A Mercedes-Benz celebrou cerca de 100 anos de produção do papamóvel — o veículo pessoal do papa.

Para marcar a ocasião, o papa Leão XIV teve uma audiência privada hoje (28) com executivos da fabricante alemã de carros de luxo. No mesmo dia, foi inaugurada nos Museus Vaticanos a exposição Um Século do Papamóvel, com o primeiro papamóvel, dado ao papa Pio XI em 1930, e carro em que são João Paulo II estavas quando foi baleado em 13 de maio de 1981.

Transportes em evolução para os sucessores de Pedro

Em seu discurso à Mercedes-Benz, o papa elogiou a empresa pela parceria duradoura com a Santa Sé e falou sobre como o transporte do papa — de são Pedro até os dias atuais — evoluiu.

“Ao longo das décadas, o papamóvel evoluiu de um meio de transporte para um instrumento de encontro, permitindo ao papa aproximar-se dos fiéis em visitas pastorais e celebrações públicas”, disse Leão XIV. “Assim, o trabalho ajudou a facilitar a missão da Igreja de alcançar as pessoas e levar uma mensagem de fé, esperança e caridade ao mundo”.

O papa também os encorajou a direcionar suas inovações para um mundo mais sustentável, colocando sua "inovação tecnológica a serviço da dignidade humana, do cuidado com a criação e do bem comum".

Carruagens, a 'sedia gestatoria' e o transporte moderno

O transporte papal evoluiu desde o fim do Império Romano, quando os papas eram carregados nas "sedia gestatoria" — tronos cerimoniais ornamentados carregados por 12 soldados em procissões e grandes celebrações litúrgicas usado pela última vez na abertura do Conc´[ilio Vaticano II, em 1962.

A partir do fim do século XIX, os papas passaram a optar cada vez mais por meios de transporte modernos, sendo que o papa beato Pio IX usou o primeiro trem papal em 1859. O Nürburg 460 Pullman, fabricado pela Mercedes-Benz e oferecido ao papa Pio XI em 1930, foi o primeiro automóvel oficial utilizado para transportar o papa.

A palavra "papamóvel" foi usada pela primeira vez para descrever um Lincoln Continental personalizado para a visita do papa são Paulo VI aos EUA em 1965. Papas desde são João Paulo II têm usado o papamóvel, e a Mercedes-Benz adaptou modelos posteriores para maior segurança devido ao atentado sofrido por ele em 1981.

O dever de garantir a segurança do papa

Os executivos da Mercedes-Benz falaram com a EWTN News sobre a parceria de cerca de um século com a Santa Sé.

Marc Langenbrinck, diretor-executivo da Mercedes-Benz Itália, descreveu a parceria como um privilégio, especialmente por ser católico.

“É simplesmente o dia mais bonito da minha carreira porque sou católico e acredito, e para mim é algo que representa um projeto de uma vida inteira”, disse Langenbrinck à EWTN News.

Marcus Breitschwerdt, vice-presidente executivo da Mercedes-Benz, falou sobre as medidas de segurança e acessibilidade implementadas no papamóvel.

“Bem, antes de mais nada, um veículo precisa se mover com segurança e conforto, mas também com segurança em termos de tráfego e riscos de acidentes”, disse Breitschwerdt à EWTN News. “Ele precisa ser concebido e executado com segurança, levando em consideração os riscos modernos que se enfrentam em meio a grandes multidões”.

“Então temos versões blindadas; temos os papamóveis com vidros reforçados, que são muito, muito sofisticados”, disse Breitschwerdt.

Breitschwerdt, num discurso para o lançamento da exposição, disse também que nenhum funcionário da Mercedes-Benz jamais tem permissão para se sentar no assento do papa no papamóvel.

“Existe uma regra estrita de que ninguém — nem mesmo os mecânicos que fazem a manutenção dos veículos ou o nosso diretor-executivo — tem permissão para se sentar na cadeira do papa”, disse Breitschwerdt.