálogo afunda as suas raízes no amor, único
fundamento da paz, da justiça e da reconciliação, ao mesmo tempo que
rejeita com firmeza todas as formas de discriminação ou perseguição,
afirmando a igual dignidade de todos os seres humanos (cf. NA, 5).
Portanto, caros irmãos e irmãs, sessenta anos após a Nostra aetate,
podemos perguntar-nos: o que podemos fazer juntos? A resposta é
simples: agir juntos. Mais do que nunca, o nosso mundo precisa da nossa
unidade, amizade e colaboração. Cada uma das nossas religiões pode
contribuir para aliviar o sofrimento humano e cuidar da nossa casa
comum, o nosso planeta Terra. As nossas respetivas tradições ensinam a
verdade, a compaixão, a reconciliação, a justiça e a paz. Devemos
reafirmar o serviço à humanidade, em todos os momentos. Juntos, devemos
vigiar contra o abuso do nome de Deus, da religião e do próprio diálogo,
assim como contra os perigos representados pelo fundamentalismo
religioso e pelo extremismo. Devemos abordar também o desenvolvimento
responsável da inteligência artificial porque, se for concebida como
alternativa ao humano, ela pode violar gravemente a sua dignidade
infinita e neutralizar as suas responsabilidades fundamentais. As nossas
tradições têm uma imensa contribuição a oferecer para a humanização da
técnica e, por conseguinte, para inspirar a sua regulamentação, em
defesa dos direitos humanos fundamentais.
Como todos nós sabemos, as nossas religiões ensinam que a paz começa
no coração do homem. Neste sentido, a religião pode desempenhar um papel
essencial. Devemos restituir a esperança à nossa vida pessoal, às
nossas famílias, bairros, escolas, aldeias, países e ao nosso mundo.
Esta esperança fundamenta-se nas nossas crenças religiosas, na convicção
de que um mundo novo é possível.
Há sessenta anos, a Nostra aetate trouxe
esperança ao mundo depois da segunda guerra mundial. Hoje somos
chamados a refundamentar esta esperança no nosso mundo devastado pela
guerra e no nosso ambiente natural degradado. Colaboremos, pois se
estivermos unidos tudo é possível. Façamos com que nada nos divida. E,
neste espírito, desejo manifestar mais uma vez a minha gratidão pela
vossa presença e amizade. Transmitamos este espírito de amizade e
colaboração também à geração futura, porque é o verdadeiro pilar do
diálogo.
E agora, detenhamo-nos um momento em oração silenciosa: a oração tem o
poder de transformar as nossas atitudes, pensamentos, palavras e ações.
_________________
Saudações:
Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, em
particular aqueles provenientes de Portugal e do Brasil. Queridos irmãos
e irmãs, todo cristão é chamado a participar do esforço pela unidade,
levando a esperança ao coração da sociedade. Nunca nos esqueçamos de que
o verdadeiro relacionamento com o Senhor conduz sempre à paz e à
concórdia. Deus vos abençoe!
* * *
APELO
Nestes dias abateu-se sobre a Jamaica o furacão “Melissa”, uma
tempestade de poder catastrófico, provocando violentas inundações e,
nestas horas, com a mesma força devastadora, atravessa Cuba. Milhares de
pessoas ficaram desalojadas, enquanto que casas, infraestruturas e
vários hospitais foram danificados. Asseguro a todos a minha
proximidade, rezando por quantos perderam a vida, por aqueles que estão
em fuga e pelas populações que, à espera do evoluir da tempestade, vivem
momentos de ansiedade e preocupação. Encorajo as Autoridades civis a
fazer tudo o que for possível e agradeço às comunidades cristãs, bem
como às organizações de voluntariado, pela ajuda que continuam a
prestar.
____________________________________
Resumo da catequese do Santo Padre:
Hoje recordamos os 60 anos da Declaração Nostra Aetate,
na qual se ensina que os fiéis de outras religiões são companheiros de
viagem no caminho da verdade. O texto destaca as raízes hebraicas do
cristianismo, renovando a condenação do antissemitismo. Explica, ainda,
que a essência da amizade entre os credos nasce da sede de Deus e o seu
núcleo é a consciência da divina presença para além de qualquer limite. O
diálogo, profundamente espiritual, tem as suas raízes no amor, único
fundamento da paz, da justiça e da reconciliação. Por isso, os cristãos
valorizam tudo o que é bom, verdadeiro e santo nas outras religiões,
recusando qualquer tipo de discriminação, para que, agindo juntos, se dê
um grande contributo ao nosso tempo, combatendo os abusos, humanizando a
tecnologia e promovendo a esperança e a paz.
