sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Angelus 26 de dezembro de 2025 - Papa Leão XIV

FESTA DE SANTO ESTEVÃO PROTOMÁRTIR

PAPA LEÃO XIV

ANGELUS

Praça de São Pedro
Sexta-feira, 26 de dezembro de 2025


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é o “natal” de Santo Estêvão, como costumavam dizer as primeiras gerações cristãs, certas de que não se nasce apenas uma vez. O martírio é o nascimento para o céu: efetivamente, um olhar de fé, mesmo na morte, não vê apenas escuridão. Viemos ao mundo sem decidir, mas passamos depois por muitas experiências nas quais nos é pedido, cada vez mais conscientemente, que “venhamos à luz”, que escolhamos a luz. O relato dos Atos dos Apóstolos testemunha que quem viu Estêvão caminhar para o martírio ficou surpreendido com a luz do seu rosto e das suas palavras. Está assim escrito: «Todos os membros do Sinédrio tinham os olhos fixos nele e viram que o seu rosto era como o rosto de um Anjo» (Act 6, 15). É o rosto de quem não passa indiferente pela história, mas a enfrenta com amor. Tudo o que Estêvão faz e diz representa o amor divino que se manifestou em Jesus, a Luz que brilhou nas nossas trevas.

Caríssimos, o nascimento do Filho de Deus no meio de nós convida-nos a viver como filhos de Deus, tornando-o possível graças a um movimento de atração experimentado, desde a noite de Belém, por pessoas humildes como Maria, José e os pastores. Porém, aquela beleza de Jesus e de quem vive como Ele é também uma beleza rejeitada: desde o início, a sua força magnética suscitou precisamente a reação de quem teme pela sobrevivência do seu poder, de quem é desmascarado na sua injustiça por uma bondade que revela os pensamentos dos corações (cf. Lc 2, 35). Contudo, até hoje, poder algum prevalece sobre a obra de Deus. Em todo o mundo há quem escolha a justiça, mesmo que isso tenha um custo, quem anteponha a paz aos próprios medos, quem sirva os pobres em vez de se servir a si mesmo. Então, apesar de tudo, brota a esperança e faz sentido estar em festa.

Nas condições de incerteza e sofrimento do mundo atual, a alegria pareceria impossível. Quem hoje acredita na paz e escolheu o caminho desarmado de Jesus e dos mártires é frequentemente ridicularizado, excluído do debate público e, não raro, acusado de favorecer adversários e inimigos. O cristão, porém, não tem inimigos, mas irmãos e irmãs, que continuam a sê-lo mesmo quando não estão de concordo. O Mistério do Natal traz-nos esta alegria: uma alegria motivada pela tenacidade de quem já vive a fraternidade, de quem já reconhece à sua volta, até nos seus adversários, a dignidade indelével das filhas e dos filhos de Deus. Por isso, Estêvão morreu perdoando, tal como Jesus: por cauda de uma força mais verdadeira do que a das armas. É uma força gratuita, já presente no coração de todos, que se reativa e se comunica de forma irresistível quando alguém começa a olhar de modo diverso para o seu próximo, a oferecer-lhe atenção e reconhecimento. Sim, isto é renascer, isto é vir novamente à luz, isto é o nosso Natal!

Rezemos agora a Maria e contemplemo-la, bendita entre todas as mulheres que servem a vida, contrapondo o cuidado à prepotência, a fé à desconfiança. Que Maria nos leve a entrar na sua própria alegria, uma alegria que dissolve todo o medo e toda a ameaça, como a neve derrete ao sol.

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Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs,

Renovo sinceramente os votos de paz e serenidade na luz do Natal do Senhor.

Saúdo todos os fiéis de Roma e os peregrinos vindos de tantos países.

Na memória de Santo Estêvão, o primeiro mártir, invocamos a sua intercessão para que fortaleça a nossa fé e sustente as comunidades que mais sofrem por causa do seu testemunho cristão.

Que o seu exemplo de mansidão, coragem e perdão acompanhe todos aqueles que estão envolvidos em situações de conflito para promover o diálogo, a reconciliação e a paz.

