segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Papa Francisco - Oracão do Angelus 2020-01-26

Dia da Memória: “nunca mais”, repete o Papa, nunca mais a tragédia do Holocausto


Angelus
No Angelus deste domingo (26), o Papa convidou todos a rezar pelo Dia da Memória que ocorre hoje. Neste 27 de janeiro, o mundo recorda o aniversário de 75 anos da libertação dos sobreviventes em Auschwitz-Birkenau, na Polônia. “Uma imensa tragédia” que não dá espaço à “indiferença”, acrescentou o Pontífice.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

A Praça São Pedro estava cheia neste domingo (26), principalmente com milhares de crianças e jovens que participavam da Caravana da Paz, promovida pela Ação Católica da Itália. Há 41 anos a iniciativa procura enviar essa mensagem de paz ao mundo, que toma uma dimensão importante inclusive na véspera do Dia da Memória.
De fato, nesta segunda-feira, 27 de janeiro, principalmente a Europa se mobiliza em atividades e comemorações para se conservar a memória sobre a barbárie perpetrada pelos nazistas nos campos de concentração e extermínio que, há exatamente 75 anos, foi interrompida quando as tropas soviéticas libertaram os sobreviventes em Auschwitz-Birkenau. Era o ano de 1945 e a data foi instituída oficialmente pela ONU em 2005 em memória às vítimas do Holocausto e contra o racismo e outras formas de intolerância.

Dia da Memória e de oração

Ao final da Oração Mariana do Angelus, então, o Papa também  recordou o Dia da Memória e a celebração do aniversário de 75 anos da libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, símbolo da Shoah.

“Diante desta imensa tragédia, a essa atrocidade, não é admissível a indiferença e é legítima a memória. Amanhã estamos todos convidados a fazer um momento de oração e recolhimento, dizendo em nossos corações: nunca mais, nunca mais!”

(vaticannews)


domingo, 26 de janeiro de 2020

Papa: vamos dar espaço à Palavra de Deus, lendo diariamente a Bíblia, inclusive no celular


Homilia
Ao pronunciar a homilia na missa que, pela primeira vez, celebra o Domingo da Palavra de Deus, Francisco nos encorajou novamente a ler o Evangelho todos os dias. A cerimônia foi instituída no ano passado e, neste domingo (26), foi celebrada para fortalecer e recuperar a identidade cristã, através da familiaridade com a Bíblia: “vamos ler diariamente qualquer versículo”, trazendo o Evangelho no bolso ou mesmo lendo pelo celular, disse o Papa.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

Pela primeira vez a Igreja celebrou o Domingo da Palavra de Deus dedicado ao estudo e à difusão do Evangelho. Esse dia é celebrado sempre no III Domingo do Tempo Comum, desde a instituição do Papa em setembro de 2019, para fortalecer e recuperar a identidade cristã, através da familiaridade com a Bíblia.
Na homilia deste domingo (26), na Basílica de São Pedro, Francisco se inspirou nas leituras do dia para voltar às origens da pregação de Jesus, que relata como, onde e a quem começou a pregar.

"1.    Como iniciou? Com uma frase muito simples: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (4, 17). Esta é a base de todos os seus discursos: dizer-nos que o Reino do Céu está próximo. E que significa isto? Por Reino do Céu, entende-se o reino de Deus, ou o seu modo de reinar, de situar-se relativamente a nós. Ora Jesus diz-nos que o Reino do Céu está próximo, que Deus está próximo. Aqui está a novidade, a primeira mensagem: Deus não está longe, Aquele que habita nos céus desceu à terra, fez-Se homem. Removeu as barreiras, eliminou as distâncias. Não é mérito nosso: Ele desceu, veio ao nosso encontro. 
É uma mensagem de alegria: Deus veio pessoalmente visitar-nos, fazendo-Se homem. Não tomou a nossa condição humana por um sentido de dever, mas por amor. Amorosamente tomou a nossa humanidade, porque toma-se aquilo que se ama. E Deus tomou a nossa humanidade, porque nos ama e, gratuitamente, quer-nos dar a salvação que, sozinhos, não poderíamos obter. Deseja estar connosco, dar-nos o encanto de viver, a paz do coração, a alegria de ser perdoados e nos sentirmos amados.
Deste modo compreendemos o convite que nos dirigiu Jesus: «convertei-vos», isto é, «mudai de vida». Mudai de vida, porque começou um modo novo de viver: acabou o tempo de viver para si mesmo, começou o tempo de viver com Deus e para Deus, com os outros e para os outros, com amor e por amor. Hoje Jesus repete o mesmo a ti:
«Coragem, estou próximo de ti, dá-Me espaço e a tua vida mudará!» É para isto que o Senhor te dá a sua Palavra: para que a recebas como a carta de amor que escreveu para ti, para fazer-te sentir que Ele está junto de ti. A sua Palavra consola-nos e encoraja-nos; ao mesmo tempo provoca a conversão, nos desperta, liberta-nos da paralisia do egoísmo. Pois a sua Palavra tem este poder: o poder de mudar a vida, de fazer passar da escuridão à luz. Essa é a força da sua Palavra.

