Wojciech Rogacin - Vatican News
“Seguindo o exemplo do apóstolo Pedro, São João Paulo II tornou-se aquele em quem se fundamentou a fé de tantas pessoas que se aproximaram de Cristo. Nesta época marcada pelas guerras, pedimos, por sua intercessão, a paz no mundo”. Foi o que afirmou o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, na homilia da Santa Missa junto ao túmulo de São João Paulo II, na Basílica de São Pedro. Um local de oração e memória onde, todas as quintas-feiras, se reúnem numerosos peregrinos — especialmente poloneses — e que, na manhã desta quinta-feira, 22 de outubro, dia da memória litúrgica do Pontífice polonês, contou com a participação de centenas de fiéis. Mais de 100 sacerdotes concelebraram; entre eles, o arcebispo-maior Sviatoslav Shevchuk, chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana.
Ser o “chão” para os outros
Em homilia, o cardeal Parolin recordou a reflexão do jovem bispo Karol Wojtyła que, em 1962, ao contemplar o piso da Basílica de São Pedro e referindo-se à figura do Apóstolo, escreveu no poema “O chão”: “Quer ser aqui o chão sobre o qual os outros caminham para chegar lá onde guia os passos deles?”. “Seguindo o exemplo do apóstolo Pedro, São João Paulo II também foi o chão sobre o qual a fé de tantas pessoas avançou em direção a Cristo. O chão, ou seja, sua adesão a Cristo, tornou-se não apenas um modelo, mas também um apoio, um ponto de apoio, uma bússola para tantos fiéis”, afirmou o cardeal.
Absorto no diálogo com Deus
Referindo-se, em seguida, ao Evangelho do dia, no qual Jesus pergunta a Pedro três vezes: “Você me ama?”, ele destacou que o próprio Wojtyła provavelmente se fez essa pergunta várias vezes e, ao mesmo tempo, cumpriu a ordem de Jesus de fortalecer os irmãos na fé. Assim como a resposta de Pedro à pergunta de Cristo indica a íntima comunhão de seu relacionamento com o Senhor, também João Paulo II viveu uma intimidade especial com o Senhor, sobretudo nos momentos em que se mergulhava na oração. “Nesses momentos, via-se que ele estava inteiramente absorvido pelo diálogo íntimo e afetuoso com Jesus”, lembrou Parolin.
A paz, um bem a ser cultivado
O secretário de Estado, por fim, exortou a invocar a intercessão do santo Pontífice polonês pelo mundo de hoje. “Hoje nos dirigimos a ele para que continue a interceder junto ao Senhor por todo o mundo, neste tempo martirizado pelas guerras. Por meio dele, pedimos a Deus o dom da paz que se imprima nas consciências, conforme ele declarou em 2005: ‘A paz é um bem a ser promovido com o bem... mas um bem que deve ser conservado e cultivado mediante opções e obras de bem’”.
“Que a Mãe de Deus toque a consciência de todos, acompanhando cada um de nós rumo a projetos construtivos de paz na verdade e na justiça”, concluiu o cardeal Parolin.
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