sábado, 7 de dezembro de 2019

Papa: resgatar os símbolos cristãos natalinos perdidos no imaginário comercial



O presépio e a árvore de Natal que enfeitam a Praça São Pedro neste Natal foram doados por regiões do norte da Itália que sofreram calamidades naturais no outono passado. As delegações foram recebidas em audiência pelo Papa Francisco nesta quinta-feira (05/12), no Vaticano.

Cidade do Vaticano

No dia da inauguração do presépio e da árvore de Natal na Praça São Pedro, o Papa Francisco recebeu em audiência as autoridades civis e eclesiásticas que doaram os símbolos natalinos ao Vaticano.

Este ano, os dons provêm das províncias italianas de Trento, Vicenza e de Treviso, regiões que viveram no outono passado uma forte tempestade que destruiu parte dos bosques locais.

De fato, o Pontífice aproveitou a audiência para renovar seu encorajamento às populações.

“Trata-se de eventos que assustam, são sinais de alarme que a criação envia, e que nos pedem para tomar imediatamente decisões eficazes para preservar a nossa casa comum.”

Francisco manifestou seu agradecimento e apreço pela decisão que serão replantados 40 abetos para substituir das plantas destinadas ao Vaticano, pois além da árvore na Praça, do norte da Itália provêm também as demais árvores que enfeitam outras salas vaticanas.

“O abeto vermelho doado representa um sinal de esperança especialmente para as vossas florestas, de modo que possam ser depuradas e dar início, assim, à obra de reflorestamento.”

Presépio, maneira genuína de comunicar o Evangelho

Já o presépio, realizado quase inteiramente de madeira, ajudará os visitantes a saborearem a riqueza espiritual do Natal do Senhor, destacou o Papa. Os troncos de madeira são provenientes das regiões atingidas por enchentes e ressaltam a precariedade na qual se encontrou a Sagrada Família naquela noite de Belém.

O Pontífice recordou que no I Domingo do Advento visitou Greccio, lugar do primeiro presépio de São Francisco, ocasião em que publicou uma Carta para falar deste sinal simples e admirável da nossa fé e que não deve ser perdido, pelo contrário, mas transmitido de pais a filhos, de avós a netos.

“É uma maneira genuína de comunicar o Evangelho, num mundo que às vezes parece ter medo de recordar o que é realmente o Natal, e cancela os sinais cristãos para manter somente os de um imaginário banal e comercial.”

Francisco concluiu seu discurso fazendo votos de que Nossa Senhora nos ajude a contemplar o Filho de Deus no rosto de quem sofre, e nos ampare no “compromisso de sermos solidários com as pessoas mais frágeis e mais fracas”.

(vaticannews)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Hoje a Igreja celebra São Nicolau, padroeiro das crianças



