segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

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O Papa: o medo freia a alma, o antídoto é a proximidade às pessoas

 


Francisco conversa com o psicólogo Salvo Noé para o livro "Medo como dom" (São Paulo), que será lançado em 25 de janeiro. O Pontífice conta seus pensamentos, medos e sensações durante estes anos de pontificado, a partir de sua eleição no Conclave. Depois reflete sobre temas como a acolhida de migrantes e pessoas homossexuais, o carreirismo, a formação nos seminários e a prevenção de abusos. Enfim revela: "eu também tenho às vezes medo de cometer erros, mas o medo excessivo não é cristão".

Salvatore Cernuzio, Silvonei José – Vatican News

"Às vezes sim, quando tenho que tomar uma decisão, digo para mim mesmo: 'e se eu fizer isso assim...? É um pouco de medo de cometer um erro, não é? E o medo neste caso me ajuda, porque me leva a pesar bem as decisões a serem tomadas, como fazê-lo e tudo mais. Não é o medo que me aniquila, não.... É um sentimento que me deixa alerta: o medo é como uma mãe que adverte".

Novas facetas da humanidade do Papa, que o mundo aprendeu amplamente a conhecer nestes quase dez anos de seu pontificado, emergem na longa entrevista de Francisco a Salvo Noé, psicólogo e psicoterapeuta, para o livro "O medo como dom" (Edições São Paulo).


Conversa serena


Noé encontrou o Pontífice na Casa Santa Marta, onde Francisco reside e onde, do lado de fora da porta de seu apartamento, está pendurado um letreiro com as palavras Proibido lamentar-se, título de um precedente livro best-seller do mesmo psicólogo. "Em um dos muitos encontros", relata o autor, apresentando a entrevista, "expressei ao Santo Padre o desejo de escrever um livro sobre medos, perguntando-lhe se ele gostaria de me dar sua contribuição. Como sempre, a resposta foi positiva e assim, em uma tarde de janeiro, armado com um gravador, fiz algumas perguntas às quais o Pontífice respondeu com sua voz calma e tranquila de sempre. Ele também me fez algumas perguntas sobre o medo e assim nosso diálogo se tornou um encontro de muitos pontos de reflexão".

O diálogo com o Papa, que abre o livro, quer será publicado no dia 25 de janeiro, sonda os pensamentos, sensações e emoções do homem que desde o dia 13 de março de 2013 é o guia da Igreja universal (começando com o medo inicial que depois se tornou 'tranquilidade' no dia do Conclave) e analisa temas de estreita relevância eclesiástica, como a formação nos seminários, as 'perversões' da hipocrisia, da mundanidade, do carreirismo, o acolhimento de pessoas homossexuais e migrantes, a prevenção do abuso do clero, introduzindo, talvez, caminhos psicológicos nos seminários.


Abusos, psicologia e seminários


Precisamente sobre este último ponto, Francisco reitera - como já fez em outras ocasiões - que "ao iniciar um processo vocacional, é necessário avaliar de forma integral o modo de vida, o aspecto psicológico, as relações interpessoais da pessoa que deseja embarcar no caminho entrando no seminário". "É melhor perder uma vocação do que arriscar com um candidato inseguro", afirma. Para o Papa, a proposta de introduzir a psicologia nos seminários é "muito útil": "tudo o que aconteceu, os abusos sexuais de menores por parte do clero, destacou dramaticamente este problema... É necessário notar antes da ordenação sacerdotal se há inclinações para abusos. Isto pode ser feito por um profissional como você, que também estudou para isto. Se não forem reconhecidos, estes problemas podem ter efeitos devastadores".

"O seminário não é um refúgio para tantas limitações que possamos ter, nem é um refúgio para falhas psicológicas", afirma ainda o Papa Francisco. "O caminho deve levar a formar sacerdotes e consagrados maduros, especialistas em humanidade e proximidade, e não funcionários do sagrado". As pessoas precisam encontrar testemunhas da fé com as quais possam se confrontar e receber apoio e proximidade boa, humana".


A pessoas homossexuais


A conversa também se detém no tema das pessoas homossexuais: "Deus é Pai e não renega nenhum de seus filhos", diz o Papa. "E o estilo de Deus é proximidade, misericórdia e ternura". Não julgamento e marginalização. Deus se aproxima com amor de todos e de cada um de seus filhos. Seu coração está aberto a todos e a cada um. Ele é Pai. O amor não divide, mas une".