Desejo a todos uma feliz festa!

Homilia Diária | Festa de Santo Estêvão, Protomártir (26/12/2025)

SANTO DO DIA - 26 DE DEZEMBRO: SANTO ESTEVÃO

Laudes da Festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Vamos já, pastores - Caminho Neocatecumenal

NATAL DO SENHOR | 25.12.2025

Natal no Vaticano 🎄 100 Presépios do Mundo | Viagem 4K 2025

Mensagem de Natal e Bênção “Urbi et Orbi” 25 de dezembro de 2025- Papa L...

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA LEÃO XIV

NATAL 2025

Balcão central da Basílica Vaticana
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


Queridos irmãos e irmãs,

«Exultemos de alegria no Senhor, porque nasceu na terra o nosso Salvador. Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz» (Antífona de entrada da Missa da Meia Noite). Assim canta a liturgia na noite de Natal e assim ressoa na Igreja o anúncio de Belém: o Menino que nasceu da Virgem Maria é Cristo Senhor, enviado pelo Pai para nos salvar do pecado e da morte. Ele é a nossa paz: Aquele que venceu o ódio e a inimizade com o amor misericordioso de Deus. Por isso, «o Natal do Senhor é o Natal da paz» (São Leão Magno, Sermão 26).

Porque não havia lugar para Ele na hospedaria, Jesus nasceu num estábulo. Assim que nasceu, a sua mãe Maria «envolveu-o em panos e recostou-o numa manjedoura» (cf. Lc 2, 7). O Filho de Deus, por meio do qual tudo foi criado, não é recebido e o seu berço é uma pobre manjedoura para animais.

O Verbo eterno do Pai, que os céus não podem conter, escolheu vir ao mundo desta forma. Por amor, desejou nascer de uma mulher, para partilhar a nossa humanidade; por amor, aceitou a pobreza e a rejeição e identificou-se com quem é descartado e excluído.

No Natal de Jesus, já se perfila a escolha de fundo que orientará toda a vida do Filho de Deus, até à morte na cruz: a escolha de não nos fazer carregar o peso do pecado, mas de o carregar Ele por nós, de assumir sobre Si esse peso. Só Ele o podia fazer. Ao mesmo tempo, porém, mostrou o que só nós podemos fazer, ou seja, assumir cada um a sua parte de responsabilidade. Sim, porque Deus, que nos criou sem nós, não pode salvar-nos sem nós (cf. Santo Agostinho, Discurso 169, 11. 13), isto é, sem a nossa livre vontade de amar. Quem não ama não se salva, está perdido. E quem não ama o irmão que vê, não pode amar Deus que não vê (cf. 1 Jo 4, 20).

Irmãs e irmãos, eis o caminho da paz: a responsabilidade. Se cada um de nós, a todos os níveis, em vez de acusar os outros, reconhecesse em primeiro lugar as próprias falhas, pedisse perdão a Deus e, ao mesmo tempo, se colocasse no lugar dos que sofrem, mostrando-se solidário com os mais fracos e oprimidos, então o mundo mudaria.

Jesus Cristo é a nossa paz porque, em primeiro lugar, nos liberta do pecado e, em segundo lugar, nos indica o caminho a seguir para superar os conflitos, quaisquer que sejam eles, desde os interpessoais aos internacionais. Sem um coração livre do pecado, um coração perdoado, não se pode ser homens e mulheres pacíficos e construtores de paz. Foi por esta razão que Jesus nasceu em Belém e morreu na cruz: para nos libertar do pecado. Ele é o Salvador. Com a sua graça, cada um pode e deve fazer a sua parte para rejeitar o ódio, a violência, a contraposição e para praticar o diálogo, a paz, a reconciliação.

Neste dia de festa, desejo enviar uma calorosa saudação paterna a todos os cristãos, em especial àqueles que vivem no Médio Oriente e que recentemente, na minha primeira viagem apostólica, desejei encontrar. Ouvi os seus receios e conheço bem o seu sentimento de impotência perante dinâmicas de poder que os ultrapassam. O Menino que hoje nasce em Belém é o mesmo Jesus que diz: «Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» (Jo 16, 33).

