quarta-feira, 27 de março de 2024
Quarta-feira da Semana Santa é o Dia da Traição
Por Redação central
27 de mar de 2024 às 05:00
Hoje (27), Quarta-feira Santa, termina a Quaresma e, ao mesmo tempo, termina a primeira parte da Semana Santa, a Semana Maior. Amanhã, quinta-feira (28), começa o Tríduo Pascal, núcleo das celebrações da Igreja.
Hoje, seguindo as Escrituras Sagradas, é a noite em que Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos escolhidos por Jesus, se reuniu com o Sinédrio, o tribunal religioso judaico, e fez um acordo com seus membros para entregar Jesus em troca de 30 moedas.
O plano para matar Jesus se põe em andamento. Por isso, muitos se referem à Quarta-feira Santa como “o primeiro dia de luto da Igreja”.
Sobre o evangelho de hoje
A leitura do evangelho de hoje é extraída de são Mateus 26,14-25. Jesus e os Apóstolos aguardam a Páscoa. Os versículos introdutórios registram o momento em que Cristo é traído:
“Naquele tempo, um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: ‘Que me dareis se vos entregar Jesus?’ Combinaram, então, trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus”. (Mt 26,14-16).
Enquanto Judas cumpria a sua traição, não muito longe dali, Jesus sofria horas de angústia.
“Enquanto comiam, Jesus disse: ‘Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair’. Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: ‘Senhor, será que sou eu?’ Jesus respondeu: ‘Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!’ Então Judas, o traidor, perguntou: ‘Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: ‘Tu o dizes’” (Mt 26,21-25).
Abaixo, o evangelho de hoje:
Naquele tempo, 14 um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16 E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18 Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”.
19 Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20 Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21 Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22 Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?”23 Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24 O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25 Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.
(acidigital)
terça-feira, 26 de março de 2024
SANTO DO DIA: São Ludgero, obediente a Deus acima de tudo
Formação
Nasceu em 745, em Suescnom, na
Frísia. Pertencia a uma família nobre. Desde criança, dedicou-se aos
estudos e à vida religiosa. O empenhado São Ludgero foi formado como
discípulo de São Gregório, no mosteiro, e, depois, de Alcuíno de York,
reitor de uma escola muito famosa em sua época. Voltando à sua terra
natal, Alberico suscitou-lhe o presbiterato, quando foi ordenado
sacerdote em Colônia, no ano de 777.
Controvérsias
Ludgero se dedicou à
evangelização da região pagã da Frísia, através da pregação, onde São
Bonifácio sofrera o martírio. Converteu multidões, fundou diversos
mosteiros e construiu muitas igrejas. Por causa das instabilidades onde
morava e a revolta de Widukindo, foi para Roma procurando aconselhar-se
com o Papa Adriano II e, após um longo retiro, sentiu-se indicado por
Deus a tornar-se beneditino no monte Cassino. Com a vitória de Carlos
Magno, em 787, Ludgero pôde voltar ao seu território no qual dedicou-se à
evangelização dos saxões.
O bispado
Em 802, depois de ter
evangelizado e fundado o mosteiro de Werden, Hildebaldo, o arcebispo de
Colônia ordenou-o bispo em Munster, sendo o primeiro daquele local. Ali
anexou lugares à sua diocese na Frísia e fundou o mosteiro de Helmstad.
Em seu ministério, teve embates com o imperador, mas nunca se submeteu a
ele em detrimento da vontade de Deus, o qual obedecia acima de tudo.
Ministério
Seu trabalho foi rodeado de
milagres e profecias, mas, acima de tudo, por uma forte pregação da
Palavra, na qual era capaz de converter multidões. Além disso,
destacou-se por construir igrejas e mosteiros, além de formar sacerdotes
segundo a vontade de Deus.
Previu sua morte
Mesmo em meio às enfermidades,
nunca deixou de implementar o Reino de Deus. Porém, previu sua morte e
foi o que aconteceu em 26 de março de 809, sendo enterrado no mosteiro
de Werden.
Município de Ludgero (SC)
O município foi colonizado por alemães vindos da Colônia
Teresópolis. Os colonizadores chegaram na década de 1860, provenientes
da região de Münster, principalmente de Heek, que também tem Ludgero
como padroeiro. Tal migração deu-se a partir de 1873, principalmente
devido à baixa fertilidade do solo do local e ao abandono por parte do
governo.
A minha oração
“Ó saudoso bispo, que, com
tão grande amor nos ensinaste a servir incansavelmente a Jesus como um
exímio pastor, nos dignai a servir de tal modo que vos imite e sejamos
luz em meio a este mundo.”
São Ludgero, rogai por nós!
(cancaonova)
segunda-feira, 25 de março de 2024
Anunciação do Senhor: o verdadeiro valor de um sim
Origens
Na história da existência,
constantemente somos desafiados pela vida a darmos uma resposta ativa,
consciente e madura ante os apelos e desafios que a nossa própria
existência nos interpela. A todo instante, somos colocados em uma
posição de escolha, entre aquilo que se quer e aquilo que não se quer;
entre o possuir e o nada ter; entre o ser e o não ser.
Sim e não
O sim e o não fazem parte do nosso
cotidiano, sem eles dificilmente poderíamos ser propriamente humanos.
Eis o que diz o Senhor: “Hoje, estou colocando diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade” (Dt 30,15). Neste contexto de escolha propriamente humana, encontra-se a Virgem Mãe de Nazaré.