Migrantes usados para causar medo


Sobre o tema da acolhida, o Papa também lembra a questão que lhe é cara dos migrantes que frequentemente - diz - são usados como um expediente "para causar medo nas pessoas, para fazê-las acreditar que nossos problemas surgem a partir disso". Em vez disso, nossos problemas "surgem da falta de valores elevados, da forma desorganizada de viver em nossas casas e em nossas cidades, do vazio de fé que nos afasta uns dos outros e não nos permite a fraternidade".


Um estilo respeitoso do meio-ambiente


Na mesma linha, o Papa Francisco reitera seu chamado a "adotar um estilo de vida respeitoso do meio-ambiente para salvaguardar o patrimônio da criação e proteger a vida daqueles que habitam o planeta". "Nossa terra está doente", denuncia, "é maltratada e saqueada" e é a consequência de "um modo de vida dominado pelo egoísmo e uma cultura do desperdício, e nos colocou diante de uma alternativa: continuar no caminho percorrido até agora ou embarcar em um novo caminho". O que é necessário é uma "conversão ecológica", uma "mudança de rumo", enfatiza Francisco, "o homem deve assumir a responsabilidade de um compromisso de cuidar da Casa comum".


Medo excessivo, um comportamento anticristão


Francisco e Noé refletem longamente sobre o conceito de medo, tema central do livro. "O medo excessivo é um comportamento que nos machuca, nos enfraquece, nos encolhe, nos paralisa. Tanto que uma pessoa escravizada pelo medo não se move, não sabe o que fazer: tem medo, concentra-se sobre si mesma, esperando que algo ruim aconteça. Portanto, o medo leva a um comportamento que paralisa", observa o Papa. "O medo excessivo, de fato, não é um comportamento cristão, mas é uma atitude, podemos dizer, de uma alma aprisionada, sem liberdade, que não tem liberdade para olhar para frente, para criar algo, para fazer o bem".


A hipocrisia na Igreja é detestável


A hipocrisia também não é cristã, acrescenta o Papa. "É o medo da verdade", explica, e a Igreja não está isenta dela. "O hipócrita teme a verdade. Preferimos fingir, a ser nós mesmos. É como jogar fora a alma. A prepotência aniquila a coragem de dizer a verdade abertamente e assim se esquiva facilmente da obrigação de dizê-la sempre, em todos os lugares e apesar de tudo".  "Há muitas situações em que isto acontece: se esconde no local de trabalho, onde se tenta parecer amigável com os colegas enquanto a competição leva a atacá-los por trás; na política não é raro encontrar hipócritas que vivem uma divisão entre o público e o privado". Entretanto, o Papa enfatizou, "a hipocrisia na Igreja é particularmente detestável". Infelizmente ela existe e há muitos cristãos e ministros hipócritas. Nunca devemos esquecer as palavras do Senhor: "Que seu discurso seja sim, sim, não, não". O mais vem do maligno".


A eleição no Conclave


Das reflexões passamos às recordações e a memória volta ao dia da eleição, àquela maneira "acolhedora e simples" do Papa se apresentar ao mundo, como diz Noé, que "conquistou o coração de tantos". "Eu não esperava ser eleito, mas nunca perdi minha paz. Eu tinha trazido uma pequena mala, convencido de que voltaria a Buenos Aires, para o Domingo de Ramos. Eu havia deixado as homilias preparadas ali. Em vez disso, fiquei em Roma", explica Jorge Mario Bergoglio. Ele se lembra do cardeal Claudio Hummes, sua recomendação de não se esquecer dos pobres, e também a reafirmação: "Não se preocupe, é assim que o Espírito Santo faz", diante da expressão surpresa do Papa recém-eleito. "Senti paz e tranquilidade, mesmo nas escolhas decisivas, por exemplo, eu não queria usar nada, apenas o vestido branco. Também os sapatos eu não quis colocar. Eu já tinha os sapatos e só queria ser normal. Depois saí e disse boa noite".


