domingo, 10 de abril de 2016

HOJE É O DIA DO SENHOR



III DOMINGO DA PÁSCOA

A Barca

A Liturgia nos convida a refletir hoje sobre a IGREJA:
a Comunidade que tem a missão de testemunhar e
concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou.
Ele acompanhará sempre a sua Igreja em missão,
vivificando-a com a sua presença
e orientando-a com a sua Palavra.

A 1ª leitura apresenta o Testemunho de Pedro
em Cristo ressuscitado, diante do Sinédrio (At 5,27b-32.40b-41)

Proibido de dar testemunho de Jesus ressuscitado,
Pedro responde apresentando um resumo do "Kerigma" cristão primitivo
e afirmando: "É preciso obedecer antes a Deus, do que aos homens."
E os discípulos saem do tribunal do Sinédrio, onde foram flagelados,
felizes por terem sofrido pelo nome de Jesus.

A 2ª Leitura ressalta a soberania universal de Cristo ressuscitado,
que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva.
A Criação inteira louva o "Cordeiro", que esteve morto e agora vive. (Ap 5,11-14)

O Evangelho narra a 3ª aparição de Cristo ressuscitado aos apóstolos.
A presença de Jesus ressuscitado nas margens do mar de Tiberíades
revigora a missão dos discípulos de serem pescadores de homens. (Jo 21,1-19)

A narração é mais uma Catequese, do que uma crônica.
Há 3 Cenas: uma Pesca, uma Refeição e um Diálogo:

1. Uma PESCA:
- Os apóstolos desanimados... cansados... desistem... à "voltam a pescar"...
  Jesus lhes dá uma tremenda lição:
  Pescam a "noite" inteira... sozinhos... sem apanhar nada...
- Ao amanhecer, com a chegada da "Luz", acolhendo a Palavra do Senhor,
   conseguem um resultado surpreendente...
- Diante disso, reconhecem o Cristo ressuscitado:
  e expressam a fé: "é o Senhor",
  Antes o discípulo, que Jesus amava... Depois, Pedro... e os demais...
- Jesus queria lembrá-los que os tinha convidado para outra Pesca...
  Eles deviam ser "pescadores de homens"...

* A Pesca milagrosa simboliza a Missão da Igreja
- A Noite quer indicar a ausência de Jesus (a Luz).
- A Palavra de Jesus ressuscitado muda a situação.
- A Ressurreição ilumina a existência da Comunidade e a Missão recebida.
- O êxito da Missão não depende do esforço humano,
  mas da presença viva do Senhor Ressuscitado nessa comunidade.
- A Igreja, fundada sobre a palavra de Deus e guiada por Pedro,
  não se divide: a rede não se rompe.
2. Uma REFEIÇÃO: Jesus aguarda os discípulos na margem,
e os convida a uma refeição: "Vide comer".
Seus gestos são parecidos com os da multiplicação dos pães e dos peixes...
São também os gestos da instituição da eucaristia, na última ceia...
* Esse quadro tem um profundo sentido eucarístico.
   Ainda hoje, todo domingo, Cristo nos convida: "Vinde comer".
Na Eucaristia, encontraremos a força, o alimento para realizar a nossa Missão.

3. Um DIÁLOGO entre Jesus e Pedro:
em que este recebe a missão de presidir e animar a Comunidade:
- "Simão, tu ME AMAS?" (3 x)  à "Tu sabes que te amo..."
Uma tríplice prova de amor, já que por 3 vezes o negara.
Só então transmite a ele o primado sobre a Igreja nascente.
- O essencial não é o exercício da autoridade,
mas o amor, que se faz serviço, ao jeito de Jesus.

* Ainda hoje Cristo nos interpela, como a Pedro: "Tu me amas?"
   ... mais do que os familiares, os trabalhos, os amigos, o esporte, as novelas?
   Temos a coragem de responder com sinceridade, como Pedro:
   "Senhor, tu sabes que te amo?"

* Todos nós somos convidados a Pescar..
- Muitas vezes, "pescamos" apoiados apenas em nossas forças...
  confiantes, como Pedro, em nossa experiência de "velho Pescador..."

- Diante do fracasso inevitável, desanimamos...
  Vendo as "redes vazias", somos tentados largar tudo e
  voltar à vidinha antiga... (na família, na sociedade, na comunidade...)

- Esquecemos que Jesus, embora esteja na "margem" (na glória do Pai)
  está sempre conosco todos os dias, até o fim do mundo
  e deve ser o CENTRO da Missão...
  Ele continua nos indicando onde e quando lançar as redes.
- Esse caminho, percorrido pelos apóstolos, é semelhante
  ao caminho que também nós devemos percorrer...
  Só a presença de Jesus torna a Missão fecunda...

