terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PALAVRA DE VIDA – JANEIRO





“Jesus disse: Dá-me de beber” (Jo 4,7)


Jesus deixa a região da Judeia e vai para a Galileia, cruzando a Samaria. Pelo meio-dia, sob o sol, cansado da caminhada, senta-se junto ao poço que o patriarca Jacó tinha cavado 1.700 anos antes. Tem sede, mas não tem um balde para pegar água. O poço é profundo, 35 metros, como se pode ver ainda hoje em dia.
Os discípulos vão até a cidade, comprar comida. Jesus fica só. Chega uma mulher com uma jarra e Ele, com simplicidade, pede-lhe de beber, contra os costumes do tempo: um homem não fala diretamente com uma mulher, sobretudo se desconhecida. Além disso, entre judeus e samaritanos há divisões e preconceitos religiosos: Jesus é judeu e a mulher é samaritana. A desavença, e até o ódio, entre os dois povos tem raízes profundas, de origem histórica, política. E existe ainda outra barreira entre Ele e ela, de tipo moral: ela teve vários maridos e vive em situação irregular. Talvez seja por isso que ela não vem pegar água com as outras mulheres pela manhã ou ao anoitecer, mas nessa hora incomum do meio-dia: é para evitar os comentários delas.
Jesus não se deixa condicionar por nenhum tipo de barreira e abre o diálogo com a estrangeira. Quer entrar em seu coração e lhe pede:
“Dá-me de beber”

Ele tem um presente para ela, o dom de uma água viva. “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim”, vamos ouvi-lo exclamar mais tarde no templo de Jerusalém (7,37). A água é essencial para qualquer tipo de vida e se mostra ainda mais preciosa em ambientes áridos como a Palestina. A água que Jesus quer doar é uma água “viva”, simbolizando a revelação de um Deus que é Pai e é amor, o Espírito Santo, a vida divina que Ele veio trazer. Tudo o que Ele doa é vivo e está em função da vida: Ele mesmo é o pão “vivo” (cf. 6,51ss.), é a Palavra que dá vida (cf. 5,25), é simplesmente a Vida (cf. 11,25-26). Na cruz, quando um dos soldados o feriu com a lança, “imediatamente saiu sangue e água”, como testemunhou João (19,34): é o dom extremo e total de si.
Contudo Jesus não impõe. Nem mesmo recrimina a samaritana pela sua convivência irregular. Ele, que pode dar tudo, agora pede, porque realmente precisa da ajuda dela:
“Dá-me de beber”
Ele pede porque está cansado, tem sede. Ele, o Senhor da vida, se torna um pedinte, sem esconder a sua real humanidade. Pede, também porque sabe que, se ela doar, poderá se abrir mais facilmente, e por sua vez estará pronta para acolher.
Esse pedido dá início a um diálogo feito de argumentações, mal-entendidos, aprofundamentos; e no final Jesus lhe pode revelar sua própria identidade. O diálogo fez desmoronar as barreiras de defesa e levou à descoberta da verdade, da água que Ele veio trazer. A mulher deixa o que tinha ali de mais precioso, a sua jarra, porque encontrou uma riqueza bem maior, e corre até a cidade para começar um diálogo com os vizinhos. Também ela não impõe, mas conta o que aconteceu, comunica a própria experiência e se questiona sobre a identidade da pessoa encontrada, que lhe pediu:

“Dá-me de beber”
Nesta página do Evangelho podemos colher um ensinamento para o diálogo ecumênico [...]. Ela nos torna conscientes da divisão escandalosa entre as Igrejas que persiste por tempo demais e nos convida a acelerar os tempos para uma comunhão profunda capaz de superar todo tipo de barreira, assim como Jesus superou as fraturas entre judeus e samaritanos.
[...] As barreiras que muitas vezes nos dividem podem ser de tipo social, político, religioso, ou simplesmente frutos da diversidade de costumes culturais que não sabemos aceitar. Elas desencadeiam conflitos entre nações e etnias, mas também hostilidades no nosso bairro. Não poderíamos, como Jesus, abrir-nos ao outro, superando diversidades e preconceitos? Por que não escutar quem nos pede compreensão, ajuda, um pouco de atenção, mesmo que esse pedido não escutar quem nos pede compreensão, ajuda, um pouco de atenção, mesmo que esse pedido não seja bem formulado? Também no adversário ou pessoa de outro grupo cultural, religioso, social, se esconde um Jesus que se dirige a nós e nos pede:

“Dá-me de beber”
É espontâneo recordar outra frase semelhante de Jesus, pronunciada na cruz, também testemunhada pelo Evangelho de João: “Tenho sede” (19,28). [...] Em cada pessoa necessitada, desempregada, solitária, estrangeira, mesmo que seja de outro credo ou convicção, mesmo que seja hostil, podemos reconhecer Jesus a nos dizer: “Tenho sede” e a nos pedir: “Dá-me de beber”. Basta oferecer um copo d’água, diz o Evangelho, para receber a recompensa (cf. Mt 10,42), para iniciar o diálogo que recompõe a fraternidade.
Também nós podemos exprimir as nossas necessidades, sem nos envergonharmos por “ter sede” e pedir: “Dá-me de beber”. Assim poderá começar um diálogo sincero e uma comunhão concreta, sem medo da diversidade, do risco de partilhar o nosso pensamento e de acolher o do outro. [...].
Fabio Ciardi


domingo, 4 de janeiro de 2015

HOJE É O DIA DO SENHOR




Domingo da Epifania do Senhor



 Uma Estrela

Celebramos hoje a festa da Epifania e
a conclusão do tempo litúrgico do Natal,
lembrando a adoração de Jesus pelos Magos,
representantes das pessoas do mundo inteiro.
A liturgia de hoje realça o sentido universal da obra de Cristo.

A palavra "Epifania" significa: Manifestação de Deus aos homens.


A 1a Leitura anuncia a chegada da Luz salvadora do Senhor,
que alegrará Jerusalém e que atrairá a ela povos de todo o mundo. (Is 60,1-6)

Jesus é a Luz que vence as trevas do pecado e da opressão e
que dá ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperança.
Hoje a Igreja é a comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram essa Luz.
- Em nossas comunidades brilha a luz libertadora de Jesus?

A 2ª Leitura comenta o fato dos Magos vindo do Oriente
procurando o menino nos arredores de Jerusalém, como revelação
do Mistério de Deus ao JUDEUS e aos PAGÃOS.  (Ef 3,2-3a.5-6)

 Evangelho apresenta Jesus como a LUZ,
que atrai para si todos os povos. (Mt 2,1-12)

Os MAGOS, representando todos os povos da terra, vão a Jerusalém,
ao encontro de Jesus, o aceitam como "Salvação de Deus" e o adoram.
A Salvação, rejeitada pelos habitantes de Jerusalém,
torna-se agora uma oferta universal.

- A narrativa, exclusiva de S. Mateus, tornou-se muito conhecida e popular...
No entanto, não estamos diante de uma reportagem jornalística
que faz a cobertura oficial de três chefes de estado a outro país.
Estamos diante de uma CATEQUESE sobre Jesus,
destinada a apresentar Jesus como Salvador de todos os homens.
- A Estrela, inventada por Mateus, não é um astro no céu, mas a pessoa de Jesus.   
  Ele é a "Luz" anunciada pelos profetas, que ilumina todos os povos e nações.
- Os Magos representam todos os homens que vão ao encontro de Jesus
  e se deixam guiar pela sua mensagem de paz e de amor.
- Intenção de Mateus era apresentar Jesus como o Messias, o novo Moisés...
  o ungido de Deus, recusado pelos judeus e aceito pelos pagãos
  que formarão o novo Israel, o novo povo de Deus: a Igreja.
+ Duas atitudes diferentes vão se repetir ao longo de todo o Evangelho:
- O Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto os "magos" (pagãos) O adoram;
- Herodes e Jerusalém "ficam perturbados" diante da notícia do nascimento
   do menino e planeiam a sua morte,
   enquanto os pagãos sentem uma grande alegria e
   reconhecem em Jesus o seu salvador.

* Mateus mostra que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo;
   mas vai ser acolhido pelos pagãos, que formarão o novo Povo de Deus.

+ O Caminho seguido pelos Magos para encontrar Jesus
   é o caminho a ser seguido por todos nós, em nossa procura de Deus:
- Estão atentos aos sinais (estrela),
- percebem que Jesus é a Luz que traz a Salvação,
- põem-se decididamente a caminho para o encontrar...
- perguntam aos judeus, que conhecem as Escrituras, o que fazer,
- encontram Jesus e o adoram como "Senhor".