Andar pela rua


O Papa Francisco mais uma vez confessa sua saudade de poder vaguear pelas ruas como na Argentina, encontrar as pessoas, conversar com elas e compartilhar histórias, dificuldades e humores: "eu tenho que me ater aos protocolos de segurança. Aqui eles têm medo de que algo possa acontecer comigo". É outro medo, neste caso, porém, justificado. "As primeiras vezes, assim que fui eleito, tentei sair sem avisar e criei sérios problemas para as pessoas que trabalham para garantir minha segurança", revela o Papa.


A escolha de morar em Santa Marta


Sobre a escolha de morar em Santa Marta, onde o Pontífice se alimenta em uma sala de jantar comunitária e divide a mesa com outras pessoas, Noé pergunta se esta decisão foi influenciada por algum tipo de medo. Sim', responde o Papa Francisco, 'escolhi viver na Casa Santa Marta, em vez de no histórico apartamento papal no Palácio Apostólico, porque, como você pode entender, preciso conhecer pessoas, conversar, e aqui me sinto mais livre'. Lá me sentia blindado e isso me assustava. Cada um de nós tem que se conhecer para encontrar as melhores soluções para nosso desconforto. Quando me levaram para o Palácio Apostólico, assim que fui eleito, vi um quarto muito grande, um grande banheiro e um efeito funil. Salas grandes, mas uma entrada pequena, onde apenas muito poucos funcionários podem entrar. Então pensei: paciência se eu não posso sair para passear fora do Vaticano, mas pelo menos quero ver pessoas. Foi por isso que escolhi a Casa Santa Marta. Eu queria quebrar este hábito do Papa isolado. Aqui pego meu café na máquina, como na cantina com os outros, rezo missa todos os dias e brinco com os guardas suíços. No meu desembarque há sempre um Guarda Suíço. Um dia eu lhe ofereci um lanche, ele não o quis aceitar, dizendo-me que não tinha ordens do comandante. Eu respondi: 'Sou eu o comandante'".


A proximidade é o verdadeiro antídoto para o medo


Por outro lado, "a proximidade com as pessoas, a capacidade de se confrontar, de fazer coisas juntos é o verdadeiro antídoto para o medo", evidencia o Papa Francisco. "Muitas vezes, o isolamento, o sentir-se errado, ter problemas e não encontrar ajuda, pode levar a crises que se transformam em angústia mental. Meu trabalho está repleto de pessoas que se sentem solitárias e terrivelmente longe de "casa". A solidão é o verdadeiro mal da nossa sociedade. Todos conectados com os telefones celulares, mas desconectados da realidade".


Mundanidade, perversão na Igreja


Enfim, Francisco reafirma sobre o futuro: "Jesus está sempre ao nosso lado". Ele incita os fiéis a "viverem com amor, a saber como confiar-se ao Pai". E lança mais uma vez um apelo a todos os sacerdotes para que demonstrem "misericórdia, coragem e portas abertas". "Hoje", diz, "a maior perversão na Igreja é a de sacerdotes carreiristas e a mundanidade". A mundanidade que leva à vaidade, arrogância, orgulho. A mundanidade mata, como disse certa vez, um sacerdote mundano é um pagão clericalizado. Os fiéis precisam ver que somos como eles, que temos os mesmos medos e o mesmo desejo de viver na graça de Deus. Aproximar crentes e não-crentes e falar com o coração aberto. Todos nós devemos fazer isso".


(vaticannews)

JMJ 2023 será “para abrir o coração”, diz o Papa. Em Portugal viveram-se 24 horas de oração

 


Assinalando os 400 mil inscritos na Jornada de Lisboa, Francisco dirigiu uma mensagem vídeo aos jovens. Disse-lhes para olharem “sempre mais além”, pois têm “sede de horizonte”. Pediu-lhes para não erguerem paredes nas suas vidas.

Rui Saraiva – Portugal

“Estamos a aproximar-nos, embora faltem alguns meses, da Jornada Mundial da Juventude, e já há 400 mil jovens inscritos”, foi com estas palavras que o Papa Francisco se dirigiu em mensagem vídeo aos jovens saudando a adesão maciça ao evento de Lisboa.


Sede de horizonte

 

“A mim chama-me a atenção e alegra-me que tantos jovens venham porque precisam de participar. Alguns dirão “eu vou por turismo”, mas os jovens que vêm é porque, no fundo, sentem necessidade de participar, de partilhar, de contar a sua experiência e receber a experiência do outro, têm sede de horizonte”, disse o Papa.


