segunda-feira, 22 de maio de 2023
domingo, 21 de maio de 2023
Igreja celebra hoje a solenidade da Ascensão do Senhor
REDAÇÃO CENTRAL, 21 Mai. 23 / 05:00 am (ACI).- Hoje a Igreja Universal celebra a solenidade da Ascensão do Senhor ao céu, após quarenta dias de sua ressurreição.
São João Paulo II, ao meditar sobre esta solenidade, em sua homilia de 24 de maio de 2001, assinalou que “a contemplação cristã não nos subtrai ao compromisso histórico. O ‘céu’ da Ascensão de Jesus não quer dizer distância, mas o ocultar e a vigilância de uma presença que nunca nos abandona, até que Ele venha na glória”.
“Entretanto – continua o santo – chegou a hora exigente do testemunho para que, em nome de Cristo, ‘sejam anunciadas a todas as gentes a conversão e a remissão dos pecados’”.
Uma das passagens bíblicas que narra este episódio da vida do Senhor está no evangelho de são Lucas 24,46-53:
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 46“Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48Vós sereis testemunhas de tudo isso. 49Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”.
50Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. 52Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. 53E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.
(acidigital)
sábado, 20 de maio de 2023
Coroar Nossa Senhora é expressão de amor, diz teólogo
Natalia Zimbrão
REDAÇÃO CENTRAL, 20 Mai. 23 / 08:00 am (ACI).- A coroação de Nossa Senhora no mês de maio é uma tradição no Brasil. Seja em igrejas, escolas ou mesmo nas famílias, fiéis revestem uma imagem da Virgem com um véu, ofertam-lhe flores e colocam uma coroa sobre sua cabeça. Para o assessor teológico da Academia Marial de Aparecida, Vinícius Paiva, trata-se de “uma expressão de amor”.
“Tenho para mim, que é uma pratica devocional muito bonita, que traduz o carinho do povo de Deus para com Nossa Senhora”, disse em entrevista à ACI Digital.
Paiva destacou que esta é uma tradição muito antiga e, por isso, é “muito pouco provável que tenha surgido de um único lugar, ela vai sendo formada por diversos momentos”. Sendo assim, indicou “três origens prováveis para chegar à coroação que temos hoje”.
A primeira delas remete a santo Efrém, no século IV. Paiva diz que é deste santo “a referência mais antiga a Nossa Senhora como rainha”.
“Santo Efrém vai fazendo uma comparação de que, se o céu é o trono de Deus e o trono de Deus deve ser honrado, quanto mais Maria. Então, ele fala assim: ‘O céu não foi tua mãe, e fizeste dele teu trono. Ora, quanto mais se deve honrar e venerar a mãe do Rei, do que o seu trono’”, disse.
Segundo o teólogo, naquela época ainda não havia a figura da rainha como se conhece hoje. “Quando chega a Idade Média, essa visão explode, porque tem a figura mesmo social da rainha muito forte e vai ser feita uma associação da figura de Maria com a rainha”.
Um segundo fator que Paiva considera ter contribuído muito para a tradição de coroar Maria em maio vem de são Filipe Néri (1515-1595). “Na Europa, o mês de maio é a primavera. São Felipe Neri, que foi um santo apaixonado por Jesus e por Nossa Senhora, começou a oferecer uma coroa de flores para a Virgem Maria neste mês”, disse.
Há um “terceiro fator determinante para a coroação de Nossa Senhora, sobretudo, no dia 31 de maio, que é o dia da coroação em muitas igrejas”. Em 1954, o papa Pio XII publicou a carta encíclica Ad Caeli Reginam, na qual definiu o dia 31 de maio como a festa de Maria Rainha e determinou “que nesse dia também se fizesse a consagração do gênero humano ao Imaculado Coração de Maria”.
Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, “essa festa foi ajustada para o dia 22 de agosto, para poder ser uma semana após a assunção de Nossa Senhora”, celebrada em 15 de agosto.
“Então, o que imagino hoje é que a partir dessa época, as paróquias começaram a fazer a coroação da Virgem Maria em 31 de maio e, por mais que tivesse a alteração do calendário, a tradição de coroar Maria neste dia como rainha permaneceu na Igreja. A festa foi transferida, mas a prática devocional ficou”, disse.
Esta prática devocional envolve elementos significativos, disse Paiva. O véu colocado sobre a imagem da Virgem Maria “é um símbolo ligado à pureza e à realeza”.
“Tudo aquilo que é precioso é guardado, então, existe essa questão em torno do véu”, disse. As flores “estão ligadas à primavera (estação do mês de maio no hemisfério norte) e, como Ela é a rainha, são oferecidas flores”. E a coroa diz respeito à sua realeza.
O teólogo citou ainda “um quarto elemento que tem crescido no Brasil ultimamente, que é o manto de Nossa Senhora”.
“Agora, tem uma expressão popular de que nessas coroações se passa com o manto de Nossa Senhora sobre as pessoas. Esse manto é o manto que abriga, que protege. Santo Efrém já falava que Nossa Senhora é aquela que nos protege do inimigo, a Rainha protetora”.
“Mas, acho que tudo isso se resume a um denominador comum, que é o amor, são expressões de amor. Tanto em santo Efrem, quanto em são Filipe Néri, em Pio XII, na Igreja atualmente, tudo o que se faz é uma prática de amor a Maria”, disse.
Para Vinícius Paiva, essa tradição da coroação de Nossa Senhora já está “enraizada na cultura” e, portanto, “não sai mais, passa a ser um patrimônio cultural”.
Paiva vê também uma função de catequese na coroação. “Acredito que o Espírito Santo mantém viva essa tradição da coroação de Maria, em última análise, porque é uma forma de evangelizar”, disse. Para ele, “a coroação a Nossa Senhora é catequética, é formativa e ali há ação do Espírito para que as pessoas compreendam, a partir daquela coroação, o papel de Maria na história da redenção”.
“Na hora que você coroa Maria como rainha, você está fazendo reverência ao Rei, é uma confissão de fé cristã. Não tem como honrar Maria e não estar honrando seu filho, porque toda sua vida é cristocêntrica”, disse.
Paiva considera que é possível aproveitar a coroação de Nossa Senhora “para aprofundar ainda mais” na catequese, trazendo “à luz da Palavra de Deus, à luz do Catecismo da Igreja Católica, a importância da figura de Maria”.
“Por exemplo, a coroação é um dos vinte mistérios do rosário, então, é possível trabalhar isso; é possível fazer uma ponte para o dogma da assunção... Esse é um caminho para aprofundar a catequese que por si só a piedade popular já é”, disse.
Por fim, Vinícius Paiva ressaltou que, embora haja a tradição da coroação de Nossa Senhora em maio, “nós não podemos deixar de coroá-la em nossas vidas, não só uma vez por ano, mas todos os dias”.
(acidigital)