à Em nossas atividades, em quem depositamos a nossa confiança?
à Estamos convencidos que sem Ele NADA podemos fazer?
            - Estamos atentos à voz de Cristo? Da Igreja?
            - Buscamos na eucaristia alimento para nossa caminhada?

Acolhendo com humildade a voz do Senhor,
animados pelo amor,
alimentados com o alimento que Cristo nos oferece,
continuemos a "pescar" com renovado ardor missionário...

Com Jesus, teremos a certeza de que a pesca será abundante...

                                        

 Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 10.04.2016

sábado, 9 de abril de 2016

Amoris Laetitia: o document do Papa sobre a família



Papa impulsa la integración de divorciados en la Iglesia


El Papa tiende una mano a los divorciados vueltos a casar que quieran reconciliarse con la Iglesia

Como rompieron las promesas de su primer matrimonio, no pueden por ejemplo recibir la comunión, dar catequesis o ser padrinos de bautizo. Sin embargo, el Papa no quiere cerrar la puerta a quienes desean sinceramente retomar los sacramentos, pero su divorcio se lo impide.

El Papa pide a sacerdotes y obispos que afronten estas situaciones caso por caso "de un modo constructivo” y que les ayuden a integrarse en diferente medida en la Iglesia. 

A lo largo del texto hay muchas invitaciones a valorar la importancia de la conciencia personal, madurada en la conversacion con el sacerdote.

Francisco dice que esto no significa que la Iglesia dé por buenas todas las situaciones: 

"Obviamente, si alguien ostenta un pecado objetivo como si fuese parte del ideal cristiano, o quiere imponer algo diferente a lo que enseña la Iglesia, no puede pretender dar catequesis o predicar, y en ese sentido hay algo que lo separa de la comunidad”.

El Papa pone varios ejemplos. Dice que no es lo mismo la situación de quien ha sido abandonado de la de quien traiciona y abandona a su pareja

Francisco recuerda que como "el grado de responsabilidad no es igual en todos los casos, las consecuencias o efectos de una norma no necesariamente deben ser siempre las mismas”. 

El Papa parte de la buena intención de quienes hablan en conciencia y solicitan ayuda espiritual, sin pretender "poner sus deseos por encima del bien común de la Iglesia”. 

Por eso, invita a los divorciados interesados a conversar con un sacerdote. Les avisa de que "no siempre encontrarán en ellos una confirmación de sus propias ideas o deseos, pero seguramente recibirán una luz que les permita comprender mejor lo que les sucede y podrán descubrir un camino de maduración personal”. 

Se trata sólo de uno de los nueve capítulos de la innovadora exhortación apostólica sobre la familia "Amoris Laetitia”, en la que el Papa pide a la Iglesia que no se canse de promover la belleza del matrimonio cristiano, y que trabaje para ayudar a los matrimonios a mantener alegremente sus promesas. 




(Romereports)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

‘Sem o Espírito Santo não há testemunho cristão’



Na sua homilia desta quinta-feira, o Santo Padre explica que para ser testemunha é necessário a coerência entre a vida e o que vimos e acolhemos pelo Espírito Santo
Os santos da vida ordinária e os mártires de hoje são os que levam adiante a Igreja ao serem coerentes e corajosas testemunhas de Jesus ressuscitado, garantiu o Santo Padre na Homilia celebrada na manhã de hoje em Santa Marta.
A primeira leitura do dia, dos Atos dos Apóstolos, fala da ousadia de Pedro que, após a cura do paralítico, anuncia a Ressurreição de Jesus diante dos chefes do Sinédrio. E estes, com raiva, querem condená-lo à morte.
Tinham-no proibido pregar em nome de Jesus, mas ele continua proclamando o Evangelho porque “precisa obedecer a Deus em vez dos homens”, sublinhou o Papa. Este Pedro “valente” não tem nada a ver com o “Pedro covarde” da noite de Quinta-Feira Santa, “quando cheio de medo nega o Senhor três vezes”, recordou Francisco.
Agora Pedro se fortifica no testemunho. “O testemunho cristão segue o mesmo caminho que Jesus: dar a vida”. De uma forma ou de outra, o cristão “arrisca a vida quando dá testemunho da verdade”, explicou o Papa na homilia.
Da mesma forma, indicou que “a coerência entre a vida e o que vimos e acolhemos é justamente o começo do testemunho. Mas o testemunho cristão tem outra coisa, não é só de quem o dá: o testemunho cristão sempre está em dois. “E desses fatos somos testemunhas nós e o Espírito Santo’. Sem o Espírito Santo não existe testemunho cristão. Porque o testemunho cristão, a vida cristã é uma graça, é uma graça que o Senhor nos dá com o Espírito Santo”.
Assim, o Papa sublinhou que “sem o Espírito não conseguimos ser testemunhas”. Porque o testemunho é “coerente com o que diz, com o que faz e com o que recebeu, ou seja, o Espírito Santo”. Esta é a valentia cristã, este é o testemunho.
Portanto, o Papa Francisco garantiu que “este é o testemunho dos nossos mártires hoje, muitos, expulsos da sua terra, refugiados, assassinados, perseguidos: têm a coragem de confessar Jesus precisamente até o momento da morte; é o testemunho desses cristãos que vivem a sua vida seriamente e dizem: ‘Eu não posso fazer isso, eu não posso fazer mal ao outro; eu devo dar o meu testemunho’. E o testemunho, ou seja, o que na fé viu e ouviu, ou seja, Jesus ressuscitado, com o Espírito Santo, que recebeu como dom”.
Em momentos difíceis da história – concluiu o Papa – ouve-se dizer que a pátria precisa de heróis. E isso “é verdade, isso é justo”. Mas, perguntou o Santo Padre, do que precisa a Igreja hoje? Francisco garantiu que de testemunhas, ou seja, dos santos, dos santos de todos os dias, os da vida ordinária, mas com coerência, e também as testemunhas até o fim, até a morte”, disse o bispo de Roma.
Assim, concluiu a homilia recordando que estes são “o sangue vivo da Igreja; estes são os que levam a Igreja adiante, as testemunhas; aqueles que dão fé de que Jesus ressuscitou, de que Jesus está vivo. E o fazem com a coerência da sua vida e com o Espírito Santo que receberam como dom”.