Eis a serva do Senhor
Maria, na plenitude de sua liberdade,
escuta, mais do que a saudação de um anjo, a voz de Deus, a voz de sua
própria consciência a te indagar: “Não
temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no
teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus” (Lc 1,30). Diante da proposta, Maria dá sua resposta: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”.
Foi por causa dessa resposta que o Eterno entrou no tempo; que o Todo
assume em si o fragmento, Deus assume a forma humana para nos salvar.
Solenidade da Anunciação do Senhor: o sim de uma mulher
Solenidade
A Solenidade da Anunciação do Senhor,
que encontra o seu fundamento bíblico situado na narrativa evangélica
do evangelista Lucas, no capítulo 1, 26-38, é a solenidade que exalta,
na sua estrutura interna, o sim de uma Mulher ao projeto salvífico de Deus, mas que, de modo mais singular, quer manifestar a grandiosidade do sim
definitivo de Deus para com a humanidade. A anunciação do Senhor é a
solenidade que, por excelência, expressa a vontade divina de querer
dar-se a conhecer o homem e salvá-lo e, ao mesmo tempo, a
disponibilidade do ser humano em acolher essa autorrevelação divina.
Encarnação do Verbo
O episódio narrado no Evangelho de
Lucas mostra a origem histórica do problema enfrentado pelas primeiras
comunidades cristã acerca da encarnação total do Verbo eterno de Deus no
seio virginal de Maria. A narrativa explicita o diálogo realizado entre
Divino e o humano, entre Maria e o anjo, o mensageiro de Deus. Maria,
na narrativa, é interpelada pelo anjo, acerca da vontade divina, que
encontrou nela, na simples jovem de Nazaré, graça diante de Deus. Nesse
episódio evangélico, contemplamos que a liberdade humana, que é fruto do
amor de Deus aos homens, nunca foi violado pelo Criador; ao contrário,
Ele propõe a Maria uma missão, e Maria, na sua total liberdade, se
dispõe a realizá-la, mesmo não sabendo como tudo se daria.
Debates acerca da Encarnação e Divindade de Jesus
Discussão sobre Maria e Jesus
Essa bela narrativa, a pouco
comentada, muito fora debatida pelos Padres da Igreja, na reta intenção
de defender não somente a Virgindade e Maternidade de Maria, mas,
sobretudo, a real Encarnação e Divindade de Jesus, seu filho. Em meados
dos anos 325 d.C., com o Concílio de Nicéia e de Constantinopla (381),
foram estabelecidos no símbolo da fé, o Credo Nicenoconstantinopolitano,
a sentença dogmática de que, verdadeiramente, o Verbo eterno de Deus
encarnado no seio da humanidade, por meio da concepção virginal de
Maria, era realmente o Filho de Deus.
A Natureza Humana de Jesus
Em Jesus, a natureza humana e
divina coabitavam mutuamente, sem confusão, mas em plena união
hipostática de naturezas. O pequeno e humilde carpinteiro de Nazaré era,
na verdade, o verdadeiro Filho de Deus, emanada na história humana pela
ação do Espírito Santo.
Theotokos
Contudo, foi somente em 431 d.C., no Concílio de Éfeso, que a Igreja proclama solenemente Maria como Mãe de Deus (Theotokos),
defendendo, dessa maneira, a real Encarnação do Filho de Deus no seio
da humanidade, por meio do sim de Maria. Tal decreto resultou
posteriormente a instituição da festa litúrgica da Anunciação do Senhor.
Todavia, a Igreja, por volta do século VI, sob o comando do Pontífice
Sérgio I, introduziu definitivamente, no calendário litúrgico da Igreja
romana, a solenidade da Anunciação do Senhor, que é celebrada todos os
anos no dia 25 de março, a exatos nove meses antes do Natal do Senhor.
Uma graça para a humanidade
De fato, no sim de Maria, o sim de
Deus em favor da humanidade é plenamente realizado. Em Maria, Deus
realiza o seu projeto salvífico no tempo e na história humana. Se por
Eva nos veio a desgraça, por Maria nos foi novamente aberta as portas da
Graça.
Momento para refletir: como anda o seu sim para os projetos de Deus?
Sentido da Solenidade
Celebrar a solenidade da Anunciação
do Senhor é dar graças a Deus por todos os benefícios que, pelo sim de
Maria, o Senhor nos dispensou. Celebrar a festa solene da Anunciação do
Senhor é contemplar a salvação de Deus realizada no sim de uma Mulher. É
contemplar o sim de Deus, por meio de uma Mulher.
O sim de Maria foi um sim que mudou o curso da história. O sim de Maria
nos possibilitou conhecermos o Pai, revelado pelo Filho, no poder e na
ação do Espírito Santo. Somos convidados a mudar o curso da história em
razão do nosso sim a Deus, ao projeto de Deus.
Deus em meio a nós
Deus quer habitar no mundo, na
realidade do mundo, na nossa família, na nossa sociedade, no nosso país.
Mas para que isso posso se realizar, é preciso que também nós sejamos,
assim como a pequena jovem de Nazaré, abertos e generosos a acolher a
vontade de Deus em nossa vida, para que o verdadeiro valor de um sim
possa transformar o curso da história.
Minha oração
“ Ó Virgem Santíssima, sempre
disposta a fazer a vontade do Pai, com seu sim contribuíste para a
salvação. Dai-nos a graça de fazer a nossa parte no plano salvífico
também dizendo o nosso sim a Deus e ao seu chamado de amor. Amém.”
Nossa Senhora, rogai por nós!
(cancaonova)