REDAÇÃO CENTRAL, 06 Dez. 19 / 05:00 am (ACI).- “Seria um pecado não repartir muito, sendo que Deus nos dá tanto”, costumava dizer São Nicolau, padroeiro das crianças, das moças solteiras, dos marinheiros, dos viajantes e da Rússia, Grécia e Turquia. Um azeite milagroso brota de seus restos, que serviu para a cura dos doentes. Sua festa se celebra neste dia 6 de dezembro.
Por se tratar de um santo dos primeiros séculos, pouco se sabe com exatidão a respeito dele, salvo que nasceu na Licia (atual a Turquia), em uma família muito rica. Tinha um tio Bispo que o ordenou sacerdote.
Seus pais morreram ajudando os doentes de uma epidemia e deixaram uma fortuna para Nicolau. Entretanto, o jovem decidiu reparti-la entre os pobres e tornar-se monge. Mais tarde, peregrinou ao Egito e à Palestina, onde conheceu a Terra Santa.
Ao retornar, chegou à cidade de Mira, na Turquia, onde os bispos e sacerdotes discutiam no templo sobre quem devia ser eleito novo Bispo da cidade. Ao final, decidiram que seria o próximo sacerdote que ingressasse no recinto. Nesse momento, São Nicolau entrou e foi eleito Prelado por aclamação de todos.
Mas, teve início uma perseguição promovida pelo imperador Diocleciano contra os cristãos e ele foi preso, sendo libertado apenas quando o imperador Constantino subiu ao trono.
“Graças aos ensinamentos de Nicolau, a metrópole de Mira foi a única que não se contaminou com a heresia ariana, a qual rechaçou firmemente, como se fosse um veneno mortal”, dizia São Metódio. O arianismo negava a divindade de Jesus Cristo. Dessa forma, São Nicolau combateu incansavelmente o paganismo.
Defensor da justiça, salvou três jovens de ser executados, vítimas de um suborno do governador Eustácio, que logo se arrependeu ao ser repreendido por São Nicolau.
Três oficiais foram testemunhas destes fatos e, posteriormente, quando estavam em perigo de morte, rezaram a São Nicolau. O santo apareceu em sonhos a Constantino e lhe ordenou que os libertasse porque eram inocentes.
Após os soldados dizerem ao imperador que tinham invocado São Nicolau, ele os libertou, com uma carta ao Bispo, em que lhe pedia que rezasse pela paz no mundo.
O santo é patrono dos marinheiros porque, em meio a uma tempestade, alguns marinheiros começaram a clamar: “Oh Deus, pelas orações de nosso bom Bispo Nicolau, nos salve”. Nesse momento, conta-se, apareceu São Nicolau sobre o navio, abençoou o mar e este se acalmou. Em seguida, o Bispo desapareceu.
Segundo o costume do Oriente, os marinheiros do mar Egeu e do Jônico têm uma “estrela de São Nicolau” e desejam boa viagem dizendo: “Que São Nicolau leve seu leme”.
Narra-se também que três meninos foram assassinados e jogados em um barril de sal. Mas, pela oração de São Nicolau, os infantes voltaram para a vida. Por isso, é padroeiro das crianças e costuma ser representado com três pequenos ao seu lado.
Outra lenda narra que na Diocese de Mira havia um vizinho em extrema pobreza que decidiu expor suas três filhas virgens à prostituição para que todos eles pudessem sobreviver.
São Nicolau, procurando evitar que isto acontecesse e na escuridão da noite, jogou pela chaminé da casa daquele homem uma bolsa com moedas de ouro. Com o dinheiro, a filha mais velha se casou.
Quis o santo fazer o mesmo em benefício das outras duas, mas na segunda ocasião, depois de atirar a bolsa sobre a parede do pátio da casa, acabou sendo descoberto pelo pai das jovens, que lhe agradeceu por sua caridade.
São Nicolau partiu para a Casa do Pai em 6 de dezembro, mas não sabe com exatidão se foi no ano 345 ou 352. Mais tarde, sua devoção aumentou e foram reportados inúmeros milagres.
No século VI, o imperador Justiniano construiu uma Igreja em Constantinopla (hoje Istambul) em sua honra e o santo se tornou popular em todo o mundo.
São Nicolau é patrono da Rússia, Grécia e Turquia. Além disso, é honrado em cidades da Itália, Holanda, Suíça, Alemanha, Áustria e Bélgica.
Em 1087 seus ossos foram resgatados de Mira, que já estava sob domínio dos muçulmanos, e levados para Bari, na costa da Itália. Por isso, é chamado São Nicolau de Mira ou São Nicolau de Bari. Suas relíquias repousam na Igreja de “San Nicola de Bari”, na Itália.
De seus restos mortais brota um azeite conhecido como o “Manna di S. Nicola”. Em Mira, dizia-se que “o venerável corpo do bispo, embalsamado no azeite da virtude, suava uma suave mirra que lhe preservava da corrupção e curava os doentes, para glória daquele que tinha glorificado Jesus Cristo, nosso verdadeiro Deus”.
Sua figura bondosa e caridosa passou a ser associada em muitos lugares a figura do Papai Noel nos países latinos, que traz presentes para as crianças na Noite de Natal. Na Alemanha, é Nikolaus, e nos países anglo-saxões, Santa Claus. Neste período, este simbolismo deve remeter a São Nicolau e, assim, recordar a todos do amor e caridade para com as crianças e os mais pobres, além da alegria de servir a Deus.
(acidigital)

Pregação de Advento: dizer "sim" a Deus exalta a dignidade humana



A pregação desta sexta foi dedicada à Anunciação. “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38)”.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana participaram na manhã desta sexta-feira (06/12), na capela Redemptoris Mater da Primeira pregação do Advento.

O pregador da Casa Pontifícia, Fr. Raniero Cantalamessa escolheu como tema das pregações de Advento um trecho do Evangelho de Mateus (2, 11): “Viram o menino com Maria, sua mãe” – Rumo ao Natal, acompanhados pela Mãe de Deus.

Maria não celebrou, mas viveu o Advento

Cada ano, explicou o frade italiano, a liturgia nos prepara para o Natal com três grandes guias: Isaías, João Batista e Maria; o profeta, o precursor, a mãe.

O primeiro o anunciou de longe, o segundo o apontou presente no mundo, a mãe o trouxe no ventre. “Para este Advento de 2019, pensei em nos confiar inteiramente à Mãe”, introduziu o Fr. Cantalamessa.

Ninguém melhor do que Ela pode nos predispor a celebrar o nascimento do Redentor.

Ela não celebrou o Advento, viveu-o em sua carne; como toda mulher gestante, sabe o que significa estar “à espera” e pode nos ajudar a viver este Advento com uma fé cheia de espera.

Fr. Cantalamessa dividiu as pregações em três momentos nos quais a Escritura apresenta Maria no centro dos acontecimentos: a Anunciação, a Visitação e o Natal.