(zenit)


O virar da página...





Sinto que há ciclos da minha vida que se estão fechando!

Os meus pais que me geraram, educaram, protegeram e cuidaram de mim, já foram para o céu.
A carreira profissional conquistada com luta, trabalho e muito empenho, teve o seu terminus há alguns anos.
O meu matrimónio, o filho, a família que criamos juntos, as alegrias e tristezas, a saúde e a doença vividas em comunhão, também passou.
A doença crónica está a instalar-se no meu corpo, debilitando-o progressivamente.

Tudo quanto me ligava ao mundo está a diluir-se...

Sinto, por outro lado que se estão abrindo outros ciclos bem diferentes: Deus está a preparar-me para esta nova fase que me levará à Jerusalém Celeste, ensinando-me a confiar Nele, a ser –Lhe obediente, a não murmurar, a receber o insulto e calar, a não marginalizar, a perdoar e a amar quem me ofende. Indica-me o Caminho que privilegia os simples e humildes.

O Senhor tem pressa na minha conversão. Quer que eu seja merecedora de Vida eterna. Por isso encarnou, fez-se um de nós, morreu e ressuscitou para me dar um mundo novo e a salvação eterna.

Pertencer “ à terra” é mais fácil porque eu sou deus de mim própria e faço o que quero, independente se é bom ou mau. Mas só no outono da minha vida, reparei que isso se resume a pó e a nada.

A minha alegria e esperança, é que tenho um Deus que me ama e que me faz sair da minha “escravidão” porque o Senhor, do pó faz renascer a Vida.
É esta Vida que eu quero, com o Espírito de Deus a guiar-me e a intervir no meu coração como uma “brisa suave” que do deserto, me fala do Seu Amor.


PASSA UM BOM DIA







quinta-feira, 7 de abril de 2016

Como se cria a harmonia



• Missa em Santa Marta •

Para viver em harmonia e no apoio recíproco a comunidade cristã deve renascer do Espírito Santo. E há dois sinais para compreender que se está na estrada certa: o desapego do dinheiro e a coragem de testemunhar Cristo ressuscitado, afirmou o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de terça-feira, 5 de abril, na capela da Casa de Santa Marta. Uma indicação acompanhada pela advertência de não confundir a verdadeira harmonia com uma tranquilidade negociada ou hipócrita

«Jesus diz a Nicodemos que se deve renascer, mas renascer do Espírito: é precisamente o Espírito que nos dá uma nova identidade, nos dá a força, uma nova maneira de agir»: eis a chave de leitura proposta à luz do trecho evangélico de João (3, 7-15) pela liturgia do dia.

E esta sintonia – observou – vê-se já «na primeira leitura, um dos três ou quatro resumos contidos nos Atos dos apóstolos» (4, 32-37): um trecho que narra «como vivia a primeira comunidade, os “renascidos” do Espírito».