* Nesse relato, descobrimos também as etapas do nosso caminho:
- Sensibilidade em distinguir os sinais de Deus…
- Generosidade em aceitar… "Vimos …e  viemos…"

+ Com quem nos assemelhamos?
- Com os SACERDOTES, que conheciam bem a Religião,
   mas se mostraram indiferentes aos sinais de Deus?
   Não tinham a estrela da fé para os conduzir...
- Com HERODES, que aparentemente se mostra interessado,
  mas na realidade é hostil ao Menino?
- Com os MAGOS, que estão atentos aos acontecimentos
  e generosos em deixar tudo e se pôr ao seu encontro?
  Os Magos representam todos os povos não judeus,
  agora associados à História da Salvação.

Os magos aceitaram o convite e não perderam a esperança:
nem mesmo na incompreensão dos contemporâneos…
nas dificuldades da longa caminhada… na ignorância e maldade de Herodes...
na indiferença dos sacerdotes... nem estranharam o ambiente rústico do menino, procurado como rei dos judeus.

Se olharmos o mundo e os homens com os olhos da fé…
tudo será uma manifestação e presença de Deus… uma perene Epifania...

Os magos não se apresentam de mãos vazias…
Oferecem o que tinham de melhor.
O que podemos oferecer hoje ao menino de Belém?
Certamente ele gostaria de ganhar um pouco do nosso tempo,
um espaço em nosso coração, a partilha dos nossos dons...

Os Magos vem de longe:
Quem são os longínquos hoje? O povo pobre que fica no funda da igreja
ou que não vai à igreja por não tem roupa decente?
Os que se afastaram porque seu casamento despencou?
Jesus se aproximou da samaritana, da pecadora, da adúltera...
Será que para eles não brilhou alguma estrela em Belém?
O papa insiste em SAIR ao encontro deles...

    Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 04.01.2014


sábado, 3 de janeiro de 2015

Que a Luz brilhe em teu coração





Hoje o sol apareceu e deu um “ar da sua graça”. O verde é mais verde e o azul do céu mais azul; o mar com nuances azul-verde, manso, é rasgado pelos desportistas da canoagem... Dá-nos outro ânimo viver neste meio.
Aqui nas Ilhas o tempo influencia muito o nosso humor.

Os dias anteriores estiveram cinzentos e cinzenta esteve a natureza, com muito nevoeiro e humidade, quase não podíamos respirar! É aflitivo não podermos mudar esta situação, não está na nossa mão comandar a natureza.

Mas também há dias em que o sol brilha no céu e o coração está escuro, sem cor. Só que neste caso, podemos converter as trevas em dia: perseverando na procura do Sol, encontrá-lo-emos.


USUFRUI DESTE SOL E TEM UM BOM DIA



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

HOJE É O DIA DO SENHOR







 Maria, Mãe de Deus

Neste dia, a liturgia coloca-nos diante de evocações diversas.
Celebra-se a Solenidade de Santa Maria, MÃE DE DEUS:
somos convidados a contemplar a figura de Maria,
aquela mulher que, com o seu "sim" ao projeto de Deus,
nos ofereceu Jesus, o nosso libertador.
Celebra-se também o DIA MUNDIAL DA PAZ: em 1968,
o Papa Paulo VI propôs que, neste dia, se rezasse pela paz no mundo.
Celebra-se ainda o primeiro dia do ano civil: é o início de uma caminhada
percorrida de mãos dadas com esse Deus que nos ama e
que todo o dia nos oferece a sua bênção e a vida em plenitude.

As leituras nos propõem esses temas:

A 1ª Leitura, sublinha a presença contínua de Deus em nossa caminhada
e recorda que a sua bênção nos proporciona a vida em plenitude. (Nm 6,22-27)

Era uma fórmula de Bênção usada no Templo de Jerusalém
para abençoar a comunidade, no final das celebrações litúrgicas,
antes de o Povo regressar a suas casas:
"O Senhor te abençoe e te guarde!
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti!
O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a Paz".
* A Bênção de Deus sempre é uma garantia de sua presença e uma fonte de paz.
   Fortalecidos pela nova luz que provêm da fé, queremos iniciar o novo Ano.