Papa: que as religiões sirvam para libertar o povo do preconceito, da ira e do ódio
No 60º aniversário da Nostra
Aetate, o Pontífice recorda que “manter viva a esperança, o diálogo e o
amor no coração do mundo” é tarefa sagrada de toda a humanidade.
Thulio Fonseca - Vatican News
"A Igreja Católica não rejeita nada de verdadeiro e santo que
existe nessas religiões e que «refletem não raramente um raio da verdade
que ilumina todos os homens» (n. 2). Ela considera-os com sincera
reverência e convida os seus filhos e filhas, através do diálogo e da
colaboração, a reconhecer, preservar e promover o que é espiritual,
moral e culturalmente bom em todos os povos."
Essas palavras do Papa Leão XIV, proferidas durante seu discurso
na noite desta terça-feira, 28 de outubro, na Sala Paulo VI, ecoaram
como o fio condutor da celebração pelos sessenta anos da Declaração
conciliar Nostra Aetate,
dedicada às relações da Igreja com as religiões não cristãs. O evento,
com o tema “Caminhar juntos na Esperança”, marcou o primeiro momento das
comemorações e reuniu cerca de duas mil pessoas e oitenta
representantes das principais tradições religiosas do mundo, do Judaísmo
ao Islamismo, do Hinduísmo às religiões tradicionais africanas,
acompanhados por um numeroso grupo de crianças.
O Santo Padre durante o encontro com diversos representantes de outras religiões (@Vatican Media)
A atmosfera foi de alegria e fraternidade. O encontro contou com
apresentações artísticas que expressaram a diversidade espiritual e
cultural dos povos: a tradicional dança Kandyan do Sri Lanka, o número indonésio Tiga Apsari,
representando o encontro entre hinduísmo, catolicismo e islamismo; uma
apresentação cultural da República Democrática do Congo; uma melodia
tradicional judaica evocando a esperança do povo de Israel; e, por fim,
uma coreografia contemporânea dos Estados Unidos intitulada “We are the new world” (“Somos o novo mundo”).
Aproximar dos outros com amor
Entre os momentos mais significativos do evento, destacaram-se os
três testemunhos de fé e reconciliação: o do Mestre budista Hassin Tao,
da Birmânia, fundador do Mosteiro Linjiu e do Museu das Religiões do
Mundo em Taiwan; o da judia Sarah Bernstein, diretora do Centro Rossing
em Jerusalém, empenhada na construção de pontes entre comunidades em
conflito; e o dos jovens do projeto “Bel Espoir – MED25”, que navegam
juntos pelo Mediterrâneo promovendo a paz e o encontro entre religiões.
O “diálogo autêntico”, como definiu o Papa, “não começa no
meio-termo, mas na convicção, nas raízes profundas da nossa própria
crença, que nos dão a força para nos aproximarmos dos outros com amor”.
O diálogo como caminho de esperança
Em seu discurso, Leão XIV também recordou que o documento Nostra Aetate,
promulgado pelo Concílio Vaticano II em 1965, “plantou uma semente de
esperança para o diálogo inter-religioso”, que ao longo de seis décadas
cresceu e “se tornou uma árvore majestosa, cujos ramos oferecem refúgio e
produzem frutos de amizade, cooperação e paz”.
“O diálogo não é uma tática nem um instrumento, mas um modo de viver,
um caminho do coração que transforma todos os seus protagonistas, tanto
quem escuta quanto quem fala”, afirmou o Papa, sublinhando que quando
“percorremos este caminho não abandonamos a nossa própria fé, mas
permanecemos mais firmes nela.” O Pontífice lembrou ainda o exemplo
daqueles que “deram a vida pelo diálogo”, chamando-os de mártires e
convidando todos os presentes a recordá-los com gratidão.
Papa Leão XIV durante o encontro na Sala Paulo VI (@Vatican Media)
“Manter vivo o amor”
Leão XIV sublinhou que a mensagem da Nostra Aetate permanece
“mais urgente que nunca”, especialmente em um mundo “onde se erguem
novamente muros entre nações, religiões e até entre vizinhos”. “O
estrondo da guerra, as feridas da pobreza e o clamor da terra nos
lembram de quão frágil ainda é nossa família humana”, disse o Papa.