D’Ele invocamos justiça, paz e estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel e a Síria, ao confiarmos nestas palavras divinas: «A paz será obra da justiça, e o fruto da justiça será a tranquilidade e a segurança para sempre» (Is 32, 17).

Ao Príncipe da Paz, entregamos o inteiro Continente Europeu, pedindo-Lhe que continue a inspirar um espírito comunitário e colaborativo, fiel às suas raízes cristãs e à sua história, solidária e acolhedora com quem passa necessidade. Rezemos de modo especial pelo povo ucraniano tão massacrado: que o barulho das armas acabe e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem de dialogar de modo sincero, direto e respeitoso.

Do Menino de Belém, imploramos paz e consolação para as vítimas de todas as guerras em curso no mundo, especialmente as esquecidas; e para quantos sofrem por causa da injustiça, da instabilidade política, da perseguição religiosa e do terrorismo. Recordo de modo particular os irmãos e irmãs do Sudão, do Sudão do Sul, do Mali, do Burquina Faso e da República Democrática do Congo.

Nestes últimos dias do Jubileu da Esperança, rezemos ao Deus feito homem pela querida população do Haiti, para que, cessando toda a forma de violência no país, possa progredir no caminho da paz e da reconciliação.

O Menino Jesus inspire todos os que têm responsabilidades políticas na América Latina, para que, ao enfrentarem os inúmeros desafios, deem espaço ao diálogo pelo bem comum e não a preconceitos ideológicos e de parte.

Ao Príncipe da Paz, pedimos que ilumine Myanmar com a luz de um futuro de reconciliação: devolva a esperança às jovens gerações, guie todo o povo birmanês por vias de paz e acompanhe aqueles que vivem sem casa, segurança ou confiança no futuro.

A Ele pedimos que restaure a antiga amizade entre a Tailândia e o Camboja e que as partes em causa continuem a empenhar-se pela paz e reconciliação.

A Ele confiamos também as populações do Sul asiático e da Oceânia, duramente provadas pelas recentes e devastadoras calamidades naturais, que com gravidade atingiram inteiras populações. Perante tais provações, convido todos a renovar com convicção o nosso empenho comum em socorrer quem sofre.

Queridos irmãos e irmãs,

na escuridão da noite, «o Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9), porém «os seus não o receberam» (Jo 1, 11). Não nos deixemos vencer pela indiferença em relação a quem sofre, porque Deus não é indiferente às nossas misérias.

Fazendo-se homem, Jesus assume a nossa fragilidade, identifica-se com cada um de nós: com aqueles que não têm mais nada e perderam tudo, como os habitantes de Gaza; com quem está a braços com a fome e a pobreza, como o povo do Iémen; com aqueles que fogem da própria terra em busca de um futuro noutro lugar, como os muitos refugiados e migrantes que atravessam o Mediterrâneo ou atravessam o Continente americano; com aqueles que perderam o trabalho e com os que o procuram, como tantos jovens que têm dificuldade em encontrar emprego; com aqueles que são explorados, como muitos trabalhadores mal remunerados; com aqueles que estão na prisão e, muitas vezes, vivem em condições desumanas.

Ao coração de Deus chega a invocação de paz que se eleva de todas as partes da terra, como escreve um poeta:

«Não a paz de um cessar-fogo,
nem a visão do lobo e do cordeiro,
mas antes
como quando no coração a excitação termina
e apenas se pode falar de um grande cansaço.
[...]
Venha de repente,
como as flores selvagens,
porque o campo
precisa dela: paz selvagem». [1]

Neste santo dia, abramos o nosso coração aos irmãos e irmãs que passam necessidades e sofrem. Ao fazê-lo, abrimos o nosso coração ao Menino Jesus, que, com os braços abertos, nos acolhe e revela a sua divindade: «a quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12).

