O papa Leão XIV recebeu ontem (3) no palácio Apostólico, no Vaticano, um grupo de seminaristas de dois seminários italianos, agradecendo-lhes em nome da Igreja pelo “sim” que disseram e continuam a dizer todos os dias.

“Não é fácil nem garantido no mundo de hoje, e a Igreja sabe disso muito bem”, disse ele na audiência concedida às delegações do Seminário Regional Pontifício Apuliano Pio XI em Molfetta e do Seminário Interdiocesano de Aversa.

Ambos os seminários celebram aniversários importantes este ano. O Molfetta comemora o centenário de suas instalações mais recentes — encomendadas pelo papa Pio XI, que dá nome ao seminário — enquanto o Aversa celebra o tricentenário da inauguração de suas instalações atuais.

Leão XIV também expressou sua gratidão às famílias presentes. “Uma vocação nunca surge sem um contexto adequado; muitas vezes requer um lar e pais que rezam e sabem deixar seus filhos partirem. Minha gratidão, e a de toda a Igreja, se estende a vós, queridas famílias”, disse ele.

O papa também destacou a liberdade de Deus, da qual brota toda vocação. “Não há competição, nem hierarquia, nem está escrito que Ele escolheu os melhores: Ele escolheu aqueles que quis. Num mundo tão empenhado em celebrar a autorrealização pessoal, é importante lembrar que nenhum de vocês, nem nenhum de nós, está aqui por mérito próprio, mas unicamente por livre escolha de Deus Pai, sinal e garantia de um amor gratuito que sempre nos precede e jamais nos decepciona”, disse Leão XIV.

Ele disse também que a mera presença dessas pessoas com vocação sacerdotal no seminário é sinal de esperança para toda a Igreja, uma esperança que, como disse, não provém de um “vago otimismo”, mas da “certeza de que o Senhor continua chamando, em todas as épocas da história e em todos os lugares”.

O papa disse também que o esforço para viver a vida espiritual é sustentado pela “beleza da fraternidade e da missão compartilhada”.

“Jesus não chama só um homem, mas doze, com personalidades muito diferentes e, pelos nossos padrões, por vezes inesperadas. O Senhor os reúne e os mantém juntos para que aprendam que a Igreja é vivida em comunhão: não pertence a nenhum de nós, e todos somos chamados a amá-la e servi-la como um só corpo”, disse ele.

Falando aos formadores, o papa pediu-lhes que fossem os “primeiros mestres daquele cuidado e fraternidade que se manifestam em relações autênticas, pessoais e comunitárias, alicerçadas na verdade e na caridade”.

Leão XIV disse que a missão dos futuros sacerdotes será levar o Evangelho às pessoas de suas comunidades, ou seja, “às famílias que lutam para sobreviver; aos jovens que, com só vinte anos, fazem as malas para procurar trabalho; aos idosos que vivem na solidão; aos marginalizados; àqueles que perderam o sentido da vida”.