O Santo Padre recordou aos jovens a importância de olharem “sempre mais além”, pois têm “sede de horizonte”. Pediu-lhes para não erguerem paredes nas suas vidas.


“Vocês, jovens, que são 400 mil, têm sede de horizonte. Que nesta Jornada aprendam sempre a olhar o horizonte, a olhar sempre mais além. Não levantem uma parede diante da vossa vida. As paredes fecham, o horizonte faz-te crescer. Olhem sempre o horizonte, também com os olhos, mas sobretudo com o coração. Abram o coração a outras culturas, a outros rapazes, a outras raparigas, que vêm também a esta Jornada”, salientou.


Neste tempo de preparação o Papa Francisco frisou que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é “para abrir o coração”.


“Preparem-se para isto, para abrirem horizontes, para abrir o coração, e obrigado por se terem inscrito já com tanta antecedência. Espero que outros possam seguir o vosso exemplo, de se inscreverem. Que Deus vos bendiga, que a Virgem cuide de Vós. Rezem por mim que eu rezo por vós. E não se esqueçam: paredes não, horizontes sim. Obrigado”, concluiu.


Em janeiro 24 horas de oração

 

Em Portugal decorreram 24 horas de oração pela JMJ nos dias 21 e 22 de janeiro. Um desafio lançado pelo Comité Organizador Local (COL) da JMJ.


Nas dioceses portuguesas viveram-se momentos de especial oração e de encontro entre os jovens. As vigílias de oração decorreram sendo dado especial espaço à Adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.


O objetivo desta iniciativa de longa e larga expressão em todo o país, foi convidar as pessoas a rezarem pela JMJ Lisboa 2023. A proposta foi encontrar Jesus Sacramentado num exercício de oração com um coração renovado.


Símbolos seguem de Viana do Castelo para Braga

 

Entretanto, decorre na diocese de Viana do Castelo a peregrinação dos símbolos da JMJ. A cruz peregrina e o ícone mariano “Salus Populi Romani” têm percorrido a diocese do norte de Portugal com várias atividades, incluindo em ambientes de festas tradicionais como são os arraias populares daquela região.


“Arraial da Juventude” foi o nome dado pelo Secretariado da Pastoral Juvenil de Viana do Castelo a uma iniciativa dinamizada por aquele organismo da diocese.


“Um arraial minhoto típico que nos caracteriza tanto”, realçou o padre Domingos Meira, que é também o coordenador do Comité Organizador Diocesano (COD) de Viana do Castelo para a JMJ 2023, em declarações à Agência Ecclesia.


Os símbolos da JMJ chegaram a Viana do Castelo no dia 29 de dezembro de 2022 e vão ser entregues à Arquidiocese de Braga no próximo dia 29 de janeiro, depois de terem percorrido as comunidades dos dez arciprestados da diocese de Viana do Castelo.


Segundo o padre Domingos Meira, esta peregrinação “está a correr muito bem” e está a ter o efeito “de mobilizar, de abrir as portas” na preparação da diocese para a JMJ Lisboa 2023.


“Toda a gente abre as portas para acolher os símbolos com expectativa, com alegria, e sente-se algo especial em quem recebe os símbolos”, disse o coordenador do COD Viana do Castelo à Agência Ecclesia.


Recordemos que foi no domingo dia 23 de outubro que o Papa Francisco se inscreveu durante a oração mariana do Angelus, como primeiro inscrito da JMJ Lisboa 2023. Neste momento já são mais de 400 mil os inscritos.


A Rádio Vaticano e o Vatican News continuam a acompanhar a preparação da Jornada Mundial da Juventude que decorrerá de 1 a 6 de agosto em Lisboa.


Laudetur Iesus Christus

(vaticannews)


Homilia | A reação dos que se incomodam com a verdade (Segunda-feira da ...

Hoje é celebrado santo Ildefonso, capelão e fiel notário da Virgem

 


REDAÇÃO CENTRAL, 23 Jan. 23 / 05:00 am (ACI).- “Tu és meu capelão e meu fiel notário; recebe esta casula que meu Filho te envia”, disse a Virgem Maria quando apareceu a santo Ildefonso. O santo tinha profunda devoção pela Imaculada Conceição doze séculos antes que fosse proclamado o dogma. Sua festa é celebrada hoje (23).