“Como líderes religiosos, guiados pela sabedoria de nossas respectivas
tradições, compartilhamos uma responsabilidade sagrada: ajudar nosso
povo a libertar-se das correntes do preconceito, da ira e do ódio;
ajudá-lo a elevar-se acima do egoísmo e da autorreferencialidade;
ajudá-lo a vencer a ganância que destrói tanto a alma humana quanto a
terra.”
Em referência ao Jubileu da Esperança, que a Igreja celebra neste
ano, o Papa afirmou que “a esperança e a peregrinação são realidades
comuns a todas as tradições religiosas” e convidou todos a “caminhar
juntos na esperança”:
“Quando o fazemos, algo de belo acontece: os corações abrem-se, as
pontes são construídas e novos caminhos surgem onde parecia impossível.
Esta não é a obra de uma religião, de uma nação ou mesmo de uma
geração. É uma tarefa sagrada para toda a humanidade — manter viva a
esperança, manter vivo o diálogo e manter vivo o amor no coração do
mundo.”
O poder da oração
O Santo Padre enfatizou que "neste momento crucial da história,
foi-nos confiada uma grande missão: despertar em todos os homens e
mulheres o seu sentido de humanidade e do sagrado. É precisamente por
isso, meus amigos, que nos reunimos neste lugar, assumindo como líderes
religiosos a grande responsabilidade de levar esperança a uma humanidade
que muitas vezes é tentada pelo desespero". O encontro foi encerrado
com um momento de oração silenciosa, durante o qual o Santo Padre
convidou todos a pedir “que a paz desça sobre nós e preencha os nossos
corações.”
“A oração tem o poder de transformar nossos corações, nossas
palavras, nossas ações e o nosso mundo”, concluiu o Papa Leão XIV,
recordando as palavras de São João Paulo II em Assis, em 1986: “Se o
mundo deve continuar, e os homens e mulheres devem sobreviver nele, o
mundo não pode prescindir da oração.”
Leão XIV com as crianças do coral italiano (@Vatican Media)
O Papa manifestou sua proximidade
aos que foram atingidos pelo furacão Melissa, na Jamaica, definindo-o
"uma tempestade catastrófica que está causando violentas inundações". O
Pontífice encorajou "as autoridades civis a fazerem tudo o que for
possível" e agradeceu "às comunidades cristãs, junto com as organizações
de voluntários, pela ajuda que estão prestando".
Mariangela Jaguraba – Vatican News
No final da Audiência Geral, desta quarta-feira (29/10), realizada na
Praça São Pedro, o Papa Leão XIV recordou as vítimas do furacão Melissa
que chegou à Jamaica pelo noroeste do país.
Nos últimos dias, o furacão Melissa atingiu a Jamaica, uma
tempestade catastrófica que está causando violentas inundações.
Atualmente, está atravessando Cuba com uma força devastadora. Milhares
de pessoas foram deslocadas, enquanto casas, infraestrutura e vários
hospitais foram danificados.
O Santo Padre assegura sua "proximidade, reza por aqueles que
perderam a vida, por aqueles que estão fugindo e pelas populações que, à
espera do desenrolar da tempestade, estão vivendo momentos de ansiedade
e preocupação".
Encorajo as autoridades civis a fazerem tudo o que for possível e
agradeço às comunidades cristãs, junto com as organizações de
voluntários, pela ajuda que estão prestando.
Devastação causada pela passagem do furacão Melissa, em Kingston, na Jamaica (ANSA)
Danos causados pelo furacão Melissa
O primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, declarou a ilha uma
"zona de desastre" após a passagem do furacão, que registrou ventos de
até 300 quilômetros por hora. "Os relatos que recebemos até agora
incluem danos a hospitais, danos significativos a propriedades
residenciais, habitações e também a propriedades comerciais", disse
Holness, descrevendo os "impactos devastadores" do furacão. A
tempestade, segundo o vice-presidente do Conselho Jamaicano para Gestão
de Riscos de Catástrofes, Desmond McKenzie, danificou quatro hospitais e
deixou um sem energia, obrigando as autoridades a evacuar 75 pacientes.
