Roberto Paglialonga – Vatican News
Três anos após o ataque terrorista liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, Israel volta às urnas nesta terça-feira, 27 de outubro. E isso ocorre em um contexto de grave instabilidade em todo o Oriente Médio: as tensões entre o Irã e os EUA; o conflito no Iêmen e entre os houthis e a Arábia Saudita; o bloqueio no Estreito de Ormuz ao tráfego de navios; as operações militares das Forças de Defesa de Israel (IDF) e os ataques de colonos na Cisjordânia, no Estado da Palestina; a violência que nunca se acalmou na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025.
A incógnita das urnas
Mais de 7 milhões de eleitores são chamados às urnas para decidir se confirmam a liderança política de Benjamin Netanyahu — cujo mandato como primeiro-ministro é o mais longo desde a fundação de Israel (após o período de três anos entre 1996 e 1999, Netanyahu, de fato, ocupa o cargo desde 2009, com exceção de um breve intervalo entre 2021 e 2022, durante os governos de Naftali Bennett e Yair Lapid) — ou encerrar este ciclo promovendo uma mudança.
A votação, na cédula, não será para um nome previamente identificado, mas para uma lista: no país há um único colégio eleitoral nacional e as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento, são distribuídas proporcionalmente aos votos entre os partidos que conseguirem ultrapassar o limite mínimo de 3,25%. A apuração começará assim que as urnas forem fechadas, às 22h, enquanto os resultados oficiais são esperados até quarta-feira, 4 de novembro. Assim que os resultados forem conhecidos, caberá ao presidente, Isaac Herzog, a tarefa de encarregar quem tiver mais chances de formar uma maioria parlamentar capaz de sustentar um governo. As últimas pesquisas mostram um panorama bastante incerto, não permitindo identificar antecipadamente o bloco potencialmente vencedor e capaz de conquistar os 61 assentos que garantem a maioria absoluta. Netanyahu e seus aliados de direita estariam, no momento, com 50 assentos, enquanto a oposição chegaria, no máximo, a 56.
Uma eleição decisiva
Trata-se de uma rodada “decisiva”, como tem sido destacado por diversos setores, que poderá ter repercussões significativas nos equilíbrios do país e da região. Além de estar fortemente polarizada em torno da figura do primeiro-ministro atualmente no cargo, devido às polêmicas sobre a estreita ligação entre o partido Likud — o próprio partido de Netanyahu, que ele lidera desde 1993 — e as formações da extrema direita, representadas pelos dois ministros Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças); das tensões decorrentes das inúmeras investigações judiciais nas quais ele está envolvido; e das acusações — dirigidas a ele, em particular, pela oposição — sobre a responsabilidade de ter ignorado os alertas dos serviços de inteligência e dos aliados regionais quanto a um possível ataque de milicianos islâmicos. Nos últimos anos, ocorreram diversos protestos, que se concretizaram também em grandes manifestações de rua por parte da sociedade civil, todos os sábados, especialmente no início de 2023.
As formações políticas
Contra Netanyahu, formou-se um bloco bastante heterogêneo, que vai do centro-direita de Bennett e Lapid (unidos no B’Yachad — Juntos, eles pedem uma mudança, mas não para a esquerda), passando pelo nacionalista Avigdor Liberman (Yisrael Beytenu), que já foi chefe do gabinete do primeiro-ministro, até os progressistas de Yair Golan (Democratas). À frente da oposição está, então, aquele que é considerado pela maioria dos analistas como a novidade dessas eleições: Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior, que — após a experiência com o Azul e Branco de Benny Gantz e a participação como observador no gabinete de guerra criado para coordenar as operações em Gaza, oficialmente dissolvido em junho de 2024 — fundou seu próprio partido, o Yashar, que lidera as pesquisas com um apoio maior do que o do Likud. O que une todas essas formações, acima de tudo, é o objetivo de pôr fim ao governo e à carreira política de Netanyahu. Os partidos árabes (Lista Unida e Ra’am), com projeção de 14 a 16 cadeiras, podem ser decisivos, mas quase todos os líderes do bloco de oposição — com exceção de Golan — excluíram, até o momento, a possibilidade de incluí-los em um eventual governo. Embora, sem os votos deles, pareça difícil alcançar uma maioria capaz de governar. Também por isso, figuras como Eisenkot evocaram a possibilidade de um “governo de minoria”, hipótese essa, no entanto, descartada por Lieberman.
Por outro lado, permanece a coalizão liderada por Netanyahu e pelo Likud, que ainda conta com o voto das classes populares das periferias e da direita nacionalista, e é aliada a partidos extremistas como o Sionismo Religioso, o Otzma Yehudit e grupos ultraortodoxos como o Shas. E foi justamente Netanyahu quem, nas últimas horas, recebeu o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, que pediu expressamente aos israelenses que votassem nele.
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