A 2ª Leitura evoca outra vez o amor de Deus,
que enviou o seu Filho ao encontro dos homens
para os libertar da escravidão da Lei e para os tornar seus "filhos".
É nessa situação privilegiada de "filhos" livres e amados
que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-lhe 'abbá" ("papai").
Cristo se "humaniza" para divinizar o homem. (Gl 4,4-7)

O Evangelho apresenta Maria, recebendo feliz a visita dos PASTORES...
e meditando em seu coração tudo o que falavam do Messias.
(Lc 2,16-21)

O texto não é uma reportagem do nascimento de Jesus;
mas uma catequese sobre quem é esse menino e qual a sua missão:
Jesus é o Messias libertador, enviado a trazer a paz.

- Quem são os Destinatários do anúncio?
Os Pastores, classe marginalizada, considerada impura, pecadora e
muito longe de Deus e da Salvação.

* A proposta de Jesus se destina de modo especial àqueles
que a teologia oficial excluía e condenava.
Deus os ama, conta com eles e os convoca para fazer parte da sua família..
- Como reagem?  
Depois de escutarem a "boa nova" do nascimento do libertador,
dirigem-se "apressadamente" ao encontro do menino.
Sublinha a ânsia com que os pobres e os marginalizados esperam
a ação libertadora de Deus e apressam-se para ir ao seu encontro.
A disponibilidade de coração é a primeira coisa que Deus pede.
- Glorificam e louvam a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido:
é a alegria pela libertação que se converte em ação de graças.
Depois, vão correndo anunciar aos outros a sua grande alegria e
todos os que os escutam também ficam admirados...

- A Atitude de Maria:
Ela "conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração".
É a atitude de quem é capaz de abismar-se com a ação do Deus libertador,
com o amor que Ele manifesta nos seus gestos em favor dos homens.
A Maternidade de Maria não termina em Belém,
prolonga-se até a Cruz e a toda a Igreja.
- A atitude meditativa de Maria, que interioriza e aprofunda os acontecimentos, complementa a atitude "missionária" dos pastores,
que proclamam a ação salvadora de Deus, manifestada no nascimento de Jesus.
Estas duas atitudes são essenciais na existência de quem crê.

+  Hoje também é o 48º DIA MUNDIAL DA PAZ
dedicado ao tema: "Não mais escravos, mas irmãos".
Durante as festas de Natal, ouvimos com frequência a palavra "Paz".
Maria é apresentada como aquela que gerou o "Principe da Paz".
A Igreja quer nos lembrar desde o primeiro dia do ano,
que a paz anunciada pelos anjos em Belém, é possível...
O Papa, na Mensagem para o dia de hoje, aborda uma questão urgente:
"A luta contra a escravidão no mundo contemporâneo."
A escravidão não é algo do passado, mas um flagelo social muito presente.                "A escravidão tem muitos rostos abomináveis: o tráfico de seres humanos, o tráfico    de imigrantes e a prostituição, a escravidão no trabalho, a exploração do homem pelo homem... Os indivíduos e os grupos especulam sobre esta escravidão, beneficiando-se dos conflitos no mundo, do contexto de crise econômica e da corrupção"...
+  Mais um ano... que começa...
Desejo que o novo ano seja para todos vocês, cheio de Paz e Prosperidade,
com todas as bênçãos de Deus... Aproveitemos essa celebração para agradecer
a DEUS pelo dom da Vida, pela sua Graça, pela sua Força...
às PESSOAS, que nos ajudaram em nossa caminhada.
Peçamos Perdão pelas vezes que falhamos e façamos uma Prece,
para que Deus nos acompanhe sempre nesse ano que estamos iniciando.

               Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 01.01.2015


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Vem aí o Ano Novo



Católicos devem buscar a bênção de Deus para 2015 com oração, não nas superstições de ano novo


"A diferença entre a religião cristã e práticas de superstição é que essas práticas se baseiam no desejo de dominar e controlar. 
A superstição pode dar a impressão para quem a pratica de que é possível dominar o futuro, mas nós sabemos que isso não é verdade. 
Todo cristão deve saber que a atitude dele diante do futuro não pode ser uma postura de domínio ou controle, mas sim de entrega e de confiança em Deus., afirmou o sacerdote carioca e autor do Livro “Basta uma Palavra”, Padre Antonio José Afonso da Costa. Segundo ele, a expectativa criada pela passagem do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro não pode afastar a pessoa de sua fé em Jesus, por meio de superstições e simpatias.

(acidigital)

Oitava do Natal


O MENINO POBRE É O SENHOR!