Ato de fé mais decisivo da história

A pregação desta sexta foi dedicada à Anunciação. “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).”

Com estas poucas e simples palavras, afirmou o frade italiano, realizou-se o maior e mais decisivo ato de fé na história do mundo. Esta palavra de Maria representa o cume de qualquer comportamento religioso perante Deus, porque expressa, da maneira mais elevada, a passiva disponibilidade unida à ativa prontidão, o vazio mais profundo acompanhado da maior plenitude.

“Creiamos também nós! A contemplação da fé de Maria leva­-nos a renovar, antes de tudo, o nosso ato pessoal de fé e de abandono em Deus.”

Eis a importância decisiva de dizer a Deus, uma vez na vida, um “faça-se, fiat”, como o de Maria. Quando isso acontece, temos um ato envolto no mistério, porque implica, ao mesmo tempo, graça e liberdade; é uma espécie de concepção. A criatura não pode fazer este ato sozinha; por isso, Deus a ajuda, sem tirar sua liberdade.

“O que se precisa, pois, fazer?”, questionou o frade franciscano. É simples: depois de ter rezado, é preciso dizer a Deus com as mesmas palavras de Maria: “Eis aqui o servo, ou a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra!”.

“Sim, meu Deus, digo amém a todo o teu projeto, entrego-me a ti!”

"Fiat" com desejo e alegria

Porém, advertiu o Fr. Cantalamessa, é preciso lembrar que Maria disse o seu “fiat” com desejo e alegria.

Quantas vezes repetimos essas palavras num estado de espírito de resignação mal encoberta, como que baixando a cabeça e cerrando os dentes: “Se não há outro jeito, então faça-se a tua vontade!”.

“Maria ensina-nos a dizê-lo de maneira diferente. Sabendo que a vontade de Deus a nosso respeito é infinitamente mais bela e mais rica de promessas do que qualquer projeto nosso.”

Como Maria, devemos dizer cheios de desejo e quase com impaciência: “Seja logo realizada em mim, ó Deus, a tua vontade de amor e de paz!”.

“Com isso, a vida humana atinge seu sentido e sua mais alta dignidade. Dizer 'sim', 'amém' a Deus, não humilha a dignidade do homem, como às vezes se pensa hoje, mas a exalta.”

(vaticannews)

Greta Thunberg chegou a Madrid como saiu de Portugal: em silêncio




A jovem ativista sueca Greta Thunberg já está em Madrid, para participar na cimeira da ONU sobre o clima, COP 25.

Greta Thunberg partiu da estação de Santa Apolónia, em Lisboa, às 21.25 horas, tendo chegado a Madrid um pouco antes das 9 horas da manhã locais (8 horas em Portugal continental), após uma viagem de 10 horas a bordo do Lusitânia Comboio Hotel, o comboio noturno que liga as capitais portuguesa e espanhola.

À chegada à estação de Chamartín, tinha um batalhão de jornalistas e curiosos à espera. Foi escoltada pela polícia e por seguranças daquela estação e saiu sem prestar declarações.

Viajaram no comboio cerca de trinta jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara de vários países que embarcaram no comboio em Lisboa para cobrir a viagem de Thunberg.

Greta Thunberg entrou no comboio às 21 horas em ponto, em Lisboa, sem prestar declarações, tendo "fintado" quase duas dezenas de jornalistas e operadores de câmara, numa carruagem mais à frente, e fazendo o percurso por dentro do comboio até se no seu lugar.

Os serviços da CP colocaram baias para os jornalistas não se aproximarem do comboio, e a ativista entrou duas carruagens à frente, evitando desta forma o contacto com os jornalistas nacionais e estrangeiros que a aguardavam.

Alguns jornalistas também seguiram no comboio.

Greta Thunberg chegou a Lisboa na terça-feira a bordo do catamarã "La Vagabonde" depois de uma travessia do Atlântico de 21 dias para evitar os aviões e a sua forte carga poluente.

À chegada a Lisboa, a jovem ativista sueca apelou a todos para manterem pressão sobre os políticos com vista ao combate à crise climática e deixou a garantia de que não vai parar a luta para que os protestos dos jovens sejam ouvidos.

"Não iremos parar, iremos continuar e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance: a viajar, a pressionar as pessoas que têm o poder para que coloquem as prioridades no devido lugar", afirmou a ativista de 16 anos, deixando um apelo às dezenas de ativistas que a receberam: "Continuem a ajudar-nos para tornar tudo isto possível".

Instada a comentar a forma como alguns adultos a veem como uma criança zangada, respondeu que "as pessoas subestimam a força das crianças zangadas", acrescentando: "Estamos zangados, frustrados, por uma boa razão. Se querem que deixemos de estar zangados, parem de nos tornar zangados.


(jn.pt)