Francisco observou que eles «viviam em harmonia e só o Espírito Santo pode dar a harmonia». Com efeito «podemos estabelecer acordos, uma determinada paz, mas a harmonia é uma graça interior que só o Espírito Santo pode proporcionar». Portanto, estas primeiras comunidades «viviam em harmonia»: e pode-se compreender isto através de dois sinais que caracterizam a harmonia, explicou o Papa.
O primeiro sinal é que «ninguém vive na necessidade, isto é, tudo é comum». O sentido autêntico é explicado pelo próprio trecho dos Atos dos apóstolos: «Tinham um só coração, uma só alma e ninguém considerava sua propriedade o que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. De facto, entre eles não havia necessitados».

De resto, afirmou Francisco, «a verdadeira harmonia do Espírito Santo tem uma relação muito forte com o dinheiro: o dinheiro é inimigo da harmonia, o dinheiro é egoísta». E «por isso o sinal que dá é que todos ofereciam o seu a fim de que não houvesse necessitados».

Em particular nos Atos «cita-se o exemplo de José, chamado pelos apóstolos Barnabé, que significa “filho da exortação”, um levita originário de Chipre, proprietário de um campo». Pois bem, José vendeu o seu campo e «entregou o dinheiro depondo-o aos pés dos apóstolos». Numa palavra, esta é a verdadeira «harmonia» que, por conseguinte, «tem uma relação com o espírito de pobreza, que é a primeira bem-aventurança».

Ao contrário, muito diferente é «o caso daquele casal, Ananias e Safira: vendem o campo e dão tudo, dizem que se deve dar tudo aos apóstolos, mas subtraem às escondidas uma quantia pondo-a de lado a fim de a conservar para si mesmos».

Uma história que é narrada sempre nos Atos dos apóstolos (5, 1-11). Mas – recordou Francisco – «o Senhor pune com a morte estes dois, porque Jesus disse claramente que não se pode servir a Deus e ao dinheiro: são dois senhores cujo serviço é irreconciliável».

Contudo, advertiu o Pontífice, «a harmonia, que só o Espírito Santo pode criar, não deve ser confundida com a tranquilidade». A ponto que «uma comunidade pode ser muito tranquila, funcionar bem» mas não estar em harmonia. «Uma vez – confidenciou o Papa – ouvi um bispo dizer algo sábio: “Na diocese tem tranquilidade. Mas se abordes este problema ou aquele, de repente explode a guerra”». 

Porque esta – observou – é «uma harmonia negociada e não a do Espírito: é uma harmonia, digamos, hipócrita, como a de Ananias e Safira com o que fizeram». Mas «a harmonia do Espírito Santo concede-nos esta generosidade de não possuir nada de próprio, enquanto houver um necessitado».

Depois há uma segunda atitude suscitada pela harmonia do Espírito Santo e Francisco apresentou-a repetindo as palavras dos Atos: «Com grande força, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles era grande a graça».

Resumindo, o segundo sinal da harmonia verdadeira é «a coragem». Assim «quando há harmonia na Igreja, na comunidade, há coragem: a coragem de dar testemunho do Senhor ressuscitado».

Nesta perspectiva o Pontífice sugeriu «ler e reler este trecho dos Atos dos apóstolos: o capítulo 4, do versículo 32 em diante». E logo explica o motivo: «Porque foi o que Jesus pediu ao Pai na última ceia: que sfossem “um só”, que houvesse harmonia entre eles». E «quando chega o dom do Pai, que é o Espírito Santo, ele é capaz de estabelecer esta harmonia».

Eis porque, concluiu o Papa, «nos fará bem ler este trecho hoje e verificar o que diz e como cada um de nós pode ajudar a sua família, o seu bairro, a sua cidade, os colegas de trabalho, os companheiros de escola, todos os que nos estão próximos, para criar esta harmonia que se faz em nome do Senhor Jesus ressuscitado e é uma graça do Espírito Santo».


(L’osservatoreromano)

  

terça-feira, 5 de abril de 2016

O DIA DO SIM




«Sim»: para o cristão não há outra resposta à chamada de Deus. E sobretudo nunca deve existir a atitude de quem finge que não entende, voltando-se para o outro lado. Foi precisamente na solenidade da Anunciação do Senhor, na manhã de segunda-feira 4 de abril, que o Papa convidou a viver uma verdadeira «festa do sim», celebrando a missa na capela da Casa de Santa Marta.


E um «sim» convicto foi pronunciado esta manhã pelos sacerdotes que concelebraram com Francisco no dia do quinquagésimo aniversário de ordenação e também pelas religiosas vicentinas que trabalham em Santa Marta, as quais renovaram os votos. «É toda uma história que acaba e recomeça nesta solenidade que hoje celebramos: a história do homem, quando sai do paraíso» quis realçar imediatamente o Papa no início da homilia. Com efeito, depois do pecado, o Senhor ordena ao homem que caminhe e habite toda a terra: «Sê fecundo e vai em frente». Mas «o Senhor estava atento ao que o homem fazia». A tal ponto que «às vezes, quando o homem errou, Ele puniu-o: pensemos em Babel ou no dilúvio». 