Mais de meio milhão de pessoas ficaram sem energia elétrica ontem à
noite. A tempestade foi considerada responsável pela morte de sete
pessoas no Caribe, incluindo três na Jamaica, três no Haiti e uma na
República Dominicana, onde outra pessoa continua desaparecida.
A Carta Apostólica "Desenhar
novos mapas de esperança" foi publicada nesta terça-feira, 28 de
outubro, por ocasião do 60° aniversário da Declaração Conciliar
"Gravissimum Educationis", documento que Leão XIV relança e integra aos
desafios atuais. Reitera a necessidade da formação integral da pessoa,
irredutível a um algoritmo, e destaca a família como o principal lugar
da educação. Incentivado o trabalho em rede.
Antonella Palermo – Vatican News
Considerando os milhões de crianças em todo o mundo ainda sem acesso à
educação primária e as dramáticas emergências educacionais causadas por
guerras, migrações, desigualdades e diversas formas de pobreza, como a
educação cristã é interpelada? Estas são apenas algumas das questões que
o Papa Leão XIV aborda em sua Carta Apostólica "Desenhar novos mapas de
esperança", assinada na segunda-feira, 27 de outubro, e divulgada nesta
terça-feira, 28, por ocasião do 60º aniversário da Declaração Conciliar
Gravissimum Educationis. Um texto, enfatiza Leão XIV, que, no atual
ambiente educacional complexo, fragmentado e digitalizado, "não perdeu
sua força" e, de fato, mostra "resiliência surpreendente".
"Essa mensagem que impele as comunidades educativas a construir
pontes para oferecer, com criatividade, formação profissional e cívica
nas escolas e universidades é, de fato, mais válida e urgente hoje do
que nunca", afirma o Papa. A direção a seguir é, portanto, aquela já
indicada no documento do Vaticano II, que deu origem a uma constelação
de obras e carismas, um precioso patrimônio espiritual e pedagógico.
É impressionante o dinamismo que permeia a Carta de Leão XIV, que
convida a usar sempre os carismas educativos como resposta "original" às
necessidades de cada época. Citando Santo Agostinho — que compreendeu
que o mestre autêntico inspira o desejo da verdade, educa para a
liberdade de ler os sinais e escutar a voz interior, o Pontífice
menciona a contribuição que amadureceu neste campo ao longo dos séculos:
do Monaquismo, capaz de levar adiante esta tradição mesmo nos lugares
mais remotos, à obra das Ordens Mendicantes e à Ratio Studiorum, que
fundiu as vertentes da escolástica e da espiritualidade inaciana.
Recorda, em seguida, a experiência de São José de Calasanz com as
escolas gratuitas para os pobres; a de São João Batista de La Salle, com
a sua atenção aos filhos dos camponeses e dos operários, aos quais se
dedicariam os Irmãos das Escolas Cristãs; e, ainda, o compromisso de São
Marcelino Champagnat com a superação de toda discriminação na educação;
e o compromisso histórico de São João Bosco com seu "método
preventivo". O Papa não deixa de mencionar a coragem de muitas mulheres
que, ele lembra, abriram portas para meninas, migrantes e os últimos:
Vicenza Maria López y Vicuña, Francesca Cabrini, Giuseppina Bakhita,
Maria Montessori, Katharine Drexel e Elizabeth Ann Seton.
A educação cristã é um trabalho conjunto
O Papa faz questão de enfatizar a importância do "nós", reiterando
que "ninguém educa sozinho": na comunidade educativa, o professor, o
aluno, a família, quem trabalha na administração e serviço geral,
pastores e sociedade civil convergem para gerar vida. A retomada do
pensamento de São João Newman – que, justamente no contexto do Jubileu
do Mundo Educativo, foi declarado co-padroeiro junto com Santo Tomás de
Aquino – é particularmente pertinente aqui, explica o Papa, "para
convidar a renovar o compromisso com um conhecimento tão
intelectualmente responsável e rigoroso quanto profundamente humano".
Destacando a vitalidade que precisa ser fomentada nos ambientes
educativos, ele afirma que devemos "sair do superficial, recuperando uma
visão empática e aberta". E acrescenta:
O desejo e o coração não devem ser separados do conhecimento: isso
significaria quebrar a pessoa. A universidade e a escola católica são
lugares onde as perguntas não são silenciadas e a dúvida não é banida,
mas sim acompanhada.