Em poucos dias, o Ano Jubilar terminará. As Portas Santas fechar-se-ão, mas Cristo, nossa esperança, permanecerá sempre conosco. Ele é a Porta sempre aberta, que nos introduz na vida divina. É a alegre notícia deste dia: o Menino que nasceu é Deus feito homem; Ele não vem para condenar, mas para salvar; a sua não é uma aparição fugaz; Ele vem para ficar e dar-se a si mesmo. N’Ele, todas as feridas são curadas e todos os corações encontram repouso e paz. «O Natal do Senhor é o Natal da paz».

Desejo a todos, de coração, um feliz e santo Natal.

 


[1] Y. Amichai, “Wildpeace”, in The Poetry of Yehuda Amichai, Farrar, Straus and Giroux, 2015.

Natal do Senhor–Santa Missa do dia, 25 de dezembro de 2025- Papa Leão XIV

SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
SANTA MISSA DO DIA

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV

Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


Irmãs e irmãos caríssimos!

«Irrompei em cânticos de alegria» (Is 52, 9), brada o mensageiro da paz a todos aqueles que se encontram entre as ruínas de uma cidade inteiramente por reconstruir. Embora empoeirados e feridos, os seus pés são formosos – escreve o profeta (cf. Is 52, 7) –, porque, por estradas longas e irregulares, trouxeram uma alegre notícia, na qual tudo agora renasce. É um novo dia! Também nós participamos nesta mudança, na qual ninguém parece ainda acreditar: a paz existe e já está no meio de nós.

«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou» (Jo 14, 27). Assim disse Jesus aos discípulos, a quem acabara de lavar os pés, mensageiros da paz que, a partir daquele momento, deveriam percorrer o mundo, sem se cansar, para revelar a todos «o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12). Hoje, portanto, não só nos surpreendemos com a paz que já está aqui, mas celebramos como este dom nos foi dado. Com efeito, a partir deste como brilha a diferença divina que nos faz irromper em cânticos de alegria. Por isso, em todo o mundo, o Natal é, por excelência, uma festa de músicas e cânticos.

O prólogo do quarto Evangelho também é um hino e tem como protagonista o Verbo de Deus. O “verbo” é uma palavra que age. Esta é uma caraterística da Palavra de Deus: nunca é ineficaz. Olhando bem, muitas das nossas palavras também produzem efeitos, por vezes indesejados. Sim, as palavras agem. Mas eis a surpresa que a liturgia do Natal coloca diante de nós: o Verbo de Deus aparece e não sabe falar, vem até nós como um recém-nascido que apenas chora e dá vagidos. «Fez-se carne» (cf. Jo 1, 14) e, embora crescerá e um dia aprenderá a língua do seu povo, agora fala apenas a sua presença simples e frágil. «Carne» é a nudez radical à qual, em Belém e no Calvário, falta até a palavra; como a não têm muitos irmãos e irmãs despojados da sua dignidade e reduzidos ao silêncio. A carne humana pede cuidados, invoca acolhimento e reconhecimento, procura mãos capazes de ternura e mentes dispostas à atenção, deseja palavras bonitas.

«Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 11-12). Eis a forma paradoxal segundo a qual a paz já está entre nós: o dom de Deus envolve-nos, procura acolhimento e mobiliza a dedicação. Surpreende-nos porque se expõe à rejeição, encanta-nos porque nos arranca da indiferença. É um verdadeiro poder o de nos tornarmos filhos de Deus: um poder que permanece enterrado enquanto estivermos distantes do choro das crianças e da fragilidade dos idosos, do silêncio impotente das vítimas e da melancolia resignada de quem faz o mal que não quer.

Como escreveu o amado Papa Francisco, para nos convocar à alegria do Evangelho: «Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. Espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contato com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 270).

