Papa Leão XIV na procissão eucarística em Roma | Daniel Ibáñez/EWTN
22 de jun de 2025 às 15:11
O papa Leão XIV fez um chamado a
“partilhar o pão”, sinal do dom da salvação divina, a fim de
“multiplicar a esperança” no mundo, ao celebrar a missa da solenidade de
Corpus Christi hoje (22).
Nessa festa litúrgica em que a
Igreja Católica celebra de maneira especial o mistério da Eucaristia, ou
seja, a presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados, o
papa disse: "Cristo é a resposta de Deus à fome do homem, porque o seu
corpo é o pão da vida eterna: tomai todos e comei”.
Por volta das 16h30 (horário
local), o papa seguiu do Vaticano para a basílica de São João de Latrão,
sua catedral como bispo de Roma, para celebrar a missa dominical, na
qual refletiu sobre o profundo significado da Eucaristia e o valor da
partilha. A celebração foi realizada no exterior da igreja.
Ao explicar o
Evangelho do dia, que narra o milagre dos pães e dos peixes, o papa
disse que, “ao salvar as multidões da fome, Jesus anuncia que salvará
todos da morte”.
Desse modo, instituiu a base do
“mistério da fé, que celebramos no sacramento da Eucaristia”. “Assim
como a fome é sinal da nossa radical indigência de vida, assim também
partir o pão é sinal do dom divino de salvação”, disse.
Leão XIV destacou como a compaixão
de Jesus por aqueles que sofrem “manifesta a amorosa proximidade de
Deus, que vem ao mundo para nos salvar”. “Quando Deus reina, o homem é
liberto de todo o mal”, acrescentou.
Frente à finitude humana, “quando nos alimentamos de Jesus, pão vivo e verdadeiro, vivemos por Ele”.
Referindo-se novamente ao milagre
do Evangelho, Leão XIV disse que, na fome do povo, um sinal profundo é
revelado, porque é “nesta hora, no tempo da indigência e das sombras,
que Jesus permanece entre nós”.
O papa disse que,
diante da sugestão dos apóstolos de mandar a multidão embora, Jesus
ensina uma lógica contrária, porque “a fome não é uma necessidade alheia
ao anúncio do Reino e ao testemunho da salvação”.
“Com Jesus há tudo o que é necessário”
Jesus “tem compaixão do povo faminto e convida os seus discípulos a cuidar dele”, disse o papa.
Os discípulos ofereceram apenas
cinco pães e dois peixes, mas esses são cálculos “aparentemente
razoáveis” que revelam “sua falta de fé”. "Com Jesus há tudo o que é
necessário para dar força e sentido à nossa vida”, acrescentou o papa.
Os gestos de Jesus
ao partir o pão, disse Leão XIV, “não inauguram um complexo ritual
mágico, mas testemunham com simplicidade a gratidão para com o Pai, a
oração filial de Cristo e a comunhão fraterna que o Espírito Santo
sustenta”.
“Para multiplicar os pães e os
peixes, Jesus divide os poucos que há, e assim mesmo são suficientes
para todos, e ainda sobram”, disse.
Com um gesto sério, o papa
denunciou as atuais desigualdades no mundo e criticou “a acumulação de
poucos” como um sinal visível “de uma soberba indiferente, que produz
dor e injustiça”.
“Hoje, no lugar das multidões
recordadas no Evangelho estão povos inteiros, humilhados pela ganância
alheia mais ainda do que pela própria fome”, disse.
O papa pediu para
seguir o exemplo do Senhor e exortou a viver esse ensinamento com gestos
concretos, especialmente no Jubileu da Esperança: “O exemplo do Senhor
continua a ser para nós um critério urgente de ação e serviço: partilhar
o pão, para multiplicar a esperança, proclama o advento do Reino de
Deus”.
A Eucaristia, alimento que transforma
Leão XIV citou santo Agostinho para
descrever a Eucaristia como “um pão que alimenta e não falta; um pão
que se pode comer, mas não se esgota”, e disse que “a Eucaristia é a
presença verdadeira, real e substancial do Salvador, que transforma o
pão em si mesmo, para nos transformar n’Ele”.
O papa também abordou a raiz
existencial dessa comunhão com Cristo: “A nossa natureza faminta traz o
sinal de uma indigência que é saciada pela graça da Eucaristia”.
Ao se referir à unidade da Igreja, o papa lembrou que “o Corpus Domini,
vivo e vivificante, torna-nos a nós, isto é, a própria Igreja, corpo do
Senhor”. E acrescentou, citando a constituição dogmática Lumen gentium
do Concílio Vaticano II: “Todos os homens são chamados a esta união com
Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual
caminhamos”.
Antes de iniciar a procissão
eucarística que o levou – expondo o Santíssimo Sacramento – à basílica
de Santa Maria Maior, o papa quis explicar seu significado espiritual e
missionário: “Juntos, pastores e rebanho, alimentamo-nos do Santíssimo
Sacramento, adoramo-lo e levamo-lo pelas ruas”.
“Ao fazê-lo, apresentamo-lo ao olhar, à consciência e ao coração das pessoas”, acrescentou.
Leão XIV concluiu com um convite a
todos os fiéis: “Restaurados pelo alimento que Deus nos dá, levemos
Jesus ao coração de todos, porque Jesus a todos envolve na obra da
salvação, convidando cada um a participar da sua mesa. Felizes os
convidados, que se tornam testemunhas deste amor”.
(acidigital)