Educar é uma tarefa de amor, recorda o Sucessor de Pedro, falando do
ensino como "uma profissão de promessas", pois promete tempo, confiança,
competência, justiça, misericórdia, a coragem da verdade e o bálsamo da
consolação.
A pessoa não pode ser reduzida a um algoritmo
Em sua Carta Apostólica, Leão XIV reitera o conceito central contido
no documento conciliar, que alerta contra toda redução da educação a
"treinamento funcional ou instrumento econômico". Ele reitera que "uma
pessoa não é um 'perfil de competências', não se reduz a um algoritmo
previsível, mas um rosto, uma história, uma vocação". Ele insiste:
A educação não mede seu valor apenas pelo eixo da eficiência: ela o
mede pela dignidade, pela justiça e pela capacidade de servir ao bem
comum.
Reconstruir a confiança num mundo de conflito
Seguindo uma visão que não quer ser meramente nostálgica, mas uma
profunda conexão com o presente, o texto do Papa Leão usa a metáfora das
estrelas no firmamento para expressar que os princípios mencionados são
"estrelas fixas" e "dizem que a verdade se busca em conjunto; que a
liberdade não é um capricho, mas uma resposta; que a autoridade não é
dominação, mas serviço". Daí a reafirmação de não construir muros, de
educar para o mundo e para a concórdia entre indivíduos e povos:
A educação católica tem a tarefa de reconstruir a confiança num
mundo marcado por conflitos e pelo medo, lembrando que somos filhos, não
órfãos: dessa consciência nasce a fraternidade.
Entrelaçar fé, cultura e vida
A ênfase na centralidade da pessoa na educação — como o Papa
Francisco também enfatizou na Jornada Mundial da Juventude em Lisboa —
leva o Pontífice a uma lembrança pessoal que o remete à sua missão no
Peru, à "querida diocese de Chiclayo". Ele relata uma visita à
Universidade Católica São Toríbio de Mogrovejo, onde tranquilizou a
comunidade acadêmica: "Não se nasce profissionais", disse ele na época,
"todo percurso universitário se constrói passo por passo, livro por
livro, ano por ano, sacrifício após sacrifício". Volta novamente o modo
de conceber as escolas católicas, por um lado, e o corpo docente, por
outro, reconhecendo que as atualizações técnicas por si só não bastam
para acompanhar os tempos, mas sempre é necessário o discernimento:
As escolas católicas são ambientes onde fé, cultura e vida se
entrelaçam. Não são simplesmente instituições, mas ambientes vivos onde a
visão cristã permeia cada disciplina e cada interação. Os educadores
são chamados a uma responsabilidade que vai além do contrato de
trabalho: seu testemunho é tão valioso quanto suas aulas. Portanto, a
formação de professores — científica, pedagógica, cultural e espiritual —
é crucial.
Formar rede: a família continua sendo o principal lugar da educação
A expressão "aliança educativa", recorrente em toda a Carta, é
emblemática para ressaltar que a família não pode ser substituída por
outras instâncias educativas: trata-se de colaboração e da consciência
de que a prioridade da educação reside neste núcleo. Escuta,
intencionalidade e responsabilidade compartilhada são necessárias: "É
esforço e bênção: quando funciona, inspira confiança; quando falta, tudo
se torna mais frágil". Além disso, o próprio Concílio coloca essa
responsabilidade dos pais na base de uma educação saudável. Se o mundo
está interligado, a educação também deve estar, promovendo a
participação em todos os níveis e abandonando as rivalidades, herança do
passado, e unindo todos os esforços para uma convergência saudável e
frutífera entre escolas paroquias e colégios, universidades e institutos
superiores, centros de formação profissional, movimentos, plataformas
digitais, iniciativas de aprendizagem-serviço e pastoral escolar,
universitária e cultural. O que conta, segundo a visão do Papa Leão, é
coordenar a pluralidade de carismas para compor uma estrutura "coerente e
frutífera", aproveitando ao máximo as diferenças metodológicas e
estruturais, que devem ser consideradas recursos, não fardos.
O futuro exige que aprendamos a colaborar mais, a crescer juntos.