Assim Deus «estava sempre atento ao que o homem fazia: numa determinada altura, este Deus que olhava e custodiava o homem, decidiu criar um povo e chama nosso pai Abraão: “Sai da tua terra, da tua casa”». E Abraão «obedeceu, disse “sim”» ao Senhor «e partiu da sua terra sem saber para onde teria ido». É «o primeiro “sim”» do povo de Deus». E precisamente «com Abraão, Deus – que olhava para o seu povo – começou a “caminhar com”. E caminhou «com Abraão: “Caminha na minha presença” disse-lhe».

Deus, explicou o Papa, «fez depois o mesmo com Moisés, ao qual com oitenta anos disse: “faz isso”. E Moisés que tinha oitenta anos – era idoso – diz “sim”. E vai libertar o povo». 

Mas Deus, afirmou ainda o Pontífice, «fez o mesmo com os profetas»: pensemos por exemplo em Isaías que, quando o Senhor lhe diz para ir dizer as coisas ao povo, responde que tem «os lábios impuros». Mas «o Senhor purifica os lábios de Isaías e ele diz “sim!”».

E também com Jeremias, recordou o Papa, acontece o mesmo: «Senhor, eu não sei falar, sou um rapazinho!» é a primeira resposta do profeta. Mas Deus ordena-lhe que vá de qualquer maneira e ele responde “sim!». Foram «tantos, tantos» aqueles «que disseram “sim”», é deveras uma «comunidade de homens e mulheres idosos que disseram “sim” à espera do Senhor». E na homilia Francisco quis recordar também Simeão e Ana.

«Hoje – explicou – o Evangelho diz-nos o fim desta corrente de “sim” e o início de outro “sim” que começa a crescer: o “sim” de Maria». Precisamente «este “sim” faz com que Deus – afirmou o Pontífice – não só observe como procede o homem, não só caminha com o seu povo, mas que se torne um de nós e assuma a nossa carne». Come efeito, «o “sim” de Maria abre a porta ao “sim” de Jesus: “Eu venho para fazer a tua vontade”». É «este “sim” que acompanha Jesus durante toda a vida, até à cruz: «Pai, afasta de mim este cálice; entretanto, não seja feita a minha vontade, mas o que Tu desejas!”». É «em Jesus Cristo que, como diz Paulo aos coríntios, há o “sim” de Deus: Ele é o “sim”».

«É um dia bonito – frisou o Papa – para agradecer ao Senhor por nos ter ensinado esta estrada do “sim”, mas também para pensar na nossa vida». Aliás, «alguns de vós – disse dirigindo-se diretamente aos sacerdotes presentes na missa – celebram o quinquagésimo aniversário de sacerdócio: bonito dia para pensar nos “sim” da vossa vida». Mas «todos nós, cada dia, devemos dizer “sim” ou “não”, e pensar se dizemos sempre “sim” ou se muitas vezes nos escondemos, de cabeça baixa, como Adão e Eva, para não dizer “não” fingindo não compreender «aquilo que Deus nos pede».

«Hoje é a festa do “sim” repetiu Francisco. Com efeito, «no “sim” de Maria há o “sim” de toda a história da salvação e ali começa o último “sim” do homem e de Deus: ali Deus recria, como no início com um “sim” fez o mundo e o homem, aquela bonita Criação: com este “sim” eu venho para fazer a tua vontade e recria mais maravilhosamente o mundo, recria todos nós». É «o “sim” de Deus que nos santifica, que nos faz avançar em Jesus Cristo». Eis por que hoje é o dia justo «para agradecer ao Senhor e para nos questionarmos: eu sou homem ou mulher do “sim” ou sou homem ou mulher do “não”? Sou homem ou mulher que olho para o outro lado, para não responder?».

Portanto, o Papa expressou a esperança de «que o Senhor nos dê a graça de entrar neste caminho de homens e mulheres que souberam dizer “sim”». E depois de ter dedicado um pensamento aos sacerdotes, Francisco concluiu dirigindo-se às religiosas da comunidade de Santa Marta: «Neste momento, em silêncio, as irmãs que estão nesta Casa renovarão os votos: fazem-no todos os anos, porque são Vicente era inteligente e sabia que a missão que lhes confiava era muito difícil, e por isso quis que todos os anos renovassem os votos. Nós em silêncio acompanhamos esta renovação».

(L’osservatoreromano)
          

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Francisco en la fiesta de la Divina Misericordia



 Hoy hacen falta buenos samaritanos
2016-04-04



Para que la Misericordia de Dios sea eficaz y cure todas las heridas de la humanidad es necesario que haya personas que la personifiquen, apóstoles de la misericordia.