2.    Se observarmos onde Jesus começou a pregar, descobrimos que o fez precisamente a partir das regiões então consideradas «tenebrosas». De facto, a primeira Leitura e o Evangelho falam-nos daqueles que jaziam «na sombria região da morte»: são os habitantes da «terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios» (Mt 4, 15-16; cf. Is 8, 23 - 9, 1). Galileia dos gentios: assim se chamava a região onde Jesus começou a pregar, porque estava habitada por pessoas muito diferentes entre si formando uma verdadeira amálgama de povos, línguas e culturas. De facto, era o caminho do mar, que constituía uma encruzilhada. Lá viviam pescadores, comerciantes e estrangeiros: não era de certeza o lugar onde se encontrava o povo eleito na sua pureza religiosa melhor. E, no entanto, Jesus começou de lá: não do átrio do templo de Jerusalém, mas do lado oposto do país, da Galileia dos gentios, dum local de fronteira, duma periferia.
Disto mesmo podemos tirar uma lição: a Palavra que salva não procura lugares refinados, esterilizados, seguros. Vem à complicação dos nossos dias, às nossas obscuridades. Hoje, como então, Deus deseja visitar aqueles lugares, onde se pensa que lá Ele não vai. Quantas vezes, porém, somos nós que fechamos a porta, preferindo manter escondidas as nossas confusões, opacidades e duplicidades. Ocultamo-las dentro de nós, enquanto vamos encontrar o Senhor com qualquer oração formal, tendo cuidado para que a sua verdade não nos abale intimamente. E essa é uma hipocrisia oculta. Mas Jesus – como diz o Evangelho de hoje – «começou a percorrer toda a Galileia, (…) proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades» (4, 23): atravessava toda aquela região multiforme e complexa. De igual modo, não tem medo de explorar os nossos corações, os nossos lugares mais rudes e difíceis. Jesus sabe que apenas o seu perdão nos cura, apenas a sua presença nos transforma, apenas a sua Palavra nos renova. A Ele que percorreu o caminho do mar, abramos os nossos caminhos mais tortuosos: deixemos entrar em nós a sua Palavra, que é «viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes; (…) discerne os sentimentos e intenções do coração» (Heb 4, 12).

3.    Por fim, a quem começou Jesus a falar? Narra o Evangelho que Ele, «caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos (…) que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: “Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens”» (Mt 4, 18-19). Os primeiros destinatários da chamada foram pescadores: não pessoas atentamente selecionadas com base nas suas capacidades, nem homens piedosos que estavam no templo a rezar, mas gente comum que trabalhava. Pessoas normais, que trabalhavam.
Notemos o que lhes diz Jesus: farei de vós pescadores de homens. Fala a pescadores e usa uma linguagem que eles compreendem. Atrai-os a partir da sua vida: chama-os onde estão e como são, para os envolver na própria missão d’Ele. «E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-No» (4, 20). Porquê imediatamente? Simplesmente porque se sentiram atraídos. Não aparecem despachados e prontos por ter recebido uma ordem, mas porque foram atraídos pelo amor. Para seguir a Jesus, não bastam os bons propósitos; é preciso ouvir dia a dia a sua chamada. Só Ele, que nos conhece e ama profundamente, leva a fazer-nos ao largo no mar da vida, como fez com os discípulos que O escutaram.
Por isso, precisamos da sua Palavra: precisamos de escutar, no meio das infindas palavras de cada dia, a única Palavra que não nos fala de coisas, mas de vida.