Santo Ildefonso nasceu em Toledo (Espanha), no ano 606. Foi educado em Sevilha, por santo Isidoro. Ildefonso optou pela vida monástica e, com o tempo, foi eleito Abade de Agalia. Em 657, foi eleito arcebispo de Toledo e unificou a liturgia na Espanha. Escreveu muitas obras importantes sobre a Virgem Maria.

Certa noite de dezembro, santo Ildefonso, junto com seus clérigos e alguns outros, foram à Igreja para cantar hinos em honra à Virgem. Viram que a capela brilhava com luz deslumbrante. A maioria saiu fugindo, exceto o santo e seus dois diáconos.

Quando se aproximaram do altar, encontraram Maria, a Imaculada Conceição, sentada na cadeira do bispo e acompanhada de virgens que entoavam cantos celestiais. A Virgem lhes fez um sinal para que se aproximassem. O santo assim o fez e a Virgem lhe presentou com uma casula. Ela mesma o investiu e lhe disse para usá-la apenas nos dias festivos em sua honra.

A aparição e a casula foram tão evidentes que o Concílio de Trento fixou um dia de festa especial para perpetuar sua memória.  Na Acta Sanctorum, este fato aparece como “Descida da Santíssima Virgem e de sua Aparição”.

Santo Ildefonso morreu em 669. Os peregrinos podem observar na catedral a pedra em que a Mãe de Deus colocou seus pés quando apareceu ao santo.

Oração a Maria de santo Ildefonso

A ti recorro, Virgem singular e Mãe de Deus, e me prostro diante de ti, única a cooperar na encarnação do meu Deus. Humilho-me diante de ti, única escolhida para Mãe do meu Senhor, e rogo a ti, única serva de teu Filho; alcança-me o perdão dos meus pecados, dá-me ser purificado de minhas obras, faze-me amar a glória de tua virtude, revela-me a abundância da doçura do teu Filho, concede-me defender e falar da verdadeira fé, em teu Filho. Ajuda-me também a aderir a Deus e a ti. A ele como a meu Criador, a ti como Mãe do meu Criador; a ele como ao Senhor das virtudes: a ti como à serva do Senhor do universo; a ele como a Deus, a ti como à Mãe de Deus, a ele como ao meu Redentor, a ti como aquela que cooperou na minha redenção.

Pois o que ele realizou para me redimir foi verdadeiramente de tua pessoa que formou. Para se fazer meu Redentor, tornou-se teu Filho. Para se transformar no preço de meu resgate, encarnou-se na tua carne. O corpo no qual curou nossas feridas, foi da tua carne que o tirou para que pudesse ser ferido. O corpo no qual devia aniquilar os meus pecados, ele o recebeu de ti, sem pecado. A minha natureza, que como meu predecessor colocou em seu reino, na glória do trono do Pai que está acima dos anjos, ele a assumiu de ti, na sua humildade.

Sou teu servo, porque meu Senhor é teu Filho.  És minha senhora, porque és a serva do meu Senhor. Sou o servo da serva do meu Senhor, porque tu, minha Senhora, te tornaste a Mãe do teu Senhor. Tornei-me teu servo porque te tornaste a Mãe do meu Criador.

Eu te suplico, Virgem Santa, que o Espírito do qual geraste Jesus me obtenha possuir Jesus. Que o Espírito pelo qual tua carne concebeu Jesus conceda à minha alma receber Jesus. Que o Espírito que te fez saber o que é possuir e dar à luz a Jesus me faça conhecer Jesus.  Que nesse Espírito no qual te declaraste a serva do Senhor, aceitando que se fizesse em ti segundo a palavra do Anjo, também proclame humildemente as grandezas de Jesus. Que nesse Espirito no qual tu o adoras como Senhor e o contemplas como Filho, também eu ame a Jesus. E possa eu, realmente, ter para com Jesus o mesmo respeito que ele tinha para com seus pais, embora, na verdade, fosse Deus.