Este ha sido el mensaje que Francisco ha lanzado en el domingo dedicado a la Divina Misericordia.

FRANCISCO 
"El Evangelio de la misericordia, que se debe anunciar y escribir en la vida, busca personas con el corazón paciente y abierto, buenos samaritanos que conozcan la compasión y el silencio ante el misterio del hermano y la hermana”.

El Papa dijo que no hay enfermedad que la Misericordia Divina no pueda curar. Dios desea con todas sus fuerzas liberar al mundo de todas las modernas formas de esclavitud que afligen a sus hijos. 

FRANCISCO
"Quiere estar cerca de las heridas de cada uno para medicarlas. Ser apóstoles de la misericordia significa tocar y acariciar sus heridas presentes también hoy en el cuerpo y alma de muchos de sus hermanos y hermanas. Curando estas heridas profesamos a Jesús”.

El domingo después de la Pascua de Resurrecciónla Iglesia católica conmemora la Divina Misericordia. Se trata de una fiesta promovida especialmente por dos santos polacos: Juan Pablo II y la religiosa Faustina Kowalska.


(Romereports)


domingo, 3 de abril de 2016

HOJE É O DIA QUE FEZ O SENHOR



II DOMINGO DO TEMPO PASCAL


: A Comunidade
 
Todo Domingo é Dia do Senhor Ressuscitado...
Vivendo ainda o clima de Páscoa, 
nos reunimos hoje em nome de Jesus, 
para proclamar a nossa fé na Ressurreição.
 
A liturgia nos mostra que a COMUNIDADE CRISTà
é um lugar privilegiado de "Encontro" com Jesus Ressuscitado.
 
A 1a Leitura apresenta um dos "Sumários", 
que "retrata" a vida da Comunidade de Jerusalém, 
continuando a Missão de Jesus. (At 5,12-16)
 
- Era uma comunidade viva: "Todos os fiéis se reuniam, com muita união..."
- Eram pessoas estimadas: "O Povo estimava-os muito..."
- Exercia forte atração sobre todos: "Crescia sempre mais 
 o número dos que aderiam ao Senhor pela fé ..." 
 
  O que atraía? Os gestos concretos de libertação:
  O Ressuscitado não podia mais ser visto pessoalmente,
  mas havia algo que podia ser visto: a COMUNIDADE,
  que, através de sua vida, dá testemunho de que Cristo está vivo.
 
* A comunidade cristã deve ser SINAL VISÍVEL de Cristo ressuscitado.
  Eles realizam prodígios, sinais da presença de Cristo entre eles.

Salmo: Dentro do domingo da Misericórdia e do Ano Santo da Misericórdia, 
o Salmista nos lembra que é eterna a MISERICÓRDIA de Deus. (Sl 117)
 
A 2ª Leitura apresenta Jesus caminhando com a sua Igreja. 
É nele que a COMUNIDADE encontra a força para caminhar e
para vencer as forças que se opõem à vida nova de Deus. 
Por isso, os cristãos nada terão a temer. (Ap 1,9-11a.12-13.17-19)
 
+ No Evangelho, o CRISTO vivo e ressuscitado
  é o Centro da Comunidade cristã. (Jo 20,19-31)
 
A Comunidade insegura e frágil, dominada pelo medo,
se estrutura ao redor de Cristo e dele recebe a vida que a anima 
e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. 
Na vida da comunidade, encontramos as provas de que Jesus está vivo. 
 
O texto apresenta dois encontros dos apóstolos com Cristo Ressuscitado:
Aprofundemos alguns DETALHES: 
 
- "1o Dia da semana... Oito dias depois..." (Domingo)
 
* Lembra as celebrações dominicais da Comunidade primitiva
e mostra a nossa experiência pascal que se renova cada domingo.
O Domingo é o dia do "encontro" com o Ressuscitado.
É o dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia.
É no "encontro" com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, 
com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, 
que se descobre Jesus ressuscitado.
 
- Na Comunidade:
A Assembléia dominical da Comunidade é o lugar privilegiado  
 para encontrar o Ressuscitado e ouvir a sua Palavra. 
 
       * Não basta rezar em casa, assistir a missa pela TV...
Em casa podemos fazer a experiência de Deus, mas não a do Ressuscitado, porque esse se faz presente onde a Comunidade está reunida...
 
- "Com portas trancadas por medo dos judeus..."
   Mais do que as portas e janelas, o coração deles estava fechado..    
   O Ressuscitado os liberta do medo e lhes traz a alegria...
 
  * Retrata a situação de insegurança e fragilidade, que dominava a comunidade.
 
