quarta-feira, 10 de junho de 2026

Santo Anjo da Guarda de Portugal – memória

 


 

Livro de Daniel 10,2-14.

Naqueles dias, eu, Daniel, fazia penitência durante três semanas.
Não tomei qualquer alimento delicado, não entrou em minha boca nem carne nem vinho, não me ungi com azeite enquanto decorreram estas três semanas.
No vigésimo quarto dia do primeiro mês, encontrava-me eu na margem do grande rio Tigre.
Ergui os olhos e vi um homem vestido de linho, com um cinturão de ouro puro.
O seu corpo era semelhante ao topázio e o rosto tinha o fulgor do relâmpago; os olhos eram como fachos ardentes, os braços e as pernas eram brilhantes como o bronze polido, e o som das suas palavras era como o rumor duma multidão.
Só eu, Daniel, é que pude contemplar esta aparição; aqueles que estavam comigo não a viram, mas apoderou-se deles um tão grande pavor que correram a esconder-se.
Então, fiquei sozinho, continuando a presenciar esta portentosa aparição. Faltaram-me as forças; tornou-se lívida a cor do meu rosto e desfaleci.
Ouvi falar este homem e, ao som das suas palavras, caí desmaiado, com a face por terra.
Mas eis que uma mão me tocou e me fez colocar, a tremer, sobre os joelhos e as palmas das mãos.
Disse-me ele: «Daniel, homem de predileção, atende às palavras que te vou dirigir. Levanta-te, pois tenho uma mensagem a comunicar-te». Quando me falou assim, pus-me de pé, todo a tremer.
Ele disse-me: «Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração para compreender e te humilhaste diante do teu Deus, as tuas palavras foram ouvidas. É por causa das tuas palavras que eu venho.
O chefe do reino da Pérsia resistiu-me durante vinte e um dias. Então Miguel, um dos chefes principais, veio em meu auxílio. Eu estive lá, a fazer frente ao chefe dos reis da Pérsia,
e vim para te explicar o que vai suceder ao teu povo no fim dos tempos».
 

Livro dos Salmos 91(90),1.3.5b-6.10-11.14-15.

R/ O Senhor mandará aos seus Anjos que te guardem em todos os teus caminhos.
Tu, que habitas sob a proteção do Altíssimo,
moras à sombra do Omnipotente,
Ele te livrará do laço do caçador
e do flagelo maligno.

Não temerás o pavor da noite,
nem a seta que voa de dia;
nem a epidemia que se propaga nas trevas,
nem a peste que alastra em pleno dia.

Nenhum mal te acontecerá,
nem a desgraça se aproximará da tua morada.
Porque Ele mandará aos seus anjos
que te guardem em todos os teus caminhos.

«Porque confiou em Mim, hei de salvá-lo;
hei de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.
Quando Me invocar, hei de atendê-lo,
estarei com ele na tribulação,
hei de libertá-lo e dar-lhe glória».

Evangelho segundo São Lucas 2,8-14.

Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos.
O anjo do Senhor aproximou-se deles, e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo.
Disse-lhes o anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo:
nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor.
Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».
Imediatamente juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo:
«Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens por Ele amados».
 
 

Catecismo da Igreja Católica

§ 328-332

«O anjo do Senhor aproximou-se deles»

A existência dos seres espirituais, não corpóreos, a que a Sagrada Escritura chama habitualmente anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a este respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição. Santo Agostinho diz acerca deles: «Anjo (mensageiro) é a designação do encargo, não da natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz». Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam «constantemente a face de meu Pai que está nos Céus» (Mt 18,10), são «poderosos executores da sua palavra, obedientes ao som da sua palavra» (Sl 103,20). Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais, que superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor da sua glória. Cristo é o centro do mundo angélico; os anjos são seus: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus anjos» (Mt 25,31). São seus, porque foram criados por Ele e para Ele: «Pois nele foram criadas todas as coisas, nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis: tronos, dominações, principados, potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele» (Col 1,16); são seus, mais ainda, porque Ele os fez mensageiros do seu projeto de salvação: «Porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?» (Heb 1,14).

 





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