Daniele Piccini – Vatican News
Diante do problema das doenças mentais, a Igreja não pode se limitar a dar "respostas ocasionais ou reativas", mas desenvolver um "ministério estável, competente, compassivo e preventivo", que não cuide apenas da pessoa em sua totalidade, mas o faça com competência, utilizando "agentes pastorais preparados", "colaboração com profissionais de saúde", com "atenção à prevenção do suicídio" e apoio às famílias”. Eis o tema central da Mensagem, assinada pela Irmã Alessandra Smerilli (FMA), Prefeita do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, que se celebra neste sábado, 10 de outubro.
Coração da missão da Igreja
Segundo a Mensagem, o Dicastério convida-nos a um "compromisso significativo" mediante o cuidado dos que sofrem de problemas de saúde mental e a colaboração com a Igreja e outras instituições "para definir políticas, serviços e resoluções". Seguindo a intenção de Oração de Leão XIV, para o mês de outubro, — divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa — o Pontífice referiu-se, de modo particular, à saúde mental. Com efeito, a Irmã Alessandra Smerilli ressalta que a preocupação com os que sofrem de problemas de saúde mental "não é uma questão marginal, mas parte integrante do coração da missão da Igreja".
Categorias de alto risco
A Mensagem da Irmã Alessandra Smerilli pelo Dia Mundial da Saúde Mental identifica duas situações particularmente vulneráveis para o surgimento de problemas de saúde mental. A primeira, - lê-se no texto, - diz respeito às pessoas que vivem crises humanitárias — guerras, migração forçada, instabilidade política, desastres ambientais e pobreza estrutural — que deixam traumas profundos em indivíduos e comunidades. Depois, há os jovens, cujo sofrimento pode decorrer de pressão social, incerteza económica e isolamento. Contextos muito diferentes compartilham o mesmo ambiente emocional, do qual emerge a fragilidade, caracterizada pela falta de "segurança, relacionamentos, significado e esperança".
Durante sua Visita apostólica à Espanha, na vigília de oração no Estádio Olímpico Lluís Companys, em Barcelona — citada na Mensagem —, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos jovens, dizendo: “Precisamente as sociedades, que se consideram avançadas, representam uma ameaça à saúde mental, visto que, evidentemente, há algo profundamente errado com certa ideia de crescimento. Uma visão limitada de progresso tornou as pessoas alheias e até indiferentes, ao bem-estar mental dos outros”.
Desafio pastoral urgente
“As feridas interiores, emocionais e relacionais representam uma das dimensões mais profundas do sofrimento humano”, afirma em sua mensagem a Irmã Smerilli, a ponto de não poder mais ser consideradas um fenômeno ocasional ou periférico, que a Igreja possa ignorar: “Paróquias, escolas, comunidades religiosas e pequenas comunidades eclesiais são, quase sempre, lugares onde as pessoas trazem seus sofrimentos e buscam ouvidos atentos, acompanhamento e apoio em momentos de vulnerabilidade psicológica. Em consequência, em muitas Igrejas locais, a saúde mental está se tornando um dos desafios pastorais mais urgentes.” E a Mensagem conclui: “Este aspecto do bem-estar pessoal faz parte do desenvolvimento humano integral, que deve levar em conta não apenas as necessidades materiais, mas também as exigências da vida intelectual, moral, espiritual e religiosa”.
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