A educação católica une a justiça social e ambiental
O objetivo do qual não devemos nos desviar é a formação integral da
pessoa, na qual a fé seja considerada não "uma matéria a mais", mas "o
sopro que oxigena todas as outras matérias". Somente assim, especifica a
Carta, a educação católica pode se tornar o "fermento" para um
humanismo integral que aborde as questões do nosso tempo. E o nosso
tempo, infelizmente, marcado em muitas partes pela guerra, exige
precisamente uma educação para a paz, que não é a ausência de conflito,
mas "uma força suave que rejeita a violência. Uma educação para a paz
'desarmada e desarmante' ensina a depor as armas da palavra agressiva e
do olhar crítico, para aprender — enfatiza o Bispo de Roma — a linguagem
da misericórdia e da justiça reconciliada".
Esquecer a nossa humanidade comum gerou divisões e violência; e
quando a Terra sofre, os pobres sofrem ainda mais. A educação católica
não pode ficar calada: deve unir justiça social e justiça ambiental,
promover a sobriedade e estilos de vida sustentáveis e formar
consciências capazes de escolher não apenas o que é conveniente, mas
também o que é certo.
As tecnologias devem servir à pessoa, não substituí-la
Enquanto Leão XIV, novamente inspirando-se no Vaticano II, alerta
para o risco de "subordinar a educação ao mercado de trabalho e à lógica
muitas vezes rígida e desumana das finanças", em relação à tecnologia,
ele envia uma mensagem clara:
Devem enriquecer o processo de aprendizagem, não empobrecer
relações e comunidades. Uma universidade e escola católicas sem visão
correm o risco de uma eficiência sem alma, de uma padronização do
conhecimento, que se torna empobrecimento espiritual.
Em particular, o Papa afirma que "nenhum algoritmo pode substituir o
que torna humana a educação: a poesia, a ironia, o amor, a arte, a
imaginação, a alegria da descoberta e até mesmo a educação ao erro como
oportunidade de crescimento". E acrescenta, entrando no cerne do debate
público contemporâneo, que "a inteligência artificial e os ambientes
digitais devem ser orientados para a proteção da dignidade, da justiça e
do trabalho; devem ser regidos por critérios de ética pública e
participação; devem ser acompanhados por uma reflexão teológica e
filosófica adequada".
Menos cátedra e mais mesas onde se sentar juntos, sem hierarquias inúteis
Seguindo o legado profético do Papa Francisco, portanto, com a Carta
"Traçar novos mapas de esperança", o Papa Leão acrescenta três
prioridades aos sete percursos já delineados por seu antecessor no Pacto
Educativo Global:
A primeira diz respeito à vida interior: os jovens exigem
profundidade; são necessários espaços de silêncio, discernimento e
diálogo com a consciência e com Deus. A segunda diz respeito ao digital
humano: educamos para o uso sábio da tecnologia e da IA, colocando a
pessoa à frente do algoritmo e harmonizando a inteligência técnica,
emocional, social, espiritual e ecológica. A terceira diz respeito à paz
desarmada e desarmante: educamos para linguagens não violentas,
reconciliação, pontes, não muros; "Bem-aventurados os que promovem a
paz" (Mt 5,9) torna-se o método e o conteúdo da aprendizagem.
Menos oposições estéreis, mais sinfonia do Espírito
O pedido final da Carta é para desarmar as palavras, elevar o olhar e
proteger o coração. O mandato à comunidade educativa, no entanto, não
ignora os desafios: "a hiperdigitalização pode destruir a atenção; a
crise das relações pode ferir a psique; a insegurança social e a
desigualdade podem apagar o desejo". Precisamente neste contexto atual,
são necessárias "qualidade e coragem", a serem praticadas em vista de
uma inclusão cada vez maior, que não seja indiferente à pobreza e à
fragilidade, porque, sublinha o Papa, "a gratuidade evangélica não é
retórica: é um estilo de relação, um método e um objetivo". Se assim não
fosse, se perderiam os pobres, mas:
Perder os pobres equivale a perder a própria escola.
São Judas Tadeu é um dos santos mais
populares e queridos entre os católicos devido aos inúmeros “favores”
que seus devotos asseguram ter conseguido por meio da sua intercessão.
Confira a seguir, oito coisas que talvez não sabia sobre São Judas
Tadeu, o conhecido padroeiro das causas impossíveis.
1. Tadeu significa “magnânimo”
A tradição na Igreja conhece este
apóstolo como Judas Tadeu. Os Evangelistas São Mateus e São Marcos o
nomeiam simplesmente “Tadeu” (Mt 10, 3; Mc 3, 18) e Lucas o denomina
“Judas, irmão de Tiago” (Lc 6, 16; At 1, 13). Judas significa “Deus seja
louvado”.
