segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

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Missa a Nossa Senhora de Fátima desde a Capelinha das Aparições 20.02.2023

Senhor eu creio, mas aumenta a minha fé (Mc 9,14-29) Palavra de Deus #54...

Bendita és tu Maria - Caminho Neocatecumenal

Hoje a Igreja celebra são Francisco e santa Jacinta Marto, videntes da Virgem de Fátima


 REDAÇÃO CENTRAL, 20 Fev. 23 / 05:00 am (ACI).- “Rezem, rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão ao inferno porque não há quem se sacrifique e peça por elas”, foi o que pediu Nossa Senhora de Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. E, hoje (20), a Igreja recorda a memória de dois desses pastorinhos, os santos Francisco e Jacinta Marto.


Francisco Marto nasceu em 1908 e Jacinta, dois anos depois. Desde pequenos aprenderam a tomar cuidado com as más companhias e, por isso, preferiam estar com sua prima Lúcia, que costumava lhes falar sobre Jesus. Os três cuidavam das ovelhas, brincavam e rezavam juntos.


De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, a Virgem lhes apareceu em várias ocasiões na Cova de Iria (Portugal). Durante estes ocorridos, suportaram com valentia as calúnias, injúrias, más interpretações, perseguições e a prisão. Eles diziam: “Se nos matarem, não importa; vamos ao céu”.


Logo depois das aparições, Jacinta e Francisco seguiram sua vida normal. Lúcia foi para a escola, tal como pediu a Virgem, e era acompanhada por Jacinta e Francisco. No caminho, passavam pela Igreja e saudavam Jesus Eucarístico.


Francisco, sabendo que não viveria muito tempo, dizia a Lúcia: “Vão vocês ao colégio, eu ficarei aqui com o Jesus Escondido”. Ao sair do colégio, as meninas o encontravam o mais perto possível do Tabernáculo e em recolhimento.


O pequeno Francisco era o mais contemplativo e queria consolar Deus, tão ofendido pelos pecados da humanidade. Em uma ocasião, Lúcia lhe perguntou: “Francisco, o que prefere, consolar o Senhor ou converter os pecadores?”. Ele respondeu: “Eu prefiro consolar o Senhor”.


“Não viu que triste estava Nossa Senhora quando nos disse que os homens não devem ofender mais o Senhor, que já está tão ofendido? Eu gostaria de consolar o Senhor e, depois, converter os pecadores para que eles não ofendam mais ao Senhor”. E continuou: “Logo estarei no céu. E quando chegar, vou consolar muito Nosso Senhor e Nossa Senhora”.


Jacinta participava diariamente da missa e tinha grande desejo de receber a Comunhão em reparação dos pobres pecadores. Atraía-lhe muito estar com Jesus Sacramentado. “Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo”, repetia.


Certo dia, pouco depois da quarta aparição, Jacinta encontrou uma corda e concordaram em reparti-la em três e colocá-la na cintura, sobre a carne, como sacrifício. Isto os fazia sofrer muito, contaria Lúcia depois. A Virgem lhes disse que Jesus estava muito contente com seus sacrifícios, mas que não queria que dormissem com a corda. Assim o fizeram.


Concedeu a Jacinta a visão de ver os sofrimentos do papa. “Eu o vi em uma casa muito grande, ajoelhado, com o rosto entre as mãos, e chorava. Fora, havia muita gente; alguns atiravam pedras, outros diziam imprecações e palavrões”, contou ela.


Por isso e outros feitos, as crianças tinham presente o papa e ofereciam três Ave Maria por ele depois de cada Rosário. Do mesmo modo, as famílias iam a eles para que intercedessem por seus problemas.


Em uma ocasião, uma mãe rogou a Jacinta que pedisse por seu filho que se foi como o filho pródigo. Dias depois, o jovem retornou para casa, pediu perdão e contou a sua família que depois de ter gastado tudo o que tinha, roubado e estado no cárcere, fugiu para bosques desconhecidos.


Quando se achou completamente perdido, ajoelhou-se chorando e rezou. Nisso, viu Jacinta que o pegou pela mão e o conduziu até um caminho. Assim, pôde retornar para casa. Logo interrogaram Jacinta se tinha se encontrado com o moço e ela disse que não, mas que tinha rogado muito à Virgem por ele.