(acidigital)

Laudes de Segunda-feira da 3ª Semana do Tempo Comum

domingo, 22 de janeiro de 2023

Programa 70x7 22 Jan 2023

DOUTOR BRUNO MENEZES | SantoFlow Podcast #086

HOMILIA DO PAPA

 DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS


SANTA MISSA


HOMILIA DO PAPA FRANCISCO


  Basílica de São Pedro

III Domingo do Tempo Comum, 22 de janeiro de 2023


Jesus deixa a vida tranquila e incógnita de Nazaré, mudando para Cafarnaum, cidade situada junto do mar da Galileia, lugar de passagem, encruzilhada de povos e culturas diferentes. A instância que O impele é o anúncio da Palavra de Deus, que deve ser levada a todos. Vemos realmente no Evangelho que o Senhor a todos convida à conversão, e chama também os primeiros discípulos para transmitirem aos outros a luz da Palavra (cf. Mt 4, 12-23). Assumamos este dinamismo, que nos ajuda a viver o Domingo da Palavra de Deus: a Palavra é para todos, a Palavra chama à conversão, a Palavra torna-nos anunciadores.


A Palavra de Deus é para todos. O Evangelho apresenta-nos Jesus sempre em movimento, saindo ao encontro dos outros. Em nenhuma ocasião da sua vida pública, nos dá a ideia de ser um mestre estático, um professor sentado na sua cátedra; pelo contrário, vemo-Lo itinerante, vemo-Lo peregrino, a percorrer cidades e aldeias ao encontro de rostos e casos. Os seus pés são os do mensageiro que anuncia a boa-nova do amor de Deus (cf. Is 52, 7-8). Como observa o texto, lá onde Jesus prega, na Galileia dos gentios, ao longo da via do mar, na região de além do Jordão, jazia um povo mergulhado nas trevas: estrangeiros, pagãos, mulheres e homens de variadas regiões e culturas (cf. Mt 4, 15-16). E agora também eles podem ver a luz. Assim Jesus «amplia as fronteiras»: a Palavra de Deus, que sara e levanta, não se destina apenas aos justos de Israel, mas a todos; quer alcançar os que estão longe, curar os doentes, salvar os pecadores, reunir as ovelhas perdidas e encorajar a quantos têm o coração cansado e oprimido. Em suma, Jesus ultrapassa os confins para nos dizer que a misericórdia de Deus é para todos. Não esqueçamos isto: a misericórdia de Deus é para todos e para cada um de nós. Cada um pode dizer: «a misericórdia de Deus é para mim».


Este aspeto é fundamental também para nós. Recorda-nos que a Palavra é um dom dirigido a cada um e, por isso, não podemos jamais limitar o seu campo de ação, porque aquela, ultrapassando todos os nossos cálculos, germina de forma espontânea, imprevista e imprevisível (cf. Mc 4, 26-28), segundo modalidades e tempos que o Espírito Santo conhece. E se a salvação é destinada a todos, incluindo os mais distantes e os extraviados, então o anúncio da Palavra deve tornar-se a principal urgência da comunidade eclesial, tal como o foi para Jesus. Não nos aconteça professar um Deus de coração largo e ser uma Igreja de coração estreito (seria – ouso dizer – uma maldição); não nos aconteça pregar a salvação para todos e tornar intransitável o caminho para a acolher; não nos aconteça saber que somos chamados a levar o anúncio do Reino e transcurar a Palavra, dispersando-nos em tantas atividades secundárias ou tantos debates secundários. Aprendamos com Jesus a colocar a Palavra no centro, a alargar as fronteiras, abrir-nos às pessoas, gerar experiências de encontro com o Senhor, sabendo que a Palavra de Deus «não está cristalizada em fórmulas abstratas e estáticas, mas tem uma história dinâmica, feita de pessoas e acontecimentos, de palavras e ações, de evoluções e tensões» (XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Instrumentum laboris «A palavra de Deus na vida e na missão da Igreja», 2008, 10).


