quinta-feira, 25 de junho de 2026

Papa a escritores: Deus se revela em meio a histórias muito humanas dos livros

 

Por ocasião dos 100 anos da Livraria Editora Vaticana, a editora oficial da Santa Sé, Leão XIV encontrou um grupo de 50 escritores e refletiu sobre as formas de compreender Jesus através também dos livros, já que "escrever é um ato de verdade", amplia a nossa humanidade e nos deixa mais próximos de Deus: "é ali, em meio a histórias muito humanas, que Deus se revela", na libertação da escravidão, no nascimento do filho, no amor misericordioso, "por meio de fatos e encontros, rostos e histórias".

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV, antes da Audiência Geral desta quarta-feira (24/06), encontrou um grupo de 50 escritores provenientes de várias partes do mundo, reunidos em Roma por ocasião dos 100 anos da Livraria Editora Vaticana (LEV). A editora oficial da Santa Sé, fundada em 1926 pelo Papa Pio XI, já serviu 9 Pontífices, "divulgando o magistério como contribuição para a difusão do Evangelho no mundo", como recordou Leão XIV no início de maio, na audiência de aniversário do centenário da editora da Igreja Católica Romana.


Na audiência estava um grupo de 50 escritores
Na audiência estava um grupo de 50 escritores   (@Vatican Media)

Escrever é um ato de verdade

No escritório junto à Sala Paulo VI nesta quarta-feira (24/06), Prevost recebeu os escritores e falou sobre a importância do livro e da própria escrita, "uma forma de expressão humana da qual vocês são, com variedade de estilos e de linguagens, mestres e modelos". Recordando São Paulo VI, enfatizou o quanto precisamos dos artistas, "da sua imaginação, da sua criatividade narrativa e do seu pensamento dinâmico. Precisamos disso para criar espaços de liberdade e autenticidade, nos quais a graça divina possa fazer ressoar a promessa de consolação e paz". O Papa, então, agradeceu "por todas as vezes em que lançaram sementes de reconciliação, de encontro e de amizade", além de pedir que "sejam capazes de suscitar o interesse pela verdade, pois vocês mesmos são atraídos por ela":

"Escrever – da maneira como vocês o fazem – é um ato de verdade, de revelação. Escrever nos revela quem somos, aquilo em que acreditamos e o que esperamos, o mundo para o qual nos dirigimos, o futuro com que sonhamos. Nessa busca pela verdade, percebemos como ela é discreta, como se apresenta a nós no diálogo interior com Deus e no diálogo aberto e respeitoso com o próximo. «A verdade não é um território a defender, mas um bem a partilhar» (Magnifica humanitas, 25). Nunca somos senhores da verdade; é ela, de fato, que nos 'conquista'."

Escrever é um gesto de humanidade

Para falar sobre a escrita que amplia a nossa humanidade, Leão XIV citou o dramaturgo e poeta romano Terêncio, que foi eternizado pela célebre frase “Sou um ser humano; nada do que é humano me é estranho”; além do próprio Papa Francisco, que escreveu uma Carta sobre o Papel da Literatura na Educação, argumentando sobre o valor formativo da literatura através das experiências humanas. A escrita, aprofundou Prevost através das palavras de Bergoglio, ativa "o poder empático da imaginação", veículo fundamental para levar a sentimentos como a solidariedade, a partilha, a compaixão e a misericórdia:

"É nisso que reside a grande escola de humanidade que vocês fazem os leitores experimentarem, pois quem lê, de certa forma, vive muitas vidas além da própria. E isso nos ajuda a descobrir as diversidades de pontos de vista, a não absolutizar o nosso e a compor, como em um mosaico, o perfil daquela verdade que sempre passa por nós."

A bênção do Papa Leão XIV ao grupo de escritores
A bênção do Papa Leão XIV ao grupo de escritores   (@Vatican Media)

Escrever não é estranho a Cristo

Por fim, finalizou o Papa em discurso, "escrever tem a ver com Deus. Pode parecer ousado dizer isso, mas vários teólogos refletiram e escreveram sobre a consonância entre a forma da escrita e a revelação do Deus bíblico". Leão XIV, então, citou o renomado frade dominicano, teólogo e escritor britânico, cardeal Timothy Radcliffe, que, retomando Terêncio, afirmou que, para os cristãos, "nada do que é humano é estranho a Cristo. Toda tentativa de dar resposta às questões fundamentais da nossa vida – como amar, ser justo, ser livre, enfrentar o sofrimento e a morte – nos ajuda a compreender Cristo, aquele que é o mais humano de todos" (T. Radcliffe, Acender a imaginação, Verona 2021, p. 29). E o Pontífice acrescentou:

“Quando chegamos ao âmago da nossa humanidade, não estamos distantes de Deus: é ali, em meio a histórias muito humanas, que Deus se revela. O Deus da Bíblia se manifesta na libertação da escravidão, no nascimento inesperado de um filho, no amor misericordioso e fiel. Fala por meio de fatos e encontros, rostos e histórias. «Deus opera na nossa vida através do que fazemos e do que somos, e através das muitas pessoas que encontramos».”

(vaticannews)

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