Queridos irmãos e irmãs, uma vez que o Verbo se fez carne, agora a carne fala, brada o desejo divino de nos encontrar. O Verbo ergueu no meio de nós a sua frágil tenda. E como não pensar nas tendas de Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio, e nas tendas de tantos outros deslocados e refugiados em todos os continentes; ou nos refúgios improvisados de milhares de pessoas sem-abrigo dentro das nossas cidades? Fragilizada se encontra a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras em curso ou concluídas, deixando escombros e feridas abertas. Fragilizadas estão as mentes e as vidas dos jovens obrigados a pegar em armas, que precisamente na frente de batalha percebem a insensatez do que lhes é exigido e a mentira de que estão embebidos os discursos inflamados daqueles que os enviam para a morte.

Quando a fraqueza dos outros penetra o nosso coração, quando a dor alheia despedaça as nossas certezas graníticas, então já começa a paz. A paz de Deus nasce de um choro de criança acolhido, de um pranto ouvido: nasce entre ruínas que invocam solidariedades renovadas, nasce de sonhos e visões que, como profecias, invertem o curso da história. Sim, tudo isso existe, porque Jesus é o Logos, o sentido a partir do qual tudo tomou forma. «Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência» (Jo 1, 3). Este mistério interpela-nos a partir dos presépios que construímos, abre-nos os olhos para um mundo em que a Palavra ainda ressoa, «muitas vezes e de variados modos» (cf. Heb 1, 1), e continua a chamar-nos à conversão.

Certamente, o Evangelho não esconde a resistência das trevas à luz, descreve o caminho da Palavra de Deus como uma estrada intransitável, repleta de obstáculos. Até hoje, os autênticos mensageiros da paz seguem o Verbo neste caminho, que finalmente alcança os corações: corações inquietos, que muitas vezes desejam justamente aquilo a que resistem. Assim, o Natal motiva novamente uma Igreja missionária, impelindo-a pelos caminhos que a Palavra de Deus traçou para ela. Não estamos ao serviço de uma palavra prepotente – já ressoam por toda parte –, mas uma presença que suscita o bem, conhece a sua eficácia e não reivindica o seu monopólio.

Eis o caminho da missão: um caminho em direção ao outro. Em Deus, cada palavra é uma palavra dirigida, é um convite à conversação, uma palavra que nunca é igual a si mesma. É a renovação que o Concílio Vaticano II promoveu e que veremos florescer apenas caminhando juntos com toda a humanidade, sem nunca nos separarmos dela. O contrário é mundano: ter-se a si mesmo como centro. O movimento da Encarnação é um dinamismo de conversação. Haverá paz quando os nossos monólogos se interromperem e, fecundados pela escuta, cairmos de joelhos diante da carne despojada do outro. Precisamente nisto, a Virgem Maria é a Mãe da Igreja, a Estrela da evangelização, a Rainha da paz. Nela compreendemos que nada nasce da exibição da força e tudo renasce a partir do poder silencioso da vida acolhida.

Noite Feliz |🎄✨Contracanto

Laudes do Natal do Senhor

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Missa desde a Basílica da Nossa Senhora do Rosário de Fátima 24.12.2025

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Belém, está de volta a Marcha pela paz das crianças


Após uma parada de dois anos devido à guerra, realizou-se a tradicional iniciativa natalina promovida pela Custódia da Terra Santa na cidade natal de Jesus. Padre Ibrahim Faltas: "Nossas crianças não sofreram tanto quanto as de Gaza, mas sofreram da mesma forma: viram a guerra, viram seus pais desempregados e muitas famílias deixaram Belém. Não queremos desistir. Queremos que a vida recomece."

Giordano Contu – Belém

A esperança nasce de um pequeno passo. Na segunda-feira, 22 de dezembro, esse passo começou com as crianças de Belém. A Marcha pela paz das crianças voltou às ruas da cidade onde Jesus nasceu. Essa caminhada, promovida pela Custódia da Terra Santa, é uma oração por todo o planeta, assolado por mais de 50 conflitos, muitos dos quais esquecidos por serem distantes e menos divulgados pela mídia. Os passos dessas crianças e jovens palestinos, cristãos e muçulmanos, são um apelo aos líderes mundiais: "Vamos espalhar a paz, proteger a inocência" e "Uma criança sem guerra... um futuro cheio de esperança", diziam algumas das faixas.