Passemos agora ao segundo aspeto: a Palavra de Deus, que se dirige a todos, chama à conversão. De facto, na sua pregação, Jesus repete: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (Mt 4, 17). Isto significa que a proximidade de Deus não é neutral, a sua presença não deixa as coisas como estão, não defende o «não te rales». Pelo contrário, a sua Palavra mexe connosco, desinquieta-nos, incentiva-nos à mudança, à conversão: põe-nos em crise, porque «é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes (...) e discerne os sentimentos e intenções do coração» (Heb 4, 12). É verdade! À semelhança duma espada, a Palavra penetra na vida, fazendo-nos discernir sentimentos e intenções do coração, ou seja, fazendo-nos ver qual é a luz do bem a que havemos de dar espaço e onde, ao contrário, se adensam as trevas dos vícios e pecados que temos de combater. A Palavra, quando penetra em nós, transforma o coração e a mente; muda-nos, levando a orientar a vida para o Senhor.


Este é o convite de Jesus: Deus aproximou-Se de ti, por isso dá-te conta da sua presença, dá espaço à sua Palavra e mudarás a perspetiva da tua vida. Por outras palavras: coloca a tua vida sob a Palavra de Deus. Este é o caminho que nos indica a Igreja: todos, mesmo os Pastores da Igreja, estamos sob a autoridade da Palavra de Deus; não sob os nossos gostos, as nossas tendências ou preferências, mas unicamente sob a Palavra de Deus que nos molda, converte, pede para permanecermos unidos na única Igreja de Cristo. Então, irmãos e irmãs, podemos perguntar-nos: A minha vida, que direção toma; donde tira a orientação? Das numerosas palavras que escuto, das ideologias ou da Palavra de Deus que me guia e purifica? E em mim, quais são os aspetos que exigem mudança e conversão?


Finalmente – terceiro aspeto – a Palavra de Deus, que se dirige a todos e chama à conversão, torna-nos anunciadores. Com efeito, Jesus passa pelas margens do lago da Galileia e chama Simão e André, dois irmãos que eram pescadores. Convida-os, com a sua Palavra, a segui-Lo, dizendo que fará deles «pescadores de homens» (Mt 4, 19): já não peritos só em barcos, redes e peixes, mas peritos na busca dos outros. E como, na navegação e na pesca, aprenderam a deixar a margem para lançar as redes ao largo, de igual modo tornar-se-ão apóstolos capazes de navegar no mar aberto do mundo, indo ao encontro dos irmãos e anunciando-lhes a alegria do Evangelho. Este é o dinamismo da Palavra: atrai-nos para a «rede» do amor do Pai e torna-nos apóstolos que sentem o desejo irreprimível de fazer subir para a barca do Reino todos os que encontram. E isto não é proselitismo, porque é a Palavra de Deus que chama, não a nossa palavra.


Assim, sintamos dirigido também a nós o convite para ser pescadores de homens: sintamo-nos chamados por Jesus pessoalmente para anunciar a sua Palavra, testemunhá-la nas situações de cada dia, vivê-la na justiça e na caridade, chamados «encarná-la» acarinhando a carne de quem sofre. Esta é a nossa missão: sair à procura de quem está perdido, de quem está oprimido e desanimado, para lhes levar, não nós mesmos, mas a consolação da Palavra, o anúncio desinquietador de Deus que transforma a vida, para lhes levar a alegria de saber que Ele é Pai e fala a cada um, levar a beleza de dizer: «Irmão, irmã, Deus aproximou-Se de ti, escuta-O e, na sua Palavra, encontrarás um dom estupendo!»


Irmãos e irmãs, quero concluir convidando simplesmente a agradecer a quem se esforça por que a Palavra de Deus volte a ser colocada no centro, partilhada e anunciada. Obrigado a quem a estuda e aprofunda a sua riqueza; obrigado aos agentes pastorais e a todos os cristãos empenhados na escuta e difusão da Palavra, especialmente os leitores e catequistas: hoje vou conferir o ministério a alguns deles. Obrigado a quantos acolheram os inúmeros convites que fiz para trazer sempre connosco o Evangelho e lê-lo todos os dias. E, por fim, um agradecimento particular aos diáconos e aos sacerdotes: Obrigado, queridos irmãos, porque não deixais faltar ao Povo santo o alimento da Palavra; obrigado por vos empenhardes a meditá-la, vivê-la e anunciá-la; obrigado pelo vosso serviço e os vossos sacrifícios. A todos nós, sirva de consolação e recompensa a doce alegria de anunciar a Palavra da salvação.


 

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Missa por ocasião do Domingo da Palavra de Deus 22 de janeiro de 2023 ...

Laudes do 3º Domingo do Tempo Comum