Queridos irmãos e irmãs, demos espaço à Palavra de Deus! Leiamos diariamente qualquer versículo da Bíblia. Comecemos pelo Evangelho: mantenhamo-lo aberto na cómoda de casa, tragamo-lo connosco no bolso, visualizemo-lo no telemóvel, deixemos que nos inspire todos os dias. Descobriremos que Deus está perto de nós, ilumina as nossas trevas, amorosamente impele para o largo a nossa vida."

(vaticannews)

sábado, 25 de janeiro de 2020

Hoje a Igreja celebra a Conversão de São Paulo




REDAÇÃO CENTRAL, 25 Jan. 20 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 25 de janeiro, a Igreja Católica celebra o dia em que São Paulo – então chamado Saulo – alcançou a conversão, a caminho de Damasco, para onde se dirigia para perseguir os cristãos.
Como se recorda, quando ia para Damasco, Saulo foi derrubado do cavalo pelo próprio Jesus por meio de uma luz do céu que brilhou sobre ele e seus companheiros, cegando-o por três dias. Durante esse tempo, Saulo permaneceu na casa de um judeu chamado Judas, sem comer nem beber.
O cristão Ananias, a pedido de Cristo, foi ao encontro de Saulo, que recuperou a vista e se converteu, recebendo o batismo e passando a pregar nas sinagogas sobre o Filho de Deus, com grande espanto de seus ouvintes. Assim, o antigo perseguidor se converteu em apóstolo e foi eleito por Deus como um de seus principais instrumentos para a conversão do mundo.
São Paulo nasceu no Tarso, Cilícia (atual Turquia), e seu pai era cidadão romano. Cresceu no seio de uma família em que a piedade era hereditária e muito ligada às tradições e observâncias dos fariseus. Colocaram-lhe o nome Saulo e, como também era cidadão romano, levava o nome latino de Pablo (Paulo).
Para os judeus daquele tempo era bastante comum ter dois nomes, um hebreu e outro latino ou grego. Paulo será, pois, o nome que utilizará o apóstolo para evangelizar os gentios.
O período que vai do ano 45 ao 57 foi o mais ativo e frutífero de sua vida. Compreende três grandes expedições apostólicas das quais Antioquia foi sempre o ponto de partida e que, invariavelmente, terminaram por uma visita à Jerusalém.
Os restos do santo descansam na Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma. Este templo é o maior, depois da Basílica de São Pedro.

(acidigital)

Papa na Santa Marta: a inveja leva à guerra, mas não tem consistência



Na homilia da missa da manhã, o Papa Francisco adverte contra "o verme do ciúme", que nos leva a julgar mal os outros, a competir, com uma "murmuração" conosco mesmo que mata o outro, mas que na realidade "não tem consistência". Que o Senhor nos dê sempre a graça de entender isso e, como Saul, não matar Davi.

Alessandro Di Bussolo – Cidade do Vaticano

Estejamos atentos ao verme da inveja e do ciúme, que "nos leva a julgar mal as pessoas", a competir na família, no bairro e no trabalho: "É a semente de uma guerra", uma "tagarelice" conosco mesmos que mata o outro, mas que se pensarmos bem, veremos que "não tem consistência" e acaba em "uma bolha de sabão".
O Papa Francisco, na homilia da Missa celebrada nesta manhã na Casa Santa Marta, tira este grande ensinamento da Primeira Leitura proposta pela liturgia, que descreve o ciúme do rei Saul em relação a Davi.

Os ciúmes são criminosos, procuram sempre matar

O Papa recorda que o ciúme do rei, descrito no primeiro livro de Samuel, nasce do canto de vitória das jovens, por Saul ter matado mil inimigos, enquanto Davi dez mil. Tem início assim "a inquietação do ciúme", como "um verme que te corrói por dentro".  Então "Saul sai com o exército para matar Davi".
"Os ciúmes são criminosos - comenta Francisco – procuram sempre matar". E para aqueles que dizem "sim, tenho inveja disso, mas não sou um assassino", o Pontífice recorda: "agora. Mas se você continuar, pode acabar mal". Porque – recorda – se pode matar facilmente "com a língua, com a calúnia".