A essa comunidade fechada, com medo, mergulhada num mundo hostil,
ao aparecer "no meio deles", JESUS...
 
  - Transmite o Dom da PAZ...  do PERDÃO: 
- "A Paz esteja convosco..." 
- " A quem perdoardes os pecados..."
 
  - Comunica o ESPÍRITO SANTO:
- "SOPROU... recebei o Espírito Santo..."
  (Lembra o "sopro" de Deus na Criação)
 
  - Envia em MISSÃO:
- "Como o Pai me enviou, eu também VOS ENVIO..."
 
+ O Episódio de Tomé é uma CATEQUESE SOBRE A FÉ:
 
Inicialmente exige provas, só acredita vendo...
Não valoriza o testemunho da Comunidade.
Não percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam...
Fora da comunidade, não encontra o Cristo ressuscitado.
Depois, voltando à comunidade, no "dia do Senhor" (Domingo), 
o encontra e faz uma linda profissão de fé: "Meu Senhor e meu Deus".
Quem não encontrou o Ressuscitado na Comunidade 
precisa de "provas" para acreditar.
 
As dúvidas de Tomé expressam a experiência da Comunidade apostólica. 
Sua incredulidade evidencia o realismo da Ressurreição e 
nos convida a crer firmemente neste mistério, mesmo sem ter visto,
 
- O que significa para nós
  a EUCARISTIA na COMUNIDADE, no MEU DOMINGO?
 
Peçamos a Deus, nesta celebração, que a nossa vida, através de gestos concretos,
torne visível aos homens de nosso tempo, que Jesus está ainda vivo? 


                                                               
             Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 03.04.2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Catequese do Papa sobre as riquezas



As riquezas que contam são reconhecidas pela «bolsa do céu». E não coincidem com as lógicas ávidas dos homens, destinadas a ser corroídas pela «traça e pela ferrugem» mas também a desencadear guerras. Desta forma, o verdadeiro segredo é comportar-se como autênticos administradores que põem todos os bens «ao serviço dos outros». Eis os conselhos práticos sugeridos pelo Papa na missa celebrada na manhã de sexta-feira, 19 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta.

«Jesus volta a uma catequese a Ele muito querida: a catequese sobre as riquezas» disse Francisco, relendo o trecho evangélico hodierno (Mateus 6, 19-23). E «é muito claro o seu conselho: “Não acumuleis tesouros na terra”». Mas Jesus explica também o porquê: «Onde a ferrugem e a traça os corroem e os ladrões arrombam os muros, para os roubar». Em síntese, afirmou o Papa, «Jesus diz-nos que é perigoso brincar com este comportamento de acumular tesouros na terra». É verdade, reconheceu o Pontífice, que talvez «na raiz deste comportamento haja a vontade de segurança». Como para dizer «quero estar seguro e por isso tenho esta poupança».

Mas «as riquezas não são como uma estátua, não estão paradas: as riquezas têm a tendência a crescer, a mover-se, a ocupar um lugar na vida e no coração do homem». E «assim aquele homem que, para não se tornar escravo de uma pobreza, acumula riquezas, acaba por ser escravo das riquezas». Eis então o conselho de Jesus: «Não acumuleis tesouros na terra». De resto, acrescentou o Papa, «as riquezas invadem também o coração, apropriam-se do coração e corrompem-no. E aquele homem acaba corrompido por este comportamento de acumular riquezas».

Depois, Francisco recordou que «Jesus noutra catequese sobre o mesmo tema, falava de um homem que teve uma boa colheita de trigo e pensava: o que farei agora? Destruirei os meus armazéns e construirei outros maiores». Mas o Senhor diz: «Estulto, morrerás hoje à noite». E «isto – explicou o Papa – é um segundo traço deste hábito: quem acumula riquezas não se dá conta de que deverá deixá-las».

No trecho evangélico hodierno, «Jesus fala de traças e ferrugem: mas quais são? Há a destruição do coração, a corrupção do coração e também a destruição das famílias». E o Pontífice recordou também «o homem que foi ter com Jesus para lhe dizer: “por favor, diz ao meu irmão que divida comigo a herança!”». E, mais uma vez, repete-se o conselho do Senhor: «Estai atentos a não vos apegar às riquezas!».

Mas «neste discurso vai adiante» frisou o Papa. E «o trecho que segue o que foi lido é muito claro: ninguém pode servir a dois senhores, porque odiará um e amará o outro; ou afeiçoar-se-á a um e desprezará o outro». Enfim, diz o Senhor, «não podeis servir a Deus e à riqueza».
É uma afirmação muito clara, frisou Francisco: «É verdade, ouvirmos as pessoas que têm esta atitude de acumular riquezas, elas “acumulam” muitas desculpas para se justificar, tantas!». Contudo «no final estas riquezas não dão segurança para sempre. Aliás, rebaixam-te na dignidade». E isto é válido também «em família»: muitas famílias separam-se precisamente por causa das riquezas.