Em 23 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram de uma terrível epidemia de broncopneumonia. Francisco foi piorando aos poucos durante os meses posteriores. Pediu para receber a Primeira Comunhão e, para isso, confessou-se e guardou jejum. Recebeu-a com grande lucidez e piedade. Depois, pediu perdão a todos.


“Eu vou ao Paraíso; mas de lá pedirei muito a Jesus e à Virgem para que os leve também logo”, disse para Lúcia e Jacinta. No dia seguinte, em 4 de abril de 1919, partiu para a casa do Pai com um sorriso angelical.


Jacinta sofreu muito pela morte de seu irmão. Mais tarde, sua enfermidade se complicou. Foi levada ao hospital da Vila Nova, mas retornou para casa com uma chaga no peito. Logo confiaria a sua prima: “Sofro muito; mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para desagravar o Coração Imaculado de Maria”.


Antes de ser levada ao hospital de Lisboa, disse para Lúcia: “Já falta pouco para ir ao céu… Diga a todos que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria. Que as peçam a Ela, que o Coração de Jesus quer que ao seu lado se venere o Imaculado Coração de Maria, que peçam a paz ao Imaculado Coração, que Deus a confiou a Ela”.


Operaram Jacinta, tiraram-lhe duas costelas do lado esquerdo e ficou uma grande chaga como de uma mão. As dores eram espantosas, mas ela invocava a Virgem e oferecia suas dores pela conversão dos pecadores.


Em 20 de fevereiro de 1920, pediu os últimos sacramentos, confessou-se e rogou que a levassem o viático porque logo morreria. Pouco depois, partiu para a Casa do Pai com dez anos de idade.


Os corpos do Francisco e Jacinta foram transladados ao Santuário de Fátima. Quando abriram o sepulcro de Francisco, viram que o Rosário que colocaram sobre seu peito estava envolvido entre os dedos de suas mãos. Enquanto o corpo de Jacinta, 15 anos depois de sua morte, estava incorrupto.


“Contemplar como Francisco e amar como Jacinta” foi o lema com o qual esses dois videntes da Virgem de Fátima foram beatificados por são João Paulo II em 13 de maio de 2000.


O papa Francisco os canonizou em 13 de maio de 2017, em Fátima, no marco das celebrações pelo centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima.


(acidigital)

Laudes de Segunda-feira da 7ª Semana do Tempo Comum

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Carnaval 2023 nos Açores em Direto do Teatro Angrense

DIY-MÁSCARAS DE CARNAVAL

TEMPESTADE NO DESERTO EM ISRAEL!

Missa desde a Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima 19...

Angelus19 de fevereiro de 2023 Papa Francisco

O Papa: a guerra feroz roubou o sorriso das crianças, mas não percamos a esperança (Entrevista)


Entrevista de Francisco ao padre Davide Banzato para o programa "I Viaggi del Cuore" (As Viagens do Coração), transmitido pelo Canal 5 italiano. O Pontífice analisa a situação atual da Igreja e do mundo: "Hoje o maior negócio é a 'fábricação de armas'. Se não fossem fabricadas armas por um ano, a fome no mundo acabaria”. O convite a identificar-se com os sofrimentos dos outros, não tendo "medo de tocar a carne do irmão", não se apegando aos fracassos da vida, mas à "âncora" da fé.

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

Dez perguntas para religar o fio de dez anos de pontificado, mas também para olhar as feridas do mundo, a começar pela “guerra feroz” que roubou o sorriso de tantas crianças, e também para refletir sobre as inquietações do coração humano. Aquelas que levam a cair em uma perigosa "doença": agarrar-se aos "fracassos" da vida e outras "coisas ruins".