O invejoso murmura consigo mesmo, e não vê a realidade

Um ciúme - prossegue o Papa Francisco - que cresce "falando consigo mesmo", interpretando as coisas com a chave do ciúme. Na "murmuração consigo mesmo", o ciumento "é incapaz de ver a realidade", e somente "um fato muito forte" pode abrir seus olhos. Foi assim na fantasia de Saul, "o ciúme o levou a acreditar que Davi era um assassino, um inimigo".

Nós também, quando temos inveja, ciúmes, fazemos isto, eh! Cada um de nós pense: "Por que é que esta pessoa é insuportável para mim? Por que aquela outra nem sequer quero vê-la? Por que aquela outra..." Cada um de nós pense porquê. Muitas vezes procuramos o porquê e descobrimos que são fantasias nossas. Fantasias, que porém crescem naquela murmuração conosco mesmo.

“E no final é uma graça de Deus quando o ciumento encontra uma realidade como ocorreu com Saul: o ciúme irrompe como uma bolha de sabão, porque o ciúme e a inveja não têm consistência.”

Deus faz estourar a bolha de sabão do ciúme de Saul

A salvação de Saul está no amor de Deus, recorda o Papa, que "lhe tinha dito que se não obedecesse, lhe tiraria o seu reino, mas Ele o amava". E assim ele "deu-lhe a graça de estourar aquela bolha de sabão que não tinha substância". Francisco conta o episódio bíblico, com Saul que entra na caverna onde Davi e seus homens se esconderam, "para fazer suas necessidades". Seus amigos dizem a David para aproveitar disso para matar o rei, mas ele recusa: "Nunca colocarei minhas mãos sobre o ungido do Senhor". Vê-se, comenta o Pontífice, "a nobreza de Davi em comparação com o ciúme assassino de Saul". Então, em silêncio, ele corta apenas um pedaço do manto do rei, "e leva-o consigo".

O diálogo entre Davi e Saul

Então, continua a narração do Papa Francisco, Davi sai da caverna e respeitosamente chama Saulo: "Ó rei, meu senhor!" mesmo se "ele tenta matá-lo". E ele lhe pergunta: "Por que você escuta a voz de quem diz: 'Eis que Davi procura o seu mal'?" E ele mostra-lhe o pedaço do manto, dizendo: "Eu podia tê-lo matado. Não, eu não fiz isso." Isto, comenta o Papa, "arrebenta a bolha de sabão do ciúme de Saul", que reconhece Davi "como se fosse um filho e volta à realidade", dizendo: "Tu és mais justo do que eu, porque me fizeste o bem, enquanto eu te fiz mal".

Protejamos nosso coração do verme do ciúme

"É uma graça - diz Francisco - quando o invejoso, o ciumento, se depara com uma realidade que estoura aquela bolha de sabão que é o seu vício de ciúme ou inveja". E nos convida a olhar para nós mesmos, quando "não gostamos de uma pessoa, não a queremos bem". Perguntemo-nos: "O que há dentro de mim? Há o verme do ciúme que cresce, porque ele tem algo que eu não tenho ou há uma raiva escondida?"
Devemos, é conselho do Pontífice, "proteger nosso coração desta doença, desta murumuração comigo mesmo, que faz crescer esta bolha de sabão, que depois, não tem consistência, mas faz  tanto mal". E também quando alguém vem até nós "para falar de outro", devemos fazê-lo compreender que, muitas vezes, ele não fala com serenidade, mas "com paixão", e nessa paixão "há o mal da inveja e o mal do ciúme":

Tenhamos cuidado, pois este é um verme que entra no coração de todos nós - de todos nós! - e leva-nos a julgar mal as pessoas, porque no interior há uma concorrência: ele tem algo que eu não tenho. E assim começa a concorrência. Leva-nos a descartar pessoas, leva-nos a uma guerra; uma guerra doméstica, uma guerra de bairro, uma guerra de postos de trabalho. Mas é precisamente na origem, é a semente de uma guerra: inveja e ciúme.

Tenhamos cuidado, conclui o Papa Francisco, "quando sentimos essa antipatia por alguém e nos perguntemos: 'Por que eu sinto isso?' E não vamos permitir que esta "murmuração" conosco mesmo nos faça pensar mal, "porque isto faz crescer a bolha de sabão".

Peçamos ao Senhor a graça de ter um coração transparente como o de Davi. Um coração transparente que procura apenas a justiça, procura a paz. Um coração amigo, um coração que não quer matar ninguém, porque o ciúme e a inveja matam.

(vaticannews)