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A sessão da tarde do Consistório Extraordinário dos Cardeais, realizada na Sala Paulo VI na sexta-feira (26), foi aberta com o pensamento voltado para a “dolorosa situação da Venezuela” e para as muitas vítimas causadas pelo terremoto. A sessão, que teve como tema “A cultura do poder e a civilização do amor”, foi dedicada à reflexão sobre o capítulo V da Encíclica Magnifica humanitas. Os trabalhos começaram com uma oração comunitária e foram moderados pelo cardeal Pablo Virgilio Siongco David, que em seguida passou a palavra ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, para a sua conferência introdutória. O Papa Leão participou do início da sessão e retornou no momento da plenária.
A guerra não deve ser normalizada
Em seguida começaram os trabalhos com 11 grupos apresentando seus relatos: 8 do primeiro bloco e 3 do segundo. Segundo um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, todos falaram sobre as criticidades do tempo presente, “da força desumanizadora da cultura do poder, de sua universalidade, da tentação de se conformar à lógica dos poderosos, de normalizar a guerra e a polarização, o que leva a uma redução do limiar de tolerância em relação à violência e a uma perigosa simplificação na busca por soluções”. Daí o apelo à responsabilidade para construir a paz e a civilização do amor, ao testemunho convincente, sobretudo na Igreja, da necessidade de uma linguagem que olhe para as pessoas, feita de escuta, perdão, reconciliação, justiça restaurativa e de gestos concretos. Uma linguagem capaz de tocar o coração de quem está em conflito e que compreenda as feridas geradas pela guerra, “uma língua que facilite a busca pela unidade na Igreja”.
A responsabilidade de construir a paz
Unidade na Igreja para ter credibilidade e o diálogo necessário com as outras fés e religiões, particularmente com o Islã: este foi outro ponto destacado no debate dos grupos. “Em um tempo em que a globalização da indiferença torna as pessoas intolerantes ao sofrimento alheio”, cada indivíduo deve assumir a responsabilidade pela construção da paz. Nessa perspectiva, todos os grupos evidenciaram a centralidade da fé em Cristo, do Evangelho que transforma o mundo quando não se aceita que seja apenas teoria, e da vocação originária da Igreja, porque existem situações que, para serem enfrentadas, necessitam da intervenção de Deus. Sob essa ótica, alguns grupos destacaram o trabalho da Igreja na Terra Santa e no Leste Europeu.
Também houve espaço no debate para o papel do poder político, “livre da ligação tóxica com o poder econômico”; falou-se sobre família, educação, a dificuldade de sair da lógica das respostas imediatas e sobre uma audaciosa obra de evangelização. Vários grupos mencionaram o papel da diplomacia da Santa Sé e dos Núncios em fazer ouvir a voz da Igreja.
Ao lado do Papa em seu apelo pela paz
Nesse contexto, surgiu a necessidade de superar a lógica da guerra justa — uma vez que o Evangelho não se impõe pela força — e de falar, em vez disso, sobre o direito a uma defesa proporcionada. Foi expressa uma profunda gratidão ao Papa Leão pela Encíclica, por sua condenação dos conflitos e por seus apelos à paz. Houve também uma reflexão sobre o munus petrino, garantia da independência da Igreja em relação à autoridade política, e sobre a necessidade de gestos que, neste tempo, possam servir como ícones de paz.
Um chamado à responsabilidade
Por fim, houve espaço para alguns pronunciamentos individuais sobre os temas da sessão. Alguns cardeais agradeceram pelo espaço de partilha proporcionado pelo Consistório, reiterando também a necessidade de trabalhar em conjunto com os líderes de outras religiões para consolidar a civilização do amor. Alguns relataram a reação de muitos às palavras severas do Papa na Encíclica sobre o atraso da Igreja em condenar a escravidão; palavras que abriram os corações. A Encíclica, destacaram os purpurados, é também um chamado para o Colégio Cardinalício assumir a responsabilidade pela construção da paz, inclusive por meio de símbolos, como foi o Encontro de Oração pela Paz convocado por João Paulo II em Assis, em 1986. Ao término da sessão, por volta das 19h30, o Papa Leão conduziu a oração de encerramento.
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