Não sabemos
exatamente de onde provém o segundo nome Tadeu, provavelmente vem do
aramaico “taddà”, isto é “peito” e, portanto, significaria “magnânimo”.
Ou talvez surgiu da abreviação de um nome grego como “Teodoro, Teódoto”.
2. Era primo de Jesus
Algumas pessoas afirmam que São
Judas Tadeu era irmão do apóstolo são Tiago, filho de Alfeu (Cleofas), o
qual era irmão de São José. Segundo o documento publicado pela
Congregação para o Clero, Cleofas se casou com Maria de Cleofas, depois
de enviuvar de seu primeiro matrimônio do qual nasceu são Judas Tadeu.
Esta outra Maria era a “irmã” da
Virgem Maria que estava ao pé da cruz (Jo 19,25). Portanto, são Tiago
Menor e Judas seriam primos de Jesus e sobrinhos de São José e da
Santíssima Virgem. Entretanto, não conseguiram comprovar se Maria de
Cleofas era “irmã” de sangue da Virgem Maria ou somente sua cunhada
porque nesse tempo se chamava “irmãos” os parentes em geral.
3. Parecia muito com Jesus
São Judas Tadeu
normalmente é representado com uma medalha no peito, com o rosto de
Cristo impresso. Isto acontece porque se parecia com Jesus fisicamente e
também espiritualmente. Além disso, o santo carrega uma chama de fogo
na cabeça a qual manifesta que recebeu o Espírito Santo em Pentecostes.
Outros escultores o mostram levando
uma Bíblia em referência ao livro que leva seu nome. Em sua mão aparece
uma machadinha, referente ao seu martírio, ou um cajado como símbolo
das grandes distâncias que percorria enquanto pregava.
4. Morreu mártir junto com são Simão
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São Judas Tadeu pregou primeiro
na Judeia, em seguida foi para a Mesopotâmia e finalmente a Pérsia,
lugar no qual se reuniu com o apóstolo São Simão e juntos combateram as
heresias de Zaroes e Arfexat, dois sacerdotes pagãos que levantaram o
povo contra as obras dos apóstolos. Ambos os apóstolos receberam juntos a
coroa do martírio e, por isso, a Igreja os celebra no mesmo dia. As
relíquias dos santos estão em um altar da Basílica de São Pedro no
Vaticano.
5. Teve uma visão de Jesus antes de morrer
Antes de morrer, são Judas olhou
para são Simão e lhe disse que viu o Senhor que os chamava para Ele.
Segundo a antiga tradição, mataram São Simão cortando seu corpo em dois e
cortaram a cabeça de são Judas Tadeu com uma machadinha. A Igreja no
ocidente celebra o seu dia em 28 de outubro.
6. É padroeiro das causas impossíveis
Santa Brígida da Suécia, mística e
padroeira da Europa, escreveu que um dia Jesus lhe recomendou que quando
quisesse obter certos favores, deveria pedir pela intercessão de são
Judas Tadeu. Por esta razão, é considerado padroeiro das causas
impossíveis, assim como Santa Rita de Cássia.
7. Tem uma epístola na Bíblia
A Epístola ou Carta de Judas faz
parte do Novo Testamento e é atribuída a são Judas Tadeu. Foi escrita em
grego entre os anos 62 e 65, antes da queda de Jerusalém. Foi escrita
por Judas, irmão de são Tiago, e não está dirigida a ninguém, nem a
alguma Igreja em particular.
Através dela, repreende os falsos
mestres e convida todos a manterem a pureza da fé. A carta termina com
uma bela oração (Jd 1, 25) que diz: “Ao Deus único, Salvador nosso, por
Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e
poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém”.
8. A Igreja não avaliza as polêmicas correntes de oração
Normalmente,
circulam pela Internet e em papéis deixados nas casas ou nos templos,
uma suposta “corrente ou Novena Milagrosa a São Judas Tadeu”, a qual
exige que o conteúdo seja compartilhado a um número determinado de
pessoas e dentro de um período de tempo para obter bênçãos e ameaça com
males aqueles que não o façam. A origem é desconhecida, mas a Igreja não
avaliza estas iniciativas.