Francisco está em diálogo com o padre Davide Banzato, sacerdote da comunidade Novos Horizontes e um rosto conhecido na TV com o programa Mediaset "I Viaggi del cuore". E precisamente no episódio especial de I Viaggi del cuore no sábado, 18 de fevereiro, transmitido esta manhã no Canale 5, o Papa Francisco é o protagonista da conversa na Casa Santa Marta, que nasceu, explica o autor, de forma espontânea e inesperada. Na verdade, era para ser uma mensagem em vídeo de saudação para a equipe, escritores, diretores e produtores. Em vez disso, tranformou-se em uma entrevista propriamente dita, em parte transmitida pela Mediaset. Ela será publicado na íntegra pela Piemme, em 21 de fevereiro, com o título “Busque teu horizonte. Levantar-se e recomeçar de novo hoje”, em tradução livre.


Não se apegar às coisas ruins

 

A conversa parte de um ponto caro ao Papa que é o da memória. “Uma graça”, diz ele: “Cultivar a memória... A graça da memória nos leva às raízes de nossa atualidade. Como a minha personalidade, que está para acabar a vida, de onde cresceu...", acrescenta, recordando os seus familiares no Piemonte que visitou em novembro de 2022.

"Existem lugares significativos de memória, pessoas que marcaram nossa vida. É bom viajar". Mas nesta viagem na memória e nas raízes há, no entanto, "um perigo", adverte Francisco: "Todos nós já tivemos na vida: coisas ruins, coisas que nos fizeram sofrer, e depois há uma doença do apegar-se aos fracassos da vida: não, isso faz mal. As coisas ruins sim, mas, recordemos delas, agradeçamos ao Senhor que nos ajudou a sair (delas), mas não voltar para lá, porque isso é uma doença. É como (se fosse) um apego sim, aos fracassos, às coisas ruins”.


Um momento de desolação humana

 

Das coisas ruins, observa Francisco, muitas estão acontecendo em nosso tempo. Viemos de uma pandemia que nos “enfraqueceu” e agora há a guerra: “Uma guerra que é feroz” e que provocou “uma crise econômica e financeira”. “Hoje, principalmente em toda a Europa, as pessoas não sabem como pagar a luz, por exemplo. Terão que economizar muito”, destaca o Papa. “É um momento ruim, é um momento de desolação humana. Os mortos ou os feridos (que vêm da guerra)… se vê os mortos torturados antes da morte, as fotos são terríveis”.


O sorriso das crianças

 

A angústia do Bispo de Roma dirige-se sobretudo às crianças: "Esqueceram-se de rir... Muitas crianças vieram aqui, muitas da Ucrânia, não riem... São amáveis, sim, mas não não riem, elas perderam isso. Fui encontrar as crianças que estavam no Bambino Gesù (Hospital da Santa Sé em Roma, ndr), ucranianas, feridas, ninguém (tinha) um sorriso”.

Para Francisco, “tirar o sorriso de uma criança significa... uma tragédia!”. E esta tragédia está marcando o nosso tempo: “Um tempo onde o negócio maior é a venda de armas, a fabricação de armas. Hoje, se por um ano – disse-me um técnico – não se fabricassem armas, acabaria a fome no mundo. Guerras pedem armas. E por que uma guerra? Porque normalmente um império ou um governo, quando enfraquece um pouco, precisa de uma guerra para se recuperar... Isso é ruim."


Papa na entrevista ao padre Davide Banzato


Olhando horizontes diferentes

 

Neste cenário dramático, porém, o Papa exorta a não perder a esperança e a olhar para diferentes "horizontes". “Olhar os horizontes da vida, assim, significa olhar para a esperança. E também ver que a história não acaba contigo, não acabou com meu avô, não vai acabar com a quarta geração que virá depois”. Esta perspectiva “dá a coragem para caminhar sempre”.

Mas atenção, adverte Francisco, para não cair na “psicologia do avestruz”, ou seja, que “antes de qualquer coisa põe a cabeça na terra”. E atenção também no olhar apenas para o próprio umbigo: “Quem só olha para si mesmo, faz o oposto de olhar para o horizonte. O horizonte te faz olhar para tudo”.

Esta, afirma o Pontífice, é "a base da virtude da esperança". ”Como diziam alguns Padres da Igreja que prefiguravam a esperança como uma "âncora": "Quer estejas no mar, quer estejas no rio e lanças a âncora para estar seguro e agarras-te à corda. A esperança, tu a lanças na eternidade, a âncora, e te agarras; mas se tu não olhas para o horizonte, não podes mais, nunca poderás lançar uma âncora, certo?”.