E mais: «Também na raiz das guerras há esta ambição que destrói, corrompe» disse o Papa. De facto, «neste mundo, neste momento, estão em acto muitas guerras por causa da avidez de poder, de riquezas». Mas «pode-se pensar na guerra no nosso coração: “Afastai-vos de toda a cobiça!” diz o Senhor». Porque «a avidez vai aumentando sempre: sobe um degrau, abre a porta, depois chega a vaidade – considerar-se importante, poderosos – e no final o orgulho». E «a partir disto todos os vícios: são degraus, mas o primeiro é a avidez, a vontade de acumular riquezas».

Em seguida Francisco recordou «um ditado muito bom: o diabo entra pelo porta-moedas» ou «entra pelos bolsos, é o mesmo: este é o ingresso do diabo e de todos os vícios, das seguranças inseguras». E «isto – explicou o Papa – é precisamente a corrupção, a traça e a ferrugem que nos aliciam». De resto «acumular é uma qualidade do homem: construir e dominar o mundo é também uma missão». Mas «o que devo acumular?». A resposta de Jesus, no Evangelho de hoje, é clara: «Acumulai tesouros no Céu onde nem a traça nem a ferrugem os corroem nem os ladrões arrombam os muros para os roubar. É esta precisamente «a luta de todos os dias: como administrar bem as riquezas da terra para que sejam orientadas para o céu e se tornem riquezas do céu».

«Quando o Senhor abençoa uma pessoa com as riquezas – afirmou Francisco – faz dela um administrador daquelas riquezas para o bem comum e de todos» e «não para o próprio bem». Mas «não é fácil tornar-se um honesto administrador porque existe sempre a tentação da avidez, de se tornar importante: o mundo ensina-nos isto e leva-nos por esta estrada».

Ao contrário, devemos «pensar nos outros, considerar que o que tenho está ao serviço dos outros e nada levarei comigo». E «se usar o que o Senhor me concedeu para o bem comum, como administrador, isto santifica-me , faz-me santo». Contudo «não é fácil», reconheceu o Papa. Assim «todos os dias devemos entrar no nosso coração para nos perguntar: onde está o meu tesouro? Nas riquezas ou nesta administração, no serviço para o bem comum?».

Portanto «quando um rico vê que o seu tesouro é administrado para o bem comum, e vive com simplicidade no seu coração e na sua vida, como se fosse pobre: este homem é santo, caminha na estrada da santidade, porque as suas riquezas são para todos». Mas «é difícil, é como brincar com o fogo» acrescentou o Pontífice. Por este motivo «muitos tranquilizam a própria consciência com a esmola e doam o que lhes sobra». Mas «isto não é ser um administrador: o verdadeiro administrador conserva para si o que sobra e dá aos outros, em serviço, tudo». De facto «administrar a riqueza é um despojamento contínuo do próprio interesse e não pensar que estas riquezas nos proporcionarão a salvação». Portanto «acumular sim, tesouros sim, mas os que são cotados – digamos assim – na “bolsa do céu”: lá, acumulai-os lá!».

De resto, explicou o Papa, «o Senhor viveu como pobre, mas quanta riqueza!». O próprio Paulo, prosseguiu Francisco, ao referir- se à primeira leitura (2 Coríntios 11.18, 21-30), «viveu como um pobre e do que se vangloriava? Da sua fragilidade». E «tinha possibilidades, poder, mas sempre ao serviço». Eis, frisou «ao serviço» é deveras a palavra-chave. E, acrescentou, «o Baptismo torna-nos irmãos uns dos outros para nos servir, para nos despojar: não para despojarmos o outro, mas para me despojar e doar ao outro».

Pensemos, sugeriu Francisco, «em como está o nosso coração, como é a luz do nosso coração, como é o olho do nosso coração: é simples?». De facto, o Senhor diz sempre no Evangelho de Mateus, que «todo o corpo será iluminado». Mas se «for malvado, afeiçoado aos próprios interesses e não aos outros, será um coração tenebroso». «As riquezas, através dos vícios e da corrupção, fazem um coração tenebroso quando o homem se apega a elas».

O Papa concluiu recordando que «na celebração da Eucaristia o Senhor que é tão rico – tão rico! – se fez pobre para nos enriquecer». Precisamente «com a sua pobreza nos ensine este caminho do não acumular riquezas na terra, porque corrompem». E «quando as possuímos, nos ensine a usá-las como administradores, ao serviço dos outros». 


2015-06-19 L’Osservatore Romano