quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Gaza, o inferno das crianças. As vidas ceifadas dos inocentes

 


Mais de 20 mil menores foram mortos durante o conflito na Faixa de Gaza e mais de 40 mil ainda estão soterrados sob os escombros. E muitas crianças que ficaram sozinhas se veem obrigadas a enterrar seus coetâneos

Davide Dionisi - Vatican News

Crianças enterrando crianças. Também se depara com essas cenas angustiantes na Faixa de Gaza, e é a segunda vez em um mês que são realizados funerais em massa, durante os quais as crianças depositam flores e acendem velas sobre os corpos de seus coetâneos.

A tragédia dos resgates

No início do mês de setembro, foram recuperados dos escombros de um prédio residencial no sudeste da Cidade de Gaza — destruído há mais de dois anos por um ataque aéreo israelense — 106 corpos, entre os quais os de 73 crianças. Os corpos permaneceram presos durante todo esse tempo sob os escombros do prédio, antes que as equipes de resgate conseguissem abrir caminho entre o concreto armado e retirá-los. E o que torna ainda mais dramático o processo de resgate é a paralisia logística imposta no local.

Não fiquemos de braços cruzados

“Essas vidas ceifadas são o testemunho do custo brutal que esta guerra está impondo às crianças. A humanidade não pode aceitar que os funerais em massa de crianças palestinas se tornem uma realidade cotidiana. Não podemos ficar parados assistindo enquanto tudo isso continua”, disse Ahmad Alhendawi, diretor regional da Save the Children para o Oriente Médio, Norte da África e Europa Oriental. De acordo com o relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, pelo menos 20.179 crianças foram mortas na Faixa de Gaza entre 7 de outubro de 2023 e 31 de março de 2026. E mais. Mais de 44.000 ficaram feridas e muitas outras ainda estão soterradas sob os escombros; dezenas de milhares perderam um ou ambos os pais, enquanto cerca de 21.000 vivem hoje com deficiências permanentes, incluindo inúmeras amputações. No total, entre mortos e feridos, o número ultrapassa 50.000 crianças. Estima-se, além disso, que cerca de 17.000 crianças tenham ficado sozinhas, sem pais ou parentes de referência, muitas vezes separadas de suas famílias devido a deslocamentos forçados ou a perdas de vidas durante os bombardeios.

O drama da desnutrição

O acesso a alimentos e bens essenciais (farinha, pão, leite) continua extremamente limitado. Centenas de milhares de pessoas correm risco ou sofrem diretamente de desnutrição aguda, com graves consequências para o desenvolvimento normal e para a saúde. Os danos contínuos às infraestruturas hídricas e aos estoques de ajuda humanitária limitam a disponibilidade de água potável, expondo-as ao risco constante de infecções e epidemias. A desnutrição crônica afetou 12,2% das crianças menores de cinco anos e, segundo Edouard Beigbeder, diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e o Norte da África, “a situação nutricional das crianças melhora quando a ajuda e os suprimentos comerciais chegam até elas, e piora com a mesma rapidez quando isso não acontece”.

O colapso do sistema de saúde em Gaza

Recentemente, graças ao apoio de agências humanitárias, foram prestados serviços de saúde e nutrição essenciais à sobrevivência a dezenas de milhares de crianças, mulheres e famílias vulneráveis em todo o enclave palestino. Esse apoio contribuiu para sustentar os serviços de saúde para mães, recém-nascidos e crianças pequenas, ampliar o acesso à atenção primária à saúde e fortalecer a capacidade de terapia intensiva, em um momento em que as hostilidades em curso, os repetidos deslocamentos, as infraestruturas danificadas e a grave escassez de suprimentos médicos essenciais continuam a exercer uma enorme pressão sobre o sistema de saúde de Gaza. Ao mesmo tempo, devido à escassez de recursos financeiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que, a partir de 19 de setembro, interromperá o fornecimento de diesel a cerca de 20 unidades hospitalares.

Enquanto isso, nos territórios, a violência e os ataques continuam. Um ataque das Forças de Defesa de Israel (IDF) a oeste da Cidade de Gaza, no norte do território, matou na segunda-feira pelo menos uma pessoa e deixou vários feridos, segundo a Al Jazeera.


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