“Neste tempo é difícil”, sublinha o Papa Francisco, por isso “há o Senhor, há esperança. É difícil e feio, há tanto sofrimento, tanto, mas também existe a corda e a âncora. É o mistério de dor e da esperança”.


Quem tem fé e quem não a tem

 

E aos que "não têm fé", o que dizer? “Não é um pecado não ter fé”, responde o Papa, “a fé é um dom de Deus... Há pessoas boas, muito boas, que não têm o dom da fé. Apenas digo a uma pessoa assim: 'esteja aberta. Busque. Não te canses de buscar. Sem angústia: não, não! Naturalmente aberta'".

Quem crê deve estar atento, porém, para não viver "como 'pagão'". Há crentes que vivem assim: "Falsos cristãos ou, como dizia minha avó, cristãos de água de rosas". "A estes diria: 'Mudem de vida! Como está a tua vida? É uma vida justa? É uma vida a serviço os outros? É uma vida que desperdiça dinheiro?".


Riqueza não é pecado

 

Daí uma reflexão sobre o tema da riqueza: “Um senhor me dizia que aqui em Roma há restaurantes onde, se convidares duas pessoas, no final sai por 1.700 euros. Mas tu vives assim, nesse nível, quando tem gente morrendo de fome? 'Eh, padre, não seja comunista...'. Não, espera um pouco, isso é o Evangelho, hein?'”.

“Não estou falando mal dos ricos, há ricos santos que sabem usar bem os seus bens em favor dos outros”, esclareceu Francisco. Mas também as “condutas” definem o tipo de fé: “Se o estilo de vida é pagão, entende-se que não tem fé ou que tem fé de verniz, de verniz, sim: a tua vida é envernizada com fé mas (a fé) não tem raízes, não?".

A este propósito, o Papa cita a fotografia tirada por um dos "fotógrafos vaticanos" em uma rua de Roma, de uma senhora idosa bem vestida que sai de um restaurante e ignora o mendigo que lhe pede uma esmola: "Se tu não percebes algo ou alguém por trás da tua vaidade, do teu modo de viver, tu estás fechado em ti mesmo..." A "carne do teu irmão" é "a a mesma carne tua", sublinha o Pontífice: "Talvez amanhã serás tu naquela posição… Não tenhas medo de tocar a carne ferida.”


A "esclerocardia"

 

Isso ajuda a superar a "esclerocardia", o fechamento do coração: "Um coração duro é muito difícil de ser amolecido". “Muitas vezes o Senhor usa essas situações difíceis, como doenças, para transformar o coração. Mas devemos sempre pedir ao Senhor: que o meu coração não se endureça, faz que o meu coração seja humano, que esteja próximo de toda a humanidade.

Hoje, pergunta o Papa, "quantos choram - não digo fisicamente, mas no coração - pelas crianças órfãs na Ucrânia? Quantos sofrem por isso? Quantos sofrem pelos meninos de rua que roubam porque estão sozinhos na vida?".

Francisco indica um quadro no salão de Santa Marta, pintado por um artista piemontês inspirado na foto de um sírio que foge com seu filho. Chama-se Come loro costretti a fuggire e representa a fuga para o Egito. "Nós pensamos que o a fuga para o Egito foi 'numa carruagem com os anjos' que a conduziam em frente ... A fuga para o Egito foi assim, assim! Jesus viveu esta realidade e muita gente vive esta realidade”.


"Reze por mim"

 

Na entrevista também é feita referência ao seu pontificado, que completa dez anos no dia 13 de março. Jorge Mario Bergoglio volta ao período de sua eleição: "Pobre Pedro, que sucessor ele encontrou!", exclama rindo, "nunca imaginei tal coisa para minha vida". Mas houve "naturalidade" na passagem de Buenos Aires para Roma: "É um olhar para horizontes diferentes". Certamente não faltam ansiedades, mas nem sempre são "um mal", pelo contrário, podem tornar-se ocasião de "discernimento". No entanto, Francisco pede orações: "Rezem por mim para que eu possa ser um Papa cristão, não pagão, que o Senhor me dê a graça de viver como cristão e ajudar a Igreja, que é o santo povo fiel de Deus. Não é aquele padre, aquele bispo, mas o povo de Deus”.


