7 de out de 2026 às 12:10
Os bispos católicos do Tennessee pediram ao Estado que se substitua a pena de morte pela pena de prisão perpétua.
Em comunicado divulgado em 2 de outubro, a Conferência Católica do Tennessee disse que a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional "serve à justiça, protege a sociedade e respeita a dignidade de toda vida humana".
“A responsabilização por crimes graves é necessária, mas não exige que se tire outra vida”, escreveram eles. “Uma execução não pode restaurar a vida que foi tirada, e a incerteza, os processos prolongados e o sofrimento que envolvem a pena de morte podem agravar a angústia de todos os envolvidos, inclusive as famílias das vítimas, as famílias dos prisioneiros e aqueles encarregados de fazer as execuções”.
O Estado do Tennessee tentou executar a primeira mulher em cerca de 200 anos, Christa Pike, de 50 anos.
Depois de duas doses de pentobarbital não terem conseguido matar Pike em 30 de setembro, a execução foi suspensa. Ela permanece em estado crítico, entubada.
A execução malsucedida foi a segunda no Tennessee este ano e levou à renúncia de Frank Strada, comissário do Departamento de Correções do Estado. O governador do Tennessee, Bill Lee, decretou uma moratória sobre as execuções pelo restante do ano.
Em 1995, Pike e seu namorado, Tadaryl Shipp, torturaram e mataram Colleen Slemmer. Pike esmagou o crânio da vítima com um pedaço de asfalto. Condenada à morte em 1996, aos 20 anos, Pike tentou estrangular uma colega de prisão, Patricia Jones, em 2001. Ela também tentou fugir em 2012, segundo a rede de televisão americana ABC News.
“A questão moral fundamental é se o Estado deve continuar a tirar vidas quando dispõe de outro meio de proteger o público e impor uma punição séria e duradoura”, escreveram os bispos. “A prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional oferece essa alternativa. Ela responsabiliza os condenados pelos crimes mais graves e protege a sociedade, preservando a possibilidade de arrependimento”.
Eles escreveram que “mesmo aqueles que cometem crimes terríveis conservam sua dignidade humana”.
As doutrinas da Igreja sobre a pena de morte mudaram
O parágrafo 2267 do Catecismo da Igreja Católica, revisto em 2018, diz que a pena de morte não é mais admissível porque “a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos”. Os Estados devem aplicar punições que “não tirem definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir”.
Segundo o catecismo, “durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum”.
O papa Francisco, porém, disse em seu Discurso aos Participantes do Encontro organizado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, em 2017, que “a pena de morte é uma medida desumana que, independentemente do modo como for realizada, humilha a dignidade pessoal”.
O catecismo diz agora que “foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a devida proteção dos cidadãos” e exorta a Igreja a trabalhar pela abolição da pena de morte.
Trump aprova execução militar por pelotão de fuzilamento
O presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou a execução de um militar por fuzilamento.
Na última segunda-feira (2), o porta-voz do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, Sean Parnell, disse na rede social X que Trump aprovou a execução por fuzilamento militar de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército dos EUA, condenado por matar 13 pessoas e feria outras 32 em Fort Hood, base militar no Texas, em 5 de novembro de 2009 gritando Allahu Akbar (Alá em Grande), grito de guerra dos radicais islâmicos.
Depois de um julgamento militar, Hasan foi condenado à morte em 2013. Parnell disse que o secretário do Exército determinará a data e o lugar da execução.
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