Um sinal de esperança

"Todos os anos, antes do Natal, organizamos esta Marcha pela paz. Nos últimos dois anos, não a realizamos devido à guerra. Em 2025, decidimos retomá-la. Por isso, ela assume um significado ainda mais forte: é um sinal de esperança", disse o padre Ibrahim Faltas, franciscano da Custódia da Terra Santa, à mídia vaticana. "Depois de dois anos sem árvores de Natal, sem festas, queríamos trazer de volta o sorriso às crianças. Nossas crianças não sofreram tanto quanto as de Gaza, mas sofreram da mesma forma: viram a guerra, viram seus pais sem trabalho e muitas famílias deixaram Belém. Não queremos desistir. Queremos que a vida recomece, que os peregrinos voltem, que o mundo não se esqueça de Belém e da Terra Santa."

Padre Ibrahim Faltas entre as crianças da marcha
Padre Ibrahim Faltas entre as crianças da marcha

Reacender o sorriso das crianças

A Marcha pela paz é uma tradição que se mantém há mais de 25 anos. A iniciativa surgiu do projeto "Crianças sem fronteiras", criado para educar crianças palestinas e israelenses, judias, cristãs e muçulmanas sobre esportes, convívio e respeito. Hoje, aproximadamente 600 jovens participam nas regiões de Belém, Jericó, Taybeh, Beit Sahour e Beit Jala, cristãos e muçulmanos, fiéis e leigos. "Desde o início, foi um projeto aberto a todas as crianças, pois nasceu sob a bandeira da esperança", reiterou o franciscano. O objetivo desta iniciativa é fortalecer nos jovens a perspectiva de que a paz nesta Terra é possível. Olhando para essas crianças, o padre Faltas falou com clareza e paixão: "A mensagem desta marcha é ainda mais forte hoje, porque reacende o sorriso onde ele se extinguiu por muito tempo."

Uma promessa a ser cumprida

A paz não é uma palavra abstrata; é o pedido de uma promessa a ser cumprida, uma necessidade concreta. Esta é a mensagem de Belém para o mundo. Com a conclusão do Jubileu da Esperança, esta promessa assume um significado ainda maior. O padre Raffaele Tayem, pároco da Igreja Latina em Belém, explica: "A esperança não decepciona, e Deus continua a agir na história mesmo quando a história parece contradizê-Lo. Para nós, no Oriente Médio, o sofrimento não é um tema para se discutir; é uma realidade que molda as pessoas, famílias e jovens. E precisamente aqui, o Jubileu se torna um forte apelo à consciência global: não se acostumar com o mal, não normalizar a guerra, não considerar inevitável o que destrói. O Jubileu nos convida a ações concretas: proximidade, reconciliação possível, cura de feridas internas, educação dos jovens, apoio às famílias."

A Marcha das crianças chega à Praça da Manjedoura
A Marcha das crianças chega à Praça da Manjedoura

No caminho da reconciliação

A Marcha pela paz das crianças de Belém, irredutível a um slogan, clama pela retomada de um caminho de conciliação. "Hoje", continua Tayem, "falar de paz significa, antes de tudo, dizer a verdade: paz não é apenas a ausência de tiros. A guerra pode até parar, mas isso não significa que haja paz. O mal ainda está presente: crianças sem casa, corações oprimidos, feridas profundas difíceis de cicatrizar, pessoas sofrendo, lares com camas vazias devido à emigração de jovens, a pobreza e a desestruturação das famílias." De onde a reconciliação pode recomeçar? "Eu diria que a partir da fragilidade de um Menino deitado numa manjedoura. De Belém, continua sendo feito um apelo ao mundo: a paz só é possível quando colocamos a dignidade humana e o valor da vida no centro. A paz nasce quando o outro deixa de ser uma ideia ou um inimigo abstrato e volta a ser uma pessoa, com nome, história, dignidade, e quando eu paro de usar a pessoa e amar as coisas, e passo a amar a pessoa e usar as coisas."

 (vaticannews)