(vaticannews)

Mensagem do papa Francisco para a Quaresma 2023

 


Vaticano, 17 Fev. 23 / 08:49 am (ACI).- A Santa Sé publicou hoje (17) a mensagem do papa Francisco para a Quaresma 2023, com o título: “Ascese quaresmal, itinerário sinodal”

A seguir, a mensagem completa do papa Francisco:


Queridos irmãos e irmãs!

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas coincidem em narrar o episódio da Transfiguração de Jesus. Neste acontecimento, vemos a resposta do Senhor a uma falta de compreensão manifestada pelos seus discípulos. De fato, pouco antes, registara-se uma verdadeira divergência entre o Mestre e Simão Pedro; este começara professando a sua fé em Jesus como Cristo, o Filho de Deus, mas em seguida rejeitara o seu anúncio da paixão e da cruz. E Jesus censurara-o asperamente: «Afasta-te, satanás! Tu és para Mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens» (Mt 16, 23). Por isso, «seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte» (Mt 17, 1).

O evangelho da Transfiguração é proclamado, cada ano, no II Domingo da Quaresma. Realmente, neste tempo litúrgico, o Senhor toma-nos consigo e conduz-nos à parte. Embora os nossos compromissos ordinários nos peçam para permanecer nos lugares habituais, transcorrendo uma vida quotidiana frequentemente repetitiva e por vezes enfadonha, na Quaresma somos convidados a subir «a um alto monte» juntamente com Jesus, para viver com o Povo santo de Deus uma particular experiência de ascese.

A ascese quaresmal é um empenho, sempre animado pela graça, no sentido de superar as nossas faltas de fé e as resistências em seguir Jesus pelo caminho da cruz. Aquilo precisamente de que Pedro e os outros discípulos tinham necessidade. Para aprofundar o nosso conhecimento do Mestre, para compreender e acolher profundamente o mistério da salvação divina, realizada no dom total de si mesmo por amor, é preciso deixar-se conduzir por Ele à parte e ao alto, rompendo com a mediocridade e as vaidades. É preciso pôr-se a caminho, um caminho em subida, que requer esforço, sacrifício e concentração, como uma excursão na montanha. Estes requisitos são importantes também para o caminho sinodal, que nos comprometemos, como Igreja, a realizar. Far-nos-á bem refletir sobre esta relação que existe entre a ascese quaresmal e a experiência sinodal.

Para o «retiro» no Monte Tabor, Jesus leva consigo três discípulos, escolhidos para serem testemunhas dum acontecimento singular; Ele deseja que aquela experiência de graça não seja vivida solitariamente, mas de forma compartilhada, como é aliás toda a nossa vida de fé. A Jesus, seguimo-Lo juntos; e juntos, como Igreja peregrina no tempo, vivemos o Ano Litúrgico e, nele, a Quaresma, caminhando com aqueles que o Senhor colocou ao nosso lado como companheiros de viagem. À semelhança da subida de Jesus e dos discípulos ao Monte Tabor, podemos dizer que o nosso caminho quaresmal é «sinodal», porque o percorremos juntos pelo mesmo caminho, discípulos do único Mestre. Mais ainda, sabemos que Ele próprio é o Caminho e, por conseguinte, tanto no itinerário litúrgico como no do Sínodo, a Igreja não faz outra coisa senão entrar cada vez mais profunda e plenamente no mistério de Cristo Salvador.

E chegamos ao momento culminante. O Evangelho narra que Jesus «Se transfigurou diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz» (Mt 17, 2). Aqui aparece o «cimo», a meta do caminho. No final da subida e enquanto estão no alto do monte com Jesus, os três discípulos recebem a graça de O verem na sua glória, resplandecente de luz sobrenatural, que não vinha de fora, mas irradiava d’Ele mesmo. A beleza divina desta visão mostrou-se incomparavelmente superior a qualquer cansaço que os discípulos pudessem ter sentido quando subiam ao Tabor. Como toda a esforçada excursão de montanha, ao subir, é preciso manter os olhos bem fixos na vereda; mas o panorama que se deslumbra no final surpreende e compensa pela sua maravilha. Com frequência também o processo sinodal se apresenta árduo e por vezes podemos até desanimar; mas aquilo que nos espera no final é algo, sem dúvida, maravilhoso e surpreendente, que nos ajudará a compreender melhor a vontade de Deus e a nossa missão ao serviço do seu Reino.

A experiência dos discípulos no monte Tabor torna-se ainda mais enriquecedora quando, ao lado de Jesus transfigurado, aparecem Moisés e Elias, que personificam respetivamente a Lei e os Profetas (cf. Mt 17, 3). A novidade de Cristo é cumprimento da antiga Aliança e das promessas; é inseparável da história de Deus com o seu povo, e revela o seu sentido profundo. De forma análoga, o caminho sinodal está radicado na tradição da Igreja e, ao mesmo tempo, aberto para a novidade. A tradição é fonte de inspiração para procurar estradas novas, evitando as contrapostas tentações do imobilismo e da experimentação improvisada.

O caminho ascético quaresmal e, de modo semelhante, o sinodal, têm como meta uma transfiguração, pessoal e eclesial. Uma transformação que, em ambos os casos, encontra o seu modelo na de Jesus e realiza-se pela graça do seu mistério pascal. Para que, neste ano, se possa realizar em nós tal transfiguração, quero propor duas «veredas» que é necessário percorrer para subir juntamente com Jesus e chegar com Ele à meta.

A primeira diz respeito à ordem que Deus Pai dirige aos discípulos no Tabor, enquanto estão a contemplar Jesus transfigurado. A voz da nuvem diz: «Escutai-O» (Mt 17, 5). Assim a primeira indicação é muito clara: escutar Jesus. A Quaresma é tempo de graça na medida em que nos pusermos à escuta d’Ele, que nos fala. E como nos fala Ele? Antes de mais nada na Palavra de Deus, que a Igreja nos oferece na Liturgia: não a deixemos cair em saco roto; se não podermos participar sempre na Missa, ao menos leiamos as Leituras bíblicas de cada dia valendo-nos até da ajuda da internet. Além da Sagrada Escritura, o Senhor fala-nos nos irmãos, sobretudo nos rostos e vicissitudes daqueles que precisam de ajuda. Mas quero acrescentar ainda outro aspeto, muito importante no processo sinodal: a escuta de Cristo passa também através da escuta dos irmãos e irmãs na Igreja; nalgumas fases, esta escuta recíproca é o objetivo principal, mas permanece sempre indispensável no método e estilo duma Igreja sinodal.

Ao ouvir a voz do Pai, «os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados. Aproximando-Se deles, Jesus tocou-lhes dizendo: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém» (Mt 17, 6-8). E aqui temos a segunda indicação para esta Quaresma: não se refugiar numa religiosidade feita de acontecimentos extraordinários, de sugestivas experiências, levados pelo medo de encarar a realidade com as suas fadigas diárias, as suas durezas e contradições. A luz que Jesus mostra aos seus discípulos é uma antecipação da glória pascal, e é rumo a esta que se torna necessário caminhar seguindo «apenas Jesus e mais ninguém». A Quaresma orienta-se para a Páscoa: o «retiro» não é um fim em si mesmo, mas prepara-nos para viver – com fé, esperança e amor – a paixão e a cruz, a fim de chegarmos à ressurreição. Também o percurso sinodal não nos deve iludir quanto ao termo de chegada, que não é quando Deus nos dá a graça de algumas experiências fortes de comunhão, pois aí o Senho também nos repete: «Levantai-vos e não tenhais medo». Desçamos à planície e que a graça experimentada nos sustente para sermos artesãos de sinodalidade na vida ordinária das nossas comunidades.

Queridos irmãos e irmãs, que o Espírito Santo nos anime nesta Quaresma na subida com Jesus, para fazermos experiência do seu esplendor divino e assim, fortalecidos na fé, prosseguirmos o caminho com Ele, glória do seu povo e luz das nações.


Roma – São João de Latrão, na Festa da Conversão de São Paulo, 25 de janeiro de 2023.


FRANCISCO


(acidigital)

Laudes do 7º Domingo do Tempo Comum